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Lisboa é um perigo e Medina quer lá saber

por Manuel_AR, em 31.07.21

 

Moda das trotinetes elétricas pode causar problemas a peões

Em Julho escrevi neste blogue sobre os candidatos à Câmara de Lisboa, Carlos Moedas e Fernando Medina a este último considerei que é o candidato dos biciclistas e trotinetistas tendo-me referido à anarquia daqueles veículos pela cidade de Lisboa. 

Hoje, ao ler na Revista Sábado de 29 de julho a coluna de opinião de Nuno Rogeiro, reparei com agrado que não estou sozinho no mesmo sentimento. Escreve então o autor que a "Falta a fiscalização do uso de trotinetes elétricas, com muitos acidentes. Cruzamento suicida de bicicletas e trânsito automóvel, com faixas mal instaldas, tudo agravado por elemntos metálicos fora do lugar. A Av. Almirante Reis, por exemplo é a balbúrdia."

 

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publicado às 18:58

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A campanha pré-eleitoral para as autarquias começa a levantar fervura, em Lisboa prevê-se que irá entrar em ebulição com o confronto entre os dois protagonistas, Carlos Moedas e Fernando Medina. O primeiro é o homem das pessoas, o segundo o homem da Lisboa verde centrado nas bicicletas e nas trotinetas.

Desde que Medina resolveu fazer crescer e espalhar bicicletas e trotinetas de aluguer por toda a Lisboa o desregramento e o desrespeito com a circulação das ditas foi aumentando na mesma proporção. É frequente um cidadão ao deslocar-se calmamente pelo passeio que lhe está destinado para circular encontrar uma trotineta abandonada, caída ou estacionada, no meio do passeio na qual se arrisca a tropeçar, caso se distraia.   

O incentivo à deslocação por velocípedes e trotinetas com total desprezo pelas pessoas que não têm possibilidade de pedalar pelas “vias verdes” das duas rodas também tem um objetivo lucrativo para a empresa Gira que pertence à EMEL que oferece esses serviços por esta Lisboa que não é para todos.

Carlos Moedas não nos fala de pedalar por Lisboa, apresentou o programa para a cidade, mas, como os de qualquer outro candidato, o programa é eleitoralista e inexequível num período de um mandato. Moedas promete uma dúzia de medidas (à dúzia é mais barato) que sabe não poder cumprir a curto prazo se, porventura, chegar a ganhar as eleições. Promete a Lua e o Sol às pessoas, vende-lhes esperanças e ilusões.

Faz olhinhos e sorrisos aos idosos, à cultura, aos automobilistas no que se refere ao estacionamento, prometendo diferenciar os moradores na cidade dos não moradores nos preços do estacionamento cobrados pela EMEL que seja 50% mais barato na cidade. Quer fazer a transição para uma cidade verde com a criação de um seguro de saúde para pessoas maiores de 65 anos com dificuldades económicas e tornar os transportes públicos gratuitos para "avós e netos" (maiores de 65 e menores de 23). Será para alimentar as companhias de seguros privadas? Quanto ao Parque Mayer disse que tem de ser um centro nacional de Cultura, que reúna espetáculos profissionais e espaços de aprendizagem artística, chefs a começar e os melhores chefs do país a aprender e a cozinhar e espaços de co-work. Isto tudo em quatro anos?

 Caso seja eleito, promete, irá também reduzir a taxa de IRS na capital, devolvendo aos lisboetas nos primeiros cem dias de mandato os "32 milhões de euros que vão para a Câmara de Lisboa" e propõe isenção de IMT (Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis) para jovens até 35 anos que comprem habitação própria em Lisboa.  Mas, afinal, não se tem falado na desertificação do interior e proposto incentivos para quem para lá se instalar?

Mas, há mais, pasme-se, um teatro em cada freguesia (porque, segundo o programa do candidato, "o setor cultural em Lisboa tem um problema crónico de falta de espaços acessíveis para quem está a começar").

Moedas disse que quer ainda "ligar a cidade ao Tejo desde Algés até ao Cais do Sodré", o que poderá passar pelo "enterramento parcial da linha ou um metro de superfície". "Sei que o enterramento total daquela linha é impossível, mas também sei que há partes que podem ser enterradas. Este projeto é essencial para a cidade", frisou. Mas atentem: Moedas diz que quer, mas, ao mesmo tempo, diz que o enterramento total daquela linha é impossível. Isto é, quer, mas não pode então não vale a pena prometer se não pode.

O grande banquete que Carlos Moedas oferecerá aos cidadãos da cidade de Lisboa continua e não para quando diz que irá também lançar um programa de apoio monetário à reabertura de empresas encerradas por causa da pandemia: "Os empresários precisaram de ser protegidos e a Câmara Municipal falhou-lhes. Agora, precisam de ter uma oportunidade para se voltarem a pôr de pé. O cheque Recuperar + oferece um apoio a fundo perdido para que quem investe a Lisboa volte a ter uma hipótese de criar valor na cidade, esclareceu.

O programa eleitoral deste candidato encabeça uma coligação com o CDS, PPM, MPT e Aliança, mas o que de Carlos Moedas não disse é com que dinheiro irá fazer frente às promessas e às despesas da Câmara?

