Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Televisões generalistas-Carta aberta.png

Porque já várias vezes me questionei sobre os pontos incluídos nesta carta aberta resolvi divulgá-la aqui, neste blogue ,apesar de, provavelmente, muitos já tomaram dela conhecimento.

Sabemos também que comentários dos críticos a esta carta aberta tentam descredibilizá-la porque os signatários, ou porque não pertencem ao mesmo ”clube” dos críticos, ou porque pretendem, como tantas vezes é habitual, defender com mentira ou desdenho da verdade dos factos que eles próprios verificam mas negam.

A carta aberta foi publicada como artigo de opinião no jornal Público em 23 de fevereiro de 2020.

 OPINIÃO

Carta aberta às televisões generalistas nacionais

Como cidadãos, exigimos uma informação que respeite princípios éticos, sobriedade e contenção. E, sobretudo, que respeite a democracia.

23 de Fevereiro de 2021, 0:30

Sabemos que há uma pandemia – e que o SARS-CoV-2, em vez de se deixar ficar a dizimar pessoas no chamado Terceiro Mundo, resolveu ser mais igualitário e fazer pesadas baixas em países menos habituados a essas crises sanitárias.

Sabemos que não há poções mágicas – as vacinas não se fazem à velocidade desejada e as farmacêuticas são poderosas entidades mercantis.

Sabemos que, mesmo cumprindo os cuidados tantas vezes repetidos – distância física, máscara a tapar boca e nariz, lavagem insistente das mãos, confinamento máximo –, qualquer um de nós, ou um dos nossos familiares e amigos, pode ser vítima da doença e que isso causa medo a todos, incluindo a jornalistas, fazedores de opinião e responsáveis de órgãos de informação.

Sabemos também que os média estão em crise, que sofrem a ameaça das redes sociais, a competição por audiências, as redações desfalcadas, os ritmos de trabalho acelerados impostos aos que nelas restam, a precariedade laboral de muitos jornalistas.

Mas mesmo sabendo tudo isto, assinalamos a excessiva duração dos telejornais, contraproducente em termos informativos. Não aceitamos o tom agressivo, quase inquisitorial, usado em algumas entrevistas, condicionando o pensamento e a respostas dos entrevistados. Não aceitamos a obsessão opinativa, destinada a condicionar a receção da notícia, em detrimento de uma saudável preocupação pedagógica de informar. E não podemos admitir o estilo acusatório com que vários jornalistas se insurgem contra governantes, cientistas e até o infatigável pessoal de saúde por, alegadamente, não terem sabido prever o imprevisível – doenças desconhecidas, mutações virais – nem antever medidas definitivas, soluções que nos permitissem, a nós, felizes desconhecedores das agruras do método científico, sair à rua sem máscara e sem medo, perspetivar o futuro.

Sabemos que há uma pandemia causada pelo SARS-CoV-2, mas também sabemos que há uma diferença entre informação, especulação e espetáculo. E entre bom e mau jornalismo

Mesmo sabendo a importância da informação sobre a pandemia, não podemos aceitar o apontar incessante de culpados, os libelos acusatórios contra responsáveis do Governo e da DGS, as pseudonotícias (que só contribuem para lançar o pânico) sobre o “caos” nos hospitais, a “catástrofe”, a “rutura” sempre anunciada, com a hipotética “escolha entre quem vive e quem morre”, a sistemática invasão dos espaços hospitalares, incluindo enfermarias, a falta de respeito pela privacidade dos doentes, a ladainha dos números de infetados e mortos que acaba por os banalizar, o tempo de antena dado a falsos especialistas, as entrevistas feitas a pessoas que nada sabem do assunto, as imagens, repetidas até à náusea, de agulhas a serem espetadas em braços, ventiladores, filas de ambulâncias, médicos, enfermeiros e auxiliares em corredores e salas de hospitais. Para não falar das mesmas imagens repetidas constantemente ao longo dos telejornais do mesmo dia ou até de vários dias, ou da omnipresença de representantes das mesmas corporações profissionais, mais interessados em promoção pessoal do que em pedagogia da pandemia.

Enfim, sabemos que há uma pandemia causada pelo SARS-CoV-2, mas também sabemos que há uma diferença entre informação, especulação e espetáculo. E entre bom e mau jornalismo.

Consideramos inaceitável a agenda política dos diversos canais televisivos generalistas, sobretudo no Serviço Público de Televisão.

Como cidadãs e cidadãos, exigimos uma informação que respeite princípios éticos, sobriedade e contenção. E, sobretudo, que respeite a democracia.

Subscritores

Abílio Hernandez, Professor universitário; Alberto Melo, Dirigente associativo; Alfredo Caldeira, Jurista; Alice Vieira, Escritora; Ana Benavente, Professora universitária; Ana Maria Pereirinha, Tradutora; António Rodrigues, Médico; António Teodoro, Professor universitário; Avelino Rodrigues, Jornalista; Bárbara Bulhosa, Editora; Diana Andringa, Jornalista; Eduardo Paz Ferreira, Professor universitário; Elísio Estanque, Professor universitário; Fernando Mora Ramos, Encenador; Graça Aníbal, Professora; Graça Castanheira, Realizadora; Helder Mateus da Costa, Encenador; Helena Cabeçadas, Antropóloga; Helena Pato, Professora; Isabel do Carmo, Médica; J.-M. Nobre-Correia, Professor universitário; Jorge Silva Melo, Encenador; José Rebelo, Professor universitário; José Reis, Professor universitário; José Vítor Malheiros, Consultor de Comunicação de Ciência; Luís Farinha, Investigador; Luís Januário, Médico; Manuel Carvalho da Silva, Sociólogo; Manuela Vieira da Silva, Médica; Maria do Rosário Gama, Professora; Maria Emília Brederode Santos, Pedagoga; Maria Manuel Viana, Escritora; Maria Teresa Horta, Escritora; Mário de Carvalho, Escritor; Paula Coutinho, Médica intensivista; Pedro Campiche, Artista multidisciplinar; Rita Rato, Directora do Museu do Aljube; Rui Bebiano, Professor universitário; Rui Pato, Médico; São José Lapa, Actriz; Tiago Rodrigues, Encenador; Vasco Lourenço, Capitão de Abril

Os autores escrevem segundo o novo acordo ortográfico

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:14

Televisão e notícias.png

Estou no meu computador, olho para o relógio e saio da espécie de forma comatosa em que me encontro frente ao ecrã onde caíra depois de almoço apenas com uma interrupção para, a meio da tarde, ingerir à pressa qualquer coisa que me aguente até ao jantar.

