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Pode também ler este "post" em A Fruta mais Ácida.

A campanha para as eleições autárquicas terminou, hoje é dia de reflexão. Foi uma campanha sem interesse, muitas das vezes sem nexo e não dirigida ao interesse dos cidadãos em relação ao poder local. Partidos e os seus candidatos aprontaram estratégias para propagandas diversas para captar potenciais eleitores. Influenciar o povo para votar é o principal objetivo de cada um dos partidos. São estratégias de marketing. Vender o seu programa (qual programa?) prendeu-se com a capacidade, ou incapacidade, que cada um teve para conseguir influenciar o público. São os empreendedores da política que utilizam técnicas idênticas aos influencers que medram pelas redes sociais e pelos blogues fazendo da estupidez dos outros o seu modo de vida. Sobre estupidez já escrevi aqui.

A captação de votos através da influência aos potencias eleitores determinou o remoque para, mais uma vez, escrever sobre essa gente a que chamam influencers.

No meu blogue A Fruta mais Ácida tenho dedicado mais espaço sobretudo aos influencers que propagandeiam ideias para quem queira comprar. Há também as aberrações de alguns que se julgam engraçadinhos por fazerem stand up contando umas piadas rascas em canais televisivos e em teatros esgotados por desejosos de piadas de mau gosto ou sem piada. Quando há um que ri logo outros o acompanham opara não destoarem. Um canal de televisão privado resolveu promover um desses a residente no programa das tardes de domingo e, ainda, transformá-lo em ator de uma telenovela enquanto muitos atores conceituados se encontram há muito em dificuldades por falta de trabalho.

Influencers, influenciadores em bom português, é um nome vago para indivíduos que vivem de canais digitais colocando em plataformas conteúdos muitas vezes patrocinados. A cada mensagem e em cada selfie supostamente sincera colocam as suas vidas em exibição. Eles são estrelas da internet e precisam de protagonismo para ganhar a vida com a vida vazia e a pobreza de espírito de outros.

Podemos então definir influencer como alguém que tem a habilidade de influenciar um determinado grupo de pessoas mostrando o seu estilo de vida, opiniões e hábitos muitas(os) e delas(es) baseiando-se para tal na riqueza expondo-se através de imagens das suas casas, das compras que fazem, dos meios que frequentam e no estatuto social. Utilizam as redes digitais ditas sociais e o Youtube, neste caso chamam-se pomposamente youtubers, como meios para alcançarem o seu alvo e têm efeito em muitas centenas e até milhares de seguidores.

Os influencers das redes socias são os propagandistas do século XXI, uma casta originada pelas redes que atrai incautos para gastar o seu dinheiro em compras, por vezes desnecessárias, para se identificarem com o seu influenciador. É um novo estatuto ser seguidor de pessoas que não conhecemos de lado nenhum, mas de quem gostam de ver na TV.  Os influencers são sujeitas e sujeitos, (coloquei as sujeitas em primeiro lugar para não me acusarem de ser machista, ou, caso contrário, de demasiado feminista), que olham para o mercado e percebem que podem criar riqueza a explorar o défice cognitivo dos influenciados.

O influencer mobiliza indivíduas(os) apelando para emoções e paixões mostrando um certo intimismo ensombrando as capacidades cognitivas da potencial “vítima”, para a atrair para a aquisição de objetos materiais e para serem seus seguidores. As suas receitas mágicas e as suas opiniões pessoais ao estilo do “eu já vi e aconselho porque comprei e tenho na minha casa”, são a suas armas preferidas. Ou ainda: “eu já comprei esta roupa que fica lindamente com a minha maquiagem da marca “X””. Muitos aproveitaram a covid-19 para fazer negócio colocaram fotos usando máscaras e usaram a hashtag do coronavírus durante o surto. É um oportunismo e uma jogada descarada.

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Os visuais tornaram-se uma fórmula para copiar, o tom muitas vezes irritante, cheio de banalidades e trivialidades, como aconteceu com uma tal pipoca, influencer digital que tem um blogue e que foi chamada para comentar numa coisa a que chamaram gala os acontecimentos do programa rasca conhecido pelo nome de Big Brother e até teve direito a vestido de gala.

Se a vida é complicada para o mundo em geral, imagine-se o que é, por exemplo, para uma mulher que ainda não chegou aos trinta e já tem de lidar diariamente com problemas tão profundos como saber que sapatos calçar. Sapatos, romance e outras teorias de vida.

Estes influenciadores(as) colocam títulos aliciadores enganando deliberadamente a audiência porque sabem que é necessário atraí-lo independentemente da qualidade do artigo que aconselham. Eles não vendem, aconselham, sugerem seja lifestyle e moda, beleza, coleção de joias juntamente com uma marca, viagens milionárias, ou o quer que seja, e, muito importante, acompanhadas(os) pelos seus maridinhos ou esposas – os divórcios deles e sobretudo delas também são muito chamativos – mais os seus filhotes para que o impacto seja maior, para tal basta colocar os vídeos e imagens para aliciar o pagode que seguir o seu Instagram o outra qualquer rede social. E lá caem mais uns “likes” e uns euros na bolsa pagos pela propaganda aconselhada.

Não posso esquecer os comentadores de influencers que os publicitam descrevendo o quanto são interessantes colocando frases como:

“A ou (o) X apresenta no Instagram os seus outfits, (maneira muito chique de dizer roupa), dos programas televisivos, o seu dia a dia e ainda as suas sugestões para looks mais arrojados. Apesar de ter bastante experiência como blogger moda e instagramer, o seu estilo e forma de apresentar roupas e acessórios nos seus posts continua a fazer com que os seus seguidores se apaixonem como no primeiro dia! Se quiser comprar a roupa da blogger, poderá fazê-lo na marca Z. Tem peças giríssimas com descontos imperdíveis! “Como podem ver são coisas estúpidas e tolas, mas inteligentes, para atrair tolos. Utilizo aqui palavras em inglês para dar a ideia de também estou in!

