Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


O luxo da pobreza

por Manuel_AR, em 14.12.13


 


 


 


  







 


As fotografias que tirei no dia 4 de dezembro de 2013 pelas 16 horas no decurso das minhas deambulações por Lisboa mostram um rosto do verdadeiro Portugal que contrasta com a exibição de luxo.


É possível repousar em Portugal tendo como abrigo as montras da luxuosa marca PRADA sem nada pagar. O espaço PRADA abriu em Lisboa em junho de 2010 e tem as suas instalações na Av. da Liberdade 206-210. É umadas mais caras e luxosas loja de moda a quem apenas alguns, muito poucos, têm acesso. É, dizem outros, um orgulho para a capital ter lojas de luxo como esta entre outras que proliferam naquela avenida.


Angolanos, chineses e outros estrangeiros, mas também alguns portugueses endinheirados, são os clientes mais frequentes. Entre os portugueses haverá, por acaso, alguns que se endividam para mostrar aos amigos e amigas as suas compras na PRADA.


Num país como Portugal, onde a pobreza tem proliferado há os que aproveitam para repousar por debaixo do nome PRADA o que não é para todos, mas "O Diabo Veste PRADA".


 


 


Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:40

Moda para quem?

por Manuel_AR, em 06.06.12

Quando pensamos em moda associamos de imediato à adoção e utilização de um determinado modelo ou estilo de vestuário. Contudo pode ser também, uma cor, um determinado objeto, palavra, uma atitude, etc. que se generalizou. Dizemos então que está na moda. 


A moda é também um conceito estatístico que representa o valor que mais frequentemente ocorre num conjunto de valores, isto é, são o elemento ou elementos numéricos mais frequentes numa série estatística e pode ser unimodal quando apenas se refere a uma valor, ou multimodal quando os valores se agrupam em distribuições com várias modas.


Vejam-se dois exemplos: 2,2,3,7,8,8,8,9,10 a moda é 82,2,4,4,4,6,6,7,8,8,8,9 a moda é 4 e 8.


Considerando o número de pessoas que adotou um determinado estilo de vestuário ou de tendência, podemos então associar de acordo com conceito utilizado pelo senso comum que é o estilo mais frequente usado no meio de uma população.


Os estilistas bombardeiam-nos todos os anos com novos modelos no vestuário e calçado, condicionando os fabricantes a seguir as tendências que irão impor aos consumidores. Podemos facilmente efetuar uma análise comparada de moda através de catálogos de moda de várias épocas quer nos estilos, quer noa padrões. Pode então constatar-se que, para o cidadão comum, a moda torna-se repetitiva de década para década e às vezes até menos. De tempos a tempos os estilistas (antigamente denominados costureiros, quando a confeção era dominada por senhoras a que se chamava costureiras de alta costura), vão recuperar a moda, há muito tempo caída em desuso e, com mais ou menos nuance, lançam como nova e que apelidam de “vintage”. Renascidas das cinzas estão as calças à boca-de-sino, usadas nos anos 60 e 70 por pais e avós dos jovens atuais. Felizmente a moda não pegou muito, mas ainda está por aí como se pode ver.


 



 


“Seguindo a regra do estilo hippie que voltou com tudo, a tendência é que as calças boca-de-sino (ou Jeans Flare) e Pantalonas aquelas que usávamos na década de 70, serão tendência forte já confirmada…”


Fonte da image: http://sandaliamelissa.net/tag/moda-2012/


 


 As calças sem fundilho, que muitos rapazes também usam no formato “jeans”, e mais não são do que as chamadas calças de harém onde ao ditadores da moda se inspiraram e que já se usavam no tempo do Ali Babá, se é que alguma vez existiu a não ser nas histórias das 1001 noites.


 



 


 


O que se diz das calças também se pode dizer do calçado. As sabrinas, usada nos anos 50 do séc. XX, apesar de serem um clássico mais ou menos escondido nos armários, regressaram em força. 


