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António Costa no Benfica.png

Tenho ódio às touradas e ao futebol. Odiar talvez seja um verbo demasiado forte, mas detestar será talvez o mais adequado neste contexto. Não incluo os dois eventos no mesmo saco, mas, o futebol é, cada vez mais, uma real tourada sem touros.

Ter jogado andebol e futebol no colégio onde frequentei os estudos pré-universitários não veio contribuir para minimizar a minha aversão ao futebol que já vem de longe. Todavia, na altura era manifesta a minha simpatia pelo Benfica embora sem perceber muito bem porquê.

Recordo-me quando ainda criança ter ido um certo domingo a Évora para ver um qualquer jogo de futebol acompanhado pelo meu pai e uns amigos, um deles professor de ginástica do Lisboa Ginásio, ali para o lado dos Anjos, e um outro que trabalhava na companhia de seguros “O Trabalho” que, com o passar dos anos, foi absorvida por outra. Sinais dos tempos.

Tenho aversão ao futebol e ao mesmo tempo não sei explicar bem porquê. Não tem a ver com o desporto pois gosto de desporto, e talvez até de algum futebol, mas não daquele com que me injetam diariamente. Não devo ser caso único.

Investigações relativamente recentes na área da psicologia têm produzido trabalhos que têm estudado a dependência comportamental. O futebol passou a ser um aditivo, uma dependência comportamental que não depende de substâncias ingeridas por quaisquer vias. A dependência situa-se ao nível dos efeitos recompensadores.

Mas será que ser adepto e seguir um clube é uma dependência? Vários trabalhos científicos têm demonstrado a validade desta premissa e quem trabalha na área de marketing e na promoção de produtos acha que as empresas comerciais gostariam de conseguir o mesmo tipo de lealdade e de dependência em relação aos seus produtos e marcas idêntica à dependência que os fãs clubistas têm para com o futebol e os seus clubes.

É curioso como adeptos do futebol aceitam que clubes se movimentam muitos milhões de euros comprando e pagando a jogadores fortunas e não contestam nem criticam aceitando esta afronta aos trabalhadores deste país que lutam por melhor salário, mas que ao ser-lhes colocada esta questão a reposta é a de que o futebol lhes dá muitas alegrias. É o futebol a sobrepor-se a tudo e a todos, do indivíduo à política, e aos governos.

Recordo-me que em 2013 Jorge Jesus dizia que “estamos no caminho certo para dar muitas alegrias aos nossos adeptos”. É isso, o adorado futebol vale mais do que tudo porque dá muitas alegrias e Costa colabora desta vez e seguiu o slogan para mostrar o um caminho para dar também muita alegria desta vez apenas aos benfiquistas.

O convite que Luís Filipe Vieira fez recentemente ao primeiro-ministro António Costa e ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa Fernando Medina para integrarem a comissão de honra da sua recandidatura à presidência do Benfica, fez despontar a aversão que já tinha pelo futebol e pelas manobras dos seus dirigentes que se imiscuem na política com o objetivo de obter posteriores vantagens para o que der e vier. Neste rol incluo também os políticos em exercício que comentam futebol nos canais de televisão com a desculpa de que estão ali como cidadãos(!?). Para os políticos a utilização do conceito de cidadão serve para toda a justificação de interesse pessoal.

Ao aceitar António Costa, primeiro-ministro, atropela a democracia no Benfica ao apoiar um candidato em detrimento de outros. António Costa como primeiro-ministro poderia exercer o seu direito de voto sem se pronunciar a favor ou contra qualquer candidato. O primeiro-ministro de Portugal entrou e fez campanha eleitoral por um candidato cujo o cargo influenciará as eleições em prejuízo de outros candidatos.

É certo que houve muitos outros de vários partidos que também foram convidados. Não seria controverso caso António Costa não fosse primeiro-ministro e fosse apenas um sócio e adepto do Benfica. Há cargos que não se podem confundir com o de cidadão. Foi mais um passo para complementar a já promíscua relação futebol-política.

O convite ao responsável máximo pela governação do país para fazer parte da comissão de honra de apoio a uma candidatura à presidência de um clube de futebol implica um comprometimento, e não venha o senhor primeiro-ministro António Costa esgrimir argumentos que barram com muros de incompreensão de muitos cidadãos e atraiçoam a lógica de boa política. Claro que benfiquistas apoiantes de Luís Filipe Vieira batem palmas de contentamento porque estão a ver o número de votos que recolhem de quem politicamente apoia António Costa e que, consequentemente, vão também apoiar Filipe Vieira.

Parece que o futebol pretende sobrepor-se e controlar a política. Quem pode falar de viva voz é Rui Rio que no passado quando era presidente da autarquia do Porto confrontou o Futebol Clube do Porto e Pinto da Costa. Concordo com Rui Rio quando diz que a ação política “não deve ser ditada por imperativos de ordem emocional ou de simpatia clubística” e que “hoje até há problemas quase de ordem judicial metidos nisto”.

Também é certo que António Costa não deixa de ser cidadão por ser primeiro-ministro, mas sendo este um cargo que supostamente deve ser de elevação, isenção e independência não deveria consentir-se a colagens daquele tipo. Não foram os adeptos do Benfica ou de qualquer outro clube que o colocaram naquele cargo foi a maioria dos cidadãos adeptos ou não de qualquer clube e que, por isso, merecem o seu respeito.

A atitude de António Costa que em primeiro lugar e nestas circunstâncias é primeiro-ministro e, por consequência, do seu cargo não pode ser considerada como colagem e cumplicidade apenas do cidadão com Luís Filipe Vieira, dirigente desportivo apontado como alegado beneficiário da fraude do BES ou de estar envolvido em vários processos judiciais como arguido ou suspeito.

