Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Opinião

O “fetiche” de Jerónimo de Sousa

Há um discurso oficial e há outro mais soft para o comentariado nacional? Não é Paula Santos que tem que se vir explicar sobre a Ucrânia pela enésima vez. É Jerónimo de Sousa.

Jerónimo de Sousa irritou-se (caso inédito) com os jornalistas por lhe perguntarem na Avenida da Liberdade, no final do desfile do 25 de Abril, por que razão não usava a expressão “invasão” quando se referia à situação de guerra na Ucrânia. O problema aqui, veja-se, residia nas perguntas dos jornalistas que, segundo o secretário-geral do PCP, eram absurdas.

Absurdo é o facto de o PCP ter duas caras nesta questão da guerra na Europa. No recente debate sobre o Orçamento do Estado para 2022, a 26 de Abril, o deputado comunista Bruno Dias admitia que se estava perante uma invasão: “Nem a guerra na Ucrânia começou a 24 de Fevereiro, já durava há oito anos, nem os problemas de que estamos a falar começaram com a invasão da Ucrânia em Fevereiro”. Na comunicação social, instados a comentar o caso, vários dirigentes também o fizeram na mesma linha, como António Filipe, na CNN em Março, altura em que ainda era vice-presidente do Parlamento (“há uma invasão que todos condenamos”) ou João Ferreira, ex-candidato presidencial, na SICN, que declarou que o PCP faz uma “condenação clara e inequívoca da violação da integridade territorial da Ucrânia, o uso da força, e que a invasão da Ucrânia é, à luz do direito internacional, inaceitável e merece condenação”.

Jerónimo de Sousa tem deixado o odioso da questão com a líder parlamentar do PCP, Paula Santos, que deu conferências de imprensa para anunciar que os deputados do PCP iriam faltar à sessão plenária em que o Presidente da Ucrânia ia ser ouvido via video-conferência (levando até um puxão de orelhas público do presidente da Assembleia da República que ficou a saber pelos media) e para comentar, mal terminou, o discurso de Zelenskii que fizeram questão de não ouvir in loco no hemiciclo.

Se pesquisarmos no site do PCP, em lado nenhum aparece a expressão “invasão da Ucrânia” a propósito do que se passou a partir de 24 de Fevereiro. E no célebre comício do PCP no Campo Pequeno em que Jerónimo de Sousa foi efusivamente aplaudido, alguém se recorda das exactas palavras do líder?

Pois bem. Há um discurso oficial e há outro mais soft para o comentariado nacional? Não é Paula Santos que tem que vir explicar-se sobre a Ucrânia pela enésima vez. É Jerónimo de Sousa. Portanto, que se faça a pergunta novamente. Pode ser que para a próxima o secretário-geral do PCP tenha uma resposta mais bem preparada.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:43

In jornal Público em 22 de abril de 2022

O actual poder na Ucrânia ilegalizou o Partido Comunista?

Volodimir Zelenskii discursou na Assembleia da República por videoconferência Rui Gaudencio

Deputados comunistas não marcaram presença durante o discurso de Zelenskii. Ilegalização de homólogos ucranianos foi uma das razões apontadas.

A frase

“O 25 de Abril permitiu a libertação de antifascistas e democratas [em Portugal]. Na Ucrânia, acontece o contrário: há um poder que avançou no sentido da ilegalização do Partido Comunista da Ucrânia, que avançou para a ilegalização de um conjunto de partidos políticos no próprio país”

Paula Santos, líder parlamentar do PCP

O contexto

Paula Santos, líder parlamentar do Partido Comunista Português (PCP), falava esta quinta-feira aos jornalistas sobre o discurso do Presidente ucraniano Volodimir Zelenskii, justificando ainda a razão para os deputados comunistas não terem marcado presença no hemiciclo durante a cerimónia. Classificando a comparação feita por Zelenskii entre a luta ucraniana e o 25 de Abril, relembrou a ilegalização do Partido Comunista ucraniano e a suspensão de outros partidos políticos.

Os factos

O processo de ilegalização do Partido Comunista da Ucrânia foi de iniciativa política do Governo ucraniano, que começou por fazer passar uma lei que ilegalizava a urilização de símbolos comunistas e que acabaria por culminar, em Dezembro de 2015, com a ilegalização propriamente dita decretada pelo Tribunal Administrativo de Kiev, depois de dar como provado um alegado apoio aos movimentos separatistas pró-russos na região leste do país. 

No entanto, na altura, o Governo era dirigido pelo primeiro-ministro Arsenii Iatseniuk, que governava uma coligação composta por cinco forças políticas: o bloco pró-europeu de Petro Poroshenko (Presidente na altura), a Frente Popular, o partido Pátria, o Auto-ajuda e ainda o Partido Radical.

Apesar de não ter estado directamente envolvido neste processo, Zelenskii foi responsável pela suspensão de actividade política de 11 outros partidos em Março, após a introdução da lei marcial no país. O Presidente justificou esta decisão alegando que estas forças tinham ligações directas com a Rússia e Vladimir Putin. 

