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Com todo o respeito que tenho pela família e pela igreja o CDS/PP é o partido de algumas famílias, as ricas, e de alguma parte da igreja. E sempre foi assim desde que foi partido apesar de Paulo Portas ter tentado que fosse, e conseguiu em parte, um partido da direita democrática a sério.  


Aqui há algum tempo presenciei uma cena numa conhecida avenida de Lisboa, lá para os lados da Praça de Londres uma trica de rua entre uns sujeitos que passavam e um outro que me pareceu ser, numa rápida análise, uma pessoa de baixa condição social, isto sem qualquer sobranceria. Diziam os primeiros, «tá calado e vai-te embora ó comuna!», ao que o outro respondeu «Quem eu? Comuna? Eu sou do CDS pá» e seguiu o seu caminho. Ser o CDS para este personagem ser do CDS era sinal de estatuto social, de pertencer a uma classe alta. Pois é!


O CDS depois do 25 de Abril, ainda antes de ser CDS/PP, não tinha muito boa reputação democrática. Já que Nuno Melo e Cristas gostam muito do passado dos outros seria bom que olhassem para dentro de si próprios e sobre o passado do seu partido, muito pouco democrático e desprestigiante de um estado de direito e democrático como é descrito no livro de Miguel Carvalho, grande repórter da VISÃO, cujo título é Quando Portugal Ardeu. Escreve a certa altura o autor a páginas 141 que “… Enquanto isso, o apascentar das almas a favor dos partidos mais próximos dos valores cristãos, no caso o CDS e o PDC, é assumido pelo próprio D. Francisco: no programa daqueles partido, assume, «tudo nos parece, em teoria e de facto, em perfeito acordo» com a doutrina da Igreja. O CSD aproveita a bênção…”.


Não fosse a volta dada pelos partidos moderados do centro esquerda e centro direita para que houvesse em Portugal uma verdadeira democracia talvez o CDS fosse hoje um partido daqueles da extrema-direita populista como os que agora despertaram na União Europeia.


Não foi por acaso, nem por imprudência, que o Patriarcado de Lisboa colocou na sua página do Facebook um post que, após reclamações acabou por retirar, onde se associava à coligação Basta, o Nós Cidadãos e ao CDS no apelo ao voto nestas três forças políticas.


Que crédito e confiança poderá merecer a classe clerical portuguesa a um católico como eu, de visão aberta? Este tipo de atitude, em que se utiliza algo tão profundo como a crenças e a fé das pessoas para fazer propaganda partidária, apelo ao voto e intervenção partidária direta em favor de partidos políticos à associando partidos à religião!?  


Num comentário do blogue Estátua de Sal pode ler-se: “Cristas e Melo continuam com o Sócrates e com as “esquerdas encostadas”, mas as sondagens dizem que os portugueses adoram os “encostos” da esquerda”.

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publicado às 16:44


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