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Consagração ao ajustamento neoliberal

por Manuel_AR, em 24.04.14



Um tal Professor de Economia Ricardo Reis a exercer na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, de quem até hoje e enquanto leigo mas atento a questões de economia tinha ouvido falar, veio, no suplemento Dinheiro Vivo do Diário de Notícias, tecer elogios ao ajustamento português, como se ele o tivesse sentido na pele. Em democracia tem todo o direito de dar a sua opinião, mas sobre observações teóricas já cá temos muitos a fazê-las tão bem ou melhor do que ele. Por isso, pode ficar por lá porque aqui não precisamos dos seus comentários e por lá sempre está na sua zona de conforto. Aqui já há muitos! Ser jovem e falar do alto da cátedra é sempre fácil quando nos mantemos confortavelmente numa zona intocável.


Diz então o dito professor Fernando Reis que:


a)      “… o programa de ajustamento português funcionou.”. Talvez quisesse dizer programa de empobrecimento. Não diz é à custa de quem e quais os que participaram mais e com que sacrifícios.


b)      “O desequilíbrio externo desapareceu”. Penso que este economista deve andar desatualizado sobre o caso português porque, embora tenha havido uma continuação do que já se verificado antes de este governo tomar posse, atualmente tem vido a estar em queda embora ainda pequena. Como ele deve saber tem a ver também com a economia europeia para onde exportamos.


c)      “O Estado pode de novo financiar-se a taxas baixas.” Parece desconhecer que a baixa das taxas de juro em nada tem a ver com o Governo porque elas têm estado a descer em todos os países, mesmo naqueles que estão ou já estiveram intervencionados, Grécia, Irlanda, Espanha… E, Tal é devido à intervenção do BCE para evitar especulações…


d)     Diz ainda que foram “graduais os cortes que este governo conseguiu fazer”. Acho que é preciso ter “lata”. Se foram graduais como seria de fossem precipitados? A França e a Espanha estão afazê-las num prazo mais alargado e, mesmo assim, veja-se o descontentamento.


e)      Critica os acórdãos do Tribunal Constitucional. Claro é mais um… a fazê-lo. Nada de original.


f)       Continua reafirmando que “as taxas de juro da dívida pública provavelmente não teriam descido tanto como aconteceu nos últimos meses.” Voltamos à alínea c). A baixa das taxas de juro dos últimos meses em nada tem a ver com este governo. O mesmo se verifica noutros países intervencionados como se pode confirmar consultando a evolução destas taxas nos mercados europeus.


g)      Não professor, a questão da TSU não foi, como diz, apenas “para baixar salários”, o que se pretendia era aumentar a TSU ao trabalho, reduzindo-a aos empresários o que, obviamente, reduzia o salário líquido do trabalhador. Era uma transferência de verbas do empregado para o empregador.


h)      “…as mudanças de impostos deste governo foram sempre muito progressivas.”. Por isso é que a classe média foi a mais penalizada com o aumento dos impostos e, apesar dos rendimentos mais altos serem também penalizados isso não se fez sentir porque a riqueza de alguns aumentou, mas a pobreza aumentou muito mais. Efeitos positivos do ajustamento dirá!


i)        Para terminar o jogo de hipóteses colocadas sobre desvalorização e inflação são meramente, e neste momento, académicas porque sabe muito bem que não temos escudo e a desvalorização da moeda por efeito cambial não é possível. 


Todavia, o tema da inflação que é o mote para o referido artigo é a única parte que, do meu ponto de vista, encaro como isento porque real e objetivo. Quanto ao resto não é mais do que um ponto de vista de ajuda ao governo em funções dando uma ajudinha para as eleições. A economia, sendo uma ciência social, também pode ser utilizada, sempre que convenha, para fazer política, digo, propaganda ideológico-partidária, e as eleições europeias estão à porta.


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publicado às 23:02

Inflação apenas atinge alguns

por Manuel_AR, em 28.12.12


 




 


 
 

 



 


O ano de 2013 vai começar bem para os portugueses, novamente vítimas deste governo, com o aumento de preços de bens e serviços, aos quais não podem fugir, como a eletricidade, 2,8%, gás, 2,5%, transportes, 0,9%, portagens, 2,09%, as empresas de comunicações móveis, com aumentos superiores à inflação e taxas moderadoras do Serviço Nacional de Saúde. A justificação para estes aumentos é a inflação apesar de se estimar que irá abrandar em 2013 em 0,9% de acordo com a RTP com a Lusa. Por outro lado, como são serviços e bens aos quais não podemos fugir ou de utilizar substitutos. Apesar de nos dizerem que há concorrência, então se todas aumentam os preços como escolher? Não será caso de concertação de preços? Em regime de mercado livre não nos prometeram a opção de escolha e a consequente baixa de preços?


Parece que, para o governo, a inflação é apenas sentida pelas empresas que fornecem aqueles bens e serviços e que os salários e pensões dos portugueses não têm nada que ser atualizados de acordo com a mesma taxa de inflação. O que acontece é que, devido a redução do consumo, os resultados das empresas baixaram e então haveria que aumentar os preços. Antigamente queixavam-se dos elevados salários pagos e que, devido aos aumentos salariais e de outros custos que justificavam a inflação e os aumentos de preços. Agora o que os justifica é mais uma vez a inflação que vai aumentar na formação dos preços mas não na dos salários.  


Para além dos cortes dos salários e pensões e aumento de impostos os rendimentos vão ainda baixar mais com o aumento dos preços. Não foi por acaso que foi aprovado no parlamento pelo PSD, CDS/PP e também pelo PS (a posição deste não entendi) o pagamento em duodécimos de parte dos subsídios. Como já tinha afirmado em “post” anterior a que chamei Artimanha este é um artifício para contentar os portugueses e induzi-los que a sua capacidade financeira não foi tão má quanto esperavam, que acontece é que este valor vai ser totalmente absorvido não apenas pelos aumentos que referi mas por outros que irão vir por aí. Preparemo-nos para que os subsídios a partir de 2014 ou 2015 deixem de existir porque passarão a ficar para sempre incorporados nos salários e que também justificará também o congelamento de salários durante vários anos. Continuam a enganar-nos!


Estou a fazer futurologia? Resta a esperança de que me engane, o que duvido.

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publicado às 22:30


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