Se eu, sujeito influencer, no meu blog dou visibilidade à minha vida privada de forma ficcionada dizendo às pessoas como sou feliz com o meu consorte, falo dos meus filhos lindíssimos, na minha casa para a qual comprei um móvel giríssimo, e para mim um perfume, um detergente que “eu uso cá em casa”, ou uma roupa, ou uma viagem incrível que fiz ao “país paraíso” onde me diverti imenso com a minha família, etc., etc., as pessoas vão a correr consumir seja o que for que coloquei no meu blog, ou anunciei na rádio, ou na televisão. Mas, atenção, a culpa não é minha, é das pessoas que acreditaram nas soluções incríveis que lhes propagandeei e que eram boas para a minha casa, para mim e para a minha família e quiseram viver as mesmas experiências do que eu.

Os influencers prestam um serviço inestimável à sociedade e o Estado não pode impedir estes empreendedores que fazem pela vidinha e que encontram maneiras de obter vantagens financeiras e rentabilizar a estupidez alheia.

Poderão pensar que sou contra a iniciativa privada e o empreendedorismo. Nada disso. Pelo contrário. Estou é em desacordo com o simulacro de empreendedorismo que se aproveita da estupidez alheia. Se, por um lado, a indústria dos media é extremamente regulada, por outro, há uma indústria informal que tem cada vez mais influência, mas que não tem qualquer tipo de regulação.

Não podemos subestimar o papel dos otários que contribuem para o bolso dos influencers. Há negócios que dependem dos otários. Se não os houvesse quem lhes colocaria os “likes” nos “posts” e quem iria a correr a comprar online ou nas lojas os artigos que os influencers anunciam como os mais incríveis da moda e que iria contribuir para entrar os dinheirinhos nos seus bolsos. Ser influencer é um sonho de qualquer um, porque não tem que investir em stocks, nem em salários dos seus colaboradores, nem em nada, a não ser no tempo que está agarrado a colocar as novidades e a mostrar que está in para o que basta encontrar estúpidos que os sigam. Quanto mais seguidores e “likes” mais probabilidades há de captar anúncios para o site.

Parece-me que algumas pessoas endoideceram ou, então, estão debaixo de um stress agudo. Não me refiro apenas a gente do povo porque neste incluo também médicos, juízes negacionistas que se opões às medidas sanitárias e fazem acusações infundadas. Esta gente são um caso de estudo de doenças mentais. Não são opiniões, nem me venham com as tretas de serem contra o pensamento único, ao negarem que em Portugal as mortes por covid-19 foram manipuladas como explicam o que acontece ao nível planetário.  Isto é simplesmente demência.

Muito se grita por liberdade, especialmente a seita dos negacionistas, estão de facto a tornarem-se numa seita durante a epidemia da covid-19. Ser influenciado por influencers, desculpem-me a redundância linguística, é, em muitos casos, termos a liberdade de sermos estúpidos o que merece proteção porque não temos escolhas próprias e precisamos de catar locais onde eles se hospedam virtualmente.

No meu entender qualquer influencer tem a arte de “domar” estúpidos, isto é, exercer domínio sobre os impulsos ou instintos de outro(s) e, para isso, temos de ter todos algo de estúpido. Há quem tenha milhões de seguidores nas redes sociais. Poderá perguntar-se: será que milhões serão todos estúpidos? À resposta a esta pergunta eu respondo que sim comparando com muitos mais milhões que não são seguidores de nenhum influencer. Eu não me incluo nestes, mas no dos estúpidos, porque sigo alguns. Há, contudo, uma diferença, esses(as) que sigo não me influenciam com as suas tretas.  

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publicado às 17:05

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Com Portugal centrado no combate à pandemia covid-19 os órgãos de comunicação social, especialmente as televisões, focam-se exageradamente neste problema ultrapassando o nível da informação necessária, imprescindível e preventiva, consumindo com exagero de tempo e de espaço dedicado, por vezes com casos e casinhos, mais ou menos pontuais, com que vão preenchendo as suas edições.

As eleições nos EUA, a tomada de posse da nova administração da Casa Branca, a saída de Trump atribulada e machadada na democracia pela incitação aos seus adeptos radicais para invasão à violência no Capitólio.

Por cá, as eleições presidenciais aliviaram, embora pouco, as notícias covid-19.  Com o rescaldo das presidenciais no dia 25 de janeiro passou ao lado o discurso do Secretário Geral da ONU, António Guterres, no dia em que foi assinalado o 76.º aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Guterres chamou a atenção para o facto de que «Após décadas na sombra, os neonazis e as suas ideias estão a ganhar terreno» e pediu uma aliança internacional coordenada contra o crescimento do neonazismo e da supremacia branca, xenofobia, antissemitismo e discurso do ódio provocado em parte pela pandemia de covid-19.

Guterres recordou o que há muito anos é sabido: quase dois terços dos jovens norte-americanos não sabem que seis milhões de judeus foram mortos durante o Holocausto. Alertou ainda para a necessidade de «combater a propaganda e a desinformação» tendo apelado para uma maior educação sobre as ações nazis durante a Segunda Guerra Mundial.

«A propaganda que liga os judeus à pandemia, por exemplo, acusando-os de criar o vírus como parte de uma tentativa de dominação global, seria ridícula, se não fosse tão perigosa», salientou.

Não seria necessário conhecer as palavras do Secretário Geral da ONU, bastava-nos acompanhar o que grupos e adeptos de partidos extremistas divulgam nas redes sociais. O que dizem é tal que, qualquer mente minimamente racional e com algum tino intelectual, aferiria a irracionalidade e a quantidade de mensagens e de “publicações” de tal modo grotescas e inverosímeis que mais parecem ter saído de uma ficção de baixo nível.

O discurso de ódio não se faz apenas via redes sociais ou blogs. No nosso país, embora com palavreado disfarçadamente menos violento, temos exemplos ao vivo e a cores desses discursos via alguns partidos políticos legalmente aceites que utilizam a nossa democracia para fazerem passar as suas mensagens na tentativa de lançar explorar antagonismos entre cidadãos.

Durante a campanha eleitoral para as presidenciais vimos e ouvimos candidatos das esquerdas incluindo a mais moderada pedir a ilegalização do partido Chega representado por André Ventura. Esta atitude parece-me ser quase uma apologia ao  partido pois poderá levá-lo a ostentar a sua vitimização. Não parece ser esta a via. Aliás, no campo das ideias é tal a falta de base daquele candidato que se torna impossível ter um debate político coerente e minimamente são.