São oito horas da tarde. Levanto-me, nervoso, ao lembrar-me de que tenho de estar frente à televisão para ver os noticiários. Como se iniciam todos à mesma hora, com pequenos minutos de diferença, pego no comando e percorro freneticamente os quatro canais para ver as aberturas.

Tudo na mesma. Na abertura dos noticiários que se prolonga por largos minutos a covid-19 continua a ser a prima-dona narcisista e caprichosa que faz exigências inauditas aos esforçados e já desgastados profissionais de saúde cujo nosso respeito, todos eles, nos merecem.

Nós, o povo, temos todo o direito de estar a par da informação, do que se passa com o triste espetáculo com que ela nos tem torturado. Aprendi ao longo da minha formação que, em comunicação, sobretudo a televisiva, as pessoas quando ficam sujeitas a uma repetição sistemática e consecutiva das mesmas ou semelhantes imagens a eficácia do impacto perde-se.  

Normalmente pensamos nas notícias que diariamente consumimos tendo em vista as informações factuais que as imagens televisivas nos transmitem e não as tendências emocionais que captamos e que nos são veiculadas pelas palavras de escolha específica do texto lido em voz-off. A narrativa das notícias e as palavras específicas selecionadas, simultaneamente com a elocução pelo jornalista, por mais objetivas que procurem ser, elas codificam uma riqueza de perceções emocionais e relacionais que a nossa atenção muitas vezes conscientemente ignora afetando a forma como entendemos os eventos descritos.

A nossa perceção da catástrofe e da dor, angústia sofrida por outros mostrada através de exposições sucessivas das mesmas imagens televisivas conduz à banalização do sofrimento. Tanto mais quanto as repetições se sucedem. O jornalismo procura sangue, quando nada há de novo e não se obtém novas imagens emitem-se até à exaustão as de dias ou de semanas anteriores e quando não se têm mais recentes coloca-se num cantinho superior do ecrã as palavras “imagens de arquivo”.

Mesmo quando sabemos que não fazemos parte do grupo, se não nos precavermos, podemos ser atingidos por essas imagens, quando nos cercam diariamente, ficando a nossa capacidade de sensibilização menorizada em relação ao sofrimento alheio banalizado pela repetição.

Sobre a extensão e o do tempo das notícias televisivas dedicadas à pandemia António Guerreiro escreveu para o jornal Público uma crónica com título de “A mentira no pequeno ecrã”. Sobre o Jornal da Noite escreve que «Não mente por dizer mentiras ou falsear imagens, não é a actual questão das fake news e da pós-verdade que aqui surge como pertinente ou a solicitar análise. Mente pelo encadeamento de palavras e de imagens, pela poluição discursiva e visual que produz, pelo tom adoptado (a dimensão prosódica do discurso, digamos assim), arrastando-nos para uma das regiões mais poluídas do planeta». E acrescenta que «Este jornalismo da mesmice — dos mesmos factos, das mesmas pessoas e do mesmo tom — que encena pela redundância uma ilusão de totalidade (e que, por isso, precisa sempre de muito tempo».

Atentemos ao facto de que há por aí negacionistas e outros que tais que contestam a existência da pandemia e a sua gravidade e manifestando-se nas redes sociais e, por enquanto, sem grande impacto público. Mentes ocas, deturpadas, a quem lavaram o cérebro, ficando destituídas de qualquer racionalidade ao que negar factos mesmo que estejam à sua frente.

Não se pode apontar o dedo à comunicação social por negacionismo, antes pelo contrário. Mas, o jornalismo televisivo está obeso de imagens que nos fornece em excesso para nos convencer da realidade pela redundância o que leva a gerar nos espectadores ansiedade e ilusão de ficção e mentira.

A mentira a que me refiro neste tipo de jornalismo não é absoluta é apenas alusiva. A mentira não é premeditada, os sujeitos recetores é que, devido ao encadeamento de palavras e de imagens e à poluição discursiva-informativa e visual produzidas arrasta-nos para colocar a questão de: será isto verdade?

É o caso das imagens relacionadas com a covid-19 que mostram exaustivamente os mesmos grupos etários, nos hospitais, nas ambulâncias, nas macas, nos lares, nas vacinações. Os velhos são as estrelas covid. Não nos admiremos, portanto, que para além dos negacionistas, pessoas bem-intencionadas comecem a duvidar da gravidade da situação que nos aflige e que a generalidade da população está a pagar bem caro com os sucessivos confinamentos devido ao desrespeito de outros que supõem não ter nada a ver com eles, mas sim com os velhos, para o que ajuda o guião do alinhamento que ordena por prioridades as notícias do dia.

Vejo diariamente os noticiários televisivo das 20h, faço zapping entre os três canais generalistas os e observo a overdose de notícias e reportagens sobre a covid-19 em quantidade e em tempo de duração e é óbvio a certeza de as ter já visto por serem iguais às dos dias e semanas anteriores, com pouquíssimas diferenças, muitas delas recolhidas das já emitidas fazendo novas edições e montagens.

