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Estúpidos e estupidez ou tolice crassa

por Manuel_AR, em 30.08.21

Negacionismo_estupidez.png

Montagem baseada na fotografia de Nuno Ferreira Santos 

jornal Público

A estupidez e a tolice não têm limites. A tolice é arrogante, perentória. Afirma-se como algo completamente idiota, mas com toda a autoridade necessária. Isto porque a tolice é segura de si mesmo, mas a estupidez pode hesitar. Todos nós diariamente dizemos estupidezes, mas eu esforço-me por evitar dizer demasiadas tolices sobretudo as que são individual e socialmente prejudiciais. 

Notícias sobre grupelhos anti vacinas e outros que negam tudo o que vem à rede   estimularam a escrita deste texto. Foi a causa próxima, mas a causa remota para esta minha incursão sobre a estupidez deve-se um livro que li há algum tempo e que não divulgo porque se trataria de publicidade, talvez enganosa e a editora não me paga para fazer publicidade. Aqui está, um pensamento estúpido. Refletindo sobre o que então li não pude deixar de me auto considerar e passar também a incluir-me no grupo dos estúpidos, pois foi este o meu sentimento após a leitura do dito livro do qual ao longo do texto resolvi incluir algumas citações, poucas.

Foi uma sensação estranha e alguns laivos de raiva que me percorreram. Eu estava incluído naqueles cujos estupidez se evidencia, nesses mesmos cujas ideias obtusas eu fazia por combater. Eu que julgava ser um apoiante da ciência "decente", (também há aquela que é imprópria, falsa). Pensava que estaria incluído no grupo daqueles que consideram partilhar com os restantes membros certos de valores, atitudes e comportamentos.

Utilizo as redes sociais e descobri que há muito espaço onde estúpidos disputam a sua estupidez, fazendo-a multiplicar por aqueles que, não se considerando estúpidos seguem um preceito passando a fazer desse grande grupo da estupidez.

O viés da estupidez manifesta-se através da tolice e deriva do chamado viés cognitivo que são erros inconscientes de pensamento que surgem de problemas relacionados com a memória, atenção e outros erros mentais. Normalmente é devido a preconceitos que resultam dos esforços de nosso cérebro para simplificar o mundo incrivelmente complexo em que vivemos. É um enviesamento cognitivo talvez devido a erros de perceção social gerados por incompatibilidade entre perceção social e realidade social.

Assim, e segundo especialistas “As expectativas podem ser auto confirmadas, não apenas porque criam predições autorrealizáveis, mas também porque podem influenciar, enviesar e distorcer a maneira como as pessoas interpretam, avaliam, julgam, lembram e explicam os comportamentos e características dos outros”. Há investigações que demonstram que as expectativas influenciam o modo como as pessoas recolhem informações de maneira que confirmem as suas expectativas. (Jussim, Lee; 2012 ; Social Perception and Social Reality: Why Accuracy Dominates Bias and Self-Fulfilling Prophecy; Oxford University Press).

A estupidez espreita, penetra por onde encontre uma fresta e apresenta-se em todas as áreas do saber, seja medicina, vacinação, ambiente, crise climática e muitas outras sobre o que, consoante a estupidez lhes dita, dizem conhecer e estarem informados. O seu lugar de eleição são as redes sociais onde podem encontrar estúpidos que, inconscientemente, vão engrossar a casta dos estúpidos.

Os negacionistas da vacinação com a sua falta de literacia em saúde, para além de ignorantes, desconhecem que ainda paira na nossa memória coletiva o tempo em que o sarampo, a varíola e a poliomielite matavam ou marcavam para a vida. Os mais velhos perguntem aos vossos pais e avós, se ainda os tiverem, que viveram numa época a que hoje chamamos obscurantista!

Sobre a ignorância recordo aqui uma pesquisa que fiz sobre o efeito de Dunning-Kruger que se resume a que uma pessoa incompetente numa determinada área apresentará obviamente maus desempenhos neste campo, mas, além disso, e segundo o seu próprio critério, essa pessoa não vai notar a sua própria ignorância e sobrestima o seu desempenho. Assim, também o estúpido, preso na sua própria ignorância, abstém-se da capacidade de ver as coisas do ponto de vista de alguém que saberá mais do que ele e sofre também do efeito de Dunning-Kruger.

