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A estupidez que os pariu

por Manuel_AR, em 23.06.21

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Quem não tem cão caça com gato. Embora o cão seja o ajudante do caçador, quem não o tem, porque um cão de caça é caro e custa a manter, recorre ao gato para o mesmo efeito. A caça é que não vai deixar de se fazer. Transferindo este ditado popular para a política os caçadores são os partidos, como o PSD, por exemplo, conduzido por Rui Rio e os outros à sua direita como as iniciativas e partidos extremistas que surgiram das últimas eleições. Estão neste role a Iniciativa Liberal e o Chega. Porque não têm ideias, nem um projeto, nem uma visão para o país nem para a cidade de Lisboa enredam-se em questões menores e casuais para fazer oposição. Sem alternativas e projetos credíveis dedicam-se à calhandrice política pegando em casos que em nada contribuem para a melhoria do país e das pessoas. É a caça ao poder para substituir umas clientelas por outras. O que muda é o partido.

A tábua de salvação de Rui Rio e do PSD para subir na sua credibilidade é o ato eleitoral para as autarquias que se aproxima a passos largos. Ou o PSD alcança bons resultados, especialmente em Lisboa, nem que, se não obtiver maioria, tenha de fazer umas alianças com as direitas CDS+PPM+MPT+ALIANÇA, mesmo chegando-se às mais radicais como o CHEGA. Uma miscelânea de direita, muito pior que a geringonça.

Rui Rio e o PSD necessitam de mostrar serviço nem que seja através de fazer oposição do vale tudo, ainda que Rio tenha que retirar do seu léxico a frase “a bem do país”, isto é, como já em tempo afirmou "eu opto pelo interesse nacional e não pelo interesse tático do partido". Segundo Rui Rio, as próximas eleições autárquicas são "absolutamente decisivas", porque "o que determina em primeira linha a força de um partido na sociedade não é número de deputados, é o número de autarcas".

Nesta sequência avança com Carlos Moedas para a autarquia de Lisboa. O chavão “Novos Tempos” na candidatura de Carlos Moedas faz todo o sentido porque nos recorda, não apenas os velhos tempos em que foi ministro de Passos Coelho, mas também a pretensão de iludir os eleitores com o jargão ”novos tempos” para os conduzir ao pensamento dos “velhos tempos”.

Carlos Moedas integrou o XIX Governo Constitucional e fez parte do Executivo durante a maior parte do seu período de vigência. Foi considerado o braço-direito do primeiro-ministro Passos Coelho, facto que o colocou em destaque nas relações entre o governo português e os responsáveis da troika que acompanhavam os progressos do programa de assistência financeira do FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia em Portugal.

 Recordemos que Sampaio da Nóvoa, nas eleições presidenciais de 2016, disse que queria vencer as eleições em nome de um “tempo novo” que teria começado no país. Carlos Moedas transformou aquele slogan em “novos tempos” numa espécie de anástrofe ou inversão.  

Carlos Moedas na apresentação da sua candidatura disse que a sua maneira de fazer política seria diferente, mas, rapidamente passou por uma metamorfose transformando-se numa espécie de André Ventura com um populismo em versão light.  

Se eu quiser votar em Moedas, desconheço qual o seu projeto objetivo para a cidade de Lisboa. A sua oposição a Medina baseia-se em aproveitamentos de oportunidades que lhe vão caindo nos braços baseadas em tricas que nada têm a ver com o projeto lisboeta nem com o que critica ficando-se sem saber o que está mal, o que faria melhor, ou o que alteraria na cidade de Lisboa. Anda ao sabor da corrente e das marés que, ora sobem, ora descem. Anda a surfar nas ondas do oceano escuro das suas propostas e alternativa equilibrando-se com críticas descabidas e desproporcionadas dirigidas para olhos menos atentos que apreciam este tipo de discurso.

Considero Carlos Moedas uma pessoas inteligente, mas, a inteligência não é incompatível com incompetência e com impreparação para certas áreas e para determinadas funções. A experiência tem o seu peso em áreas muito específicas. É por isso que muitos autarcas falham por serem apenas nomeações políticas. Carlos Moedas é o caso. Não enxerga o que é ser presidente de uma câmara como a de Lisboa.

Faltar-lhe-á a força política suficiente para se libertar do figurino do passado que o prende às medidas para além da troika de Passos Coelho pensando que é possível redesenhá-lo numa autarquia como Lisboa, com roupas mais atuais, daí os “tempos novos” o equivalente aos amanhãs que brilham e às auroras resplandecentes. Tudo quanto possa fazer em Lisboa terá o peso do neoliberalismo “passadista” de Passos que pretende aplicar à gestão da cidade, daí a sua miopia política que não o deixará enxergar mais longe com os seus raciocínios eleitoralistas de vistas curtas, à medida dos acontecimentos ocasionais que lhe vão parar ás mãos não raras vezes por proporcionadas pelos próprios adversários políticos.

Ao fazer oposição o seu pensamento é quadrado, tudo é preto ou branco, sem matizes. Daí a conferência de imprensa sobre o caso da informação às embaixadas pela Câmara de Lisboa onde faz associações que qualquer um considera serem estupidez de principiante. Tem-se mostrado um candidato obtuso e com argumentos descabidos dos propósitos que não acrescentaram valor a uma candidatura para uma autarquia como a de Lisboa. Mostrou existir uma relação entre uma tolice, isto é, um fraco nível intelectual e a maldade entendidos como o desprezo de outrem.

Carlos Moedas passou a entrar em delírio quando, sobre o caso das informações sobre os promotores das manifestações que foram comunicadas pela Câmara de Lisboa às embaixadas ao acusar Fernando Medina de ser “cúmplice” do Presidente russo Vladimir Putin. É um tipo de ataque que se insere nas margens cinzentas da política método que também está a ser acolhida em opiniões com máscara de respeitáveis, estilo que Moedas passou a perfilhar. Deixou de ser o Carlos Moedas de opiniões por vezes aceites por serem consensuais e com prestígio intelectual. Passou a entrar no jogo eleitoral da pobreza populista que é seguida pela extrema-direita.

Como é possível sem se ser doente, demente, senil, “maluquinho”, lunático, sem se ter as faculdades mentais diminuídas, se não se for próximo da direita radical, acusar alguém na sua essência democrática como tendo relações políticas perversas com Putin. Os que, assim, sem mais, fazem acusações deste tipo são os que, em suma, se colocam ao lado dos que defendem a essência corrupta da democracia e contra o absoluto do sistema corrupto.

