Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Lisboa-Eleições Moedas-5.png

A campanha pré-eleitoral para as autarquias começa a levantar fervura, em Lisboa prevê-se que irá entrar em ebulição com o confronto entre os dois protagonistas, Carlos Moedas e Fernando Medina. O primeiro é o homem das pessoas, o segundo o homem da Lisboa verde centrado nas bicicletas e nas trotinetas.

Desde que Medina resolveu fazer crescer e espalhar bicicletas e trotinetas de aluguer por toda a Lisboa o desregramento e o desrespeito com a circulação das ditas foi aumentando na mesma proporção. É frequente um cidadão ao deslocar-se calmamente pelo passeio que lhe está destinado para circular encontrar uma trotineta abandonada, caída ou estacionada, no meio do passeio na qual se arrisca a tropeçar, caso se distraia.   

O incentivo à deslocação por velocípedes e trotinetas com total desprezo pelas pessoas que não têm possibilidade de pedalar pelas “vias verdes” das duas rodas também tem um objetivo lucrativo para a empresa Gira que pertence à EMEL que oferece esses serviços por esta Lisboa que não é para todos.

Carlos Moedas não nos fala de pedalar por Lisboa, apresentou o programa para a cidade, mas, como os de qualquer outro candidato, o programa é eleitoralista e inexequível num período de um mandato. Moedas promete uma dúzia de medidas (à dúzia é mais barato) que sabe não poder cumprir a curto prazo se, porventura, chegar a ganhar as eleições. Promete a Lua e o Sol às pessoas, vende-lhes esperanças e ilusões.

Faz olhinhos e sorrisos aos idosos, à cultura, aos automobilistas no que se refere ao estacionamento, prometendo diferenciar os moradores na cidade dos não moradores nos preços do estacionamento cobrados pela EMEL que seja 50% mais barato na cidade. Quer fazer a transição para uma cidade verde com a criação de um seguro de saúde para pessoas maiores de 65 anos com dificuldades económicas e tornar os transportes públicos gratuitos para "avós e netos" (maiores de 65 e menores de 23). Será para alimentar as companhias de seguros privadas? Quanto ao Parque Mayer disse que tem de ser um centro nacional de Cultura, que reúna espetáculos profissionais e espaços de aprendizagem artística, chefs a começar e os melhores chefs do país a aprender e a cozinhar e espaços de co-work. Isto tudo em quatro anos?

 Caso seja eleito, promete, irá também reduzir a taxa de IRS na capital, devolvendo aos lisboetas nos primeiros cem dias de mandato os "32 milhões de euros que vão para a Câmara de Lisboa" e propõe isenção de IMT (Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis) para jovens até 35 anos que comprem habitação própria em Lisboa.  Mas, afinal, não se tem falado na desertificação do interior e proposto incentivos para quem para lá se instalar?

Mas, há mais, pasme-se, um teatro em cada freguesia (porque, segundo o programa do candidato, "o setor cultural em Lisboa tem um problema crónico de falta de espaços acessíveis para quem está a começar").

Moedas disse que quer ainda "ligar a cidade ao Tejo desde Algés até ao Cais do Sodré", o que poderá passar pelo "enterramento parcial da linha ou um metro de superfície". "Sei que o enterramento total daquela linha é impossível, mas também sei que há partes que podem ser enterradas. Este projeto é essencial para a cidade", frisou. Mas atentem: Moedas diz que quer, mas, ao mesmo tempo, diz que o enterramento total daquela linha é impossível. Isto é, quer, mas não pode então não vale a pena prometer se não pode.

O grande banquete que Carlos Moedas oferecerá aos cidadãos da cidade de Lisboa continua e não para quando diz que irá também lançar um programa de apoio monetário à reabertura de empresas encerradas por causa da pandemia: "Os empresários precisaram de ser protegidos e a Câmara Municipal falhou-lhes. Agora, precisam de ter uma oportunidade para se voltarem a pôr de pé. O cheque Recuperar + oferece um apoio a fundo perdido para que quem investe a Lisboa volte a ter uma hipótese de criar valor na cidade, esclareceu.

O programa eleitoral deste candidato encabeça uma coligação com o CDS, PPM, MPT e Aliança, mas o que de Carlos Moedas não disse é com que dinheiro irá fazer frente às promessas e às despesas da Câmara?