O que tenho escrito sobre a candidatura de Carlos Moedas mantem-se, é uma candidatura de algum modo populista nas suas propostas ao mesmo destituída de carisma, vazia e preenchida para o momento de acordo com as necessidades e é previsível que pode mudar. A candidatura é ainda caracterizada por uma miopia no que se refere ao que é gerir uma Câmara como a de Lisboa. Não basta o currículo do candidato e a sua movimentação nos corredores das burocracias e das assessorias, sem contacto com as pessoas, com o povo, para tornar forte esta candidatura. A comunicação social poderá ter um papel num projeto populista. Um líder e o seu programa só é populista se os media lhe derem espaço necessário para a sua construção.

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publicado às 19:10

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O escrutínio do poder político é básico numa democracia liberal e é uma das mais importantes funções do jornalismo, daqui se infere que a defesa da liberdade de imprensa concomitantemente com os valores e os princípios por que se guia a atividade jornalística não se coadunam com dependências e seguidismos. Contrariamente a estes princípios parece ser o que se está a verificar com a pré-campanha para as eleições autárquicas.

Não tenho informação suficiente para apontar casos concretos e objetivos que fundamentem o não seguimento daqueles princípios, mas ao ler e ver notícias que surgem nos media proliferam situações em que a perceção que eu tenho e, provavelmente, muitos outros terão que são tentativas de conotações de notícias com factos políticos a elas alheias. São, sobretudo, casos pessoais e partidários que só remotamente terão entre eles qualquer associação.

A exploração de factos extrapolíticos associados a outras circunstâncias com objetivos de “facilitação” de campanha partidária, numa espécie de deixa teatral para a atuação político-partidária, são frequentemente alimentados pelos media durante dias com elementos que nada acrescentam aos casos, mas que dão às oposições matéria para os manter vivos na opinião pública.

Tirando Fernando Medina não há outro candidato moderado e do centro político para Lisboa, o que é pena. Para mim, Fernando Medina é o candidato dos quilómetros de ciclovias da pseudo ecologia lisboeta, da liberalização da impunidade dos ciclistas e das trotinetas que passam os semáforos vermelhos, que entram em sentido contrário, que circulam pelos passeios desrespeitando os peões que têm que se afastar pela intromissão abusiva do espaço que lhes está destinado. Quem tem que se afastar é também o automobilista, tal é a força que se lhes dá, até no Código da Estrada.

Caso lamentável também é a ciclovia da Av. Almirante Reis a partir da Alameda Afonso Henriques em direção à baixa que obrigou ao estreitamento das faixas de rodagem dos automóveis tornando impossível a circulação de viaturas de emergência como ambulâncias e carros de bombeiros que têm que subir para a faixa da ciclovia para poderem passar a fila imensa de viaturas. É no que dá a obsessão pelas bicicletas. Gostaria de saber em quanto contribuíram as ciclovias para a redução de viaturas automóveis, quando há cada vez mais jovens a pedir para tirar a carta de condução automóvel. Ou será para conduzirem bicicletas, trotinetas e até skates, como já de tem visto por esta cidade?

Todavia não se pense que alguma coisa irá mudar votando em Carlos Moedas e nos seus associados da direita. Não, não vai!

Situemo-nos agora na interação da Câmara Municipal de Lisboa com as embaixadas no que diz respeito às intenções de realização de manifestações que eram entregues nos governos civis e a partir de 2011, e que, com a sua extinção, passaram a ser entregues nas câmaras municipais.

A circunstância do grave incidente do envio dos nomes de promotores de manifestação às embaixadas veio imediatamente parar aos media. Desconhece-se através de que canais, mas sabe-se que, até aqui, mal ou bem, eram efetuados os mesmos procedimentos desde há muito.

Como é conhecido, na grande maioria dos casos a informação sobre o que envolve figuras públicas resulta de fugas de informação e de outras formas de acesso privilegiado concedido a jornalistas que cultivam fontes bem colocadas em diversas instituições.  São relações alimentadas durante muito tempo, criando cumplicidades e interesses comuns. A notoriedade e visibilidade que se quer dar a algumas personalidades deve-se sobretudo ao apoio que conseguem dos media. Alguns deles tornam-se depois colaboradores de órgãos de comunicação social que alimentaram antes enquanto fontes.

Porquê agora a questão da informação às embaixadas? Parece evidente que a razão parece ser óbvia: prende-se com o aproximar das eleições autárquicas e da respetiva campanha eleitoral que a pedra no sapato da oposição de direita é Fernando Medina.  

Por causa de um caso que saiu pela porta das traseiras da Câmara para entrar pela porta dianteira dos media, a oposição a Fernando Medina que devia ser feita enquanto debate entre candidatos autarcas também passou para os deputados da Assembleia da República.   É fácil de perceber. Quem tem esse papel da oposição em Lisboa, Carlos Moedas, ainda não conseguiu fazer. A sua candidatura que junta a direita tresmalhada e desorientada não se tem conseguido afirmar.

O problema de Carlos Moedas para ser eficaz na oposição é desconfiar-se se ele conseguiria mandar numa estrutura das dimensões da Câmara Municipal de Lisboa? Se Moedas lá estivesse teria notado o referido procedimento para o alterar ou teria ele tomado alguma iniciativa? Cá por mim duvido!

A fraqueza de um candidato também se pode avaliar pelos seus argumentos sólidos que não apenas os casuais que os media lhe colocam na mão e ficar-se por aí. Que iniciativas, que projetos, ou pelo menos um, que pretenda realizar e o coloque, se for eleito, como promessa ao eleitorado para Lisboa. Moedas pode ser uma boa pessoa e bom um político, mas de interiores.