O tipo de propostas que o partido Chega tem para apresentar em termo de ideias é de tal modo sem robustez e coerência que não se compara com a potencial de perigosidade dos seus congéneres europeus, contudo, não devemos subestimá-lo. A democracia deve estar atenta porque os que se candidatam, ou dizem candidatar-se, contra o sistema vão depois abraçá-lo e até impor com “zelo” a sua sobrevivência através de modelos monolíticos, mais ou menos disfarçados de democracias.

É perigoso ainda porque o complexo dos messias em Portugal, ainda está vivo em alguma parte das populações, mesmo em pessoas bem-intencionadas, que veem o seu mundo a desmoronar-se, o seu ambiente a tornar-se imprevisível e a aumentar o seu desejo de ordem e de previsibilidade.  

A próxima década vai ser perigosa porque, se tudo falha, políticos, liderança, U.E., erupções de forças obscuras que estavam latentes e que se vêm exteriorizando, podem vir a agitar-se entre nós. Como já ouvimos muitas vezes a democracia não está garantida. Veja-se o exemplo recente do que aconteceu nos EUA, um dos países onde a democracia estava há muito instalada, e onde uma tentativa da tomada do poder por um presidente com forte tendência para o autoritarismo que se servia da democracia para finalidades pouco democráticas.

Em julho de 1979, quatro após ter-se dado a Revolução de Abril em portugal, o The New York Times relatava que «Depois de mais de três décadas de hibernação, pequenos, mas influentes grupos de direita em França estão novamente a procurar o centro das atenções intelectuais, expondo teorias sobre raça, biologia e elitismo político desacreditadas pela derrota do fascismo na Segunda Guerra Mundial». E continuava, «Ao contrário de seus predecessores na década de 1930, os novos grupos de direita mostram pouco interesse em criar movimentos políticos de massa. Nem assumiram abertamente posições anti-semitas. Em vez disso, escolheram influenciar o curso da política, trabalhando ao lado de figuras centristas e conservadoras estabelecidas no governo e no parlamento». O sublinhado é meu porque esta última frase é de reter.

Para essa gente um dos argumentos é que as raças nasceram desiguais e assim deveriam ser mantidas pela política social. Estes e outros argumentos com a mesma orientação também os ouvimos nos últimos quatro anos nos EUA. Já ouvimos, por outras palavras, algo semelhante no nosso país.

Em síntese, o aparecimento da exigência de “liderança mais forte” coincide com o recrudescimento de grupos apologistas de regimes autoritários que esperam aproveitar com o potencial ou eventual colapso dos governos representativos baseando-se no mito da destruição do sistema (dizem-se antissistema) e a vantagem da eficiência autoritária.

Muitos ainda acreditam na esperança de um messias, um salvador, que nos livre dos ciganos, dos imigrantes, dos negros, nos retirem todos os subsídios, na baixa ou eliminação de impostos, e que apele a todos os insatisfeitos, vingativos, descontentes, enfim, aos que apelam ao ódio.   Veja-se que isto não é tão inverosímil como possa parecer. Esta semana veio a público uma notícia sobre uma nova congressista do Partido Republicano nos EUA, Taylor Greene, que difunde teorias da conspiração e apela à morte de figuras do Partido Democrata o que torna evidente o que poderá acontecer noutros países, nomeadamente no nosso se as posições se extremarem ou polarizarem. Estão a regressar os movimentos racistas, xenófobos e étnicos que atuam a descoberto. Entretanto  o Partido Republicano condenou as ameaças e as teorias da conspiração propagadas pela congressista Marjorie Taylor Greene, mas o Partido Democrata considerou que isso era insuficiente e afastou-a dos seus cargos em duas comissões de trabalho.

De vez em quando, e quando se entra em crise política e de governabilidade alguns analistas e comentadores de política falam na crise mundial da democracia e da sua capacidade de resolução de problemas e sobre o desafio a que está a ser sujeita a democracia. Por enquanto esses oráculos da desgraça não têm tido razão, os poderes democráticos têm conseguido resolver e ultrapassar as crises.

O processo já é por demais conhecido, fala-se mal dos políticos, da corrupção, do exagerado número de deputados, sobre a política parlamentar que está em crise, que a Assembleia da República está a falhar e que não está a responder às expectativas do povo. Estes e outros são argumentos da extrema direita e dos populistas tendo em vista a desestabilização e a descredibilização da democracia, daí a necessidade de um esforço para um diálogo sério entre forças da esquerda, do centro e da direita moderada para delinearem, em contexto democrático, estratégias e consensos para resolução de problemas económicos, financeiros e, sobretudo, sociais, de modo a retirar a esses partidos da extrema direita o seu campo de manobra populista.

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publicado às 16:26

Os virulentos

por Manuel_AR, em 08.04.20

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A TVI24 lançou para o ar no dia 6 do corrente no noticiário das 14 horas uma peça com laivos de falso humor com um cheiro a denegrir partidos, Governo e Presidência da República. Numa altura em que todos devemos estar unidos, apesar de não unanimistas, e confiar nas instituições nacionais a peça da autoria de um tal Victor Moura Pinto tenta denegrir a imagem de tudo o que são instituições democráticas.


A peça cujo autor deve achar-se muito engraçadinho, mas que eu considero ser um falso humorista, achincalha, neste momento de aflição, aqueles em quem, pelo menos por agora, devemos confiar, mesmo que com algumas falhas ou enganos, para que possamos lutar juntos contra esta peste do século XXI que nos destrói e à economia. Duvido que o momento escolhido para a ida para o ar fosse o mais conveniente.


Não devemos ficar sorumbáticos, mas um pouco de contenção às motivações políticas e talvez até ideológicas do seu autor não pecaria por excesso. A peça tem, para além de comentários pouco convenientes para o momento, um fundo musical e a letra de um grupo qualquer que assenta sobre mentira e que, no contexto da peça, insinua e impulsiona ao descrédito pelas pessoas e pelas instituições.


A peça não só pela sua extensão, mas também pela seleção de muitas das imagens que foram rebuscadas de reportagens sobre outros temas não são representativas do atual momento e que, do meu ponto de vista, é detestável para não utilizar um vocábulo mais forte.