Em resumo

Volodimir Zelenskii não esteve directamente ligado à ilegalização do PCU, porque nem sequer estava na política quando o processo foi desencadeado pelo Ministério do Interior da Ucrânia e que culminou na decisão judicial. O Presidente ucraniano esteve, contudo, na origem da suspensão da actividade política de mais de uma dezena de partidos, após a invasão russa da Ucrânia a 24 de Fevereiro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:01

Mentiras do PCP

por Manuel_AR, em 22.04.22

In Polígrafo em 22 de abril de 2022

Polígrafo.png

A ausência do PCP na sessão no Parlamento destinada a apoiar Volodymyr Zelensky - convidando-o a discursar – foi explicada pela líder parlamentar do PCP, Paula Santos, na quarta-feira, com este argumento: “Volodymyr Zelensky personifica um poder xenófobo e belicista, rodeado e sustentado por forças de cariz fascista e neonazi, incluindo de carácter para-militar, de que o chamado Batalhão Azov é exemplo."

O Polígrafo olhou para os argumentos do PCP e verificou um a um.

1.

O que está em causa: Desde que Zelensky é presidente, foi iniciado algum conflito militar, interno ou externo, pela Ucrânia enquanto Estado (com exceção da defesa à agressão russa, desde 24 de fevereiro deste ano)?

A análise: Volodymyr Zelensky foi eleito a 21 de abril de 2019. Todos os conflitos armados – civis e militares - anteriores a 2022 que tiveram ou têm a Ucrânia como palco iniciaram-se na primeira metade da década: Euromaidan (2013/2014); Donbass (2014). Também a crise na Crimeia – com a perda do território, mas sem confronto militar, apesar do posicionamento de tropas russas – é dessa época (2014).

No discurso de posse, a 20 de maio, Zelensky afirmou que o cessar fogo no Donbass era uma prioridade.

Avaliação do Polígrafo: Falso

__________________________

2.

O que está em causa: No mandado de Zelensky, desde 2019, houve alguma medida segregadora em relação à presença ou direito à cidadania de algum povo ou etnia ou a proibição do uso da língua russa?

A análise: Não houve nenhuma lei aprovada nem a evidência de prática reiterada discriminatória relativamente a algum povo ou etnia. 

No que concerne o idioma russo, a 25 de abril de 2019, quatro dias depois da eleição de Zelensky (mas ainda sem este ter tomado posse), o parlamento ucraniano (órgão de soberania autónomo) aprovou uma lei que obrigavao uso do idioma ucraniano na administração pública e ao seu reforço nos órgãos de comunicação social.

A iniciativa legislativa foi elogiada pelo então ainda presidente ucraniano, Poroshenko, que acabara de perder as eleições presidenciais. Zelensky dissolveu o Parlamento logo no discurso da sua investidura, menos de um mês depois da aprovação desta lei.

Recorde-se que na Ucrânia, os idiomas ucraniano e russo eram ambos de uso generalizado. Zelensky, por exemplo, falava primacialmente russo.

Avaliação do Polígrafo: Falso

__________________________

3.

O que está em causa: O Batalhão Azov foi criado ou institucionalizado durante o mandato de Zelensky?

A análise: Este batalhão tem, de facto, a sua matriz em movimentos neonazis e supremacistas brancos, desde logo indiciada pelo símbolo que adotou.

Contudo, foi criado em 2014 – para combater as forças pró-russas no conflito no Donbass – e integrado na Guarda Nacional Ucraniana no final de 2014, mais de quatro anos e meio antes de Zelensky chegar à política e ao topo da hierarquia de Estado.

São imputadas a este grupo várias atrocidades nessa guerra civil que decorre na parte leste do país. Atualmente, é uma das forças militares que constitui o bloco militar ucraniano que combate as tropas russas, tentando travar o avanço dos invasores no território da Ucrânia, embora minoritária no relativamente ao contingente global de soldados e milicianos.

Avaliação do Polígrafo: Falso

 

Não se confirmam, assim, as imputações de um poder “xenófobo e belicista, rodeado e sustentado por forças de cariz fascista e neonazi” que o PCP faz ao atual presidente eleito da Ucrânia.

Zelensky herdou o conflito militar no Donbass (existente desde 2014), bem como, nesse contexto, a participação do lado ucraniano (contra os separatistas pró-russos) de um grupo que, de facto, é formado por vários elementos de extrema-direita e até nazis (Batalhão Azov), mas que é minoritário no quadro da Guarda Nacional Ucraniana. Politicamente, Zelensky não beneficiou do apoio da extrema-direita na sua eleição, em 2019.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:29

Pescadores de votos

por Manuel_AR, em 31.03.21

Pescadores de votos.png

Sempre que eleições se aproximam a competição entre partidos pela obtenção de votos torna-se mais competitiva, por vezes caricata especialmente nos partidos de direita, alterando estratégias de acordo com os seus interesses e consoante as circunstâncias para a captação de potenciais eleitores.

