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Ofensa a quanto obrigas

por Manuel_AR, em 10.08.20

João-Galamba.png


Ao fim de alguns meses cá volto ao João Miguel Tavares que  nos prenda com os seus comentários de opinião, por vezes jocosos, por vezes sem jeito, por vezes ridículos, por vezes parciais, por vezes temperados com azedume, por vezes sem interesse, por vezes com oportunidade.


Desta vez ficou enxofrado com o comentário pouco abonável, e posso dizer até ofensivo, como veremos adiante, com o que Secretário de Estado da Energia João Galaba fez em relação a um tal Clemente Pedro Nunes apresentado por JMT como engenheiro químico, especialista em energia e professor jubilado do Instituto Superior Técnico. Apresentação feita para que mereça credibilidade e respeito. Como se o merecimento do respeito estivesse apenas nas cátedras e nos cargos que se ocupam.


Há aldrabões em todo o lado nem precisamos de uma lanterna como o fez o filósofo grego Diógenes que aparecia pelas ruas de Atenas em pleno dia, segurando uma lamparina gritando que estava à procura de um homem honrado e que não encontrava nenhum, e ia afastando os que se cruzavam no seu caminho, dizendo-lhes que não eram mais do que escombros.


Desconheço quem seja o douto professor do Instituto Superior Técnico nem tão pouco irei tecer considerações, juízos de valor e de intenção sobre ele, cingir-me-ei apenas ao comentário do artigo de opinião de JMT.


A questão ocorre a partir duma entrevista dada por Clemente Pedro Nunes, professor do Instituto Superior Técnico (IST) na SIC Notícias onde acusou o Governo de querer “dar mais dinheiro aos do mesmo” com a Estratégia Nacional para o Hidrogénio (ENH) que foi aprovada em Conselho de Ministros, na passada quinta-feira.


João Galamba reagiu de forma dura dizendo que “É um aldrabão e um mentiroso do pior. Não há outra forma de descrever esse cavalheiro. Chama-se Clemente Pedro Nunes e é um aldrabão encartado.”, respondeu João Galamba num twitte. Não concordo com este tipo de linguagem como argumento político o que mostra falta de qualidade que se exige a um político em exercício


João Galamba quando é confrontado com críticas aos seus pontos de vista torna-se irritante e irritadiço especialmente para muitos que não se acomodam com a sua exagerada assertividade com os tiques que JMT acusa de serem iguais aos de José Sócrates. É uma espécie de clone.


Neste ponto todos temos os nossos pontos fracos porque com mais ou menos relevância os nossos gestos ou atitude podem ser uma característica de aproximação e parecença com a de outras pessoas que fomos adquirindo inconscientemente ao longo na nossa vida por aprendizagem vicariante, isto é, por aprendizagem social, o que foi demonstrado por Albert Bandura. Aprendemos assim a observar os outros. A observação de “modelos” exteriores acelera mais a aprendizagem do que se esse comportamento tivesse de ser executado como aprendentes.


Sendo um acérrimo crítico de José Sócrates, a quem tem aversão de vária ordem, JMT transfere para Galamba essa espécie de ódio de estimação por encontrar nele atitudes e comportamentos idênticos.


O artigo de opinião de João Miguel Tavares centrando-se apenas na análise do comportamento na atitude de João Galamba. Não lhe interessa o cerne da questão, não se preocupa em saber da validade da Estratégia Nacional para o Hidrogénio e qual a validade dos argumentos dos dois protagonistas e se, neste processo, a questão de facto que ambos apresentam é circunstancial ou de evidência e se a dita estratégia trará, ou não, prejuízos ao país.


Não é novidade que especialistas das mesmas áreas do saber quando chamados a comentar certas decisões sobre projetos dos governos tomam posições diferentes sobre matérias da sua especialidade. Tem sido assim nas questões dos aeroportos, dos incêndios, do ordenamento das florestas, pontes, ferrovias, barragens e agora sobre a estratégia energética.


Quando se trata de questões que envolva decisões de ordem política as divergências entre especialistas das mesmas áreas científicas os argumentos a favor ou contra têm mais a ver com questões ligadas a pontos de vista de ordem partidária e ideológica. Procuram-se e defendem-se argumentos de ordem científica que possam contrariar ou facilitar os pontos de vista das decisões políticas dos governos sobre os quais estão a favor ou contra. Tais cientistas ficam tão cheios dos seus argumentos que esperam que todos concordem com eles e atacam-se uns aos outros sem dizerem o que era ou o que havia de ser. Em respostas à fraqueza dos argumentos apenas se obtém frases de lixo, coisas como as que os ministros respondem quando não têm resposta nenhuma.


Escreve Miguel Tavares imbuído de um êxtase axiológico: “São declarações absolutamente inaceitáveis, e num país mais exigente com o comportamento dos seus governantes ele estaria no dia seguinte no olho da rua.”. Que elementos de governos, mesmo fora de Portugal, que estariam no meio da rua se atendêssemos ao que eles propagam nas redes sociais. Esquece-se JMT que as redes sociais estão a ser o lugar privilegiado para governantes tecerem e justificarem os seus pontos de vista, ofenderem políticos, propagar ideias antidemocráticas, deixarem recados aos seus adversários políticos e fazerem comentários e críticas não raras vezes lançarem notícias falsas cujo exemplo manifesto é o do presidente dos EUA Donald Trump. Infelizmente parece que este tipo de políticos acha serão mais admirados pelos “outros”, aqueles a quem se dirigem, que terão a mesma linguagem.