A campanha para as eleições autárquicas ainda vai no início, mas o candidato Carlos Moedas já entrou em delírio.

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publicado às 12:25

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Há circunstâncias em que nunca é demais escrever por outras palavras sobre o que outros já escreveram quando se trata de soluções que, para satisfazerem clientelas e interesses partidários, e que comprometem a vida de todos e que mais tarde pagaremos com sacrifícios como os já suportados no passado com intervenções externas para gerirem os dinheiros que nos emprestaram.

Os últimos quatro anos foram compensadores e recuperamos com credibilidade e acerto das contas públicas e progressiva diminuição do desemprego, e tudo graças ao Governo do Partido Socialista, António Costa e dos partidos à sua esquerda, PCP e BE, estes com grande ginástica partidária.

Em tempo de sacrifícios sociais acrescidos por fatores psicológicos gerados por uma pandemia que nos chegou de fora o BE e o PCP pretendem agora que lhes seja dada a lua e o sol com pretensões de transformar este pequeno país em tamanho numa espécie amostra venezuelana. O governo socialista vai atrás e está a soprar o balão que irá encher o partido de ideias loucas e sem nexo que é o partido Chega. Ideias loucas e sem nexo que não devem nem podem ser desvalorizadas porque há eleitores que ficam sem jeito e vai de votar de seguida só para chatear. O Chega vai fracionar-se e abriu caminho a um novo partido Liga Nacional que vai integrar elementos do Chega e é declaradamente da extrema-direita dizendo que não o é, e até afirma que defende uma “democracia” com o aumento da autoridade do Estado e pretende ainda, diz, ter vontade de conquistar votos em todos os quadrantes políticos.

Mais um partido extremista com que o governo PS e António Costa podem vir a contribuir se continuarem a insuflar aqueles balões.

O perigo está no aproveitamento populista a partir das “deixas” que o primeiro-ministro António Costa e o PS têm andado por aí a sinalizar sem que o BE e o PCP se importem muito com isso visto estarem mais interessados no que se vai passar em relação ao Orçamento de Estado para poderem brilhar com mais um fartar vilanagem de distribuição daquilo há e do que não há já com olhos postos naquilo que para aí deve vir.

O primeiro superavit (excedente orçamental) na nossa democracia vai dar origem a um dos maiores défices da democracia assim como a dívida pública vai disparar sem certezas sobre o crescimento do próximo ano. Apesar deste cenário nada confortável apenas se discutem o interesse por parte dos radicais de esquerda (mais do BE do que do PCP) exigências sobre mais despesa pública, regressões em áreas onde começava a existir estabilidade, refiro-me a medidas no que respeita ao mercado de trabalho. Apenas se ouve falar em subsídios sociais, aumento de funcionários públicos, de investimento, de salário mínimo. Os radicais de esquerdem querem tudo, mais e mais. Isto parece um regresso ao passado troika. Nem aprece que estamos a viver uma das piores crises de sempre.

A inoportunidade de uma crise política que possa ser criada neste momento de crise económica e social nem tudo justifica, fazer concessões é uma coisa irresponsabilidade pelo aumento exagerado e até disparatado da despesa em áreas não essenciais neste momento é outra.

Se lermos as últimas sondagens verifica-se que a imagem do Governo e de António Costa estão em queda. Mas não basta verificar o facto devemos terá curiosidade de saber a causa, o porquê.

Já não refiro aquela estratégia falhada de António Costa aceitar convite para integrar a lista de honra da candidatura de Luís Filipe Vieira à presidência do Benfica nem no afastamento do afastamento de Vítor Caldeira (embora dentro da lei) que teria sido afastado por causa do parecer crítico que o Tribunal de Contas elaborou relativamente à lei das contratações públicas que é outra barracada que abre portas a corrupções e ao fartar vilanagem quando chegarem os dinheiros da U.E., entre outras. Admira-me que esta última tenha tido a cumplicidade de Rui Rio e a aquiescência do Presidente da República.

A menos de um ano de eleições autárquicas é incompreensível a preocupação do Governo em criar mais 600 novas freguesias, 600 novos lugares para os partidos eleitos, o que implica mais presidentes de Junta, mais membros dos partidos eleitos e a que se junta quem faz parte das Assembleias de Freguesia, isto depois de se terem eliminado 1168 freguesias e quase 10 mil cargos poupando dezenas de milhões sem cria problemas ao poder local. Mais um sopro para os balões da extrema-direita poderem berrar aos quatro ventos sobre os lugares criados para clientelas políticas. Mais despesa para o Estado.

Não há almoços grátis e o BE e o PCP são uns dos interessados que já em 2016 tinham entregado no Parlamento projetos de lei para propor a reposição das freguesias extintas ou anexadas ou que se juntaram. Será isto também uma exigência daqueles partidos para fazerem passar o orçamento?

Qual será então a quantidade de cargos que resultará de 600 novas freguesias? Segundo o Polígrafo «a Lei n.º 169/99 estabelece “o quadro de competências, assim como o regime jurídico de funcionamento, dos órgãos dos municípios e das freguesias”. No seu artigo 3.º define-se a composição das assembleias de freguesia: “A assembleia de freguesia é composta por 19 membros quando o número de eleitores for superior a 20.000, por 13 membros quando for igual ou inferior a 20.000 e superior a 5.000, por nove membros quando for igual ou inferior a 5.000 e superior a 1.000 e por sete membros quando for igual ou inferior a 1.000”, pode ler-se. “Nas freguesias com mais de 30.000 eleitores, o número de membros anteriormente referido é aumentado em mais um por cada 10.000 eleitores para além daquele número”». 

Se todas as novas 600 freguesias elegessem o número mínimo de representantes, seriam criados 4.200 novos cargos. No máximo, se todas elegessem 19 representantes, seriam 11.400 cargos. Em qualquer dos casos, o número ascenderia aos milhares. Pode ler mais aqui.

Esperemos que o Presidente da República mantenha o que afirmou ao dizer que não aceitará mexidas nas freguesias em vésperas de eleições autárquicas.

Temo é que António Costa tenha apanhado a covid-19 que lhe atacado a cabeça e lhe tenha provocado um sintoma desconhecido que lhe tenha transtornado a zona do bom senso que sempre teve.

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publicado às 19:32

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A despesa pública não é como um curso de água que ao ser impedido procura outro sulco. Se não se lhe barrar o caminho seguirá por outro, acabando por desaparecer num afluente qualquer seguindo em direção ao mar onde se perde, se, entretanto, não se evaporar e infiltrar pelo caminho. Se queremos reter a água num futuro de seca só com barragens.


