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PSD – a disputa de Rangel a Rui Rio

por Manuel_AR, em 29.11.21

Hoje partilho um texto escrito por Carlos Esperança que me parece adequado ao momento do rescaldo eleitoral interno do PSD. 

PSD – a disputa de Rangel a Rui Rio

(Carlos Esperança, 27/11/2021 in Estátua de Sal)

PSD disputa-Rangel a Rio.png

A vitória de Rui Rio sobre Rangel é uma colossal derrota do aparelho do PSD perante os militantes do partido. Bastou uma sondagem, que mais parecia um palpite, da TVI, já com chancela da CNN, para intimidar os sindicatos de voto de Rangel e deixar livres os eleitores.

A moderação de Rio foi a única vantagem que exibiu sobre o seu acarinhado adversário. Com a derrota, Rangel volta para Bruxelas a acabar o mandato, a difamar o Governo e a defender as posições mais à direita, mas arrastou consigo a plêiade de figuras públicas e figurões que não toleram a Rui Rio a sua autonomia. Até a lei da eutanásia voltará a ser aprovada, depois de o PR ter pretextado outra reavaliação pela próxima legislatura.

Amanhã nenhum jornal dirá que o PR foi o grande perdedor e que será obrigado a tecer a Rui Rio as loas de que precisa para proteger o partido ao serviço do qual interfere nos outros órgãos de soberania.

Para o PS foi um resultado prejudicial, sobretudo agora, quando na próxima legislatura seria uma utopia contar com os partidos que lhe chumbaram o OE-2022 na presunção de que fariam agora o que recusaram antes, e a vitória sobre Rui Rio, a existir, será sempre mais moderada do que sobre Rangel. Relevante é evitar que se quebrem as hipóteses de reproduzir o apoio maioritário de esquerda a futuros governos de outras legislaturas.

Hoje vai ser uma noite de insónia para Miguel Relvas, Marco António, Passos Coelho, Luís Filipe Meneses, Carlos Moedas e Marcelo Rebelo de Sousa. O obscuro e poderoso líder da distrital de Lisboa é outro derrotado, o tal que considerava Rui Rio de esquerda, ao contrário de Carlos Moedas, o que esqueceu quem o propôs para apanhar o comboio dos notáveis ao lado do eterno perdedor, Paulo Rangel. A tralha cavaquista foi esmagada.

Vai ser bonito ver os líderes distritais que apostavam em Rangel e no apoio presidencial a justificarem-se aos eleitores que os desautorizaram e a quem tinham recomendado o candidato perdedor.

Até o antigo sátrapa da Madeira, que apoiou Rui Rio contra Rangel, se vingou de novo do PR, com quem recusou encontrar-se na Madeira. Apoiou o candidato de quem o PR não pode dispor.

Tem razão para comemorar com mais umas ponchas.

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publicado às 18:01

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A propósito das próximas eleições diretas no PSD a coisa está agreste. Há dois candidatos, ambos afirmam colocar à frete os interesses do país, mas, como em tudo, há sempre um mais interessado do que outros. A escolha depende dos militantes do partido que soberanamente escolher um dos candidatos. Como não sou militante a minha visão é de distanciamento e independência relativamente a cada um dos candidatos, todavia, tendo em consideração os efeitos que cada um poderá exercer no país, tal como a estabilidade política e social necessária, não nego ter inclinação por um deles.

Estamos a atravessar uma crise política forçada pelos partidos de esquerda mais radical que votaram contra o Orçamento de Estado para 2022 ao lado da direita. O intuito talvez fosse tentarem, cada um por si, recuperar eleitores perdidos que se afastaram do radicalismo desde as eleições de 2019 e, recentemente, nas autárquicas atribuindo as culpas ao Governo e a António Costa.

Os dois candidatos Paulo Rangel e Rui Rio têm visões diferentes sobre o que pretendem para o partido e para o país. Cada um dos protagonistas tem mostrado o seu estilo de estar na política e as visões para o país. Um deles tem projetos mais ou menos centrados no país, o outro em projetos mais pessoais e partidários. Paulo Rangel parece-me pertencer a este último.  

Paulo Rangel está rodeado de gente que, tal como ele, fizeram parte da entourage de Passos Coelho quando foi primeiro-ministro. Ligados à fação mais à direita do PSD que, desde Cavaco Silva, se afastaram das raízes sociais-democratas. Personagem melíflua e palavrosa e com narrativas ao mesmo tempo sedutoras e enganadoras, mas sem consistência centra-se numa oposição desprovida de projetos objetivos para o país e para as pessoas. Os apoios a Rangel vêm dos neoliberais do partido e de lóbis muito fortes de grupos e comunidades.

