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A justiça do bom e do mau. E a do vilão?

por Manuel_AR, em 19.12.21

Juiz bom e mau.png

Sou, por natureza, desconfiado em relação às boas intenções dos artigos de opiniões que se publicam na imprensa que pretendem demonstrar isenção, mas que, afinal, são apenas isso, opiniões e, cada opinião sua sentença.

Também sou cético em relação aos comentários que se fazem sobre a atualidade política e, por isso, também aceito que achem o mesmo das opiniões e dos comentários que escrevo.  Uma opinião está imbuída de pontos de vista onde a falta de isenção e o sectarismo são facilmente constatados nos textos de quem os escreve.

Vem isto a propósito do artigo de opinião de João Miguel Tavares no jornal Público com o epíteto “Coitado do Manuel Pinho? Não. Coitados de nós.” Quanto ao título estou de acordo, já o mesmo não digo de outras partes do artigo que me pareceram serem tendenciosas.

Antes de continuar convém esclarecer que sou um “tipo” que detesto falcatruas, oportunismos, aproveitamentos, vigarices, trafulhices, branqueamento de capitais, aproveitamento de outros e do próprio Estado para enriquecer e viver à grande, fraude fiscal e fuga aos impostos, enquanto nós os pagamos com grandes sacrifícios. Abomino quem “sacou e saca” poupanças dos clientes dos bancos, “chicos-espertos” que se servem da política para obterem dividendos com negociatas onde perpassa a corrupção passiva e ativa, pagando e recebendo subornos, os que recorrem ao assassinato, se necessário, para evitar revelações sobre transferência de dinheiros, (como este, felizmente poucos), e por aí fora.

Mas não fico por aqui, detesto o arrastar do tempo anos e anos para que se faça justiça utilizando os mais diversos truques à disposição e as mais diversas justificações mais ou menos objetivas porque a lei as permite. São os megaprocessos, são as esperas de respostas de instâncias internacionais a quem foram requeridas informações, etc., etc., são os sucessivos pedidos de recurso sobre penas aplicadas e as prescrições derivadas por ultrapassados tempos legais dos processos. Mas isto é matéria para juristas analisarem. Falta de recursos, falta de material, processos difíceis de gerir por volumosos que são, tudo isto pode ser válido, mas quem tira vantagem disto são os transgressores a braços com a justiça.

O mais curioso também, por coincidência ou não, é que, próximo de tempos eleitorais, uma série de processos saem do torpor em que se encontravam, duma espécie de coma a que se juntam as novidades de outros que aparecem qual magia. E, curiosamente, a maior parte pela mão do mesmo juiz. Mas isto é impressão minha, o tempo da justiça é o que é, e pronto. Não acho mal desde que de facto a justiça funcione e termine célere.

Mas voltemos ao propósito que aqui me trouxe. João Miguel Tavares coloca dois juízes em dois níveis, um do seu agradado, porque implacável e justiceiro e o outro que deixa tudo passar, isto é, abraça a tese do advogado de defesa de Manuel Pinho que admitiu que o Ministério Público querer aproveitar o facto de a instrução do processo ter saído das mãos de Ivo Rosa para as mãos de Carlos Alexandre.

Para João Miguel Tavares, há juízes que fazem o bem perseguindo todos os que prevariquem e sejam oriundos de partidos da área da esquerda e os juízes que facilitam as coisas para o lado da direita, isto, provavelmente, em função dos seus ódios de estimação ou simpatias ideológicas e partidárias. Como ele é um ás da retórica escrita consegue sempre iludir os menos atentos evidenciando-se como um isento redator de opiniões que com o conhecido mecanismo de influenciador e de formação de opiniões

Para ele, JMT, há um juiz bom, o Carlos Alexandre, que “pode ter cometido erros ao longo da sua carreira, mas é um homem abnegado, que procura cumprir o seu dever e honrar o cargo que detém”. Cá está, um super-herói, um justiceiro que vem mesmo a propósito da Comic Con Portugal que se realizou entre 9 e 12 de dezembro do corrente. O outro, um vilão, senhor do mal, Ivo Rosa, “um destruidor de processos, com um ódio patológico à cultura de investigação do Ministério Público, confundindo diariamente o papel de juiz de instrução com o de juiz de primeira instância.”, e por aqui não se fica porque, diz ele, JMT, que “as suas interpretações delirantes são um manancial para expedientes dilatórios das próprias defesas, como se tem visto na Operação Marquês.”. Claro, cá esta´, a Operação Marquês”, Sócrates e outros como Manuel Pinho e outros tantos, todos eles pertencendo ao mesmo naipe odiado por Miguel Tavares que, suponho eu, nem deveriam ter direito a julgamentos, logo para a prisão direitinhos, porque o julgamento já se fez, e muito bem, na comunicação social.

Quanto ao outro lado, quando os crimes são procedentes da direita se não a omissão fica-se caladinho ou muito comedido nas críticas para que a opinião pública não fique com o sentimento de que as suas opiniões sobre o exercício da justiça são apenas para um dos lados.