A estratégia pré-eleitoral da direita, que se prevê que continue quando a campanha abrir oficialmente, procura fazer oposição baseando-se numa configuração que possa criar impacto emocional nas populações.


Como os indicadores macroeconómicos como o crescimento económico, o défice, a dívida e as finanças pública e a despesa estão controlados interessará sobremaneira à direita que a despesa aumentasse e a receita diminuísse.


Como já há justificações convincentes para fazer oposição procura pretexto como os transportes, a saúde e o SNS, os hospitais, as maternidades e a pediatria, descobre centros hospitalares de psiquiatria com problemas, entre outros, para, juntamente com as suas irmandades, transformar tudo em casos políticos, tendo em vista as eleições, para fazer campanha anti Governo.


A greve dos médicos e dos enfermeiros que, os sindicatos e também o Bastonário da Ordem dos Médicos dizem ter a pretensão da melhoria da qualidade do SNS, não são mais do que greves políticas em que as promoções e os aumentos salariais são a via para mobilizar os trabalhadores filiados nesses sindicatos.   


A direita fez desaparecer do seu espectro político o discurso da necessidade de uma articulação entre as esferas público-privada e de racionalização da despesa pública em saúde. Agora pede cada vez mais investimento e despesa pública, forma de “arrombar” com tudo o que se conseguiu nestes quatro últimos anos.


São semanas consecutivas nas televisões com reportagens sucessivas, entrevistas a todos quantos possam contribuir para o descrédito das pastas e do próprio Governo. Repetem até à exaustão as mesmas peças televisivas recuperando algumas do passado recente e procuram outros que possam ter impacto na opinião pública


Este tipo de “atitude carraça” da direita de se fixar sobre alguns aspetos menos positivos, que os há e sempre houve, assim como os houve nos idos anos de 2011-2015 onde se desinvestiu na saúde e noutros setores, A saúde esteve nessa altura, de facto, num caos, mas os órgãos de comunicação social, os noticiários televisivos, davam-lhe menos relevância, incidência e divulgação.


A oposição virulenta iniciou-se com as reivindicações dos professores e com a greve cirúrgica dos enfermeiros cuja sua bastonária ex-adjunta do Secretário de Estado da Saúde no XV Governo Constitucional de 2002 a 2004 com Durão Barroso. Ana Rita Cavaco, militante e dirigente do PSD, fez-se eleger como bastonária da Ordem dos Enfermeiros e foi a cara da pior greve de sempre em Portugal. No seu currículo, deverá passar a constar, o cancelamento de duas mil cirurgias que não podem ser reprogramadas nos próximos anos.


A direita que sempre foi reservada sobre o investimento público clama agora pela falta dele. Um dos grandes desejos da direita é que o país se afunde novamente em gastos e despesas, por isso, não vê com bons olhos a contenção da despesa pública e o controle orçamental apertado por parte das Finanças o que é normal. Até nas nossas casas o fazemos ao destinarmos reservas no final do mês, verba para a compra ou arranjo de algo necessário o que não quer dizer que se corra de imediato a gastar o dinheiro todo de uma só vez.


Nestas coisas de cativações e finanças públicas os dito especialistas da direita arranjam sempre forma de observarem os fenómenos com um olhar mais largo e à medida do seu interesse.


A despesa pública não é como um curso de água que ao ser impedido procura outro sulco. Se não se lhe barrar o caminho seguirá por outro, acabando por desaparecer num afluente qualquer seguindo em direção ao mar onde se perde, se, entretanto, não se evaporar e infiltrar pelo caminho. Se queremos reter a água num futuro de seca só com barragens.

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publicado às 18:57

Temas à solta II

por Manuel_AR, em 07.03.19

Temas à solta 2.png


Hoje vou começar com uma parte da letra da cantiga “Vamos prá festa” de um tal Gilberto Amaral que inicia assim:


 


Ora vira, vira, vira


Ora vira sem parar (bis)


Quantas volta dá a vida


Onde eu hei de te encontrar (bis) 


Me diz de lá, ó cara linda


Onde é que tens andado


O que fazes nesta vida


Não me importa o passado


 


Esta letra conduziu-me ao percurso das narrativas de alguns políticos que dizem ser grandes defensores da democracia e fazem oposição com críticas ao desbarato para caça ao voto a qualquer preço.  


Os versos são representativos das trocas e baldrocas que certos deputados da direita fazem e as voltas que dão com as palavras para dizerem aquilo que gostariam que fosse, mas que, afinal, não é.


Veja-se o caso de Paulo Rangel e o seu apoio a Viktor Orbán a que já me referi no “post” Temas à solta I. Aquele apoio foi objeto de discussões opinativas plenas de riqueza de conteúdo filosófico que a maioria dos portugueses não lê, e, provavelmente, nem entende, devido à existência de uma multiplicidade de elementos que estabelecem relações intrincadas no plano filosófico que podem ler aqui e aqui.


A mim interessa-me mais o cerne da questão que foi, de forma bastante clara, tratado num artigo de opinião por Rui Tavares no jornal Público do qual passo a citar uma parte. Apesar de a orientação político e ideológica de Rui Tavares não ser coincidente com a minha reconheço-lhe, todavia, o seu valor enquanto cronista, investigador e historiador. Escreve então Rui Tavares:


A semana passada Paulo Rangel escreveu uma crónica sobre a “democracia iliberal”, a propósito da Venezuela, referenciando como antecedentes da tendência de autoritarismo e desmantelamento do estado de direito o líder russo Putin e o turco Erdogan. Adivinhem quem não era mencionado uma única vez sequer? Viktor Orbán da Hungria, nem mais nem menos do que o inventor da expressão “democracia iliberal” e orgulhoso precursor do movimento.


Mas esta semana Paulo Rangel dedica toda uma crónica a uma "Declaração para memória passada, presente e futura” a explicar como assumiu sempre, “sem tibieza”, posições críticas de Viktor Orbán.


O que aconteceu entre uma crónica e outra? Um grupo de partidos escandinavos e do Benelux iniciou procedimentos para votar a expulsão do Fidesz de Orbán do Partido Popular Europeu de que PSD e CDS fazem parte, o calendário faz com que essa possível expulsão tenha de ser debatida a 20 deste mês, até o CDS ultrapassou o PSD juntando-se ao grupo de partidos que pedem a expulsão de Orbán, e a aproximação das eleições europeias aconselha a que tudo seja resolvido rapidamente, aumentando fortemente a possibilidade de que o PPE se desfaça de Orbán a dois meses de ir a votos — mas quase uma década depois de ele ter começado a destruir o Estado de Direito húngaro. São estes acontecimentos que se interpõem entre uma crónica em que Rangel faz uma genealogia da “democracia iliberal” dela omitindo extraordinariamente Orbán e outra em que alegadamente documenta uma oposição de sempre a Orbán”. Pode continuar a ler aqui.


