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O insulto

por Manuel_AR, em 21.03.17

Bebados_Jeroen Dijsselbloem.png


Nós, portugueses, não podemos permitir que nos insultem, somos membros de pleno direito da União Europeia, temos os mesmo deveres e direitos que todos os outros países e, para tal, temos contribuído.


Não podemos permitir que um qualquer sujeito político dum qualquer país com problemas políticos de extrema direita faça afirmações que em nada contribuem para a credibilidade dos das instituições europeias e pelos que desempenham altos cargos da U.E. Refiro-me, está claro, ao sujeito que é do Partido Trabalhista social-democrata holandês, o PvdD, Presidente do Eurogrupo e também Ministro das Finanças da Holanda desde 2012 que dá pelo nome de Jeroen Dijsselbloem. Este senhor insultou os países do Sul, entre os quais estamos incluídos, eu, vocês, todos nós os portugueses, acusando-nos de gastarmos dinheiro "em copos e mulheres". “Acusou o Sul da Europa de desperdício de dinheiro em "copos e mulheres", durante a crise que conduziu ao resgate financeiro de países como Portugal, Grécia ou Espanha. E recusa pedir desculpas”.


Este sujeito cujo partido esteve até então no poder descarrega a sua frustração pela perda das eleições sofrendo um desaire eleitoral nunca visto nas últimas eleições holandesas, passando para o décimo lugar. A responsabilidade da perda parece ser, segundo ele, dos países do sul.


Jeroen Dijsselbloem está equivocado. Quem vem para Portugal gastar dinheiro em copos são os dos países do norte, nomeadamente os holandeses (ainda bem para nós). É vê-los nas esplanadas do Algarve sempre com copos à frente durante todo o dia e, nas praias, consumindo garrafas atrás de garrafas de cerveja e de vinho. Mas não é só cá entre nós, lá na Holanda também, quando, nos fins de semana, apanham carraspanas de meia-noite.


O dito sujeito deve ter andado pelas casas de chuto que a Holanda criou e legalizou e, “pedrado” fez aquelas declarações.  


Alguém, talvez uma direita que também sofre síndrome da perda do poder, deve ter contado ao ouvido de Dijsselbloem uma novela, mas, ao contrário, o que o inclui no grupo dos disparatados ressabiados pela perda. Para ele fomos nós os portugueses e outros países do Sul que o fizemos perder as eleições ao seu partido.


Afirmações e linguagem digna dum Geert Wilders ou qualquer outro da extrema-direita e até de um Donalda Trump.

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publicado às 19:22

Uma vitória difícil e amarga

por Manuel_AR, em 16.03.17

Holanda_Eleições.png


Na Holanda concorrem às eleições 29 partidos, (ainda há quem proteste porque em Portugal há demasiados partidos). Não houve um partido vencedor e em eleições anteriores também não. Na Holanda costuma ser regra fazerem-se coligações entre duas ou mais forças com ideias diferentes. E tem sucedido não ser o partido vencedor, não tendo maioria parlamentar que venha a formar governo. Já houve alturas cujas circunstâncias levaram à formação de geringonças que funcionaram.


O partido mais votado foi o VVD, Popular para a Liberdade e Democracia da direita cujo resultado foi muito inferior a 2012 quando obteve 26,5% contra 21,3% em 2017. A extrema direita (PVV), do populista Geert Wilders consegue ficar em segundo lugar e foi um dos vencedores tendo conseguido mais 3% dos votos do que em 2102 com mais cinco deputados.  Mas olhando para o mapa eleitoral da Holanda podemos verificar que a extrema-direita ficou confinada a pequenos redutos como se pode verificar no mapa anexo.  


O Partido Trabalhista PvdA, de Jeroen Dijsselbloem, e ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo, perdeu 29 deputados, ficando em sétimo lugar. Este desastre eleitoral terá sido devido ao PvdA, partido trabalhista holandês equivalente ao Partido Socialista português, ter feito uma coligação com a direita no poder tendo, por isso, sido penalizado. O mesmo poderá acontecer ao PS se alguma vez se aliar à direita do PSD para formar governo. Sobre este assunto já me pronunciei no tempo em que, após as eleições o PSD pretendia aliciar o PS para algo que a que chamavam entendimento e sobre o qual vinham insistindo desde o tempo de António José Seguro.