Aproveitando a vitória pífia de Carlos Moedas em Lisboa e do slogan da campanha “tempos novos” Rangel adotou a estratégia de colagem admitindo "sintonia de pontos de vista" com Moedas sobre "tempos novos" da política. Num almoço com Paulo Rangel Moedas salientou que o almoço serviu para dar um “grande abraço” para “dar força” ao seu “amigo” Paulo Rangel na reta final da campanha interna para a liderança para o PSD. Mas, por outro lado, disse rejeitar que o encontro com Rangel pudesse ser interpretado como um apoio, afirmando que essa interpretação “é feita pelos jornalistas, analistas e comentadores”. Estranha afirmação plena de contradição. Os “tempos novos” são o regresso às políticas dos velhos tempos do para além da troica. Como Moedas ganhou tangencialmente a Câmara de Lisboa Rangel terá pensado que lhe poderia acontecer o mesmo com as legislativas caso ganhasse e viesse a ir a votos como futuro primeiro-ministro.

A propósito, vimos, na apresentação do livro da cristalizada jornalista Maria João Avillez, o atual presidente da Câmara de Lisboa e ex-ministro de Passos Coelho, Carlos Moedas, na fundação Calouste Gulbenkian salientar para os jornalistas, depois de ter assistido à apresentação do livro afirmar que não vai “tomar posição” na disputa interna do PSD, mas, ao mesmo tempo, vai dizendo que quer que haja uma “verdadeira oposição ao PS”, tal como Rangel vem salientado ao longo da sua campanha.

Também, a propósito, José Saraiva escreveu, numa entrevista feita na casa de Maria João Avillez, que “Sentados no sofá, é impossível não reparar nas dezenas de fotografias emolduradas que quase tapam os livros numa estante próxima. Uma delas, a preto e branco, destaca-se pela dimensão generosa e posição proeminente. «É o meu pai com o Salazar. E está aqui muito bem» concluiu a entrevistada.

Voltando ao candidato à liderança do PSD, Paulo Rangel, do meu ponto de vista é um ardiloso da política cuja retórica leva a confundir quem, menos atento, o escuta não se apercebendo dos argumentos demagógicos e sem provas evidentes das suas afirmações decorrentes das notícias do dia e consoante as ocasiões.

Alguns comentadores, achando-se com privilégio de oráculos, vaticinam que António Costa prefere que Paulo Rangel ganhe as eleições diretas no PSD porque isso se poderá traduzir nas eleições legislativas em votos para o PS!!?  

O candidato Rui Rio com a sua espontaneidade fala mais para o país e é por todos entendido. Tem a noção de que a probabilidade de uma maioria absoluta, mesmo com outros partidos à sua direita é quase impossível. E daí as suas propostas.

Pelo contrário de Paulo Rangel luta pelo poder e só recentemente começou a equacionar alguma abertura para viabilizar um futuro governo. Rangel quando questionado sobre cenários de governabilidade após as legislativas de 30 de janeiro rejeitou um "PSD em segundo lugar" ou ser "vice-primeiro-ministro", repetindo que vai trabalhar para liderar um PSD com "maioria estável no parlamento" sozinho ou com coligações com partidos da direita "moderados". O seu devaneio não tem limites e a sua leitura da realidade está no mundo da imaginação porque está carecida de bom senso. Afinal qual é o seu projeto para no caso de, mesmo que em coligação com outros partidos, não conseguir a tal maioria estável?

Quanto a Rui Rio tenho ainda na memória a polémica que se instalou com Pinto da Costa, senhor do Futebol Clube do Porto quando ele era então presidente da Câmara Municipal do Porto e se manteve firme no seu propósito de “reduzir a área comercial disponível para o FC Porto negociar em cerca de 75 por cento, e isto sem apresentar qualquer proposta alternativa para os dragões financiarem as obras do seu novo estádio. Isto apesar da troca da área comercial para habitacional ter um custo nove milhões de euros” circunstância que Pinto da Costa nunca lhe perdoou.

Acusado pelos radicais da ala direita do PSD de ser a muleta do PS ele responde em função do que é melhor para o país. Rui Rio não defende   um bloco central (PSD+PS) coisa hoje em dia pouco provável o que Rui Rio assume é que está disponível para viabilizar um Governo do PS.

Paulo Rangel faz a predição da instabilidade garantindo que só haverá estabilidade com maioria absoluta do PSD. A pergunta é: e se o PSD ganhar sem maioria absoluta, mesmo em coligação com partidos à sua direita, não a conseguir? E se ao recusar, como claramente afirmou, qualquer alinhamento com o partido Chega provocará nova crise política?

Os que pretendem desacreditar Rui Rio não dão crédito aos argumentos de “estabilidade”, “responsabilidade” e “sentido de Estado” que vão de encontro a muitos portugueses ao contrário do posicionamento ideologicamente marcado de Paulo Rangel que é muito mais neoliberal liberal e nunca afirmou que o PSD é um partido do centro – onde se ganham eleições – e muito menos de esquerda. O facto é que os partidos sociais-democratas na U.E. estão no grupo político mais à esquerda e ao centro (S&D) onde se inclui o PS, tal como o SPD da Alemanha, agora no governo deste país. O PSD inclui-se no grupo da direita e centro-direita (PPE). Portanto mesmo que Rui Rio anuncie que o PSP é um partido de esquerda, perde o seu tempo o esforço estará numa aproximação ao centro-esquerda que se encontra entre o centro e a esquerda no espectro ideológico.