Sobre os que dizem que não são, mas que são, ou vice-versa, encontramos mais uma vez Paulo Rangel nas bocas, se não do mundo, pelo menos na dos que escrevem opinião. Desta vez é João Miguel Tavares no jornal Público que escreve sobre o que Rangel diz que é, mas que afinal não é: “A sério, isto começa a ser ridículo: a quantidade de gente que pertence ao PSD que faz questão de dizer que não é de direita é totalmente absurda, e mostra bem o desequilíbrio do sistema político português e o complexo salazarista que ainda paira na cabeça da direita-que-não-o-é. Desta vez a negação coube a Paulo Rangel, cabeça de lista do PSD às eleições europeias. Vinha na primeira página do Expresso: “Nunca disse que era de direita.” Lá dentro, as explicações: “Posso garantir que nunca disse que era de direita, mas do centro ou centro-direita. E com posições sociais muito fortes, muitas vezes a chegar ao centro-esquerda em algumas matérias.”


Enfim, quanto ao cabeça de lista às eleições europeias pelo PSD que é Paulo Rangel estamos conversados, é o vira, que vira, vira sem parar.


Ia ficar por aqui, mas recuperei ainda da minha memória recente o caso de Cecília Meireles do CDS, em novembro de 2018, a quem causou estranheza o anúncio do facto Portugal pagar até ao final do ano a totalidade da dívida de 4,6 mil milhões de euros ao FMI, não o nega, mas acrescenta que o Estado o que ia fazer era “trocar a dívida”, isto é, “paga ao FMI e endivida-se noutras entidades a juros inferiores”. Mas esperem aí! Desculpem a minha ignorância! Não sabia que isso era mau. Então se estou a pagar juros mais elevado por determinado valor pedido e posso passar a pagar menos de juros pela mesma totalidade da dívida e pedir dinheiro a juros mais baixos para o mesmo empréstimo estou a engar-me a mim e aos outros? Expliquem-me com desenhos.


Mais uma vez, é “o vira, que vira, vira sem parar…”

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publicado às 18:11

Rui Rio na oposição.png


Apesar de Rui Rio ser direita e do PSD gosto dele enquanto político. Gosto de o ouvir, embora discordando quanto ao conteúdo da mensagem, mas não da forma. É direto, espontâneo e revela de certo modo honestidade no que diz e no que pensa. É um social-democrata atual na sua essência. Revela falhas quanto aos argumentos para fazer oposição, mas percebe-se o que diz, e isso é perigoso para quem está no poder porque pode levar alguns na sua boleia. Apesar de tudo esta apreciação não inibe a minha capacidade de o criticar como líder da oposição e à direita que ele representa.    


Assim, aqui vamos nós. Logo após a relativa consolidação de Rui Rio como líder do PSD, Luís Montenegro tentou transformar em vitória a sua derrota ao afirmar que a sua “iniciativa teve um efeito inegável: acordou um gigante adormecido" e “estou de consciência tranquila, disponibilizei-me para o meu país e para o meu partido numa hora difícil”, e, ainda, que “ficou mais aguerrido como opositor ao Governo e a António Costa. Luís Montenegro disfarçou a sua derrota numa vitória do PSD porque, graças a ele, conseguiu tornar o partido mais vivo e que agora o partido tem melhores condições para garantir "unidade interna", fazer "uma oposição firme e efetiva" e concentrar-se em conquistar "uma terceira vitória nas legislativas de forma consecutiva".


Rui Rio ajuizou, de facto, as recomendações do ex-líder parlamentar do PSD e parece que ficou com imperatividade para fazer oposição e, fazendo uma fuga para a frente critica o Governo de António Costa. Rui Rio diz existir uma contestação social ao Governo vindo de vários setores e isso é, deduz-se que é devido à má governação.


O que Rui Rio não explica é que essas contestações que aparecem sob a forma de greve e de outras formas de luta são. muitas delas, implicitamente apoiadas pela direita PSD e CDS e que na sua maior parte são devido a cadernos reivindicativos para aumentos salariais dos funcionários do Estado, outras associadas ao descongelamento de carreiras, contra os estatutos profissionais, progressões nas carreiras, contagem do tempo de serviço desde o congelamento, em que sindicatos e até, vejam só, ordens profissionais como a dos enfermeiros estão envolvidos. Alguns bastonários das ordens mais parecem ser umas vezes sindicalistas e outras vezes até falam como se estivessem a fazer oposição encomenda pela direita.


Numa perspetiva de coerência de demonstração da validade das suas afirmações Rui Rio não devia apenas evidenciar aquelas contestações. Como líder da oposição deveria também dizer ao país como resolveria o problema dessas contestações e com que recursos, caso fosse eleito. Será que, nesse caso, Rui Rio cederia a todas essas reivindicações colocando em perigo o que se conseguiu nos últimos anos?    


Se o executivo, como diz Rui Rio, “governa para agradar ao momento”, e que “não tem estratégia económica”, o mesmo podemos dizer da estratégia oposicionista que está a fazer que mais parece ser para agradar à oposição interna que lhe fazem os neoliberais do PSD. Oposição por oposição não chega! Se acusa o Governo deve mostrar aos potenciais eleitores com dados objetivos o que está mal deixando de fazer também oposição através de mensagens mais ou menos populistas no Twitter e outras redes sociais. Será que, se o PSD fosse governo, abriria as comportas ao despesismo do Estado?


Rui Rio acusa o executivo de não ter estratégia “de crescimento económico, porque o “Governo ao longo de todos estes anos se preocupou fundamentalmente em pegar em todas as folgas que a conjuntura permitia e distribuir pela lista de reivindicações feitas pelo Partido Comunista, e feitas pelo Bloco de Esquerda”, e que “isto significa que esqueceu completamente o futuro”. Vamos lá ver se nos entendemos! Se houve distribuição pela lista de reivindicações feitas pelo PCP e pelo BE como é que então explica a contestação social que diz existir e que é devida ao que anteriormente referi.


Por outro lado, a afirmação de “que se esqueceu completamente o futuro” mais parece ter sido tirada de um discurso de Passos Coelho quando estava no poder e se preocupava apenas com o futuro deixando na margem do caminho, votados ao esquecimento, todos os que viviam no presente. Claro que é importante precaver o futuro e é isso que parece estar a ser feito, mas que à oposição tanto incomoda quando critica a continuação da austeridade.