O Sr. Victor Moura Pinto até pode ser um grande jornalista e um grande professor, mas na tentativa de fazer humor com a descredibilização das instituições, não me parece nada pedagógico para o momento que se atravessa.


E, para terminar, não é nas televisões que estes engraçadinhos, proliferam também pelas redes sociais os mentirosos de gema, produtores de notícias, mas também os engraçadinhos virulentos.  

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publicado às 18:49

Comentaristas e enganadores

por Manuel_AR, em 16.03.15

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Os comentadores políticos, a maior parte deles militantes do PSD, têm a pretensão de serem isentos e vão dando aqui e ali umas novidades dos acontecimentos políticos da semana que dizem de fonte segura que não revelam interpretadas à sua maneira. Aqui e aí lançam umas novidades, fazendo-se muito bem informados. São canais de propaganda que o Governo utiliza para veicular certas informações. Trabalham os acontecimentos políticos da atualidade mostrando-se isentos nas suas análises mas sempre tendo na mira a oposição que é feita ao Governo que apoiam. Aqui e ali vão dando umas pinceladas criticando medidas que vêm da sua área partidária, mas isso faz parte da estratégia na arte de convencer quem os vê e ouve.


São sujeitos da retaguarda da propaganda do Governo cujas opiniões tendem a influenciar as já formuladas por outros através de canais de televisão de maior audiência e popularidade em horário nobre e, não raras vezes, provocam ruído comunicacional. São exemplo mais mediático Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes, Morais Sarmento entre outros comentadores, alguns ditos jornalistas que, quando convidados mostram tendência interpretativa sempre para o mesmo lado.


Não admira que Marcelo Rebelo de Sousa, se for candidato a Presidente da República, tenha grande aceitação por parte de muitos que ouvem as suas pantomimices pois são estudadas ao abrigo duma pretensa isenção de modo a conduzir ao engodo.


Podemos fazer um pequeno exercício supondo que, no atual contexto governativo, em vez de Cavaco Silva seria Marcelo Rebelo de Sousa o Presidente da República. Claro que não haveria qualquer semelhança e, com certeza, não faria muitas das tristes figuras do atual, disso não tenho dúvida.


Todavia, é legítimo questionarmos qual seria a atitude do Presidente, caso fosse Marcelo Rebelo de Sousa, ao longo destes últimos três, quatro anos, nas mesmas circunstâncias políticas? Teríamos ainda este Governo tal como o temos hoje? Sim, digo eu. Outros dirão que teria feito intervenções que pudessem influenciar muitas das medidas do Governo. Talvez, digo eu. Isso resultaria? Não, digo eu. Outros dirão ainda que já teria chamado o primeiro-ministro para lhe dar um "raspanete". Só se fosse como ilusão mediática, diria eu? Um meu vizinho diria também que talvez conseguisse mais habilmente consensos com o Partido Socialista do que o atual Presidente. Duvido, responderia eu.


Quando se fala em eleições para a Presidência da República ter um Presidente da República da mesma área partidária do Governo é o mesmo que apostarmos numa ditadura em regime democrático. Contradição ou talvez não!


Uma maioria, um Governo, um Presidente teria sido muito eficaz nos anos em que Sá Carneiro esteve à frente do PSD que atualmente está dominado por uma espécie de extrema-direita de ideologia primária, sem escrúpulos, inculta, apoiada em compadrios e conhecidos vindos das "Jotas" ansiosos por um emprego público que lhes dê uma carreira que nunca teriam nem encontrariam no mercado de trabalho . Veja-se o caso da Segurança Social e das nomeações.


Montagem a partir de uma composição de Norbert Lieth

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publicado às 15:57

Espécies preconceituosas

por Manuel_AR, em 26.02.15

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A liberdade de expressão e de opinião são um dos pilares básicos de qualquer democracia. Quanto a isso estamos entendidos. Mas, independentemente das opiniões de cada um, sejam de direita ou de esquerda, há um mínimo de honestidade que deveria prevalecer nos comentários e análises.


O mesmo poderá verifica-se no mundo dos "blogs" e das redes sociais mas aí as emoções e os radicalismos por vezes sobrepõem-se à clareza de espírito.


Ao longo dos últimos anos, surgiram nos meios de comunicação social umas espécies preconceituosas sobre tudo quanto sejam soluções diferentes daquelas que, com insucesso, têm sido seguidas. Tornar-se-ia enfadonho fazer aqui uma classificação taxinómica destas espécies que, calorosamente, apregoam as vantagens de soluções liberais e austeras e de quanto mais radicais melhor para debelar crises e criticam afincadamente as decisões democráticas do povo grego sugerindo ser ignorante e estúpido como muito subtilmente já o fez Schäuble.


Muitas daquelas espécies, quais predadores, atacam tudo o que mexa a defender a manutenção ou melhoramento do estado social ou que proponha acesso a serviços de saúde e de educação dignos para toda a população, como o deveria ser em qualquer estado de direito[i] que tanto proclamam quando lhes convém. Tudo quanto seja Estado é um fantasma que os persegue em todas as circunstâncias. Não há meio-termo.


São espécies predadoras que vivem às claras nos órgãos de comunicação escrita e audiovisual e se dizem democráticas mas que, sempre que espreitam uma oportunidade lançam-se sobre as suas vítimas, através de editoriais, opiniões e comentários a tudo quanto seja conotado com a esquerda. Defendem o seu território quando se sentem em perigo.


Fazem também parte daquela espécie aves que vagueiam a sobrevoar o território dos media para captar tudo quanto seja alimento para o seu voraz apetite pela deturpação da realidade, e ao mesmo tempo omitindo tudo o que possa beliscar a realidade que defendem a todo o custo.


O germanismo parece ser uma doença viral que se apoderou destas espécies, não apenas em Portugal mas também na Europa. São adeptos fervorosos e reproduzem uma visão única e unilateral: a dos germânicos.


Até Obama serve para justificarem os seus intuitos predadores. Lançam-se com uma visão político-umbilical e deturpada dos factos sobre o que envolva propostas diferentes daquelas que acham ser únicas, sejam elas na Grécia, França, Itália ou Espanha e, claro, sempre com os olhos postos no elogio daquilo que, para elas, tem sido a governação em Portugal, país que pretendiam fosse o seu território de caça para todo o sempre.


