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Ouço dizer todos os dias

por Manuel_AR, em 27.01.22

Maria do Céu Guerra.png

Contatei há muitos anos com Maria do Céu Guerra no espaço de um café na baixa lisboeta e por um breve tempo. Tinha-me sido apresentada por um amigo meu de longa data que com ela tinha trabalhado. Isto foi, já lá vão décadas, e a idade não perdoa.

Para quem não saiba quem é Maria João Guerra pode saber mais sobre ela AQUI.

Li este texto no Facebook e tomei a liberdade de o publicar com título da minha autoria a partir do texto sobre o qual não teço quaisquer comentários discordantes ou concordantes. Se alguém tiver dúvidas sobre o que ela escreve cada um que as tente esclarecer por si próprio!

Citação de um texto de MARIA DO CÉU GUERRA

"Ouço dizer todos os dias aos nossos clarividentes comentadores e jornalistas políticos que o António Costa está cansado. O governo está cansado!

Cansado? De que será?

- Não equilibrou a economia que o PSD (aluno exemplar da Troika já reconhecidamente errada e criminosa) estilhaçou?

- Não devolveu a dignidade ao nosso País na sua posição de membro respeitável e civilizado da Comunidade Europeia?

- Não organizou um SNS com antecedência para responder à Pandemia (estou daqui a pensar nas difamações de despesismo da direita se a Saúde pública estivesse antes do Covid-19 apetrechada pelo governo socialista para responder ao triplo das suas necessidades)?

- Não tentou acorrer ao desemprego com o Lay-off?

- Não investiu na organização de um país mais solidário?

- Não tentou (sem a mão estendida nem a cerviz dobrada dos anteriores poderes) recolher apoios em todas as plataformas europeias que com mais ou menos dificuldade se lhe abriram?

- Não tentou cicatrizar (com menos êxito embora do que desejaria) as feridas abertas com a sangria da emigração de jovens qualificados (que o convite criminoso do governo anterior abriu)?

- Não tentou sempre proteger a saúde física e mental e a vida dos seus compatriotas (a lutar com um inimigo desconhecido que todos os dias lhe fazia novas rasteiras e emboscadas)?

Que seria de Portugal se durante estes dois anos estivesse no poder um Passos Coelho ou um Durão Barroso a combinar às escondidas guerras criminosas contra a Humanidade, ou um Cavaco Silva a construir rotundas desnecessárias e a afundar a frota pesqueira e a agricultura que alimentava o nosso povo e lhe dava trabalho todos os dias, enquanto o País de letras gordas ia aprendendo com ele e os seus a embrenhar-se em «irregularidades» de colarinho branco.

António Costa: deves estar muito mais farto do que cansado.

Tu és rijo, numa semana recuperarás as forças que nenhum dos teus opositores tem para oferecer ao país.

Força Amigo! Obrigada pelo teu cansaço."

(Maria do Céu Guerra, atriz.)

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publicado às 16:27

Propostas PSD.png

Tudo o que Rui Rio promete em redução de impostos como o IRS é lá para 2025 e 2026, data das próximas eleições. Até lá o pagode que aguente. Não se pode dizer que está a mentir, mas… está a enrolar-nos com promessas que na altura poderá não poder cumprir face à evolução da economia internacional. Demagogia da melhor.

A experiência que nós temos tido com governos do PSD e CDS não têm resolvido os problemas que todos, cada um a seu modo, gostaríamos de ver resolvidos, antes pelo contrário. Com o PS também não, dirão alguns, piorou, dirão outros, talvez estejam certos, mas o que não podemos esquecer é que, se hoje vivemos melhor do que no passado também é certo e foi com a esquerda moderada que o conseguimos.

Esta campanha eleitoral tem sido muito pouco esclarecedora quanto ao que pretendem fazer se ganharem as eleições e os partidos com responsabilidades governativas, com exceção do PS que já é de todos conhecido o que pretende fazer. É o único que poderá oferecer algumas garantias de mudanças ajustadas, atempadas e progressivas.

O PSD com Rui Rio e as suas propostas vagas, por vezes ambíguas no sentido da sua fundamentação ideológica, irá seguir um modelo social neoliberal, modelo desacreditado depois da crise financeira internacional de 2008. Muitas organizações internacionais como a OCDE colocaram esse modelo em dúvida. Não sei se alguma vez Papa Francisco apelidou este sistema como “economia que mata”, mas isso é o que menos importa.