As afirmações de Galamba sobre Clemente Nunes no Twitter são, de facto, uma traulitice verbal no Twitter, mas muito pior vê-se neta e noutras redes sociais. Miguel Tavares acha que “para além do insulto descarado, essas declarações importam sobretudo enquanto método de impor um pensamento único à sociedade portuguesa, que era típico dos tempos de José Sócrates, e que Galamba procura agora emular”. Achar que criticar o que alguns dizem, mesmo não correspondendo à verdade, utilizando o insulto, o que é reprovável, é pensamento único é mergulhar no exagero e no caricato.


No confronto e no discurso politico-ideológico é suposto que a argumentação dos opositores vá no sentido de que o seu pensamento é o único e verdadeiro e que ambos se tentam impor. Nas redes sociais há cada vez mais lixo informativo, falsas notícias, insultos e instigação ao ódio propagado também por responsáveis governativos. Há quem as utilize com desmesurada falta de ética que conduzem e coagem a uma espécie de pensamento único em que os discordantes são assediados com ameaças e insultos.


Este caso não merece o tempo que JMT lhe dedicou, caso tivesse ocorrido com alguém ideologicamente da sua preferência não lhe teria valido o tempo de escrita que lhe ocupou.

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publicado às 17:52

Que país é este onde vivemos?

por Manuel_AR, em 27.04.13


 



Até onde chega a cumplicidade entre os monopólios e os governos que se deixam enredar por lobbies e, consequente, pressões sobre o Estado.



 


As remodelações do Governo são de facto peças de teatro de má qualidade e para inglês ver. Tal e qual como na obra de Miguel Sousa Tavares, Equador, em que o governador de S.Tomé, a mando do Rei D. Carlos, tentava demonstrar ao Cônsul Inglês que não se praticava escravatura no território.


Trata-se aqui da demissão do Secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes, em Março de 2012, devido a pressões do lobby da energia. De acordo com o Jornal i Henrique Gomes foi demitido após ter “elaborado um relatório sobre os cortes das rendas excessivas no sector elétrico previstos no Memorando de entendimento.”.


Henrique Gomes foi então na altura impossibilitado de de fazer uma intervenção no ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão) sobre o tema das rendas pagas às empresas elétricas.


Ainda segundo o mesmo jornal Henrique Gomes denunciou que o relatório com as “propostas de cortes e a impossibilidade de um imposto especial sobre as rendas excessivas, foi enviado para o gabinete do primeiro-ministro” tendo chegado quase de imediato à administração da EDP cujo responsável é António Mexia. Caso inquietante, revelado por Henrique Gomes, é que a sua demissão do Governo foi festejada com champanhe numa empresa do setor que, sendo única só poderia se a EDP.


No Jornal de Negócios da passada terça-feira Henrique Gomes e sobre o mesmo assunto diz que “Esses privilégios traduzem-se em rendas excessivas, financeiramente insustentáveis, económica e socialmente ilegítimas e, no caso das rendas, ilegais. Politicamente são um desastre.”


Até onde chega a cumplicidade entre os monopólios e os governos que se deixam enredar por lobbys e, consequente, pressões sobre o Estado. Será que não é possível por fim a isto?


Para bom entendedor meia palavra basta…    

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publicado às 19:31

Aumento de preços do gás natural

por Manuel_AR, em 18.04.12

 


 


Energia: Galp defende aumento do IVA do gás natural


 


Uma das justificações para o futuro aumento de 6,9% do preço do gás natural é a diminuição do consumo. Fará isto sentido?


Quando se pede austeridade, poupança, contenção nas despesas e se lançam ideias para poupar água, gás, electricidade, vêem-nos dizer que baixou o consumo e que, por isso, o preço do gás natural tem que ser aumentado!


Se todas as atividades económicas que fornecem bens e serviços fizessem o mesmo teríamos o seguinte raciocínio: comércio por exemplo reduziu as vendas logo aumentam-se os preços. Mas como as vendas continuariam a  baixar aumentariam novamente os preços! Isto no mínimo seria insano!


Será que numa economia de mercado a teoria da oferta e da procura deixou de ter validade? É normal que, quando há muita procura e pouca oferta, os preços tendam a aumentar, e quando se passa o contrário dá-se o inverso, quer dizer o consumo baixa os preços diminuem! Parece que no gás natural não é assim... Dizem por um lado para se poupar energia e não se desperdiçar, por outro, aumentam-se os preços porque o consumo  reduziu! Afinal, para este senhores neoliberais do governo a economia só funciona para um lado! O mais grave ainda é  a grande desfaçatez de os maiores aumentos serem apenas para as famílias que poupam e consomem menos! Isto será normal?


Dizem que isso não é matéria nem da competênca do governo é da ERSE? Ah! Bom... Por isso não vale a pena adiantar mais nada. Para bom entendedor...


Talvez seja para a tornar mais apetecível para os que a comprarem quando da privatização.... Dizemos nós, os que pagamos para isso sem contrapartidas.


 

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publicado às 18:00


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