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Fico estupefacto com os argumentos dos que se dizem não alinhados com o rebanho do pensamento único, isto é, os que não pensam como eles, que não estão de acordo com os postos de vista de Putin e que não se colocam, neste caso, contra o ocidente U.E., NATO e EUA. Os seus argumentos são uma tentativa de justificarem a “boa ação” que é a invasão da Ucrânia.

São estes os que, há mais de 60 dias, surgiram nas redes sociais, em blogues, artigos de opinião na imprensa, em comentários televisivos nas horas nobres de noticiários, a atacar o ocidente para justificarem a invasão bélica de um país soberano por um ditador megalómano e provocador.

Por entre aqueles há de tudo: civis, jornalistas, professores, especialistas em política internacional, estrategos, há de tudo. Nestes também se incluem outros que são, ou já foram, generais, majores generais, coronéis no ativo, na reserva ou na reforma que peroram desde política internacional à estratégia e táticas de guerra.

As narrativas de todos eles situam-se, não no facto enquanto tal, a invasão de um país por outro que ultrapassou os limites da decência ao deitar para o lixo tudo o que são compromissos ou acordos de convivência pacifica que é suposto existirem entre países civilizados e cooperantes. Não devemos esquecer-nos que quem tenta imputar ou criticar o ocidente pelas causas da invasão da Ucrânia são os descrentes nos direitos humanos, na democracia, no direito internacional, na tolerância pela diferença, na solidariedade, no próprio direito de autodeterminação dos povos.

Em vez de se centrarem sobre a invasão, utilizam subterfúgios para esconderem uma, pelos menos aparente, simpatia pelo invasor, enquanto ao mesmo tempo se preocupam em negá-la afirmando que até são pela paz, opõem-se ao militarismo, ao armamento e pedem negociações para paz. Tudo isto em abstrato. Limitam-se a estar contra a tudo quanto venha do ocidente, U.E. e EUA. Consciente ou inconscientemente colocam-se do lado do invasor e contra os que o defendam ou ajudam o invadido. Nada contra o invasor.

Alguns sugerem apelos ao bom senso para que o invadido se renda vindo de militares, ex-militares de tendências russófilas (leia-se putinófilas). São titulados como comentadores com que alguns canais de televisão nos presenteiam.

O invadido, como para Putin e para os que o apoiam, é mostrado como a ultradireita, os nazis, os mercenários que cometem genocídio, etc. Como justificação recordam e apresentam-nos passados trágicos, quiçá também cruéis, para justificarem no presente barbaridades e crueldades dos invasores. Colocar o problema ao inverso que é o de ser o invadido que provoca genocídios. Fracos argumentos os desta gente que os mesmos paranoicos que chamam a quem está em desacordo com eles de pertencerem à manada e que clara e razoavelmente estão consonantes com o pensamento do ocidente.

Os “putinófilos” mostram a sua incapacidade de condenar uma invasão vinda de um regime autocrático que, quer se queira, ou quer não, é, na verdadeira acessão da palavra imperialista. Imperialistas não são apenas os EUA, o próprio autocrata russo já se referiu ao Imperio Russo, sendo mencionado por alguns como um nacionalista que poderá levá-lo até onde lhe permitirem a reconstituição das fronteiras desse império. Todavia, Vladimir Putin nega estas especulações sobre as tentativas de restaurar o Império Russo. Mas sabemos como ele também negou, dias antes, a invasão da Ucrânia.

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publicado às 19:02


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