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A captura da Presidência da República

por Manuel_AR, em 23.07.15

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Quem votou nas últimas eleições presidenciais em Cavaco Silva para Presidente da República  talvez visse nele um presidente distanciado de qualquer partido que viesse a ser Governo. Não foi isso que se verificou. A concretização do slogan “um partido, um presidente” foi um sonho tornado pesadelo.


Não há dúvidas de que a Presidência da República se transformou numa agência de propaganda dos partidos da coligação. Uma das mais recentes evidências do que afirmo é a defesa descarada do primeiro-ministro Passos Coelho pelo Presidente da República sobre as declarações de Jean Claude Juncker, Presidente da Comissão Europeia, ao jornal “Le Soir”.


Ao contrário de Passos Coelho e de Cavaco Silva quando o desmentem, Junker, afirmou sem qualquer espécie de gaguez política, que para além da Irlanda e Espanha, Portugal também rejeitou a marcação de uma discussão sobre o alívio da dívida grega para outubro “porque alguns países não o desejavam antes das eleições”.


Passos Coelho apressa-se a desmentir com palavras muito bem escolhidas e frases confusas chamando confuso e mentiroso a Juncker. E, pasme-se, um mentiroso nato e continuado diz que as afirmações do Presidente da Comissão Europeia “devem-se a alguma confusão” e que se trata de “uma meia verdade e de um meio mau entendimento”.


Admitindo que ambos metem, as mentiras de Juncker, colocadas numa escala de mentiras, encontra-se na escala das mais verdadeiras do que as verdades de Passos. O acesso às atas da reunião poderão ser prova do que foi literalmente dito.


O mais inacreditável é que Cavaco, como se tivesse estado na reunião sob a forma de mosca, confirmou a desculpa esfarrapada de Passos. Cavaco não se ficou por aí e, duma forma bacoca, provinciana e enganosa como sempre, quis ser popularucho ao mesmo tempo fazendo pouco dos portugueses e chamando-lhes implicitamente estúpidos afirmou com desfaçatez que os de mais baixos recurso podem vir a ter que pagar mais impostos por causa do alívio à dívida grega. Cavaco chegou àquilo a que posso chamar de podridão dos argumentos. E quer ele que a campanha decorra com seriedade quando não dá o exemplo.


Será que ainda queremos manter no poder uma maioria mentirosa, deturpadora que à custa do medo da instabilidade quer manter-se a todo custo no poder para que não se descubra sabe-se lá o quê? Para isto o Presidente coloca-se sempre do lado do Governo e assumidamente declara-se também em campanha eleitoral.


O Presidente da República, se for honesto, ao dizer que precisamos de uma maioria absoluta deve estar, decerto, a dar a entender para se votar no Partido Socialista.

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publicado às 17:44


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