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A Propósito de Quase Tudo: opiniões, factos, política, sociedade, comunicação

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Um verdadeiro Ano Novo precisa-se

06.01.24 | Manuel_AR

Ano Novo 2024.png

Já passaram as festas de Natal e do Ano Novo e o seu início desde já promete ficar cada vez mais corrompido pelo debate confronto político que se degrada à medida que se aproximam as datas das eleições previstas para este ano, penso eu.

Pelo início deste novo ano nada faz prever que mude, diz o meu oráculo. Comentadores políticos com a redundância assumida aceleram nas suas teses. São horóscopos que defendem com argumentos bem delineados, mas enganadores e intencionalmente dirigidos para defesa dos seus pontos de vista. Imaginam estes oráculos cenários, os piores possíveis, críticas a todas as políticas, sem exceção, de quem cessa funções e preconizam o nascer de sóis resplandecentes e alinham com a execução das promessas dos que se perfilam para a obtenção do poder, mesmo sabendo que elas são inexequíveis por um governo que pertença às suas filiações ou simpatias partidárias.

Os vaticínios que me são transmitidos são cantos enaltecidos e apologéticos. São promessas transitórias das direitas e das extremas-direita a elevarem-se na imprensa e nos espaços televisivos das notícias selecionadas e rigorosamente alinhadas com o que foi “dito”, mais do que o não “dito” e omitido, pelas intervenções dos responsáveis partidários das oposições de direita, tendencialmente contra o ainda Governo que cessa as suas funções exatamente a 7 de janeiro do presente ano.

O meu oráculo diz-me que os media recorrerão ao passado martelando e martirizando os ouvidos e os olhos dos telespectadores com as “maldades” várias do governo anterior e as mesmas “tags” (etiquetas) de sempre: corrupção, compadrio, favores, peculato, acompanhadas com fragmentos de peças do passado com casos e figuras mostrados insistentemente e escolhidos a dedo consoante os interesses partidários e orientações das vozes dos donos para garantia de influência mediática, em favor dos seus interesses partidários.

A saúde, sobretudo as urgências hospitalares, cuja principal causa está da epidemia gripal, terão diariamente palco, até à exaustão, nas aberturas dos jornais televisivos, como se isso fosse resolver os problemas que a direita não se atreve a dizer como resolver, porque sabe que não o conseguirá.  

Segundo o meu oráculo, as oposições, sobretudo as de direita, com a cooperação de denominados jornalistas de investigação, irão à busca de casos triviais mesmo que criticáveis são lançados para a opinião pública como sendo casos extraordinários mostrados ao modo de investidas dramáticas.

 O PCP fará dessas trivialidades ouvidos moucos porque, para eles, os desse partido, não são esses os principais problemas de que o país e o povo enfermam. Para eles o povo, os trabalhadores, os salários e as pensões são uma espécie de cassete em contínuo.

Dizem-me os meus oráculos que neste novo ano, até às eleições, continuarão comentadores e “opinadores” de serviço, sobretudo os simpatizantes da direita a direcionar as suas críticas pessoalizadas aos atores do adversário que mais os faz tremer. No entanto passam a achar que os jornalistas devem escavar, para escavacar a vida pessoal dos políticos, mas apenas quando calha a outros que não os da sua simpatia político-partidária. Se assim não for passarão logo a defender o escrutínio justiceiro pelos media e a considerar que esse deve ser também o seu papel. Assim falam porque Montenegro ultimamente está sob suspeita. João Miguel Tavares assim escreveu primeiro num ato de justificação, e depois Paulo Rangel do PSD a entrar no ato da defesa do líder.

O primeiro coloca em comparação Pedro Nunes Santos com Luís Montenegro porque, escreveu ele, que “Como eleitor, essas informações interessam-me, porque me ajudam a construir o perfil de um candidato”. Para tal desenvolve sobre os bens pessoais de cada um como sendo indicadores indispensáveis do perfil dos candidatos, Para Miguel Tavares parece que o perfil dos políticos em evidência de avaliasse pelos bens pessoais que possuem ou já possuíam ou como se o miserabilismo fosse o perfil adequado para o exercício da atividade política. Compara o que um tem e gosta com o que o outro tem e gosta, tornando-se óbvio e claro qual a intenção e o objetivo.

Ao analisarmos o artigo de João Miguel Tavares verificamos que, para atestar algo contra o Governo PS, defende o escrutínio rigoroso pelos media sobre a vida pessoal e posses dos políticos.

Paulo Rangel, numa entrevista que deu à Rádio Renascença e divulgada pelo jornal Público veio em defesa do líder do seu partido e afirmou sobre o caso Montenegro que “estranha “coincidências” e que “há” mão invisível contra Montenegro”.