A comissão que António Costa integra e para a qual foi convidado terá o propósito de enaltecer alguém que é um dirigente clubista cuja perceção é encarada por muitos cidadãos como uma das faces do país minado pelo favor e pela corrupção. Para muitos cidadãos o primeiro-ministro António Costa, mesmo que não o quisesse e não fosse sua intenção, meteu-se no pântano do futebol.  Muitos dos que aí proliferam e vociferam contra a corrupção vêm agora justificar este ato de aceitação clubista.

Filipe Vieira neste momento, queiram ou não os benfiquistas, está na mira da justiça ainda que venha publicamente a afirmar que são tudo calúnias. José Sócrates também teve e tem o mesmo argumento ainda que não se saiba ainda como terminarão os julgamentos.

Em 2016 foi aprovado pelo conselho de ministros que o Código de Conduta do Governo refere que «Os membros do Governo devem recusar liminarmente quaisquer ofertas, convites ou outras facilidades que possam ser fornecidas na expectativa de troca de uma qualquer contrapartida ou favorecimento». A Estratégia Nacional de Combate à Corrupção 2020 – 2024 identifica como 3.ª prioridade comprometer o setor privado na prevenção, deteção e repressão da corrupção. Pode não haver contrapartidas ou favorecimentos, mas a suspeição fica.

São várias as acusações que podem vir a pesar sobre Luís Filipe Vieira que foram divulgadas em julho devendo ser acusado muito brevemente pelo crime de recebimento indevido de vantagem. Segundo a TVI “Será a primeira acusação formal da justiça a ter como alvo o presidente do Benfica, enquanto ainda correm em segredo outros processos contra responsáveis das águias, nomeadamente por corrupção desportiva. Entende a magistrada que, neste caso, Vieira se serviu da sua posição de poder no Benfica para oferecer cargos no clube a Rangel em troca de favores judiciais para a sua vida pessoal. O juiz desembargador terá mesmo chegado à fala com outro magistrado, no Tribunal de Sintra, para que este influenciasse um terceiro colega numa decisão fiscal que deveria ser favorável a Luís Filipe Vieira”.

Costa não se pode admirar que a sua atitude faça o PS perder votos nas próximas eleições, mas pensa também que tudo isto irá acabar por se diluir como muitas outras polémicas que caem no esquecimento público e assim ficará novamente na mó de cima.

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publicado às 15:28

Os intocáveis

por Manuel_AR, em 04.08.20

Não aprecio futebol, e, por isso, não discuto enquanto tal,  pronto. Há várias razões para tal, uma dleas é que o desporto não deve ser alienação, outra é que todos são contra a corrupção na política ligada aos negócios, mas quanto ao futebol vamos lá ver..., não é bem assim. Para a extrema direita a corrupção na política é uma das suas armas de batalha. Mas, quando se trata da corrupção no futebol mesmo quando envolvida com a política a coisa pia mais fino, ou melhor, não pia e, por maioria de razões quando algum desses pertence a um desses clubes.


Todos dizemos ser contra a corrupção mas não basta ser contra  e escrever artigos tendo em vista publicitação de intervenções que dizem participar em ações contra a dita tendo como base a Lei n.º 83/2017 de 18 de agosto que estabelece medidas de combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo, que transpõe parcialmente as Diretivas 2015/849/UE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 20 de maio de 2015, e 2016/2258/UE. Os políticos podem utilizá-la como disfarce quando estão no mesmo saco e sabem como lhe dar a volta bem dada.


A corrupção abrange um vasto espetro de pessoas e de influências, compadrios, áreas  e temas que não se resumem apenas ao suborno para  obter vantagem em negociatas onde se favorece uma pessoa ou grupo em detrimento de outros. Pode também passar por objetivos publicitários indiretos de organizações desportivas e até pela repressão e perseguição a opositores desportivos. 


Segundo a revista Sábado as investigações nos processos do futebol Leaks cruzam clubes e transferências de atletas. No Benfica visam-se clubes estrangeiros e empresas de intermediação por causa de jogadores e que o clube e Luís Filipe Vieira são dois dos alvos privilegiados da investigação.


Mas há também os intocáveis que normalmente estão protegidos por grandes influências ou por pessoas poderosas. E ainda as comprovadas pretenções dos dirigentes dos clubes para influenciar políticos a pertencerem aos órgãos dirigentes como aconteceu  com o Presidente do Benfica Filipe Vieira que, em 6 de junho do corrente ano, disse querer "contar com o atual presidente da Câmara Municipal de Lisboa no Conselho Estratégico do clube. Única condição deste órgão social do clube é ser sócio efetivo do Benfica".


Face aos acontecimentos surgem os negacionistas e os "doentinhos" do futebol clubista a dizer que tudo são "inventonas", que nada aconteceu, que são os inimigos e os adversários do clube... etc., etc.. E ainda aparece o poder político que, quando se fala de futebol nem quer falar e empurra para outras instâncias. Sabemos bem porquê. Os votos do clubistas também contam...


O futebol não pode sair incólume, nem haver intocáveis. Pedro Santos Guerreiro num artigo no jornal Expresso que abaixo incluo, refire-se a alguns intocáveis, apesar da parcialidade benfiquista de parte do seu artigo sob pena de trair o seu clube.