O alvo do ataque operacional é o partido do Governo que resultam, felizmente nem sempre, nas chamadas coligações negativas ou anti natura ideológica verificadas entre partidos que nada têm em comum nos princípios que defendem e que, em circunstâncias de acalmia política ou de maioria parlamentar, seriam irrelevantes.

O mais caricato é vermos partidos que se afirmam serem liberais de direita ou de extrema-direita que, acusam os Governos do Partido Socialista de serem despesistas e de colocarem em causa as contas públicas, (défice e despesa excessivas), juntarem-se a partidos adeptos da despesa sem fim e defensores do “ser tudo mais público do que privado”.

Estranha-se que Rui Rio que lidera a direita PSD, não obstante enfatizar, como mais do que uma vez afirmou, que sempre colocará o “interesse nacional acima do partidário” (maio de 2020), estar ao lado dos radicais de esquerda, formando uma espécie de geringonça ocasional. As suas palavras tornam-se demagógicas que passam para além da incoerência.

A questão prende-se com a promulgação contra a vontade do Governo de três diplomas impostos pela Assembleia da República votada a favor por todos os partidos, com exceção do PS, que aumentam os apoios sociais aos pais em teletrabalho com filhos em casa, aos trabalhadores independentes e aos profissionais de saúde. Estas leis ao serem promulgadas violariam a norma-travão da Constituição que impede que o Parlamento aumente a despesa pública ou reduzir receitas pode não proibir afinal coisa nenhuma.

Todavia, quando há pessoas que precisam de ser apoiadas não há dúvidas de que o Governo socialista tem mostrado a tentação de fechar os cordões á bolsa cofres e gastar com a pandemia o menos possível, tal como a direita o faria mesmo em tempo normal. Mas há uma norma constitucional que foi atropelada. Será que é em nome dos interesses nacionais como em tempo defendeu Rui Rio?  A questão de saber se os interesses nacionais estarão alguma vez acima dos partidários e da pesca ao voto coloca-se agora de facto.

Há eleições autárquicas em setembro deste ano e apesar das legislativas ainda estarem longe, setembro/outubro de 2023, todos os partidos estão a apostar nas primeiras para uma espécie de “pole position”, com melhor e mais vantajosa posição para as segundas.

No caso do PSD as eleições autárquicas serão o grande teste para Rui Rio e daí a sua conveniência em que o partido se posicione à esquerda identicamente o CDS para sair do pântano eleitoral onde o Chega o colocou. Isto é, a estratégia passa pelo alinhar com as reivindicações sociais de âmbito social do BE e do PCP.

A direita e a esquerda juntam-se na pesca ao voto, recordam-me o poema Barca Bela de Almeida Garret:

Pescador da barca bela,

Onde vais pescar com ela.

Que é tão bela,

Oh pescador?

 

Não vês que a última estrela

No céu nublado se vela?

Colhe a vela,

Oh pescador!

 

Deita o lanço com cautela,

Que a sereia canta bela...

Mas cautela,

Oh pescador!

 

Não se enrede a rede nela,

Que perdido é remo e vela,

Só de vê-la,

Oh pescador.

 

Pescador da barca bela,

Inda é tempo, foge dela

Foge dela

Oh pescador!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:46

Consensos ou não eis a questão

por Manuel_AR, em 31.10.20

Consensos-Orçamento de Estado 2021.png

Uma democracia não é um regime de acordos é conseguir conviver em condições de profundo desacordo, mas os desacordos por vezes são mais conservadores do que os acordos daí que a posição do BE seja estranha.

O orçamento para 2021 foi aprovado apenas pela maioria relativa do Partido Socialista já que os partidos PSD, Chega, Iniciativa Liberal e o Bloco de Esquerda votaram contra e a abstenção de duas deputadas não elegíveis e do PCP. Quanto a isto nada de novo, todos já sabemos.

Levanta-se aqui a questão dos consensos em democracia tão necessários nesta fase que atravessamos devido à covid-19, mas que falharam porque alguns olham para a sua capelinha para obtenção de ganhos, leia-se votos.

Quando há maioria absoluta quem decide é apenas um partido, com uma maioria relativa todos os partidos têm voz, mas é uma estrutura frágil daqui a importância de negociações e de consensos.

O que aconteceu com o orçamento para 2021 foi um autêntico conluio não formalizado entre os vários partidos para conseguirem, como num leilão, as melhores vantagens dum eleitorado neste momento mais preocupado com a pandemia do que com as birrinhas partidárias.

Fazer política em tempos normais não é o mesmo nos tempos em que se exigem consensos mínimos quando tem de se enfrentar uma crise pandémica profunda, complexa e com consequências difíceis de antecipar.