Como escreveu Daniel Oliveira, com quem raramente concordo, não há comparação entre um autarca e um ministro em caso de demissão, “Os ministros não são eleitos. Como tal, não é perante os eleitores que respondem. É perante primeiro-ministro. E ele responde perante o parlamento. O Presidente da Câmara é eleito – é, seja qual for a maioria existente, o primeiro da lista mais votada. Em caso de crime, responde perante os tribunais. Em caso de responsabilidade política, só pode responder perante os que o elegeram. Isso não os torna inamovíveis. Mas torna as consequências das suas demissões diferentes das de um ministro.”

A oposição de direita, que tem agora Fernando Medina como alvo tratando-o como se fosse um perigoso denunciante e aleado secreto de Putin ou de um outro qualquer populista autocrático por causa do caso das embaixadas, pede a sua demissão a três meses das eleições que não tem qualquer significado, o que seria até um pouco mais plausível exigir se estivéssemos a meio do mandato perante um acontecimento grave, mas não se está a exigir nada que tivesse resultados objetivos, a não ser que isso implicasse ou evitasse a sua recandidatura.

A perda de mandato e interdição de candidatura conforme estipulado pela Lei Eleitoral dos Órgãos das Autarquias Locais atualizada em 2013, o que não está em causa. Quem exige que Medina não se recandidate por causa deste caso apenas quer tirar aos eleitores o poder democrático de avaliar as suas responsabilidades políticas. E essas, ao contrário das criminais, só eles podem avaliar.

Então o pedido de demissão de Medina pela oposição não é mais do que a mostra das fragilidades do candidato da oposição porque o que seria de esperar era que Fernando Medina se recandidatasse para ir a votos fragilizado facilmente era enviá-lo para o escrutínio e responsabilização política e consequente derrota eleitoral. O que a desorientada associação de direita sabe é que a única candidatura que o poderia vencer tem baixíssimas probabilidades de sucesso e por isso explora a situação até ao seu extremo folego admitindo a sua incompetência para o fazer.

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publicado às 12:37

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Todos conhecemos a casa que ganhou fama e tornou-se um ponto de encontro, por excelência, em Lisboa, ali ao pé do Rossio frequentada por indivíduos de todas as classes sociais e faixas etárias que se reúnem na Ginjinha Sem Rival para um copito e dois dedos de conversa. Pode parecer paradoxal, mas é, na verdade, um reflexo de quem não precisa de 'provar' que a sua ginja é mesmo boa.

O candidato para Lisboa das pessoas, para as pessoas e dos “Novos Tempos” escolhido por Rui Rio parece querer ser uma espécie de “Ginja Sem Rival”. Não duvido da competência de Carlos Moedas, isto porque tenho acompanhado a sua carreira através dos órgãos de comunicação e, sobretudo enquanto esteve na Europa desde 1 de novembro de 2014, data em que tomou posse na Comissão Juncker como Comissário da União Europeia para a Investigação, Ciência e Inovação.

Mas há um senão no meu reconhecimento das suas competências que depende também do ponto de vista de cada um. O meu, por exemplo, refere-se ao tempo em que fez parte do Governo de Passos Coelho (PSD/CDS) como Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, conferiu-lhe algo de negativo ao integrar a equipa governativa PSD/CDS como representante do partido nos encontros com a delegação da UE-FMI-BCE (troika) no âmbito da negociação do programa de ajustamento económico e financeiro, tendo ajudado a negociar o Orçamento do Estado de 2011.

Moedas surge como uma tábua de salvação para o PSD e para Rui Rio na tentativa de evitarem ou equilibrarem dum tropeção que anteveem nas próximas legislativas. Todos os comentadores políticos afirmam que as próximas eleições autárquicas serão um teste a todos os partidos, mas, mais necessário ao PSD para tentar minimizar as quedas e reanimar as hostes dando-lhes algum ânimo para as eleições legislativas.

O candidato escolhido pelo PSD foi Carlos Moedas, como se costuma dizer, do mal o menos, porque a escolha poderia ser delirantemente perigosa se caísse na candidata do PSD para a Amadora, Suzana Garcia, que aceitou depois de ter andado hesitante entre os convites do CHEGA e de Rui Rio. Suzana Garcia é uma senhora que ficou conhecida por comentar na TVI, onde colecionou um léxico brilhante utilizado num discurso racista e xenófobo como o de chamar “gentalha” aos cabo-verdianos, por exemplo. Poderão dizer que foi retirado do contexto, mas que foi dito lá isso foi. É uma senhora que foi educada assim em colégios de freiras na África do Sul durante o apartheid, segundo ela própria disse numa entrevista a um podcast.

Quanto mais próximo da extrema-direita estiver o PSD tanto melhor, até ao momento em que os eleitores do PSD pensem: ora, é indiferente, desta vez voto CHEGA.

Se Moedas estará à altura só o saberemos mais próximo das eleições. Por enquanto a sua campanha está centrada sobre promessas não cumpridas de Fernando Medina mostrada de forma caricatural, no entanto resta-nos saber se virá a ser bem-sucedida com reflexos em potencias de votos.

Pelo menos Carlos Moedas não poupa críticas. Segundo ele a câmara de Medina não tem visão, nem execução e não tem “a participação das pessoas que nunca teve”, defendeu no início do mês o cabeça de lista da coligação de direita que junta PSD, CDS-PP, PPM, MPT e Aliança à Câmara de Lisboa. Moedas aposta nas pessoas e em assembleias de cidadãos. “Quero criar uma assembleia de cidadãos para Lisboa, uma assembleia que seja diferente, que não vai substituir o que temos, mas que vai complementar, com pessoas diferentes” prometeu ele.