O que tenho escrito sobre a candidatura de Carlos Moedas mantem-se, é uma candidatura de algum modo populista nas suas propostas ao mesmo destituída de carisma, vazia e preenchida para o momento de acordo com as necessidades e é previsível que pode mudar. A candidatura é ainda caracterizada por uma miopia no que se refere ao que é gerir uma Câmara como a de Lisboa. Não basta o currículo do candidato e a sua movimentação nos corredores das burocracias e das assessorias, sem contacto com as pessoas, com o povo, para tornar forte esta candidatura. A comunicação social poderá ter um papel num projeto populista. Um líder e o seu programa só é populista se os media lhe derem espaço necessário para a sua construção.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:10

Lisboa-Eleições Moedas-4.png

O escrutínio do poder político é básico numa democracia liberal e é uma das mais importantes funções do jornalismo, daqui se infere que a defesa da liberdade de imprensa concomitantemente com os valores e os princípios por que se guia a atividade jornalística não se coadunam com dependências e seguidismos. Contrariamente a estes princípios parece ser o que se está a verificar com a pré-campanha para as eleições autárquicas.

Não tenho informação suficiente para apontar casos concretos e objetivos que fundamentem o não seguimento daqueles princípios, mas ao ler e ver notícias que surgem nos media proliferam situações em que a perceção que eu tenho e, provavelmente, muitos outros terão que são tentativas de conotações de notícias com factos políticos a elas alheias. São, sobretudo, casos pessoais e partidários que só remotamente terão entre eles qualquer associação.

A exploração de factos extrapolíticos associados a outras circunstâncias com objetivos de “facilitação” de campanha partidária, numa espécie de deixa teatral para a atuação político-partidária, são frequentemente alimentados pelos media durante dias com elementos que nada acrescentam aos casos, mas que dão às oposições matéria para os manter vivos na opinião pública.

Tirando Fernando Medina não há outro candidato moderado e do centro político para Lisboa, o que é pena. Para mim, Fernando Medina é o candidato dos quilómetros de ciclovias da pseudo ecologia lisboeta, da liberalização da impunidade dos ciclistas e das trotinetas que passam os semáforos vermelhos, que entram em sentido contrário, que circulam pelos passeios desrespeitando os peões que têm que se afastar pela intromissão abusiva do espaço que lhes está destinado. Quem tem que se afastar é também o automobilista, tal é a força que se lhes dá, até no Código da Estrada.

Caso lamentável também é a ciclovia da Av. Almirante Reis a partir da Alameda Afonso Henriques em direção à baixa que obrigou ao estreitamento das faixas de rodagem dos automóveis tornando impossível a circulação de viaturas de emergência como ambulâncias e carros de bombeiros que têm que subir para a faixa da ciclovia para poderem passar a fila imensa de viaturas. É no que dá a obsessão pelas bicicletas. Gostaria de saber em quanto contribuíram as ciclovias para a redução de viaturas automóveis, quando há cada vez mais jovens a pedir para tirar a carta de condução automóvel. Ou será para conduzirem bicicletas, trotinetas e até skates, como já de tem visto por esta cidade?

Todavia não se pense que alguma coisa irá mudar votando em Carlos Moedas e nos seus associados da direita. Não, não vai!

Situemo-nos agora na interação da Câmara Municipal de Lisboa com as embaixadas no que diz respeito às intenções de realização de manifestações que eram entregues nos governos civis e a partir de 2011, e que, com a sua extinção, passaram a ser entregues nas câmaras municipais.

A circunstância do grave incidente do envio dos nomes de promotores de manifestação às embaixadas veio imediatamente parar aos media. Desconhece-se através de que canais, mas sabe-se que, até aqui, mal ou bem, eram efetuados os mesmos procedimentos desde há muito.

Como é conhecido, na grande maioria dos casos a informação sobre o que envolve figuras públicas resulta de fugas de informação e de outras formas de acesso privilegiado concedido a jornalistas que cultivam fontes bem colocadas em diversas instituições.  São relações alimentadas durante muito tempo, criando cumplicidades e interesses comuns. A notoriedade e visibilidade que se quer dar a algumas personalidades deve-se sobretudo ao apoio que conseguem dos media. Alguns deles tornam-se depois colaboradores de órgãos de comunicação social que alimentaram antes enquanto fontes.