Os tempos são muito exigentes e de respostas várias e variadas quando não se pode chegar nem dar respostas simultâneas com a mesma intensidade orçamental. Os tempos recomendam diálogo e capacidade para se fazerem concessões e não de entrar em guerrilhas e discordâncias movidas com o intuito de mostrar presença e força ao seu eleitorado.

Antes da aprovação do OE21 e de acordo com uma sondagem recente, da Aximage para o JN e para a TSF, 60% dos portugueses eram da opinião que o PCP e o Bloco de Esquerda deveriam viabilizar o Orçamento do Estado para 2021.  Entre os eleitores do BE 68% pensam o mesmo e apenas 15% defenderam o chumbo e 20% não têm ou não quiseram dar opinião bem como 61% dos comunistas e 67% dos inquiridos rejeitam uma demissão do Governo. Isto poderá vir a ter no futuro custos eleitorais para o BE.

Há incapacidade de aceitar, sobretudo para o BE, que não existe apenas uma verdade e uma forma de fazer as coisas. Este é o momento para aliviar a crispação e a tensão num contexto em que as pessoas exigem que os políticos se ponham de acordo para darem resposta aos seus problemas cujas propostas não podem ser de tal modo inexequíveis que possam vir a transformar um doente num morto.

Apesar de se ouvir dizer muitas vezes nos meios mais populares que os partidos não se entendem é preciso dizer que uma democracia não é um regime de acordos é conseguir conviver em condições de profundo desacordo. Devemos também dizer que os desacordos por vezes são mais conservadores do que os acordos daí que no que se refere ao orçamento já aprovado a posição do BE foi estranha. Ser fiel aos próprios princípios é notável, mas ao defendê-los sem flexibilidade condena-se à estagnação.

Os desacordos têm um prestígio relativo e exagerado. Radicalizar as posições é o procedimento a que mais se recorre para dar nas vistas, é um combate pelo protagonismo e pela visibilidade, é um recurso que é muito caro aos populistas, sobretudo os da extrema-direita. Veja-se quem está sempre em descordo com tudo no nosso Parlamento com a justificação de não pertencer ao sistema, mas faz os possíveis para fazer parte dele concorrendo por lugares que dele são parte integrante.  

Numa ocasião como esta que atravessamos estar contra é uma prática menos imaginativa do que chegar a um acordo. A discordância no caso do BE pareceu ser dirigida a um público por quem compete ao nível eleitoral e por ser a ocasião para falar apenas para eles e não para o seu interlocutor que é o Governo e para o bem do país.  

Os partidos mais radicais vivem da controvérsia e do desacordo porque dessa forma obtêm a atenção da opinião pública e publicada e também para o interior do próprio grupo, que premeia intransigências, a vitimização e a firmeza.

Parece que a dificuldade de chegar a um acordo proveio do facto de que qualquer acordo implica cedências e em algumas circunstâncias exige também o sacrifício de algum tipo de princípio e requer que se compreenda que existe uma grande diferença entre conseguir uma aspiração e decidir entre alternativas possíveis o que em política qualquer delas não está isenta de inconvenientes.

Nem sempre é possível fazermos tudo aquilo a que nos propusemos quer ao nível pessoal ou coletivo do que está em primeiro lugar da listas das nossas prioridades e as circunstâncias obrigam a que nos tenhamos de contentar com menos e até por vezes com muito menos, mas o espírito de fação que é intrínseco nos partidos mais radicais termina em polarização e tanto mais quanto há eleições a aproximarem-se convertendo a política numa campanha permanente.

O debate político entre o BE e o Governo, na primeira fase de aprovação do orçamento, fechou a porta ao consenso devido aos sonhadores populistas da extrema-esquerda que parecem desconhecer que a política é levada a cabo numa enorme quantidade de condicionantes que acham devem levantar voo sem quaisquer limitações.

O OE21 tendo sido aprovado na generalidade com algumas alterações devidas a negociações e consensos terá a seguir a discussão na especialidade que se prevê seja algo surrealista. Se não houver consensos à esquerda que tenham uma visão racional para o país em lugar de visões umbilicais partidárias as propostas e a miscelânea de pedidos de alteração vindas dos partidos serão tantas e tais que o orçamento final será uma amálgama impossível de gerir que nos pode levar novamente ao caos político e financeiro. Se assim for não apontem depois o dedo à direita e à extrema-direita. Os únicos culpados serão os parceiros de negociação que desertarem e que não se livrarão do cadafalso eleitoral.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:59

Debates com primeiro ministro.png


É caricato que nos digam que uma verdadeira democracia é aquela em que um primeiro-ministro, seja ele quem for, vá com frequência ao parlamento.


E, de repente, eis que se levanta um clamor vindo de comentadores, responsáveis escrevedores de opiniões e jornalistas contra algo que, para eles, é lesa democracia acabarem os debates quinzenais com o primeiro-ministro. Talvez porque vão deixar de ter tema e espaço para as habituais “cachas” jornalísticas, comentários e opiniões e “bocas” oportunas ou não que irão passar a ter apenas de dois em dois meses.


