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Coitadinho do PCP que tem sido uma vítima

por Manuel_AR, em 28.07.22

PCP uma vítima (3).png

A ERC - Entidade Reguladora para a Comunicação repreende a SIC, qual menina malcomportada, porque o menino PCP fez queixinha e disse que aquela menina o tratou mal. Fez o papel de donzela ofendida. O PCP quer tentar demonstrar que anda a ser perseguido, o que é no mínimo patético para não dizer caricato.

O PCP e os seus dirigentes entraram em delírio e vitimizam-se. Coitadinho do PCP fez queixinha porque a cobertura noticiosa do comício do 101.º aniversário no Campo Pequeno em março teve um “registo opinativo, que desvaloriza e ridiculariza a posição” do partido, o que contrariou o rigor informativo e a isenção a que a SIC está obrigada por lei, escreveu na altura a ERC.

O que a voz off ao dar notícia do acontecimento disse foi que “Aos 101 anos, o PCP já tem idade suficiente para dizer sempre a mesma coisa”. Eu, que desde o 25 de Abril e no tempo de líder Álvaro Cunhal tenho ouvido sempre o PCP reproduzir sempre a mesma cassete, com mais ou menos variantes consoante os momentos.

Para melhor compreender o que desvairou o PCP reproduzo o que o jornal Público publicou sobre o que foi afirmado no comício: “o PCP não apoia a guerra” e que “não tem nada a ver com o Governo russo e o seu Presidente”. Acrescenta a notícia citando a voz off que “… isso não significa que o partido apoie Zelensky, antes o critica, e afirmou ainda que Jerónimo de Sousa “repete a cartilha” quando fala da responsabilidade dos Estados Unidos na promoção da guerra. “E assim se chega aos 101 anos”, remata a voz off.

A ERC parece ter entrado no jogo do PCP pois que no comunicado diz que embora realce que não se exige que as notícias “sejam um relato neutro e acrítico dos factos noticiados” e que podem integrar uma “componente analítica e interpretativa”, considera que os comentários feitos na peça não são uma interpretação, mas uma opinião que “desvaloriza e ridiculariza a posição do PCP” assente numa “avaliação pessoal e preconcebida do jornalista”. Coitadinho do PCP!

Por fim o segundo o mesmo diário o PCP congratulou-se com a decisão da ERC e aproveitou para lamentar que este não seja um caso isolado, antes um “exemplo de práticas recorrentes de manipulação e deturpação deliberadas das posições” do partido “particularmente presentes” no grupo Impresa, nomeadamente nas coberturas eleitorais. Mas o partido também considera “incompreensível que não sejam retiradas quaisquer consequências” da decisão do regulador, que se limita a “instar” a SIC a cumprir a lei. Mais, uma vez coitadinho do PCP que é uma vítima de uma empresa de comunicação.

Quem costuma ouvir os porta-voz e os dirigentes do PCP pode confirmar que, quer nos comícios, quer ao falar aos órgãos de comunicação, são, de facto, uma espécie de cassetes repetitivas.

Sobre a questão da Ucrânia o PCP bem pode gritar e dizer em abstrato que é contra a guerra e pela paz, (era mais o que faltava dizer o contrário), e que não tem nada a ver com o Governo russo e com o seu Presidente, ao mesmo tempo que responsabiliza os EUA pela guerra.

O PCP nunca afirmou claramente que rejeita a invasão da Ucrânia pela Rússia. Limita-se a falar, tal como o Kremlin, na operação especial, agora já mudou um pouco este discurso. De facto, não houve formalmente uma declaração de guerra, mas houve, objetivamente, uma invasão para ocupação de território de outro país. Se alguém leu ou ouviu alguma declaração de rejeição clara e concreta da invasão da Ucrânia por parte da Rússia de Putin agradeço que me informe quando e onde! Pode ser falha minha.

O PCP bem pode dizer que nada tem a ver com o Governo russo nem com Putin, mas deve saber muito bem que o Partido Comunista da Federação Russa, o PCFR, apoia Putin na questão da Ucrânia.