Vejamos o que ele, JMT, escreve: “Não faltam por aí rumores de estratagemas usados por procuradores para evitar que lhes caia a fava de terem Ivo Rosa como juiz de instrução. Note-se, contudo, que esses estratagemas não existem porque os procuradores só gostem de juízes “fáceis”. Eles existem porque é impossível trabalhar com Ivo Rosa em matérias de criminalidade económica. Não por ser um juiz de instrução rigoroso, mas por ser um fetichista da lei que descobre tantas e tão criativas ofensas a direitos fundamentais que acaba a trucidar o direito mais fundamental de todos para quem veste a beca de juiz – a procura de justiça”. Fantástico, não é?

Como já escrevi no início o que vem a propósito é o meu ceticismo quanto à justeza e isenção das opiniões traçadas por opinion makers que no olho do lado direito utilizam uma pala translucida e com o olho esquerdo destapado fazem parecer mais nítidas as visões de fação. Assim, também, quando escrevo, não consigo esconder a fação, mesmo ao tentar esboçar as minhas visões com os dois olhos, sem pala.

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publicado às 15:43

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Quem sou eu para, bem ou mal, comentar o que doutos comentadores, professores catedráticos, experimentados políticos, advogados chamados para comentadores, conceituados jornalistas e muitos outros, muitos deles sentados nos bancos do serviço público que nada têm a perder.  A estes podemos juntar ainda os que se movem no mundo do privado que escrevem, opinam e publicam nos vários órgãos de comunicação social da imprensa à televisão.

Quando emito uma opinião, por muito fundamentada e acertada que seja, consegue ser, para frequentadores das redes sociais, menos credível do que as “fake news” que eles partilham e multiplicam num ápice.

Entendo que a análise política é diferente do comentário e da opinião política. Assim, uma afirmação sobre um facto pode ser comprovada como verdadeira ou falsa. Um comentário é algo que se diz ou escreve e que expressa uma opinião pessoal. Expressa sentimentos subjetivos sobre um facto ou factos, mas que não podem ser provados. As opiniões podem ser baseadas em factos e, muitas vezes pretendem aliciar outros deliberadamente para as posições de quem as emite. A análise política grosso modo aborda ou aprofunda a origem dos sistemas políticos e o modo como se desenvolvem e funcionam. Pesquisa e analisa governos, ideias políticas, políticas, e as suas tendências entre outros temas.

Quando o comentário e a opinião pretendem ser preditivos e substituir-se à análise política transformam-se duma espécie de oráculos o que é frequente verificar-se nos comentários e nos frente a frente televisivos.

Considerar que face a acontecimentos presentes comparativamente com o passado colocar várias hipóteses que poderão ser confirmadas, ou infirmadas, é uma coisa, outra é, dizer-se que vai acontecer isto ou aquilo com base em circunstâncias tão fluidas como são as da política. Vejamos o seguinte exemplo: quando se afirma que a “geringonça” chegou ao fim, ou que a destruição da esquerda está à vista, ou que a direita não ganhará as próximas eleições através de informações vagas e dados insuficientes é aproxima-se de oráculos.

O prof. Fernando Rosas, pessoa por quem tenho imensa consideração enquanto intelectual de esquerda, escreveu num artigo de opinião no jornal Público a propósito do “tempo dos oráculos da desgraça” que vê numa “campanha destinada a tentar fazer as forças de esquerda pagar a ousadia de, desta vez no seu conjunto, votarem contra o Orçamento de Estado (OE). À exceção dos seus próprios argumentos e predições tudo quanto se alvitrar sobre isto do que possa acontecer à esquerda são oráculos. Considera que “há uma vaga oracular que assenta num punhado de fábulas mistificadoras” que tenta justificar.

Sobre os oráculos em geral concordo com Fernando Rosas, porque há muitos comentários e opiniões que por vezes são mais oráculos do que pontos de vista. A tentativa de desconstrução das opiniões que ele toma como fábulas mistificadoras vão no sentido de purificar os falhanços do BE devido a radicalismo e sectarismo. Note-se que o prof. Fernando Rosas foi um dos fundadores do Bloco de Esquerda.

Fernando Rosas apresenta quatro pontos, a que chama fábulas mistificadoras, que, segundo ele fundamentam a sua tese.  Razões que, na minha opinião, fogem às verdadeiras questões. Foi criada uma crise sim porque se ousou “votar contra um OE por se considerar que ele não serve os interesses do país” e sim foi uma “irresponsabilidade” apesar de haver “outras soluções constitucionalmente possíveis.” Seria que qualquer uma dessas outras soluções, dado os pressupostos do PCP, e, sobretudo, os do BE evitariam uma crise num futuro próximo?  Creio que não porque estas forças quiseram impor o seu próprio orçamento ao Governo descaracterizando o inicial.