Rui Rio insiste, referindo-se ao Governo, que “Não fizeram nada pelo investimento privado, baixaram o investimento público, degradaram a taxa de poupança, agravou-se o endividamento das famílias, atingiu-se a maior carga fiscal da história de Portugal”. Se assim é, como é que a direita reverteria esta situação? É o que todos nós, portugueses, necessitamos de saber para que não se regresse novamente como estivemos no passado recente.


Os eleitores só poderão decidir quando se configuram alternativas políticas entre as quais se pode escolher. Até ao momento, Rui Rio e o PSD e, muito menos, o CDS e a faixa de outros partidos satélites de direita que saíram do umbigo do PSD ainda não mostraram o que fariam de diferente quando se apresentam como alternativa ao atual Governo.


Parece-me que Rui Rio propões como solução resolver daquilo que é impossível em simultâneo: resolver o impossível como é o problema da quadratura do círculo, um dos três problemas clássicos da Geometria grega que consiste em construir, usando apenas régua e compasso, um quadrado com a mesma área que a de um círculo dado. Dar resposta a todas as reivindicações, diminuir impostos, acabar com a “degradação dos serviços públicos do tal patamar inadmissível”, como diz, melhorar o SNS e, ao mesmo tempo, duplicar o crescimento.


Luís Montenegro continuará à espreita acompanhado por todos aqueles que até agora não conseguiram os seus intentos para fazer regressar o “passismo” e os “passistas” ao PSD. Era esta a estratégia lançada pelos que apoiaram Montenegro nessa demanda e ele próprio, mas duvido que, se os intentos fossem conseguidos, e Montenegro fosse a líder do PSD, conseguisse ganhar as duas próximas eleições como próprio exige a Rui Rio.


Atenção aos populismos, porque há grandes populismos para os quais olhamos para o lado desconfiados e os populismos para consumo caseiro que, atenção, esses são os mais perigosos!

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publicado às 19:33

Seguir em frente ou retroceder

por Manuel_AR, em 29.11.18

Alice diálogo.png


Temos de nos convencer que a austeridade não acabou, mas que passou a ser gerida de forma diferente da austeridade neoliberal que a direita impôs, o caminho foi diferente. Estes três anos foram o tempo em que a prudência fiscal e a consolidação orçamental passaram a ser as novas normas e o défice público prolongado passou a ser do passado.


O ainda fraco crescimento económico embora em média com a União Europeia e o incremento dos gastos sociais para enfrentara as consequências sociais da crise e o envelhecimento da população conduziu à austeridade como uma evidência necessária.




Zona Euro 2º trimestre


2018


2,1


%





Portugal


2018


Previsão 2,2


%




Se continuarmos a querer tudo e a distribuir tudo por todo o lado ficam-se os gastos obrigatórios que tendem a consumir todo o orçamento e corre-se o risco de voltarmos a ter uma direita cujas alternativas já são conhecidas. Se a direita chegasse novamente ao poder iria retirar o que agora quer dar e a extrema-esquerda iria olhar para o lado e dizer que nada teve a ver com isso.


Como o Estado continua a precisar de crédito os mercados financeiros mantêm-nos sobre supervisão mesmo com a dívida a ser reduzida e se mantenha com o equilíbrio orçamental. A direita em situação crítica ameaça com os ditos e a extrema esquerda vocifera contra eles, sem resultados, porque dentro dum pensamento regionalista fala contra a globalização, mas não sabe como a combater.


O problema político decorrente está em que, em democracia, se tem de prestar contas a dois eleitorados, o do povo e o dos mercados que exercem imposição sobre os Estados de acordo com o documento “Electoral Promises & Ideological Space in Crisis Europe, p. 5”.


Portugal, é mais do que sabido, é ainda um país fortemente endividado e não estamos em condições de promessas vãs de não cortar na despesa, e a oposição, a de direita, também não está em condições de prometer que não irá cortar nos gastos para consolidar as finanças públicas. Assim, de momento, pressionam para gastar porque não estão no poder. Deste modo, entre o Governo e a oposição o eleitorado não tem possibilidades de escolha alternativa que seja diferente no ponto que diz respeito à consolidação.


Quer a direita, quer os partidos à esquerda do PS estão sem saber o que fazer e a única oportunidade que lhes resta é tentarem evitar uma maioria absoluta do PS lançando mão de tudo, entrando numa angústia à medida que se aproximam as eleições europeias e as legislativas. 


É letal para os partidos com vocação de governo prometer o que sabem não poder cumprir assim como dar a impressão de que não fariam o mesmo de forma diferente daquela que os seus adversários fazem. Neste caso em 2015 António Costa arriscou na diferença e, devido a vários fatores conjunturais, conseguiu o que parecia impossível fazer com um volte face nas políticas.


Está tudo perfeito? Não. Houve erros e falhas? Sim. É aquilo que muitos esperavam? Talvez. Poderia ter feito mais e melhor? Sim. A estas respostas a direita apenas diz mal, mas não diz objetivamente o que faria diferente e melhor daquilo que já fez no passado e que o eleitorado gostaria de saber. Não digam que a culpa é de Rui Rio porque não é. A culpa é do partido que Rio o encontrou e que não conseguiu mudar porque era difícil fazê-lo sem ser com uma “limpeza” (sentido figurado) que só poderá fazer quando houver novamente eleições. Se as perder vai ser muito difícil fazer mudanças num partido anquilosado com elementos vindos de Passos Coelho.  Rui Rio queria regressar à social-democracia, mas, devido a interesses em jogo, e pressões internas os neoliberais não deixaram.


Começam a mostrar-se por aí pequenos núcleos de partidos, e outros que já existem, com tendências populistas ainda disfarçadas que, sabendo não irão ter possibilidade real de governar, não se importam de fazer promessas impossíveis de cumprir.


Assim, como neste momento não há alternativa ao governo, ou a que há é destituída de sentido o que é o mesmo como se não existisse. Como os eleitores já se perceberam disso poderá haver o perigo que uma pequena parte do eleitorado reaja de maneira distinta votando em quem não gostaria de ver no governo como mostra de expressão do seu mal-estar. Não é por acaso que surgem partidos como o Aliança tentando tirar votos à direita e ao centro, e, pior ainda, movimentos populistas como o Chega, de André Ventura. 

