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Os vuvuzelas

por Manuel_AR, em 20.02.15

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As vuvuzelas dos políticos instalados no poder, Cavaco Silva, Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque e Pires de Lima entrte muitos outros já atormentam suficientemente os ouvidos dos portugueses com a sua propaganda em uníssono, faltava agora, a reboque da situação grega, a intromissão dum agente alemão a contribuir para a propaganda partidária interna. Os vuvuzelas fazem de Portugal uma espécie de cãozinho amestrado que, quando lhe esfregam o lombo, abana a cauda.


A falta de autoestima dos portugueses leva a uma necessidade de procura desesperada de elogios de outros como própria realização enquanto povo. Isto é verdade em todas as manifestações que vão desde o futebol à política. A inveja é outro dos pecados dos portugueses que é de nos congratularmos com o mal dos outros como forma de nos distinguirmos e distanciarmos.


O provincianismo bacoco de quem nos governa vão desde o Presidente da Republica ao primeiro-ministro e afins é evidente nas declarações que fazem sobre Portugal e sobre países que fazem parte do grupo a que nos obrigaram pertencer.


Os recentes elogios feitos a Portugal pelo ministro das finanças germânico, Schäuble, são uma dessas evidências do oportunismo do governo alemão face aos acontecimentos na Grécia. Para o ministro germânico das finanças "Portugal é aprova de que os programas de assistência funcionam" que, por outras palavras, quer dizer Portugal passou a ser um caso de sucesso da intervenção externa. O sabe aquele senhor sobre a realidade portugueses a não ser o que lhe "transportam" Passo Coelho e Maria Albuquerque.


Uma análise sócio económica breve mostra-nos que Portugal devido à intervenção externa aumentou o desemprego de forma assustadora, embora o decréscimo artificioso apresentado pelas estatísticas, aumento do número de pobres, cidadãos em desemprego de longa duração e sem subsídios de desemprego, diretores clínicos que se demitem por falta de condições nos hospitais, dezenas de horas de espera nas urgências dos hospitais, doentes que morrem nas urgências por falta de assistência atempada, cortes em salários e em pensões, falta de condições nas escolas públicas, verbas dos impostos entregues a escolas privadas, aumento do número de crianças em estado de pobreza estrema, diminuição do investimento privado, redução do poder de compra das famílias, PME's sem crédito, empresas em situação de falência, milhares de famílias obrigadas sem possibilidades de pagamento de créditos à habitação, trabalhadores da função pública obrigados a entrar num corredor de despedimento que denominaram de requalificação, idosos sem possibilidades de aquisição de medicamentos, destruição de milhares de postos de trabalho, aumento em quantidade de instituições de apoio social que se transformou num negócio rentável que dizem sem fins lucrativos, desvio para bancos de dinheiro cobrado pelos impostos, privatização de empresas públicas rentáveis, venda de património nacional ao estrangeiro, rendas da energia elevadas a pesar nas faturas dos cidadãos, aumento de preços dos transportes e da energia sem que a inflação o justifique e em tempo de congelação de salários e pensões, previsões de crescimento anémico, dívida impagável pelo menos durante os próximos vinte anos, etc.,etc.. Estes são algumas das provas de que o programa de assistência funcionou em Portugal.


Portugal atualmente já não tem nem património económico nem dignidade que lhe foram retirados com a cumplicidade dos vuvuzelas alojados no governo e na presidência da república. Segundo o jornal Público Jean Claude Juncker o atual presidente da Comissão Europeia e ex-presidente do Eurogrupo aponta o dedo a Durão Barroso e reconheceu na quarta-feira à noite que “falta legitimidade democrática" à troika e que a Europa atentou “contra a dignidade” dos países que pediram resgates. “Pecámos contra a dignidade dos povos, especialmente na Grécia, em Portugal e também na Irlanda. Eu era presidente do Eurogrupo e pareço estúpido em dizer isto, mas há que retirar lições da história e não repetir os erros”, disse Jean-Claude Juncker, em declarações no Comité Económico e Social Europeu, em Bruxelas.