A segunda que Fernando Rosas aponta como mistificação é uma falácia baseada numa hipotética obsessão de António Costa por uma maioria absoluta e que, por isso, desejava uma crise. Este ponto é uma possibilidade sem fundamento. O desejar-se algo não significa que esse algo aconteça, aliás há sondagens que neste momento desmentem tal argumento.  A crise foi desencadeada pelo PCP e pelo BE porque foi evidente que de facto que “o Governo “cedeu tudo o que podia ceder” para salvar o OE. Sim, tendo em vista as boas contas públicas com redução possível do défice e redução da dívida. O BE não entende isso dos mercados e das dívidas dos países, ou melhor, entende, mas como é pela revolução permanente deveria cortar-se com o Mundo. Os restantes argumentos do segundo ponto são pontos de vista subjetivos e muito discutíveis.

O terceiro ponto ou mistificação passa, segundo diz Fernando Rosas, por ser uma dramatização sobre o que perdem os funcionários públicos ou os pensionistas pela não passagem do OE ao escrever que o “Governo em funções pode e deve, mesmo sem aprovação do OE, proceder aos aumentos e atualizações anunciados para cada um destes casos”. Então, assim sendo, os OE em alguns casos são uma espécie de jogo que se faz entre partidos e que, aprovados ou não, tudo pode continuar como se nada tivesse acontecido. Parece-me uma visão um pouco enviesada.

A quarta mistificação apresentada por Fernando Rosas é quando escreve que é um oráculo feito por alguns que “faz furor no comentário político dos oráculos, é de que a esquerda que hoje não se entende não será solução para uma maioria futura”. Acrescenta ainda que este é um “argumento surpreendente, pois é a direita que parece estar triplamente descredibilizada”, e “porque é ela que se esfarela em cruentas lutas intestinas para saber quem apresenta ao ato eleitoral e que “para governar, as direitas todas juntas precisam de maioria absoluta e parecem estar longe dessa possibilidade”.

Será assim? Verdade é que a direita anda descredibilizada e em lutas intestinas e por isso não terá maioria para governar. Estes argumentos também me parecem ser oráculos. E se, entretanto, a direita se conseguir reorganizar?

O argumento que faz depender dos problemas internos nos partidos de direita e das circunstâncias políticas atuais um possível entendimento à esquerda, parece-me estar a desvalorizar qualquer hipótese de a direita vir a ter maioria. Repare-se que no caso do PSD se Paulo Rangel ganhar a liderança assumiu acordos com a Iniciativa Liberal. Por outro lado, o CDS está a ser desfalcado de militantes que, na melhor das hipóteses, irão engrossar o IL e já não incluo o Chega. O imprevisível em política acontece.

Mantendo-se os partidos à esquerda do PS, PCP e BE, irredutíveis e na negação de cedências e de acerto de alguns consensos e compromissos é também provável que, mesmo que uma maioria de esquerda saia das próximas eleições, seja mais difícil manter-se um acordo semelhante ou melhor do que a passada “geringonça”. O contrário disto será um otimismo e uma profecia de Fernando Rosas. As dificuldades que existem na direita são um argumento aceitável, contudo, quem diz que após a sua organização maioria de direita não poderá vir a ser uma possibilidade, então, lá estará a esquerda toda tramada. E a responsabilidade será então de quem?

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publicado às 19:04

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Quatro dos jornais diários em Portugal salientaram ontem nas suas primeiras páginas a notícia da eleição de Bolsonaro, cada um dando-lhe mais ou menos relevo o que pode mostrar maior ou menor simpatia pelo resultado de acordo com a sua tendência.


O Jornal de Notícias salienta que Bolsonaro promete resgatar o país e, em subtítulo menos evidente diz que Bolsonaro promete defender a democracia e a liberdade. Por sua vez o jornal i salienta com mais evidência a mesma frase do eleito Presidente. O Diário de Notícias em letras gordas


O jornal Público salientou que a extrema-direita chega à presidência num Brasil dividido.


O Diário de Notícias em letras gordas salienta apenas Brasil: Bolsonaro Presidente. O Correio da Manhã moderou na sua primeira página a importância da eleição de Bolsonaro colocando em lugar pouco destacado, no canto superior esquerdo da página, uma fotografia do eleito e a frase “Bolsonaro é o novo Presidente do Brasil”.


Através dos destaques podemos verificar o grau de apoio dado por estes órgãos de comunicação à fação que levou Bolsonaro a Presidente do Brasil.  As hipóteses a considerar é que:


Jornais diferentes encontram-se veiculados a ideias diferentes;


Consequente da anterior hipótese é de considerar que se façam juízos diferentes consoante os blocos;


Verifica-se a validade da existência dos juízos de valor diferentes sobre cada um desses blocos.


Assim, os critérios dos jornais analisados para os agrupamentos de blocos podem existir afinidades político-económicas e ideológicas e poder de intervenção e de potenciar influencia ideológica ao nível nacional.


Verifica-se então que, no que se refere à notícia em questão, o espaço ocupado pela respetiva notícia há disparidade no tratamento da notícia salientando-se o jornal Público como tratamento desfavorável e o Correio da Manhã apresentado neste caso uma certa neutralidade.


Por outro lado, há que referir ainda que são atribuídos juízos de valor diferente ao mesmo bloco dos jornais analisados em função da imagem ideológica que se possa ter de cada um dos jornais.