Tudo isto sobre a queixinha do PCP à ERC é uma espécie de faz de conta para enganar incautos que também serviu para mobilizar e motivar as suas hostes internas que devem andar um pouco desmobilizadas e tristonhas. Voltou a salientar que se houver algum militante ou simpatizante do PCP que leia este “post” e que ache que o partido oficialmente condena a invasão da Ucrânia pelo Presidente da Rússia que o escreva claramente nos comentários.

Se partidos da extrema-direita lhe apanham o jeito, aliás parece que já o apanharam, como se viu na peixeirada que fizeram na Assembleia da República aquando da discussão do Estado da Nação e que ameaçaram fazer queixinha ao Presidente da República. Ou será que o PCP os quer imitar?

Por favor, senhores do PCP, não façam por perder a dignidade que sempre tiveram e que o povo português sempre respeitou, mesmo os que, racionalmente, não concordam com as suas posições políticas e ideológicas.

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publicado às 12:18

Afinal as cassetes ainda existem

por Manuel_AR, em 13.05.22

“A conversa dos políticos ocidentais sobre liberdade e democracia é pura conversa”. (Palavras do líder do Partido Comunista da Federação Russa, numa reunião dos ativistas do partido realizada em Moscovo a 3 de abril de 2022)

Putin Imperador-2.png

O grande perigo para a Europa e para o Mundo não vem da NATO, nem dos EUA, mas do presidente Vladimir Putin. A pergunta que se coloca é a de saber se a Suécia e a Finlândia teriam pedido com brevidade a entrada na NATO caso Putin não tivesse invadido a Ucrânia. Putin passou a ser um fator de instabilidade também para a União Europeia que, segundo ele, teria a pretensão de desagregar.

Agora um ditador candidato a “imperador” quer pressionar a Finlândia, país autónomo, soberano e independente, a não aderir à NATO e, por isso, ameaça tudo quanto mexe. Desde quando um país obriga outro a seguir os seus ditames com a justificação de se sentir ameaçado. Por aqui vê-se quem ameaça o Mundo e qual a sua estratégia para o enfraquecimento dos mecanismos de proteção e defesa dos países que os rodeiam.

Putin nunca viu com bons olhos que Helsínquia aderisse em 1995 e encontrasse na União Europeia o seu espaço estratégico preferencial. A questão da adesão à NATO nunca se tinha colocado apesar de ser essa a preferência de grande maioria dos finlandeses.

Vamos ver se a Turquia deixará, ou melhor, não se oporá!

Putin, em vez de fazer uma aproximação à Europa e ao ocidente optou por se dispersar com divagações pouco credíveis conforme é citado no Kremlin: "O nosso dever comum é impedir o renascimento do nazismo, (o sublinhado é meu), que trouxe tanto sofrimento aos povos de vários países. É necessário preservar e transmitir (...) a verdade sobre os acontecimentos da guerra, valores espirituais comuns e tradições de amizade e irmandade". Palavras vazias sem sentido e que contrariam as suas ações pois atua pior do aqueles que diz estar a combater.

No dia 8 de maio Vladimir Putin, por ocasião do 77º aniversário da “Vitória na Grande Guerra Patriótica”, enviou mensagens de congratulações para vários países onde declarava, repetindo qual cassete gravada, que "Hoje, o dever comum é evitar o renascimento do nazismo, que trouxe tanto sofrimento para as pessoas de diferentes países. É preciso preservar e passar aos descendentes a verdade sobre os acontecimentos dos anos de guerra, valores espirituais comuns e tradições de amizade fraterna".

Que valores são estes a que se refere vindos de quem agride, ameaça, causa sofrimento com falsas justificações através de uma retórica mentirosa como a de “impedir o renascimento do nazismo” quando os seus atos, práticas e discursos contradizem o que ele diz querer evitar?

