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Um artigo na análise política isento  sobre a invasão da Ucrânia e não alinhado com extremistas anti ocidente que defendem o projeto do ocidente se submeter a Putin.

Tatiana Stanovaya

Foto:  Dmitry Kostyukov / R.Politik

Sobre a autora:

Tatiana Stanovaya é bolsista não residente no Carnegie Endowment for International Peace e fundadora e CEO da empresa de análise política R.Politik. Ela nasceu em Moscovo e mora em França desde 2010.

 Guerra da Rússia

O Ocidente está errado sobre essas cinco suposições sobre Putin, texto publicado pela primeira vez por "Política Externa" e no DER SPIGEL em 06/06/2022

A questão de saber se Putin precisa sair da guerra é secundária: ele acredita que vencerá. O Ocidente deve olhar para a situação de forma diferente se quiser ser mais eficaz.

Foto: Alexander Zemlianichenko / dpa

Uma das razões pelas quais é tão difícil entender as intenções da Rússia e o que está em jogo na guerra da Ucrânia é a discrepância significativa entre a visão dos observadores externos e a visão do Kremlin sobre os acontecimentos. Algumas coisas que alguns tomam como certa são percebidas completamente diferentes em Moscovo – como a suposta incapacidade da Rússia par alcançar uma vitória militar. A maioria das discussões de hoje no Ocidente sobre como ajudar a Ucrânia a vencer o campo de batalha ou forçar Kiev a fazer concessões têm pouco a ver com a realidade. Isso também se aplica à questão de como o presidente russo Vladimir Putin poderia ser levado a salvar a cara.

Abaixo, vou refutar cinco suposições comuns sobre como Putin vê esta guerra. O Ocidente deve olhar para a situação de forma diferente se quiser ser mais eficaz e reduzir os riscos de escalada.

Suposição 1:

Putin sabe que vai perder.

Essa suposição baseia-se no equívoco de que o principal objetivo da Rússia é obter o controle de grande parte da Ucrânia – e que, portanto, significaria o fracasso se os militares russos tivessem um desempenho ruim, não avançar ou mesmo ter que se retirar. O principal objetivo de Putin nesta guerra, no entanto, nunca foi controlar partes do território da Ucrânia, mas destruir a Ucrânia, que ele vê como um projeto "anti-Rússia". E ele quer – do seu ponto de vista – impedir que o Ocidente use o território ucraniano como ponte para atividades geopolíticas anti-russas. Como resultado, a Rússia não se vê como um fracasso. A Ucrânia não poderá juntar-se à OTAN nem existir pacificamente sem considerar as exigências da Rússia: russificação (ou "desnazificação" na língua de propaganda russa) e "financiamento da OTAN" (referido na propaganda russa como "desmilitarização"), ou seja, uma renúncia a qualquer cooperação militar com a OTAN. Para alcançar esses objetivos, a Rússia quer manter a sua presença militar em território ucraniano e continuar a atacar a infraestrutura ucraniana. Grandes ganhos territoriais ou a captura da capital ucraniana Kiev não são necessários (mesmo que a Rússia inicialmente tenha sonhado com isso). Até mesmo a anexação das regiões de Luhansk e Donetsk, que Moscovo considera apenas uma questão de tempo, é uma meta secundária local com a qual a Rússia quer fazer a Ucrânia pagar pelo que vê como decisões geopolíticas pró-ocidentais erradas das últimas duas décadas. Aos olhos de Putin, ele não vai perder esta guerra. Ele provavelmente até pensa que está a ganhar, e ele está à espera da Ucrânia admitir que a Rússia ficará ali para sempre.

 Suposição 2:

O Ocidente deve encontrar uma maneira de ajudar Putin a salvar a face, reduzindo assim os riscos de uma escalada adicional, possivelmente nuclear.

Imagine uma situação em que a Ucrânia aceita a maioria das exigências da Rússia: reconhece a Crimeia como russa e o Donbass como independente, compromete-se a reduzir o tamanho do exército e promete nunca pertencer à OTAN. Isso vai acabar com o conflito? Mesmo que a resposta pareça ser um sim retumbante para muitos, isso é errado. A Rússia está numa batalha com a Ucrânia, mas geopoliticamente ela vê-se numa guerra contra o Ocidente em território ucraniano. No Kremlin, a Ucrânia é vista como uma arma anti russa nas mãos do Ocidente; mas a sua destruição não significa automaticamente a vitória da Rússia neste jogo geopolítico antiocidental. Para Putin, esta guerra não está ocorrendo entre a Rússia e a Ucrânia. A liderança ucraniana não é um ator independente, mas uma ferramenta ocidental que deve ser neutralizada.

Quaisquer que sejam as concessões que a Ucrânia possa fazer (não importa o quão politicamente realistas possam ser), Putin continuará a escalar a guerra até que o Ocidente mude sua abordagem para o chamado problema da Rússia. Ele teria que admitir que, como Putin vê, as raízes da agressão russa residem no facto de que Washington ignorou as preocupações geopolíticas russas por 30 anos. Alcançar isso tem sido o verdadeiro objetivo de Putin, e isso não mudou. O Kremlin pode até mesmo usar exigências russas irrealistas, que Kiev rejeita, para aumentar as apostas no confronto entre a Rússia e o Ocidente – e, assim, testar se o Ocidente permanece unido e consistente. O Ocidente hoje não entende o problema: no seu esforço para parar a guerra da Rússia, está a concentrar-se nos pretextos artificiais de Moscovo para a invasão da Ucrânia. Ele ignora a obsessão de Putin com a chamada ameaça ocidental – bem como a sua disposição para forçar o Ocidente a dialogar sob as condições russas através de uma nova escalada. A Ucrânia é apenas um refém.

 

Suposição 3:

Putin está a perder não só militarmente, mas também internamente, e a situação política na Rússia é tal que Putin poderia em breve enfrentar um golpe.

O oposto é verdade, pelo menos por enquanto. A elite russa está tão preocupada em como garantir a estabilidade política e evitar protestos que está a reunir-se em torno de Putin como o único líder que pode consolidar o sistema político e evitar a agitação. A elite é politicamente impotente, assustada e vulnerável – incluindo aquelas retratadas nos media ocidentais como aquecedores e falcões. Fazer algo sobre Putin hoje seria equivalente ao suicídio a menos que Putin perca (física ou mentalmente) a sua capacidade de governar. Apesar de novas divisões e fraturas nas fileiras e insatisfação com as políticas de Putin, o regime permanece firme. A maior ameaça a Putin é o próprio Putin. Mesmo que o tempo esteja trabalhando contra ele, acordar a elite é um processo que levará muito mais tempo do que muitas pessoas esperam. Vai depender de quão presente Putin permanece na vida cotidiana do governo.

 

Suposição 4:

Putin tem medo de protestos antiguerra.