Uns levantam-se clamando que os partidos, PS e PSD, que aprovaram o fim dos debates quinzenais com o primeiro-ministro – com o atual e com os que a seguir vierem – “têm ADN salazarista”. Pois claro, a comparação é mesmo a mais indicada e encaixa-se perfeitamente na nossa democracia com ou sem debates com o primeiro-ministro, então, não é? Outros afirmam que é um “dia negro para a democracia”. Estamos a entrar em plena ditadura, só falta esta. Tretas digo eu! O que irão sentir é a falta das tricas do costume para comentar casos e casinhos, quais vizinhas calhandreiras que falam umas das outras entre janelas e varandas e que com nada contribuem para a melhoria dos problemas do país e dos cidadãos.


Aqueles senhores e a comunicação social vão sentir a falta das tricas e questões de lana caprina que transformavam debates que deveriam ser feitos para escrutinar a ação do governo e dignificar o Parlamento com assuntos que interessem às pessoas e ao país  e não uma espécie de fantochada quinzenal com perguntas e perguntinhas sobre coisas e coisinhas que na maior parte das vezes não interessa aos cidadãos e em nada contribuem para a melhoria o estado da nação. Tricas de partidárias que na maior parte das vezes apenas servem para ter a visibilidade nos noticiários televisivos de alguns dos senhores deputados sem qualquer utilidade prática na governação.


Não me venham com essas de a democracia ficar mais pobre por os debates com o primeiro-ministro serem de dois em dois meses. Se assim for então quem está contra esta ideia tem de assumir que o então primeiro-ministro José Sócrates ao resolver criar estes debates quinzenais foi o pai do enriquecimento da democracia pois antes deste modelo nenhum outro primeiro-ministro o fez.  Quem pensa que os debates quinzenais com os primeiros-ministros são importantes o que pretende é espetáculos ao vivo para terem assunto no dia seguinte e durante os seguintes quinze dias.  Eu não fico mais informados com o que o primeiro-ministro quando vai ao parlamento quinzenalmente. Onde apenas se questionam as tretas do costume que, na maior parte das vezes não se refletem posteriormente em resultados práticos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:20

André Ventura descobriu a stand-up comedy

por Manuel_AR, em 02.03.20

(Bárbara Reis, in Público, 28/02/2020)


Ventura JPúblico.pngA maioria dos antigos combatentes, como a maioria dos portugueses, não precisa de acção social. Ventura sabe que falar dos 370 mil ex-combatentes que recebem apoios à sua pensão não faz ninguém rir nem lhe dá votos.


No domingo, em Viseu, o deputado André Ventura divertiu uma audiência de apoiantes em registo de stand-up comedy. Fiquei espantada, ainda não tinha visto o novo estilo.


Desconheço se foi uma performance única ou se vai ser o tom da campanha para as presidenciais — este sábado, em Portalegre, Ventura oficializa a candidatura a Belém. É provável que o deputado o adopte. O estilo é eficaz: durante 50 minutos a audiência riu à gargalhada.


Olhando para a sala, os apoiantes do jantar de Viseu parecem encaixar na categoria de “politizados, cépticos e urbanos” que, segundo o cientista político Pedro Magalhães, caracteriza os eleitores que votaram no Chega em 2019 e que têm intenção de votar no futuro.


O conteúdo do “discurso” de Viseu foi 100% político e ligado à actualidade — só acha graça às piadas quem vê notícias políticas. O humor é destemido e selvagem. Quatro excertos:


— “O Parlamento é uma palhaçada tal o ano inteiro que percebemos porque é que não funciona no Carnaval: quando chega ao Carnaval é tempo de parar.”


— “No debate sobre a eutanásia, quando estava o ouvir aquele tipo dos Verdes, que ninguém sabe quem é, e ele tinha 28 minutos… eu próprio tentei pedir a eutanásia: já não dava para mais!”


— “Este é um país que… nem a Venezuela seria assim. Os bolivarianos devem ver isto na televisão e pensar: ‘Que nunca sejamos como Portugal’. No Senegal, se alguém estiver a ver televisão, deve dizer: ‘Deus nos livre um dia ser como Portugal’. No Mali, em Omã, se calhar até na Síria, devem dizer: ‘Que nos aconteça tudo, ‘estado islâmico’, terrorismo, mas nunca, por amor de Deus, ser como Portugal!”


— “Viram o Marcelo Rebelo de Sousa dizer: ‘Temos de ter cuidado com o populismo’? Não quero dar exemplos desagradáveis, mas é a mesma coisa que um pedófilo dizer: ‘Cuidado com estas redes internacionais que andam a raptar crianças’.”


No meio de risos, palmas e frases como “não podemos continuar com a mexicanização de Portugal”, Ventura fez o seu exercício favorito: encher o debate público de nuvens e ampliar a excepção de modo a parecer a regra. O prémio vai para a frase: “Não podemos ter presos a receber subvenções e ex-combatentes do Ultramar que não recebem um centavo.”