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publicado às 09:05

JMT_defensor da classe média.pngSão várias as artimanhas de que alguns “fabricantes” profissionais de opiniões servem para, demagogicamente, conseguir atingir os seus objetivos pela deturpação de factos dando-lhes contornos falaciosos que levem a opinião pública a concordar com as suas opiniões aceitando-as como verídicas.


É o caso de João Miguel Tavares que hoje escreveu um artigo no jornal Público sobre a denominada “Fat Tax”, imposto que irá ser lançado sobre alguns alimentos considerados com excesso de açúcar e gordura. Diz ele que “São as famílias da classe média e indivíduos da classe baixa que vão à McDonald´s e compram pizzas”.  Reparem só, uns são famílias da classe média, os outros, os da classe baixa, não têm direito à qualificação de família, são indivíduos. Terá sido um   lapsus linguae?


Depois de Arnaldo de Matos do MRPP que dizia ser o grande dirigente e educador do proletariado, e Mao Tse Tung o grande educador do proletariado internacional das nações e povos oprimidos, Miguel Tavares passou a ser o grande defensor da alimentação da classe média e das classes baixas zelando pelo seu interesse contra um imposto cujo valor ainda é desconhecido e se espera não terá peso significativo no preço final do produto. Para ele será o descalabro porque a base da alimentação da classes que pretende defender são o McDonald´s e as pizzas.


Não frequenta de certo os supermercados de média dimensão em dias de promoção para vislumbrar o que estas classes compram. Para o grande defensor daquelas classes a base alimentar encontra-se na frequência de tais restaurantes e na encomenda de pizzas.


Lamentável é que, durante o governo neoliberal de Passos Coelho, raramente ou nunca se tenha empenhado na defesa daquelas classes que agora quer proteger dos malefícios dum tão importante imposto. Pelo contrário, defendia e justificava os cortes e a austeridade sem alternativa para as classes que agora, pretensamente, quer livrar de tão grave imposto.


Para cair no ridículo nem as penas lhe faltam.

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publicado às 16:17

Confuso ou talvez não

por Manuel_AR, em 26.09.16

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Duma maneira geral a comunicação social é vista como um dos fatores mais responsáveis pela criação de instabilidade social e de desconfianças sobre as práticas políticas dos diversos atores em presença. Não inventa as notícias, elas existem, mas molda-as, adequa-as para terem mais impacto, alterando ou acrescentando sentidos. Os objetivos para tal podem ser vários e dependem das linhas editoriais, da necessidade de amplificação do impacto que o acontecimento ou a notícia possam ter para atrair o interesse do público para a compra e, no caso da televisão, para o aumentar as audiências.


Sem que seja caso único é um bom exemplo o que tem alimentado nos últimos dias, debates, notícias, informações e contrainformações sobre o caso dum potencial imposto sobre o património acumulado desnecessariamente causado por Marina Mortágua do BE.


A liberdade de imprensa que temos (impressa e televisiva) é um bem que deve ser preservado, contudo, corre sempre o risco de estar a ser limitada, condicionada, mesmo não existindo trâmites censórios próprios dos regimes ditatoriais, como era no tempo de Salazar e Caetano.


A pergunta que podemos colocar é a de saber se em democracia existe ou não uma tendência para o controle da comunicação social por grupos económicos através de "correias de transmissão" ligadas a ideologias e partidos políticos, mais ou menos dissimuladas.


A análise dos jornais, noticiários e comentários televisivos mostra-nos algumas tendências que se manifestam mais a favor, ou mais contra, consoante o ponto de vista ideológico de quem está no poder.  


Não deve ser noticiado apenas o que é bom e agradável mas estamos exaustos de ver e ouvir todos os dias notícias negativistas, o fatalismo como sendo as únicas notícias. Noticia-se o que é superficial e fútil e não o relevante. Sabe-se, eles sabem, os da comunicação, que isso é que "vende" e, por isso, insistem. A competição comercial entre canais a isso obriga, deixando a ética como se fosse um objeto sem valor. Espetacularização e sensacionalismo são a chave do negócio.


O alinhamento noticioso dos canais de televisão começou a adotar o modelo de outros canais como o CMTV onde, diariamente, se gasta tempo demais com são oferecidos crimes, marginalidade, corrupção, dinheiro sujo, estúpidos concursos, factos privados enfatizados ad nauseam, gira-se à volta de quem tem dinheiro e declarações de má política, mas compacta-se ao máximo no espaço e no tempo uma qualquer ideia, reflexão construtiva ou qualquer contributo positivo.


O que vemos nos canais noticiosos será de facto o retrato do país onde tudo o que acontece é mau? Desde que não esteja em linha com o que ideologicamente eles, os senhores dos comentários, pensam e que acham deveria ser e porque se quer estar do lado dos opositores que perfilham é tudo mau. Foi assim no passado recente, mas ao contrário.


Não se pode ser otimista irrefletido mas, o que se vê na "fotografia" dos media é um pessimismo paralisante e um fatalismo permanente. Comentar é também criticar com imparcialidade, com isenção, não apenas atacar por mera fação e questão ideológica de que, afinal, acusam outros. Ou, então, criticam porque sim.