A utilização de forma genérica, mas específica, das palavras nazismo e desnazificação aplicados ao caso da Ucrânia não surgem por acaso. Foram escolhidas porque ele sabe que a nível mundial, estas palavras estão ainda bem presentes nas memórias coletivas dos povos e têm uma carga muito negativa. Daí a insistência no apelo demagógico contra o renascimento do nazismo passando a mensagem de que ele é o libertador das nações oprimidas pelo nazismo.

Falar de desnazificação e acusar a NATO de ser a responsável pela agressão à Ucrânia é, pelo menos, risível. São estratégias de desvirtuar informação apontando a outros, erros, falhas, atitudes e intenções que não servem senão para ocultar as do agente emitente. Como em qualquer totalitarismo, na Rússia de Putin a desinformação, a mentira, a mentira por omissão e a deturpação de factos são a regras aplicadas ao povo.

Porém, podemos questionar em que diferem as atuações de Putin daqueles que ele diz querer libertar os povos.  Nazismo é um tipo de fascismo totalitário com forte natureza nacionalista, agravado por radicalismos racistas, étnicos e xenófobos. A Rússia do presidente Vladimir Putin é uma autocracia com uma forte componente totalitária que se estende à regulação de todos os aspetos da vida pública e privada da Rússia, conforme informações que vão chegando ao nosso conhecimento. A Rússia é governada, na prática, pelo poder de uma única pessoa política e de fação personalizado em Vladimir Putin cuja autoridade não tem limites. A Duma (câmara baixa da Assembleia Federal da Rússia), não passa de um conjunto de deputados que são uma espécie de “Yes men”, até mesmo o Partido Comunista da Federação Russa, de que irei escrever mais adiante.

Como nos regimes totalitários e no nazismo Vladimir Putin tem implementado no seu país, repressão, perseguição a opositores, censura obstinada que proíbe publicação de informação que lhe seja desfavorável tornando-a inacessível às populações, etc.. Por outro lado, Putin tem apoiado financeiramente partidos xenófobos e racistas da extrema-direita na Europa. O que é isto afinal?

Lamentável é também haver em alguns países do ocidente partidos e pessoas que, dizendo-se democratas, apoiam ditaduras e um ditador que invade um país soberano. Neste alinhamento também se encontram os que dizem estar a favor do povo e da cultura russa, o que é indubitavelmente aceitável, mas são também esses os que defendem, tipo "copy paste", o pensamento presente nos argumentos discursivos de Vladimir Putin.

Tudo isto conduz-me, mais uma vez, aos argumentos do PCP em relação à invasão da Ucrânia. Em primeiro lugar, é preciso também que se entenda o pensamento do PCFR - Partido Comunista da Federação Russa que “aplaude” a decisão de Putin sobre a “intervenção militar” na Ucrânia, basta ler os discursos de Gennady Zyuganov, líder daquele partido.

Recuemos então seis anos, 2016, e recordemos o que o líder do PCP disse no discurso de abertura do XX Congresso do PCP, em Almada, acerca da União Europeia e do Euro a quem não poupou críticas por serem, segundo ele, a “fonte dos maiores males dos portugueses”. Dizia então Jerónimo de Sousa, referindo-se a um discurso feiro no Parlamento Europeu sobre o Estado da União Europeia que, segundo ele, não se tratava de "maquilhar, refundar ou democratizar" a União Europeia (UE). Nem "mudar alguma coisa para ficar tudo na mesma". Disse que os comunistas não estão aqui para isso. Querem mesmo mudar o mundo e, quanto à UE, "articular ruturas que permitam construir uma outra Europa". Isso mesmo, mudar o mundo para que lado? O que pretenderia ele dizer na altura com a construção de uma nova Europa? Seria uma espécie de premonição do que se iria passar?

Mesmo com uma pequena margem de erro é o que, atualmente, o presidente Vladimir Putin e o seu partido Rússia Unida acolitado pelo Partido Comunista da Federação Russa, têm afirmado. Cada um que tire as ilações que entender.