Porquê agora a questão da informação às embaixadas? Parece evidente que a razão parece ser óbvia: prende-se com o aproximar das eleições autárquicas e da respetiva campanha eleitoral que a pedra no sapato da oposição de direita é Fernando Medina.  

Por causa de um caso que saiu pela porta das traseiras da Câmara para entrar pela porta dianteira dos media, a oposição a Fernando Medina que devia ser feita enquanto debate entre candidatos autarcas também passou para os deputados da Assembleia da República.   É fácil de perceber. Quem tem esse papel da oposição em Lisboa, Carlos Moedas, ainda não conseguiu fazer. A sua candidatura que junta a direita tresmalhada e desorientada não se tem conseguido afirmar.

O problema de Carlos Moedas para ser eficaz na oposição é desconfiar-se se ele conseguiria mandar numa estrutura das dimensões da Câmara Municipal de Lisboa? Se Moedas lá estivesse teria notado o referido procedimento para o alterar ou teria ele tomado alguma iniciativa? Cá por mim duvido!

A fraqueza de um candidato também se pode avaliar pelos seus argumentos sólidos que não apenas os casuais que os media lhe colocam na mão e ficar-se por aí. Que iniciativas, que projetos, ou pelo menos um, que pretenda realizar e o coloque, se for eleito, como promessa ao eleitorado para Lisboa. Moedas pode ser uma boa pessoa e bom um político, mas de interiores.

Como escreveu Daniel Oliveira, com quem raramente concordo, não há comparação entre um autarca e um ministro em caso de demissão, “Os ministros não são eleitos. Como tal, não é perante os eleitores que respondem. É perante primeiro-ministro. E ele responde perante o parlamento. O Presidente da Câmara é eleito – é, seja qual for a maioria existente, o primeiro da lista mais votada. Em caso de crime, responde perante os tribunais. Em caso de responsabilidade política, só pode responder perante os que o elegeram. Isso não os torna inamovíveis. Mas torna as consequências das suas demissões diferentes das de um ministro.”

A oposição de direita, que tem agora Fernando Medina como alvo tratando-o como se fosse um perigoso denunciante e aleado secreto de Putin ou de um outro qualquer populista autocrático por causa do caso das embaixadas, pede a sua demissão a três meses das eleições que não tem qualquer significado, o que seria até um pouco mais plausível exigir se estivéssemos a meio do mandato perante um acontecimento grave, mas não se está a exigir nada que tivesse resultados objetivos, a não ser que isso implicasse ou evitasse a sua recandidatura.

A perda de mandato e interdição de candidatura conforme estipulado pela Lei Eleitoral dos Órgãos das Autarquias Locais atualizada em 2013, o que não está em causa. Quem exige que Medina não se recandidate por causa deste caso apenas quer tirar aos eleitores o poder democrático de avaliar as suas responsabilidades políticas. E essas, ao contrário das criminais, só eles podem avaliar.

Então o pedido de demissão de Medina pela oposição não é mais do que a mostra das fragilidades do candidato da oposição porque o que seria de esperar era que Fernando Medina se recandidatasse para ir a votos fragilizado facilmente era enviá-lo para o escrutínio e responsabilização política e consequente derrota eleitoral. O que a desorientada associação de direita sabe é que a única candidatura que o poderia vencer tem baixíssimas probabilidades de sucesso e por isso explora a situação até ao seu extremo folego admitindo a sua incompetência para o fazer.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:37

Lisboa-Eleições Moedas-3.png

Todos conhecemos a casa que ganhou fama e tornou-se um ponto de encontro, por excelência, em Lisboa, ali ao pé do Rossio frequentada por indivíduos de todas as classes sociais e faixas etárias que se reúnem na Ginjinha Sem Rival para um copito e dois dedos de conversa. Pode parecer paradoxal, mas é, na verdade, um reflexo de quem não precisa de 'provar' que a sua ginja é mesmo boa.

O candidato para Lisboa das pessoas, para as pessoas e dos “Novos Tempos” escolhido por Rui Rio parece querer ser uma espécie de “Ginja Sem Rival”. Não duvido da competência de Carlos Moedas, isto porque tenho acompanhado a sua carreira através dos órgãos de comunicação e, sobretudo enquanto esteve na Europa desde 1 de novembro de 2014, data em que tomou posse na Comissão Juncker como Comissário da União Europeia para a Investigação, Ciência e Inovação.