Na Holanda a semente da extrema-direita foi lançada os partidos democráticos terão que arranjar soluções para que o vírus vá por si mesmo sendo exterminado. Enquanto tal não acontecer a Europa não se pode congratular com as pequenas vitórias dos partidos europeístas.


 

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publicado às 22:44

Durão Barroso o menor denominador comum

por Manuel_AR, em 03.08.14


  


 O beijo de judas?


 


Um artigo de opinião escrito por Alexander Hagelüken, publicado no jornal alemão Süddeutsche Zeitung em junho de 2014 página 17, aborda a presidência de Durão Barroso na Comissão Europeia terminando da seguinte forma:  "Há dez anos, a última vez que os chefes de governo conferenciaram para encontrar um chefe para a Comissão, afastaram todos os candidatos fortes e chegaram a acordo quanto ao menor denominador comum: chamava-se Durão Barroso. Mas, Barroso, não tinha competência para lidar com a crise. E um candidato do mesmo género também não teria competência para poupar a Europa a uma noiva crise."


É assim que os alemães veem em Durão Barroso, a incompetência personalizada para lidar com a crise escolhido como um mal menor que seguisse, com subserviência, os ditames que a Alemanha e os países do norte como a Holanda e a Finlândia exigissem. Mas parece que não foi suficiente.


O autor do artigo admite que os países da Europa atravessaram a crise de formas diferentes e aponta muitos países, especialmente os do Sul, que "se deixaram enganar pela taxas de juro excecionalmente baixas" ficando embriagados pelo artificialismo do crescimento da construção sem prestarem atenção à concorrência internacional derivada da globalização.


Como mau exemplo aponta os países do sul porque os bons exemplos encontram-os na Alemanha, Finlândia e Holanda onde se passa exatamente o contrário porque "reformaram os seus mercados de trabalho e os seus sistemas sociais em função da realidade da globalização".


Tanto quanto se sabe as reformas que se praticaram nestes países foram lentas e sem ou com pouca dor ao contrário do que impuseram aos países do sul como Portugal, neste caso também por culpa do atual governo que, aliado a Durão Barroso e aos seus chefes europeus do norte, quis ser mais papista do que o papa, mas parece que não o foi suficientemente.


Por outro lado, Hagelünken, no seu artigo alinha pela visão da severidade da disciplina orçamental apontando como bom exemplo os países do norte e critica os erros e o mau exemplo do sul e acrescenta que "chegou o momento de trabalhar em equipa, seguindo uma viagem comum".


As críticas apontadas são o "déja vue" que incidem sempre sobre os mesmos trabalhadores, e reformados. Os cidadãos (ele evita o termo trabalhador, e refere-se apenas "a alguns países") reformam-se tão cedo que os sistemas de pensões serão em breve impossíveis de financiar. Faço um parêntesis para recordar que, em Portugal, a antecipação das reformas foi fomentada pelo atual governo durante os três últimos anos. Os que estão empregados, esses bandidos, digo eu, gozam de tantos privilégios que as empresas não contratam jovens profissionais e o desemprego juvenil explode. A burocracia sufoca as iniciativas empresariais que poderiam criar prosperidade. Estas asserções são aquelas que temos ouvido nos últimos anos por Passos Coelho seus apaniguados e arautos do governo, seguidores exemplares de subserviência aos países do norte.   


As advertências de Van Rompuy são salientadas pelo autor do artigo ao afirmar que "as perspetivas conjunturais da Europa são demasiado negativas para, a prazo, conseguir continuar a financiar os benefícios do Estado social, tão importantes para os cidadãos".  Pode inferir-se que o problema está nos cidadãos que conquistaram os Estado social e o querem manter e, por isso, há que destruí-lo. Contudo não refere a questão da especulação financeira, dos offshore, das negociatas destruidoras da economia por alguma banca. O problema está sempre nos mesmos, portanto devido à competitividade e à globalização tem que se proceder a reformas que conduzam a prazo, reformas, para nos colocar a par de alguns países asiáticos em que o trabalho é pago a troco de umas moedas e uma tijela de arroz e sem direitos sociais. Isto apenas para alguns, os do sul, para que os do norte possam continuar a viver bem.


Portugal é o único país do sul que apoia as políticas que os do norte querem impor através de acordos sobre as reformas (apoiadas pela chanceler Merkel) já que, em França, na Itália e na Espanha não encontra aliados.