Numa pergunta de retórica continua ainda Moedas, “Alguém ouviu as pessoas que todas as manhãs se levantam na Almirante Reis e que vêm à rua completamente bloqueada com uma ciclovia que cria poluição? As ciclovias não são para a poluição, são para retirar a poluição, são para descarbonizar a cidade”.

Analisemos com raciocínio liberto de partidarismo o equívoco das assembleias de cidadãos propostas por Moedas. As assembleias de cidadãos, propostas pelo candidato do PSD, parecem ser numa adaptação pela direita das assembleias populares onde se juntam comissões de moradores, comissões de trabalhadores e outras estruturas de base que tomarão a seu cargo iniciativas locais, com fiscalização tendente a uma progressiva tomada de poder pelos organismos populares como no tempo da “Aliança Povo – MFA (Movimento das Forças Armadas) agora ao modo da direita. Ou será apenas mais um grupo de diversão sem efeitos práticos nas decisões?

Mas Moedas vai ainda mais longe quando promete que "Não podemos voltar a ser surpreendidos. A cidade de Lisboa precisa de ter ao dispor dos lisboetas um plano de contingência sobre futuras pandemias que dê alguma previsibilidade, segurança e confiança social e económica" e, para isso apresenta Pedro Simas, aquele que “representa o que de melhor há na ciência aliado à proximidade com as pessoas". "É este vínculo entre os especialistas e a sociedade civil que nos permitirá dar resposta aos anseios das pessoas", acrescenta o candidato do PSD à Câmara de Lisboa.  E, para corroborar, o virologista Pedro Simas adianta que vai reunir "um conjunto de especialistas na área da saúde pública" para apresentar "em breve um plano de contingência que traga a previsibilidade necessária para quem vive, trabalha ou visita Lisboa". Será uma façanha já que parece ser algo que ninguém ainda conseguiu em alguma parte da Europa e do Mundo, nem a OMS, antecipar uma epidemia e preparar um plano de contingência sem que a mesma se tenha evidenciado e sem que haja medidas para a sua propagação.

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Quanto a Medina o caso é mais obras. Mostrar as obras que fez para “encher o olho” que, afinal, é o que interessa, é o que o povo vê, mesmo que elas lhe venham a servir de pouco ou nada. Mudar a cidade com coloridas ciclovias pintadas a verde confere um “look” ecológico, dá nas vistas e também é mudar a cidade.

Nem os idosos foram esquecidos (à parte as bicicletas, as trotinetas e té skates andarem nos passeios que os colocam em risco) no que à calçada portuguesa se refere foi substituída por placas que lhes evitam os tropeções e as quedas. Mas quantos aos embates das bicicletas e das trotinetas que se lhes apresentam pela retaguarda, isso, depois, logo se vê. Assim como a atenção redobrada do peão ao atravessar as vias destinadas aos automóveis e agora também às bicicletas e às trotinetas, para já não falar dos skates.

Atenção peões se não tiverem atenção e se não apanharem numa passagem de peões com um automóvel vão ser cilindrados por uma bicicleta ou uma trotineta a alta velocidade que os pode conduzir ao hospital ou lugar ainda pior. Ou ainda, pode ser cilindrado por uma bicicleta nos passeios, (mesmo havendo ciclovias), que se aproximam silenciosamente que nem dá tempo para se afastar. Enfim, os passeios deixaram de ser espaço para circulação de peões e passaram a ter que ser compartilhados com bicicletas, trotinetas e outros que tais. A Lisboa de Medina, ao contrário da de Moedas, deixou de ser para as pessoas e passou a ser para as bicicletas trotinetas e quem não saiba, ou não possa, andar de bicicletas o melhor é não sair de casa mesmo que seja para passear porque elas andam para aí à solta e em roda livre.

Assim, talvez Moedas tenha razão ao falar tantas vezes nas pessoas.

Medina coloriu Lisboa e encolheu faixas de rodagem provocando engarrafamentos de ponta em toda a hora mesmo de não ponta. Pois andem de bicicleta, pode propõe o autarca com a ajuda de outdoors colocados por todo o lado. “Sempre que possam vão de bicicleta”, inclusivamente para levar os filhos à escola.

Por sua vez Moedas em grandes cartazes assobia uma frase pomposa “Lisboa pode ser muito mais do que imagina”. Cada um de nós imagina Lisboa à sua maneira. Como é que Carlos Moedas a imagina, como cada um de nós a imagina não sabemos, só ele saberá!

Se Fernando Medina, no que se refere ao aspeto ambiental e paisagístico da cidade, fez melhorias temos que lhe dar conceder esse valor.

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publicado às 19:34

A estupidez que os pariu

por Manuel_AR, em 23.06.21

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Quem não tem cão caça com gato. Embora o cão seja o ajudante do caçador, quem não o tem, porque um cão de caça é caro e custa a manter, recorre ao gato para o mesmo efeito. A caça é que não vai deixar de se fazer. Transferindo este ditado popular para a política os caçadores são os partidos, como o PSD, por exemplo, conduzido por Rui Rio e os outros à sua direita como as iniciativas e partidos extremistas que surgiram das últimas eleições. Estão neste role a Iniciativa Liberal e o Chega. Porque não têm ideias, nem um projeto, nem uma visão para o país nem para a cidade de Lisboa enredam-se em questões menores e casuais para fazer oposição. Sem alternativas e projetos credíveis dedicam-se à calhandrice política pegando em casos que em nada contribuem para a melhoria do país e das pessoas. É a caça ao poder para substituir umas clientelas por outras. O que muda é o partido.