O intocável de Portugal


Corrupção_Benfica.png


(Pedro Santos Guerreiro, in Expresso, 01/08/2020)



Não é o mais poderoso, não é o mais influente, mas é o mais intocável de Portugal: o presidente do Benfica. Não este, todos. Mas, de todos, este é o que mais poder centra e concentra. Um poder aquém e além-desporto, que faz a ação política, judicial e jornalística sentir-se condicionada. Às vezes pelo que esta faz, mais vezes pelo que não faz. É também por isso que o fim dos debates combates televisivos é um desafio em si mesmo. É apenas um dos necessários.


Em 13 anos de direções de jornais, conheci frentes diversas do exercício do poder, contra o qual os jornalistas estão por função e vocação. Há forças, insídias, orquestrações e eficácias em todos eles, da política aos bancos, das organizações semiclandestinas às empresas, mas nenhum deles se compara ao futebol na falta de regras, na agressividade, na comunicação ameaçadora, seja na cartilharia de alguns comentadores ou na artilharia de trolls nas redes sociais. E tudo isso (e mais) cria navalhas verbais e não-verbais contra quem quer que seja, semeando respeito pelo desrespeito e afastando pessoas, pelo desprezo ou pelo medo.



A decisão anunciada pela SIC e prenunciada pela TVI de acabar com debates com comentadores afetos aos clubes não é um saneamento, é uma medida pela nossa sanidade e de emancipação dos próprios meios de comunicação social à pressão de os clubes mandarem até no espaço em que se lhes faz contraditório. Aplaudo de pé.



O fim dos debates combates televisivos de futebol não é uma decisão sanitária mas de sanidade. Mas nem isso pára a ameaça de violência que afasta a sociedade


Se dou exemplos sobre mim é só para servir de testemunha: durante a investigação do Football Leaks juntei a mensagens anónimas participadas à polícia uma série de mentiras factuais ditas em sinal aberto na televisão sobre quem sou, fui, que amigos tenho e até a que casamentos fui. Mentiras ridículas, que nem merecem ser citadas senão para relatar que muitas outras há que são perigosas, pondo em causa a honra e até a vida de algumas pessoas. Não exagero nem invento.


O problema não é a paixão que cega, é o medo que faz fechar os olhos. Sobretudo quando esse medo impregna as instituições. De todos, os mais medrosos (ou calculistas) são os políticos. Lamento pôr todos no mesmo saco, é claro que não são todos iguais (viva Ana Gomes!), mas o silêncio concreto adornado de anúncio de medidas gerais é uma covardia que persiste. “À justiça o que é da justiça” e etc. Ou os casos de violência. Ou o silêncio chocante em casos como o de Marega, vítima de racismo horripilante em Guimarães, que acabou por dar mais ou menos em nada.



Sou benfiquista, estou com azia por termos perdido um campeonato que podíamos ter ganho: serve compensação ao campeonato de 2015/16, que ganhámos ao Sporting sem merecer nem (espero eu) pagar aos deuses para expiar pecados. Ser benfiquista só me torna mais exigente com o meu clube do que com outros.



É por isso que este não é um texto sobre futebol, mas sobre a sociedade em que vivemos, a justiça que queremos e a liberdade que precisamos de defender.


Luís Filipe Vieira tirou o Benfica do lodo desportivo e financeiro, ao lado de Domingos Soares de Oliveira. O clube não tem hoje rival na estratégia de formação nem nas contas da SAD. Mas o seu poder cresceu de mais e chegou a um ponto em que parecia intocável. Perdeu o apoio de Ricardo Salgado e de Morais Pires, porque o BES colapsou deixando créditos por cobrar como os dele. Hoje, também a banca se livrou do futebol, que já não financia. Mas a forma como muitos políticos e alguns jornais se lhe vergam demonstra poder a mais, o que na verdade responsabiliza quem se verga. Na Justiça, não me lembro de um presidente envolvido em tantos casos, mesmo que espante ver o clube amnistiado do caso Paulo Gonçalves e me enfureça ver Rui Pinto enjaulado como um ladrão de vidas. Não quero justiça, quero a Justiça, a que condena ou absolve sem medo nem favor. E observo como, apesar de tudo, a Justiça é hoje mais forte do que no tempo dos apitos dourados, arquivados na indecência dos anos.


Também não percebo como se gastam €20 milhões a contratar um treinador. Mas reconheço a manobra de contratar Jesus para mudar de assunto sobre a derrota no campeonato e alumiar as almas dos benfiquista para as próximas eleições. Afinal, é preciso ganhar. Um presidente do Benfica, supõe-se, é intocável.

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publicado às 17:47

As diatribes de um deputado hipócrita

por Manuel_AR, em 18.02.20

O que é preocupante não são as minorias barulhentas que se manifestam ruidosamente nas ruas, estádios e noutros locais. O que é preocupante são essas minorias e grupelhos que se encontram no silêncio, mas que têm pontas de lança na política que os representam.


Ventura e racismo.png


A TVI concedeu a André Ventura espaço para derramar o seu azedume acumulado contra todos os que se têm manifestado, incluindo a imprensa internacional, contra o que aconteceu com o jogador Marega no jogo entre o V. de Guimarães e F. C. do Porto. Ventura teve o seu momento ZEN de trafulhice intelectual emanada da sua mente vazia para poder fazer, como de costume, política populista e arruaceira.  


André Ventura do partido Chega vomitou ontem no Jornal das 8 da TVI um raciocínio espantosamente verborreico sobre o acontecimento Marega. Ficou claro para Ventura, e só para ele, que não há racismo no futebol. Miguel Sousa Tavares colocou-lhe questões pertinentes. Ventura mostrou ser uma espécie de besta ululante e negacionista remetendo o epíteto de hipócritas para todos os que condenaram publicamente o acontecimento. Da direita à esquerda, incluindo o Presidente da República e o Primeiro-ministro, foi ele o único que não condenou o caso. São hipócritas segundo as suas justificações.