Referindo-se às ilusões da esquerda para a resolução da crise política, económica e financeira da Europa uma das espécies a que me refiro escreveu, esta semana, no editorial dum jornal diário, que "Barack Obama era apresentado como um salvador que tudo mudaria com a força e o messianismo das suas palavras. Prometeu mudar o mundo… O mundo está hoje muito mais perigoso do que quando ele chegou ao poder." Conclusão a tirar, Obama é do partido democrata dos EUA e não Conservador Republicano (como se sabe nos EUA existem dois partidos onde estão aglutinadas várias tendências), logo o mundo está pior. Por esquecimento ou omissão premeditada não teve a honestidade de referir que foi George W. Bush quem abriu a caixa de pandora que era o Iraque ao iniciar em 2003, com a complacência da Durão Barroso, Tony Blair e José Maria Aznar, uma guerra naquele país com base em falsidades que custou centenas de milhares de mortos e biliões de dólares e que resultou no que agora se está a passar no mundo. Estes predadores só referem o que lhes convém.


Mas vai mais longe, critica tudo quanto sejam obras públicas como uma medida para a resolução da crise mencionando proposta de Hollande e Renzi .


Numa economia de mercado como é a da Europa a iniciativa privada é um fator fundamental e essencial para que haja investimento e consequente criação de emprego, é um facto. Tomando como exemplo o caso português as medidas tomadas até agora não funcionaram para dinamizar e incentivar o investimento empresarial. O INE aponta para uma taxa de variação negativa de -2,2% para 2015 da Formação Bruta do Capital Fixo, investimento empresarial. Outro facto.


Colocadas estas premissas, a pergunta que ocorre fazer às espécies que endeusam esta direita é: o que fazer? Esperar que o investimento caia do céu? Parece-me bem que é isso que tem estado a acontecer. Pedem às esquerdas que apresentem alternativas às políticas e austeridade seguidas. Pergunto eu, continuando com as mesmas práticas quais são as deles?


 


[1] Um «Estado de direito» é um «Estado democrático», o que significa que o exercício do poder baseia‑se na participação popular. Tal participação não se limita aos momentos eleitorais, mediante «sufrágio universal, igual, direto e secreto», mas implica também a participação ativa dos cidadãos na resolução dos problemas nacionais, o permanente controlo/escrutínio do exercício do poder por cidadãos atentos e bem informados, o exercício descentralizado do poder e o desenvolvimento da democracia económica, social e cultural — ou seja, a responsabilidade pública pela promoção do chamado Estado social: a satisfação de níveis básicos de prestações sociais e correção das desigualdades sociais.


 

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publicado às 23:21

Descubra quem são os Dantas da política

por Manuel_AR, em 26.11.14

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Uma crónica sobre o Manifesto Anti Dantas, escrito por Almada Negreiro, levou-me a fazer a sua releitura e achei a sua atualidade inegável face aos Dantas e comentadores da política que por aí proliferam.  


Júlio Dantas foi uma espécie de "chico cortiça" que se compatibilizou com todos os regimes políticos da sua época desde a Monarquia até ao Estado Novo, passando pela Primeira República e, daí, Almada Negreiros e outros intelectuais da época o terem considerado oportunista e retrogrado. Foi deputado pela Monarquia, ministro da educação na Primeira República e embaixador no Estado Novo.


Sem mais, passo a transcrever extratos do referido poema deixando que cada um faça as associações convenientes ao que hoje se passa pela política e por quem nos governa.


Todavia, faço questão de esclarecer que ser antipolíticos (anti alguns) não é o mesmo que estar contra a política nem contra todos os políticos.


Não sou Dantas, não sei escrever, não sou antipolítica mas aqui vai.


Veja também os vídeos.


 


 Basta pum basta!!!


 


Uma geração que consente deixar-se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi. É um coio d'indigentes, d'indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!


 


Abaixo a geração!


 


Morra o Dantas, morra! Pim!


 


Uma geração com um Dantas a cavalo é um burro impotente!


 


Uma geração com um Dantas ao leme é uma canoa em seco!


 


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O Dantas é um habilidoso!


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O Dantas é Dantas!


 


O Dantas é Júlio!


 


Morra o Dantas, morra! Pim!


 


O Dantas fez uma soror Mariana que tanto o podia ser como a soror Inês ou a Inês de Castro, ou a Leonor Teles, ou o Mestre d'Avis, ou a Dona Constança, ou a Nau Catrineta, ou a Maria Rapaz!


 


E o Dantas teve claque! E o Dantas teve palmas! E o Dantas agradeceu!


 


O Dantas é um ciganão!


 


Não é preciso ir pró Rossio pra se ser pantomineiro, basta ser-se pantomineiro!


 


Não é preciso disfarçar-se pra se ser salteador, basta escrever como o Dantas! Basta não ter escrúpulos nem morais, nem artísticos, nem humanos! Basta andar com as modas, com as políticas e com as opiniões! Basta usar o tal sorrisinho, basta ser muito delicado, e usar coco e olhos meigos! Basta ser Judas! Basta ser Dantas!


 


Morra o Dantas, morra! Pim!


 


O Dantas nasceu para provar que nem todos os que escrevem sabem escrever!


 


O Dantas é um autómato que deita pra fora o que a gente já sabe o que vai sair... Mas é preciso deitar dinheiro!


 


O Dantas é um soneto dele-próprio!


 


O Dantas em génio nem chega a pólvora seca e em talento é pim-pam-pum.


 


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Morra o Dantas, morra! Pim!


 


O Dantas é o escárnio da consciência!


 


Se o Dantas é português eu quero ser espanhol!


 


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O Dantas é a meta da decadência mental!


 


E ainda há quem não core quando diz admirar o Dantas!


 


E ainda há quem lhe estenda a mão!


 


E quem lhe lave a roupa!


 


E quem tenha dó do Dantas!


 


E ainda há quem duvide que o Dantas não vale nada, e que não sabe nada, e que nem é inteligente, nem decente, nem zero!


 


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E as convicções urgentes do homem Cristo Pai e as convicções catitas do homem Cristo Filho!...