A tábua de salvação de Rui Rio e do PSD para subir na sua credibilidade é o ato eleitoral para as autarquias que se aproxima a passos largos. Ou o PSD alcança bons resultados, especialmente em Lisboa, nem que, se não obtiver maioria, tenha de fazer umas alianças com as direitas CDS+PPM+MPT+ALIANÇA, mesmo chegando-se às mais radicais como o CHEGA. Uma miscelânea de direita, muito pior que a geringonça.

Rui Rio e o PSD necessitam de mostrar serviço nem que seja através de fazer oposição do vale tudo, ainda que Rio tenha que retirar do seu léxico a frase “a bem do país”, isto é, como já em tempo afirmou "eu opto pelo interesse nacional e não pelo interesse tático do partido". Segundo Rui Rio, as próximas eleições autárquicas são "absolutamente decisivas", porque "o que determina em primeira linha a força de um partido na sociedade não é número de deputados, é o número de autarcas".

Nesta sequência avança com Carlos Moedas para a autarquia de Lisboa. O chavão “Novos Tempos” na candidatura de Carlos Moedas faz todo o sentido porque nos recorda, não apenas os velhos tempos em que foi ministro de Passos Coelho, mas também a pretensão de iludir os eleitores com o jargão ”novos tempos” para os conduzir ao pensamento dos “velhos tempos”.

Carlos Moedas integrou o XIX Governo Constitucional e fez parte do Executivo durante a maior parte do seu período de vigência. Foi considerado o braço-direito do primeiro-ministro Passos Coelho, facto que o colocou em destaque nas relações entre o governo português e os responsáveis da troika que acompanhavam os progressos do programa de assistência financeira do FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia em Portugal.

 Recordemos que Sampaio da Nóvoa, nas eleições presidenciais de 2016, disse que queria vencer as eleições em nome de um “tempo novo” que teria começado no país. Carlos Moedas transformou aquele slogan em “novos tempos” numa espécie de anástrofe ou inversão.  

Carlos Moedas na apresentação da sua candidatura disse que a sua maneira de fazer política seria diferente, mas, rapidamente passou por uma metamorfose transformando-se numa espécie de André Ventura com um populismo em versão light.  

Se eu quiser votar em Moedas, desconheço qual o seu projeto objetivo para a cidade de Lisboa. A sua oposição a Medina baseia-se em aproveitamentos de oportunidades que lhe vão caindo nos braços baseadas em tricas que nada têm a ver com o projeto lisboeta nem com o que critica ficando-se sem saber o que está mal, o que faria melhor, ou o que alteraria na cidade de Lisboa. Anda ao sabor da corrente e das marés que, ora sobem, ora descem. Anda a surfar nas ondas do oceano escuro das suas propostas e alternativa equilibrando-se com críticas descabidas e desproporcionadas dirigidas para olhos menos atentos que apreciam este tipo de discurso.

Considero Carlos Moedas uma pessoas inteligente, mas, a inteligência não é incompatível com incompetência e com impreparação para certas áreas e para determinadas funções. A experiência tem o seu peso em áreas muito específicas. É por isso que muitos autarcas falham por serem apenas nomeações políticas. Carlos Moedas é o caso. Não enxerga o que é ser presidente de uma câmara como a de Lisboa.

Faltar-lhe-á a força política suficiente para se libertar do figurino do passado que o prende às medidas para além da troika de Passos Coelho pensando que é possível redesenhá-lo numa autarquia como Lisboa, com roupas mais atuais, daí os “tempos novos” o equivalente aos amanhãs que brilham e às auroras resplandecentes. Tudo quanto possa fazer em Lisboa terá o peso do neoliberalismo “passadista” de Passos que pretende aplicar à gestão da cidade, daí a sua miopia política que não o deixará enxergar mais longe com os seus raciocínios eleitoralistas de vistas curtas, à medida dos acontecimentos ocasionais que lhe vão parar ás mãos não raras vezes por proporcionadas pelos próprios adversários políticos.

Ao fazer oposição o seu pensamento é quadrado, tudo é preto ou branco, sem matizes. Daí a conferência de imprensa sobre o caso da informação às embaixadas pela Câmara de Lisboa onde faz associações que qualquer um considera serem estupidez de principiante. Tem-se mostrado um candidato obtuso e com argumentos descabidos dos propósitos que não acrescentaram valor a uma candidatura para uma autarquia como a de Lisboa. Mostrou existir uma relação entre uma tolice, isto é, um fraco nível intelectual e a maldade entendidos como o desprezo de outrem.

Carlos Moedas passou a entrar em delírio quando, sobre o caso das informações sobre os promotores das manifestações que foram comunicadas pela Câmara de Lisboa às embaixadas ao acusar Fernando Medina de ser “cúmplice” do Presidente russo Vladimir Putin. É um tipo de ataque que se insere nas margens cinzentas da política método que também está a ser acolhida em opiniões com máscara de respeitáveis, estilo que Moedas passou a perfilhar. Deixou de ser o Carlos Moedas de opiniões por vezes aceites por serem consensuais e com prestígio intelectual. Passou a entrar no jogo eleitoral da pobreza populista que é seguida pela extrema-direita.