Sejas como for não faço vaticínios, mas talvez fosse mais útil ao país uma vitória de Rui Rio nas eleições internas do PSD.

Ao acabar de escrever este texto numa sondagem da Pitagórica divulgada pela TVI, o PSD teria melhor resultado nas legislativas de janeiro se fosse o atual presidente do partido social-democrata, Rui Rio, o líder.

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publicado às 18:58

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A propósito do CDS tem-se verificado que os portugueses não apreciam radicalismos e que se situam mais ou menos no centro político e que a propósito de eleições antecipadas, alguns líderes partidários, comentadores, analistas políticos, sobretudo os que afinam o seu mecanismo narrativo pelo lado ideológico à direita têm anunciado que, politicamente, e referindo-se sobretudo ao PS, partido do Governo, está em fim de ciclo, está esgotado.

Não é o Governo que está em fim de ciclo, como nos querem fazer crer, são os partidos tradicionais partidos da direita que ajudaram a construir a democracia, que parecem estar há algum tempo em fim de ciclo, talvez desde que partidos como o Iniciativa Liberal e o Chega foram constituídos.

O PSD e o CDS-PP, sobretudo este último, tiveram falta de visão. Foram eles que criaram as condições para o surgimento de partidos mais à direita, sobretudo como consequência do mandato de Passos Coelho e Paulo Portas e da formação da chamada “geringonça”. O abandono do debate ideológico e estratégias imediatistas para chegarem ao poder terão para isso contribuído. Para poderem conquistar votos ou alinhavam mais à direita ou mais à esquerda consoante opiniões e sondagens. Ora se assumiam à direita, ora se afirmavam como sendo do centro, ora do centro-direita.

Também a propósito, o que está a passar-se no CDS não deveria estar a acontecer. Como desconheço o que se passa internamente nos partidos, a não ser pelos órgãos de comunicação, pouco ou nada posso acrescentar não ser algumas opiniões sobre as causas dos problemas internos que se refletem no contexto democrático do país.

Culpabilizar e responsabilizar um líder eleito por maioria em 26 de janeiro de 2020 no 28º Congresso do partido pelas perdas de votos nas autárquicas a menos de um ano após ter sido eleito parece-me um pouco oportunismo dos que se lhe estão a opor, nomeadamente o apagado e deslocado no Parlamento Europeu Nuno Melo.

O CDS-PP não é como têm dito o partido fundador da democracia. O partido procurava corporizar politicamente as ideias da direita moderada e foi conotado com os setores mais conservadores da sociedade portuguesa e, por isso, sofreu ataques pela esquerda mais radical. Foi um dos partidos de direita atores no estabelecimento da democracia, embora na altura nem sempre alinhasse no processo democrático pelos melhores motivos devido a possíveis ligações com movimentos da extrema-direita, mas foi-se aos poucos democratizando sobretudo com o seu presidente já falecido Freitas do Amaral.

O que se tem passado ultimamente passado no CDS não é nada bom e pode acabar com a sua extinção cujos militantes e simpatizantes poderão ir engrossar a Iniciativa Liberal, talvez menos o PSD e até mesmo o Chega, o que não é nada bom para a nossa democracia dado que os partidos radicais de direita que existem por aí ávidos por arrecadar algumas franjas das direitas. Note-se que o votante destes dois últimos partidos na sua maioria supõe-se serem oriundos do PSD e do CDS-PP, poucos terão vindo das esquerdas.

O CDS sendo um partido de direita nunca foi até agora um liberal radical apesar do seu atual líder dizer em outubro de 2019 que era admirador da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher e do antigo presidente norte-americano Ronald Reagan, dois políticos neoliberais conservadores. Em janeiro de 2020 confessava-se admirador de Paulo Portas. O CDS é um partido que, bem liderado, poderá recuperar alguns votos que perdeu para outros partidos.

A não ser quem fala em fim de ciclo do Governo com o objetivo de induzir quem os escuta a uma deslocação para a direita, não há nota nem provas disso, a não ser circunstanciais, que aponte para um fim de ciclo. Para tal teríamos que conhecer se haverá ou não deslocação de votos dos chamados flutuantes para a direita pois estes eleitores são os que determinam muitas vezes qual o(s) partido(s) que vão ocupar cargos de governação. São estes eleitores voláteis que oscilam com as suas preferências de voto de uma eleição para outra e que poderão orientar-se para o Chega e para a Iniciativa Liberal engrossando as suas fileiras.

Assim sendo, uma coligação entre o centro-esquerda e centro-direita poderia ser uma opção, mas não é bem aceite por vários setores sociais e partidos nem por esse “passadista” Paulo Rangel candidato a líder do PSD. Por outro lado, a ser concretizada poderia, a prazo, causar instabilidade social e movimentações sindicais condicionados por partidos da esquerda radical.

