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Causa e consequência dos males do mundo

por Manuel_AR, em 21.04.17

Velhos e voto.png


A mensagem de que os velhos são a causa dos males que as sociedades enfrentam tem vindo a tomar corpo através de artigos de opinião e posições tomadas por alguns quadrantes interessados em encontrar bodes expiatórios utilizando, para tal, a comunicação social.


Na altura do Brexit surgiram títulos em que se pretendia fazer crer que os causadores tinham sido os mais velhos. «O Reino Unido está dividido. Não só pelos 3,8 pontos percentuais entre o ficar e o sair, mas também porque jovens e idosos votaram de forma distinta. E há quem diga que os velhos "lixaram" os novos.», dizia um título num órgão de comunicação online que apresentava gráficos de credibilidade duvidosa. Por ser secreto, o boletim de voto nada indica sobre a idade do eleitor. Assim, apenas restam pressupostos enviesadas donde se podem tirar apenas conclusões meramente especulativas baseadas em presunções falíveis sobre dados demográficos regionais. Por outro lado, há que procurar justificações para o falhanço que têm sido as projeções que davam a vitória do “Sim” à permanência do Reino Unido na UE.


O mesmo se passa com a vitória do “Sim” à atribuição de poderes absolutos a Edorgan na Turquia em artigos de opinião de jovens escribas, dinâmicos e cosmopolitas abertos ao mundo, ávidos de protagonismo no circulo da comunicação que sopram na mesma direção. Para um desses jovens da comunicação, na Turquia os jovens dinâmicos foram os perdedores devido a que, nos referendos, ganham os mais velhos socialmente conservadores. Claro, nem mais!


Para aqueles fazedores de opinião Erdogan aumentou os seus poderes graças aos mais velhos, já que a questão étnica relacionada com os curdos, tema em que os tais jovens dinâmicos e velhos parecem estar de acordo, parece não interessar. O voto dos curdos, cerca de 16% dos 80 milhões de habitantes, era uma das principais incógnitas do referendo e poderia fazer pender o resultado para o "sim" ou para o "não". Diversos setores curdos conservadores apoiaram o AKP, mas a maioria tem-se reconhecido no Partido Democráticos dos Povos (HDP, terceira força política no parlamento), que apelou ao voto contra a revisão constitucional e denunciou uma campanha desigual, em particular um tempo de antena quase inexistente.


É bom recordar que a integração europeia foi construída graças aos cidadãos que agora são os velhos que acusam de ser os causadores da saída. Em Portugal foram também esses que deram o seu apoio à adesão de Portugal à Comunidade Europeia (então CE), consumada pelo tratado de Lisboa - Madrid assinado em 12 de junho de 1985.


Aliás, pode constatar-se donde provem a tendência mais conservadora nas eleições em Portugal, se dos velhos que viveram o 25 de abril ou dos novos que nem sabem como isso foi. Para estes jovens dinâmicos, cosmopolitas e abertos ao mundo recomendo a leitura de Portugal em Chamas” de Miguel Carvalho.


Todos se recordam que aquele tipo de ideias tinha já sido lançado por um jovem dinâmico do PSD através do slogan “peste grisalha” para além doutros impropérios provenientes da mesma área.


Conservadores ou progressistas podem ser todos, novos ou velhos. Não depende dos desejos ou dos interesses de quem queira arranjar desculpas para a frustração das suas expectativas. As sociedades humanas são demasiado complexas onde inúmeras variáveis em presença não tem contemplação com análises simplistas com base em informações especulativas. Os que votam hoje conservador poderão amanhã votar progressista.


Das doutas opiniões destes jovens sabedores que não calcorrearam os caminhos do sucesso porque tudo lhes foi oferecido, não digo de mão beijada, mas pelas oportunidades que lhes foram proporcionadas pelos mais velhos, podemos tirar a conclusão de que o envelhecimento da população empurra as sociedades para o conservadorismo, mesmo aqueles que, quando jovens eram acusados pelos mais velhos da altura de serem revolucionários. 