Considerando-me, como afirmei no início deste texto, no grupo dos estúpidos, no entanto, tento redimir-me recorrendo ao conhecimento de quem não é idiota e é pouco estúpido. Se alguém estúpido, ou que ache não ser estúpido, me esteja a ler pode confirmar o efeito da sua ignorância em: Dunning, David, (2011). The Dunning–Kruger Effect On Being Ignorant of One's Own Ignorance ; Advances in Experimental Social Psychology. Elsevie.

Esta investigação ainda mostra que as pessoas verdadeiramente competentes subestimam ligeiramente as suas competências. O verdadeiro especialista está consciente de ser um especialista, mas também estará ciente do que não sabe e do que ainda tem de aprender. Por sua vez o estúpido, desconhecendo que é estúpido, não se perturba pelo que, certamente, não se priva de impor ao seu séquito, e a outros, a sua estupidez. Ao escrever este texto sinto-me como eles: escrevo sobre o que julgo que sei, mas, de facto não sei. Por isso, para aprender, recorro muitas vezes aos que sabem e cujo conhecimento já foi validado e reconhecido por outros especialistas da sua área.

Há pessoas, pressupostamente instruídas, que rejeitam hoje as recomendações científicas sobre, por exemplo, a vacinação e as alterações climáticas e agitam-se com teorias da conspiração e pós-verdades ficando-se pelo domínio da estupidez. Atenção o conceito estupidez, conforme os contextos, pode abarcar a mentira, a tolice, as balelas, a ignorância e a inaptidão. Posso acrescentar equivalências como parvoíce e o sumo da imbecilidade generalizada que é a pós-verdade e verdades alternativas (leia-se mentiras).

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Quem sobressai pela estupidez não significa que não seja inteligente porque para produzir disparates necessita de inteligência e cognição para os inventar, defender e os disseminar. São os tolos inteligentes que, partem de premissas falsas e teorias não validadas nem cientificamente provadas. Para eles é uma verdade alternativa, (como se esta fosse possível!), que não corresponde no todo, nem em parte, a factos comprovados. Digo uma tontice sobre determinado facto que não aconteceu e divulgo a quem me contesta: esta é a minha verdade alternativa! Neste caso, confirma-se a minha estupidez. Penso, mas logo, sou estúpido.

O paradigma da tolice está nos que afirmam que esta, ou aquela, é a sua opinião e que a podem partilhar em locais como redes sociais onde a estupidez e a tolice se irão repetir sem restrições e onde as mais variadas conotações se irão afirmar. Por sua vez, aqueles que seguem a partilha pensam ficar “conhecedores” e assumem o seu conteúdo como verdade absoluta sem validação nem confirmação.  Quem está a ler o que neste momento partilho poderá constatar isso mesmo, com a diferença de que fiz os possíveis, com mais ou menos êxito, por validar as minhas tolices.

A pós-verdade veio para confundir as opiniões públicas porque o seu significado, segundo o Dicionário Oxford, significa uma condição em que “os factos objetivos têm menos influência para formar a opinião publica do que o apelo às emoções e às crenças pessoais”.

Vejamos a seguinte situação: se você, que está a ler este texto, não partilha das mesmas opiniões está errado e, ao argumentar contra esta posição, o que pretende á manipular-me. Ou ainda: o mesmo leitor, ao defender que não partilha das minhas opiniões apresentando argumentos, eu posso dizer que o que ele pretende é manipular-me. O que acontece é que os pontos de vista polarizam-se e cada um pretende impor o seu ponto de vista   pela desacreditação e pondo em causa a honestidade do outro atingindo-o até no seu caráter. Assim, os factos, o que realmente interessa, o que interessa para o caso passam a conceitos totalmente acessórios e até suspeitos. Uma observação com imparcialidade deste tipo de ações perguntaria se tudo o que estava a observar não seria estúpido ou uma tolice.

Estupidez e tolice são adjetivos que podemos dar a essa treta a que se chama pós-verdade, fake news (notícias falsas, mentiras), teorias da conspiração muitas vezes fundamentadas por falsas investigações. 