Na verdade, Putin tem mais medo dos protestos pró-guerra e tem que lidar com o zelo de muitos russos que querem destruir aqueles que chamam de nazis ucranianos. O sentimento público poderia encorajar a escalada e levar Putin a tomar uma postura mais dura e determinada – mesmo que esse sentimento seja devido à própria propaganda do Kremlin. Este é um ponto extremamente importante: Putin despertou um nacionalismo sombrio no qual ele é cada vez mais dependente. Aconteça o que acontecer com Putin, o mundo terá que lidar com essa agressividade pública e as crenças antiocidentais e antiliberais que tornam a Rússia tão problemática para o Ocidente.

 

Suposição 5:

Putin está profundamente dececionado com a sua comitiva e deu luz verde para processar funcionários de alto escalão.

Esta é uma questão muito debatida no Ocidente que surgiu da especulação: sobre a suposta prisão do ex-vice-chefe de gabinete de Putin, Vladislav Surkov, a detenção de Sergei Beseda, um alto funcionário de segurança encarregado da Ucrânia, e supostas expurgas no círculo íntimo de Putin. Todos esses rumores devem ser vistos com extremo ceticismo. Primeiro, não há confirmação de nenhum desses rumores. (Em vez disso, fontes de alto escalão sugerem que nem Beseda nem Surkov foram presos). Em segundo lugar, Putin pode estar chateado e desapontado com A sua equipa, mas não é o seu estilo realizar expurgas no seu círculo interno – a menos que crimes graves tenham sido cometidos. Para Putin, apenas as intenções contam, e se os serviços de inteligência russos o calcularam mal ou mesmo o informaram mal sem más intenções, dificilmente haverá acusação. E, finalmente, a campanha militar na Ucrânia foi meticulosamente controlada pelo próprio Putin desde o início, deixando pouco espaço para as autoridades subordinadas mostrarem iniciativa.

Tudo isso significa que o suposto dilema do Ocidente – ou dobrar o apoio à Ucrânia porque Putin está perdendo, ou apaziguar Putin, não o irritando porque ele é desesperador e perigoso – está fundamentalmente errado. Há apenas duas maneiras possíveis de sair do confronto: ou o Ocidente muda a sua atitude em relação à Rússia e começa a levar a sério as preocupações russas que levaram a esta guerra – ou o regime de Putin entra em colapso e a Rússia revê as suas ambições geopolíticas.

No momento, tanto a Rússia quanto o Ocidente parecem acreditar que o seu homólogo está condenado e que o tempo está do seu lado. Putin sonha com o Ocidente experimentando uma convulsão política, enquanto o Ocidente sonha com Putin sendo deposto ou derrubado, ou morrendo de uma das muitas doenças que ele regularmente diz ter. Ninguém está certo. Em última análise, um acordo entre a Rússia e a Ucrânia só é possível como um acordo entre a Rússia e o Ocidente como um todo – ou como resultado do colapso do regime de Putin. E isso nos dá uma ideia de quanto tempo esta guerra poderia durar: anos, no máximo.

 



 

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publicado às 14:24

cavaco-silva-8.jpg

Os portugueses sempre foram sebastianistas não nos amidaremos, portanto, que andem sempre à procura de um qualquer salvador que um dia surgir. Mas, quando aparece, e começa a “tratar-lhes da saúde” assobiam para o lado e queixam-se para o vizinho do lado que nada teve a ver com o caso.

Após a eleição de Luis Montenegro para líder do PSD saiu outra vez do refúgio desta vez com o impacto que desejaria e daí esperarmos que aproveitará ou criará as oportunidades que surjam para poder sair mais vezes.

Desta vez, numa entrevista à CNN feita por uma espécie de múmia jornalística que olhava embevecida para o entrevistado que criticou a comunicação social que, disse, ter ajudado António Costa e o PS a obter maioria absoluta. Esperemos, que essa mesma comunicação social não se sinta atingida nem culpabilizada e não corra a fazer a contrição e lhe dê agora um protagonismo indevido, exagerado e imerecido, encurralada por uma múmia política fora do seu tempo. Portugal, de tempos a tempos, seja nos bons ou maus momentos, sobretudo nos de crise, refugia-se no elogio ao passado, numa espécie de purga para solução dos problemas.

Cavaco Silva saiu da inércia parcial a que se dedicou, salvo em aparecimentos pontuais para lançar memórias e outros escritos que a sua autoestima lhe dita e para conseguir algum protagonismo que acha lhe ser devido.

Cada vez que aparece à tona as suas mensagens são azedas, prenhes de pessimismo e despeito. É uma espécie de profeta e arauto da desgraça dirigida aos da sua fação, mesmo que os resultados demonstrem o contrário.

Não admira que ainda haja saudosistas dessa figura mais ou menos austera, salazarenta, pouco sociável, que se dedicou à observação das cagarras no final do seu lúgubre mandato presidencial. Este personagem que se transformou numa caricatura de político saiu ressabiado por António Costa ter conseguido formar uma maioria de esquerda de incidência parlamentar estável, contra a previsões da figura sinistra da presidência que, se o conseguisse, permitam-me a especulação, imporia uma democracia musculosa ao país, depois de ter dado descaradamente a mão a Passos Coelho para a manutenção de um governo minoritário saído das eleições legislativas de 2015.

Com a maioria absoluta do PS os traumatizados da direita vão aproveitar tudo quanto vier à tona para desclassificar, desgastar e corroer António Costa e o PS. Veja-se o que, uma tal Pipa, escreveu num comentário um artigo de opinião que Cavaco Silva escreveu para vermos ao que chega o disparate, a falsidade e as mentiras que se escrevem:

“Que grande lição! Com uma oposição em condições e uma comunicação social isenta nunca o Costa seria reeleito, muito menos com maioria. Estamos a ser ultrapassados por todos os países de leste, o povo está esmagado e empobrecido por impostos e um salário médio quase igual ao mínimo, sem crescimento, com dívida pública brutal, com uma inflação gigante e são negados aumentos de salários/pensões, uma gestão desastrosa da pandemia, um SNS de rastos, um sistema educativo miserável, uma emigração em massa ao nível dos tempos de Salazar... e mesmo assim este homem foi premiado com uma maioria absoluta? De fato controlar as TVs e a sua propaganda diária pró-PS faz milagres.”

Quem escreve uma tal verborreia pertence à fação dos que já se esqueceram do tempo do governo de Passos Coelho com o apoio, do na altura, do presidente Cavaco. Este comentário totalmente deturpado e de mentira intencional foi objeto de desmontagem num outro artigo de opinião da Bárbara Reis no jornal Público.  Se analisarmos o texto do dito comentário está próxima das palavras de ordem da extrema-esquerda que poderá estar a colar-se à direita para fazer oposição ao PS.

 

 

Para se presentear com algum protagonismo e sair da toca do esquecimento veio agitar divisões e prejuízos idênticos aos que provocou no tempo da troica fazendo com o seu dileto aprendiz Passos Coelho

Os regressos ao passado agravando divisionismos não têm dado bons resultados, mas eles continuam a ressurgir em Portugal e por essa Europa e Cavaco parece estar a surfar nessa onda.