Não servindo de comparação, recordo que há várias formas de se criarem bodes expiatórios como aconteceu no Terceiro Reich ao ser lançada pela propaganda nazi a mensagem de que a causa de todos os males que assolavam a Alemanha de então eram os judeus. Após a perda da Primeira Guerra Mundial os judeus passaram a ser bodes expiatórios da ruina financeira e económica que a Alemanha atravessava já que, quase metade de todos os bancos privados alemães pertenciam a judeus, a bolsa de valores era dominada por negociantes judeus, quase metade dos jornais da nação eram comandados por judeus assim como 80% das lojas de departamentos.


 

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publicado às 20:27

A politiquice patética e o videirinho

por Manuel_AR, em 18.07.16

Passos Coelho continua na senda da política patética e da parvoíce. Ganhou eleições sem maioria absoluta e formou um Governo minoritário instável que foi derrubado na Assembleia da República. Agora vem dizer numa entrevista que lhe roubaram o poder. Deixe-se de brincar à política do disparate. Demita-se com a sua trupe da liderança do PSD a quem causaram males que chegue.


Pacheco Pereira diz que há um neo PSD. Até concordo. É um PSD de características neoliberais que se desvirtuou. O PSD necessita duma reconstrução correndo o risco de ficar sempre a ser considerado como um partido fora do centro radicalizando-se para o lado da direita donde até o CDS, mimeticamente, se esforça por afastar embora nem sempre o conseguindo.


Será que procura uma carreira profissional como Durão Barroso. Desengane-se Passos porque mesmo na arte do engano, da patranhice e do mimetismo Passos não consegue igualá-lo.


A tragédia de Nice, perpetrada seja lá por que for está no grupo das patologias sociopatas não genéticas, induzidas por influência do ambiente social e exploradas por extremismos religiosos, e o golpe na Turquia, ainda com contornos desconhecidos, vieram abafar o caso Durão Barroso.


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O ex-presidente da Comissão Europeia José Manuel Barroso enfrentou uma onda de críticas após conhecimento de que irá ser conselheiro o banco de investimento norte-americano Goldman Sachs sobre o Brexit.


Barroso um videirinho, (classificação interessante de Pedro Marque Lopes), foi primeiro-ministro de Portugal que, depois de assustar o país com o célebre “o país está de tanga”, (não está em causa o facto mas a forma) colabora com a falcatrua de G. W. Bush que deu lugar à guerra no Iraque, abandona o barco, qual ratazana, seguindo célere para ocupar o lugar de Presidente da Comissão Europeia entre 2004-2014 que lhe foi oferecido de bandeja fosse lá porque motivo fosse. Agora vai tornar-se um presidente não-executivo da Goldman Sachs International (GSI), braço internacional do banco, com sede em Londres.


A Goldman Sachs esteve fortemente envolvida na venda de produtos financeiros complexos, incluindo hipotecas de alto risco que contribuíram para a crise financeira mundial em 2008.


A conversa promocional costumeira surge: "José Manuel traz imensos conhecimentos e experiência para Goldman Sachs, incluindo uma compreensão profunda da Europa," disseram num comunicado os executivos, Michael Sherwood e Richard Gnodde Resta saber conhecimentos e experiência de quê?…


Durão Barroso não hesitou mas sua nomeação atraiu críticas de todo o espectro político, exceto do PSD em Portugal.


Pedro Filipe Soares, líder em Bloco de Esquerda disse: "Esta nomeação mostra que a elite europeia de que Barroso faz parte não conhece a vergonha."


O ministro de comércio exterior da França Matthias Fekl escreveu no Twitter que "Servir o povo mal, servindo-se do Goldman Sachs. Barroso é uma representação obscena de uma velha Europa que o nosso representante diz mudar".