O exemplo da Alemanha que foi governada mais de dezasseis anos pela chamada “Grande Coligação” demonstra-nos a possibilidade ou não de o mesmo poder acontecer em Portugal. A nossa cultura política e o ambiente social são diferentes da Alemanha, mas uma adaptação dos princípios poderia ser ajustada. Vejamos quais os argumentos, as principais vantagens e os princípios que presidiram à formação de uma grande coligação no caso alemão, mas que se poderia a adequar ao caso português. Ao contrário do sistema bipartidário, as coligações evitam a polarização social e obrigam os partidos a criatividade na capacidade de compromissos. Quando nenhum partido político, por si só, consegue uma maioria no Parlamento torna-se necessário uma solução bi ou pluripartidária.

Para além de maiorias absolutas nos parlamentos o que pode contribuir para a estabilidade são também os acordos de coligação que se caracterizam por acordos entre parceiros de coligação, no início de um período legislativo sobre as metas que pretendem atingir nos próximos anos. Embora com enquadramento diferente foi o que aconteceu em Portugal à esquerda com a “geringonça” desde 2015 que agora mordeu a corda graças à radicalização dos partidos à esquerda do PS.  

Em Portugal desconfia-se de maiorias absolutas, e os partidos, sobretudo os da esquerda radical fazem os possíveis para, nos momentos eleitorais, diabolizar as maiorias absolutas como sendo um mal, talvez aproveitando-se das más experiências a que o país esteve sujeito quando foram eleitoralmente concretizadas à direita. Contudo, maiorias aritméticas parlamentares têm mostrado ser uma boa opção. É óbvio que isto também depende do conteúdo ideológico e programático dos partidos que se apresentam a essa solução.  

Com Rui Rio na liderança do PSD um acordo pós-eleitoral a nível parlamentar poderia ser uma hipótese a considerar, uma espécie de coligação semáforo, uma espécie de geringonça ao centro e centro-esquerda. Neste caso faria sentido houver conversações bilaterais entre o PS e o PSD, já que existe matéria em comum que pudessem estabelecer. Todavia, as bases do PS mais à esquerda e as mais à direita no PSD forçariam o bloqueio desta solução.

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publicado às 19:08

PSD versão “passista” 2.0

por Manuel_AR, em 15.01.19

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Luís Montenegro não é mais do que uma versão 2.0 do modelo neoliberal de Passos Coelho. Se alguém está também a contribuir para destruir o PSD é Montenegro pela inoportunidade e orientação que pretenderá dar ao partido.


Rui Rio que completou no domingo um ano como presidente do PSD e no dia anterior foi desafiado à sua liderança por Luís Montenegro com um pedido de convocação de eleições diretas antecipadas. A justificação de Montenegro para esta tentativa de tomada do poder no PSD foi justificada pela degradação a que o partido chegou.


Quando Passos Coelho deixou a direção do PSD e Rui Rio avançou para liderar o PSD houve, para muitos, a esperança de que o partido retomasse a sua verdadeira vocação social-democrata. Com a eleição de Rui Rio que ganhou contra Santana Lopes a rede neoliberal deixada por Passos Coelho, contrariada, iniciou desde logo a estratégia para a tomada do poder no PSD, mas Luís Montenegro já tinha isso programado.


Rui Rio via-se a braços com uma bancada parlamentar que lhe era de certo modo hostil, mas que não podia substituir na íntegra por ter saído das eleições de 2015. As tensões internas agravaram-se devido ao afastamento de Hugo Soares da liderança parlamentar do PSD, cargo em que foi substituído por Fernando Negrão, eleito com pouco mais de um terço dos votos dos deputados.


Será apenas por acaso que Luís Montenegro, com a justificação da esperança de que “degradação” do partido se estancasse, diga agora que o timing só podia ser este e que mais tarde era impossível devido ao aproximar das legislativas?  Como se explica que o ex-líder parlamentar do PSD no tempo de Passos Coelho desafie agora Rui Rio a ir a eleições muito antes de este terminar o mandato como líder? Em 4 de abril de 2018 Luís Montenegro assegurava que o seu desejo é que o presidente do partido (o então eleito Rui Rio) fosse primeiro-ministro em 2019, considerando "um erro colossal" colocar a hipótese de Rui Rio não terminar o mandato. Seria “um erro colossal colocar sequer a hipótese” de Rui Rio não chegar às eleições, afirmou em 4 abril de 2018.  "O meu desejo é ver o Dr. Rui Rio primeiro-ministro dentro de um ano e meio", afirmava então.


O que terá mudado desde então passados apenas cerca de 9 meses? Não foi apenas a “degradação” que ele diz existir no partido. Não é apenas a perda de umas décimas nas sondagens. É, isso sim, a reocupação do partido pelos “sem lugar” do grupo neoliberal “passista”.