Achei curiosa a preocupação do deputado do Chega. Em Janeiro e Fevereiro, Ventura não achou prioritário participar nos debates parlamentares sobre a defesa e os antigos combatentes da guerra colonial. Esteve ausente na discussão na especialidade do Orçamento do Estado de 2020 para a Defesa Nacional (22 de Janeiro) e esteve ausente na reunião plenária de discussão da proposta de Lei do Governo para o Estatuto do Antigo Combatente e dos projectos do PSD e do BE (14 de Fevereiro). Em ambas, teria direito a falar.


Na discussão sobre o Estatuto do Antigo Combatente falaram todos os partidos e dois deputados únicos (João Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal, e Joacine Katar Moreira, ex-Livre). A única excepção foi Ventura.


No site do Parlamento, está registado que o deputado do Chega apresentou uma “falta justificada”, cujo motivo foi “trabalho político”. A sua assessora Patrícia Martins Carvalho explicou por email que o deputado “estava em viagem para os Açores”. Qual o programa oficial da viagem? “Não teve propriamente um programa oficial. Houve reuniões com vista às eleições regionais e ao estabelecimento do partido no arquipélago.” Quanto à reunião de Janeiro, está apenas registada a falta, para já não justificada, mas a assessora não prestou esclarecimentos.


O que se disse nessa reunião é inútil para os comícios de stand-up de André Ventura: foi criada uma secretaria de Estado dedicada aos antigos combatentes; foi submetida ao Parlamento uma nova proposta de Estatuto do Antigo Combatente; o orçamento da Acção Social Complementar sobe 55% (de 5,5 milhões de euros para 8,5 milhões).


Há ex-combatentes que “não recebem um centavo” como diz Ventura? É possível. A maioria dos antigos combatentes, como a maioria dos portugueses, não precisa de acção social. Nos registos do Estado, há 372 mil antigos combatentes que recebem 48,2 milhões de euros em três subsídios: Acréscimo Vitalício de Pensão (51 mil pessoas), Suplemento Especial de Pensão (320 mil) e Complemento Especial de Pensão (1772 pessoas), um total de 372.858 antigos combatentes.


Mas não teria a mínima graça dizer em Viseu que há 370 mil ex-combatentes que recebem apoios às suas pensões. Até parecia que os nossos impostos, afinal, servem para alguma coisa. Dizer isso não faz rir e não dá votos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:10

Racismo primário – pertencemos todos!

por Manuel_AR, em 11.02.20

Hoje resolvi recuperar um artigo do blogue Estátua de Sal e que foi publicado no Expresso sobre o tema que já não está na ordem do dia, mas está sempre presente e que, por mais que não se queira, é sempre, e infelizmente, atualidade. Situações destas vêm-se agravando com o populismo de indivíduos pertencentes a uma espécie de casta, títere de quem os financia, a quem tudo serve para conseguir protagonismo e obter dividendo políticos.


Devo antes esclarecer que não tenho quaisquer simpatias políticas nem pela personalidade de Joacine, nem pela sua personalidade demonstrada pelo discurso que, visto de outro ângulo, demonstra ser o é o mau resultado no debate político.


Assim, aqui vai o texto:


Racismo primário – pertencemos todos!


(Isabel Moreira, in Expresso Diário, 30/01/2020)


Ventura e Joacine.png


Este podia ser um texto jurídico. Um texto a explicar que a Constituição rejeita o racismo, que a República quer dizer alguma coisa, que somos mesmo todos e todas iguais perante a lei.


Esqueçam o Direito. Por um instante.


O que temos visto por estes dias por parte de André Ventura é o regresso à essência mais radical do racismo.


André Ventura usa das palavras – e as palavras têm muita força – para nos devolver ao horror da separação de identidades entre brancos e não brancos. Quem diz identidades diz pertenças. O não branco não pertence, o branco pertence. Daí que lhe saia sem pudor a proposta de deportar a Deputada portuguesa Joacine Katar Moreira, uma não branca que ele faz por identificar como estrangeira, ela que vá para a “terra dela”, eis o apelo aos instintos primários do racismo.


Não consegue o racista André Ventura dizer de mim o mesmo, não consegue sugerir que eu vá para o Brasil, onde nasci, porque não surte efeito. No lodo racista ninguém ousa não identificar-me como portuguesa de origem, natural de gema da terra lusa, enquanto que a pele negra tresanda a estrangeiro.


O regresso de André Ventura à essência do racismo faz dos corpos fronteiras, lugares, este e aquele corpo são ou não daqui consoante a pigmentação, não há cá cidadania no seu discurso fora da lei.


Evidentemente esta jogada monstruosa conta com o racismo presente na sociedade, racismo tão evidente que quando se fala nele salta a indignação em vez de saltar a reflexão.