 



Fonte da imagem: http://sandaliamelissa.net/tag/moda-2012/


 


 


Muito haveria a dizer sobre o sobe e desce das saias, o alarga e estreita das calças, a ponta dos sapatos em bico, as solas mais ou menos e grossas e os tacões em cunha já usadas no passado, os vestidos coloridos com ramos e flores do tempo das nossas avós, etc.…


 


 



  


 Fonte da imagem: http://sandaliamelissa.net/tag/moda-2012/


 


 A moda masculina é ainda mais evidente o mesmo “ramerrão” (monotonia e persistência). Os casacos descem, passado tempo sobem, colocam duas rachas atrás, retiram as rachas, passado tempo sobem mas com rachas, depois descem e coloca-se uma racha, volta a descer e sem aberturas, alargam as lapelas, estreitam as lapelas, colocam três botões, retiram os três botões, colocam um botão, colocam dois botões, sobem as lapelas, descem as lapelas e, passado tempo, voltam os três botões com lapelas estreitas, isto num sem fim do tipo eterno retorno!


 




 

 


 


 


Visto que disto não passa sempre podemos optar por vestir casacos como os do José Luís Goucha para irmos para o trabalho.


 


 



 


 


Das gravatas nem vale a pena falar, estreitam, alargam, estreitam; bolas, riscas, bolas; cores sóbrias, cores vivas, cores sóbrias; lisas, com motivos, lisas. Gravatas que se usaram há mais de 20 anos estão outra vez na moda.


Enfim, não há volta a dar, ciclicamente voltamos ao mesmo. Algumas das grandes revoluções na moda deram-se no séc. XX quando as saias das senhoras subiram acima dos joelhos para nunca mais voltarem ao que eram. Depois desceram um pouco e voltaram a subir e o sexo feminino passou a usar calças o que se tornou bastante prático.


O que pretendo dizer com isto tudo é que os estilistas, no que se refere à moda, viram o disco e tocam o mesmo, criando assim uma falsa noção de novidade e propensão para a fúria consumista, apesar da crise financeira, económica e social, gerando uma angústia nas pessoas que, para estarem “in” são induzidas a comprar novas (?) coleções, ao mesmo tempo que os armários se enchem de roupa que acabam por deixar de usar com a angústia de ficarem “out” e, desta forma, assim se vai alimentando uma indústria que, ela também, contribuiu para o endividamento de muitas famílias através dos cartões de crédito.


Estamos à espera de uma grande revolução na moda masculina quando os estilistas conseguirem que, também os homens, passem a usar saias no dia-a-dia. Que tal? É contra natura? Ora! No mundo da moda há tanta coisa contra natura!


 


A moda obedece a uma evolução que pode ser representada por uma curva logística também designada por curva de inovação e aceitação que relaciona o número de aceitantes de uma inovação com o tempo em que ela se vai expandindo. Quando se lança um determinado bem ou serviço no mercado de consumo, por exemplo um tipo de vestuário, no início apenas um número reduzido de pessoas o adota, aumentando ao longo do tepo (linha a vermelha) até atingir um máximo a partir do qual vão sendo cada vez menos até surgir um novo produto no mercado e o ciclo recomeça.


O gráfico seguinte mostra curvas logísticas que teoricamente elucida bem o fenómeno.


 



P é o número de população que adota a inovação (nova moda ou modelo) e T é o tempo durante o qual decorre a aceitação.


 


Há que ter em atenção que uma nova inovação ou moda não se inicia apenas quando está completo o ciclo. Ao fim de algum tempo outra inovação ou moda surge (linha a azul) e recomeça novo ciclo que pode coexistir com o anterior, avançado no tempo, e assim sucessivamente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:06

A moda, a roupa e a crise

por Manuel_AR, em 02.06.12
 



Fonte:



 

 

Fonte:


 

 

  


 


Em semanas de menos ocupação e com mais paciência deambulo por locais da cidade de Lisboa onde, normalmente, se situam lojas de moda e artigos de vestuário para ambos os sexos parando, aqui e ali, para ver montras e entrando para conhecer as novidade e as últimas coleções. Face ao que espreito nos manequins das montras e nos expositores questiono-me sobre a moda masculina e feminina.


Não sou contra a moda e, dentro das possibilidade, gosto de me vestir bem, mas repugna-me dar centenas, por vezes, milhares de euros por uma fatiota, camisas, calças, sapatos ou maleta de marca que, no dia-a-dia, a maior parte das pessoas não reconhece como tal, a não ser que afixe uma etiqueta da marca em local bem visível. Isto é, pago caro e faço publicidade gratuita através da etiqueta aplicada no vestuário que a marca me obriga a ostentar.