Colegas de Fekl no Parlamento Europeu também condenaram a chamada de Durão Barroso denominando-a de "escandalosa".


É um “Boom para euro-fóbicos” dizem outros.


Ao mesmo tempo, franceses, membros socialistas do parlamento europeu pediram mudanças legais para bloquear a possibilidade de utilizar os cargos como "porta giratória" para se lançarem para empregos lucrativos no setor privado depois de os deixarem. Num comunicado conjunto afirmaram: "Fazemos um apelo para as regras serem alteradas para impedir a nomeação do ex-comissário europeu," e acrescentam que "no sistema de porta giratória parece haver muito de conflito de interesses".


Durão Barroso, disse ao jornal Expresso que "Depois de ter passado mais de 30 anos na política e na administração pública, é um desafio interessante e estimulante que me permite usar as minhas competências para uma instituição financeira global".


O jornal de esquerda francês Libération descreveu a nomeação de Barroso como "o pior momento para a União e uma benção para os euro-fóbicos”.


Até Marine Le Pen, líder do partido francês da extrema-direita Frente Nacional (FN), aproveita o caso para atacar a Europa, escreveu no Twitter que a nomeação não era "nada de surpreendente para as pessoas que sabem que a UE não serve as pessoas, mas a alta finança".


São sujeitos como este que se infiltram na vida política e dizem defender os interesses do seu país mas que apenas se servem dele para construir a sua carreira. São os videirinhos. E ainda há quem não quer abrir o olhos apoiando este tipo de gente.

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publicado às 17:01

O sucesso ou o insucesso de uma greve

por Manuel_AR, em 23.06.13


Será que os exemplos das manifestações na Turquia e no Brasil que, até agora, não são movidos por razões de defesa de direitos e de aumentos salariais, poderão alguma vez nos dar coragem, a nós portugueses?







 


Há razões para que a greve geral do dia 27 de junho não tenha o sucesso que seria desejável para ser eficaz. Não porque os trabalhadores deixaram de ter o sentimento de ser uma greve para defesa dos seus interesses, mas porque o clima de amedrontamento montado pelo Governo na sociedade portuguesa, para cumprimento dos seus objetivos, facilita opiniões adversas à greve.


A primeira razão é o medo, a ansiedade de não saber o dia de amanhã, o desânimo e a divisão que este Governo instaurou a todos os níveis no país, acolitado pelo Presidente da República que, presumivelmente, para dar o exemplo, admite que se prendam cidadão que se manifestam verbalmente e se instaurem processos a comentadores políticos ela utilização de termos meramente de opinião e contextuais.


A greve poderá não ter o efeito pretendido porque, em primeiro lugar, é preciso não esquecer as notícias vindas a público sobre as orientações dadas a todos os diretores de serviços da função pública para que todos os seus responsáveis elaborem listas de dispensa de pessoal. Sobre isto, veio hoje a saber-se que, oportunisticamente, a nova lei da mobilidade retira militares a lista de dispensas da função pública. Consequentemente será normal que os trabalhadores, receando vir a ser incluídos nas listas se retraiam de fazer greve.


A segunda razão é ao nível do setor privado que, devido à insegurança relativamente aos contratos de trabalho, muitos deles precários, à perturbação causada pela incerteza e à procura da manutenção do posto de trabalho, associada à pressão da enorme oferta de mão-de-obra, podem servir de negação para a adesão à greve.  


Até porque os portugueses não têm a mesma coragem dos brasileiros por muito que se diga que têm limites para a complacência. Os portugueses estão divididos e acomodados com a sorte que lhes é imposta pelo medo, pela incerteza e pela insegurança.


Será que os exemplos das manifestações na Turquia e no Brasil que, até agora, não são movidos por razões de defesa de direitos e de aumentos salariais, poderão alguma vez nos dar coragem, a nós portugueses?




Imagem de: Diretório Central dos Estudantes da Universidade Tecnológica Federal do Paraná


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publicado às 20:15


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