Ventura, mostrando agitação e nervosismo, comportou-se como uma espécie de  comicieiro que pretende fazer passar os seus pontos de vista através de um discurso incoerente, disperso, apressado e repetitivo, afastando-se do tema central para fugir às perguntas e dúvidas, para ele incómodas, e para o qual terá sido convidado. Falou nos polícias e nas agressões, feitas durante o estabelecimento da ordem pública, falou num bombeiro, e noutros casos que em nada tinham a ver com o tema central, etc., etc...


A estratégia de Ventura era consumir o tempo de antena disponível tornando, na prática, a entrevista num monólogo em que debitava argumentos para escapar às respostas, se tal se pode chamar à chusma de dispartes enviesados, eivados de incoerência e fora do contexto do tema real do momento.


Hilariante e hipócrita foi também a declaração feita por Ventura logo no início, afirmando que não era racista nem xenófobo e que todos os outros são hipócritas dizendo: “condeno veementemente qualquer atitude racista, xenófoba e menorização por preconceito social” e mais, “é uma condenação sem hesitação” e, ainda “temos que acabar com isto, nós não temos um problema de racismo estrutural em Portugal”. Frases estas que mais parecem ser de lavagem e de negação do que tem dito e escrito em ocasiões anteriores. O descaramento intelectual deste sujeito é uma evidência incontornável para quem tem acompanhado as suas diatribes, quer na Assembleia da República, quer nas redes sociais quer em artigos de opinião.


Esta criatura, quando confrontada com pedidos de esclarecimento em público, nega “veementemente” atitudes e tudo o que disse anteriormente. Convém-lhe, nessas ocasiões, vestir a capa da moderação que tem reservada no armário bafiento das suas ideias para certas alturas mais complicadas em que possa estar envolvido.


Para além de nos chamar hipócritas a todos os que não estão em sintonia nem concordam com ele, pretende, ainda, fazer-nos passar por parvos, coisa que, nós portugueses, não gostamos nada que nos chamem. Parvos e hipócritas será ele e os do seu séquito de mentes vazias. Sobre os cânticos racistas no estádio fugiu à questão, dizendo que não viu e que aguarda pela investigação. Tretas!


Ventura diz que o acontecimento que se passou com Marega não é uma questão de racismo. Ah não? Então, e se o caso tivesse tido como protagonista um jogador branco teriam sido entoados esses mesmos ganidos sobre a forma de cantos racistas e impropérios contra ele? O que é que essa mente “politicamente esclarecida” teria a dizer?


É certo que, durante esses jogos, adeptos proferem as mais diversas ofensas a jogadores brancos, quando algo não acontece como eles desejariam. Outra coisa são as atitudes com cunho vincadamente relacionado com etnia ou com cor da pele.


O que é preocupante não são as minorias barulhentas que se manifestam ruidosamente nas ruas, estádios e noutros locais. O que é preocupante são essas minorias e grupelhos que se ocultam em silêncio, mas que têm pontas de lança não só na política como no futebol. Estes também ainda se fazem ouvir em alguns órgãos da comunicação social que, com o seu palavreado tentam lavar acontecimentos em consonância com os “venturas” que por aí andam nos cafés, nas churrasqueiras, bairros e outros locais onde o André angaria facilmente adeptos, talvez por ser do Benfica. São estes os mais perigosos.


São manifestas as orientações ideológicas de André Ventura já que conforme um artigo publicado no jornal Público “Ventura foi explicitamente racista e xenófobo contra uma colega deputada, ato reconhecido como discriminatório por todos os outros partidos, assim como o Presidente da Assembleia da República, nazis foram reconhecidos nos órgãos de direção do partido, uma saudação nazi foi feita num comício sem que André Ventura reagisse, neonazis já condenados como Mário Machado demonstraram o seu apoio ao partido. Os seus apoiantes atacam adversários nas redes sociais, insultam, fazem ameaças físicas e até de morte, concertam-se para deitar abaixo páginas e blogs, fazendo reinar um clima ditatorial, tentando impor o silêncio próprio dos regimes fascistas a quem ousa pôr em causa o líder” (in jornal Público).


E nos entretantos da intervenção de Ventura na TVI no topo do bolo cai a cereja. Para cúmulo da bazófia, lá foi afirmando com convicção que virá ser primeiro-ministro de Portugal. Onde é que já ouvimos isto? Ah!, já sei, foi Assunção Cristas quando era líder do CDS. Mas, apesar de tudo, com essa e com o seu partido sabemos com que contamos.

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publicado às 15:48

Partido Chega2.png


A expressão que me veio à memória ao percorrer o que se tem dito e escrito sobre esse tal André Ventura foi “falem bem ou falem mal, mas falem de mim” que é a adaptação de uma sátira atribuída a Oscar Wild, famoso escritor, de origem irlandesa, que viveu no século XVIII.


Acho que, quanto mais importância se dá àquela figura, espécie de valete fora do baralho, que criou uma espécie de seita partidária que André Ventura, não sei se com mais alguém, a que posteriormente resolveu dar o nome de partido “Chega” para conseguir entrar no parlamento através de eleições livres e democráticas. Desculpem-me os seus fãs se não gostarem desta forma de o referir, mas é o que se pôde, até ver arranjar.


Tem havido demasiado chinfrim acerca de André Ventura e, falar-se demais, estamos a ir ao encontro do que ele pretende, que se fale dele. Deixar de falar não quero dizer que se desvalorize. Uma coisa é não lhe dar importância, outra é estar atento aos eventuais populismo e tramoias que dali surjam.


