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Desde que o partido Socialistas está no Governo nunca se viu um Orçamento de Estado com tão difícil negociação. O BE e o PCP jogam a cartada política mais vil: a chantagem. Outra coisa não seria de esperar se tivermos em conta que ambos têm saído prejudicados nas eleições desde que iniciaram acordos com o PS tendo sistematicamente perdidos votos entre 2015 e 2021 quer nas eleições legislativas quer nas autárquicas.

Legislativas

PCP-PEV                 BE

2011      7,91%        5,17%

 2015     8,25%        10,19%

2019      6,33%        9,26%

Autárquicas

PCP-PEV               BE

2013    11,06%      2,42%

2017    9,45%        3,29%

2021    8,21%        2,75%

Estes dois partidos lutam pela sobrevivência e o PS pela manutenção do poder e dos eleitores que, por razões várias, não lhe têm dado maioria absoluta, o que poderia contribuir para manutenção da estabilidade. Parece que, todavia, recordando ainda outras maiorias absolutas por coligação, estas de direita e de má memória, a aparada tem sido evitá-las, e as campanhas do PCP e do BE nisso têm apostado. 

Os partidos de extrema-esquerda soft como são o PCP e o BE não são muito dados a consensos, dadas as suas próprias características ideológicas receiam poderem vir a ser considerados colaboracionistas com governações a que chamam de direita que, para eles, são todos os que não sigam as regras revolucionárias e reivindicativas sejam elas leninistas ou trotskistas.

Estes dois partidos têm praticado durante as conversações do orçamento para 2022 uma espécie de hooliganismo político-partidário de origem umbilical disfarçados de lutarem pelos interesses do povo e dos trabalhadores, centrando-se em princípios que, para eles, dizem serem irredutíveis. Utilizam todos os meios de pressão muitas vezes associando-se a coligações negativas com as direitas mesmo que estas sejam prejudiciais ao país. Os princípios irredutíveis são os que atraem as massas trabalhadoras das classes mais baixas como salários, regalias e menos horas de trabalho, sem medirem as consequências que daí advêm para todos. Tudo o resto são alvos a abater.

É certo que os acordos não são fáceis e exigem sacrifícios de todas as partes. Quando se pretende avançar é preciso estar disposto a isso e estar na disposição de abandonar transitória e temporariamente algo que seja valioso. Parece-me que o Governo do Partido Socialista o tem feito até demais. 

A valorização das pessoas, dos partidos e dos sindicatos não deve ser apenas pelos seus ideais, mas sim, e também, pelos seus compromissos, isto é, aquilo que estão dispostos a aceitar como suficiente como segunda melhor opção em benefício de todos. Parece-me que o sectarismo dos partidos PCP e, sobretudo, do BE levam apenas às pretensões para benefício de alguns em prejuízo do todo.

As estratégias de partidos de esquerda como aqueles que refiro são as de poderem num futuro próximos em comícios e campanhas reivindicarem, cada um por seu lado, e cada um para si, os êxitos conseguidos se forem aprovados a que chamarão vitórias.  

 

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publicado às 17:03


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