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Feras de ocasião

por Manuel_AR, em 09.07.17

Feras.png


Na vida selvagem as circunstâncias influenciam o comportamento das diversas espécies. Fruto duma complexa competição ecológica feras predadoras acoitadas espreitam momentos para poder atacar a suas vítimas. Não querem uma vítima, querem várias para satisfazer a sua voracidade e manter alguma energia de reserva quando a falta de caça não lha fornece. Organizam emboscadas, às vezes com a ajuda de outros elementos da mesma espécie, para procurar as suas presas na savana onde vivem.


Esfomeadas procuram, escavam, remexem, perseguem até encontrar as suas vítimas, se possível sem dispêndio energético. Algumas utilizam outras espécies para os ajudar nos seus instintos de dominação do território de caça.


A estratégia de ataque é a de perscrutar o território e o golpe baixo contra a vítima desprevenida da sua preferência. Algumas feras mais fracas mostram-se, por vezes, mais aguerridas para conseguirem a energia de que precisam para sobreviver utilizando os despojos que os seus competidores vão deixando no terreno. Mas, pela sua fraqueza, o caminho é o colapso da sua estratégia ficando isoladas e acabando por perder a sua vítima em favor dos outros predadores mais fortes.


 Procuram o momento do ataque, mas, como não tem a força suficiente para derrubar a presa atacam com mordidelas e beliscaduras. Esperam que outras espécies mais fortes, também elas vorazes, a sigam e ajudem a dar o golpe final à presa para, depois, sem grande esforço, recolherem as sobras. Para estas ferazinhas predadoras quando a caça é rara reconfiguram as suas estratégias de ataque servindo-se de outras espécies numa simbiose, uma relação mutualmente vantajosa e da qual, dois ou mais, são beneficiados por esta associação que, provocam traiçoeiramente danos indiretos, causando vítimas e fragilizando outras pelo caminho.


 

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publicado às 21:18

Lógica e metáfora do PSD

por Manuel_AR, em 26.03.17

Os dois caminhos.png


A observação do PSD sobre o valor do défice que foi conseguido faz-me lembrar o diálogo de Alice com o Gato no livro “Alice no país das maravilhas” de Lewis Carroll:


O senhor poderia dizer-me, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui?


Isso depende muito de para onde quer ir, respondeu o Gato.


Não me importo muito para onde, retorquiu Alice.


Então não importa o caminho que você escolha, disse o Gato.


Contanto que vá dar a algum lugar, completou Alice.


Oh! Se caminhar bastante pode ter a certeza que vai lá chegar, disse o Gato.


A lógica é a ciência do raciocínio que estabelece as regras que o pensamento e o discurso devem seguir para serem coerentes, e a metáfora é uma figura de estilo utilizada na oratória e na literatura que consiste em designar um objeto ou ideia por uma ou conjunto de palavras ligada por uma analogia que produza sentidos figurados.


Vem isto a propósito das considerações sobre a redução do défice para 2,1% que o PSD teve que reconhecer publicamente a meta atingida, embora pareça óbvio que não terá sido de boa vontade, não poderia, contudo, agir de outra forma. O PSD considerou a redução do défice “positiva”, mas "feita pelo caminho errado". Ora é neste ponto nos encontramos com a lógica e com a metáfora.


Se para atingir os 2,1% de défice seguiu-se um caminho errado, então o seu valor é falso porque, ou só havia um caminho o do PSD, ou havia outro também certo. Para o PSD a lógica é se algo não é homem, então não é mamífero, o que é uma falácia. 


Quer dizer, foi atingido o objetivo, mas seguiu-se o caminho errado. O PSD e CDS seguiam o caminho certo e não conseguiram chegar ao destino. Se tivessem seguido outro caminho mais tortuoso e longo, o mais provável seria ou não chegarem ao destino ou então chegariam bastante tarde ao destino carregando com as consequências.


Ora vejamos: quando seguimos por um caminho errado é pouco provável que cheguemos ao nosso destino, o que não foi o caso. Se optarmos por outro percurso, embora certo, mas tortuoso, chegaremos tarde ao destino. Resta saber qual seria o caminho certo para o PSD de modo a chegar ao destino sem ser fora de tempo. Poder-se-á sempre pensar que seria o caminho por ele traçado anteriormente, mas pleno de incertezas de poder chegar ao destino.


Consideremos por outro lado que a afirmação do PSD seria uma metáfora, cujo sentido figurado era o de que o PSD possuía a chave do problema, então para resolver a solução não seria a fechadura que abre a porta, mas o encontrar a chave certa. Quer dizer, o caminho correto seria unicamente o seguido pelo PSD que já ficou provado que não era o adequado, isto é, não tinha a chave certa para abrir a porta. Diz, no entanto, que o atual Governo a abriu com a chave que não era para aquela fechadura, o que não condiz com a afirmação prévia.


Se assim fosse o destino não teria sido atingido e o caminho correto seria outro. Porém, não está provado que esse outro caminho (a chave), o do PSD, fosse o certo. Pode questionar-se o PSD e o CDS sobre qual a sua orientação, se é que ela existe.

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publicado às 15:52


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