Como é possível sem se ser doente, demente, senil, “maluquinho”, lunático, sem se ter as faculdades mentais diminuídas, se não se for próximo da direita radical, acusar alguém na sua essência democrática como tendo relações políticas perversas com Putin. Os que, assim, sem mais, fazem acusações deste tipo são os que, em suma, se colocam ao lado dos que defendem a essência corrupta da democracia e contra o absoluto do sistema corrupto.

A campanha para as eleições autárquicas ainda vai no início, mas o candidato Carlos Moedas já entrou em delírio.

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publicado às 12:25

Sporting a mais segurança a menos

por Manuel_AR, em 15.05.21

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Mas que o evento sportinguista foi uma argolada do presidente Medina e do ministro Cabrita que poderá custar votos ao PS, lá isso foi!

Durante ano e meio contivemos a avidez de passeios, viagens, cultos religiosos, cultura, gastronomia por entre outros apetites humanos para que, em algumas horas o esforço se tenha desvanecido com a desbunda do festejo sportinguista (foi este o clube o mesmo seria com outro qualquer) com o risco de pagarmos mais tarde com a saúde pública causa potenciam da dita “manifestação” requerida pela claque sportinguista e autorizada pelas autoridades.

Manifestação? Mas que manifestação estava implícita no pedido!? Não! A palavra manifestação serviu apenas para “fintar” as autoridades com base numa interpretação falaciosa de um artigo da Constituição da República.

Segundo o Notícias ao Minuto, Bruno Pereira, do sindicato da PSP, “deu também conta que a festa junto ao estádio do Sporting foi feita depois de um pedido de autorização ao abrigo do direito à manifestação feito pela Juve Leo à Câmara de Lisboa. Segundo o vice-presidente do sindicato que representa os oficiais da PSP, o pedido de autorização inclui a indicação de que seriam montados uma infraestrutura com painéis audiovisuais e um disco jóquei.”. "Sobre isso a PSP também tomou uma posição quando auscultada pela câmara, dando nota de que esses elementos poderiam ser claramente potenciadores de uma concentração ainda maior do que aquela que já era previsível", afirmou, salientando que a PSP recomendou que não fosse instalado o écran gigante.” Isto é, a Câmara esteve a tramar-se para as recomendações da PSP. Vamos lá saber porquê? Tempo de campanha eleitoral autárquica para atrair votos de adeptos do sporting com potenciais custos para a saúde pública.

Nesta senda, e mais uma vez, surge um ministro, o da Administração Interna e a Câmara de Lisboa com o seu presidente Medina que diz haver um mail com o parecer da PSP que se terá perdido!!(?)

A culpa não estará no Sporting nem na claque Juve Leo mas nas autoridades, porque o que se passou era previsível. Só por desleixo ou incompetência é que as autoridades policiais e o Ministério da Administração Interna não soubessem o que estava em causa. Se não o sabiam então é por incompetência e se sabiam então foi por demissão das suas responsabilidades.

A Câmara de Lisboa tem a tutela sobre a Polícia Municipal e, em vez de promover os festejos de forma responsável e contida, promoveu o contrário com ecrãs fora do estádio e um cortejo de autocarros. É um desprezo completo por todos os portugueses e pelo que têm vindo a fazer, apesar de alguma violência exercida sobre as suas liberdades, embora que assumida. É uma demonstração de que há atividades e pessoas que estão acima da lei.

Sobre o que aconteceu tenho que concordar com Francisco Mendes da Silva do CDS-PP quando escreveu no Público que “o maior problema continua a ser a leveza excessiva com que o Governo brinca com a autoridade do Estado. Quando impõe medidas duras de confinamento e fecho da economia, que põem em causa a liberdade e o sustento das pessoas, o Estado deve ter a sua autoridade moral intacta. Caso contrário, é natural que as pessoas deixem de acreditar na necessidade das medidas de saúde pública. Depois do que aconteceu esta semana, o Governo não se pode admirar que os sectores mais afectados pela pandemia, da restauração aos eventos, estejam já a exigir o fim das restrições”. E, mais adiante acrescenta que “o Governo aprecia muito pouco ter de lidar com as contrariedades. Quando algo importante corre visivelmente mal, o instinto do Governo nunca é o de assumir a responsabilidade do Estado e de reafirmar a sua autoridade. É sempre o de sacudir a água do capote. Desta vez, a culpa foi descarregada sobre a PSP, que já tem um processo de averiguações com que se entreter, apesar de ter sido a única instituição a alertar para o perigo do que estava a ser preparado”.