Aproximando-se a data das eleições europeias a escolha dos deputados seria feita pela atual direção cuja linha ideológica e estratégias se afastam da dos neoliberais agora reunidos à volta de Luís Montenegro. Para estes, interessa que todo o processo seja rápido para que seja o novo líder, se o for, e numa primeira instância, a ter uma palavra na escolha dos candidatos a deputados às europeias e, posteriormente, nas legislativas.


Montenegro ao salientar a degradação a que o partido chegou esquece-se de que, foi Santana Lopes quem iniciou a degradação, (assim como o partido, “Chega”, desse que se chama André Ventura), ao constituírem novos partidos que serão alimentados, na sua maior parte, por gente do PSD e das extremas-direita. A perda de votos pelo PSD verificada nas sondagens a isto também se deve.


Então vejamos com alguma margem de erro o que nos mostra a aritmética: segundo a Eurosondagem o PSD entre março/2018 e novembro/2019 veio a decair alguns pontos nas intenções de voto, de 28,4% para 26,8% ou seja, menos 1,6%. Em janeiro de 2019, mês em que o partido de Santana Lopes entra nas sondagens o PSD obteve 24,8%, menos 2%, do que em novembro. Esta perda pode ser justificada, em parte, pela entrada do Aliança que terá ido buscar parte das intenções de voto ao PSD e parte ao centro esquerda já que os restantes partidos subiram, embora de forma residual.


Deste ponto de vista a degradação do partido não se deve apenas a Rui Rio, mas a todos os que, internamente, têm contribuído para a sua deterioração e divisão. Montenegro afirma que Rui Rio não conseguiu unir o partido como tinha prometido, mas o facto é que Montenegro para isso terá contribuído, seja por ambição de poder, seja por qualquer outra razão. A decisão de desafiar Rui Rio levou a que Pinto Balsemão, um dos fundadores do PSD,  e ex-primeiro-ministro, considerasse o desafio de Luís Montenegro como inoportuno e patético: "Eu aqui em Cabo Verde, à distância, só quero dizer que não me pareceu oportuno, quanto ao timing, e que me pareceu um conteúdo um pouco melodramático, ou patético".


É evidente a contradição ou a hipocrisia se comprarmos o que Luís Montenegro em abril de 2018 assegurava ao dizer que “o seu desejo é que o presidente do partido seja primeiro-ministro em 2019, considerando que é "um erro colossal" colocar a hipótese de Rui Rio não terminar o mandato.”.


No discurso que Montenegro fez para desafiar Rui Rio assumiu-se quase como candidato a futuro primeiro-ministro e falou em “galvanizar os portugueses”, resta saber para quê, e, num assomo populista, fala em “tempo de esperança”, (termo também usado pelo antigo líder Passos Coelho),  para “os empresários que querem arriscar novos negócios, para os trabalhadores que aspiram a melhores salários e para os mais desfavorecidos”.


Luís Montenegro não é mais do que uma versão 2.0 do modelo neoliberal de Passos Coelho. Se alguém está também a contribuir para destruir o PSD é ele próprio pela inoportunidade e orientação que lhe pretenderá dar.


Montenegro disse hoje na TVI que se for líder o mínimo que considera ter nas eleições é cerca de 34% dos votos. Como este valor não lhe dará para governar sozinho é possível que no seu espírito esteja uma nova aliança com o CDS/PP, fazendo uma nova PaF, e “convidar” também o residual partido Aliança.

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publicado às 00:13

Santana e Rui Rio frente a frente.png


O frente a frente entre Rui Rio e Santana Lopes na passada quinta feira foi duma confrangedora exibição e pobreza. Ambos estiveram mal e o jornalista moderador pelas questões colocadas contribuiu para o desinteresse também não esteve melhor. As questões que colocou interessavam-lhe. Terá sabido previamente como Santana iria atacar? De qualquer forma o papel dum jornalista nestas situações é sempre ingrata, mas, neste caso, Vítor Gonçalves também não esteve bem.


Santana refugiou-se em assuntos do passado para atacar Rui Rio com temas que apenas revelaram a sua fraqueza, fragilidade, contribuindo para a falta de nível do debate e o desinteresse pelo esclarecimento do futuro do partido e do país caso venha a ganhar as eleições. Baseou-se apenas em críticas ao seu adversário concorrente.


Santana Lopes, ao referir e criticar Rui Rio por ter aceite um convite para participar num evento na Associação 25 de abril, conotou esta como se fosse uma associação de malfeitores.


Santana faz lembrar os que fazem política e comentário à mesa de cafés ou à frente de imperiais em cervejarias.  Faz lembrar os propagandistas das televendas que fazem tudo para vender o produto com publicidade enganosa. Estes ao menos centram-se apenas no seu produto e não falam da concorrência.