Ao olhar com atenção para os ditos manequins e expositores de moda, constato que os modelos apresentados são de tal forma estreitos, quer acima, quer abaixo da cintura, que sou levado a pensar que foram apenas concebidos para jovens anoréticos e anoréticas.


Por acaso entre nós portugueses, ainda que nos digam que estamos a atingir o limiar da obesidade, há muitos milhares de consumidores de moda que, apesar de manterem uma estatura, peso e medidas equilibradas, por mais que se esforcem não conseguem entrar, nem à força nas medidas que nos apresentam. Pode deduzir-se então que, como já disse, os modelos são destinados aos já referidos consumidores mais jovens que, em princípio, devem ser "elegantes". 


Relacionando o preço e o consumo de artigos da moda com o poder de compra dos jovens ficamos perplexos! Porquê? Porque, considerando que 35% da população desempregada são jovens; que os que têm trabalhos a maior parte é precário; que outros estão à procura do primeiro emprego, não se compreende como é que a moda e os modelos dela consequentes, e mudando de estação para estação, são, na sua maior parte, destinados ao mercado jovem. Ou não há crise ou os jovens, apesar de desempregados, não a estão a sentir e continuam a ter poder de compra através das suas famílias


Sobre o assunto das medidas do vestuário os lojistas argumentam que há também outras medidas destinadas aos outros clientes mas não exatamente os mesmos modelos e padrões. A moda não é atualmente pensada para a estatura e peso médios dos homens e das mulheres portugueses, é destinada a atingir um “target” de consumidores que, normalmente, são os mais jovens. Os outros, os de estatura média, que deve ser a maior parte dos que sustentam este país através dos seus impostos, se quiserem andar bem vestidos que emagreçam para conseguirem as formas e o peso dos(as) modelos esqueléticos(as)de pernas esguias e faces encovadas que passam nas “passerelles” os trapos que vão ser a tendência na época seguinte. Estas modas são ditada por estilistas que sentem necessidade de ser conhecidos e de que lhes afaguem o ego, apresentam estravagâncias destinadas a uma “fauna indescritível de relevante saloiice de inutilidade social e cívica” que vive à volta disso.


Inspirados nos mais diversos e desvairados ambientes sociais do passado e do presente lançam inovações que nada têm a ver com o nosso estilo de vida. Imagine-se o(a) leitor(a) a ir para o seu trabalho vestido(a) com as fatiotas apresentadas por aqueles senhores nas passerelles, como por exemplo as calças com fundilho de inspiração muçulmana.


Por último atente-se neste exemplo real passado numa loja de marca bem conhecida que, por motivos óbvios, não vou revelar: um cliente viu na montra da loja, onde se anunciava uma promoção, uma camisa cujo padrão lhe agradou. Ao ser dado o número de medida da camisa pretendida a lojista informou que, sim senhor, tinha a referida camisa com aquele número de colarinho (número médio de pessoa acimado 40 anos mas, cuja cintura não é propriamente de vespa). A lojista, antes de se deslocar para ir buscar a camisa com o número solicitado, hesitou brevemente, olhou para a cintura do cliente e, solicitamente, informou que tinha o número pretendido, mas que talvez não lhe servisse, que talvez fosse melhor experimentar. O cliente, sem estar a perceber bem, perguntou porquê. A resposta veio com um sorriso nos lábios da lojista:


- Sabe… é que… as nossas camisas são cintadas! Se quiser experimentar um ou dois números acima do que pretende eu vou buscar… mas, mesmo assim, não garanto!


Por este exemplo poderemos ser levados a pensar que o cliente era barrigudo. Pois não era não senhor! Apenas não treinava todos os dias com folhas de alface para se poder enfiar dentro de camisas cintadas, criadas pelos tais estilistas e lançadas no mercado para um determinado tipo de consumidor. Mas, com a crise que estamos a passar, talvez em breve o português de estatura média, por contenção alimentar obrigatória, possa vir a enfiar-se em roupa destinada a anoréticos(as) militantes.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:36


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.