Deste cabaz não escapam os jornalistas de serviço às notícias que se distinguem pela mímica da representação. Salvam-se os do canal SIC. José Rodrigues dos Santos da RTP1, é o que mais me irrita pela sua atuação. Não gosto quando em televisão me apontam o dedo e quando, ao lerem notícias, pelo tom e pelas atitudes de pantomina que adotam para salientar pontos da elocução consoante sejam ou não do seu agrado.  Esta é a minha perceção.

Tudo isto nos remete para a dúvida em sentido figurado e de sentimento individual sobre o que nos impingem nos ecrãs, dada a repetição exaustiva das peças jornalísticas e da expressão facial e até corporal que alguns dos pivots fazem parecendo mais momos do que jornalistas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:31

Audiências e jornalismo de investigação

por Manuel_AR, em 12.06.20

Jornalismo_investigação.png


Para com a televisão somos todos crédulos e somos levados por quem pensamos que é politicamente honesto e que nos vende ideias, ideologias e nos sugere algo para alcançarmos aquilo que supomos ser a verdade.


A justificação por jornalistas de falta de liberdade de imprensa e de liberdade de expressão são por vezes refúgios para quando, numa reportagem, se ultrapassam limites cujo bom senso leva a avaliações limitadoras da emissão de uma reportagem de jornalismo de investigação, como várias vezes já tem acontecido.


Há cerca de duas semanas li no jornal Público que Ana Leal que tem um programa dedicado ao jornalismo de investigação na TVI foi suspensa por divulgar emails trocados com a direção. A defesa acusa o Conselho de Redação de censura. Está em causa, até agora, “a divulgação ao conselho de redação (CR) da TVI de e-mails particulares entre a jornalista e a direção do canal”.


A defesa de Ana Leal acrescenta que “está em casa, a receber vencimento, mas sem atividade atual na TVI – explica ainda que está em causa uma questão de “liberdade de imprensa e de expressão”. Na altura, ainda afirmou que, “não há fundamento para a suspensão ou processo disciplinar. Há divergências editoriais normais e acho que esta ação de a suspender e promover um inquérito é pouco compatível com o espírito de liberdade de imprensa e expressão que devem reinar”.


Desconheço as razões para os fundamentos, ou não, da sua suspensão. Apesar de o tema não ser de somenos importância tal facto não me interessou e apenas serviu de mote para a preparação deste comentário.


Não é a primeira vez que ao entrarem em conflito com as direções de informação, redações e setor editorial estas são acusadas por jornalistas de fazerem censura interna, de falta de liberdade de imprensa e de expressão. Não sei se tal se verifica ou não, mas o conceito é demasiado forte e pode confundir-se com a prática do bom senso, ou falta dele, quanto às reportagens ou parte delas feitas pelos jornalistas destinadas a ir para o ar. Aconteceu também na RTP1 com Sandra Felgueiras com o programa Sexta às Nove. A acusação de censura pode não ser mais do que uma espécie de refúgio dos(as) jornalistas que consideram que tudo deve ser permitido, e sem limites.


Entre as televisões e especificamente no que se refere também ao chamado jornalismo de investigação parece existir uma competição entre canais e os próprios jornalistas de cada um deles, não pela qualidade, nem pela isenção na informação, mas pelos conteúdos que possam elevar os shares.


As peças de jornalismo de investigação não têm primado pela qualidade e isenção porque tem como objetivo o impacto sensacionalista que capte audiências que, por isso mesmo, mostram falta de valor informativo e técnico. As peças que vão para o ar são muitas das vezes confusas, ambíguas que em vez de informar desinformam.


Peças jornalísticas de investigação apresentadas em dias certos, conforme os canais, são dirigidas a um certo tipo de audiências mostram-nos simplesmente o tratamento de um tema chave de interesse para o momento. O “universo” do tema apresenta-se fracionado preocupando-se mais com os impactos nas potenciais audiências, e menos com a comprovação dos factos numa preocupação de pré-julgamento público através da apresentação de realidades fracionadas.


É um facto que algum desse “jornalismo de investigação” feito tipo à la carte tem o interesse de fidelizar certo o tipo de audiências. Não tem sido raro que na sequência de peças de jornalismo daquele tipo que por falta, omissão ou adulteração dos factos tenha havido protestos e até repúdio que a redação do canal emissor tarda ou se escusa posteriormente a divulgar a sua falha e quando o faz é através de comunicados da redação plenos de justificativas complicadas enunciadas em voz off.


No “jornalismo de investigação” que nos impingem não são despiciendas as conotações ideológicas numa perspetiva de revelar algo que possa prender a atenção do público por qualquer coisa que provoque escândalo ou indignação  o que interessa em determinado momento. Quanto à forma e ao conteúdo o método baseia-se em visões parciais e truncadas dos factos que respeitam a uma certa realidade destinada a instrumentalizar a opinião pública.


Os conteúdos das peças pretendem mostrar factos e provar as teses para credibilizar as reportagens nas quais se inserem entrevistas onde são selecionados extratos de frases e raciocínios truncados das mesmas que não interessem por não ajudarem a defender a tese do(a) autor(a) jornalista, oferecendo ao telespectador apenas partes de realidades descontextualizadas. Quanto à forma as peças são montadas recorrendo a artifícios de edição e a entrevistas com planos rápidos com perda da continuidade das afirmações dos intervenientes acrescido ou substituídos na narrativa em voz off. Utilizam-se técnicas da mostra de documentos e passagens de momentos alusivos que nada têm a ver com a realidade dos factos que estão a ser relatados. São inserts destinados a criar impacto no telespectador que apenas servem para preenchimento da peça, para encher chouriços como se diz.  Um exemplo: numa reportagem ao tratar um tema sobre corrupção ou peculato recorre-se na edição de vídeo não linear a inserts a notas de euro a serem contadas seguidas de novas sequências de imagens de pessoas a manusear documentos que o espectador não consegue identificar devido à rapidez dos planos que servem para o dinamismo e impacto visual da reportagem.


Os significados das imagens são obtidos quando os seus elementos são vistos e logo de seguida interpretados, assim, podem ser criados e/ou modificados de cada vez que elas forem vistas consoante o contexto sócio histórico da sua produção que influenciará a interpretação de quem as vê.