Por inerência de funções parlamentar podemos antecipar que os media lhe irão dar tempo de antena e, por isso, devemos ficar por aí. Estar atentos e não lhe dar “troco” ao que irá dizer, todavia haverá limites.


Hoje transcrevo algumas vozes que se têm levantado contra aquela figura que foi lançada com a promoção de alguns media através da ligação oportunista do comentário futebolístico à política.


Aqui vão algumas dessas vozes:


 11 outubro 2019 - 12:23


“Um grupo de notáveis sócios do Benfica, entre os quais o humorista Ricardo Araújo Pereia, o escritor Jacinto Lucas Pires e o historiador Henrique Raposo, escreveu uma carta aberta ao 'Expresso' mostrando toda a sua "indignação" por André Ventura ter usado "o Benfica para criar uma persona política".


“O advogado e comentador televisivo, eleito deputado nas últimas eleições legislativas, é líder do 'Chega', "partido de extrema-direita abertamente antissistema e xenófobo", que, dizem estes benfiquistas, "é a negação da identidade do Benfica". Veja aqui


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“André Ventura diz que o conteúdo da carta não o afetou e ao ser político "tem de estar sujeito à crítica," mas sublinha que não é racista nem xenófobo, como afirmam na carta. O deputado disse ainda não ter decidido se vai colocar um ponto final na sua carreira como comentador desportivo.” Confirme aqui.


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11 de Outubro de 2019


“Contactado pela agência Lusa, o Benfica recusou comentar a carta aberta e remeteu para os estatutos do clube, nos quais é indicado que o clube não diferencia os sócios “em razão da raça, género, sexo, ascendência, língua, nacionalidade ou território de origem, condição económica e social e convicções políticas, ideológicas e religiosas”. Pode confirmar.


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 2019-10-12


“Ricardo Araújo Pereira exige a demarcação do Benfica em relação a André Ventura”


“No Governo Sombra, o humorista falou da carta aberta que assinou, exigindo o afastamento do seu clube em relação ao deputado da extrema-direita. E arrasou a crítica que Pedro Marques Lopes lhe fez”. Consulte em TVI



Hoje fico por aqui porque, para alguns, quanto mais se lhes bate mais se gosta deles, portanto, chega!

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publicado às 15:58

Futebol_política.png


Não é raro verem-se políticos, deputados, dirigentes partidários até, a comentar futebol em defesa ou não do seu clube. Esta apetência por parte dos políticos pelo comentário futebolístico passou a ser também uma via indireta para fazer campanha partidária que possa patrocinar alguns votos e lhe dê visibilidade.


Em Portugal quem for adepto de um dos principais clubes de futebol e político que pertença a um partido poderá ter caminho aberto para obter votos no seu partido por identificação das massas associativas por simpatias clubistas o que, ao mesmo tempo, pode ser uma espécie de faca de dois gumes. Poderá atrair alguns e afastar outros.


O futebol passou a ser, para além de outras coisas, uma estrada para uma possível obtenção de dividendos partidários. Veja-se como exemplo o caso do CDS, partido em que deputados são também comentadores televisivos de futebol.  Alguém afirmou no próprio partido que esta prática por parte de alguns responsáveis era uma vergonha e que representava o grau zero da política, defendendo que deveriam antes discutir as suas ideias políticas que pode conferir aqui.


Por exemplo, Telmo Correia, presidente da mesa do Conselho Nacional e vice-presidente da bancada do CDS, participa regularmente em programas de debate futebolístico assim como Nuno Magalhães, líder da bancada do mesmo partido.


Estou com Rui Rio quando argumenta que há “uma queda natural de quem está na política de se tentar encavalitar nos êxitos futebolísticos” o que cria estados de espírito emocionais por vezes sem qualquer racionalidade. “Misturam-se com essa componente extraordinariamente emocional e nada racional, quando nós na política temos de fazer um esforço de racionalidade”.


Tem havido a uma tentação tendenciosa para ganhar popularidade política à custa do futebol. Segundo o jornal Público de dezembro de 2018 a ligação do deputado Hélder Amaral, à anterior direção de um clube de futebol (a de Bruno de Carvalho, do Sporting) gerou mal-estar interno, sobretudo, quando a polémica se acentuou no clube e aconteceu o ataque à academia de Alcochete.


Os que gostam de futebol até devem achar bem quando tudo vai bem para os clubes a que pertencem, o problema está quando se verifica o inverso.


Já faltou mais para que no Canal Parlamento venha a ser discutido futebol. Não passa pela cabeça de alguém com bom senso a quem desempenha um alto cargo de estado por nomeação ou por eleição vir a público ser chamado a comentar sobre futebol e aceitar.


promiscuidade entre clubes e partidos políticos e a política em geral.  Promovem-se jantares entre deputados com os presidentes dos clubes a que pertencem com os dirigentes do Porto, Benfica e Sporting existindo algumas diferenças na forma como são organizados. A corrupção no futebol parece servir apenas para os clubes se digladiarem uns contra os outros. A corrupção no futebol passa com beneplácito de todos os que adoram o futebol e, aqui e ali vêm ao de cima casos e casinhos que vão andando por aí como, para já não falar de casos mais graves do Sporting e antigamente do FCP, o caso do Benfica caso de corrupção no futebol em que Filipe Vieira passou de acusador a acusado que tendo feito da luta contra a corrupção uma arma de afirmação no futebol português, mas vê-se agora colocado numa posição em que tem de se defender de múltiplas acusações como pode confirmar aqui e não me venham dizer que a redação da RTP é toda contra o Benfica.