Mas há um senão no meu reconhecimento das suas competências que depende também do ponto de vista de cada um. O meu, por exemplo, refere-se ao tempo em que fez parte do Governo de Passos Coelho (PSD/CDS) como Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, conferiu-lhe algo de negativo ao integrar a equipa governativa PSD/CDS como representante do partido nos encontros com a delegação da UE-FMI-BCE (troika) no âmbito da negociação do programa de ajustamento económico e financeiro, tendo ajudado a negociar o Orçamento do Estado de 2011.

Moedas surge como uma tábua de salvação para o PSD e para Rui Rio na tentativa de evitarem ou equilibrarem dum tropeção que anteveem nas próximas legislativas. Todos os comentadores políticos afirmam que as próximas eleições autárquicas serão um teste a todos os partidos, mas, mais necessário ao PSD para tentar minimizar as quedas e reanimar as hostes dando-lhes algum ânimo para as eleições legislativas.

O candidato escolhido pelo PSD foi Carlos Moedas, como se costuma dizer, do mal o menos, porque a escolha poderia ser delirantemente perigosa se caísse na candidata do PSD para a Amadora, Suzana Garcia, que aceitou depois de ter andado hesitante entre os convites do CHEGA e de Rui Rio. Suzana Garcia é uma senhora que ficou conhecida por comentar na TVI, onde colecionou um léxico brilhante utilizado num discurso racista e xenófobo como o de chamar “gentalha” aos cabo-verdianos, por exemplo. Poderão dizer que foi retirado do contexto, mas que foi dito lá isso foi. É uma senhora que foi educada assim em colégios de freiras na África do Sul durante o apartheid, segundo ela própria disse numa entrevista a um podcast.

Quanto mais próximo da extrema-direita estiver o PSD tanto melhor, até ao momento em que os eleitores do PSD pensem: ora, é indiferente, desta vez voto CHEGA.

Se Moedas estará à altura só o saberemos mais próximo das eleições. Por enquanto a sua campanha está centrada sobre promessas não cumpridas de Fernando Medina mostrada de forma caricatural, no entanto resta-nos saber se virá a ser bem-sucedida com reflexos em potencias de votos.

Pelo menos Carlos Moedas não poupa críticas. Segundo ele a câmara de Medina não tem visão, nem execução e não tem “a participação das pessoas que nunca teve”, defendeu no início do mês o cabeça de lista da coligação de direita que junta PSD, CDS-PP, PPM, MPT e Aliança à Câmara de Lisboa. Moedas aposta nas pessoas e em assembleias de cidadãos. “Quero criar uma assembleia de cidadãos para Lisboa, uma assembleia que seja diferente, que não vai substituir o que temos, mas que vai complementar, com pessoas diferentes” prometeu ele.

Numa pergunta de retórica continua ainda Moedas, “Alguém ouviu as pessoas que todas as manhãs se levantam na Almirante Reis e que vêm à rua completamente bloqueada com uma ciclovia que cria poluição? As ciclovias não são para a poluição, são para retirar a poluição, são para descarbonizar a cidade”.

Analisemos com raciocínio liberto de partidarismo o equívoco das assembleias de cidadãos propostas por Moedas. As assembleias de cidadãos, propostas pelo candidato do PSD, parecem ser numa adaptação pela direita das assembleias populares onde se juntam comissões de moradores, comissões de trabalhadores e outras estruturas de base que tomarão a seu cargo iniciativas locais, com fiscalização tendente a uma progressiva tomada de poder pelos organismos populares como no tempo da “Aliança Povo – MFA (Movimento das Forças Armadas) agora ao modo da direita. Ou será apenas mais um grupo de diversão sem efeitos práticos nas decisões?