A semiótica trata da análise das relações entre uma coisa e o seu significado, quando se faz a interpretação de imagens, sejam fixas ou em movimento, com a finalidade consciente ou não de a compreender como nas reportagens televisivas. Nestas a semiótica das imagens e a análise do seu conteúdo levantam por vezes interrogações e ambiguidades que se tornam pouco esclarecedoras para os telespectadores.


Assim, geram-se narrativas audiovisuais específicas, por meio de práticas de significação, para se produzirem certos sentidos e não outros. Isto é, durante a peça jornalística dão-se aos elementos nela constantes uns certos significados, e não outros, para criar efeitos de sentido pretendidos nos telespectadores. Utiliza-se um conjunto formal de significações para dar um sentido às relações entre os elementos da linguagem que se manifestam em diversas naturezas das expressões verbais, visuais e audiovisuais.


Em muitas peças a que pomposamente atribui a designação de “jornalismo de investigação” estão por vezes intenções que passam para além dos factos e do esclarecimento do público, daí que a edição das peças com situações descontextualizadas e com a inclusão de imagens alusivas e que, por conotação com o facto, possibilitam, em si mesmas, interpretações erróneas por parte do telespectador.


Para além do cunho ideológico e político de que algumas dessas reportagens também se revestem pretende-se o efeito da eficácia tendo em vista a captação de audiências para a narrativa através de técnicas populistas e demagógicas. Utilizam-se formas, técnicas e modelos também utilizados pelos populistas para se revelarem antissistema. Um jornalista numa da reportagem não é ideológica e politicamente isento e fica sem o perceber envolvido apesar do esforço que faz para criar ao telespetador a perceção de distanciamento, imparcialidade e isenção na denúncia de corrupções, compadrios, negócios ilegítimos e outros. Em síntese, elege-se um alvo a atingir e, a partir daí, produz-se uma peça a que se dá um título atrativo e classifica-se como jornalismo de investigação.


Têm sido realizados vários estudos sobre os efeitos dos media, como por exemplo o de McDonald, Daniel G. Twentieth-Century Media Effects Research em 2004, que tratam a forma como são escolhidas as mensagens a difundir e as motivações económicas, políticas ou ideológicas dos jornalistas. Contudo ainda há quem tenha uma visão romântica do papel do jornalista que o vê a “representar a sociedade objetivamente, desinteressado e imune a qualquer influência, impossível de desviar da sua missão de informar e contar a verdade, ‘doa a quem doer’”. Porém não é assim, há quem define o que será emitido de acordo com o valor-notícia, a linha editorial e outros critérios, de acordo com os acontecimentos considerados suficientemente interessantes, significativos e relevantes para serem transformados em reportagem ou notícia.


Johan Vincent Galtung e Mari Holmboe Ruge sociólogos noruegueses utilizando uma psicologia simplificada da perceção e algumas suposições adicionais apresentaram em tempo um sistema de que descrevem eventos usados ​​como uma definição para o que deve ser notados nas notícias: a hipótese da adicionalidade em que quanto mais condições satisfaz um acontecimento tanto maior a probabilidade de se tornar notícia; a hipótese de complementaridade em que os fatores tenderão a exclui-se, pois se um fator estiver presente, será menos necessário do que outros fatores que estejam também presentes para que o evento se torne notícia; e a hipótese de exclusão em que eventos que não satisfaçam nenhum ou muito poucos fatores não se tornarão notícias. Na maioria dos casos, os dados são consistentes com a teoria. (Galtung, Johan; Ruge, Mari, The Structure of Foreign News, p.65)


As más notícias e os escândalos aumentam as audiências então, pelo efeito da negatividade, as más notícias vendem mais do que boas notícias e são mais fáceis de noticiar do que as boas. Mesmo entre as más notícias há uma certa hierarquia na preferência do telespectador que demonstra que por entre as notícias negativas umas vendem mais do que outras.


“Porque é que as notícias são como são?”. Estudos sobre métodos de seleção que definem as notícias que fazem parte de um noticiário ou peça jornalística a emitir concluíram que o processo é arbitrário e que as decisões do jornalista são altamente pessoais, subjetivas e dependentes das atitudes e espectativas de quem define o que irá para o ar e não se limitam a selecionar os temas que lhes interessam pessoalmente, mas as que eles presumem ser do interesse do público. Definem o que será noticiado de acordo como um valor-notícia, linha editorial e outros critérios por vezes mais ou menos subjetivos e ideológicos de acordo com o momento.


Em algumas peças de jornalismo de investigação a mensagem que se pretende passar está relacionada a um referente que, para além de simplesmente informar o telespectador, também pretende atingir algo ou alguém. Neste caso o referente, isto é, o assunto a que a mensagem se refere, e o tratamento audiovisual dado ao conteúdo do tema não são coincidentes.


Esta aceção pode ser bem explicada através de uma citação de António Damásio no livro “O Sentimento de Si”: “Se o leitor tiver alguém que lhe conte duas histórias comparáveis com igual número de factos e que apenas diferem porque numa delas alguns dos factos têm elevado conteúdo emocional, o leitor lembrar-se-á de um número muito maior de pormenores da história emotiva do que da outra” (António Damásio, O Sentimento de Si, 2000; p.336).


A televisão pode ser formativa, mas “o poder que a televisão tem em oferecer interpretações poderosas sobre a forma de compreendermos os acontecimentos que são escolhidos para serem notícia afetam diretamente a formação dos cidadãos”. (O Papel da televisão na Educação e na Construção Social da realidade, (2006). Revista do SNESup. Disponível em: http://www.snesup.pt/cgi-bin/artigo.pl?id=EEZuZVFyElfSrnWtRU (Consultado a 09/06/2020).


