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O mar na campanha eleitoral

por Manuel_AR, em 06.06.15


Por te cruzarmos, quantas mães choraram, 
Quantos filhos em vão rezaram! 
Quantas noivas ficaram por casar 
Para que fosses nosso, ó mar! 


 


Começo esta crónica com parte do poema "Mar Português" de Fernando Pessoa que tem a ver com a Cimeira Mundial dos Oceanos 2015, organizada pelo grupo The Economist, na Cidadela de Cascais em que participaram o Presidente da República, Assunção Cristas, ministra da Agricultura e do Mar, e o ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Jorge Moreira da Silva.


O Presidente da República tem andado ultimamente muito preocupado com as questões relacionadas com o mar e os seus recursos agora precisamente já para o fim da legislatura acrescentada com mais uns mesitos do Governo que ele apoia.


Nunca se viu o Presidente Cavaco Silva preocupado com este tema enquanto primeiro-ministro dos Governos PSD durante dois mandatos 1987 e 1991 e, mais recentemente, no seu primeiro mandato de Presidente da República.


Agora vem evidenciar a importância do mar, assunto a que não prestava grande atenção.


É uma nação marítima" disse no encontro fazendo notar que o país tem uma das mais extensas zonas marítimas do mundo e também que é necessário ter também em atenção o excesso de pesca e a sustentabilidade da aquacultura. Talvez tenha sido por isso que quando foi primeiro-ministro tenha contribuído para a destruição da nossa frota pesqueira.


Dizia Pedro Tadeu, num artigo de opinião no Diário de Notícias em 2012, "A ironia é ter sido Cavaco Silva primeiro-ministro que assistiu ao desmantelamento da frota pesqueira nacional num estranho e antipatriótico investimento na paragem de produção, subsidiada pela Europa. E mais adiante "aceitou ou se conformou com a lenta fragilização do que foi um gigante da construção e reparação naval, o conjunto Lisnave/Setenave, reduzido hoje aos estaleiros da Mitrena, modernizados, é certo, mas sem a capacidade dos tempos em que os estadistas, do Estado Novo à República saída do 25 de Abril, lá iam cortar fitas e discursar sobre aquilo que designavam como orgulho nacional. Destruiu-se esse polo industrial, no final dos anos 80, e atiraram-se para a fome, literalmente, milhares de famílias no distrito de Setúbal, que atravessaram uma crise que só começou a aliviar quando, a meio da década de 90.


Está agora o senhor Presidente tão preocupado com o mar, com os seus recursos e com a sua importância económica para Portugal.


Faz-me pensar que no limite talvez queira que se privatize a nossa plataforma continental e se venda ao Estado da República Popular da China, investidor angolano ou qualquer outro que, com o pretexto de atrair capital e investimento estrangeiro ao qual depois se lhe perde o rasto.


Bem podem agora vir falar da importância do mar na economia, como se tratasse de uma preocupação e uma grande iniciativa da Presidência da República ou deste Governo, mas que não é.


A adoção por Portugal, duma política integrada e abrangente na governação de todos os assuntos do mar já tinha sido contemplado no Programa do XVII Governo Constitucional e tinha sido objeto da Resolução do Conselho de Ministros 128/2005, de 10 de Agosto, que criou a Estrutura de Missão para os Assuntos do Mar (EMAM) e deu corpo à necessidade de adoção, por Portugal, de uma política integrada e abrangente na governação de todos os assuntos do mar, alicerçada numa estratégia transversal e multidisciplinar, contemplada no Programa do XVII Governo Constitucional.


Posteriormente a Resolução do Conselho de Ministros 163/2006 aprova a Estratégia Nacional para o Mar que esteve em discussão pública e anexa o documento final que esteve em discussão pública.


 


Quem não sabe é como quem não vê.


E termino alterando o sentido do dois primeiros versos do poema:


Ó mar salgado, quanto do teu sal 
São aproveitamento eleitoral Portugal! 