Mas Moedas vai ainda mais longe quando promete que "Não podemos voltar a ser surpreendidos. A cidade de Lisboa precisa de ter ao dispor dos lisboetas um plano de contingência sobre futuras pandemias que dê alguma previsibilidade, segurança e confiança social e económica" e, para isso apresenta Pedro Simas, aquele que “representa o que de melhor há na ciência aliado à proximidade com as pessoas". "É este vínculo entre os especialistas e a sociedade civil que nos permitirá dar resposta aos anseios das pessoas", acrescenta o candidato do PSD à Câmara de Lisboa.  E, para corroborar, o virologista Pedro Simas adianta que vai reunir "um conjunto de especialistas na área da saúde pública" para apresentar "em breve um plano de contingência que traga a previsibilidade necessária para quem vive, trabalha ou visita Lisboa". Será uma façanha já que parece ser algo que ninguém ainda conseguiu em alguma parte da Europa e do Mundo, nem a OMS, antecipar uma epidemia e preparar um plano de contingência sem que a mesma se tenha evidenciado e sem que haja medidas para a sua propagação.

Lisboa-Eleições Medina (3).png

Quanto a Medina o caso é mais obras. Mostrar as obras que fez para “encher o olho” que, afinal, é o que interessa, é o que o povo vê, mesmo que elas lhe venham a servir de pouco ou nada. Mudar a cidade com coloridas ciclovias pintadas a verde confere um “look” ecológico, dá nas vistas e também é mudar a cidade.

Nem os idosos foram esquecidos (à parte as bicicletas, as trotinetas e té skates andarem nos passeios que os colocam em risco) no que à calçada portuguesa se refere foi substituída por placas que lhes evitam os tropeções e as quedas. Mas quantos aos embates das bicicletas e das trotinetas que se lhes apresentam pela retaguarda, isso, depois, logo se vê. Assim como a atenção redobrada do peão ao atravessar as vias destinadas aos automóveis e agora também às bicicletas e às trotinetas, para já não falar dos skates.

Atenção peões se não tiverem atenção e se não apanharem numa passagem de peões com um automóvel vão ser cilindrados por uma bicicleta ou uma trotineta a alta velocidade que os pode conduzir ao hospital ou lugar ainda pior. Ou ainda, pode ser cilindrado por uma bicicleta nos passeios, (mesmo havendo ciclovias), que se aproximam silenciosamente que nem dá tempo para se afastar. Enfim, os passeios deixaram de ser espaço para circulação de peões e passaram a ter que ser compartilhados com bicicletas, trotinetas e outros que tais. A Lisboa de Medina, ao contrário da de Moedas, deixou de ser para as pessoas e passou a ser para as bicicletas trotinetas e quem não saiba, ou não possa, andar de bicicletas o melhor é não sair de casa mesmo que seja para passear porque elas andam para aí à solta e em roda livre.

Assim, talvez Moedas tenha razão ao falar tantas vezes nas pessoas.

Medina coloriu Lisboa e encolheu faixas de rodagem provocando engarrafamentos de ponta em toda a hora mesmo de não ponta. Pois andem de bicicleta, pode propõe o autarca com a ajuda de outdoors colocados por todo o lado. “Sempre que possam vão de bicicleta”, inclusivamente para levar os filhos à escola.

Por sua vez Moedas em grandes cartazes assobia uma frase pomposa “Lisboa pode ser muito mais do que imagina”. Cada um de nós imagina Lisboa à sua maneira. Como é que Carlos Moedas a imagina, como cada um de nós a imagina não sabemos, só ele saberá!

Se Fernando Medina, no que se refere ao aspeto ambiental e paisagístico da cidade, fez melhorias temos que lhe dar conceder esse valor.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:34

A estupidez que os pariu

por Manuel_AR, em 23.06.21

Lisboa-Eleições Moedas-2.png

Quem não tem cão caça com gato. Embora o cão seja o ajudante do caçador, quem não o tem, porque um cão de caça é caro e custa a manter, recorre ao gato para o mesmo efeito. A caça é que não vai deixar de se fazer. Transferindo este ditado popular para a política os caçadores são os partidos, como o PSD, por exemplo, conduzido por Rui Rio e os outros à sua direita como as iniciativas e partidos extremistas que surgiram das últimas eleições. Estão neste role a Iniciativa Liberal e o Chega. Porque não têm ideias, nem um projeto, nem uma visão para o país nem para a cidade de Lisboa enredam-se em questões menores e casuais para fazer oposição. Sem alternativas e projetos credíveis dedicam-se à calhandrice política pegando em casos que em nada contribuem para a melhoria do país e das pessoas. É a caça ao poder para substituir umas clientelas por outras. O que muda é o partido.