Cavaco Silva foi muito claro ao dizer na entrevista que o PSD tem que falar para todos mesmo para aqueles que não gostam do PS (o sublinhado é meu).  É óbvio que está a conotar-se com o GHEGA e com a IL. O extremismo de direita está bem presente neste pensamento de Cavaco que não consegue disfarçar.

Saudosistas e admiradores acríticos da personagem prestam-lhe vénia com elogios à mistura sobre a sua “vasta obra de escritos” ou, no dizer de João Miguel Tavares, “vários textos marcantes ao longo da carreira”. Para alguns, felizmente poucos fiéis adeptos, Cavaco será uma figura sábia, portanto, digna de qual Prémio Nobel da literatura, da economia, da política, da democracia, isto digo eu. Isto tudo porquê? Apenas e por causa de um artigo critico que ele escreveu sobre António Costa. É que, não sei se se recordam, a memória do povo é fraca, mas a ira e a fria vingança estão instaladas nesta mesquinha personagem da política que não consegue esquecer e distanciar-se dos constrangimentos, ressentimento e revolta que António Costa lhe causou no final do seu mandato ao ter que aceitar a negociação parlamentar com o PCP e o BE que veio a ser a causa do derrube do governo de Passos Coelho e à maioria de esquerda encontrada no âmbito da Assembleia da República, a tal “geringonça”.

Cavaco não consegue ver a três dimensões, vê a política a uma dimensão, a dele.

Atualmente, por coincidência, ou não, depois de Luís Montenegro ter ganho as eleições para a liderança do PSD Cavaco, mais uma vez, saiu da sua letargia e os seus admiradores incondicionais apressaram-se a elogiar os mandatos de primeiro-ministro marcados pelo betão e pelas obras megalómanas para que ficasse na história. Momentos de reconstrução com fundos europeus que Cavaco não fez mais do que a sua obrigação, utilizá-los para desenvolver as infraestruturas de Portugal.

E, claro, Montenegro irá ser um fiel seguidor “offline” dos doutos conselhos cavaquistas. Não é por acaso que surge neste momento o artigo de opinião crítico a António Costa. Atrevo-me a dizer que irão surgir aparições e convites mais frequentes nas televisões desse santo padroeiro por parte do PSD. Aliás, não tardou e a CNN já iniciou o périplo dando-lhe voz onde começou a atirar a todos os alvos numa simbiose de ira e vingança onde teceu duras críticas à liderança de Rui Rio e elogios a Luís Montenegro.

Não terá sido por acaso que que Cavaco surge logo após a vitória de Montenegro, este sabe que sabe terá nele um precioso auxiliar na oposição ao PS que já iniciou ao sair da toca dos políticos escondidos. Cavaco sabe que é o momento para voltar ao protagonismo.

Estamos a ver que as previsões/especulações sobre Montenegro que tracei num blogue anterior começam a verificar-se. Montenegro não só é seguidor de Passos Coelho, como também vê em Cavaco o seu inspirador político.    

Cavaco Silva pretende mostrar-se como um visionário da política por antecipação e procura teorias da conspiração. Veja-se esta com base numa afirmação de Rui Rio proferida em abril de 2019 quando disse que “Nós não somos de direita. Nós somos do centro, somos moderados”. Afirmara ainda Rui Rio, líder dos sociais-democratas que “votar no PSD dá garantia de moderação”. E, claro, a douta personagem infere que “Foi um erro o PSD deixar-se enlear numa dicotomia direita esquerda”. E acrescenta que “era uma armadilha montada pelo PS e alguns órgãos de comunicação social para desqualificar o PSD e impedir alguns votantes de saírem do PS para votarem no PSD”.

Altas conspirações e conluios entre um partido e órgãos e comunicação. Mostra também a sua ira contra” alguns” órgãos de comunicação social, talvez, a SIC porque não lhe dará a papa que ele gostaria.  Num processo de avaliação não sei se não ficaria bem classificado numa escala de senilidade.  

Duvido que este político “sagaz” não consiga discernir que muitos do que não votaram PSD saíram para a IL e para o CHEGA. Mas, ao elogiar Montenegro, vem reforçar a ideia de que é um péssimo líder e vai matar o PSD. Problemático será se, como prevejo, novas lideranças venham a cheirar tanto a bafio como estes "antiquíssimos".

Em resposta ao artigo de opinião de Cavaco Silva publicado na passada quarta-feira, em que disse desafiar António Costa a “fazer mais e melhor” do que ele próprio fez nos seus governos maioritários. O atual líder do executivo afirmou na sexta-feira seguinte que está “preocupado com o futuro dos portugueses”, ao contrário de Cavaco Silva, que diz estar preocupado “com o seu lugar na história”.

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publicado às 19:08

Opinião

O “fetiche” de Jerónimo de Sousa

Há um discurso oficial e há outro mais soft para o comentariado nacional? Não é Paula Santos que tem que se vir explicar sobre a Ucrânia pela enésima vez. É Jerónimo de Sousa.

Jerónimo de Sousa irritou-se (caso inédito) com os jornalistas por lhe perguntarem na Avenida da Liberdade, no final do desfile do 25 de Abril, por que razão não usava a expressão “invasão” quando se referia à situação de guerra na Ucrânia. O problema aqui, veja-se, residia nas perguntas dos jornalistas que, segundo o secretário-geral do PCP, eram absurdas.

Absurdo é o facto de o PCP ter duas caras nesta questão da guerra na Europa. No recente debate sobre o Orçamento do Estado para 2022, a 26 de Abril, o deputado comunista Bruno Dias admitia que se estava perante uma invasão: “Nem a guerra na Ucrânia começou a 24 de Fevereiro, já durava há oito anos, nem os problemas de que estamos a falar começaram com a invasão da Ucrânia em Fevereiro”. Na comunicação social, instados a comentar o caso, vários dirigentes também o fizeram na mesma linha, como António Filipe, na CNN em Março, altura em que ainda era vice-presidente do Parlamento (“há uma invasão que todos condenamos”) ou João Ferreira, ex-candidato presidencial, na SICN, que declarou que o PCP faz uma “condenação clara e inequívoca da violação da integridade territorial da Ucrânia, o uso da força, e que a invasão da Ucrânia é, à luz do direito internacional, inaceitável e merece condenação”.

Jerónimo de Sousa tem deixado o odioso da questão com a líder parlamentar do PCP, Paula Santos, que deu conferências de imprensa para anunciar que os deputados do PCP iriam faltar à sessão plenária em que o Presidente da Ucrânia ia ser ouvido via video-conferência (levando até um puxão de orelhas público do presidente da Assembleia da República que ficou a saber pelos media) e para comentar, mal terminou, o discurso de Zelenskii que fizeram questão de não ouvir in loco no hemiciclo.

Se pesquisarmos no site do PCP, em lado nenhum aparece a expressão “invasão da Ucrânia” a propósito do que se passou a partir de 24 de Fevereiro. E no célebre comício do PCP no Campo Pequeno em que Jerónimo de Sousa foi efusivamente aplaudido, alguém se recorda das exactas palavras do líder?