Considerando Durão Barroso fraco e um "menor denominador comum" que não foi um motor nem teve a dureza para impor uma política de reformas, termina aquele pregoeiro da austeridade para os países do sul dizendo que "Merkel tem todo o interesse em deixar as rédeas da Comissão a um homem forte, alguém como Jean-Claude Juncker, (eleito já depois da publicação do artigo). Só um homem com esta têmpera pode impor as reformas necessárias no sei da EU.


Se assim for estamos bem servidos com este e com futuros governos. Entretanto cá estamos para pagar com os nossos impostos os desvarios oportunistas e as trafulhices da banca como está a ser paradigmático o caso do Grupo Espírito Santo no qual se inclui o BES.

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publicado às 16:18


 


A União Europeia com as políticas de austeridade que tem imposto, por força da Alemanha, tem andado distraída e está a dar lugar ao surgimento de e fortalecimento de movimentos populistas da extrema-direita cujos discursos anti Europa e anti-imigração tentam interpretar o sentimento dos povos, incentivando e fazendo apelo a sentimentos nacionalistas, xenófobos e racistas. Ao mesmo tempo, mascarando-se com roupagens e linguagens de falso apoio ao Estado social, apropriam-se de conceitos e ideias chaves utilizadas pelos partidos de esquerda.


Há dois exemplos que muito nos devem preocupar, a nós portugueses enquanto cidadão de Portugal e pertencentes, quer queiramos, quer não, a uma União Europeia mesmo que a muitos nada diga. O primeiro, na França, parece muito longe mas não é, onde o Partido da Frente Nacional de Marine Le Pen está à frente nas sondagens. É dada como a vencedora das europeias com cerca de 24%, seguida pela UMP (União para um Movimento Popular) partido de direita de Sarkozy com 22%  e, em terceiro lugar, o Partidos Socialistas Francês com 18% a 20%.  A FN atualmente com três eurodeputados está a prever chegar aos 20 eurodeputados nas próximas eleições do dia 25 de Maio.


Na Holanda, o partido da extrema-direita PVV, Partido da Liberdade holandês de Geert Wilders entre outros tais como Liga do Norte italiana, o FPOe Partido da Liberdade da Áustria, o flamengo Vlaams Belang, os Democratas da Suécia e o SNS Partido Nacional da Eslováquia -deverão eleger ao todo cerca de 40 eurodeputados.


É muito natural que, se uma maioria de direita e extrema-direita forem eleitas com maioria de eurodeputados, através de arranjos e combinações de conveniência possam cooperar em matérias vão contra os interesses das populações e da desvalorização do trabalho, direitos sociais e Estado social, o que, se sem dúvida se irá refletir em Portugal.


Atualmente a Frente Nacional encontra-se inscrita no grupo dos "Não Inscritos" no Parlamento Europeu, isto é, não está inserida em nenhum grupo. Todavia, é muito bem possível que as extremas-direitas se unam e forme um grupo próprio como a própria Le Pen já afirmou.


A história tem-nos dados exemplos do caminho a que conduzem os populismo de direita e de extrema-direita e os seus discursos falsamente apoiantes de sistema sociais prósperos, recuperar a liberdade, a segurança e a prosperidade, como a própria Le Pen tem afirmado em campanha eleitoral em França que acabam por desembocar, quase sempre, em ditaduras mais ou menos violentas mas, todas elas ditaduras.


Nós, por cá, parecemos estar longe com tudo isto a passar-se aqui ao nosso lado. Uma forte votação nas esquerdas poderá colocar um pouco de água na fervura das direitas radicais e extras-direitas que, passo a passo, começam a mandar e a comandar a Europa que vai ditar muito de tudo aquilo que não queremos ser e que, ao longo de 40 anos, ambicionámos.


Devemos apelar aos mais jovens, que desconhecem o que é viver com uma extrema-direita a governar o seu país, para estarem alerta para a falsidade dos símbolos verbalizados que lhes propõem, e tão do agrado da juventude, mas que não são mais do que armadilhas para a conquista de um poder que, rapidamente, limitará a democracia utilizando as desculpas do costume… Por exemplo, consensos que partidos de direita pretendem fazer com a esquerda mais moderada, são parte do seu projeto de desvalorização da esquerda afogando-a pelo comprometimento para de certo modo vir a ser limitada a democracia tal qual ela existe.