A tábua de salvação de Rui Rio e do PSD para subir na sua credibilidade é o ato eleitoral para as autarquias que se aproxima a passos largos. Ou o PSD alcança bons resultados, especialmente em Lisboa, nem que, se não obtiver maioria, tenha de fazer umas alianças com as direitas CDS+PPM+MPT+ALIANÇA, mesmo chegando-se às mais radicais como o CHEGA. Uma miscelânea de direita, muito pior que a geringonça.

Rui Rio e o PSD necessitam de mostrar serviço nem que seja através de fazer oposição do vale tudo, ainda que Rio tenha que retirar do seu léxico a frase “a bem do país”, isto é, como já em tempo afirmou "eu opto pelo interesse nacional e não pelo interesse tático do partido". Segundo Rui Rio, as próximas eleições autárquicas são "absolutamente decisivas", porque "o que determina em primeira linha a força de um partido na sociedade não é número de deputados, é o número de autarcas".

Nesta sequência avança com Carlos Moedas para a autarquia de Lisboa. O chavão “Novos Tempos” na candidatura de Carlos Moedas faz todo o sentido porque nos recorda, não apenas os velhos tempos em que foi ministro de Passos Coelho, mas também a pretensão de iludir os eleitores com o jargão ”novos tempos” para os conduzir ao pensamento dos “velhos tempos”.

Carlos Moedas integrou o XIX Governo Constitucional e fez parte do Executivo durante a maior parte do seu período de vigência. Foi considerado o braço-direito do primeiro-ministro Passos Coelho, facto que o colocou em destaque nas relações entre o governo português e os responsáveis da troika que acompanhavam os progressos do programa de assistência financeira do FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia em Portugal.

 Recordemos que Sampaio da Nóvoa, nas eleições presidenciais de 2016, disse que queria vencer as eleições em nome de um “tempo novo” que teria começado no país. Carlos Moedas transformou aquele slogan em “novos tempos” numa espécie de anástrofe ou inversão.  

Carlos Moedas na apresentação da sua candidatura disse que a sua maneira de fazer política seria diferente, mas, rapidamente passou por uma metamorfose transformando-se numa espécie de André Ventura com um populismo em versão light.  

Se eu quiser votar em Moedas, desconheço qual o seu projeto objetivo para a cidade de Lisboa. A sua oposição a Medina baseia-se em aproveitamentos de oportunidades que lhe vão caindo nos braços baseadas em tricas que nada têm a ver com o projeto lisboeta nem com o que critica ficando-se sem saber o que está mal, o que faria melhor, ou o que alteraria na cidade de Lisboa. Anda ao sabor da corrente e das marés que, ora sobem, ora descem. Anda a surfar nas ondas do oceano escuro das suas propostas e alternativa equilibrando-se com críticas descabidas e desproporcionadas dirigidas para olhos menos atentos que apreciam este tipo de discurso.

Considero Carlos Moedas uma pessoas inteligente, mas, a inteligência não é incompatível com incompetência e com impreparação para certas áreas e para determinadas funções. A experiência tem o seu peso em áreas muito específicas. É por isso que muitos autarcas falham por serem apenas nomeações políticas. Carlos Moedas é o caso. Não enxerga o que é ser presidente de uma câmara como a de Lisboa.

Faltar-lhe-á a força política suficiente para se libertar do figurino do passado que o prende às medidas para além da troika de Passos Coelho pensando que é possível redesenhá-lo numa autarquia como Lisboa, com roupas mais atuais, daí os “tempos novos” o equivalente aos amanhãs que brilham e às auroras resplandecentes. Tudo quanto possa fazer em Lisboa terá o peso do neoliberalismo “passadista” de Passos que pretende aplicar à gestão da cidade, daí a sua miopia política que não o deixará enxergar mais longe com os seus raciocínios eleitoralistas de vistas curtas, à medida dos acontecimentos ocasionais que lhe vão parar ás mãos não raras vezes por proporcionadas pelos próprios adversários políticos.