Recentemente as palavras de Jerónimo de Sousa também não levantam dúvidas sobre o seu alinhamento com o seu congénere da Rússia, o PCFR,  e com Putin ao considerar que não houve uma invasão nem que há uma guerra na Ucrânia causada pela Rússia, mas sim “uma operação militar” embora acrescente que o PCP “condena”.

A subtileza passa a  evidência quando se refere a “operação militar” em vez de guerra (de facto, não houve formalmente uma declaração de guerra),  mas enfileira com a retórica de Putin apesar de, como disse, ser capitalista, única verdade.

Jerónimo de Sousa, no entanto, admite, contradizendo-se, que “Há uma guerra, isso é incontornável”, e esclarece que “é claro para o PCP que estamos perante uma Rússia capitalista” da qual “o PCP claramente se demarca”, “não tendo nada a ver” com Putin. Jerónimo de Sousa é muito hábil só que, por acaso, não deve ter lido os discursos de Putin e do secretário-geral do PCFR, ou, se os leu, fez-se de esquecido.

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Vamos lá ver então se eu entendo: “não houve uma invasão”; “houve uma operação militar”; “há uma guerra e isso é incontornável”.

Analisemos então qual a aproximação das narrativas do PCP com a intervenção do líder do PCFR - Partido Comunista da Federação Russa, Gennady Zyuganov, em 3 de abril de 2022 numa reunião dos ativistas do partido realizada em Moscou sob o tema “Temos que resistir e vencer.”, onde o líder do Partido Comunista da Federação Russa recordou a solidariedade das forças patrióticas de esquerda do mundo. A ortodoxia no seu melhor.

Gennady Zyuganov tem a certeza de que o objetivo “é derrotar o nazismo e o fascismo, caso contrário, se espalhará por toda a Europa "e muitos jovens terão que usar sobretudos". Nazismos e fascismo são palavras coincidentes nos discursos de Putin e de Zyuganov. O chefe da fação comunista afirmou ainda na Duma do Estado da Federação Russa que "Se todos nós – a Duma, o Conselho da Federação e o Conselho de Segurança – apoiamos a operação especial, devemos explicar às pessoas o que estamos a perseguir, por que é que apoiamos ativamente os que defendem fielmente o mundo russo, a nossa língua, dignidade e Donbass, e a nossa amizade com a Ucrânia."

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Em 19 de abril já tinha afirmado algo sobre a “mentalização” pró militarista agressiva dos jovens russos ao dizer que "acreditava que nas escolas e nas universidades haveria muito trabalho para explicar a situação em que todos nós nos encontramos. Mas não vejo e não sinto isso nem nas atividades de ministros, professores, diretores de escolas ou figuras culturais", disse Gennady Zyuganov.

Zyuganov chega a lembrar as palavras do presidente Putin numa reunião com jornalistas estrangeiros em outubro de 2021 onde disse, (no contexto dos problemas socioeconómicos da humanidade que pioraram e que houve turbulências em escala global) que "O modelo existente de capitalismo na grande maioria dos países esgotou-se". Zyuganov acrescenta ainda que "Olhando para Biden, esta múmia ambulante, que ameaça todos, torna-se assustadora para a América". O líder do PCFR disse ter tirado uma conclusão ao observar que a Alemanha começou novamente a apoiar o nazismo, e a França está totalmente dançando ao som americano. O segredo foi revelado, é o ódio aos EUA. É assim que as coisas começam, agressões imaginárias, ódios, seja ao que for, como etnias, raças, nações, países que servem como bodes expiatórios para justificarem agressões e perseguições. É assim o nazismo!

Zyuganov afirmou ainda que “vamos ter de lidar com todos os desafios, porque, na sua maioria, os cidadãos do espaço pós-soviético já entenderam quem é o organizador da nova agressão. E toda a conversa dos políticos ocidentais sobre liberdade e democracia é pura conversa. "Estamos presentes no final do conto de fadas sobre o mercado, sobre o livre comércio, sobre a liberdade de expressão", continuou o líder comunista (os sublinhados são meus). Sobre política externa da Rússia Zyuganov observou ainda a importância da interação da Rússia com a China, Índia, Vietname, Irão, Paquistão e Turquia.