A prestação de Santana Lopes, enquanto candidato a líder de um dos maiores partidos portugueses, fez política baixa mostrando que não tem qualquer projeto definido. Todavia, pelos comentários de alguns jornalistas parece-me que a direita neoliberal dentro do PSD está do seu lado e tenta ver Santana Lopes como o herdeiro do pensamento de Passos Coelho e da sua turba. Cola-se à direita passista talvez para captar votos que se desviaram desde as eleições autárquicas para o lado do CDS. É nisso que ele está a apostar já que parece claro que é um admirador do ainda atual líder do PSD e da sua política.


Santana é um fiasco político e quer vir a ser primeiro-ministro para continuar a ser fiasco como já mostrou ser no passado. Gerir um país não é o mesmo que gerir uma instituição privada ou pública e já tivemos oportunidade de o confirmar no passado. É senhor de uma conversa fiada, com palavreado por vezes doce, por vezes amargo, por vezes confuso e desarticulado, muito ao seu estilo pessoal. Santana Lopes fala muito, mas concretiza pouco. Santana gosta de espetáculo, gosta que o admirem, gosta que o adulem, disponibiliza-se e está sempre disponível para falar sobre tudo e sobre nada frente às câmaras da televisão e para elas fixa o seu olhar. É um narcisista nato.


Sabemos por anteriores afirmações que Santana Lopes diz hoje o que irá desdizer amanhã. Fala dos erros dos outros esquecendo os seus. Com Santana Lopes, como líder do PSD, e caso venha a ganhar as eleições em 2019, para o que diz estar preparado, vamos ter mais do mesmo à direita.


Pelo contrário, Rui Rio é objetivo, pragmático e diz o que pensa. É um homem do Norte, sem papas na língua, e, para o bem e para o mal podemos saber com o que contamos. Diz o politicamente correto e politicamente incorreto.


Não vai ser fácil para Rui Rio poder remodelar o partido visto que os neoliberais alimentados e protegidos por Passos Coelho estão bem assentes e não vão deixar que lhes tirem o tapete. Por outro lado, o país também não pode estar sossegado se Rui Rio vier a ser eleito e ganhar eleições em 2019. O PSD com Rui Rio não deixará de ser de direita, talvez seja mais moderada. Uma coisa é certa, Rui Rio tem propostas mais concretas que podem, ou não, ser concretizáveis, ao contrário de Santana Lopes que é um vazio confuso.


Parece-me que a direita, que domina em grande parte os media, parece ter uma preferência por Santana Lopes, talvez porque alinha pelo liberalismo do passado recente e talvez também porque lhes poder vir a dar material e palhaçada para temas a publicar.

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publicado às 18:38

Os zombies da direita

por Manuel_AR, em 13.12.17

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Hoje acordei virado para o lado da ficção de terror que atualmente está muito em voga, especialmente em séries televisivas só que, ao nível da política, infelizmente não é ficção.


O PSD, partido que nos últimos anos abandonou a social-democracia e passou a representar uma certa direita em Portugal, faz-me lembrar a série de televisão “Walking Dead” cujo enredo se baseia nos zombies que segundo o estereótipo popular são seres humanos dados como mortos que, após sepultados, são posteriormente reanimados por meios desconhecidos.


Esta direita zombie arrasta-se por aí, por todo o lado, sem rumo e sem projeto tendo como único propósito a assombração de tudo e de todos.


Com o auxílio de alguns media a direita vai desenterrando aqui e ali tudo quanto encontra e sirva para fazer oposição através de casos que os media lhe vão fornecendo, ou que ela vai fornecendo aos media. Estes zombies da direita têm alvos com prioridades estabelecidas e auxiliados pelas suas toupeiras no terreno.


Na campanha eleitoral interna para eleição do futuro líder do PSD, quer Santana, quer Rio, talvez com o objetivo de captar os fiéis neoliberais de Passos Coelho, não têm apresentado nada de novo e recuperam as teses do ainda atual líder. Rui Rio, por exemplo, sem nada propor de novo, volta à tese do “com o consumo interno não vamos lá”. Poderá até ter razão, mas onde está a alternativa que não coloque novamente o país como Passos Coelho o deixou? Claro que devemos reconhecer-lhe algum mérito como Santana Lopes já fez. Contudo, quais são as propostas que os candidatos a líder da direita PSD têm apresentado ao partido e ao país? Será a evolução na continuidade à semelhança do que foi a primavera Marcelista, mas em democracia?


Quem se disponha e tenha paciência para suportar ler manifestos inseridos nos comentários que encontramos nos artigos e opiniões dos jornais online onde sentimentos de ódio e frustrações se misturam terá a oportunidade de se deparar com uma outra espécie de zombies que, escondidos no anonimato, saem das profundezas das redes para atacar tudo e todos os que não pensam como eles, uma espécie de protofascistas. Para estes, todos os que não são de direita são comunas. Todos o que não sejam ideologicamente de direita ou apresentem formas alternativas para governação são comunas. Estes mortos-vivos são os mesmos que lançam chavões ofensivos e “fake news” (notícias falsas) por todos os meios que estejam ao seu alcance. A constatação deste facto não se resume apenas à direita, há também os fogosos(as) da esquerda que, embora proliferem em menos quantidade, não deixam de exagerar na sua linguagem de baixo calão.