Pressurosamente veio o ministro Marques Guedes a dizer que "Jean Claude Juncker foi “infeliz”. O ministro da Presidência falou no Conselho de Ministros, esta tarde, e considerou que "em momento algum a dignidade dos portugueses foi posta em causa pela troika acolitado também pela ministra Teixeira da Cunha. Mas o que entendem estes sujeitos por dignidade que fizeram perder aos portugueses, não apenas no que se refere à pessoa humana enquanto tal mas também ao país como um todo. Que interesses está esta gente a defender? Os de Portugal não serão com certeza.


A chanceler Merkel para salvar a face perante o que está a acontecer na Grécia encarregou o seu número um das finanças de se bater a todo o custo pela passagem da mensagem de "sucesso" do programa por eles implementado em países como Portugal e a Irlanda, os mais frágeis. Seria um desastre político tremendo para o governo e a opinião pública alemães a demonstração do insucesso do programa, e a Grécia agudizou-lhes esse receio.


Há um quarto vuvuzela que é o ministro Pires de Lima, mas desse falaremos mais tarde.

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publicado às 01:18




O programa do PSD e deste Governo assentariam sempre na aplicação das mesmas premissas ideológicas ultraliberais mesmo que não tivessem existido os precedentes governativos que, de forma cansativa, tantas vezes referem.



 


 



 O que aconteceria se o governo atual (PSD e CDS) estivesse a governar sem a ajuda internacional da “troika”e com Passos Coelho como primeiro-ministro? Como nos encontraríamos agora? O que faria então o governo?


 


Tendo em conta as declarações atuais e os responsáveis pelo governo e os seus comentadores políticos a culpa é da “troika” e da intervenção externa que nos obrigou à perda de soberania e, por tal são justificadas as medidas até agora adotadas.


Sem a intervenção da “troika” que medidas e que caminho teria então tomado o Governo para equilibrar as finanças públicas e reduzir o défice para 3% a que obriga a EU? Com grande probabilidade seriam precisamente as mesmas das que tomou


com a presença da “troika”.


Vejamos então. Em 19 de maio de 2011 Passo Coelho apresentou, num hotel em Lisboa, as linhas mestras do programa eleitoral do PSD. Afirmou então com pena convicção que “este programa está muito além do memorando da troika”. Facilmente se poderá concluir que, com ou sem a “toika”, o programa do PSD seria, na prática, o mesmo que tem vindo a aplicar.


Para corrigir as conta públicas estava também implícito no programa do PSD que haveria na mesma cortes no Estado Social, redução das despesas do Estado e, consequentemente, cortes nos salários, nas reformas, nas pensões e dispensa de trabalhadores do setor público.


Quanto às privatizações o programa do PSD, pela voz de Passos Coelho, referia que “o plano de privatizações da troika não defende todas as privatizações. Nós queremos que isso se estenda aos órgãos de comunicação social.”. Referia ainda Passos Coelho que o país tinha um nível de desemprego que ameaçava a coesão e a justiça social pelo que era necessário colocar a economia portuguesa a crescer. Considerando que, como premissa inicial, o programa do PSD iria fazer reformas estruturais que iriam para além da “troika” como ele afirmou, logo, a aplicação das suas medidas, mesmo sem a “troika”, iriam conduzir aos mesmos resultados, isto é, o aumento desenfreado do desemprego como o  que se verifica atualmente.


O programa de governo do PSD/CDS entregue na Assembleia da República em 28 de junho de 2011 confirma o que se acaba de referir. É portanto, fácil concluir que, mesmo sem a “troika”, estaríamos na mesma situação em que nos encontramos ou pior ainda, mesmo que não tivéssemos a dívida e os juros adicionais que somos obrigados a pagar às instâncias internacionais devido à assistência a que estamos sujeitos.


Em conclusão, mesmo sem a “troika”, as medidas que foram tomadas e as que ainda irão ser tomadas por este Governo, e que nos afetam a todos, seriam as mesmas. Portanto, a responsabilidade da destruição do tecido social e empresarial não é nem só da “troika” nem só dos governos seus antecessores. Que fizeram mal já nós sabemos, mas não justifica tudo. O programa do PSD e deste Governo assentariam sempre na aplicação das mesmas premissas ideológicas ultraliberais mesmo que não tivessem existido os precedentes governativos que, de forma cansativa, tantas vezes referem. 


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publicado às 22:46


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