Ao fazer oposição o seu pensamento é quadrado, tudo é preto ou branco, sem matizes. Daí a conferência de imprensa sobre o caso da informação às embaixadas pela Câmara de Lisboa onde faz associações que qualquer um considera serem estupidez de principiante. Tem-se mostrado um candidato obtuso e com argumentos descabidos dos propósitos que não acrescentaram valor a uma candidatura para uma autarquia como a de Lisboa. Mostrou existir uma relação entre uma tolice, isto é, um fraco nível intelectual e a maldade entendidos como o desprezo de outrem.

Carlos Moedas passou a entrar em delírio quando, sobre o caso das informações sobre os promotores das manifestações que foram comunicadas pela Câmara de Lisboa às embaixadas ao acusar Fernando Medina de ser “cúmplice” do Presidente russo Vladimir Putin. É um tipo de ataque que se insere nas margens cinzentas da política método que também está a ser acolhida em opiniões com máscara de respeitáveis, estilo que Moedas passou a perfilhar. Deixou de ser o Carlos Moedas de opiniões por vezes aceites por serem consensuais e com prestígio intelectual. Passou a entrar no jogo eleitoral da pobreza populista que é seguida pela extrema-direita.

Como é possível sem se ser doente, demente, senil, “maluquinho”, lunático, sem se ter as faculdades mentais diminuídas, se não se for próximo da direita radical, acusar alguém na sua essência democrática como tendo relações políticas perversas com Putin. Os que, assim, sem mais, fazem acusações deste tipo são os que, em suma, se colocam ao lado dos que defendem a essência corrupta da democracia e contra o absoluto do sistema corrupto.

A campanha para as eleições autárquicas ainda vai no início, mas o candidato Carlos Moedas já entrou em delírio.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:25

A desgarrada de Carlos Moedas para Lisboa

por Manuel_AR, em 26.04.21

 

Carlos Moedas_Lisboa (4).png

Começou o "ciclo preparatório" para as eleições autárquicas numa espécie de desgarrada. A Operação Marquês e o alvo Ivo Rosa parece terem iniciado a contenda entre os pretendem ganhar as autárquicas o PS e Rui Rio que vai ter a cabeça a prémio se não as ganhar e ainda a extrema-direita que aposta com tudo o tem à sua mão: o populismo e libertinagem discursiva.  

Surgiu um caso com a PJ a fazer buscas na Câmara de Lisboa por suspeitas de corrupção no departamento de Urbanismo, notícia avançada pelo Observador, claro, nem podia deixar de ser, e confirmada pelo PÚBLICO “junto de fonte da Polícia Judiciária, que acrescentou que as buscas estão relacionadas com suspeitas de corrupção e crimes conexos.”.

Tempo oportuno que se segue ao tempo Sócrates da Operação Marquês. A direita anda ávida de poder também meter a mão no pote porque há muito tempo que tem perdido a oportunidade e a coisa parece estar agreste. Se perder as próximas eleições fica mais uma série de anos em dieta forçada.

Se havia suspeitas de corrupção na Câmara de Lisboa no que respeita aos processos na mira da polícia que se referem à Torre de Picoas, Hospital da Luz, Segunda Circular e o projeto para os terrenos da antiga Feira Popular, entre outros, porque só agora houve suspeitas e denúncias tiradas das gavetas onde estavam a aguardar desde julho de 2017?

Dizem por aí alguns que há o tempo de justiça e o tempo da política. Não há maior falácia! Estes dois tempos são, conforme as conveniências da política partidária, sincrónicos. Muitos dirão: isso são puras coincidências! A questão que eu coloco é a de saber se em política houve ou haverá alguma vez coincidências! Nós o povinho é que andamos enganados, pelo menos alguns. Pois, estou mesmo a ver aos que lhes convém que sejam coincidências a dizer: este tem a mania da teoria da conspiração. Interessa-lhes isso porque a coincidência serve os seus propósitos.

O que levantam hoje vozes, quais arautos que berram contra a corrupção e a favor da punição na praça pública, são os mesmo que quando a direita está no poleiro do poder silenciam, com ajuda dos media seus lacaios, os seus impolutos adeptos que fazem negócios a que chamam práticas normais da aplicação política para bem da nação. Se há algum caso que venha à tona, num ápice deixa de ser notícia e evaporiza-se até que o seu impacto deixe de ter efeitos nefastos. A insistência na repetição dos factos suaviza-se, esvai-se como se se tratasse de notícia de segunda ou terceira escolha.  