Torna-se evidente a desculpabilização de Montenegro por Rangel já que atribui a culpa ao Governo. Vejam-se as perguntas e as respostas:

O inquérito teve origem em denúncias anónimas. Há aqui uma mão invisível para atrapalhar a vida do líder do PSD?

“Acho que há. Isto começou a surgir quando houve grandes problemas com o Governo.”

Faz essa associação?

“Estou a fazer uma associação puramente objetiva. A verdade é que aconteceu. Ao mesmo tempo é uma coincidência temporal, mas depois cada um interpreta como quiser. Mas o que mais admirei na posição de Luís Montenegro foi a não-vitimização, aguardar o inquérito e não fazer pressões para que decorra depressa ou devagar ou à tarde ou à noite.”

À pergunta sobre se “O líder do Chega dizia que Luís Montenegro tem de dar uma explicação cabal sobre o que está em causa no inquérito, inclusivamente mostrar os documentos. Como é que responde a isso? Luís Montenegro disse que não ia mostrar nada e entregar ao Ministério Público”.

“Uma comunicação social responsável não devia dar palco a esse tipo de populismo. É evidente que as vidas das pessoas, especialmente os seus detalhes, não têm que estar na comunicação social.”

Afirma o meu oráculo que o fator da crise das democracias, e também no caso português, é a política democrática estar sujeita a uma transformação pela sucessão contínua entre os media e a política. A autonomia das decisões políticas fica em risco e é condicionada pelos mecanismos dos media.

 

 

o domínio da política democrática pela sua transformação num contínuo político-mediático, que diminui a autonomia da decisão política e a torna cada vez mais dependente dos mecanismos da comunicação social e da sua evolução.

A atual necessidade de rapidez competitiva entre os media leva necessariamente à falta de rigor, à agressividade, à culpabilização antes da prova, à falta de racionalidade no que é escrito, dito e mostrado leva ao superficial, ao vulgar que arrasta neste círculo vicioso a própria política.

Verifica-se um fenómeno que é o de não se ter a política, os partidos e os políticos temos uma espécie de mescla o que é política, partidos e políticos com os media, neste caso considerando a imprensa, a rádio e a televisão que se influenciam mutuamente pela opinião pública.

Não foi o meu oráculo que me murmurou ao ouvido que “os factos, as opiniões, as interpretações são moldados por mecanismos mediáticos em que participam políticos e jornalistas, cada vez mais com uma cultura de acção semelhante e dependente de efeitos comunicacionais tais como a novidade, o timing, o tipo de resposta, a rapidez, a frase assassina, a falta de estudo e de rigor. As redes sociais e novas formas de acesso àquilo que passa por ser informação…”, foi Pacheco Pereira que escreveu no Público.

O meu oráculo diz-me que os que escrevinham artigos de opinião nos principais órgãos de comunicação, assim como os comentadores de serviço que são inspirados por “divindades intermediárias” irão traçar destinos maléficos, ou benéficos, consoante os interesses, tendentes a influenciar os votantes nas próximas eleições. Uns irão assinalar os recados enviados indiretamente nas intervenções da mais alta individualidade da nação que irão tomar como críticas ao Governo já em processo de demissão, mesmo que não o sejam e irão continuar a responsabilizá-lo por nada fazer. Utilizarão estribilhos muito queridos às esquerdas radicais e farão críticas, sem apresentarem soluções, centrando-se nos discursos do acesso à saúde, habitação e educação à qual acrescentam a justiça cuja reforma não lhes interessa, mas que nas bancadas gritam por não ter sido feita. Ouço eu. E, quando chegados ao poder, nada fazem. Interessa-lhes que tudo se mantenha na mesma, penso eu.

Quando as direitas usam nas suas intervenções aqueles slogans fazem-me recordar as palavras da canção de Sérgio Godinho (1974), palavras de ordem da extrema-esquerda após o 25 de Abril, estimulantes à rebelião popular,

Só há liberdade a sério

Quando houver

A paz, o pão, habitação

Saúde, educação

Só há liberdade a sério quando houver

Liberdade de mudar e decidir

Só lhes falta acrescentar:

Quando pertencer ao povo o que o povo produzir

E quando pertencer ao povo o que o povo produzir

 

Recuperar e revigorar o passado passará a ser o foco das direitas que, vendo reduzir ou desaparecer o seu espaço eleitoral, vão juntar-se na mesa para decidirem e tecerem estratégias para o banquete eleitoralista no sentido de obterem uma maioria parlamentar, ou senão, ocuparem o poder e dividir pelouros num futuro governo.