Assisti a uma intervenção na SIC Notícias (22/08/2021, Noticiário da 19H) de um relativamente jovem fogoso, dito professor universitário de Saúde Pública Internacional convencido de possuir o segredo da interpretação dos dados pandémicos que afirmava que um critério para definir o estado em que se deviam tomar medidas face à covid-19 era através do número de mortes pela doença. E, espante-se, afirmou ainda que a obrigatoriedade de apresentação do Certificado Digital de Vacinação Covid era contra a liberdade e comparou com as marcas que os nazis faziam nos braços dos judeus para os identificarem. Qual a base científica em que se baseia aquele jovem professor para produzir tanta estupidez e que deve passar a outros que a irão reproduzir e partilhar.  São pessoas como esta que alinham, não pela ciência, mas primando pela procura de pontos de vistas tolos que lhe possam dar visibilidade televisiva.  

A estupidez não tem limites, diria até que é a tolice que não tem limites. A tolice é arrogante, perentória. Afirma-se algo completamente idiota, mas com toda a autoridade necessária. Isto porque a tolice é segura de si mesmo, mas a estupidez pode hesitar. Todos nós diariamente dizemos estupidezes, mas eu esforço-me por evitar dizer demasiadas tolices sobretudo as que são individual e socialmente prejudiciais. 

Como explicar a tolice de pessoas que fazem protesto sem máscara nem distanciamento social, incluindo crianças, em que se ouve o hino nacional e onde a confusão de várias palavras de ordem demonstra a confusão mental desta gente: “Liberdade”, “Portugal”, “O povo unido jamais será vencido”. Palavras de ordem do 25 de abril à mistura com julgamentos no tribunal de Nuremberga e citações de Salgueiro Maia. Por cima de T-shirts pretas muitos dos manifestantes prenderam a bandeira nacional ao pescoço, à laia de capas. A manifestação/encontro na via pública foi liderada pelo juiz Rui Fonseca e Castro, suspenso de funções e alvo de um processo-crime por incitamento à desobediência civil contra as medidas impostas para combater a pandemia é o mesmo juiz Rui Fonseca e Castro, do movimento Juristas pela Verdade que pode consultar aqui. Mas, qual verdade? A única, a deles, a absoluta? Apenas a tolice pode explicar a sua verdade.

Gente deste tipo até aproveita graves problemas que a afetam a saúde de milhões de pessoas para propaganda política. Não pretendo fazer juízos de intenção, mas devem pertencer a grupos fascizantes e extremistas de direita porque cidadãos normais na posse das suas faculdades de valores sociais que se agarram logo a símbolos da nação, com tendência para a violência e ameaças como foi o caso de Gouveia e Melo, apenas executor das medidas tomadas pelo Governo, que foi recebido com protestos anti vacinação e ameaças como aconteceu em Odivelas, e, daí, o estilo das palavras de ordem utilizadas. Gente normal, põe máscaras num caso e não se enrola na bandeira de Portugal noutro caso, e tenta fazer passar-se pela voz de todos os portugueses. Estamos a viver o tempo em que os disparates que se dizem nas redes sociais e em “sites” manhosos excedem-se para a vida real.

Para finalizar: caso tenha lido todo o texto e se me considera um estúpido não hesite, coloque um comentário. Mas se você considerar o contrário não coloque nenhum comentário e ficarei com a certeza e muito feliz porque, afinal, não pertenço aos estúpidos.

 

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publicado às 19:01

Dois pontos do artigo de Teresa de Sousa

por Manuel_AR, em 31.05.21

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In jornal Público 29 de maio de 2021

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“A vida humana não tem prazo de validade, mas o mais indigno foram os estereótipos com que a questão foi sendo tratada, incluindo na comunicação social. Os “velhos” – quer dizer, os que têm mais de 65 ou 70 anos – foram e são olhados como equivalentes a “inúteis”. Reformados, fechados nas suas casas, tendo como única ocupação olhar para os televisores e matar o tempo que lhes sobra. Nada disto é verdadeiro. A maioria das pessoas com 65 ou mais anos tem hoje uma vida activa, que inclui, muitas vezes, um trabalho exactamente igual aos outros nos mais variados sectores. A sua vida é tão activa como a de uma pessoa de 30 ou 40 anos. Vão ao supermercado, arrumam a casa, ajudam as famílias, vão ao cinema e ao teatro, lêem livros, frequentam os restaurantes. E trabalham. Mas, nessa altura, era “prioritário” vacinar um rapaz saudável de 30 anos, professor ou bombeiro, cheio de saúde.

Como interpretar isto? Ainda tenho dificuldade em perceber, a não ser recorrendo à ironia: resolver o problema da sustentabilidade do regime de pensões.”