Terminou prometendo que “Faremos de tudo para trazer paz à Ucrânia fraternal. Faremos tudo para desenvolver a nossa união", e que "vem uma nova etapa no processo de integração. E tenho certeza de que o Partido Comunista e as forças patrióticas de esquerda estarão na vanguarda deste trabalho, preparando-se para o centenário da formação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas", concluiu o líder do Partido Comunista da Federação Russa. A mensagem de agressividade deste senhor líder de um partido que fala em paz, amizade e fraternidade está patente no seu discurso no “Dia da Vitória na Grande Guerra Patriótica”.

A razão por que inclui estas passagens do discurso de Zyuganov é por que, nas entre linhas, encontram-se pontos de vista aproximados aos de Putin que o PCP parece perfilhar fazendo-o através de narrativas travestidas que não evidenciam substância e cuja conversa é apenas o que está na superfície para convencerem e apelar a potenciais adeptos.

Mais recentemente numa intervenção num comício no dia 1º de Maio de 2022 o líder do PCFR, Gennady Zyuganov, afirmou que “agora na Ucrânia, a Rússia está a lutar principalmente por um mundo multipolar. “Estamos lutando pelo mundo russo, porque o mundo russo não está nos planos deles”.

A propaganda de Putin tem conseguido ter eficácia junto dos seus agentes e adeptos no ocidente e tem como grande aliado o Partido Comunista de Federação Russa. Comparando tantas opiniões, até da esquerda, que se indignam contra a incapacidade de alguns em condenar uma agressão imperialista assinada por um regime autocrático, verifica-se de facto quem está a fazer uma “tentativa de impor, à escala do povo, um pensamento único”, na Rússia e também aqui em Portugal.

Há pessoas que parecem ser crédulas por vontade própria que se deixam contaminar por invenções demasiado extraordinárias para que sejam autênticas veiculadas pelos canais de propaganda de Putin, tais como a da necessidade de desnazificar a Ucrânia, os laboratórios onde se preparam armas químicas na proximidade da Rússia, o genocídio dos que falam russo. O que está a acontecer é que, na minha opinião, a invasão da Ucrânia, serviu para mascarar as fraquezas internas da Rússia por ele causadas. Quem nos pode garantir que os que escrevem contra o ocidente apoiando as retóricas de Putin é que estão na posse da verdade e que todas as outras são mentiras?

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publicado às 14:23

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Este post foi escrito com base numa reflexão de Carlos Esperança aqui publicada apesar de não concordar com ele, pelo menos em parte.  

Gosto de ler textos muito bem escritos, como este (estou a ser sincero), que apelam à emoção e ao sentimento, que falam de denuncias de guerra e pedem a paz.

As guerras são motivadas por ambições pessoais, por ânsia de poder, por invasão de países soberanos, por dominação étnica, ou outras vontades que sejam. Várias questões precisam de ser respondidas com clareza sem ideologia, sem rancores, com isenção.

Será que a atual guerra imposta por Putin, (refiro Putin porque para mim não é o povo russo que está em causa, mas o regime por ele personificado) é justa? Isto lembra-me a teoria filosófica da guerra justa justificada pela forma como está a ser realizada e se de acordo com as “regras” internacionais. Quando os inimigos são extremamente diferentes, seja por causa da ideologia, da raça, ou de crenças religiosas as convenções da guerra são raramente aplicadas.

Entendo que no domínio pragmático não há guerra justas e injustas, são ambas guerras que destroem vidas até daqueles que em nada contribuíram para ela. Para as vítimas inocentes, para essas, sim, é uma injustiça.