 


E os concertos do Blanch! E as estátuas ao leme, ao Eça e ao despertar e a tudo! E tudo o que seja arte em Portugal! E tudo! Tudo por causa do Dantas!


 


Morra o Dantas, morra! Pim!


 


Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mas atrasado da Europa e de todo o Mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas! O exílio dos degredados e dos indiferentes! A África reclusa dos europeus! O entulho das desvantagens e dos sobejos! Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a sua cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!


 


Morra o Dantas, morra! Pim!


 


Autor: Almada Negreiros (1893-1970)


Ler a versão completa em: http://www.munseys.com/diskfive/adan.pdf


 


 



Pim! from Gonçalo Nobre on Vimeo.


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publicado às 17:37

A cultura dos incultos na política

por Manuel_AR, em 22.09.14



Revi hoje algumas das intervenções do responsável pela realidade que se vive atualmente no médio oriente, nomeadamente no Iraque, que teve a sua génese numa época bem determinada com a participação de um ator principal bem identificado apoiado por atores secundários que se deixaram arrastar para uma armadilha.


Esse ator principal que ascendeu à política com empurrões paternais foi George W. Bush, Jr. que bem poderia ter-se dedicado à "stand up  Comedy".


Não admira que a impreparação, a incultura, o desprezo por tudo quanto não seja, como dizem, a ligação das escolas ao mundo do trabalho e uma visão tacanha de desprezo por tudo quanto sejam ciências sociais e humanas, (lembram-se do jornalista português da área da economia que disse publicamente que a disciplina de história não servia para nada?), traduz-se nisto.


Vejamos alguns extratos de intervenções durante o mandato de George W. Bush Jr. como presidente dos Estados Unidos da América.  Se procurarmos bem encontraremos também bons exemplos em Portugal.


 



  • "Eu gostaria a de ter estudado latim, assim poderia comunicar melhor com o povo da América Latina.".

  • "A grande maioria das nossas importações vem de fora do país."

  • "Se não tivermos sucesso, corremos o risco de fracassarmos."   

  • "O Holocausto foi um período obsceno na História da nossa nação. Quero dizer, na História deste século". 15/09/95

  • "Uma palavra resume provavelmente a responsabilidade de qualquer governante. E essa palavra é estar preparado." 06/12/93

  • "Eu tenho feito bons julgamentos no passado. Eu tenho feito bons julgamentos no futuro."

  • "Eu não sou parte do problema. Eu sou Republicano."

  • "O futuro será melhor amanhã".

  • "Nós vamos ter o povo americano melhor educado do mundo.". 11/09/97

  • "Eu mantenho todas as declarações erradas que fiz.".

  • "Nós temos um firme compromisso com a OTAN. Nós fazemos parte da OTAN. Nós temos um firme compromisso com a Europa. Nós fazemos parte da Europa. "

  • Um número baixo de votantes é uma indicação de que menos pessoas estão a votar."

  • "Nós estamos preparados para qualquer imprevisto que possa ocorrer ou não.". 22/09/97

  • "O povo americano não quer saber de nenhuma declaração errada que George Bush possa fazer ou não.".

  • "Não á a poluição que prejudica o meio-ambiente. São as impurezas no ar e na água que fazem isso.".

  • "É altura de a raça humana entrar no sistema solar.". 


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publicado às 19:56

Magia ao Luar uma forma de ver

por Manuel_AR, em 13.09.14
 


Nada melhor do que uma ida ao cinema para ver um bom filme para intervalar dos políticos e de jornalistas comentadores que por aí proliferam. Escrevem uns artigos de opinião em jornais, alguns de referência, que na televisão transformam em discurso verborreico.


Sou fã desde muito jovem do argumentista e realizador Woody Allen. De todos quantos realizou e foram muitos, devem ter sido poucos os que não vi.


Magia ao Luar (Magic in Moonlight) estreado em Portugal a semana passada afasta-se das preocupações temáticas e do ritmo dos anteriores. Os diálogos por vezes demasiado longos nem sempre funcionam e o sarcasmo usual do texto de Allen é por vezes repetitivo, daí a oscilação do seu ritmo.


É uma comédia romântica sobre um inglês a quem é solicitado que ajude a desmascarar uma possível fraude das complicações pessoais e profissionais decorrentes.  Stanley, um mágico que trabalha sob o nome de Wei Ling Soo (Colin Firth), é solicitado por um amigo para ir à Riviera francesa para desmascarar  uma fraude. O alvo é Sophie (Emma Stone), oriunda de família pobre que diz ser uma clarividente americana que deslumbrou uma família rica com seus supostos dons.


A estreia de um filme de Woody Allen é sempre um bom evento e este último tem tudo para agradar, é romântico, divertido e, ao mesmo tempo, sério. Passado em 1920 poderia muito bem passar-se na atualidade onde proliferam cada vez mais adivinhos, cartomantes, conselheiros astrológicos e outros que tais que alguns canais de televisão se encarregam de promover.


Neste novo ambiente de comédia romântica Allen sai dos problemas metafísicos e psicanalíticos da existência da vida nova-iorquina, como aliás já tinha feito em "Meia-noite em Paris", e enveredou pela via dos fenómenos paranormais, telepatia, precognição, clarividência e mediunidade patentes neste filme. Os filmes Allen devem ser vistos com olhos diferentes de qualquer outro filme pois eles expressam um estilo e uma personalidade própria e uma forma de ver o mundo e a realidade social do ponto de vista filosófico, social e psicológico sem submeter o espectador a uma tortura de mais de uma hora. Eles são uma análise sobre a fé e a razão, a ilusão e a realidade, o otimismo e o pessimismo e dinâmica relacional que advém da convivência de todas estas dicotomias.


O ponto de partida pode parecer aparentemente simples e sem interesse mas Allen surpreende-nos com a sua arte de realizador exímio, e o desfecho, embora se suspeite qual será, não deixa de nos surpreender de forma descontraída e divertida.


O segredo da magia consiste em ludibriar os olhos do espectador. Neste sentido, o trabalho do ilusionista é bem semelhante ao do cineasta, que também deve iludir o seu público ao ponto de o fazer acreditar, mesmo que seja somente naqueles instantes, no que está vendo no ecrã. Woody Allen é mágico e o segredo de uma boa magia consiste em ludibriar os olhos do espectador Lembremo-nos do extraordinário filme "Rosa Púrpura do Cairo" onde Woody Allen coloca os personagens entre realidade e a ficção.