 

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“Só uma nota final ao cuidado dos responsáveis. Já toda a gente reparou que, nas ruas de Lisboa, há hoje dois tipos de pessoas: os portugueses, todos de máscara, e os estrangeiros quase todos sem máscara. Nem no rosto nem na mão. Talvez no bolso, não sei. Cruzo-me com imensos. Nunca vi um agente da PSP chamar a atenção para o facto. Percebo que os turistas nos fazem falta. Mas talvez fosse conveniente – no aeroporto, nos hotéis, nos restaurantes ou a própria PSP – informá-los delicadamente de que a máscara na rua continua a ser obrigatória. Quando os cientistas nos explicam todos os dias o significado das variantes e como o vírus se vai adaptando aos graus de imunidade que encontra pela frente, talvez não fosse má ideia.”

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publicado às 19:24

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Começa a haver um cansaço e falta de paciência para ouvir António Costa e alguns membros do Governo. Tenho a sensação de que andam às voltas perdendo-se em pormenores perdendo a capacidade de síntese, objetividade e assertividade face às decisões a tomar, o que me leva pela primeira vez a desconfiar de que o que dizem e fazem é sem convicção gerindo as intervenções numa atitude propagandística. A comunicação tardia ao arrasto de outros países sobre a suspensão da vacina da Astrazeneca foi paradigmático.  

Em 7 de fevereiro, a África do Sul suspendeu os planos para o lançamento de 1 milhão de doses da vacina AstraZeneca. Um pequeno ensaio não conseguiu demonstrar que protegia os sul-africanos contra uma nova variante que se tornou predominante no país. Enquanto isso, a AstraZeneca da Oxford disse que estava a trabalhar numa nova versão da vacina à medida para aquela variante.

A Dinamarca, Islândia e Noruega suspenderam o uso da vacina em 11 de março por causa de preocupações sobre um possível aumento do risco de coágulos sanguíneos. A Alemanha, França, Itália e vários outros países seguiram-se logo depois suspendendo a administração da vacina devido às preocupações sobre coágulos sanguíneos nas pessoas que tomaram a vacina, no meio do que o regulador médico da União Europeia insistiu que seus benefícios superavam o risco de efeitos colaterais. Contra corrente em 13 de março o Brasil aprovou totalmente a vacina.

Ouvir o nosso primeiro-ministro dizer que a dita vacina é segura mesmo para os maiores de 65 anos e que até ele já a tomou em nada me tranquiliza. Estou-me nas tintas para que ele tenha tomado aquela vacina ou outra qualquer, o que me interessa é que não se transforme a população numa espécie de cobaia em que meia dúzia de mortes são pequeno efeitos colaterais, caso as suspeitas de morte ou outras patologias se confirmem como resultado da dita vacina.  

Gostaria de perceber porque será que tantas vozes se elevam a defender a vacina Astrazeneca, tentando fazer comparações com as contraindicações de outros medicamentos desde há muitos testados e implantados no mercado. Buscam-se estatísticas de incidências que nada têm a ver com as duma vacina que nem meia dúzia de meses tem de administração. Note-se que a empresa AstraZeneca Portugal surgiu em abril de 1999, a partir da fusão da empresa sueca Astra AB com o Zeneca Group PLC do Reino Unido e está concentrada em três áreas terapêuticas: Cardiovascular, Renal e Metabólica, Doenças Respiratórias e Oncologia.

As vacinas normalmente exigem anos de pesquisa e testes antes de chegar à fase clínica, mas em 2020 os cientistas entraram numa corrida para produzir vacinas contra o coronavírus seguras e eficazes em tempo recorde. Em 8 de dezembro, pesquisadores da Universidade de Oxford e da empresa sueco-britânica AstraZeneca publicaram o primeiro artigo científico sobre um ensaio clínico de Fase 3 de uma vacina contra o coronavírus. O ensaio demonstrou que a vacina pode proteger as pessoas da Covid-19, mas deixou muitas questões sem solução sobre os resultados, inclusivamente na administração a maiores de 65 anos. Passadas semanas já não haveria problema e dizem ter havido evidências (!!?) de que não havia contraindicações.