Pois bem. Há um discurso oficial e há outro mais soft para o comentariado nacional? Não é Paula Santos que tem que vir explicar-se sobre a Ucrânia pela enésima vez. É Jerónimo de Sousa. Portanto, que se faça a pergunta novamente. Pode ser que para a próxima o secretário-geral do PCP tenha uma resposta mais bem preparada.

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publicado às 16:43

In jornal Público em 22 de abril de 2022

O actual poder na Ucrânia ilegalizou o Partido Comunista?

Volodimir Zelenskii discursou na Assembleia da República por videoconferência Rui Gaudencio

Deputados comunistas não marcaram presença durante o discurso de Zelenskii. Ilegalização de homólogos ucranianos foi uma das razões apontadas.

A frase

“O 25 de Abril permitiu a libertação de antifascistas e democratas [em Portugal]. Na Ucrânia, acontece o contrário: há um poder que avançou no sentido da ilegalização do Partido Comunista da Ucrânia, que avançou para a ilegalização de um conjunto de partidos políticos no próprio país”

Paula Santos, líder parlamentar do PCP

O contexto

Paula Santos, líder parlamentar do Partido Comunista Português (PCP), falava esta quinta-feira aos jornalistas sobre o discurso do Presidente ucraniano Volodimir Zelenskii, justificando ainda a razão para os deputados comunistas não terem marcado presença no hemiciclo durante a cerimónia. Classificando a comparação feita por Zelenskii entre a luta ucraniana e o 25 de Abril, relembrou a ilegalização do Partido Comunista ucraniano e a suspensão de outros partidos políticos.

Os factos

O processo de ilegalização do Partido Comunista da Ucrânia foi de iniciativa política do Governo ucraniano, que começou por fazer passar uma lei que ilegalizava a urilização de símbolos comunistas e que acabaria por culminar, em Dezembro de 2015, com a ilegalização propriamente dita decretada pelo Tribunal Administrativo de Kiev, depois de dar como provado um alegado apoio aos movimentos separatistas pró-russos na região leste do país. 

No entanto, na altura, o Governo era dirigido pelo primeiro-ministro Arsenii Iatseniuk, que governava uma coligação composta por cinco forças políticas: o bloco pró-europeu de Petro Poroshenko (Presidente na altura), a Frente Popular, o partido Pátria, o Auto-ajuda e ainda o Partido Radical.

Apesar de não ter estado directamente envolvido neste processo, Zelenskii foi responsável pela suspensão de actividade política de 11 outros partidos em Março, após a introdução da lei marcial no país. O Presidente justificou esta decisão alegando que estas forças tinham ligações directas com a Rússia e Vladimir Putin. 

Em resumo

Volodimir Zelenskii não esteve directamente ligado à ilegalização do PCU, porque nem sequer estava na política quando o processo foi desencadeado pelo Ministério do Interior da Ucrânia e que culminou na decisão judicial. O Presidente ucraniano esteve, contudo, na origem da suspensão da actividade política de mais de uma dezena de partidos, após a invasão russa da Ucrânia a 24 de Fevereiro.

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publicado às 19:01

Ucrania-Russia-entrevista.png

Este post foi escrito com base numa reflexão de Carlos Esperança aqui publicada apesar de não concordar com ele, pelo menos em parte.  

Gosto de ler textos muito bem escritos, como este (estou a ser sincero), que apelam à emoção e ao sentimento, que falam de denuncias de guerra e pedem a paz.

As guerras são motivadas por ambições pessoais, por ânsia de poder, por invasão de países soberanos, por dominação étnica, ou outras vontades que sejam. Várias questões precisam de ser respondidas com clareza sem ideologia, sem rancores, com isenção.

Será que a atual guerra imposta por Putin, (refiro Putin porque para mim não é o povo russo que está em causa, mas o regime por ele personificado) é justa? Isto lembra-me a teoria filosófica da guerra justa justificada pela forma como está a ser realizada e se de acordo com as “regras” internacionais. Quando os inimigos são extremamente diferentes, seja por causa da ideologia, da raça, ou de crenças religiosas as convenções da guerra são raramente aplicadas.

Entendo que no domínio pragmático não há guerra justas e injustas, são ambas guerras que destroem vidas até daqueles que em nada contribuíram para ela. Para as vítimas inocentes, para essas, sim, é uma injustiça.

No texto que li com atenção, nada  refere aquem começou a guerra e destruiu a paz e porquê. Justificar uma guerra de invasão com argumentos de que outros também já as provocaram e fizeram em tempos passados, discutir que há uns, os maus, que lucram com a guerra, como alguns têm escrito, em nada adianta como contributo para o fim do conflito.

Mas quem não quer a paz? Presume-se que todos a pretendamos e que seja a curto prazo. A guerra tem um objetivo: dominar outros, impor vontades como anteriormente referi. Quem opta pela guerra sabe que não vai querer negociar a paz e que não a pretende sem exigências humilhantes impostas à outra parte, a menos que saiba que sairá vitorioso. Ao esmagamento do povo atacado segue-se a paz. Senão para quê se teria iniciado a guerra?

Exigir a paz é um valor pela qual todos lutamos e ansiamos, mas, exigi-la a quem não tem moral e a destrói com pretextos duvidosos, não comprovados, e não discutidos previamente. Todos queremos a paz neste conflito, mas a quem nos estamos a dirigir ao pedi-la? Aos que atacam ou aos que se defendem? Então, nós, ao pedirmos a paz e ao pedirmos consensos a qual dos intervenientes nos estamos a dirigir? Quem deve ceder o atacante ou o atacado que se defende?

Criticar uma ou outra aliança, uma ou outra união económica ou política, um ou outro país porque também contribuiu, ou não, para a escalada por outros causada, em nada ajuda à paz.

Após iniciada uma guerra não há palavras nem varinhas mágicas que a terminem se não houver vontade pelo menos de uma das partes em litígio. Sou pela paz e não pela guerra, mas o meu lamento contra a guerra e o meu pedido para a paz, mesmo em uníssono com outros que também a pedem e a desejam, não fará ceder quem a iniciou e quem tem o poder bélico do seu lado. Ou, então, estamos a fazer pedidos de paz em abstrato, para o ar, apenas para me ouvirem dizer que sou pela paz, mas eles é que não querem.

Os negacionismos no todo ou em parte sobre uma circunstância de facto também são pensamentos únicos que se exige a outros. A divergência faz parte da democracia, mas a divergência não pode servir para negar e deturpar factos com negacionismos irracionais em favor de um dos beligerantes culpando um em detrimento do outro apenas e porque vão em direção ao que serve propósitos, sejam eles ideologicamente considerados como bons ou como maus, isto, claro, devidamente relativizado.

Vale a pena ver o vídeo que incluo, que é uma entrevista ao porta-voz da Embaixada Russa em França que foi feita no programa Télématin do canal francês TF1 e que pode Entrevista ou aqui.

Convidado pela Télématin, porta-voz da Embaixada da Rússia na França, Alexander Makogonov recusou-se a descrever a invasão russa da Ucrânia como uma "guerra". Um termo em que o jornalista Thomas Sotto não hesitou em insistir.