Nada disto movimenta rios de protestos, nem manifestações de indignação popular ou jornalísticas e esta se não for pelas audiências, porque o futebol, para os portugueses, parece ser uma espécie de algo intocável contra o qual ninguém se deve manifestar contra, nem, tão pouco, contra os políticos que neles se encavilham, mas levantam-se brados quando é nomeado um ministro ou um secretário de estado, ou um qualquer chefe de gabinete que tem, porque já tinha, um familiar com um determinado cargo a trabalhar na função pública.


Viva o futebol instituição intocável onde vale tudo e onde a corrupção se resume a desvios de dinheiros subornos e outros que tais que são denunciados porque até lá nada tocou aos denunciadores.

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publicado às 19:55

Futebol_Violencia.png


A estratégia terrorista tem vindo a difundir-se também no desporto e, sobretudo, no futebol que, como desporto de massas, é propício a este àquelas atividades cujas causas são várias, tais como o clubismo exacerbado, com manifestações intimidatórias e desenfreadas para com os adversários e a criação de instabilidade social com finalidades políticas. É nas chamadas claques, que se infiltram elementos de organizações políticas mais ou menos clandestinas e destinadas a provocar desacatos.


Até nos próprios clubes o terrorismo passou a estar presente no retângulo do confronto desportivo para passar a residir também no confronto físico entre as próprias equipas no terreno. Estes confrontos de violência já atinge as equipas de arbitragem. Oo que se passou no encontro entre o Sport Rio Tinto e Canelas que durou apenas três minutos, depois de um jogador da equipa gaiense ter agredido um atleta da formação da casa e o árbitro que foi hospitalizado, é bem evidente.


Alguns dos comportamentos violentos podem ser espontâneos, outros tomam formas de violência mais organizada. O primeiro tipo, a violência espontânea pode ser causada por uma decisão "errada" do árbitro, por exemplo, ou mesmo por uma "palavra" errada de alguém. Estas são situações que não se podem prever e que podem levar a um caos total. É muito perigoso e requer uma reação rápida da polícia. O último tipo, a violência organizada, pode até ser mais perigoso e de maior dimensão, como temos visto quando há desafios importantes.


Ainda hoje o Presidente do Boavista denunciou o "clima de agressões verbais, pressão, intimidação e autêntica coação" criado "por representantes diretos e indiretos dos chamados três grandes".


Muitos exemplos poderíamos encontrar para ilustrar o problema das lutas entre “adeptos furiosos” e bem organizadas contra outros grupos onde por vezes inocentes são sacrificados. Outro aspeto a considerar é que nos estádios a segurança tornou-se mais eficaz e isso torna mais difícil um motim no próprio estádio. Estes amotinadores encontram agora outros locais onde ainda podem continuar com suas atividades ilegais o que torna obviamente mais difícil o seu controle pela polícia.


O futebol é campo propício para avidez de violência que se encontra latente nos adeptos que concentram dentro de si as frustrações que vão libertar no futebol que manifestam pelas mais diversas formas.


A política também encontrou o seu lugar no futebol para se insinuar aos que gostam de futebol. Não é por acaso que muitos políticos no ativo se transformaram em comentadores desportivos, (leia-se de futebol), isto porque pode ser um meio de dar dividendos políticos a prazo.


Os próprios clubes, pelo menos os que mais se evidenciam, criaram condições psicológicas favoráveis para, em vez da competição saudável entre clubes, passar a ser uma competição que gera ansiedade individual pela iminência de um acontecimento desagradável, a perda do jogo pelo seu clube, e, entre grupos de adeptos, que se torna em violência patológica entre adeptos diferentes.

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publicado às 20:47

Ó gente do meu país

por Manuel_AR, em 13.09.16

Gente da minha terra.png


“Ó gente da minha terra” é um fado que foi escrito por Amália Rodrigues que é interpretado por Mariza. Contrariamente ao que consta por aí não foi ela que o escreveu. O seu mérito deve-se à excecional interpretação. Completando a quadra:


Ó gente da minha terra


Agora é que eu percebi,


Esta tristeza que trago


Foi de vós que recebi.


 


Eu, que não aprecio fado, por que é que inicio este “post” com esta quadra? Recordei-me de autores como Eça de Queiroz e Guerra Junqueiro e de outros tantos escritores e políticos que, nas suas obras, cada um à sua maneira, traçaram perfis dos portugueses.


Para mim o povo português é muito acolhedor, sociável e hospitaleiro e recebe bem tudo quanto é estrangeiro e nos visita. Mostra, a seu modo, a sua subserviência disfarçada. Por princípio é um povo que ajuda o seu próximo quando necessário, é solidário quando se trata de defesa dos interesses da sua comunidade em que se integra. Falsamente pacífico, introvertido apesar de alegre, preocupa-se mais com a vida dos outros do que em expor a sua. Há várias citações sobre os portugueses, algumas delas antagónicas.


 



 


 

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publicado às 15:18

 






 

 


Antes do comentário que irei fazer cumprem-me fazer uma declaração prévia. O futebol não faz parte de todo dos meus interesses pessoais e, como tal, não tenho por hábito discutir futebol com quem quer que seja e quando o faço é pura e simplesmente no sentido de gracejar com o tema.


A condecoração de Cristiano Ronaldo com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, por parte do Presidente da República, Cavaco Silva, do meu ponto de vista não foi essencialmente por causa do seu contributo na projeção internacional do país, mas uma questão de imagem pessoal do próprio presidente. A projeção internacional de Ronaldo como tal não nos livra das dificuldades financeiras, tão pouco nos da crise e da austeridade nem contribui para a recuperação económica.