Estes mortos-vivos, especialmente os da direita que atacam tudo quanto seja a responsabilidade social do Estado e apregoam reformas (seja lá o que entendem por isso), são os mesmos que, sem se fazerem rogados e sempre que podem, atiram-se por todas as formas a tudo quanto possam sacar ao mesmo Estado, mesmo em prejuízo de outros. Estes grupos, espécie de “batoteiros”, sempre que podem sentam-se à mesa do orçamento do Estado recorrendo a subsídios, fundos europeus a fundo perdido e outros a que se julgam com direito numa perspetiva egocentrista. Por outro lado, sentem-se lesados quando se lhes acaba o regabofe e, daí, o seu sentimento de perda de poder, prestígio, revolta, agressividade e ódio que se revelam por comentários com que povoam as redes sociais e áreas de opinião dos jornais online num impulso de destruir adversários virtuais que apenas existem na sua mente.


Este tipo de zombies maltrata os outros pela linguagem que utiliza nos seus argumentos, mas não gostam que os maltratem a eles. Até políticos ditos responsáveis (deputados normalmente) verbalizam ofensas muitas vezes pessoais, mas indignam-se e levantam-se para intervir em defesa da honra pessoal ou da bancada. Não seguem a regra de “tratar os outros como queremos que nos tratem”.


A questão que se coloca é a de saber se será possível argumentar e comentar bem e com eficácia sem pesquisar nem compreender os meandros do fenómeno sobre o qual se comenta? Eu diria que sim, mas com alguma reserva. Esta reserva reside na moderação do comentário que passa a ser uma opinião e não uma crença absoluta. A crença em política é acreditar, sem margem para dúvida, que aquilo em que acreditamos é a nossa verdade; ou podemos, por outro lado, acreditar que essa coisa deve ser verdade sem o ser.


Quem faz comentário político nas redes sociais e nos comentários dos jornais online (eu incluído) não pode conhecer factos de forma completa, exata e em todos os seus detalhes; o que acontece é que os fenómenos vão chegando ao nosso conhecimento de forma fragmentada, incompleta e aproximativa, como se fossem dados por um GPS a que falta uma ou mais referência duma localização. Todavia existem pessoas que os conhecem de forma completa e exata.  Por exemplo, não é racional acreditar como um facto sem margem para dúvidas numa coisa acerca da qual temos apenas um conhecimento fragmentar e incompleto, por muito verdadeira que essa coisa pareça.


Os comentários a que me refiro são reveladores de sentimentos de fúria, raiva, frustração e outros, cujas lógicas são difíceis de compreender e, como tal, só podem ser limitadas a crenças tipo seita religiosa que movem as pessoas envolvidas e que nos parecem por vezes estranhas convertendo argumentos políticos em ofensas pessoais onde se fazem até descabidas e irracionais conotações.


Transcrevo apenas alguns exemplos desses comentários, que não são dos que utilizam linguagem mais ofensiva, tal e qual foram publicados exceto o itálico.


Entrevistado e entrevistador são ambos bolcheviques, um do bloco, o outro da soeiro pereira gomes. Louçã a preparar o terreno para a crise que se avizinha, com a despesa descontrolada pela pressão permanente dos partidos bolcheviques que, para mais, impedem qualquer reforma relevante.


Preparar o terreno para ele é acima de tudo ilibar a extrema esquerda de qualquer responsabilidade!


Quando este padreca leninista do Louçã diz que nunca há controlo das taxas de juro mente conscientemente e descaradamente, quando sabemos que o Banco central Europeu tem mantido as taxas de juro a um nível baixo, através das compras dos activos dos bancos. Compras que para a nossa banca desde 2015 ascendem a uns 30 mil milhões de euros!


Este comentário é sobre uma entrevista dada por Louçã ao jornal i a propósito de um livro que foi lançado em outubro por ele e por Michael Ash. Este economista afirma ao jornal Público que “uma nova crise financeira internacional, ao estilo da vivida há uma década é neste momento provável”, alerta. Michael Ash é economista norte-americano, professor na Universidade de Massachusetts e juntou-se este ano a Francisco Louçã, economista e ex-líder do Bloco de Esquerda, para lançar o livro “Sombras - A Desordem Financeira na Era da Globalização”. Nessa obra, traça-se um cenário pessimista em relação à forma como os mercados continuam desregulamentados e ensaia-se uma explicação para o facto de, mesmo depois da crise, pouco ter mudado.


O comentário mostra que, ou não leu a entrevista ou não sabe do que o entrevistado está a falar. A entrevista referia-se às crises internacionais que podem surgir a qualquer momento.


Francisco Louçã tem diversas obras publicadas sobre as causas das crises cíclicas, algumas publicadas com autores estrangeiros, é um economista reconhecido lá fora por esse trabalho. Que não se goste dele ou da sua ideologia, da qual não sou adepto, isso é outra questão, mas suponho que não terá nada a ver com uma conclusão desfavorável em relação ao que ele escreveu.