Transcrição parcial da entrevista.

Porta-voz russo: Pergunte primeiro, quem bombardeia os civis? Quem faz explodir os edifícios?  São os batalhões nazis e ucranianos, simplesmente para criarem essa imagem, para que essa imagem seja difundida no mundo inteiro de modo a desacreditar o exército russo.

Jornalista: Então são os ucranianos que querem sabotar o seu país, massacrar a sua população para acusar Vladimir Putin?

Porta-voz russo: É a sua tática. E ele diz ao mesmo tempo querer atingir os seus objetivos mesmo com o recurso a uma guerra. Mas para atingir os seus objetivos não é preciso bombardear civis, bombardear estruturas e matar crianças e idosos?

Jornalista: E ele diz ao mesmo tempo querer atingir os seus objetivos mesmo com o recurso a uma guerra?

Porta-vos russo: Mas para os seus objetivos não é preciso bombardedra civis, bombardear estruturas e mater crianças e idosos?

Jornalista: Apoia esta guerra senhor porta-voz?

Porta voz russo: No seu intímo. Sabe não se trata de uma guerra, mas de uma operação militar. Se essa operação militar garantir a segurança do meu país, e não só do meu pa´si, mas também de Ucrânia e de todo o continente europeu, claro que apoio a operação.

Jornalista: Mas trat-se de uma guerra.

Porta voz russo: Não é uma guerra.

Jornalista:As palavras têm significado é uma guerra.

Porta voz russo: Não é uma guerra.

Jornalista: Porquê?

Porta voz russo: Não é uma guerra porque quando falamos de guerra, é num sentido mais geral, mais global, os civis não são alvo. Os únicos alvos são os elementos nazis e os elementos do exército ucraniano que ainda resistem.

A entrevista continua e pode vê-la do site que incluí acima.

 

 

 

 

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publicado às 16:08

Tempestade Perfeita

por Manuel_AR, em 17.02.22

Livro de Daniela Sampaio.png

“Tempestade Perfeita” um livro de Daniela Santiago a não perder.

A jornalista Daniela Santiago consegue ter a capacidade de observação e de saber ouvir e depois.  

Estou a reler, desta vez, alguns capítulos.

É um livro por onde desfilam algumas das personagens que descredibilizam a democracia, marcando-a pela negativa. Este livro dá a conhecer os que se aproveitam, como diz na contracapa, “das fraquezas da sociedade carente de valores, sedenta de políticos carismáticos e de justiça mais eficaz, para construir um discurso demagógico alavancado pela discórdia, pelas notícias falsas e por conspirações”. Dá-nos pistas para anteciparmos a onde nos poderão levar partidos como o “Chega” que têm ídolos e conselheiros defensores e negacionistas de ditaduras.

A alguns dará a conhecer os populistas e a ascensão das extremas-direita, e, a outros, a ficarem raivosos por se sentirem retratados.

Tenho para mim que no jornalismo a isenção é uma prática difícil. Mesmo na descrição de factos não é fácil conseguir evitar sinais de opinião favorável ou desfavorável sobre o observável.

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publicado às 18:54

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Começo por citar uma passagem do livro “A Arte da Guerra” de Sun Tzu:

“Não permitas que o inimigo tome a dianteira… Qualquer negligência nesse sentido pode ter consequências nefastas. Em geral, só há desvantagem em ocupar o terreno depois do adversário”; “se os seus métodos de comando (do general) são inflexíveis, se examina as situações de acordo com esquemas prévios, se toma as suas resoluções de maneira mecânica, é indigno de comandar.”.

António Costa está a dar vantagem ao estar a ocupar o “terreno” antes do adversário. Está a dar a possibilidade para o adversário (o CHEGA) atacar por antecipação.

Não li a entrevista completa que Ângelo Correia deu à TSF-DN, pelo que apenas me refiro a uma frase que ele disse: "António Costa está a criar um mártir que se chama Chega".

Foi uma ideia que após o PS ter ganho as eleições me passou pela cabeça a seguir às palavras de António Costa quando disse que não iria   ouvir o CHEGA.  O primeiro-ministro, António Costa, começou a ouvir na quarta-feira vários setores da sociedade civil, estando prevista uma reunião com cada um dos partidos com representação parlamentar, à exceção do Chega.

Por outro lado, a comunicação social que se mostra porventura hipocritamente alarmada com a possibilidade de crescimento da extrema-direita, deu palco exagerado à questão da vice-presidência para a Assembleia da República caso que para as pessoas não tem muito interesse. Também sabemos que no Parlamento Europeu tem havido reações à extrema-direita. Como noticiou o jornal Público: “O “cordão sanitário” em torno dos representantes dos partidos de extrema-direita da UE voltou a funcionar na eleição da presidente e vice-presidentes do Parlamento Europeu e das comissões e subcomissões, a 18 de janeiro. Todos os candidatos do grupo Identidade e Democracia falharam a eleição por voto secreto.”.

Ângelo Correia deu o mote para que o CHEGA de vítima possa passar a reivindicar o título de mártir. Contudo, concordo em parte, com ele. António Costa tem que ter, como teve até aqui, a agilidade/estratégia política de, por vezes, saber engolir sapos vivos e fazer disso uma estratégia política sem abalar as suas convicções.

A democracia é frágil. É do conhecimento que, mesmo em democracias consolidadas e aparentemente robustas, é possível eleger governos de partidos que podem vir a ser uma espécie de associação extremista de direita e conseguir manter pelo populismo o apoio entusiástico de uma parte considerável das pessoas.A democracia deve estar atenta aos que investem contra ela por ser um empecilho aos seus desígnios e, quais D. Quixotes, veem nela um perigoso gigante a abater.

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Na política, por vezes, há que deixar que esses mostrem que são grandes D. Quixotes a lutar contra a democracia liberal representativa, a que chamam o sistema a derrubar que, para eles, é o seu principal inimigo.

Temos que encarar a realidade de que houve uma parcela significativa do povo que, conscientemente, ou não, votou num D. Quixote e nos seus Sanchos Pança e lhes colocou uma lança na mão.

Um político estratega que defenda a democracia não deve querer confrontar-se sozinho contra D. Quixotes para os quais, por uma espécie de doença mental, a democracia é, qual moinho, um obstáculo a derrubar. Contudo deve notar-se que não podemos deixar de estar atentos a essa doença porque o perigo existe e é alimentado pelos escândalos de corrupção, pelo clientelismo, pelas promessas não cumpridas, pela promiscuidade entre políticos, poder económico e jornalistas, pelo amiguismo que assombram as elites e passam impunes que geram o populismo que é sintoma da fraqueza democrática.  

Uma formação política que parecia insignificante transformou-se em dois anos na terceira força política em Portugal. Esta extrema-direita extremista parece estar a erguer-se sem dificuldade, com a coresponsabilidade da direita moderada que, à falta do poder e sem maioria, lá vai aceitando migalhas que, afinal, são restos do pão fabricado com a sua própria massa.