O projeto económico de Rui Rio baseia-se na redução de rendimentos das pessoas, quer por redução de salários, que por redução das funções sociais do estado; é um modelo estruturalmente baseado na austeridade para a generalidade da população; um modelo que beneficia os mais ricos e que agrava drasticamente as desigualdades sociais. Aliás o próprio Rui Rio não o escondeu e os seus apoiantes do partido já o afirmaram por palavras pouco entendíveis para a maioria das pessoas, é que o tão almejado crescimento só acontecerá anos depois de aplicado e se as condições internas e internacionais assim o permitirem. Para bom entendedor meia palavra basta.

Veja-se o que Rui Rio propõe com a baixa do IRS: redução em 400 milhões de euros em 2025 e 2024. Isto é, daqui a três a quatro anos numa lógica de proximidade de novas eleições. Mais, redução para 0,25% do limite inferior do intervalo da taxa do IMI, também a partir de 2024. Onde vai ele buscar o dinheiro se o crescimento da economia não estiver em correlação com o crescimento da receita necessária para reduzir os impostos, mesmo que a despesa diminua um pouco? Está a fazer troça do pagode!

E na saúde? No SNS Rui Rio ataca com a diferenciação, uma saúde para os pobrezinhos e outra a ser paga com os impostos de todos para os que podem pagar, veja-se: contratualização com o privado e social de consultas e acessos a médico assistente (não confundir com médico de família). Quem paga os impostos irá contribuir para os que podem pagar terem acesso aos privados de forma gratuita ou parcialmente pago; para Rui Rio o SNS deve assentar em três pilares: público, privado e social, mas o acesso ao privado, deduz-se, será pago com os impostos de todos para benefício de alguns que podem pagar.

Não basta ler o vago programa do PSD que Rui Rio apresenta, temos que ler nas entrelinhas as armadilhas que contém. O programa que Rui Rio apresenta é o mesmo que Montenegro ou Paulo Rangel apresentariam se ganhassem as eleições internas no partido e estivessem agora nesta corrida.    

Rui Rio tem fé, é uma crença que dando os maiores benefícios às empresas, redução de impostos, não fala em redução de salários, mas fala em aumentar se a economia crescer, assim, elas, as empresas, vão produzir mais e criar mais riqueza. É uma velha assunção liberal que com os acontecimentos da última crise internacional provou estar errada levando as entidades internacionais a alterar as medidas de combate à crise.

Não basta criar produtos é preciso rendimentos para que tais produtos sejam consumidos, a fuga de Rio diz ser nas exportações, esquecendo que haverá sempre lá para a Ásia que produz a custos mais baratos com mão de obra baratíssima. Isto numa lógica de que só o maior rendimento das pessoas pode originar maior consumo, maior procura de bens que necessariamente fomentam uma maior produção das empresas. Numa ótica de consumo interno é a procura que gera a oferta e não a oferta que gera a procura em que com fezada Rui Rio acredita com ajuda das exportações.

Para dinamizar a economia pouco significa injetar dinheiro nas empresas se não existir um aquecimento do consumo, este por seu lado pode gerar inflação que desvaloriza salários. E as medidas de austeridade complicam, mas fazem parte do breviário do modelo neoliberal. O que o modelo de Rui Rio a ser fosse implementado iria gerar uma redução do nível de vida das pessoas e agravadas desigualdades sociais.

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publicado às 19:06

Curem-se, mas é!

por Manuel_AR, em 23.01.22

Eleições-promessas.png

Não é apenas com debates nas televisões, na rádio e com as arruadas dos partidos que se faz campanha eleitoral, nas empresas de comunicação social também acontece de modo mais sofisticado. 

A SIC e o semanário Expresso entraram na campanha eleitoral e de tempo de antena com o PSD de Rui Rio. Basta estar atento e perceber as conotações que são feitas ao relatarem os factos relacionados coma campanha. A minha leitura é que alguns artigos são tendenciosos e projetam-se no favorecimento do PSD. Mas isto é a minha opinião, mas há outras que tem pontos de vista contrários nomeadamente os que são da fação daquela fação clubística.

Ontem dia 22/01 a SIC no noticiário das 20 horas numa das partes até parecia o canal do direito de antena do PSD. Foi uma tristeza a peça apresentada sobre a campanha eleitoral do PSD em comparação com a do PS e outros partidos. No caso do PS vimos apenas o plano de um sala vazia e durante o relato do reporter apenas a passagem de imagens fixas. Uma falta de isenção esta SIC.