Penso que já referi várias vezes neste blog a impressão negativa que tenho sobre alguns comentadores da televisão e sobre artigos de opinião escritos, independentemente de estar ou não de acordo com eles, venham da direita ou da esquerda. Nem tudo o que uns gostam de ouvir ou ler agradará a outros. Uma coisa é o debate de ideias e de pontos de vista em democracia, outra é o "arranjo" argumentativo falacioso propositadamente construído com deturbação e interpretação abusiva de opiniões, acontecimentos ou factos ainda não comprovados. Outro caso ainda é dizer-se que uma coisa é preta quando é evidente a perceção comprovada de que é branca. Isto é, nega-se uma realidade, lança-se-lhe umas pinceladas de frases mais ou menos demagógicas e populistas para se poder a continuar a dizer que aquela coisa é preta.


Neste segundo semestre aconteceu haver uma agitada dança de cadeiras a nível das direções em jornais e rádio, o que para o cidadão comum não é novidade. As justificações são sempre as mesmas, reorganizações, ajustamentos, rentabilizações, etc. e, por vezes, estas mudanças estão também ligadas a mudanças de orientação editorial. Desta vez estas mudanças verificam-se ocasionalmente num ano em que um Governo é apoiado por uma maioria parlamentar de esquerda.


Na direção do Diário de Notícias encontra-se desde setembro Pedro Baldaia que era diretor da TSF; David Dinis que saiu do jornal Sol, fundou com outros o jornal online Observador e foi para diretor da TSF donde sairá para passar a dirigir, a partir de 3 de outubro, o jornal Público. Também, José Miguel Tavares, passou a ter direito naquele jornal a mais um diazinho por semana para divulgar as suas facciosas opiniões. A direção do jornal i que mudou várias vezes (em pouco mais de seis anos de vida, o jornal já teve quatro proprietários e sete direções), cabe desde 15 de dezembro de 2015 a Mário Ramires que também é presidente do conselho de administração da proprietária do jornal, a NEWSPLEX, SA., e também do semanário Sol. O jornal i e o Sol anteriormente pertenciam à Newshold, empresa angolana liderada por Álvaro Sobrinho que tinha investido na entrada do capital da Cofina, (dona do "CM" - Correio da Manhã) e da Impresa (dona do Expresso).


A crise que há na imprensa escrita vai alastrando e por ela a liberdade de expressão dos jornalistas pode ser condicionada face a uma potencial perda de emprego à vista. As razões apresentadas são várias, normalmente de natureza financeira e económica que levam ao despedimento e a rescisões por mútuo acordo de jornalistas. A razão para que este ano exista tal azáfama leva-me a pensar. Mas isto de momento não nos interessa.

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publicado às 16:55


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As sanções a Portugal, são um tema arrastado, com o entusiasmo da maior parte dos órgãos de comunicação social. Embora não avancem nada de novo vão especulando e oraculizando medidas, intenções, punições, cumprimento rigoroso das regras europeias apenas para alguns, é claro emparelhando com os partidos da direita, agora sentados no banco da oposição.


As declarações dos partidos sobre as ditas sanções, cujos trâmites se arrastam quais barqueiros rebocadores dos barcos do Volga, mais parecem treinadores de bancada a falar.


Os treinadores de bancada gritam para o ar, e para os seus vizinhos de bancada mais próximos, orientações aos jogadores, faz isto e não aquilo, se eu lá estivesse haviam de ver, vai para a rua e outras censuras. Quando o seu clube perde gritam que foram roubados e a culpa é do árbitro, do treinador e do selecionador.


Assim parece Assunção Cristas líder do CDS e a antiga Ministra das Finanças do Governo de Passos Coelho que apoiam uma direita europeia que está a pressionar o Governo português assim como outros políticos portugueses de outros quadrantes que gostariam de ver descarrilar a estabilidade governativa e social que até agora se conseguiu, vendo nas sanções uma oportunidade para colocar pauzinhos na engrenagem para conquistarem a hegemonia perdida.   


Peroram sobre as sanções que têm como base o défice dos anos de 2013-15, que se refere ao passado, o deles, mas vislumbrando causas para tal no presente e no futuro.


Fazem o mesmo exercício que os treinadores de bancada. Gritando que a culpa é do atual Primeiro-Ministro e do ministro das Finanças que não souberam negociar, deduz-se que deve ser sobre aquilo que eles próprios prometeram e não conseguiram. Se eu estivesse lá não seria assim, grita agora da bancada Maria Luís Albuquerque, etc..


O patriotismo de lapela serve agora como justificativa para prejudicar o país.


Segundo o jornal Público até Cavaco Silva, “estraga unanimidade do Conselho de Estado sobre sanções”. Independentemente do cumprimento rigoroso do que está determinado pelas das regras do Tratado Orçamental, pelo menos internamente há que haver algum decoro na defesa do interesse de Portugal que está a ser palco de experimentações de regras que, até hoje, não foram aplicadas a nenhum país que estivesse em incumprimento.


Claro que a Cavaco, visto não haver um Governo da sua preferência, apoia as sanções, numa tentativa frustrada de aparente imparcialidade. O que fica por provar é se, nas mesmas circunstâncias, e com um Governo da sua fação, tomaria a mesma posição.