Alguns autores apontam algumas exigências que nem sempre são respeitadas encontrando-se sempre formas de as ultrapassar tais como: apresentação parcial da verdade quando se ocultam deliberadamente aspetos da realidade que impedem o indivíduo de aprender a totalidade do que foi apresentado; o sensacionalismo quando se distorcem os fatos mediante a acentuação de aspetos que provocam reações emocionais e não racionais; silêncio quando se suprimem determinadas informações necessárias nas compreensão de uma notícia; o engano quando há um falseamento da realidade. Por exemplo: quando se apresenta como uma reportagem autêntica aquilo que não é outra coisa que a imaginação do autor.


O propósito das reportagens do jornalismo de investigação deveria ser o de oferecerem temas únicos, rigorosos, profundos e analíticos dos acontecimentos recorrendo ao flashback para introduzir os antecedentes do acontecimento. Todavia são editados de modo a satisfazer o objetivo e o interesse do jornalista, por vezes até destituídas de sentido ético, no sentido de provocar polémicas na opinião pública. Assim, os telespectadores devem estar preparados para empreender uma leitura crítica do que vêem nas reportagens, o que raramente é feito.


O jornalismo de investigação precisa e deve obedecer à lei da objetividade, sinceridade e verdade. Torna-se, por isso, necessário que a comunicação transmita os factos a partir da verdade, o que muitas vezes acontece, mas, no decorrer da reportagem essa verdade vai-se tornando difusa e usa de subterfúgios ou rodeios para a tornar um valor absoluto e indiscutível conducentes a julgamentos na opinião pública. É frequente deparamo-nos em alguns casos com uma suposta coerências na informação emitida mas com uma documentação mostrada truncada e confusa.


O(a) jornalista autor de uma reportagem que deveria ser justo e escrupuloso em relação aos factos do objeto da reportagem nem sempre segue estas regras ao designar as suas “vítimas” heróis ou praticantes de atos ilegais e por vezes manifesta juízos de valor e até vereditos sobre a história que conta cometendo erros formais ou informais que descredibilizam o(a) jornalista e os meios de comunicação.


Para com a televisão somos todos crédulos e somos levados por quem pensamos que é politicamente honesto e que nos vende ideias, ideologias e nos sugere algo para alcançarmos aquilo que supomos ser a verdade.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:49

Um raio que os parta

por Manuel_AR, em 30.08.19

Raio que parta.png


UM RAIO QUE OS PARTA!


Não, não é para vocês caros leitores!


Após regresso de Londres só hoje publico este texto que estava preparado antes de férias.


Digo um raio que os parta para o empenho das televisões em produzir alarmismos, vários, entre a população. Um raio que os parta vai para os que dizem e falam sobre as filas de espera, o caos nas lojas do cidadão e no SEF para revalidar o Cartão de Cidadão e outros documentos.


Enquanto no Parlamento estava a decorrer o Estado da Nação resolvi fazer o meu passeio pedestre em Lisboa, como sempre faço diariamente, e desta vez percorri vários locais, não vou dizer quais, onde se tiram documentos, para ver com os meus olhos, não, felizmente ainda não necessito de óculos. Os óculos das câmaras das TV´s é que captam apenas ângulos que lhes interessam e cujo verificação no local sabem não pode ser feita pelo telespectador.


Como estava dizendo, hoje percorri três locais, já passava das onze horas da manhã, onde não vi quaisquer caos ou filas de espera exageradas. Resolvi optar por uma das lojas que, para mim, seria a mais conveniente para tirar o meu Cartão de Cidadão que tinha extraviado.


O movimento àquela hora era o que se podia chamar normal com as filas de espera junto dos diversos balcões, nos passaportes, cartão de cidadão no SEF, na NOZ, na EDP, na Segurança Social, e outros balcões. Isto é, havia gente à espera para tratar de assuntos diverso. Aliás como há esperas como em alguns consultórios médicos no privado mesmo após termos marcado uma consulta dias de antecedência, por vezes não tão poucos, paga a preço de ouro.


Cheguei ao local por volta das 14 horas e, à entrada, deparo com uma fila de cidadãos, talvez uns vinte ou vinte cinco ou um pouco mais. A fila estava parada dando a perceção de que estariam à espera de tirar senha.


Quem for a alguns locais depara com filas enormes para tratar de adquirir nacionalidade portuguesa, são casos especiais, pois cada vez há mais imigrantes orientais e africanos que nos batem às portas ou que vivem aqui há alguns anos e pretendem regularizar a sua situação. A altura de férias é, para eles, a mais oportuna por vários motivos. Como vivem “informados(?)” por alarmismos induzidos claro que há uma corrida como se tivesse um aviso de escassez de géneros alimentares.  


Dirigi-me para a fila que estava imóvel sem que aparentemente nada se passasse de anormal. Saí da fila e entrei. Dirigi-me a um segurança e disse o que pretendia. Amavelmente o dito segurança informou-me que tirasse a senha C para ir ao SEF. Como o ticket não saía o segurança disponibilizou-se a resolver o problema, abriu a porta da máquina, fechou-a de seguida e a senha saiu, era a C84. Olhei para os monitores de chamada estava no C76. Esperei, se tanto, 20 a 30 minutos. Fui chamado. Mais 15 minutos a resolver a situação. Problema resolvido.


Veio-me de novo à ideia: um raio que os parta, a eles, às TV´s, animadoras de induções de agitação orientadas não sei por quem, nem o que as move. Procuram o quer que seja para terem audiências, mesmo que faltem ao dever de informar com isenção. Um raio que as parta.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:31

Intocáveis

por Manuel_AR, em 31.07.19


Intocaveis.png


Uma comunicação social livre e independente são bases fundamentais para a democracia sem a qual deixaríamos de ter um escrutínio do poder.





De censura nos chegou cinquenta anos de ditadura. Mas a liberdade de expressão que todos queremos manter parece ter-se transformado numa ditadura de outra espécie de polo contrário, isto é, a ditadura da pressão dos órgãos de comunicação social, sobre o poder mesmo sem causa fundamental.