A falsidade prolifera nos comentários e nas promessas que atravessam a comunicação social ávida do regresso de uma direita que imponha uma austeridade castradora de direitos a uns e distribuidora de privilégios a outros, ao mesmo tempo que acenam para todos com a bandeira demagógica ds baixa dos impostos para caçar votos, sem a certeza das promessas poderem ser cumpridas por impossibilidade de o fazerem quando o poder lhes cai nas mãos. E as escusas podem ser várias e fáceis de arranjar.    

Nesta campanha todos apostaram em associar-se implicitamente para a derrota de António Costa e do Partido Socialista, da extrema-direita à extrema-esquerda associados no desígnio para derrubar e enfraquecer o PS.

Que a motivação e o objetivo sejam as dos partidos da direita, nomeadamente do PSD, compreende-se porque a derrota de um pode conduzir à vitória de outro, mas dos outros partidos da esquerda não se justifica se não for a caça a uns votinhos que apenas obterão se vierem do PS. Se as direitas juntamente com o PSD ganharem estas eleições bem podem os seus adeptos agradecer ao BE e ao PCP-CDU. Por mais que afirme o contrário, Catarina Martins e o BE, e também o PCP, foram quem nos mergulhou nesta situação tão lesiva para todos portugueses que ela diz defender repetindo sempre a mesma cassete.

Ainda a propósito da campanha eleitoral, mas noutro sentido, o cinismo e a hipocrisia dos partidos estão a caminho da confirmação da triste evidência que é a de não cuidarem da salvaguarda da sobrevivência da democracia e da defesa do bem comum em termos de saúde pública perante esta nova realidade sanitária demonstrado nos comportamentos nas arruadas, tudo ao molho e fé no quer que seja.

É fácil preverem-se discursos futuros com narrativas eivadas de cinismo desculpando-se com o governo em transição se a coisa der ainda mais para o torto no que respeita a esta pandemia que está a propagar-se e que poderá vir a entrar numa fase sem controle.

Os líderes do CDS, do Chega e da IL deslocam-se pelo país mostrando-se sem máscara ou só a colocando quando as câmaras das televisões os captam e, mesmo assim, esquecem-se de as colocar. Não dão muito nas vistas porque a sua capacidade de atração nas arruadas não funciona tão bem nem se aproxima da dos apoiantes do PSD e PS que fazem autênticas aglomerações de irresponsabilidade sanitária.

Fazemos caricatura do líder de partidos como o ADN – Alternativa Democrática Nacional que se insurge contra as restrições e se nega a ser testado à covid-19 troçando dos cidadãos responsáveis quando estes que se protegem a si e aos outros e ao mesmo tempo os partidos ditos responsáveis zombam de nós todos quando os vemos  nas arruadas durantes a campanha para as legislativas como se nada estivesse a acontecer passando aos cidadãos uma imagem de irresponsabilidade transmitida pelos dirigentes partidários.

Durante esta campanha para as legislativas trata-se tudo menos do que realmente interessa aos portugueses e brandem argumentos para tudo desde que sirvam para cada um puxar a brasa à sua sardinha. Tudo lhes serve para ajudar ao seu querido partidinho de direita e de extrema-esquerda. Baseiam-se em pequenos casos e generalizam. A generalizações podem degenerar em mentiras. É como a tal coisa de irmos a uma janela, vermos uma andorinha, abrimos a janela e gritarmos para a rua: “OLHEM JÁ É PRIMAVERA, JÁ É PRIMAVERA”. Afinal estava um frio de rachar, como está hoje, e afinal ave não era mais do que um pardal. Curem-se, mas é!  

Mesmo que se confrontem com a realidade ao pé da porta o instinto clubista rejeita argumentando que demonstram essa mesma realidade. Isto é, buscam argumentos para distorcer a realidade que perpassa nos seus olhos.

Com o cheiro do poder tudo serve para defenderem o seu clube partidário cujo “treinador” antes renunciavam, mas que agora lhe tecem elogios correndo atrás dele. Vejam-se como os neoliberais “passistas“ como Montenegro, e outros que se agarram agora a quem antes queriam derrubar para darem uma ilusão de união. São estes que irão pressionar Rui Rio/PSD a modificar o seu programa inconsistente para um outro onde o neoliberalismo se imporá como no tempo de Passos Coelho.    

Há treinadores sobreviventes apesar das propostas que apresentam serem demagógicas e, na prática difíceis de concretizar, e eles sabem-no.

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publicado às 19:37


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