Portugal é dos poucos países que conheço onde o racismo não é unanimemente reconhecido como um problema sério, estrutural, sendo antes visto como uma “causa” de alguns ativistas que vieram atrapalhar a calma lusa.


Assim sendo, neste caldo, André Ventura avança e adianta que se Joacine Katar Moreira pensa o que pensa é caso para perguntar porque não se vai embora.


La está. Mais uma vez faz de uma deputada portuguesa uma visitante. E faz do racismo um problema das pessoas racializadas. Como se não devesse ser um desconforto ético e moral para qualquer pessoa a existência de racismo, de sexismo, de homofobia ou de qualquer tipo de fenómeno discriminatório, independentemente de se pertencer a uma categoria discriminada. Seria caso para eu fugir do mundo, sendo mulher, por causa do sexismo? Não, mas a resposta é a mesma em relação ao racismo não sendo eu uma pessoa racializada.


A pergunta de Ventura é estúpida mas carregada de intenção. A intenção é a de sempre: gerar divisão, ódio, para crescer nessa onda.


Não é preciso explicar que não se concorda com a proposta x ou y de Joacine Katar Moreira para depois se dizer que estes dias foram alucinantes. As propostas devem ser debatidas com argumentos racionais, em sede própria.


O que não podemos admitir, o que deve merecer a nossa luta feroz, a luta de todas e de todos os democratas, é o racismo primário de Ventura, um cobarde cheio de vergonhas.


Pertencemos todos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:52

Orçamento de Estado 2020.png


Portugal já foi intervencionado três vezes pelo Fundo Monetário Internacional. A primeira foi em 1977, seguiu-se 1983 e por fim 2011. Portugal e os portugueses não querem que isso volte a acontecer. Todavia, parece haver interessados sobretudo da direita que fiquemos novamente com a corda na garganta. Excluo destes os bem-intencionados que, felizmente, ainda os há, embora sejam cada vez menos.


Desde a tomada de posse do Governo na anterior legislatura que comentários nas redes sociais defendiam que o Governo, por ser socialista, iria conduzir o país para nova intervenção. Era a estratégia do medo já conhecida.


Nas últimas semanas começaram a circular na comunicação social certas notícias que avançavam existir uma contenda não bem explícita entre António Costa e Mário Centeno com o apadrinhamento de alguns ministros. O último aproveitamento foi o empolamento das posições sobre pontos de vista diferentes nas estratégias seguida entre Costa e Centeno durante o Conselho Europeu. Até esse demagogo Paulo Portas no programa que lhe deram aos domingos na TVI teceu considerações éticas por causa das posições divergentes entre ambos, insinuando que estavam em causa os interesses do país? Conhecemos bem os comportamentos e atitude democrática de quem se afastou da política ativa, mas que fala de política, (ou será uma estratégia para preparar cargos que se avizinham?).


Há uma diferença: uma coisa é a imparcialidade que deve ter um cargo de presidente do Eurogrupo, outra é a de um Chefe de Estado que deve defender os interesses do país que governa. A democracia não é uma visão monolítica das questões o debate e os confrontos são evidentes. O problema de quem preside ao Eurogrupo e ao mesmo tempo ocupam pastas no governo dos seus países é de terem de representar dois papéis. É como ser uma espécie de Dr. Jekyll e do Sr. Hyde.


Não conheço o que de facto se passa entre Costa e Centeno a não ser o que se diz na comunicação social, (o que se diz nas redes sociais está fora de causa se não for sustentado por factos considerados como validades e com fontes credíveis e não apenas em opiniões), mas há interesse para a direita em alimentar este tipo de confrontos. Porque como alerta o diretor do Gabinete de Estudos do Fórum para a Competitividade, Pedro Braz Teixeira, “a eventual alteração do ministro das Finanças durante a atual legislatura pode traduzir-se em “alterações significativas na condução da política orçamental”. “Uma alteração do ministro das Finanças pode significar alterações significativas na condução da política orçamental, tanto mais que tem havido uma cativação fortíssima das despesas” que o próximo ministro pode não conseguir manter.”.


Mário Centeno é um alvo a abater pelo menos por um motivo, a sua intransigência no que respeita ao acerto e excedente das contas públicas. É aqui que retomo a questão das intervenções externas.


Segundo especialistas, a consolidação orçamental, para a qual este orçamento parece apontar, é um conceito material que identifica o resultado das medidas de política financeira destinadas a reduzir o défice e a dívida e tem o seu antecedente imediato no equilíbrio orçamental e surge nos últimos trinta anos perante a proposta de recusar a criação de mais dívida pública.


Não é novidade que as esquerdas radicais pretendem aumentar cada vez mais a despesa pública sobretudo em aumentos e benefícios salariais para toda a função pública. Como não foram abertos os cordões á bolsa, daí a probabilidade de haver descontentamento à esquerda e à direita esta por motivo diferente e por mera oposição ao Governo, embora não se tenham pronunciado claramente. Para já a direita PSD “adiantou uma primeira opinião negativa sobre o documento”, “ainda que preliminar e à espera de uma avaliação mais cuidada” e "traduz claramente uma diferença absoluta" disse um porta voz do PSD, pelo que parece estar em desconformidade com o seu ponto de vista.