O que sustenta este tipo de cultura já não são os antigos medos incutidos pelo fascismo mas novos medos generalizados e propagandeados pelos órgãos do poder, e nos ambientes de trabalho, organizando inseguranças que alimentam novos medos como, por exemplo, medo do despedimento, insegurança no trabalho, - estes ao nível das empresas, - a bancarrota, novos programas de assistência financeira, acenar com hipotéticos cenários de despesismo, subida de taxas de juros dos empréstimos, avaliação pelas agências de rating, a insustentabilidade da segurança social e, consequentemente, as reformas atuais do no futuro, etc., etc..  


Estar atento nunca é demais!...


 


Previsão para o Parlamento Europeu 2014


pela POLLWATCH


 



 


 

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publicado às 19:02


Aproveitando-se da crise no espaço da União Europeia, especialmente nos países intervencionados, sem que muitos se deem conta, a extrema-direita está a ficar cada vez mais presente e a capitalizar apoiantes. Chegou-se ao ponto de, sem qualquer discrição, se exibirem símbolos fascistas e nazis tal como em Espanha onde símbolos franquistas são exibidos sem quaisquer complexos.


Casos concretos deste tipo de exibições em Espanha têm vindo da Juventude do Partido Popular, partido conservador que está no poder. Muitos destes jovens têm-se feito fotografar com símbolos nazis e franquistas que colocam no Facebook e no Twitter o que levou a que representantes do Partido Popular viessem desdramatizar falando de “infantilidades” e desculpabilizando-os ao dizerem paternalisticamente que aos jovens são desculpadas determinadas atitudes que são “imperdoáveis aos mais velhos”. 


Há sinais de alarme que provêm do Reino Unido, França, (veja o caso da Frente Nacional de Marine le Pen), Itália, Grécia, República Checa, Hungria e Eslováquia, todos países pertencentes à União Europeia. Em Portugal ainda se verifica uma certa contenção, talvez porque à esquerda do Partido Socialista há alguns partidos que, apesar de não terem uma elevada expressão eleitoral, ainda têm uma base de apoio social muito maior do que os seus equivalentes no resto da Europa.


O ambiente político, financeiro e económico internacional favorece os extremismos de direita que se alimentam da crise. De acordo com o jornal El País de Novembro passado, no Partido Popular de Espanha nenhum dirigente exibia símbolos franquistas nem nazis mas exibiam as cores do partido e da bandeira nacional. Atualmente, tudo mudou. Agora alguns jovens militantes daquele partido já se aventuram a mostrar publicamente símbolos franquistas.


Muitos destes movimentos extremistas surgem do interior dos partidos de direita, onde se encontram camuflados à espera de oportunidade para se manifestarem a descoberto. O curioso é que a maior parte deles são oriundos das juventudes partidárias de direita.


Já escrevi várias vezes neste blog que, em Portugal, nos partidos de direita, nomeadamente no PSD, se encontram no seu interior elementos que se denunciam pelas suas declarações públicas e na Assembleia da República que podem ser interpretadas como posições ideológicas de natureza pró nazi e segregacionista.


Não é de admirar que haja pontos comuns na origem destes grupos da extrema-direita europeia porque na prática estes grupos são oriundos dos partidos liberais, ou, no mínimo, provenientes ideologicamente deles mas que radicalizaram as suas posições.  Veja-se o caso do holandês Geert Wilders, antieuropeísta, do grupo dos partidos chamados Tea Party, líder da oposição holandesa que teve origem nos liberais e que conseguiu ser o terceiro partido mais votado nas últimas eleições.


Não é por mero acaso que está em negociação uma aliança entre o político da extrema-direita holandês Geert Wildess e o de Marine le Pen antes das eleições de maio de 2014 com o objetivo de “perturbar o funcionamento do Parlamento Europeu e destruir a EU a partir de dentro”. Esta aliança poderá incluir também partidos idênticos da Itália, Suécia e Bélgica.


Será esta também uma oportunidade para os partidos antieuropeístas de esquerda aproveitarem e darem, como habitualmente, uma mãozinha de abertura à extrema-direita?


Nas próximas eleições para o Parlamento Europeu devemos estar muito atentos e votar no sentido de que em Portugal não se venha a verificar o mesmo.    

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publicado às 17:53


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