A magia do amor transforma um espírito positivista como o de Stanley Crawford (Collin Firth). Para ele o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro e apenas puder ser comprovado por métodos científicos válidos e desligado de quaisquer crenças, superstição ou quaisquer outros. Apesar da fraude e do espírito científico, o amor por Sophie (Emma Stone) sobrepõe-se. 


De salientar ainda a banda sonora com temas de Porter, além de muito jazz e músicas de cabaré, dos anos 20 não esquecendo a interpretação à altura de Eileen Atkins no papel de tia Vanessa. 


Li algures uma crítica que dizia que este é o pior dos melhores filmes de Allen. Para mim é um dos bons de entre os melhores.

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publicado às 19:06

A inutilidade dos professores

por Manuel_AR, em 20.11.13

 



 Leio as crónicas de Miguel de Sousa Tavares sempre que posso. Claro que nem sempre são do meu agrado e nem me revejo em muitas das suas afirmações. Mas opiniões são opiniões e cada um pode ter as quiser, para isso vivemos em democracia. Todavia esta passou das marcas e merece críticas, e muitas. Por achar que a afirmação de Sousa Tavares que se lê abaixo é muito injusta e generalizante, resolvi publicar neste blog, e na íntegra, este texto da autoria de Ana Maria Gomes que retirei do Facebook e que merece ser divulgado. Sousa Tavares é mais um polémico que acabou por se revelar.


 


 


 Miguel Sousa Tavares afirmou que "os professores os inúteis mais bem pagos deste país.’ A resposta veio de Ana Maria Gomes, professora.


 "Sobre os Professores É do conhecimento público que o senhor Miguel de Sousa Tavares considerou ‘os professores os inúteis mais bem pagos deste país.’ Espantar-me-ia uma afirmação tão generalista e imoral, não conhecesse já outras afirmações que não diferem muito desta, quer na forma, quer na índole. Não lhe parece que há inúteis, que fazem coisas inúteis e escrevem coisas inúteis, que são pagos a peso de ouro? Não lhe parece que deveria ter dirigido as suas aberrações a gente que, neste deprimente país, tem mais do que uma sinecura e assim enche os bolsos? Não será esse o seu caso?


 O que escreveu é um atentado à cultura portuguesa, à educação e aos seus intervenientes, alunos e professores. Alunos e professores de ontem e de hoje, porque eu já fui aluna, logo de ‘inúteis’, como o senhor também terá sido. Ou pensa hoje de forma diferente para estar de acordo com o sistema? O senhor tem filhos? – a minha ignorância a este respeito deve-se ao facto de não ser muito dada a ler revistas cor-de-rosa. Se os tem, e se estudam, teve, por acaso, a frontalidade de encarar os seus professores e dizer-lhes que ‘são os inúteis mais bem pagos do país.’? Não me parece… Estudam os seus filhos em escolas públicas ou privadas? É que a coisa muda de figura! Há escolas privadas onde se pagam substancialmente as notas dos alunos, que os professores ‘inúteis’ são obrigados a atribuir. A alarvidade que escreveu, além de ser insultuosa, revela muita ignorância em relação à educação e ao ensino. E, quem é ignorante, não deve julgar sem conhecimento de causa. Sei que é escritor, porém nunca li qualquer livro seu, por isso não emito julgamentos sobre aquilo que desconheço. Entende ou quer que a professora explique de novo? Sou professora de Português com imenso prazer. Oxalá nunca nenhuma das suas obras venha a integrar os programas da disciplina, pois acredito que nenhum dos ‘inúteis’ a que se referiu a leccionasse com prazer.


 Com prazer e paixão tenho leccionado, ao longo dos meus vinte e sete anos de serviço, a obra de sua mãe, Sophia de Mello Breyner Andersen, que reverencio. O senhor é a prova inequívoca que nem sempre uma sã e bela árvore dá são e belo fruto. Tenho dificuldade em interiorizar que tenha sido ela quem o ensinou a escrever. A sua ilustre mãe era uma humanista convicta. Que pena não ter interiorizado essa lição! A lição do humanismo que não julga sem provas! Já visitou, por acaso, alguma escola pública? Já se deu ao trabalho de ler, com atenção, o documento sobre a avaliação dos professores? Não, claro que não. É mais cómodo fazer afirmações bombásticas, que agitem, no mau sentido, a opinião pública, para assim se auto-publicitar. Sei que, num jornal desportivo, escreve, de vez em quando, umas crónicas e que defende muito bem o seu clube. Alguma vez lhe ocorreu, quando o seu clube perde, com clubes da terceira divisão, escrever que ‘os jogadores de futebol são os inúteis mais bem pagos do país.’? Alguma vez lhe ocorreu escrever que há dirigentes desportivos que ‘são os inúteis’ mais protegidos do país? Presumo que não, e não tenho qualquer dúvida de que deve entender mais de futebol do que de Educação. Alguma vez lhe ocorreu escrever que os advogados ‘são os inúteis mais bem pagos do país’? Ou os políticos? Não, acredito que não, embora também não tenha dúvidas de que deve estar mais familiarizado com essas áreas. Não tenho nada contra os jogadores de futebol, nada contra os dirigentes desportivos, nada contra os advogados. Porque não são eles que me impedem de exercer, com dignidade, a minha profissão. Tenho sim contra os políticos arrogantes, prepotentes, desumanos e inúteis, que querem fazer da educação o caixote do (falso) sucesso para posterior envio para a Europa e para o mundo. Tenho contra pseudo-jornalistas, como o senhor, que são, juntamente com os políticos, ‘os inúteis mais bem pagos do país’, que se arvoram em salvadores da pátria, quando o que lhes interessa é o seu próprio umbigo. Assim sendo, Sr. Miguel de Sousa Tavares, informe-se, que a informaçãozinha é bem necessária antes de ‘escrevinhar’ alarvices sobre quem dá a este país, além de grandes lições nas aulas, a alunos que são a razão de ser do professor, lições de democracia ao país. Mas o senhor não entende! Para si, democracia deve ser estar do lado de quem convém. Por isso, não posso deixar de lhe transmitir uma mensagem com que termina um texto da sua sábia mãe: ’Perdoai-lhes, Senhor Porque eles sabem o que fazem.’