 


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Outro comentário:


Ó pateta, vai lá pedir um empréstimo ao banco e vais ver a taxa de juro que te cobram!


A (baixa?) taxa de juro do BCE reflete-se nos ganhos para a banca ou em ganhos para a economia, para o cliente? E se assim é porque mistéio é que arrotamos milhares de milhões todos os anos para pagar os tais 35 mil milhões mais juros e o mais que virá?


Este comentário nem vale comentário.


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Mais outro, este, provavelmente de esquerda:


 


Afinal pagamos o que não foi para o povo, mas que foi assumido como dívida pública.


O dinheiro não veio para tapar os buracos no Estado, aliás inexistentes dado o saldo primário anual de cerca de 7.000 milhões de euros. Foram para outros buracos bem privados e foram pedidos com a assinatura de Sócrates, Passos e do panasca, que constam no documento em Bruxelas.


Os comentários parecem ter vindo de seres que saíram das trevas para tentar captar alguém para as profundezas onde se encontram.  Servem-se da ofensa pessoal, atributo de fraqueza argumentativa, e destilam sentimentos de ódio e de estigmatização. Todavia outros comentários salientam-se pela sua sobriedade e clareza sem que isso signifique ser verdade, ou de quem os faz ter razão.

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publicado às 19:40

A direita, o centro, e a esquerda

por Manuel_AR, em 14.10.17

Centro e esquerda.png


Tenho vários “posts” em que aponto Passos Coelho como causador do PSD ter abandonado a matriz ideológica social-democrata do partido ao avançar com um projeto neoliberal e de arregimentando os seus defensores que lá se encontravam encobertos.


Às portas duma nova liderança quem ficar à frente do partido tem que ter a noção das águas em que se moverá e a que correntes terá de resistir. Os comentários e opiniões que começarão a surgir sobre o que deverá ser o partido daqui para a frente serão espalhados pelos ventos da comunicação social e a tendência atual tentará fazer passar a sua mensagem.


No último congresso que reelegeu Passos Coelho o slogan era “Social Democracia sempre”. Rui Rio na apresentação da candidatura afirma que o PSD é um partido do centro, que vai do centro-direita ao centro-esquerda e que “não é nem nunca foi de direita como alguns o têm caracterizado”. Manuela Ferreira Leite tem afirmado o mesmo nos seus comentários semanais. Eu próprio tenho defendido a necessidade do PSD voltar ao seu estatuto de social-democrata. Quando defndia a ideia de que o PSD devia regressar à sua matriz social-democrata centrava-se na esperança de que o partido podesse vir a deixar de ser conduzido pelos neoliberais.


Mas será mesmo assim e irá haver de facto mudança com uma nova liderança?


A resposta, até agora, é não. O ideário político do PSD, na prática, sempre foi de direita, de liberalismo moderado, e a história tem-nos dado provas disso. Teve alguns pequenos desvios pontuais, com alguns episódios de tímida e ligeiramente à esquerda (relativa, diga-se) ou ao centro, para captar algum eleitorado consoante o andamento das circunstâncias políticas do momento. Aliás é frequente os partidos servirem-se desta estratégia. O certo é que a representação que se tem do partido, dada a sua prática, é a de ser conservador de direita. A prova está em que o PSD no Parlamento Europeu, juntamente com o CDS, faz parte da ala conservadora e de direita que pretensiosamente dizem ser de centro-direita. Ao Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas fazem parte o PS, juntamente com o SPD (Partido Social Democrata) da Alemanha e outros partidos socialistas e sociais-democratas.


Voltemos agora às candidaturas à liderança. Um dos que não se candidatou foi Paulo Rangel, que se fosse candidato teria muitas dificuldades em se desmarcar de Passos Coelho. Se ganhasse seria mais do mesmo com algumas nuances.


A mensagem que algum candidato à liderança do PSD quer fazer passar é que o espaço ideológico do partido é a social-democracia, mas este é o espaço do PS. Se assim for a direita fica na mão do CDS e Assunção Cristas tirará dividendos disso ficando com o espaço do seu antigo parceiro de governo.


Depois temos os neoliberais que nos últimos anos tomaram conta do partido e que tentarão evitar heresias ideológicas, mas outros, para garantirem os pequenos poderes, irão converter-se. O PSD para nos enganar a todos está a começar a fazer um tirocínio para ser social-democrata ou até socialista a menos que aparece mais algum que o queira manter à direita onde pertence. Sobre esta tese sou levado a concordar com Rute Lima quando escreve no jornal Público: “De uma forma, de outra ou até entrando André Ventura na corrida à liderança do partido, de uma coisa todos temos a certeza: o trilho, a ideologia, o pensamento e a prática politica do PSD sempre foi neoliberal e o país ainda sofre na pele os resquícios da sua governação conjunta com o CDS.

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publicado às 20:34


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