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In jornal Público em 22 de abril de 2022

O actual poder na Ucrânia ilegalizou o Partido Comunista?

Volodimir Zelenskii discursou na Assembleia da República por videoconferência Rui Gaudencio

Deputados comunistas não marcaram presença durante o discurso de Zelenskii. Ilegalização de homólogos ucranianos foi uma das razões apontadas.

A frase

“O 25 de Abril permitiu a libertação de antifascistas e democratas [em Portugal]. Na Ucrânia, acontece o contrário: há um poder que avançou no sentido da ilegalização do Partido Comunista da Ucrânia, que avançou para a ilegalização de um conjunto de partidos políticos no próprio país”

Paula Santos, líder parlamentar do PCP

O contexto

Paula Santos, líder parlamentar do Partido Comunista Português (PCP), falava esta quinta-feira aos jornalistas sobre o discurso do Presidente ucraniano Volodimir Zelenskii, justificando ainda a razão para os deputados comunistas não terem marcado presença no hemiciclo durante a cerimónia. Classificando a comparação feita por Zelenskii entre a luta ucraniana e o 25 de Abril, relembrou a ilegalização do Partido Comunista ucraniano e a suspensão de outros partidos políticos.

Os factos

O processo de ilegalização do Partido Comunista da Ucrânia foi de iniciativa política do Governo ucraniano, que começou por fazer passar uma lei que ilegalizava a urilização de símbolos comunistas e que acabaria por culminar, em Dezembro de 2015, com a ilegalização propriamente dita decretada pelo Tribunal Administrativo de Kiev, depois de dar como provado um alegado apoio aos movimentos separatistas pró-russos na região leste do país. 

No entanto, na altura, o Governo era dirigido pelo primeiro-ministro Arsenii Iatseniuk, que governava uma coligação composta por cinco forças políticas: o bloco pró-europeu de Petro Poroshenko (Presidente na altura), a Frente Popular, o partido Pátria, o Auto-ajuda e ainda o Partido Radical.

Apesar de não ter estado directamente envolvido neste processo, Zelenskii foi responsável pela suspensão de actividade política de 11 outros partidos em Março, após a introdução da lei marcial no país. O Presidente justificou esta decisão alegando que estas forças tinham ligações directas com a Rússia e Vladimir Putin. 

Em resumo

Volodimir Zelenskii não esteve directamente ligado à ilegalização do PCU, porque nem sequer estava na política quando o processo foi desencadeado pelo Ministério do Interior da Ucrânia e que culminou na decisão judicial. O Presidente ucraniano esteve, contudo, na origem da suspensão da actividade política de mais de uma dezena de partidos, após a invasão russa da Ucrânia a 24 de Fevereiro.

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publicado às 19:01

Encantadores e mentirosos

por Manuel_AR, em 11.02.14


A "cassete" eram um termo que se utilizava para se fazerem críticas às intervenções do Partido Comunista Português devido à repetição de determinadas frases e chavões repetidos até à exaustão. Hoje em dia a tecnologia da cassete foi abandonada e deram lugar aos CD's que também se podem repetir e que têm a vantagem de poder ser ouvidos nos computadores portáteis. O PCP nos últimos tempos reajustou o seu discurso e esta técnica foi mais ou menos minimizada.


Os partidos do Governo passaram a adotar agora a estratégia do CD. Basta analisar as intervenções dos que dele fazem parte e dos que o apoiam para se verificar isso. Quanto mais nos aproximamos das eleições tanto mais se torna evidente a repetição ad nauseam de chavões, uns reportados ao passado, outros em relação ao futuro brilhante em que todos (?) os portugueses devem acreditar.


Não nos esquecemos que Paulo Portas, em maio de 2011, afirmou que a intervenção do FMI em Portugal deve ser aproveitada para ter "um Estado mais decente", depois de um processo que vai tornar o país "transitoriamente num protetorado". Veja-se a semelhança do discurso com o de Passos Coelho que dizia então que devemos ir para além da troika, Portas dizia que a intervenção deve ser aproveitada.


 Agora há um novo CD da maioria e do Sr. vice primeiro-ministro, o das reviravoltas, que ainda pensa que pode convencer os portugueses das suas boas intenções através da repetição de "não queremos que o FMI volte para Portugal como já o foi por três vezes, por isso temos que continuar o mesmo rumo" rumo que, como se tem visto, é bastante promissor para os portugueses que se devem limitar apenas à esperança…


É uma cassete para lançar aos olhos dos portugueses que andam distraídos não apenas poeira, mas um nevoeiro tão denso que os impeça de ver e de pensar.


Os CD's passam a ser vários e vão ao mesmo tempo em sentido contrário. Veja-se por exemplo a simultaneidade da narrativa do estamos no rumo certo e vamos continuar com a narrativa do crescimento, com a manutenção do rumo de austeridade e cortes, mas agora vêm propor o contrário do que têm vindo a fazer. Basta vermos as propostas a apresentar pela concelhia do  PSD/Lisboa ao congresso com o mandato de Passos Coelho renovado como líder. O partido, com a sua marca vincada e claramente neoliberal, vem agora reivindicar-se como de matriz social-democrata. Ao lermos algumas das propostas não deixamos de poder fazer um rasgado sorriso de gozo e perplexidade. Veja-se só por exemplo isto:


O bom senso e a responsabilidade social aconselham que após o período de intervenção se faça o aumento do salário mínimo de 500 euros a partir de outubro de 2014; diminuição do IVA da restauração a partir de julho; mais economia com mais sensibilidade social; defende a revisão da lei das rendas; introduzir correções que protejam os mais idosos e o pequeno comércio…bla...bla...bla...


Mas alguém acredita nisto? Sai a troika e vai ser o abrir dos cordões à bolsa que é o contrário de, a austeridade é para continuar como afirmam. Afinal não há dinheiro? Gozam com pagode. Só pode.


Dizem ainda que a economia cresce mas que tal não se vai sentir no modo de vida dos portugueses. Mas então de que serve a economia crescer. Será apenas para uma minoria usufruír?


Percebe-se que estas medidas e o regresso às origens ideológicas do PSD sejam o que poderá servir de isco para captar votos dos crédulos para que após ganharem as eleições possam voltar a aplicar políticas ainda mais gravosas. Aliás Poiares Maduro já o disse nas entrelinhas ao falar para quem nada percebe. As primeiras são as reformas, depois virão os senhores que se seguem.

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publicado às 23:13


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