 


Ana Maria Gomes Escola Secundária de Barcelos "


 

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publicado às 19:00

Os polémicos paradoxais

por Manuel_AR, em 11.11.13


 


De tempos, a tempos, surgem por aí uns senhores que, ciosos de estar nas paragonas dos jornais e nos holofotes das televisões, defendem posições políticas de consonância situacionista, polémicas e, por vezes, contrárias às que defenderam noutras ocasiões. Nesta casta encontramos desde políticos, jornalistas, alguns deles escritores e comentadores nas horas vagas, comentadores económicos, economistas,sociólogos,etc..


A polémica é sinónimo de controvérsia que pode produzir ruturas e colidir com as formas de pensar do senso comum e, daí, todo o interesse em ser polémico porque gera em quem os lê ou ouve reações que o publicitam. No âmbito das opiniões políticas, aos polémicos não interessa se falam mal dele, mas que falem, porque assim não cairá no esquecimento. Aproveitam para se salientar estando contra a corrente do momento.


Por vezes reúnem-se e debatem temas polémicos. Intitulam-nos então de comissões de sábios que estudam e defendem posições e sugerem medidas em matérias polémicas. assegurando-se previamente de que não serão por elas atingidos caso sejam adotadas, apesar de saberem que estão salvaguardados pelo seu estatuto ou e autonomia económica e financeira.


Os polémicos, autodefendem-se das medidas concretas a serem tomadas e tentam evitar que lhes venham também bater à porta. Isto é, defendem a iniquidade se isso servir os seus fins, segundo o princípio de enquanto se sacrificam alguns não me sacrificam a mim. É o princípio das ações iníquas e divisionistas que o governo tem fomentado


Há polémicos provocadores ocasionais e outros sistemáticos. Qualquer deles defende posições que sabem ser vivamente combatidas pelos seus opositores e por muitos setores da sociedade e esperam, disso, feedback. Defendem medidas penalizadoras para a maioria da população aproveitando e utilizando a crise para invocarem a obrigatoriedade de reformas. Tornam-se, por vezes, imorais revelando até, sem rodeios, um certo ódio social aos mais fracos que são a maioria da população anónima a quem antigamente a direita extremista denominava de "maioria silenciosa".


Veja-se, por exemplo, o caso de medidas excecionais como o aumento de impostos ou a retirada de algumas regalias que abranjam todos os setores da sociedade onde os polémicos também se incluam. Não é difícil vê-los combater e criticar o governo que tomou tais medidas esgrimindo argumentos vários que demonstrem os seus inconvenientes. Mas, quando elas incidem apenas noutros setores nos quais não se encontram abrangidos tecem elogios a essas medidas tentando mostrar, debaixo de uma capa de imparcialidade, a coberto de um patriotismo bacoco de que estão incutidas as suas atitudes políticas. Colocam-se do lado de quem lhes dá ou possa vir a dar, (não o pão da sobrevivência diária de que a maioria necessita para viver), cargos altamente remunerados, a manutenção dos mesmos que pretendem manter e, se possível, outro tipo de favores porque a vida está difícil!… Polémicos desinteressados que defendam ideias com convicção e imparcialidade há poucos.


É certo que a democracia constrói-se também com o salutar contraste de opiniões, o que parece estranho é que, consoante as ocasiões mais ou menos favoráveis, e por uma questão de visibilidade mediática, apresentem pontos de vista contrários a outros tomados anteriormente ou, então, ficam-se pelo "nin", quando não refugiando-se num palavreado confuso e impercetível pela maioria dos cidadãos até verem em que param as modas.


As convicções não mudam como o vento ou em função do andar das políticas ou da obtenção de cargos que há muito anseiam. Manter as convicções não significa apoiar medidas a qualquer preço sabendo de antemão que estão erradas. Uma coisa é as convicções não deverem ser limitadoras da expressão livre de opiniões contrárias às circunstâncias de certo momento, outra, é de as manter em função das circunstâncias políticas do momento sem qualquer ética social e política. As convicções podem mudar ao longo do tempo com a experiência,maturidade psicológica e política.


Estaremos por acaso a ver um sujeito que perdeu o emprego sem justa causa ou culpa própria, que ficou sujeito ao fundo de desemprego, como se de uma esmola se tratasse e não tivesse descontado durante todo o tempo de serviço, aparecer com um discurso público, situacionista, a defender que a medida ou circunstância provocada que o colocou involuntariamente naquela situação foi uma boa medida tomada pelo governo, seja ele qual for, ou a defender o corte do seu salário para salvar o país ou, ainda, saudar a destruição do Serviço Nacional de Saúde em nome da medicina privada que ele, sem meios financeiros, teria de passar a pagar? Seria um paradoxo está bem de ver. Mas, se estivesse bem colocado num alto cargo do qual beneficiou por bons serviços prestados ao seu "grupo" não seria de esperar que viesse publicamente dizer as medidas que foram tomadas eram as piores porque ele não deveria ocupar certo lugar mas sim outro mais competente ou, ainda, maldizer quem lho ofereceu, seria também um paradoxo.


Um outro aspeto a que os polémicos dedicam atenção por convicção absurda é a necessidade da mudança a qualquer preço seguindo sempre na mesma direção, o que me faz lembrar a frase que diz que só os burros não mudam. Mas a não mudança também pode ser uma convicção de burrice.


Onde se podem ver um furo eles aí estão alerta para entrarem em defesa do indefensável à luz da insaciável polémica que possa produzir os seus frutos a prazo, a mudança que beneficie alguns prejudicando muitos. Este é o pensamento ideológico que se apoderou da Europa que os regimes neoliberais têm adotado que, mais tarde ou mais cedo com a destruição das funções sociais do Estado porão em causa a própria democracia desencadeando levantamentos populares da qual se aproveitarão movimentos da extrema-direita e também, talvez, de extrema-esquerda cada tendo em vista objetivos opostos.


Talvez até seja esse o objetivo. 

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publicado às 17:00


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