Os partidos democráticos da esquerda à direita parecem não estar a sentir o ar que se respira na Europa e que exala para o lado de cá. Os partidos da direita parecem preocupar-se mais com um partido democrático que dá pelo nome de “socialista” e mostram a incapacidade de travar uma mistura explosiva nascida da sua área. Como não querem ser a consequência lançam a causa para outros com disparates como este: “O PS já percebeu: é preciso que o partido de Ventura cresça muito mais, para ser inevitável à direita, com a consequente consolidação nos socialistas quer do voto flutuante do centro quer do voto útil da esquerda.”

Não podemos, nós, portugueses, ser a sobremesa dos partidos radicais da extrema-direita que aproveitam para crescer a partir de sentimentos dos cidadãos que respeitam os valores mais conservadores e tradicionais associados à crise económica como a perda da individualidade, a família, a nação, a religião, a identidade sexual e outros modelos impulsionados por outro tipo de radicais, os de esquerda.

A direita e a esquerda atacam-se mutuamente com expressões de fascistas, “venezuelização”, chavistas do país, comunistas, coletivização e outros disparates do género. A direita, que diz ser democrata ataca o Partido Socialista que tem demonstrado desde a revolução de abril ser um dos garantes da democracia, tenta mostrar que existe o perigo do coletivismo e da perda da liberdade e outros vitupérios, que em nada tem a ver com a realidade vivida, alinhado com os partidos mais radicais da extrema-direita à medida das circunstâncias convenientes.

A direita, nomeadamente o PSD que diz ser um pilar e um dos fundadores da democracia, para poder chegar ao poder na Região Autónoma dos Açores fez acordos de incidência parlamentar com o CHEGA. Ou seja, PSD, CDS, PPM e CHEGA, viabilizaram um executivo regional, mas de entre eles há quem se recuse a aparecer em público com elementos do partido a que se juntaram. Recorde-se que André Ventura disse que não iria governar com partidos do sistema, mas por cá, no continente, pretende por todos os meios estar presente no sistema que diz querer combater, rejeitar e mudar.

Ventura nunca se acanhou de dizer que pretendia destruir o sistema por dentro, de prometer fazer tremer o sistema para construir uma nova república. Era a já conhecida estratégia utilizada por outros da mesma estirpe na Europa, destruir o sistema por dentro. Vemos agora e a tempo que a intenção era apenas metafórica: na verdade o que quer mesmo é lugares no sistema.

A melhor forma de destruir este tipo de partidos é deixá-los estar presente para depois, dentro do sistema onde se conseguiram instalar, os desmontar, mas, para tal, é necessário que todos os partidos que se dizem democráticos de direita e de esquerda se unam nesse objetivo e que a direita democrática que dá pelo nome de PSD se deixe de ambiguidades.

De qualquer modo penso que foi um erro estratégico de António Costa excluir o CHEGA na receção dos partidos. Receber e ouvir o outro não significa aceitar, pactuar, seguir, negociar seja o que for. É assim a diplomacia interna. Receber alguém para ouvir o que tem a dizer, ainda que de antemão já saibamos o que vamos ouvir, não significa tomar chá nem dançar o tango.

Está a dar-se força ao dito partido para uma atitude de mal dizer, gritar contra a marginalização a que foi sujeito e outras frases feitas que tenham impacto em que André Ventura se especializou para que se faça eco na comunicação social.

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publicado às 16:25

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Começa a não haver paciência para a leitura de certos artigos de opinião escritos após eleições, alguns que até chegam a ser ridículos. O objetivo destas opiniões é exclusivamente a desvalorização das perdas do partido ou partidos da simpatia dos articulistas, mesmo para os que, como eu, tentam fazer um distanciamento.

Após umas eleições para a maior parte dos partidos que ficam com assento no Parlamento, é sempre a mesma coisa. Há almas que buscam e rebuscam números que justifiquem que, apesar de terem perdido ganharam, e que garantam que os que ganharam afinal perderam. Isto é, tentam o milagre de fazer ganhar quem perdeu e de fazer perder quem ganhou.

Esta neste caso João Miguel Tavares no artigo de opinião no jornal Público que não foge à regra. Recorre à matemática ao estilo do torturem os números que eles confessam e recorre à lógica da evidência que, não sendo da batata, mostra que nada acrescenta ao resultado final para resolução da equação.

São os mesmos que criticam os partidos que, frente às câmaras de TV, dizem que afinal não perderam porque ganharam aqui e ali, mas que fazem agora o mesmo pegando em frases que podemos considerar como hiperbólicas ditas no calor da vitória assim como tudo quanto é dito e escrito em tempo de noite de eleições e durante o respetivo rescaldo.

Reparem nestes parágrafos do artigo de opinião que João Miguel Tavares publica no jornal Público onde pretende rescrever os resultados eleitorais, e contrariar o óbvio, ou, talvez pretender sugerir que  se deve mudar a “contabilidade” de modo que, no futuro, seja dada a vitória aos partidos com que mais simpatiza. Veja-se este parágrafo que ele escreve:

“Há três grandes enganos sobre a noite eleitoral que convém desmontar. Engano número 1: António Costa ganhou em toda a linha. Não ganhou. O PS perdeu muitos votos para a direita, nomeadamente para Rui Rio.”. Recorre a uma demonstração aritmética por conveniência: "Ajuda muito que seja verdade, por isso...". Acrescenta que a votação no PSD subiu 120 mil votos. A votação no PS subiu 338 mil. Juntos, o Bloco, o PCP e o PAN perderam 448 mil votos, apesar do aumento da participação eleitoral…”. “… o PS teve à sua disposição 436 mil votos perdidos pela esquerda, mais uma parte significativa do crescimento na população eleitoral (imaginemos 40%, 56 mil votos). Isso dá perto de meio milhão de votos a entrar no PS pela esquerda. Mas a subida foi só de 338 mil. Logo, António Costa teve pelo menos 160 mil votos a saírem pelo centro-direita…” E por aí fora. Não vale sequer a pena perder tempo com isto, mas o que podemos deduzir daqui é onde o PS foi buscar os votos. A pergunta que podemos deixar no ar é onde foram o IL e o CHEGA buscar votos? Terá sido ao CDS e ao PSD? João Miguel que responda.

Como se isto tivesse agora importância. O PSD conseguiu mais votos? Ainda bem que goze com isso. Que o PS teve menos votos, então consolem-se com os votos que dizem o PS ter perdido.

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publicado às 18:20

A derrocada do CDS

por Manuel_AR, em 02.02.22

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Não sou politólogo nem especialista em análise nem em comentário político, observo e avalio o que me chega pelos órgãos de comunicação social e por via dos intérpretes partidários numa perspetiva umas vezes emotiva, outras mais racional com isenção e distanciamento, o que às vezes nem sempre é possível. As minhas interpretações não partem de investigações empíricas ou de vivências partidárias, são apenas opiniões.