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publicado às 00:05

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Em certos momentos de acontecimentos da nossa política há um problema que aflige e agita a comunicação social e os jornalistas: quando não têm informação suficiente e exata sobre certos factos lançam para a opinião pública achas interpretativas e especulações sobre esses mesmos factos que, por vezes, se aproximam de oráculos.


É, por exemplo, o caso do roubo das armas de Tancos por causa do qual se tem estado a construir uma espécie de telenovela tipo mexicana a partir de alguns factos, outros pseudo factos, que surgem de penumbras que geram nebulosas segundo o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa e névoas segundo o primeiro-ministro António Costa. Pode até acontecer que as nebulosas e as névoas sobre os factos sejam, com finalidades várias, adensadas e difundidas pelos próprios envolvidos durante processo de averiguações.


Recorde-se que o caso de Tancos surgiu numa altura crítica em que Governo e o país andavam preocupados com a catástrofe incendiária que grassou, ou fizeram grassar, e que tiveram uma gravidade sem par e, na mesma altura, por coincidência, é divulgado pela comunicação social o facto do roubo das armas em Tancos. Ouro sobre azul para partidos da direita cavalgarem a onda e poderem fazer oposição.


E claro que a oportunidade surgiu para a oposição explorar com a tentativa de atribuir responsabilidades exclusivamente políticas ao que deveria ser responsabilidade da competência da hierarquia militar.


A direita aproveita os nichos de “mercado” da política partidária que a vão ajudar a concentrar esforços onde têm maior probabilidade de sucesso que, aqui e ali, vão surgindo e se abrem no espaço político para fazer oposição partidária; os órgãos de comunicação aproveitam os mesmos nichos para vender informação (por vezes especulando sobre os factos) em consonância. Ambos são, afinal, consumidores públicos suscetíveis de exercer influência. A venda da agitação política para os primeiros e a venda da informação para os segundos contribuindo ambos para o mesmo fim. Assim, quanto mais radicais e agressivos forem a trocar argumentos lançando dúvidas nas mentes e proferindo ofensas, a favor das suas “causas”, mais adeptos ganham no caso de uns, e leitores ou telespectadores no caso dos outros. Para isso os grandes media têm hoje, nas suas versões impressas ou on-line mais colunas de opinião e pouco espaço para reportagens e apresentações factuais sem comentários inseridos pelo jornalista.


A falta de casos concretos e objetivos sobre a governação propriamente dita e de projetos de governação alternativos a oposição procura potencias nichos de factos, por vezes marginais, que potencialmente possam ser associados à conduta do governo para a obtenção de futuros dividendos eleitorais.


Apesar da importância que, sem dúvida, o caso de Tancos merece temos à nossa volta a perceção de que o povo já começa a estar farto desta novela que passa na comunicação social com conveniências várias porque, até ao momento, não existe objetivamente nada que concorra para o esclarecimento. O caso do roubo das armas de Tancos afigura-se-me como estando nesta configuração.


Alguns meios de comunicação, quando não todos, em certas circunstâncias cuidam de apresentar factos por vezes sem relevância, mas jornalisticamente elaborados, dando-lhes enfase de modo a criar polémicas e a ter efeito jornalístico que estimule o leitor ou o espectador.


Uma emoção leva uma pessoa a reagir diante de um acontecimento mesmo que lhe seja apenas descrito e faz ativar sentimentos sendo estes definidos como a observação das emoções e das reações provocadas por elas.


Há vários exemplos do que se afirma que contribuem para preparar e criar clima na opinião pública para julgamentos emocionais e estimular a conduta de partidos na oposição, sejam eles quais forem.


Tendo em vista a importância do layout das primeiras páginas dos jornais, nomeadamente os portugueses, é evidente a construção e a reprodução de ideias e valores na sociedade, quando abordam questões relacionadas com a possível construção de significados sociais como o  objetivo de desencadear emoções e sentimentos (conceitos complementares) que possam ter muita importância quando se pretende induzir a opinião pública através da comunicação.


Vejamos dois exemplos ambos do Correio da Manhã.



CM dia 5 de novembro:


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Repare-se no layout do título da manchete “Juiz de Sócrates Liberta Traficante de Armas” aparece acentuadamente em destaque em fontes garrafais que sugere informações mais relevantes da página, bem como da sua localização no domínio do “Ideal” que está associado à seção superior da primeira página e sugere os elementos representados como dotados de idealização, abstração, generalização ou emoção.


A manchetes mostram a informação relevante mais proeminente e do discurso noticioso. As manchetes simplesmente separam o evento principal da história e, portanto, são totalmente deriváveis da história. A chamada “Juiz de Sócrates Liberta Traficante de Armas” aparece com acentuado destaque, em função das fontes garrafais empregues seu respetivo título.


Assim, o diário Correio da Manhã pretende que o público faça a conotação do tráfico de armas com Sócrates aproveitando ser o mesmo juiz Ivo Rosa, a quem foi atribuída por sorteio a instrução da operação Marquês (que envolve entre José Sócrates e Ricardo Salgado, entre outros), associando-os ao tráfico de armas.  Não está claro no título porque o pretendido será a opinião pública possa fazer conotações do julgamento de Sócrates com o tráfico de armas por ser o mesmo juiz a tomar as decisões judiciais.


Outro caso ainda tendo em vista neste caso a amplificação dirigida de casos.


 


CM 9 de novembro:


 


 


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Como no primeiro exemplo nesta capa o layout do título da manchete “Juiz Apaga Teia da Máfia do Sangue” aparece acentuadamente em destaque com fontes garrafais em cor branca sobre fundo preto que sugere a informação mais relevante da página e o seu impacto bem como o da sua localização associada no domínio do “Ideal” ao centro da primeira página. Os significados sociais (re) produzidos pela composição das capas dos jornais estão ao nível do domínio do Ideais associados à seção superior da página e sugere os elementos representados como dotados de idealização, abstração, generalização ou emoção.


O tema principal da notícia está em letras reduzidas com cores e fundo contrastantes em fonte mais pequena, menos evidente e de difícil leitura. É obvio que neste caso o objetivo da redação parece ser o início da ofensiva contra o juiz Ivo Rosa com a procura de quaisquer decisões judiciais que tomar.


Este tipo de jornais e de jornalismo, e ainda os comentários e notícias que circulam nas redes sociais, procuram com títulos e frases persuasivos explorar o espaço emocional no corpo da opinião pública para desencadearem permanentemente o alerta emocional da sociedade e manter a atenção necessária para despertar em cada caso o correspondente conteúdo sentimental.