Acrescem ainda sábios comentadores de economia como José Gomes Ferreira da SIC, que diz que as sanções vão implicar austeridade e mais medidas que já constam. Se não constam agora irão constar. Lança achas para a fogueira em vez de ajudar a acalmar o fogo em nome de todos. Mas a obsessão da desculpabilização da herança das sanções sobrepõe-se ao interesse e à defesa do país. Não há plano B, mas tem que haver. Se não é agora, é amanhã. Se não for amanhã será no futuro. Mas será. Que desejo mais obsessivo e pleno de contentamento!


As instituições da U.E. mais parecem grupos semelhantes a “bullies”. Estes, como cobardes que são, rodeiam-se de outros, e escolhem sempre os mais fracos para exercer a sua violência, seja ela física, moral e, ou, emocional sobre outros seus pares nos espaços que ambos frequentam.

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publicado às 18:31

O engraxador dos portugueses

por Manuel_AR, em 22.01.16

Marcelo_Engraxa_Sapatos.pngAproxima-se a data da eleição para a Presidência da República que deu uma sensação de perda de dignidade e falta de valor pessoal por parte da maior parte dos candidatos. Marcelo já ultrapassou largamente a votação obtida pela direita nas legislativas de outubro (36,86%), mas está à frente nas sondagens com vantagem de apenas 1,8% para obter maioria absoluta e ganhar à primeira volta.


Apesar de Marcelo avisar que a sua candidatura não é a segunda volta das legislativas, a direita quer arrecadar dividendos políticos e daí aposta tudo em Marcelo Rebelo de Sousa. Maria de Belém que poderia ser o bolo que a direita inicialmente pretendeu abocanhar, já que Marcelo lhe apresentava muitas reticências sobre a posição tomada sobre o atual Governo, e porque, querendo apanhar tudo, atirava à direita, à esquerda, ao centro, em suma, a tudo quanto mexia. Mais uma vez a esquerda dividiu-se e a direita concentrou-se em volta dum candidato. A esquerda não aprende com os erros, os pontos de vista ideológicos e partidário, até para a presidência, tolhem-lhe a racionalidade.


Inexplicáve,l aprioristicamente, é como Marcelo Rebelo de Sousa conseguiu entrar também no eleitorado de esquerda. A confusão dos eleitores é tal que começa a perguntar-se como é que, existindo um Governo que resultou duma negociação à esquerda, nesta campanha eleitoral para a Presidência da República mostra-se a mais dividida de sempre.


O pior candidato pela sua arrogância e falta de tento de oportunidade política é Cândido Ferreira, pessoa em quem nunca votarei, mas que acertou na mouche quando disse que "ser Presidente da República não é a mesma coisa que participar num casting par um Big Brother". De facto isto aplica-se a todos os candidatos, nomeadamente a Marcelo Rebelo de Sousa" que parece estar num concurso para ver se fica na "casa" e ganhar o prémio de Presidente. O populismo é tal que até pede para lhe engraxarem os sapatos, ou será que ele tem andado anos a engraxar os portugueses?


Não tivesse ele a visibilidade que a televisão lhe deu e estaria ao nível de todos os outros candidatos, ou pior.

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publicado às 14:57

Schauble_Passos_Maria Luis.png


 



  1. Diz-se que Portugal e a Espanha tentaram bloquear o acordo com a Grécia. Houve um desmentido muito pouco convincente. O presidente do Eurogrupo veio tentar dizer o contrário, mas não o disse nem, desdisse. "Por sua vez o ministro Varoufakis defende que Portugal e a Espanha tenham a política interna como preocupação. Ver vídeo.

  2. Cada qual assume as suas dores e as suas curas. A direita, preconceituosa pela vitória arrasadora da esquerda que eles dizem radical, afirmam categoricamente da sua cátedra, que a Grécia capitulou e retrocedeu, outros com pensamento mais moderado e claro afirmam que a Grécia tem um plano estratégico para ultrapassar este primeiro embate e que depois logo se verá. É isto que preocupa a direita. Portugal país governados por acólitos pró-germânicos já nem sabe o que há de dizer. E, cada vez que falam, afundam-se mais.

  3. Passos defendeu a criação de um Fundo Europeu para "retirar a fratura política" dos programas. Se bem me lembro isto do Fundo Europeu já foi proposto em tempos, não por ele, solução com que na altura não concordou. Mas quem se julga ele e que peso político e credibilidade pensa ele que tem na europa para ter a veleidade de propor seja o que for. Ele é apenas um joguete da Alemanha. Se não dá conta disto falta-lhe qualquer coisa…

  4. A bailarina acrobática, Paulo Portas, afirmou que Portugal mudou o ciclo económico. Está a defender uma das suas pastas gerida por Pires de Lima. Gostaríamos de saber qual a estratégia para pagar uma enorme dívida que um crescimento incipiente não vai ajudar. A recessão ficou para trás diz ele e que Portugal já passou pelos anos "mais difíceis". As aldrabices são tantas que se a coligação vier a ganhar as próximas eleições já sabemos com o que podemos contar. Só se deixa enganar mais do que uma vez quem quiser. A Grécia foi um exemplo de políticas idênticas postas em prática por sucessivos governos que seguiram a mesma linha. O povo grego foi enganado mais do que uma vez e fartou-se. A radicalização foi a solução.