O que hoje me levou a desenvolver estas minhas reflexões foi o desaparecimento do CDS do círculo da política parlamentar que, apesar de nunca ter sido eleitor e ter sido bastante crítico deste partido acho que foi uma perda para a democracia, assim como foi mau para a democracia o surgimento desse simulacro de partido que dá pelo nome de Chega e que, mesmo numa ótica de extrema-direita, é uma aberração. Com todo o respeito pelas artes circenses, este partido a fazer política é como um circo de feira das mais rascas. Mas a democracia pluralista tem destes fenómenos a que ela própria tem de dar resposta.

Centrando-me no CDS e interrogo-me sobre as causas que terão levado a que este partido tenha desaparecido do Parlamento e que, se não houver quem o “agarre”, possa estar prestes a desaparecer da democracia.

Muitos analistas já estão a dissertar sobre as causas e apontam as mais sofisticadas razões para tal causa. Eu, tenho a minha dada pela observação ao longo do tempo. Há causas uma mais remotas   e outras mais recentes, é para estas que as interpretações, várias, apontam.

Para Cecília Meireles uma das causas que levou aos danos a que o partido ficou sujeito foi ter-se virado para dentro a discutir questões ideológicas em vez de discutir os problemas do país, o que, para ela, foi uma perda de tempo. Ela sendo militante do partido sabe as causas muito melhor do que eu. Todavia, olhando ao longo de algum tempo verifico que as causas podem remontar ao tempo da PaF quando o CDS fez uma coligação como PSD e acrescido pela trocas e baldrocas do líder do CDS-PP, Paulo Portas, ao revogar o irrevogável aquando  da sua inesperada demissão de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros abriu uma crise política em julho de 2013. Portas voltou atrás e ficou no Governo liderado pelo PSD como vice-primeiro-ministro.

Paulo Portas chegou ao Governo pela segunda vez após as legislativas de 5 de julho de 2011 após obter um dos melhores resultados para o CDS (11,7% e mais de 650 mil votos), que elegeu 24 deputados.

A gota de água para saída do líder do CDS do Governo foi na altura a escolha de Passos Coelho de Maria Luís Albuquerque para substituir Vítor Gaspar, que tinha apresentado a sua demissão. Paulo Portas queria um novo responsável na pasta das finanças.

Quatro dias após Paulo Portas ter apresentado ao então primeiro-ministro o seu pedido de demissão que seria “irrevogável” os líderes dos dois partidos que compunham a coligação chegaram a um acordo. Este incluía a manutenção de Portas no Governo, já não como ministro dos Negócios Estrangeiros, mas como vice-primeiro ministro. O irrevogável tornou-se não irrevogável.

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A ameaça de demissão por Paulo Portas provocou um mês de crise da qual o CDS não saiu ileso do episódio e teve numas sondagens o pior resultado. Nesse mesmo mês de julho, o CDS não conseguia mais do que 8,1% das intenções de voto, resultado negativo para o partido de Paulo Portas que nunca tinha registado um número tão baixo.

Após um mês de crise, provocada pela demissão de Paulo Portas do Governo, o CDS não terá saído incólume deste episódio e recebe dos portugueses o pior resultado desde o início do barómetro das sondagens.

As eleições legislativas de 2015 não deram à coligação PaF, (PSD com CDS), uma maioria absoluta e não foi mesmo conseguida com uma maioria parlamentar de direita tendo o PS e os partidos à sua esquerda conseguido a maioria de deputados. Na sequência da moção de rejeição apresentada pelo PS ao programa de governo da PaF foi aprovada, com votos a favor de todos os deputados de PS, PCP, BE, PEV e PAN (123). E votos contra de todos os deputados do PSD e do CDS (107). Não houve abstenções.

O CDS-PP liderado por Paulo Portas tinha concorrido em coligação com o PSD às legislativas de 4 de outubro de 2015, apesar da vitória, o PSD e o CDS-PP em conjunto tinham obtido 38,55% e perderam cerca de 722 mil votos relativamente às legislativas de 2011 quando concorreram separados. A coligação ficou com 104 deputados.

Em dezembro de 2015 Paulo Portas comunicou aos dirigentes partidários da comissão política do CDS que não ia recandidatar-se à liderança no próximo congresso que seria convocado em Conselho Nacional no dia 7 de janeiro de 2016.

Em janeiro de 2016 Assunção Cristas então vice-presidente do CDS-PP anunciou que seria candidata à liderança do partido no 26.º Congresso, que iria decidir a sucessão de Paulo Portas.

Assunção Cristas no XIX Governo, entre 2011 e 2013, tinha sido Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, e entre 2013 e 2015, Ministra da Agricultura e do Mar. Assunção Cristas foi responsável pela introdução, em 2013, de uma política que facilitou a plantação de eucaliptos em Portugal, acabando com muitas das restrições existentes anteriormente relativas ao eucalipto.

Em 2012 Assunção Cristas foi mentora da Lei do Arrendamento. Como jurista sabia bem das consequências desta norma que aplicada terá causada que milhares de inquilinos serem despejados ou obrigados a abandonar as suas casas pelo excessivo aumento das rendas que alguns consideraram uma lei iníqua e cruel por colocar senhorios em total supremacia sobre os inquilinos.

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Em dezembro de 2015 o líder do CDS-PP, Paulo Portas comunicou que não se recandidataria à liderança do partido. A 12 e 13 de março de 2016 realizou-se o 26º Congresso, em Gondomar, no qual Assunção Cristas assumiu a presidência do partido que tinha concorrido em lista única, tendo sido reeleita presidente do CDS-PP no 27.º Congresso a 10 e 11 de março de 2018.

Terá começado aqui no seguimento da  demissão  de Portas a queda do CDS que Cristas não conseguiu segurar atempadamente. Foi no entanto o início da queda do CDS já com Assunção Cristas. Paulo Portas sentiu que iria ficar agarrado ao seu “irrevogável” e terá previsto o que se iria passar com o CDS, antecipou, assim, uma saída estratégica a tempo de poder vir a ser responsabilizado pelo descalabro do partido.

Em fevereiro de 2019 Cristas apresenta uma moção de censura ao Governo e dispara contra a esquerda e contra o PSD por apoiar o PS no parlamento e vai dizendo que recebeu manifestações de apoio relativas à moção de censura que o partido apresentava ao Governo. Lembrava que foi "uma decisão tomada por unanimidade na Comissão Executiva da CDS”. Entretanto o deputado socialista Ascenso Simões sugeria que a moção de censura do CDS-PP ao Governo fora motivada pelo "fantasma" da privatização do Pavilhão Atlântico no anterior Governo (PSD-CDS), processo em que Assunção Cristas teve responsabilidades como ministra.

Nas eleições legislativas em 6 de outubro de 2019 o CDS-PP obteve um escasso resultado de 4,22%, 221.774 votos o que lhe atribuíram apenas 5 deputados comparando com 2011 quando concorreu isolado quando conseguiu 11,7% e 24 deputados, a perda foi enorme.