Apesar de ter havido uma ligeira recuperação, 1,5%, da popularidade de Cavaco Silva ele precisava de uma ajudinha, e onde ir buscá-la, claro que na área onde sabe que as emoções vêm à flor da pele, o futebol e Cristiano Ronaldo.


 Aqui o Presidente da República jogou uma dupla cartada que foi pensar nele mesmo, o que faz por norma, e no desvio das atenções dos problemas que se enfrentam. Um oportunismo político porque este espetáculo público sobretudo cai bem…


Mas assim como os portugueses têm memória curta na política, dizem, também a têm para estes factos efémeros que se esfumam quando, no quotidiano, se confrontam com as dificuldades e lutam para as ultrapassarem com grande esforço.


No seu discurso de entrega da condecoração o presidente instituiu o futebol como arte, disse ele, ao exaltar as qualidades de trabalho de Ronaldo como se fosse um exemplo a seguir pelos portugueses, tal como a "coragem de acreditar", não sabemos é em quê!


Como não há símbolos nacionais credíveis que mobilizem os portugueses Ronaldo é o que está à mão. As artes, as ciências, a investigação científica ficam ofuscadas por um


 


"Cesse tudo quanto a antiga musa canta,


Que outro valor mais alto se alevanta."


 


como Camões escreveu n' Os Lusíadas.


 


Mas que viva Ronaldo!


 


Ele é, e será, a salvação da Pátria porque dá alegria a milhões de portugueses.

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publicado às 23:35

Calibrar o pensamento

por Manuel_AR, em 14.01.14

Começo a pensar que devo calibrar o meu pensamento. O conceito de calibrar tem a ver com a ideia de comparar algo de uma espécie com outra da mesma espécie que serve de padrão. Será então um conjunto de operações que estabelece, sob condições específicas, a relação entre valores indicados por um instrumento de medição ou sistema de medição ou valores representados por uma medida de referência e os valores de grandezas estabelecidas por padrões. Com a calibração podemos conhecer o comportamento de um equipamento quantificando os erros que possa apresentar.


Por muito clubista que possa ser e muitas estima que tenha por Eusébio após os acontecimentos que rodearam a sua morte percebi que os meus padrões de pensamento necessitavam de ser calibrados de acordo com os valores de referência sociais, políticos, éticos e comunicacionais, porque não estavam aferidos com o arrebatamento exagerado que ocorreu.


A necessidade de calibragem sobreveio a partir do exagero dos órgãos de comunicação televisivos na ânsia de captar audiências. Foi um autêntico maná para a informação que mobilizou muitos milhares de telespectadores e laçou outros tantos para as ruas de Lisboa, mesmo aquelas que, sendo muito jovens, não viveram nem sentiram os momentos áureos que Eusébio deu a Portugal nos anos sessenta.


Há algo para mim inexplicável. Como é que muitos e muitos portugueses foram mobilizados e outros se automobilizaram a partir dos programas televisivos quando são incapazes de aderir a mobilizações, não importa agora quem as convoca, para se insurgirem contra o põe em causa a sua vida enquanto cidadãos e lhes retiram direitos que foram arduamente conquistados.


Devo calibrar o meu pensamento de acordo com certos padrões para perceber porque é que manifestações de pesar por Eusébio, às quais eu me associo embora não seja grande apreciador de futebol, tiveram mais afluência do que aquelas que estão contra a destruição de vidas e atentados aos direitos de milhares de cidadãos trabalhadores.


Pode haver uma explicação possível, os portugueses, tendo um défice de símbolos com que de facto se identifiquem e os envolva num projeto nacional agarram-se a símbolos efémeros e passageiros que em nada contribuem para melhorar as suas vidas. Agarram-se a "momentos de alegria" pontuais e passageiros que se esfumam na passagem dos dias. O projeto coletivo é unicamente o futebol que os une ou os desune consoante os interesses clubísticos.


Explicam-nos alguns frequentadores crónicos de momentos televisivos de informação que estas figuras tornam conhecido o nome de Portugal no mundo. Mas para quê, com que objetivo? Será que por aí se gera criação de riqueza e que, por isso, investidores virão a correr para Portugal para investir e gerar emprego? Ah! O turismo! Pois!


Por outro lado a cultura, não a futebolística claro, é simplesmente marginalizada porque, na perspetiva desta direita antissocial, não tem qualquer interesse e é vista apenas como algo que dá despesa.


A calibragem do meu pensamento não se consegue aferir no que reporta a valores que esquecem portugueses literatos, cientistas, artistas e outros, reconhecidos no estrangeiro que, de forma ignóbil, são esquecidos e se idolatram futebolistas cujas mais-valias, se é que existem neste âmbito, em nada contribuíram nem contribuem para o crescimento nem para tirar Portugal do marasmo económico e financeiro em sistematicamente que tem sido colocado. Recordo o caso do Campeonato Europeu de Futebol de 2004 em que se esbanjou dinheiro em estádios inúteis.


Claro que, no caso de Eusébio, os políticos com um acontecimento tão mediatizado tinham que estar todos presentes, sem exceção. Isso interessa a um certo o eleitorado porque a diferença de um voto a mais pode fazer toda a diferença. Alguns até deram demais nas vistas, com mostra a imagem abaixo. Hipocrisia? Marketing político puro? Dá votos e visibilidade? Então, até se lambe o chão se for preciso.


Não. Afinal resolvi não calibrar o meu pensamento com aquele tipo de valores.