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publicado às 23:09

Guerrilha no PSD. SNS o agora e o antes

por Manuel_AR, em 28.03.18

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1 - No PSD a agitação interna movida pelos liberais radicais do partido, que vieram à luz do dia no tempo do anterior líder, é deveras preocupante para a corrente ainda fiel à social-democracia. Os liberais radicais abriram uma guerra sem precedentes contra o novo líder Rui Rio. Querem que ele vá para o terreno fazer oposição ao Governo. Fazer demagogia e populismo como o faz Assunção Cristas, a líder da direita, como se auto intitula?


As distritais do PSD querem Rui Rio a fazer oposição tendo apenas na mão casos e casinhos do dia a dia ou outros recuperados do passado e sem relevância que algum dito jornalismo de investigação lhes vai fornecendo. Grave tem sido o aproveitamento populista utilizando os incêndios e as vítimas deles resultantes como mote para fazer oposição. Não queria estar no lugar de Rui Rio!


Os liberais radicais do PSD, cuja oposição interna a Rui Rio é “chefiada” por Montenegro e outros neoliberais, sem alternativas à governação socialista, pretendem uma oposição mais firme. Podemos perguntar: oposição sustentada em quê? Querem um milagre político e uma oposição sustentada que lhes possibilite ganhar as próximas eleições em 2019. Pretendem que Rio seja um santo milagreiro.


2 - Entretanto a comunicação social, correspondendo aos desejos da direita que ferrou o dente no SNS e no ministro que o tutela, procura pelo país problemas nos hospitais, como o sarampo, as camas de hospitais, faltas disto e daquilo, tempos de espera e o que mais lhes aprouver.  O que não consigo perceber é por que a mesma comunicação social esquece que muitos dos problemas de que hoje enferma o SNS advêm das medidas tomadas pelo anterior governo.


Como a memória é curta é bom que se relembre que naquela altura foram congeladas carreiras, limitadas as admissões de médicos e enfermeiros, chegando ao ponto milhares destes profissionais terem de emigrar para outros países que os receberam de mãos abertas.


Percorrendo alguma imprensa notícias sobre o SNS entre 2011 e 2014 são várias as que  referiam problemas como se pode ver pela amostra que a seguir apresento. É pena que a memória seja curta para muitos e agora noticiem os problemas como se fossem da exclusividade do atual governo.


Ainda bem que a comunicação social dá a conhecer os problemas que têm de ser resolvidos, contudo, é bom não esquecer que, o que se destruiu leva mais tempo a reconstruir.


Jornal Público: 20 de março de 2012 - Só 4 em 58 hospitais divulgam dados sobre tempos de espera para exames


Jornal Público: 22 de junho de 2011 - Só um terço dos centros de saúde e hospitais publicita tempos de espera para consultas


Jornal Público: 28 de dezembro de 2011 - Utentes do SNS dizem que aumento do tempo de espera é um “prejuízo” e preparam protesto


Jornal Público: 28 de janeiro de 2011 - Novo bastonário dos médicos critica "cortes indiscriminados" e promete defender SNS


Jornal Público: 14 de julho de 2012 - Queixas no SNS aumentam e médicos são os principais visados


Jornal Público: 12 de julho de 2012 - Médicos defenderam SNS com "a maior greve de sempre"


Jornal Público: 07 de maio de 2012 - SNS discrimina mulheres e idosos com enfarte agudo de miocárdio


Jornal Público: 14 de abril de 2012 - Manifestação contra os cortes no SNS reúne centenas de pessoas


Jornal Público: 15 de outubro de 2013 - SNS vai ter menos 300,4 milhões de euros no próximo ano


Jornal Público: 16 de outubro de 2013 - Saúde: entre cortes razoáveis e caminho aberto para um SNS de serviços mínimos


Jornal Público: 08 de julho de 2014 - Uma médica que faz greve: “É desta forma que o SNS está a ser destruído… Fazendo as pessoas fugir”

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publicado às 21:06

Eleitoralismo e acontecimentos desastrosos

por Manuel_AR, em 26.03.18

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Na nossa história acontecimentos relevantes tiveram causas remotas e causas próximas. Na nossa história recente acontecimentos graves que se verificaram também tiveram causas próximas da responsabilidade do atual Governo e causas remotas da responsabilidade do anterior Governo, o XIX que saiu das eleições de 2011 com a coligação PSD e CDS liderado por Passos Coelho.


Da composição daquele governo constavam a Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, Assunção Cristas de 21 de junho de 2011 a 24 de julho de 2013, e Ministra da Agricultura e do Mar de 24 de julho de 2013 a 30 de outubro de 2015. De 24 de julho de 2013 a 30 de outubros de 2015 passou a ser Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia Jorge Moreira da Silva. Na Administração Interna tivemos Miguel Macedo 21 de junho de 2011 a 19 de novembro de 2014 e Anabela Rodrigues 19 de novembro de 2014 a 30 de outubro de 2015.


Onde quero chegar com isto é que o anterior governo foi a causa remota dos graves incêndios que assolaram o país entre 2016 e 2017 e que neste último ano causou a vida a mais de 67 pessoas.


As causas próximas poderão der atribuídas a responsabilidades várias do atual Governo. Todavia as consequências do presente devem-se a negligências no que respeita a ordenamento florestal e a medidas de redução de recursos e desatualização de meios e à desmobilização de meios, medidas tomadas pelo governo de Passos Coelho quando Assunção Cristas e Miguel Macedo na Administração Interna e eram responsáveis por áreas essenciais na prevenção e controle de catástrofes causadas por incêndios.


Em agosto de 2013, ainda Assunção Cristas era uma das responsáveis pelo pelouro das florestas, foi o grande incêndio que devastou a Serra do Caramulo e matou quatro bombeiros, deixando 13 feridos, apesar disso nada fez e tudo ficou na mesma. Nessa altura as notícias sobre o acontecimento foram tímidas e moderadas, sem a insistências e não se pediram demissões como o que foi no ano passado em que as condições climáticas desse verão ajudaram a agravar o que em si mesmo já era grave. Em agosto 2014 os autarcas queixam-se na altura de “que há muito ainda por fazer”. É certo que incêndios do ano de 2017 foram muito graves em extensão e em pessoas e bens, mas se, anteriormente, durante aos quatro anos de governação PSD-CDS, se tivesse apostado na prevenção e dado início a medidas para evitar futuras catástrofes em vez disso nada se fizeram. Com que consciência Cristas do CDS e o PSD falam agora e levantam a cabeça quando foram causa remota e histórica dos incêndios.