Confirmando esta perda, uma hora e pouco depois do fecho das urnas das eleições de outubro Cristas pediu a realização de um congresso extraordinário e disse não se iria recandidatar. Neste 28.º Congresso realizado a 26 e 27 de janeiro de 2020 Francisco Rodrigues dos Santos foi eleito para a presidência do partido.

Em outubro de 2021 durante a polémica contra o líder do CDS Rodrigues dos Santos e para a marcação dum congresso o ex-dirigente do CDS Paulo Portas afirmava que faria tudo o que pudesse para não se desfiliar do partido. Afirmou ainda que a situação era "grave" e que "o líder de um partido democrático não cancela eleições internas" referia-se a Rodrigues dos Santos.

Por razões óbvias, decorrentes do que afirmei anteriormente, a queda do CDS começou com a demissão de Paulo Portas e com Assunção Cristas a ocupar a liderança do partido. Paulo Portas terá previsto o que se iria passar e tomou a iniciativa de sair pela porta grande para não ser envolvido no desastre que antevia acontecer ao partido.

Em abril de 2019 é fundado o partido CHEGA de direita radical,  populista de direita que defende o liberalismo económico, o nacionalismo português, o conservadorismo nacional, conservadorismo social, o euroceticismo, o nativismo, é anti-imigração, anti ciganismo e o antifeminismo.

O surgimento deste partido que elegeu um deputado terá também sido uma causa próxima, senão a mais importante, da perda de votos do CDS e alguns do PSD, talvez devido à fuga para o novo partido dos que se encontravam acantonados naqueles partidos dos que com ele melhor se identificariam; o mesmo terá acontecido com a volatilidade de votos, sobretudo dos eleitores associados à incerteza e à imprevisibilidade que são mais sujeitos à manipulação e à demagogia.   

Tudo quanto se possa dizer para justificar o descalabro a que chegou o CDS nesta eleições não chega, há que investigar outras razões mais profundas e uma das possíveis respostas poderá estar não apenas no líder Francisco Rodrigues dos Santos, mas na volatibilidade do eleitorado para os novos partidos que entretanto surgiram e cuja linguagem fascizante atrai alguns e o IL cuja narrativa, embora clássica e ortodoxa de liberalismo que face à novidade terá atraído muitos jovens e gentes das classes mais altas que antes terão votado CDS ou PSD.  

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publicado às 18:54

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Tudo o que Rui Rio promete em redução de impostos como o IRS é lá para 2025 e 2026, data das próximas eleições. Até lá o pagode que aguente. Não se pode dizer que está a mentir, mas… está a enrolar-nos com promessas que na altura poderá não poder cumprir face à evolução da economia internacional. Demagogia da melhor.

A experiência que nós temos tido com governos do PSD e CDS não têm resolvido os problemas que todos, cada um a seu modo, gostaríamos de ver resolvidos, antes pelo contrário. Com o PS também não, dirão alguns, piorou, dirão outros, talvez estejam certos, mas o que não podemos esquecer é que, se hoje vivemos melhor do que no passado também é certo e foi com a esquerda moderada que o conseguimos.

Esta campanha eleitoral tem sido muito pouco esclarecedora quanto ao que pretendem fazer se ganharem as eleições e os partidos com responsabilidades governativas, com exceção do PS que já é de todos conhecido o que pretende fazer. É o único que poderá oferecer algumas garantias de mudanças ajustadas, atempadas e progressivas.

O PSD com Rui Rio e as suas propostas vagas, por vezes ambíguas no sentido da sua fundamentação ideológica, irá seguir um modelo social neoliberal, modelo desacreditado depois da crise financeira internacional de 2008. Muitas organizações internacionais como a OCDE colocaram esse modelo em dúvida. Não sei se alguma vez Papa Francisco apelidou este sistema como “economia que mata”, mas isso é o que menos importa.

O projeto económico de Rui Rio baseia-se na redução de rendimentos das pessoas, quer por redução de salários, que por redução das funções sociais do estado; é um modelo estruturalmente baseado na austeridade para a generalidade da população; um modelo que beneficia os mais ricos e que agrava drasticamente as desigualdades sociais. Aliás o próprio Rui Rio não o escondeu e os seus apoiantes do partido já o afirmaram por palavras pouco entendíveis para a maioria das pessoas, é que o tão almejado crescimento só acontecerá anos depois de aplicado e se as condições internas e internacionais assim o permitirem. Para bom entendedor meia palavra basta.

Veja-se o que Rui Rio propõe com a baixa do IRS: redução em 400 milhões de euros em 2025 e 2024. Isto é, daqui a três a quatro anos numa lógica de proximidade de novas eleições. Mais, redução para 0,25% do limite inferior do intervalo da taxa do IMI, também a partir de 2024. Onde vai ele buscar o dinheiro se o crescimento da economia não estiver em correlação com o crescimento da receita necessária para reduzir os impostos, mesmo que a despesa diminua um pouco? Está a fazer troça do pagode!

E na saúde? No SNS Rui Rio ataca com a diferenciação, uma saúde para os pobrezinhos e outra a ser paga com os impostos de todos para os que podem pagar, veja-se: contratualização com o privado e social de consultas e acessos a médico assistente (não confundir com médico de família). Quem paga os impostos irá contribuir para os que podem pagar terem acesso aos privados de forma gratuita ou parcialmente pago; para Rui Rio o SNS deve assentar em três pilares: público, privado e social, mas o acesso ao privado, deduz-se, será pago com os impostos de todos para benefício de alguns que podem pagar.

Não basta ler o vago programa do PSD que Rui Rio apresenta, temos que ler nas entrelinhas as armadilhas que contém. O programa que Rui Rio apresenta é o mesmo que Montenegro ou Paulo Rangel apresentariam se ganhassem as eleições internas no partido e estivessem agora nesta corrida.    

Rui Rio tem fé, é uma crença que dando os maiores benefícios às empresas, redução de impostos, não fala em redução de salários, mas fala em aumentar se a economia crescer, assim, elas, as empresas, vão produzir mais e criar mais riqueza. É uma velha assunção liberal que com os acontecimentos da última crise internacional provou estar errada levando as entidades internacionais a alterar as medidas de combate à crise.

Não basta criar produtos é preciso rendimentos para que tais produtos sejam consumidos, a fuga de Rio diz ser nas exportações, esquecendo que haverá sempre lá para a Ásia que produz a custos mais baratos com mão de obra baratíssima. Isto numa lógica de que só o maior rendimento das pessoas pode originar maior consumo, maior procura de bens que necessariamente fomentam uma maior produção das empresas. Numa ótica de consumo interno é a procura que gera a oferta e não a oferta que gera a procura em que com fezada Rui Rio acredita com ajuda das exportações.

Para dinamizar a economia pouco significa injetar dinheiro nas empresas se não existir um aquecimento do consumo, este por seu lado pode gerar inflação que desvaloriza salários. E as medidas de austeridade complicam, mas fazem parte do breviário do modelo neoliberal. O que o modelo de Rui Rio a ser fosse implementado iria gerar uma redução do nível de vida das pessoas e agravadas desigualdades sociais.

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publicado às 19:06


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