No texto que li com atenção, nada  refere aquem começou a guerra e destruiu a paz e porquê. Justificar uma guerra de invasão com argumentos de que outros também já as provocaram e fizeram em tempos passados, discutir que há uns, os maus, que lucram com a guerra, como alguns têm escrito, em nada adianta como contributo para o fim do conflito.

Mas quem não quer a paz? Presume-se que todos a pretendamos e que seja a curto prazo. A guerra tem um objetivo: dominar outros, impor vontades como anteriormente referi. Quem opta pela guerra sabe que não vai querer negociar a paz e que não a pretende sem exigências humilhantes impostas à outra parte, a menos que saiba que sairá vitorioso. Ao esmagamento do povo atacado segue-se a paz. Senão para quê se teria iniciado a guerra?

Exigir a paz é um valor pela qual todos lutamos e ansiamos, mas, exigi-la a quem não tem moral e a destrói com pretextos duvidosos, não comprovados, e não discutidos previamente. Todos queremos a paz neste conflito, mas a quem nos estamos a dirigir ao pedi-la? Aos que atacam ou aos que se defendem? Então, nós, ao pedirmos a paz e ao pedirmos consensos a qual dos intervenientes nos estamos a dirigir? Quem deve ceder o atacante ou o atacado que se defende?

Criticar uma ou outra aliança, uma ou outra união económica ou política, um ou outro país porque também contribuiu, ou não, para a escalada por outros causada, em nada ajuda à paz.

Após iniciada uma guerra não há palavras nem varinhas mágicas que a terminem se não houver vontade pelo menos de uma das partes em litígio. Sou pela paz e não pela guerra, mas o meu lamento contra a guerra e o meu pedido para a paz, mesmo em uníssono com outros que também a pedem e a desejam, não fará ceder quem a iniciou e quem tem o poder bélico do seu lado. Ou, então, estamos a fazer pedidos de paz em abstrato, para o ar, apenas para me ouvirem dizer que sou pela paz, mas eles é que não querem.

Os negacionismos no todo ou em parte sobre uma circunstância de facto também são pensamentos únicos que se exige a outros. A divergência faz parte da democracia, mas a divergência não pode servir para negar e deturpar factos com negacionismos irracionais em favor de um dos beligerantes culpando um em detrimento do outro apenas e porque vão em direção ao que serve propósitos, sejam eles ideologicamente considerados como bons ou como maus, isto, claro, devidamente relativizado.

Vale a pena ver o vídeo que incluo, que é uma entrevista ao porta-voz da Embaixada Russa em França que foi feita no programa Télématin do canal francês TF1 e que pode Entrevista ou aqui.

Convidado pela Télématin, porta-voz da Embaixada da Rússia na França, Alexander Makogonov recusou-se a descrever a invasão russa da Ucrânia como uma "guerra". Um termo em que o jornalista Thomas Sotto não hesitou em insistir.

Transcrição parcial da entrevista.

Porta-voz russo: Pergunte primeiro, quem bombardeia os civis? Quem faz explodir os edifícios?  São os batalhões nazis e ucranianos, simplesmente para criarem essa imagem, para que essa imagem seja difundida no mundo inteiro de modo a desacreditar o exército russo.

Jornalista: Então são os ucranianos que querem sabotar o seu país, massacrar a sua população para acusar Vladimir Putin?

Porta-voz russo: É a sua tática. E ele diz ao mesmo tempo querer atingir os seus objetivos mesmo com o recurso a uma guerra. Mas para atingir os seus objetivos não é preciso bombardear civis, bombardear estruturas e matar crianças e idosos?

Jornalista: E ele diz ao mesmo tempo querer atingir os seus objetivos mesmo com o recurso a uma guerra?

Porta-vos russo: Mas para os seus objetivos não é preciso bombardedra civis, bombardear estruturas e mater crianças e idosos?

Jornalista: Apoia esta guerra senhor porta-voz?

Porta voz russo: No seu intímo. Sabe não se trata de uma guerra, mas de uma operação militar. Se essa operação militar garantir a segurança do meu país, e não só do meu pa´si, mas também de Ucrânia e de todo o continente europeu, claro que apoio a operação.