A forma como a comunicação social reage em bloco quando alguém fala mais duro com os senhores jornalistas que se sentem virgens ofendidas conduziu a ser ponto assente para eles reservarem-se o direito de passar a ser ponto assente a procura de pretextos, ou factos, que sirvam para atacar quem lhes causou tal agravo.



Mal-habituados que estão a críticas e porque têm o poder na mão, desencadeiam ações a propósito de pretextos casuísticos para desenvolverem junto das suas redações movimentos que “punam” com severidade na praça pública quem tais pretensas ofensas lhes faça. Quando tal se proporciona entram em ação os “justiceiros” da comunicação social do século XXI apedrejando publicamente os hereges que não se portem na linha.



São os alarmistas da nossa praça. Não há ninguém que lhes toque. Se tal acontecer seja por críticas ou comentários que se lhes façam soltam-se grito de alarme no mercado dos ecrãs televisivos e nas primeiras páginas dos jornais: “Ai que estamos outra vez na censura!”. Chovem então críticas sobre os atrevidos dos políticos tentando por todos os meios ao seu alcance destruí-los na praça pública.



Intocáveis e incorruptíveis, para além do mercado da informação entram também pelo campo da política partidária, sendo brandos com uns e inflexíveis com outros.



 



E com isto vou para Londres que me espera hoje mesmo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:07

Realidade social e televisão.png


A televisão deveria ser uma referência de estabilidade, diante da violência da insegurança e da complexidade do cotidiano. Os telejornais deveriam funcionar como uma janela para a realidade, mostrando que o mundo circundante existe, está lá e que o mundo não se transformou num caos e a vida segue a sua normalidade. Infelizmente não é isso o que acontece, quanto mais caos e o passar do que é normal a uma anormalidade tanto melhor, porque também quanto mais audiências tanto melhor. Temos, por isso que nos capacitar da necessidade de uma leitura distanciada, mas atenta, do que as televisões e, já agora também, as redes sociais, nos dão para consumo para evitarmos ser manipulados.


Sobre o que afirmamos conhecer como sendo um facto objetivo e como uma verdade empírica, também estão envolvidos os nossos preconceitos culturais, interesses económicos, pontos de vista políticos e, ainda, as nossas crenças e perceções que também podem ser uma projeção induzida pelos meios de comunicação social, nomeadamente os canais de televisão.


Há duas realidades sociais: a objetiva que existe independentemente de cada um de nós e a realidade subjetiva contruída numa perspetiva que depende de cada um de nós que não é mais do que uma combinação de múltiplas subjetividades. A realidade é influenciada pelos meios de comunicação (imprensa, rádio, televisão, redes sociais) que leva as mesmas mensagens a múltiplos recetores cujo poder é manifesto porque uma ideia transmitida através deles pode modificar a realidade social, isto é, alterar a forma como a comunidade entende aquilo que acontece dentro da sua própria sociedade. Realidade social é então o conjunto das interações que os seres humanos estabelecem entre si e entre aquilo que os rodeia num dado espaço e tempo.  


Os meios de comunicação social, especialmente as televisões, são os que mais contribuem para informar acerca da



 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:13

O que procura a procuradora?

por Manuel_AR, em 15.10.18

Moura Guedes.png


Regressei de São Vicente, Cabo Verde, onde estive durante duas semanas ausente das costumeiras notícias das televisões de Portugal. Foi um alívio que serviu para a manutenção da sanidade mental. Mas, não indo mais longe, logo no dia 8 do corrente, dia do meu regresso deparo-me com a desagradável surpresa da presença da Manuela Moura Guedes no noticiário da SIC como comentadora. O título pomposo de “A Procuradora” oportunisticamente escolhido, leva-nos a duvidar e a conjeturar sobre as intenções da SIC e da comentadora, ausente dos ecrãs por motivos que só alguns conhecem. Manuela Moura Guedes é um chamariz para quem gosta do jornalismo ao estilo dos  tabloides do escandalo numa pornográfica mistura entre entretenimento e comentário político. 


A SIC tem vindo, nos últimos anos, a ser uma espécie de canal oficioso de uma certa direita em estado de decomposição com alguns laivos e combinações de pretensa isenção. São públicas as dificuldades financeiras do grupo Impresa a que o canal pertence. Assim, havia que mudar as regras do jogo substituindo o “interesse público” que sacrifica ao que é suposto ser o “interesse do público”, do negócio e do partido a que pertence o dono do grupo, deixando para trás a isenção e a deontologia.


Manuela Moura Guedes que foi deputada independente pelo CDS-PP entre 1995 e 1996, é uma dita jornalista digna de jornais como O Diabo, protótipo do mau jornalismo especializado na destruição de caráter, na condenação prévia sem julgamento fazendo o falso parecer verdade absoluta no mexerico para induzir distorcidos pontos de vista sob a capa da isenção e da credibilidade. Não informa, desinforma e nada acrescenta do que já foi dito que baralha e torna a dar. “A Procuradora” da SIC é um atentado ao comentário televisivo jornalístico e político de qualidade; é o comentário do facciosismo gerido por estados emocionais e pessoais como se de um qualquer blogue pessoal se tratasse. O próprio título escolhido pelo canal para o momento do comentário, sendo igual ao de um Grau hierárquico intermédio da magistratura do Ministério Público, é um atentado ao bom nome de uma instituição que deve ser credibilizada.


No Twitter foi dito: “Debitando banalidades genéricas, sem adicionar informação relevante aos temas que comenta, o espaço de Manuela Moura Guedes na SIC, hoje, destacou-se pela crítica às mulheres que se manifestaram contra Bolsonaro. Ao pescoço, usou um dos símbolos de campanha do fascista”.