  5. Façamos uma leitura atenta e interpretativa das seguintes palavras do ministro das finanças alemão Schüble: "Os gregos certamente vão ter dificuldades em explicar este acordo aos seus eleitores.". Conhecendo nós as declarações, pressões, e até ameaças, que alguns dos representantes do Eurogrupo fizeram sobre os representantes do governo grego, nomeadamente o ministro das finanças alemão, compreendemos bem onde este pretendeu chegar. O objetivo foi o de levar Varoufakis e Tsipras a ceder às exigências e às pressões de modo a provocar uma deceção nos eleitores quanto às promessas eleitorais do Syriza, pondo em causa o partido que os elegeram. Isto é um preconceito antidemocrático revelador das políticas de Merkel e Schäuble. Apenas os partidos que aprovem são os legítimos mesmo que o povo pense o contrário. Fartos como estão os gregos dos partidos que os governaram antes subservientes com uma austeridade sem resultados duvido que vão noutra direção.

  6. Passos Coelho diz que a dignidade nunca esteve em causa. Saberá por acaso o que isso é? Ele que sacrifica o povo aos números, assim como o que com mais gravidade aconteceu na Grécia, desconhece que a dignidade é o valor que tem todo o ser humano enquanto ser racional e livre e o respeito como pessoa, em si mesma e nos outros. Uma parte substancial da população lançada na pobreza donde nunca mais sairá não foi traduzida em perda da dignidade? Não admira que um político inculto como Passos e o seu governo não saibam o que significa o conceito do valor dignidade. A quase submissão cega e acrítica a um país estrangeiro não será perda de dignidade?

  7. Passos refugia-se no passado dizendo que, a com a entrada da troica, Portugal é que perdeu a dignidade. E, quando afirmou que o programa da troika era o seu programa e que tinha que ir para além daquele programa não pôs em causa a dignidade dos portugueses? Passos tem que rever princípios essenciais sobre valores humanos e sociais que um político tem por obrigação conhecer. Já houve alguns políticos que, no passado, os rasgaram e deitaram para o lixo. Recorde-se no que resultou. Estamos na agora a passar pelo mesmo mas em "modo soft".

  8. Diz Passos Coelho "temos hoje mais camas, mais médicos, é factual, mais atos praticados, mais assistência garantida" no SNS. A que país se está a referir? Será à Alemanha? Terá ele necessitado de frequentar o SNS e constatado o facto? O facto é: "hospitais públicos com menos de 430 camas em três anos". O facto é: haver médicos de família dos centros de saúde com receio de passarem exames auxiliares de diagnóstico. O facto é: corredores cheios de doentes em macas esperando horas para serem atendidos, alguns até falecendo de permeio. O facto é: diretores a demitirem-se nos hospitais por falta de meios. O facto é: redução de camas e queda de internamentos de 844 mil em 2012 para 687 mil em 2014 (ver Público p. 5).

  9. Num artigo de opinião embaixador da Alemanha em Portugal, Ulrich Bradenburg, vem ajudar o Governo de Passos Coelho e, ao mesmo tempo passar um detergente pela face da Alemanha dizendo que no "saldo comercial bilateral com a Alemanha, Portugal consegui abrir novos mercados" e que "jogamos todos ma mesma equipa: Europa". Claro que faz o seu papel tecendo elogios as seu país, contrariamente a Passo que faz o papel do bom aluno subserviente.

  10. Passos Coelho disse ontem no Parlamento a um deputada do Bloco de Esquerda que estava obcecada com a Alemanha. Face à subserviência e vénias ao ministro Schäuble quer do primeiro-ministro, quer da sua ministra da finança não será caso para isso? Diria mais, não é obsessão é antes preocupação. Penso que não se trata de ser ou não antialemão mas há limites para o que se diz e para a forma como se defende a política nacional na Europa. 

  11. Maria Luís aceitou acordo com a Grécia mas exige informação para acompanhar o processo. Governo "desmente categoricamente" ter estado contra o acordo. Ministra foi "exigente nos procedimentos" e quer conhecer compromissos gregos. Varoufakis alega "boas maneiras" para não comentar. Será que Maria Luís se enxerga para pensar que é um peso chave nas decisões em contexto europeu?

  12. A bacoca ministra das finanças Luís Albuquerque numa entrevista ao jornal alemão Handelsblatt explicou simploriamente a questão da dívida, tal e qual um aluno do nono ano de escolaridade, da seguinte forma: “Se eu pedir um crédito a um banco, eu tenho de reconhecer a obrigação de pagar o dinheiro de volta. Tenho também de oferecer garantias. Não funciona de outra forma”. A seguir explicou que é do interesse de todos que as regras sejam cumpridas. Se assim for, “são bem-vindos no clube”. A senhora bem se pode esforçar para explicar como faria com o crédito pedido para a sua casinha. A complexidade de um país é mais do que isso. O que não explicou foi como faria se, perdendo a capacidade de cumprimento porque a obrigaram a perder o emprego, lhe negaram a possibilidade de crescimento (leia-se não arranjava outro emprego), os impostos altos lhe levavam as poupanças e o negócio que ainda tinha em mãos não dava para o pagamento dos juros que consumiam o que lhe restava dos recursos. Pretendendo mesmo assim cumprir os compromisso perante o banco o que faria a senhora em elação a isso?