Jornalista: Mas trat-se de uma guerra.

Porta voz russo: Não é uma guerra.

Jornalista:As palavras têm significado é uma guerra.

Porta voz russo: Não é uma guerra.

Jornalista: Porquê?

Porta voz russo: Não é uma guerra porque quando falamos de guerra, é num sentido mais geral, mais global, os civis não são alvo. Os únicos alvos são os elementos nazis e os elementos do exército ucraniano que ainda resistem.

A entrevista continua e pode vê-la do site que incluí acima.

 

 

 

 

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publicado às 16:08

Ucrânia e Putin.png

Nunca escrevi sobre política internacional a não ser no tempos de Trump, mas a perigosidade do conflito e os jogos de guerra com ameaças de Biden e Putin a isso me estimularam, por isso aqui vai.

“Putin dividido entre a guerra total e o longo jogo de nervos” é o título de um artigo publicado hoje no jornal Público sobre a crise na Ucrânia que me fez recordar os tempos da Guerra fria.

As tensões entre os EUA e a Rússia, reatadas pela questão ucraniana, despertaram-me a atenção para o tempo da URSS - União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e da Guerra Fria travada principalmente nas frentes políticas, económicas e de propaganda que durou até 1991.

Quando a URSS se desmoronou com o movimento da Perestroika muitas das repúblicas que se encontravam sobre o seu domínio foram libertadas da influência soviética e os regimes comunistas nesses países entraram em colapso no final de 1989, levando ao poder governos democraticamente eleitos tendo o que conduziu à retirada gradual das tropas soviéticas desses países.

Em meados de 1980 o programa Perestroika procurava levar a União Soviética à igualdade económica com países capitalistas como Alemanha, Japão e Estados Unidos entre outros. Em 1988 foi criado na ainda URSS um novo parlamento, o Congresso Soviético dos Deputados do Povo, pela primeira vez através de eleições para esses órgãos com uma escolha de candidatos que, pela primeira, vez incluía não-comunistas, mas o Partido Comunista continuava a dominar o sistema. Gorbachev foi o iniciador mais importante de uma série de eventos no final de 1989 e 1990 que transformaram o tecido político da Europa e marcaram o início do fim da Guerra Fria.

Em novembro de 1989 deu-se a queda do muro de Berlim e no verão de 1990, deu-se a reunificação da Alemanha do Leste com a Alemanha Ocidental. Foi acordado então que a nação unificada se tornaria um membro da NATO - Organização do Tratado do Atlântico Norte, inimiga de longa data da União Soviética.

A Guerra Fria começou após a rendição da Alemanha nazi em 1945, quando a ex-União Soviética começou a estabelecer governos comunistas nos países da Europa Oriental, com o pretexto de se proteger contra uma possível ameaça renovada da Alemanha, e de que a dominação soviética no leste da Europa pudesse ser permanente. A Guerra Fria foi materializou-se entre 1947 e 1948, derivada da ajuda dos EUA na guerra e deixou alguns países ocidentais sob influência americana. Por outro lado, os soviéticos estabeleceram regimes abertamente comunistas no leste da Europa.

No entanto, na altura, fazia-se muito pouco uso de armas em campos de batalha durante a Guerra Fria por foi travada principalmente em frentes políticas, económicas e de propaganda e durou até 1991 como anteriormente referi.

Nesta segunda década do século XXI com as redes de computadores e meios de comunicação mais eficazes, mais ativos e acessíveis tudo se complicou e, para além da chamada guerra eletrónica com a pirataria informática, as movimentações no terreno de material bélico a guerra podem tomar proporções mais gravosas do que apenas da propaganda.

Putin descreveu na altura a desintegração soviética como uma catástrofe que roubou a Rússia do seu lugar de direito entre as grandes potências mundiais e a colocou à mercê de um Ocidente predatório. Ele passou os seus 22 anos no poder reconstruindo os militares russos e reafirmando sua influência geopolítica.