As opiniões da direita, consoante está ou não no poder, tem pontos de vista diferentes principalmente porque, durante anos, censurou o despesismo e a vocação dos governos socialistas por darem sinais de se poder viver acima das possibilidades.  


Quanto à esquerda mais radical tem motivos e legitimidade para contestar o primeiro superavit histórico da democracia. Se, em vez de se abrandar o esforço de consolidação orçamental, fosse transformado em despesa pública o BE e o PCP estariam em grande e aprovariam o orçamento e os sindicatos e corporações que gravitam à sua volta exultavam de alegria.    


Havendo contas certas e excedentes há que, segundo as centrais sindicais, começar a pressionar para se gastar apenas num sentido como têm demonstrado as ameaças públicas de luta que, os trabalhadores da função pública irão decidir, sejam manifestações, greves ou outras formas de luta.


Sindicatos, e também “ordens”, associam-se a lutas reivindicativas, até então geridas apenas pelos primeiros, são manobrados por líderes de esquerda e de direita, abrem e conduzem ao caminho que leva ao despesismo do Estado e consequente posterior aumento dos impostos que todos pagamos. Sendo grande parte reivindicada para salários o que resta para investimento público em setores mais carenciados como as polícias, a saúde e educação entre outros?


Se tudo o que se conseguiu nos últimos quatro anos derrocar teremos uma certa direita”, na retaguarda com timbre de hiena a rir com o significado social do grupo e a estabelecer entre si direitos ao “alimento”.


Permito-me fazer juízos de intenção e dizer é imaginável que a direita, hipocritamente, diga aos quatro ventos baixar impostos ao mesmo tempo que diz poder fazer mais investimento público e aumentos salariais como justeza reivindicativa, dizendo que não deseja instabilidade social, mas que afinal anseiam por ela. Lembremo-nos dos professores e da aliança negativa. Governo que cedesse às reivindicações e provocasse desvios orçamentais significativos seria a forma para fazer soar as vuvuzelas do socialismo gastador e da direita salvadora e regeneradora.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:19

Joacir Katar_Livre.png


Há pessoas que na ânsia de mostrar competência e conquistar visibilidade no “emprego novo” acabam por ser arrogantes e até querem mostrar “serviço” àqueles com mais experiência e tempo. 


Joacine Katar Moreira anda deslumbrada, fogosa, arrogante, desvairada até, com o seu estatuto de deputada. Julga-se com a capacidade para mudar Portugal e os portugueses e, por que não, o mundo.


A arrogância de Joacine Katar esconde o medo de rejeição. Sente-se dona de um pedaço que lhe foi concedido pelo voto e por quem a propôs como cabeça de lista e, por isso, ela dizer que “não sou descartável”. É uma forma de proteção para as dificuldades que ela sabe que terá de enfrentar no novo mundo e ambiente de trabalho. A sua arrogância pode ser uma tática para disfarçar fragilidades, inseguranças, dificuldades e até baixa autoestima. Este tipo de pessoa torna-se até de difícil convivência.


Joacine Katar tem a visibilidade que nunca teve e quer agora tê-la à custa da política, à custa da sua rebelião contra preconceitos. Talvez para dar nas vistas pelo ridículo, e não por ser contra falsos preconceitos, o assessor com saias mais parece uma estrela do burlesco que passou a frequentar o Parlamento. Mas o Parlamento não é nem pode ser um espetáculo de burlesco.


Desde o 25 de Abril nunca assistimos a uma tal situação. Katar ofende o Parlamento e ofende todos os que lá representam os portugueses defendendo apenas a política da identidade que é, para ela, apenas uma maneira de fazer política. O que ela defende deve inserir-se num contexto mais global e Katar que fazer apenas disso a sua bandeira pessoal como se os problemas de ser negra e ser mulher se resumissem apenas, e só, a isso. Como se eleger uma mulher negra resolvesse os problemas dos negros nas periferias de Lisboa.


Katar Moreira não gosta que a sua gaguez seja tema. Mas é. Ridículo é também ser destacado um GNR para a proteger de perguntas dos jornalistas. O que receia Joacir? A justificação é “decretada” pelo seu assessor de saias Rafael Esteves Martins: “Parece-me ocioso explicar que não há propriamente uma normatividade daquilo que se faz. Há culturas de trabalho, e a cultura de trabalho da senhora deputada é uma cultura de descanso no sentido intelectual do termo, ou seja, sem interrupções.” Afirmação que mais parece tirada dum manual de frases da impercetibilidade política. O desvario de Katar Moreira e do seu assessor é tal que parecem não perceber onde começa e termina o bom senso. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:33


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.