A manifestação sportinguista é um ponto com que o dito ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, tem andado a brincar às escondidas, mas que Sousa Tavares destapa quando escreve num artigo de opinião que saiu no semanário Expresso desta semana:

“Há ministro? Não, há Cabrita. Eduardo Cabrita tornou-se uma anedota ambulante, um personagem que nem os autores do “Yes, Minister” teriam conseguido imaginar, tão grandiloquentemente vácuo ao ponto de meter dó. Tudo nele é a encarnação da inutilidade do poder, como aqueles objectos cujo volume se esgota quase todo no papel de embrulho. Adivinha-se que ensaia ao espelho poses e sentenças que toma por sentido de Estado e que julga que governar é despejar dinheiro sobre qualquer problema para se ver livre dele. É assim que está convencido de que apaga incêndios, mantém activo o SIRESP, faz esquecer o assassínio de Ihor Homeniuk ou elege presidentes. Em cada oportunidade, também não se dispensou de se chegar à frente nas fotografias e insinuar que estava na linha da frente da vigilância da nossa segurança colectiva durante a pandemia. Mas bastou uma noite — a noite do Sporting campeão — para que a tão anunciada operação montada pelas forças de segurança sob sua tutela e em planeamento concertado, diziam, com o Sporting e a DGS descambasse no espectáculo de absoluta anarquia que Lisboa viveu durante 12 horas. Andámos nós tantos meses, mais de um ano, a observar tantas regras de segurança, sem poder ir a espectáculos, ao futebol, a passear nos jardins, aqui e acolá, ainda proibidos de estarmos juntos mais de seis, de estar nos restaurantes até depois das 22h30, e dezenas de milhares de pessoas fazem o que querem da cidade, sem quaisquer medidas de segurança e sem que se veja sombra de plano algum para o precaver! E, perguntado sobre isto no Parlamento, o que diz o primeiro-ministro? Primeiro que tudo, “parabéns ao Sporting!” (dá votos e é politicamente correcto). Depois, que não vai “atirar pedras a ninguém”. E depois que o ministro Cabrita já fez um despacho para que lhe expliquem qual era o plano de segurança e por que razão ele não funcionou. Ou seja, afinal, o ministro não sabia de plano algum e fazendo um despacho a posteriori a perguntar qual era livra-se de responsabilidades! Faça a si mesmo um favor, sr. ministro: despache-se! Sousa Tavares que escreve de acordo com a antiga ortografia

Se Cabrita como se tem dito é amigo de António Costa, mais uma razão para se exigirem responsabilidades. Ser amigo e exercer funções como as que Cabrita ou outro qualquer elemento do Governo exerça é razão mais do que suficiente para o exercício da competência. Não é apenas o merecimento da confiança de um primeiro-ministro que lha confere.  

Por outro lado, não será a demissão do ministro Eduardo Cabrita que irá contribuir para a resolução dos inúmeros problemas com que o Governo terá de se confrontar até às próximas legislativas. Um ministro bode expiatório fará sempre falta e poderá ser um fator distrator para a oposição fazer figura, deixando de lado outros problemas mais importantes.

Mas que o evento sportinguista foi uma argolada do presidente Medina e do ministro Cabrita que poderá custar votos ao PS, lá isso foi!

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publicado às 19:11

O campeonato do empurra

por Manuel_AR, em 05.07.20

Coronavirus-desconfinamento2.png


O desconfinamento apressado na Região de Lisboa e Vale do Tejo (RLVT) e sem qualquer estratégia passou a ter, para além de responsabilidades sanitárias, responsabilidades políticas. O problema provavelmente não ficará por aqui; deixemos vir a “Champions League” e veremos.


O sentimento de fascínio de Fernando Medina e de António Costa pelo acolhimento daquele acontecimento desportivo que outros países provavelmente rejeitaram poderá vir a acentuar a propagação da epidemia covid-19. A ver vamos se não se agravará ainda mais em função da decisão de haver, ou não, espetadores mesmo com medidas de segurança.


Deslumbrados pelo dito sucesso inicial com que Portugal conseguiu de certo modo conter epidemia abriram portas ao desleixo pós confinamento na região de Lisboa criando uma espécie de corredor livre para o agravamento em Lisboa do covid-19.  Tudo entra em Lisboa minha gente, venha dondo vier, com ou sem controle que, quando existe, é apenas de fachada.


Costa deu o mote ao criticar a ministra da saúde e Medina agarrou a deixa e passou a acusar de incompetência os responsáveis pela saúde, seguem a regra da criação de bodes expiatórios. Face ao que está a acontecer na região de Lisboa desligam-se das responsabilidades que tiveram e apontam agora o dedo a outros. Ou não tenha de começar a preparar o terreno para as autárquicas.


Aliás tem sido notório os disparates e as contradições nas mensagens por parte do Governo e da autarquia de Lisboa através de Costa, Medina, ministra da saúde e ministro das infra estruturas Pedro Nunes Santos. O presidente da Câmara de Lisboa disse que "Não há nenhuma demonstração de que os casos se devam ao desconfinamento". Então se os casos aumentaram após os desconfinamento na RLVT como se explicam os números da região anteriores com o aumento de casos que foram divulgados após essa decisão.


António Costa lança o maior disparate, quiçá seguindo Trump, ao diz que o aumento de número de casos de covid-19 se deve ao aumento do número de testes. Vamos lá ver: então será que para diminuirmos o número de infetados o melhor é não fazer testes? Ou será que não há infetados e os testes é que os criam? Ou será que número de infetados depende do número de testes efetuados? Os infetados existem, mas se não se fizerem testes deixam de existir!


A ministra da saúde Marta Temido que no início era tão certinha também começou a meter os pés pelas mãos talvez por ordem Costa. Que pretende tapar o sol com uma peneira. Quanto à possibilidade de os transportes público na RLVT poderem ser causadores de propagação do vírus a ministra refere num dia o que no dia seguinte altera por força da linguagem. Vejam-se estas declarações mencionadas no jornal Público:


“Questionada sobre a situação de Lisboa e Vale do Tejo e a questão dos transportes públicos, Marta Temido explicou que o que disse foi que “não são conhecidos casos de contágio que tenham tido origem em transportes e não que os transportes não sejam pela sua sobrelotação, pelas suas condições, espaços a merecerem uma especial cautela”. “Se não fosse assim, não tinha o Governo decidido desde o primeiro momento que haveria uma coima pelas viagens em transportes públicos sem máscaras ou viseira”, salientou.”


