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A Europa dos bons e dos maus alunos

por Manuel_AR, em 05.05.14



Passos Coelho está agora mais exposto do que nunca à crítica. A partir de 17 de maio deixa de ter o álibi da troika, mesmo que saibamos que a vigilância dos credores vai continuar, mesmo que mitigada. Uma das batalhas mais importantes é controlar e saldar da dívida. Parece absolutamente claro que, a prazo, a Europa no seu conjunto vai ter de encontrar uma solução, entre as que estão em cima da mesa, para permitir um maior desafogo no pagamento das dívidas dos Estados membros. E pelo que consta na imprensa internacional a Grécia está a ficar bem vista. É a euforia total nesta Europa da austeridade e castigo para os países do sul.


Com a aproximação das eleições europeias a U.E. parece ter entrado numa euforia de promessas ilusórias e ritmos duma gestão política inverosímil comandados pelos países do norte, nomeadamente a Alemanha. Os países do sul estão agora a ser vistos, por aqueles e pela própria Comissão Europeia com outros olhos e lançando para as opiniões públicas vãs ilusões de recuperação. Tudo artificial. Até a própria Grécia já está a ser apontada como um caso prestes a ser resolvido, assim como Portugal.


Todos nos recordamos que a Grécia era o mau aluno e o mau exemplo que, o bom aluno, nós, não devíamos acompanhar mas antes afastarmo-nos dele. Tal como na escola onde pais muito cuidadosos e atentos dizem ao seu filho, cuidado não te dês com aquele aluno, porque ficas mal visto.


O que se passa hoje é que a própria europa considera hoje que também a Grécia está no bom caminho. Em 23 de abril do corrente ano o Wall Street Journal publicou um artigo cujo título é "UE confirma que a Grécia bateu conseguiu bater os seus objetivos orçamentais em 2013". Fantástico! O pior aluno passou a muito bom aluno em ano de eleições europeias.


Esta informação parte da Agência Estatística Europeia  (Eurostat) que confirma uma reviravolta muito positiva das finanças públicas. Segundo naquele jornal "a Grécia abre caminho para novas medidas de redução da dívida por parte dos parceiros da zona do euro da Grécia nos próximos meses. De acordo com os dados, a Grécia alcançou um excedente orçamental primário-antes de contar-pagamentos de dívida € 1,5 mil milhões 2013 (2,08 mil milhões de dólares americanos); um ano antes das expectativas e maior do que a meta estabelecida pelos credores internacionais do país que estipularam que Atenas apontou para um orçamento preliminar equilibrado no ano passado. Os dados são um "reflexo do progresso notável que a Grécia fez em consertar as suas finanças públicas desde 2010, "Simon O'Connor, porta-voz da Comissão Europeia disse numa conferência de imprensa em Bruxelas. No ano passado, o superávit primário é o primeiro conseguido pela Grécia numa década, e a confirmação pelo Eurostat na quarta-feira vem quase exatamente quatro anos depois de a Grécia ter pedido dois resgates internacionais sucessivos para corrigir seus problemas de orçamento e reformar sua economia.".


Tudo isto para provarem antes das eleições que o desastre que provocaram nos países do sul foi o caminho certo e, portanto deu resultados que esperam se reflita nas eleições.


Está tudo bem nesta frente Merkeliana Europa!


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publicado às 20:18

 





Ou ando distraído ou as notícias sobre declarações dos ministros das finanças na reunião do G20 têm sido omissas dos canais de televisão ou são tão escassas que não se dá por elas, vá-se lá saber porquê!


É do conhecimento geral que está ainda a decorrer em Washington a reunião dos G20, os 20 países mais ricos e emergentes do mundo e é integrado pela União Europeia, o G7 (EUA, Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália e França) e ainda Coreia do Sul, Argentina, Austrália, Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia e Rússia.


Vários ministros das finanças daquele grupo têm vindo a público com declarações, algumas delas contrárias às políticas de austeridade seguidas pela Chanceler Alemã e por alguns dos seus seguidores.  


De forma muito subtil chamam estúpidas às políticas de austeridade imposta à Europa que estão a afetar a economia mundial. Para quem esteja a acompanhar, mesmo que pontualmente, o decurso daquelas reuniões, apercebe-se que há alguma coisa vai mal no “reino” da União Europeia e no euro, e cuja responsabilidade é da política alemã que é imposta. Os países do G20 cresceram 0,5% no quarto trimestre de 2012, ao contrário da Europa que lidera os recuos da atividade económica mundial. (Fonte:OCDE). O ministro das finanças da Austrália, Wayne Swan, antes da abertura da reunião do G20,chega mesmo a afirmar em declarações ao Wall Street Journal  que a política de austeridade seguida na Europa “é estúpida e está a sobrecarregar a economia mundial”. Por aqui podemos “adivinhar” o que se irá passar na reunião não será nada de bom para os que apoiam as políticas impostas pela Alemanha à U.E..


As declarações daquele ministro mencionam que a própria Ásia não pode continuar a suportar o fardo da falta de crescimento das economias desenvolvidas bloqueadas pela austeridade.


O que é curioso é que não se aplicam a Portugal teses, muitas delas defendidas pela diretora-geral do FMI, Christine Lagarde. Vejam só, critica com veemência as políticas de austeridade imposta a alguns países da Europa, mas o FMI continua a aplicá-las. Tudo o que ela tem dito é apenas “pregar aos peixes”, já que em nada tem mudado o pensamento único que prolifera na U.E.. É a Alemanha de Angela Merkel que, ao deixarem-na ser dona da Europa, mantem, até à exaustão, a austeridade, enviando para as calendas o crescimento económico dos países. Contudo, penso que não é de esperar que a reunião dos G20 conduza a alguma coisa de positivo para a Europa visto que estão mais interessados no crescimento económico mundial. 


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publicado às 13:34


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