Apareceram algumas vozes nas televisões a “esclarecer”, em abono da vacina da Astrazeneca, alegando que todos os medicamentos têm contraindicações e apontam que, no caso desta vacina, os casos são muito raros em função das administrações efetuadas. A OMS faz coro com essas vozes. A DGS diz que não há problema, mas para os que a tomaram estarem atentos e em casos anómalos para consular um médico. Outros ainda gritam por meias palavras que não importam meia dúzia de vidas que sejam vítimas em comparação com os benefícios que pode trazer, como se fosse esta a única vacina que apareceu no mundo. Há mais do que a da Astrazeneca! Porquê a insistência nesta da Astrazeneca/Oxford?

Neste contexto fica-se com perplexidade ao ler o editorial de Manuel Carvalho no Público quando se refere às “escassas mortes que ecoaram na imprensa” criticando a atitude dos vários países que resolveram parar com a vacina da Astrazeneca até esclarecimento cabal dos casos que vieram a público, presumivelmente causados por aquela vacina. E continua: “Mesmo sabendo que a suspensão das vacinas pode revelar um saudável desejo de proteger algumas pessoas, os governos puseram de lado essa questão magna da política democrática que tem que ver com o interesse geral. Numa linguagem gélida, que a vida tantas vezes exige, concentraram-se nas escassas mortes que ecoaram na imprensa e esqueceram centenas de vidas que a vacina poderia salvar nas próximas semanas.”, e acrescenta Manuel Carvalho “Ao parar por reflexo um processo crucial para o futuro próximo, a vacinação, com base em suspeitas não comprovadas nem reconhecidas pela ciência, a Europa mostrou a flacidez do costume sempre que é preciso coragem, confiança e determinação. A menos que a ciência conteste o que sabemos hoje, não agiu para o seu bem, nem a favor da vacinação”.  Mas o que deu a esta gente? Alguém me explica?

Não se percebe então a preocupação das autoridades de saúde e do Governo em relação ao número de caso e de mortes causados pela covid-19 tomando em conta os valores atingidos. Se não, vejamos: em Portugal, segundo fonte da Johns Hopkins University e até 14 de março, o número de casos por milhão de habitantes era de 53,6 o que corresponde a 0,00530 por 100 habitantes. O número de mortes foi de 1,47 por milhão de habitantes o que corresponde a 0,000147 por 100 habitantes. Ora estes valores verificados na população em relação à covid-19 ainda estão abaixo daqueles que alguns cientistas referem sobre a baixa probabilidade de contraindicações da vacina poderem acontecer. Porquê então preocupação em relação aos números da pandemia? (Ironia). Se por um lado é devido à difusão do contágio, por outro, se se morrer devido a contraindicações da vacina já não há problema, são efeitos colaterais. Deve ser este o ponto de vista dos responsáveis.  

O regulador de medicamentos da UE disse que permanece “firmemente convencido” de que os benefícios da vacina Oxford / AstraZeneca Covid superam os riscos, mas os casos isolados de coágulos sanguíneos “são uma preocupação séria e precisam de avaliação científica séria e detalhada”. Emer Cook sugeriu em 16 de março que era possível que os riscos fossem maiores para algumas categorias de pacientes. “O que estamos entendendo é que eles podem estar associados a algumas subpopulações”. Contudo alguns especialistas também disseram que casos raros de trombose cerebral ser altamente incomum em pessoas mais jovens podem indicar uma relação causal com a injeção.

A corrida pela procura de uma vacina contra a covid-19 transformou-se numa competição para ver quem chegava primeiro ao potencial mercado que se previa ser muito lucrativo. Encontramo-nos numa economia capitalista e o meio científico e empresarial no mundo das farmacêuticas têm todo o “gosto” em entrar nesta competição. A maioria dos cientistas e investidores nos países desenvolvidos não se importa com o que está a trabalhar desde que em tal haja a possibilidade de se fazerem novas descobertas para aumentar os lucros através de um mercado promissor e lucrativo.

A estes acrescenta-se também a da competição política pelo desenvolvimento e distribuição da vacina.  A vacina da Astrazeneca foi desenvolvida em laboratório pela Oxford University do Reino Unido. A rapidez com que aquela vacina foi produzida e testada e aplicada no U.K. levam-me a encarar outro ponto de vista: será que não estará Boris Johnson a pretender provar à U.E. que passa bem sem ela após o Brexit e daí a corrida para cortar a meta da produção e vacinação da maior parte da sua população, ao mesmo tempo que pode colocá-la no mercado numa espécie de louca corrida para provar que o barco dele navega muito melhor do que os dos seus competidores mais diretos?

 

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publicado às 16:01


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