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publicado às 20:32

Contradições e mentiras

por Manuel_AR, em 24.01.15

Verdade e mentira.png


Passos Coelho, mais uma vez, tentou deturpar o sentido das suas afirmações e mentiu ao afirmar que nunca tinha sido contrário à intervenção do BCE quando foi questionado sobre a medida anunciada por Mario Draghi para estimular a economia europeia nomeadamente através da compra de dívida. O primeiro-ministro não manifestou muito interesse nem deu muito relevo ao cas. Ora a verdade é que o primeiro-ministro disse esta sexta-feira que é "bem-vinda" a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de comprar dívida pública e que espera que ela "seja tão eficaz quanto se deseja".


 


Contudo, a 16 de Maio de 2014, Passos Coelho tinha dito em entrevista à CNBC, afirmou na altura da saída da troika, que apesar do importante papel do Banco Central Europeu (BCE), não era partidário de um mandato diferente” para esta instituição, que “contribuiu para a frágil, mas ainda assim recuperação na Europa.



Explicou que discordava da compra de obrigações: “Este tipo de política não é normal para o BCE, que já dispõe, por exemplo, de mecanismos de intervenção para evitar a fragmentação financeira”.


À semelhança dos partidos do Governo que aproveitam sempre a oportunidade para recuarem ao passado também é agora a nossa vez de recordar o que em junho de 2012, no Parlamento, em resposta ao então líder do PS António José Seguro, Passos Coelho disse ao opor-se à compra de dívida por parte do BCE e explicava também porquê.


Leia-se o que ele disse naquela data na Assembleia da República:


 


O que é que o Sr. Deputado quer significar com «um papel mais ativo do BCE»? Se o Sr. Deputado, como o Partido Socialista tem vindo a expressar, entende que o BCE deve atuar em mercado secundário, com programas mais intensos, de compra de títulos de dívida soberana dos diversos países, se entende que o BCE, com um papel mais ativo, deve ser o financiador dos défices gerados pelos Estados, sendo, portanto, nessa medida, um prestamista de última instância de cada soberano da zona euro, Sr. Deputado, se é isto que entende, deixe-me dizer-lhe que não concordo e não preciso de pedir licença a ninguém, nem em Portugal, nem na Europa, para lhe dizer aquilo que penso.


Aplausos do PSD e do CDS-PP.


E digo-lhe por que é que não aceito essa visão, Sr. Deputado! Não aceito essa visão, em primeiro lugar, porque não cabe ao BCE, em circunstância nenhuma, exercer um papel de monetização dos défices europeus;… O Sr. João Galamba (PS): — Falso!


O Sr. Primeiro-Ministro: — … em segundo lugar, porque o BCE ç, talvez, a instituição, ao nível da União Europeia, com mais credibilidade e mais força para atuar em momentos tão críticos como os que atravessamos e, por isso, qualquer descredibilização do seu papel, face àqueles que são os seus objetivos e àquele que é o seu mandato, corresponderia ao fim do euro e da União Europeia, tal como a conhecemos; ….


 


Em síntese:


“Se o senhor deputado entende que o BCE deve atuar em mercado secundário com programas mais intensos de compra de títulos de dívida soberana dos diversos países; se é isto que o senhor deputado entende deixe-me dizer-lhe: não concordo e não preciso de pedir licença a ninguém - nem em Portugal, nem na Europa – para lhe dizer aquilo que penso. Não aceito essa visão porque em primeiro lugar não cabe ao BCE em circunstância nenhuma exercer um papel de monetização dos défices europeus”


 


Segundo o jornal Público, no seu editorial, também mostra que há menos de um ano, no Parlamento, o primeiro-ministro disse no Parlamento que seria "errado" o BCE comprar dívida pública o que seria "impossível, inconcebível"…


Por sua vez os partidos da coligação, ainda segundo o jornal Público, "não se manifestaram muito efusivamente com a iniciativa de Mario Draghi nem ao menos a ideia de poderem vir a potenciar os seus efeitos benéficos sobre a vida dos portugueses".


 


Como é sabido Angela Merkel não é nem nunca foi favorável a esta decisão de Mario Draghi e continua a dizer que as políticas até agora seguidas foram e continuarão a ser as melhores, ideias que são seguidas com rigor e submissão por Passos Coelho ao posicionamento da Alemanha contra estas medidas que designam intrusivas, e, pelos vistos, também, pelos grupos parlamentares da maioria.


Há um germanismo político seguidista e subserviente pelo primeiro-ministro, pelo seu Governo e pela maioria que o sustenta preferindo submeter Portugal em vez de o defender.


Nas próximas eleições também deveremos ter isso em conta.


 

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publicado às 19:58


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