“Manuela Moura Guedes acusou Pinto Monteiro e Cândida Almeida de "terem feito tudo para abafar" os casos que envolviam o antigo primeiro-ministro José Sócrates, que acusou de "controlar a Justiça" e solicitou uma investigação ao Ministério Público”. Apercebemo-nos logo da intencionalidade pessoal fazendo acusações sem prova denegrindo, sem direito a contraditório, imagens e carateres.


Quando ao serviço da TVI investigou vários casos relacionados com José Sócrates, acusando na altura sem provas que "tudo o que não era controlado era abafado". A vinda de Moura Guedes foi cirurgicamente escolhida pelo canal SIC, já que o próximo ano é decisivo na atividade política para no culminar de processos judiciais em curso. Ano em que as redes sociais irão instilar veneno, mentiras, insultos e notícias falsas que, a não serem validadas, poderão influenciar decisões através de campanhas negativas. Ser polémico não é sinónimo de mau jornalismo e do desvirtuar a ação jornalística com o intuito da obtenção de audiências.


Portugal já tem mau jornalismo que chegue e a SIC, em maus lençóis e desespero de causa, faz uma fuga para a frente para competir com a TVI na obtenção de audiências com um contrato como este para comentário político.


Manuela Moura Guedes recorre ao mau jornalismo para defensa de causas, as suas causas, para libertação das suas frustrações e ódios pessoais. Emerge do ostracismo para montar uma espécie de teatro burlesco onde, com pontos de vista que confinam o extremismo, pretende reorientar e reinterpretar a política. O comentário de Manuela Moura Guedes é o contrário do bom comentário político onde subjaz uma demência obsessiva-compulsiva provocada pelo revivalismo de mau caráter que faz transparecer.


Não gosto de utilizar as características fenotípicas de uma pessoa como arma de arremesso, mas, Manuela Moura Guedes, sugeriu-me, por analogia, a encarnação do Joker, também apelidado de “Príncipe palhaço”, personagem vilão da banda desenhada Batman. A analogia não se resume apenas ao fácies, mas aos objetivos perpetrados, centrados na destruição do Batman símbolo da justiça e da luta contra o mal. Ela consegue hipocritamente defender o “bem” que, com astúcia, transforma em “mal”. Para ela nada há de bom na democracia e na política e, assim, procura o enxovalho, a falta de ética que, com a sua errada falsa conceção de justiça, tudo reduz à noção de mau.  Moura Guedes faz política pela negativa e pela falsidade, não fosse ela uma grande defensora de Bolsonaro, resultado de ódios e frustrações do seu passado profissional e político que persistem no seu íntimo digno de um personagem maléfico como o Joker do Batman.


É disto que alguns dos seus fãs pertencentes ao seu espetro ideológico gostam: condenação prévia na praça pública e sem culpa formada, a denúncia fácil e falsa, o escândalo, a maledicência, o julgamento e condenação na praça pública, recorrendo até a factos, quaisquer que sejam e que sirvam os seus intentos e os do canal onde agora reza.


Se queremos um símbolo do que não deve ser o jornalismo e o cometário político ele está presente na Procuradora da SIC. 


 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:43

A orquestração

por Manuel_AR, em 11.07.17

Orquestra.png


Há uma orquestração que tem vindo a ser muito bem dirigida, mas que é duma baixeza e oportunismo partidário a todos os níveis que só direita poderá estar a dirigir com beneplácito dos canais televisivos que, juntamente com comentadores, pouco isentos e partidariamente coniventes, se encarregam de divulgar e amplificar os casos cuja informação prestada ao público por vezes mais parece ser orquestrada à boa maneira da antiga união soviética, já para não dizer da Coreia do Norte. Quem vê televisão tem o sentimento de estar a receber informação imbuída de monolitismo ideológico de direita, com uma ou outra pincelada, aqui e ali, de contraditório que, no meio da pintura, nem nos apercebemos.


Todas os casos sucessivos que têm vindo a lume nos últimos tempos não me parecem coincidências. Surge-me por isso no espírito uma suspeita de orquestração proveniente da direita, (da esquerda não será com certeza), e com a afabilidade dos canais de televisão. O grave é que instituições, como é o caso da PGR, que deveriam ser isentas, estejam a reboque duma agenda partidária que chega às raias do subversivo. Parece que num repente se abriram as caixinhas onde estava tudo no recato á espera de favorecer a oportunidade partidária da direita. Isto parece-me ser subversão das instituições para benefício partidário.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:38

Quando os abutres pairam

por Manuel_AR, em 19.06.17

Incêndio Predrógão.png


Todos lamentamos as vitimas causadas pela imensa tragédia provocada pelos incêndios dos últimos dias na região de Pedrógão Grande que ultrapassou as regiões periféricas daquele concelho.


Para quem acompanhou as reportagens e noticiários dos vários canais televisivos terá tido oportunidade de confirmar que esta tragédia tem sido, e continuará a ser, um pasto fácil para captar audiências.


Reportagens repetitivas, debates televisivos, entrevistas que, para além de informarem, servem também para fomentar a dúvida, pôr em causa tudo o que se fez e o que deveria ser feito ou, ainda poder contentar certa espécie de audiências, lançando achas de outra espécie para fogueira da comunicação, arremessando descréditos e subentendidos a instituições, apontando as mais diversas responsabilidades.


Na imprensa o triste acontecimento é fonte de inspiração para opiniões dispares e de interpretação subjetivas, reclamando o que anteriormente não reclamavam... Uma oportunidade também para contestarem as declarações do Presidente da República. Esquecem-se estas aves de rapina do que foi o tempo dos incêndios no tempo do governo que apoiavam, "comendo" o que de lá vinha, sem pestanejarem. Veja-se por exemplo o caso do incêndio na Serra do Caramulo em agosto de 2013.


Aí estão eles, os da direita com uma fácies triste e a mostrar condolência quando os seus adeptos, mostrando a sua fúria desmedida e mal contida espalham comentários através dos jornais online atribuindo culpas a quem está mais a jeito. Na sua fúria insana procurando fragilidades que lhe lhes garanta ganhos que têm vindo a perder. É a fúria dos adeptos duma direita extremista, irresponsável e irracionalmente furiosa.