O que se pode questionar é se utilização de máscaras pela maioria dos utentes é suficiente em situações de autêntico aperto nas carruagens ou autocarros para afastar quaisquer riscos de infeção.


E mais à frente relata o mesmo jornal:


“Penso que estes dois aspectos sublinham intensamente o ponto para o qual estava a chamar atenção e para aquilo que era sobretudo a substância da minha chamada de atenção. Estamos a enfrentar um fenómeno novo relativamente ao qual temos muitas incertezas e, em muitas circunstâncias, lapsos de conhecimento. Esta questão dos contágios em transportes é uma delas. Embora da nossa vida empírica percebamos que há um conjunto de circunstâncias para que sejam locais particularmente expostos. Mas se não tivermos estes dois argumentos em paralelo, penso que não estamos a prestar bom serviço ao conhecimento e à objectividade”, reforçou Marta Temido.”


A minha opinião é que estará a ser pressionada no Governo para fazer passar para a opinião pública uma falsa realidade. Aliás, o que também se tem verificado é que os números de infetados que são divulgados faltam num dia e no dia seguinte estão a mais e também a culpa deste caos é a de terceiros que informam mal as entidades de saúde que nos divulgam, a DGS.


Por outro lado, a mensagem que por vezes passam é a de que a medida da gravidade da situação está em saber apenas se há ou não número de camas suficientes no SNS para que este não fique superlotado e sem resposta, quanto ao resto deixa andar.


O caso do Reino Unido que nos coloca numa lista negra de países não seguros para os ingleses viajarem sem que no regresso não tenham de ficar de quarentena deve servir como sinal para enfrentar e superar o problema que o governo concorreu para o originar e para pedagogicamente reforçar a nossa determinação no combate. Os critérios para qualquer avaliação de avaliação devem ser iguais quando se comparam várias entidades e os números de novos casos de infeção pelo novo coronavírus por cada 100 mil habitantes tem sido o critério. Pode-se discutir se esse deveria ser o único ou o melhor critério. Mas, seja qual for a resposta, é o que está a servir de base às análises de todos os países que discutem a reabertura das suas fronteiras.


Com base neste critério Portugal é o segundo pior registo da Europa, com quase o dobro de novos casos em 14 dias contados até esta sexta-feira face aos registados no Reino Unido e para os quais a RLVT tem vindo a contribuir.


Gestos e palavras como as que se têm ouvido não vão nesse sentido. A perceção que os portugueses têm é que tudo quanto agora possam dizer sobre o covid-19 com todos os dias nos afrontam é que cabe na categoria das manobras de diversão.


Só esperamos é que as estratégias de Bolsonaro não sejam inspiradoras para o Governo de Portugal.

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publicado às 15:50

Mão cheia de nada.pngTalvez não seja por acaso que a acusação de José Sócrates esteja a ser sucessivamente protelada justificada pelos mais diversos motivos. Vão adiando à espera de oportunidades que possam ser úteis em tempo para lançar para a opinião pública, a conta gotas, mais umas “coisitas” sobre as suas ligações.


Coube agora a vez do PSD se aproveitar do personagem Sócrates para tentar fazer campanha de baixa política à falta de algo para uma oposição eficaz que mostre ser alternativa, coisa que não conseguirá com a atual direção e sua envolvente partidária.


Desta vez está a cair no ridículo quando um tal Mauro Xavier da concelhia de Lisboa do PSD escreve a Fernando Medina sobre, vejam só, saber se um seu assessor político “terá sido pago por José Sócrates para criar a manter um blogue para defender” Sócrates e o seu governo sob pseudónimo. É o mesmo que dizer: olhem! Estou aqui. Não se esqueçam…!


A partir daqui fico preocupado e começo a pensar se o PSD, mais tarde ou mais cedo, não me virá a acusar, quiçá, processar-me, porque me terão encomendado a escrita deste blogue, utilizando um pseudónimo, para atacar Passos Coelho e o seu partido e defender o quer que seja sobre o atual governo.


Falta cerca de um ano para as eleições autárquicas e o PSD anda à deriva. Nada tem para apresentar ao país nem para as autárquicas. Recorre então à baixa política tentando manobras de distração, ofensas, ataques pessoais que são a sua estratégia preferida desde que Passos lidera o partido e se deixou enredar em manobras para a matriz essencial do partido. Com uma mão cheia de nada para oferecer o PSD tenta novas artimanhas e faz ligações de amigos de Sócrates a um assessor político de Fernando Medina.


A notícia sobre ligações de Sócrates com Medina vem em parangonas de primeira página no jornal i, parente pobre e seguidor do semanário Sol do qual aproveita a notícia. O jornal i que felizmente ainda não conseguiu despedir alguns bons jornalistas, continua a ser o braço mais pobre daquele semanário, mesmo depois de deixar de pertencer à Newshold que tinha ligações ao grupo Cofina detentor do Correio da Manhã e de outros órgãos de comunicação social. A orientação editorial é a mesma orientação do seu anterior dono apesar de, desde dezembro de 2015, ambos os jornais terem passado a ser pertença da Newsplex, SA, cujo administrador Mário Ramires foi administrador da Newshold.

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publicado às 18:13


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