Apesar disso Rui Rio, atual líder do PSD, aproveita isso mesmo para se fazer impor como oposição fazendo uma visita promocional às zonas ardidas que é a sua primeira “visita oficial” às zonas da tragédia, fazendo-se acompanhar por deputados do partido. Rui Rio, referindo-se à ação de limpeza das matas realizada pelo Governo e pelo Presidente da República, o líder do PSD reconheceu que a ação “tem mérito”, acrescentando, porém, que, “perante um relatóri[i] que responsabiliza o Governo, o Governo faz uma ação de marketing”, ao que o Presidente da República respondeu dizendo que “Quem quer que seja governo hoje ou daqui a 4, 8, 12, 16 anos seja governo só ganha com a vitória neste combate. Quem achar o contrário é porque não tenciona ser governo tão depressa.”. Vejo esta afirmação como forma de incentivo aos partidos para virem a fazer campanha a partir da catástrofe.


As consequências das graves ocorrências dos incêndios ainda estão, ao momento, com base no referido relatório estão a ser utilizadas para campanhas promocionais pessoais e partidárias e já como pré-campanha eleitoral, é abjeto para não dizer pior. Há responsabilidades próximas que podem ser em parte da responsabilidade imputadas ao atual Governo, todavia há também responsabilidades, também elas muitas e graves, do anterior governo.


[i] Relatório dito independente proposto pelo PSD; independente apenas porque os seus elementos não são militantes do partido.

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publicado às 16:01

Walking Deads da política

por Manuel_AR, em 04.02.18

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1. Depois dos discursos de revelações apocalípticas provindas do azedume duma perda, o PSD, ou melhor o seu quase eis líder Passo Coelho, lança-se numa nova cruzada que ainda faz eco em muitos dos que o apoiam e faz diatribes casuísticas de oposição ao Governo numa espécie de personagem do “Walking Death”. A última foi num encontro com autarcas na Guarda onde considerou ser "inquietante", numa alusão à falta de esclarecimentos do Governo sobre o caso de "irregularidades graves que ocorreram no âmbito da adoção de menores", referência a "casos de corrupção ao mais alto nível da sociedade" relacionado com adoções ilegais de crianças, (presumivelmente praticados por elementos da IURD), lamentando que o Estado "se refugie no andamento da Justiça”. Ora, a afirmação do quase eis líder do PSD vem de encontro às suspeições que publiquei num post, que podem ver aqui, sobre uma manifestação efetuada por um dito movimento cívico autodenominado Movimento Verdade, com senhoras vestida de preto, à moda dos óscares de Hollywood,  para "exigir respostas" sobre os casos de adoções ilegais que envolveram elementos da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) que está em investigação e que, como tal, não deverá haver lugar à intromissão do Estado como Passos defende. É legítimo fazer a ligação entre o dito movimento com as senhoras vestidas de preto sobre as quais afirmei na altura ser promovido pela direita aproveitando mais um caso para dar uma ajuda à oposição, ou à falta dela, através de populismo demagógico.


2. Os jovens de direita filiados na JSP em busca duma carreira política após as eleições no seu partido já se encontram muito ativos e estão a preparar programas à sua medida para não perderem o comboio com a eleição de Rui Rio. Defendem uma agenda focada na gestão dos fundos comunitários e no conhecimento como forma de reforçar a coesão territorial. Os jovens neoliberais também já falam na valorização do conhecimento. Terá sido inspirado no programa do PS?


Mas há uma palavra, essa sim, plagiada discurso de ano novo do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, reinventar. Dizem estes jovens que “Portugal precisa de se reinventar, garantindo a sustentabilidade dos territórios e das novas gerações. É aqui, na resolução dos problemas concretos que o PSD se deve apresentar com uma agenda capaz, um discurso claro e uma vontade férrea”. Palavras lindas, mas vazias de conteúdo para uma praxis “férrea”.


Falam também da “necessidade de reforçar a coesão territorial, um conceito que a JSD diz ainda estar em construção”. Pois é isso de estar em construção pode ser por tempo indeterminado, também já ouvimos isso do seu quase eis líder ao longo que quatro anos sobre cortes e tudo mais que não me apraz repetir. Mais uma tirada com referência ao “relatório europeu mais recente sobre a coesão que é citado onde reconhecem que "as disparidades regionais no PIB per capita permanecem pronunciadas, o que reflete a intensa concentração de crescimento em áreas metropolitanas." Que grande novidade! Esta foi mesmo reinventada. O tema das disparidades territoriais já estudava na faculdade em planeamento regional e local. Até hoje quantas vezes é que o PSD esteve no governo e alguma vez teve a vontade política para tratar este tema. Mas agora sim, é que vai ser.


Outro ponto parece ser também quase plagiado do programa do PS mudando as palavras quando abordam o tema mais uma vez, a área do conhecimento e da digitalização, fazem uma “agenda para a valorização económica destas matérias e a definição de planos de desenvolvimento regional que passem por aplicar estratégias da especialização inteligente”. Que frase bonita para apresentarem. É caso para se perguntar se foi apenas agora que descobriram esta necessidade do país depois de tantos anos. Caros “jotasdeanos”, disso já o PS falava no tempo de Sócrates, lembram-se?


3. Entretanto os apoiantes de Rui Rio começam a preparar-se para o congresso de fevereiro que irá confirmá-lo como presidente social-democrata e onde irão apresentar uma revisão estatutária para ir a votos apresentando uma proposta "séria, que pusesse o partido a olhar para si", dizem. Da proposta fazem parte medidas como a adoção do voto eletrónico, a obrigatoriedade de referendar coligações pós-eleitorais e a necessidade de o candidato a presidente do partido ir a votos com os nomes que pretende que façam parte da sua Comissão Política Nacional. A maior mudança pode mesmo vir a ser a das eleições diretas. O grupo sugere que aconteçam em simultâneo com o congresso, devolvendo ao PSD a mística dos grandes congressos.


Tudo isto parece ser promissor o que Rui Rio não pode esquecer é da oposição que os neoliberais do partido criados à volta de Passos Coelho estão preparados para uma oposição férrea após Santana ter perdido as eleições internas. Os fiéis seguidores da linha de Passos como Luís Montenegro autoexclui-se da futura direção de Rui Rio e assume divergências sobre a estratégia política. Outro da ala direita mais radical, membro da equipa de Santana Lopes, Carlos Carreiras, quer construir uma “proposta radicalmente alternativa ao socialismo”. Muitos outros estão a postos numa atitude conservadora e de oposição à inovação do partido e ao seu regresso a uma espécie de social democracia.

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publicado às 19:44


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