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publicado às 00:41

Incêndios e publicidade institucional

por Manuel_AR, em 10.09.12




 

http://www.flickr.com/photos/11257022@N05/7939397040/


 


Hoje, após ter visto hoje uma publicidade institucional na RTP1, não resisto a dar umas fortes gargalhadas a esta publicidade, embora o caso não seja de todo para rir. A sinopse é mais ou menos a seguinte: numa estrada um carro desportivo descapotável com o condutor com a mão de fora segurando um cigarro. Seguem-se imagens de incêndios. Sequência de texto com vos “off” dizendo em síntese “1162 hectares de floresta ardida …… e tudo motivado por um cigarro”. Mais imagens de incêndios!


Dá para acreditar nisto? Será que nos locais onde se desencadeiam os incêndios, (os maiores dos últimos 10 anos), em locais por vezes inacessíveis, é devido a cigarros! Será que os graves incêndios em intensiddae extensão desencadeados no Algarve e noutros locais como Viseu, Seia, Arganil entre muitos outros, foram provocados por cigarros? Por outro lado, as intervenções do primeiro-ministro e doutros responsáveis do governo, no que respeita aos incêndios, têm sido apenas no sentido de dizerem que irão ajudar as pessoas cujos bens foram destruídos, “mas não todos, como devem compreender”, dizem eles, e não haja uma única palavra sobre prevenção futura nem uma palavra sobre as causas dos ditos incêndios. Será que o primeiro-ministro quando fala de deixar um Potugal melhor para s seus filhos se refere apenas a medidas cegas de austeridade e não se importa com a saúde dos espaços onde eles irão viver? Quem pretendem proteger afinal? E a “abertura” dada de mão beijada pelo MAP à plantação de eucaliptos, na ânsia do aumento das exportações, poderá ou não ser também uma das causas da destruição de áreas de pinheiro? Ou será que sou também ignorante porque faço parte do povo que pretendem enganar? Agarram-se ao conformismo, assim como querem que os portugueses se conformem com as medidas que são tomadas. Será que ainda haverá paciência para isto?

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publicado às 22:44

Terrorismo e incêndios florestais

por Manuel_AR, em 03.09.12

Considero qualquer tipo de terrorismo cobarde, criminoso, abjeto e outros adjetivos similares. A morte de pessoas e a destruição de bens pelo terrorismo é lamentável e os culpados deveriam ser exemplarmente punidos. Este tipo de terrorismo a que me refiro, quando tem fins políticos, religiosos e ideológicos é, por norma, reivindicado por organizações clandestinas que querem ter protagonismo pensando assim que defendem causas. É como se dissessem, somos de tal organização, defendemos isto, estamos aqui e fizemos aquilo.


Todavia há outro tipo de terrorismo que prolifera no nosso país que é o dos incêndios das nossas florestas na época de verão, alguns cobardemente provocados, outros por negligência que não deixa de ser também criminosa.


Do meu ponto de vista estes incêndios são também atos de terrorismo premeditado tanto ou mais cobarde do que os anteriormente referidos porque destroem riquezas florestais colocam em risco pessoas e bens, não são reivindicados por ninguém, desconhecem-se quais os objetivos ou quaisquer organizações a que eventualmente pertençam. É um terrorismo sem rosto sobre o qual se tem especulado muito e descoberto pouco. Que tipo de gente é esta que obtém vantagens com este tipo de terrorismo cujas causas e origens não são conhecidas nem identificáveis, que destroem o país onde os seus filhos e netos irão viver, condenando-os a um deserto de montanhas e áreas escalavradas e onde irão surgir eucaliptos e outros “projetos” destruidores do ambiente? Afinal o que pretendem? Quem pretendem atingir?


Portugal é o quinto país do mundo com a maior área de eucalipto plantada. Esperemos, já agora, que a “fúria” das exportações, nomeadamente as da madeira para pasta de papel e o incentivo à plantação de eucaliptos que o Ministério da Agricultura, Mar e Ordenamento do Território, pela mão da sua ministra, não vá estimular os incêndios de matas de pinheiros onde depois se plantarão eucaliptos que crescem rapidamente com o consequente lucro rápido e fácil, porque este é o país do vale tudo!

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publicado às 22:12


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