Uma Aliança Democrática versão 2024, PSD+CDS+PPM, parece destinada ao fracasso e poderá não ter efeito significante nos resultados eleitorais, digo eu. A dinâmica dos saudosos Francisco Sá Carneiro, Diogo Freitas do Amaral e Gonçalo Ribeiro Telles, quando a política era mesmo política e não era induzida pelos media, falha nesta AD forçada com líderes, especialmente como o do CDS, não vai resultar.

Poderemos vir a ficar surpreendidos ao percebermos o efeito marginal que esta aliança terá no eleitorado se mantiver o até agora discurso partidário pela negativa e pelo ataque sem nada para oferecer, sem programa claro e objetivo, com as promessas do costume se forem um potencial governo utilizando as mesmas capacidades retóricas populistas próximas do CHEGA.

O meu prenúncio para a justiça, e mais concretamente, para o desempenho do Ministério Público e da PGR não é animador devido à série de coincidências que se tem verificado entre o tempo da política e o tempo da justiça. A PGR não faz política, mas há muitas formas de manifestar os seus pareceres sobre política e as circunstâncias e as ocasiões e a forma como lança para a comunicação social o que está a investigar, e a escolha do tempo para o fazer pode vir a dar lugar a dúvidas sobre os métodos de que se serve.

Precisamente na véspera do dia da demissão do Governo que se limitará à prática dos atos estritamente necessários para assegurar a gestão dos negócios públicos os media tornam público dados que consideram serem novos e, estranhamente, sobre António Costa, exatamente no dia do início do 24.º Congresso Nacional do Partido Socialista. Estranhas coincidências na justiça, disse-me o oráculo.

Na política internacional continuarão muitos continuarão a perorar nas redes sociais (mas também alguns generais comentadores de política de guerra), talvez dissimuladamente defensores da invasão da Ucrânia pelo ditador Putin, a que tecem elogios.

À pergunta porquê responde-me a pítia do oráculo que é tudo por causa   da expansão da NATO ao Leste Europeu, à possibilidade de adesão da Ucrânia àquela aliança militar, à contestação ao direito da Ucrânia à soberania independente da Rússia e ao desejo de Vladimir Putin de restabelecer a zona de influência da antiga União Soviética, mas esquecem-se aqueles que  e é importante lembrar que a invasão violou o direito internacional e a soberania da Ucrânia, além de ter causado muitas mortes e deslocamentos . Tudo com a ajuda da influência da opinião pública por fatores como os media, a propaganda e a desinformação que Putin consegue por no terreno.

E acrescenta o oráculo porque aquelas pessoas são contra o imperialismo ocidental, mas que, ao mesmo tempo, apoiam o imperialismo estalinista de Putin na Rússia, digo eu. Estes mesmos também dizem ser defensores do povo palestiniano, sem que saibamos se, afinal, estão do lado da ala militar para a libertação da Palestina, o Hamas, organização, pró-terrorista que dizem estar do lado do povo e que, por isso, praticam atos terroristas e porque são contra os EUA. Esta organização é entendida por muitas nações como terrorista, e controla a Faixa de Gaza de maneira autoritária, dizem alguns analistas.

A pitonisa que profetisa o oráculo que consultei disse-me que o povo judeu, após o fim do holocausto e depois do Estado de Israel ter sido criado, graças à proposta da ONU de dividir o território da Palestina em duas nações, passou de vítima a agressor. São agora apontados por genocídio dos palestinianos, dizem uns, é o direito à defesa que a isso os obriga, dizem outros.

Israel ocupa indevidamente o território que devia ser de ambos os povos, no conceito de dois povos dois estados. Através duma violência que dizem ser pacífica, como se qualquer violência é pacífica, e a que chamam colunatos, expressão invasiva de território potencial e possivelmente palestiniano. Diz-me o meu oráculo que em novembro deste ano os EUA e o Mundo poderão estar em perigo se um certo senhor de perfil ditador nazi venha a ocupar o cargo mais importante daquele país.  Contudo, e pelo seu passado no anterior mandato o senhor Trump diz uma coisa e o seu contrário num curto espaço de tempo, digo eu.

Em 2022 elogiou as ações de Putin em relação à Ucrânia e reconheceu a independência de duas províncias separatistas da

Trump2024.png

Ucrânia, além do envio de tropas russas para entrar no país e para supostamente proteger os enclaves, disse ele,  a ação de Putin era “genial” e Putin entraria na Ucrânia como um pacificador, dizia ele,  condenou a invasão da Ucrânia pela Rússia, que estava orando pelos ucranianos, passou ele a dizer, talvez por estratégia eleitoral, sobre isto o meu oráculo nada diz.

Para a Paz entre Israel e Palestina teve um plano em 2020 rejeitado pelos palestinos, propunha ele e uma solução de dois estados para o conflito, como ele resolveria o conflito face aos atuais cenários, ele não diz.