 


Imagem de http://www.tvi24.iol.pt/fotos/3/342752


http://www.tvi24.iol.pt/multimedia/oratvi/multimedia/imagem/id/14050667/877x658

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publicado às 19:56

A inutilidade dos professores

por Manuel_AR, em 20.11.13

 



 Leio as crónicas de Miguel de Sousa Tavares sempre que posso. Claro que nem sempre são do meu agrado e nem me revejo em muitas das suas afirmações. Mas opiniões são opiniões e cada um pode ter as quiser, para isso vivemos em democracia. Todavia esta passou das marcas e merece críticas, e muitas. Por achar que a afirmação de Sousa Tavares que se lê abaixo é muito injusta e generalizante, resolvi publicar neste blog, e na íntegra, este texto da autoria de Ana Maria Gomes que retirei do Facebook e que merece ser divulgado. Sousa Tavares é mais um polémico que acabou por se revelar.


 


 


 Miguel Sousa Tavares afirmou que "os professores os inúteis mais bem pagos deste país.’ A resposta veio de Ana Maria Gomes, professora.


 "Sobre os Professores É do conhecimento público que o senhor Miguel de Sousa Tavares considerou ‘os professores os inúteis mais bem pagos deste país.’ Espantar-me-ia uma afirmação tão generalista e imoral, não conhecesse já outras afirmações que não diferem muito desta, quer na forma, quer na índole. Não lhe parece que há inúteis, que fazem coisas inúteis e escrevem coisas inúteis, que são pagos a peso de ouro? Não lhe parece que deveria ter dirigido as suas aberrações a gente que, neste deprimente país, tem mais do que uma sinecura e assim enche os bolsos? Não será esse o seu caso?


 O que escreveu é um atentado à cultura portuguesa, à educação e aos seus intervenientes, alunos e professores. Alunos e professores de ontem e de hoje, porque eu já fui aluna, logo de ‘inúteis’, como o senhor também terá sido. Ou pensa hoje de forma diferente para estar de acordo com o sistema? O senhor tem filhos? – a minha ignorância a este respeito deve-se ao facto de não ser muito dada a ler revistas cor-de-rosa. Se os tem, e se estudam, teve, por acaso, a frontalidade de encarar os seus professores e dizer-lhes que ‘são os inúteis mais bem pagos do país.’? Não me parece… Estudam os seus filhos em escolas públicas ou privadas? É que a coisa muda de figura! Há escolas privadas onde se pagam substancialmente as notas dos alunos, que os professores ‘inúteis’ são obrigados a atribuir. A alarvidade que escreveu, além de ser insultuosa, revela muita ignorância em relação à educação e ao ensino. E, quem é ignorante, não deve julgar sem conhecimento de causa. Sei que é escritor, porém nunca li qualquer livro seu, por isso não emito julgamentos sobre aquilo que desconheço. Entende ou quer que a professora explique de novo? Sou professora de Português com imenso prazer. Oxalá nunca nenhuma das suas obras venha a integrar os programas da disciplina, pois acredito que nenhum dos ‘inúteis’ a que se referiu a leccionasse com prazer.


 Com prazer e paixão tenho leccionado, ao longo dos meus vinte e sete anos de serviço, a obra de sua mãe, Sophia de Mello Breyner Andersen, que reverencio. O senhor é a prova inequívoca que nem sempre uma sã e bela árvore dá são e belo fruto. Tenho dificuldade em interiorizar que tenha sido ela quem o ensinou a escrever. A sua ilustre mãe era uma humanista convicta. Que pena não ter interiorizado essa lição! A lição do humanismo que não julga sem provas! Já visitou, por acaso, alguma escola pública? Já se deu ao trabalho de ler, com atenção, o documento sobre a avaliação dos professores? Não, claro que não. É mais cómodo fazer afirmações bombásticas, que agitem, no mau sentido, a opinião pública, para assim se auto-publicitar. Sei que, num jornal desportivo, escreve, de vez em quando, umas crónicas e que defende muito bem o seu clube. Alguma vez lhe ocorreu, quando o seu clube perde, com clubes da terceira divisão, escrever que ‘os jogadores de futebol são os inúteis mais bem pagos do país.’? Alguma vez lhe ocorreu escrever que há dirigentes desportivos que ‘são os inúteis’ mais protegidos do país? Presumo que não, e não tenho qualquer dúvida de que deve entender mais de futebol do que de Educação. Alguma vez lhe ocorreu escrever que os advogados ‘são os inúteis mais bem pagos do país’? Ou os políticos? Não, acredito que não, embora também não tenha dúvidas de que deve estar mais familiarizado com essas áreas. Não tenho nada contra os jogadores de futebol, nada contra os dirigentes desportivos, nada contra os advogados. Porque não são eles que me impedem de exercer, com dignidade, a minha profissão. Tenho sim contra os políticos arrogantes, prepotentes, desumanos e inúteis, que querem fazer da educação o caixote do (falso) sucesso para posterior envio para a Europa e para o mundo. Tenho contra pseudo-jornalistas, como o senhor, que são, juntamente com os políticos, ‘os inúteis mais bem pagos do país’, que se arvoram em salvadores da pátria, quando o que lhes interessa é o seu próprio umbigo. Assim sendo, Sr. Miguel de Sousa Tavares, informe-se, que a informaçãozinha é bem necessária antes de ‘escrevinhar’ alarvices sobre quem dá a este país, além de grandes lições nas aulas, a alunos que são a razão de ser do professor, lições de democracia ao país. Mas o senhor não entende! Para si, democracia deve ser estar do lado de quem convém. Por isso, não posso deixar de lhe transmitir uma mensagem com que termina um texto da sua sábia mãe: ’Perdoai-lhes, Senhor Porque eles sabem o que fazem.’


 


Ana Maria Gomes Escola Secundária de Barcelos "


 

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publicado às 19:00


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