Judite de Sousa parece ser, no meio da terra queimada e de cinzas, vestida de preto a condizer para mostrar o seu enlutar (fica-lhe bem no avermelhado da paisagem, assim como o cabelo a que parece pertencer), um dos abutres da comunicação, eventualmente feliz por dentro, por a desgraça alheia lhe ter trazido algo para debicar e beliscar numa política que parece não lhe agradar e puder ter audiências durante semanas. Quando há notícia que deem visibilidade pela-se por aparecer.


Deixando de lado o seu valor como investigadora, Raquel Varela é outra, noutro estilo, não perde a mínima oportunidade para ter audiências, aproveita tudo para uma contestação, a tudo e por nada, deixando qualquer leitor ou espetador alguma vezes perplexo  sem saber onde ela se situa. É contra tudo e todos. Apenas porque sim!


Neste momento canais de televisão ávidos da especulação para traduzirem más notícias em emoções para os espectadores iniciaram já a preparação de reportagens pondo frente às câmaras voyeuristas pessoas e famílias enlutadas, agora empobrecidas física e psicologicamente pela tragédia, colocando-as em primeiro plano numa tentativa de exploração política e emocional de situações de tristeza e de luto com o objetivo de atrair publicidade não olhando a meios. Esta tragédia servirá, durante mais alguns dias, ou semanas, para os “abutres” da comunicação televisiva fazerem uma espécie de marketing para captar audiências, mais do que para dar apenas informação.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:59

Retórica.png


A ação política faz-se pela palavra, pelo discurso. O discurso, mormente o discurso político, passa necessariamente pelos media, particularmente a televisão.


A linguagem dos políticos, todos, e dos comentadores da política, também, é sempre baseado na retórica. Tenho ao longo dos textos neste blog utilizado algumas vezes o conceito de retórica que atribuo aos discursos de alguns políticos, mais a uns do que a outros, embora tente distanciar-me, por vezes, sem sucesso. Vejam-se os comentadores da política que não de distanciam nem um milímetro da sua área ideológica, mesmo que a evidência da verdade lhes caia em cima da mesa do debate, o que é válido quer para os de direita, quer para os de esquerda.


Mas afinal o que se entende por retórica? Sem querer entrar na filosofia, ramo que não é do meu domínio, retórica é uma técnica de construção do discurso, cultivada pelos sofistas, que visa a criação de um texto fortemente persuasivo, através de um uso correto da linguagem e a que Platão opôs a dialética que é verdadeiro ou filosófico.


O filósofo belga Michel Meyer define retórica como “o encontro entre os homens e a linguagem na exposição das suas diferenças e das suas identidades. Sempre e em todos os casos, a relação retórica consagra uma distância social, psicológica e intelectual, que é contingente e de ocasião, e que é estrutural ao manifestar-se, entre outras formas, através de argumentos ou da sedução.”. Vemos que esta definição se encaixa perfeitamente na atitude política.


Quem tem paciência para assistir a debates políticos apercebe-se facilmente que há uma técnica já interiorizada pelos intervenientes cujo objetivo é o de levar aos que os escutam mudar sua opinião sobre determinada matéria ou questão, ou a reafirmá-la, se for o caso em que o emissor da mensagem se mostra convincente pelos gestos, pela voz, pela postura, pelo estilo, pela construção de silogismos retóricos através de vários estratagemas discursivos.


É isto que políticos e comentadores fazem, mesmo que contrariando evidências factuais reformulando todo o discurso desviando uma evidência para outro facto favorável a sua tese. Um exemplo evidente é o caso do PSD quando pretender transformar um sucesso do governo no seu próprio sucesso através de sofismas utilizando, para tal, argumentos deliberadamente falsos para tentar induzir em erro quem os escuta.


Sobretudo para a direita a verdade, como algo que à parte de e em possível conflito com as conveniências políticas e partidárias, deixou de fazer parte do seu universo de retóricas. Podemos, então, distinguir dois tipos de uso do discurso retórico: o pedagógico e esclarecedor e aquele que é demagógico e manipulador. Este último é o preferido pelos adeptos dos partidos, especialmente dos da direita, (embora à esquerda também se verifique, mas em menor escala), porque gostam de o ouvir não se apercebendo de que também estão a ser manipulados.


Assim, e para concluir, como se processa esta retórica dos inimigos do povo, como lhes chamam alguns radicais de esquerda?


Destruir e economia portuguesa fazendo crer que tudo o que fazem é a bem da economia e da competitividade com o sacrifício de muitos e, ao mesmo tempo, dizendo que é para bem de todos num futuro de amanhãs que cantam.  


Demonstrar que o que eles fazem ou dizem é a verdade absoluta e para os seus antagónico a verdade é sempre relativa.


Fazer constar que os indicadores sociais e da economia quando se encontram no poder são sempre positivos mesmo que o não sejam.


Mostrar que os mesmos indicadores quando favoráveis a quem está no poder são enganadores e que, se são positivos, é devido à ação da direita quando está no governo.


Demonstrar que qualquer decisão tomada que não seja pela direita conduzirá à chegada do diabo e ao cataclismo.


Retirar (cortar) o máximo de direitos básicos e ou constitucionais se possível que lhes possa dar mais margem de manobra.


Eliminar paulatinamente a classe média.


Fazer a apologia da austeridade drástica e intransigente com a título de reformas profundas na organização social sem explicitar o que por isso entende.


Mandar os jovens para o estrangeiro e os idosos (a peste grisalha) para o cemitério através de mecanismos que dificultem o acesso á saúde e propondo o corte nas reformas segundo o princípio demagógico de que não há alternativa.


Ampliar e maximizar o poder e os lucros dos seus fiéis para que lhes possam propiciar a sua permanência no poder.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:29


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.