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As intenções na negociação política

por Manuel_AR, em 26.10.21

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Quando não se pretende que uma negociação entre vários elementos com interesses divergentes não resulte, ou não chegue a bom termo, basta que entre os participantes seja suficiente que, pelo menos um, apresente propostas que à partida sabe que são inaceitáveis, fica o caso arrumado. Acabam-se os acordos. Esta é a estratégia.

O nome do título sugere uma intenção que pode ser um propósito com um móbil por trás das intenções manifestadas que são desconhecidos por uma das partes.

Os partidos da extrema-esquerda, etiqueta de que estes não gostam, pretendem agora justificar o injustificável e apelam às emoções de quem os ouve. Um, o PCP, baseia-se no choradinho dos salários baixos e no salário mínimo, porque sabe que é por aí que capta pessoas. Outro, o BE, pela voz da Catarina Martins, com aquela modulação na voz, mais ou menos comicieira que parece irá chorar clama e insiste para que o Governo explique porque não os aceita os pontos que tem apresentado. Então Catarina, a sua falácia parece ser de quem tem estado desatenta. Não tem ouvido que no momento há situações que não podem ser ultrapassáveis? Catarina e Jerónimo não devem estar a falar para o país, mas para dentro dos partidos de para os seus adeptos.

Quando não se pretende que uma negociação entre vários elementos com interesses divergentes não resulte, ou não chegue a bom termo, basta que entre os participantes seja suficiente que, pelo menos um, apresente propostas que à partida sabe que são inaceitáveis, fica o caso arrumado. Acabam-se os acordos. Esta é a estratégia.

O que está realmente em jogo é que os litigantes não estão a falar entre eles, (refiro-me neste caso mais à veemência do BE e do PCP do que à do PS). Pelo contrário, dirigem-se principalmente a um público por cuja aprovação competem através de uma retórica construída com uma narrativa que pensam ser persuasiva, mas que se torna repetitiva, sem inovação argumentativa, enfim, aborrecida.

O BE e o PCP captam meras ocasiões oportunas para elevarem o seu prestígio aos olhos do público/potencias eleitores que são os verdadeiros destinatários da sua comunicação. Os seus discursos, e também de outros partidos, não têm servido para discutir ou tentar convencer o adversário(s) para arranjar soluções possuem mais um caráter plebiscitário à opinião pública que os possa legitimar.

Os políticos daqueles dois partidos têm a tendência para exagerarem e enfatizarem a eventuais polémicas estremando posições e pouco verosímeis. Estes tipos de atores vivem da controvérsia e do desacordo com o objetivo de obterem a atenção da opinião pública, mas também a manutenção da sua liderança dentro dos partidos e dos seus adeptos que permeiam a firmeza, mesmo que isso prejudique o país.

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publicado às 19:27

O regresso dos fantasmas

por Manuel_AR, em 23.04.15

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Surpreendidos pelo documento "Uma década para Portugal" apresentado pelo Partido Socialista sucedeu-se o contra-ataque com duas reações opostas, uma à direita do PS outra à esquerda. A primeira, desvairada, agita o fantasma da troica e do regresso ao passado, argumento que já mais do que gasto ao longo de quatro anos, e diz que não apresenta nada de novo. A intervenção de ontem de Paulo Portas no Parlamento foi disso a prova da preocupação da maioria. A segunda, tenta colar o PS à direita, afirmando que é um documento que não se distingue em nada do que a direita propõe.


Não vou agora abordar os aspetos eventualmente mais polémicos do documento, que alvoroçou e promete alvoroçar a campanha eleitoral. Não é por acaso que Maria Luís Albuquerque já avançou com uma promessa baseada na diminuição dos prazos de devolução dos salários da função pública apresentada no PE, (agora Programa de Estabilidade, antes PEC Programa de Estabilidade e Crescimento). Isto é, numa tentativa de desespero, e contrariamente ao que ela tinha avançado na passada semana, tenta fazer ajustamentos em função do documento do PS. Passos Coelho disse que o documento apresentado pelo PS era eleitoralista, e isto o que é?


O que falta em todas as propostas não são as mexidas na regulação do mercado de trabalho nem a descida da TSU das empresas e do IRC mas outro tipo de incentivos que estimulem as empresas ao investimento e à da criação de emprego na agricultura, na indústria e nos serviços. Tudo quanto seja reduzir encargos das empresas com o trabalho e os impostos são apenas redução de custos que vão aumentar o lucro das empresas que não será reinvestido mas para acrescentar à distribuição de dividendos aos acionistas e aos donos das empresas. Temos como exemplo o caso mais gritante da EDP.


A partir de agora a direita fará tudo para conquistar alguns votos ao Partido Socialista e os partidos à esquerda deste farão tudo para colar o PS à direita para conquistar também alguns votos. Entre os partidos à esquerda do PS a guerra da caça ao voto também vai iniciar-se não se sabe ainda é em que moldes.


Será que no centro onde o PS se coloca é onde estará a virtude? Uma coisa é certa, já basta desta direita que nos afoga, não apenas na austeridade mas também nos argumentos sem sentido, falaciosos e sem a certeza de que fala verdade aos portugueses.

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publicado às 17:08


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