Um imprevisível líder russo acumulando tropas e tanques na fronteira de um país vizinho que gostaria estivesse debaixo da sua influência política e geoestratégica ameaça uma conflagração este-oeste. O que parecia ser mais um episódio perigoso idêntico ao de uma era passada está agora no centro dos assuntos globais.

Depois do colapso da União Soviética a NATO expandiu-se para o leste, acolhendo a maioria das nações europeias que antes estavam na esfera comunista. As repúblicas bálticas da Lituânia, Letónia e Estónia, que eram partes da União Soviética, juntaram-se à NATO, assim como a Polónia, a Roménia e outros. Como resultado a NATO que foi criada para combater impedir o expansionismo soviético do pós-guerra, com a adesão de países do leste europeu à organização, aproximou-se para centenas de quilómetros de Moscou, e diretamente na fronteira com a Rússia.

Putin chama à expansão da NATO ameaçadora, e a perspetiva de a Ucrânia passar a fazer parte desta organização é uma ameaça real ao seu país. À medida que a Rússia se tornou mais assertiva e militarmente mais forte, as suas queixas sobre a NATO tornaram-se mais estridentes. Ele invocou repetidamente o espectro de mísseis balísticos americanos e forças de combate na Ucrânia, embora autoridades dos EUA, ucranianos e da NATO insistam que não há nenhum. Para além disto Putin também insiste em que a Ucrânia é parte integrante da Rússia, cultural e historicamente.

A coisa está de facto agreste. As informações que se dispõem não possibilitam saber exatamente onde está a verdade, embora saibamos que Putin tem razão quanto à cada vez maior proximidade da NATO a Moscovo e que, para alguns, é uma organização bélica agressiva conforme se faz constar pela propaganda da Rússia, dos seus aliados e simpatizantes. No entanto também podemos considerar que a NATO é uma organização defensiva e que os países de leste que a ela aderiram foi por vontade própria e são soberanos e independentes, ao contrário de quando estavam na alçada da extinta União Soviética da qual Putin parece ser um saudosista.

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publicado às 16:08

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O que ontem e hoje se passou com a Grécia foi uma derrota e a tristeza da humilhação dum povo e a vitória de todos os que não gostam da democracia tal qual como ela existe. Isto é, obrigam a que a democracia e a governação de países soberanos sejam obrigatoriamente governados por de um só, ou dois partido em unicidade, normalmente sempre os mesmos.


Foi uma guerra, primeiro pela interferência no processo democrático interno da Grécia e segundo foi a ocupação de um país sem utilização de armas.


Tsipras foi, e é, um exemplo da resistência política e ideológica contra poderes dominantes que odeiam a democracia e a prática do voto tal e qual como existe.  


O que é estranho é que a dívida da Grécia é impagável e os credores sabem que o é. Todavia aceitam emprestar mais dinheiro, mesmo mediante condições, sabendo que a economia não vai resistir e que a dívida continuará a ser cada vez mais impagável.


Será que os prestamistas entraram numa crise de estupidez grosseira? Deixa-nos a pensar!


A partir de hoje a União Europeia passou a estar em perigo. Está em curso a falência democrática e aberto caminho para o seu défice democrático. Neste contexto considero défice democrático a ocorrência que se dá quando organizações ou instituições, aparentemente democráticas, elas mesmas constituídas por governos aparentemente democráticos, ficam aquém de cumprir princípios da democracia nas suas práticas ou operações que digam respeito aos povos.      


É a morte da democracia na sua plenitude promovida por países cuja ambição é a de submeter outros que não sigam as suas regras ditas democráticas por via de pressões económicas e de dependência financeira.


Agora foi a Grécia a ser submetida por países cujos regimes se dizem democráticos mas que, afinal, por preconceito ideológico, fazem exercícios de ditadura.


O senhor que se segue por favor!  

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publicado às 23:46


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