Hoje o caso que veio ao de cima é uma espécie de moeda de troca. Carlos Moedas, em março do corrente ano, disse que foi chamado à comissão do Novo Banco por ser candidato a Lisboa.

A represália veio de seguida e num comunicado em relação às buscas da Polícia Judiciária à Câmara de Lisboa Carlos Moedas, defendeu esta terça-feira em comunicado que “Não são apenas os comportamentos do ex-primeiro-ministro José Sócrates que corroem o funcionamento da democracia. A suspeita em volta da atuação política na CML [Câmara Municipal de Lisboa] também corrói e, a confirmar-se, revela uma forma de governar a cidade que considero absolutamente inaceitável”. Antes do apuramento da culpa faz logo o julgamento e a condenação.

Para quem afirmou em entrevista ao polígrafo da SIC, quando foi confrontado com afirmações sobre a intervenção dele no caso BES e GES, respondeu que a sua forma de fazer política é diferente e que “eu não vou fazer política assim”. Estamos a ver! Por outro lado, a partir desta entrevista Moedas fez publicar no Youtube a mesma entrevista truncada e com inserções de planos e afirmações que não pertenciam à entrevista.

Carlos Moedas, com o seu discurso pausado na argumentação e de voz calma, pretende dar ao eleitorado uma imagem de seriedade, de politicamente correto, de comportamento em política manifestado pela diferença que, afinal, está a começar a desmoronar-se. E isto é apenas o início, porque Carlos Moedas não tem um projeto para Lisboa, tem um projeto demagógico e irrealista e, consequentemente, inexequível a pelo menos a curto prazo.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:17

O que os outros dizem (1).png

Nem sempre gosto do que Daniel Oliveira escreve, é demasido radical  para o meu ideário chegando a ser impulsivo nas suas afirmações. Chega por vezes até a ser agressivo nos cometários que faz, nomeadamente no programa da SIC Notícias "Eixo do Mal" continuamente a interromper os seus colegas de programa onde é manifesto o o seu lado esquerdista.

Apesar disso aqui vai porque considerei o artigo oportuno, irónico e atual pela forma como Rui Rio tem andado a angariar candidatos para as autarquias, não lhe interessando como e quem, por vezes contrariando alguns dos seus pontos de vista anteriores. Veja-se, por exemplo, o caso do candidato à Câmara do Porto. 

Ventura e Garcia: teste de paternidade

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 31/03/2021)

e em A Estátua de Sal

Rui Rio tem um talento único para destruir o que de bom pensávamos dele. Julgávamos que não surfava na espuma dos dias, preservando-se para o longo prazo. Até que abriu uma conta no Twitter e percebemos que a sua circunspeção resultava de infoexclusão. Sabíamos que era corajoso perante o poder imenso do futebol. Até que convidou o maior acionista particular do Futebol Clube do Porto para se candidatar à terceira maior autarquia do país, onde esse clube tem o centro de estágios. Explicando que não havia problema, porque ao contrário do seu adversário não era conselheiro cultural do clube. Sabíamos que não era o rei da tática, mas tinha um rumo de que não se desviava ao primeiro susto. Até que, depois de passar meses a defender que o PSD estava ao centro, fez um acordo com a extrema-direita, nos Açores. O que parecia convicção era mera reação aos seus opositores internos. É isso que move Rui Rio: os seus opositores, sejam no partido, na imprensa ou no futebol.

O convite das estruturas locais para Suzana Garcia liderar a lista do PSD à Câmara Municipal da Amadora mostra que, neste momento, PSD e Chega andam a pescar nas mesmas águas. A pré-candidata teve lugar cativo num programa da manhã de Manuel Luís Goucha – não sei se alguma vez se cruzou com Mário Machado – e sabemos como pensa. Divide o mundo entre as pessoas de bem e as minorias protegidas pelo politicamente correto. Sem desprimor para os chauffeurs de praça, que há muito foram ultrapassados pelos entertainers que desaguam na política, imagino que a TVI lhe pagasse à bandeirada.

Falava-se desta advogada para liderar a lista do Chega em Lisboa. Não deve ter aceitado e Ventura teve de se contentar com um senhor que tem como principal marco da sua longa vida cívica o comentário a uma transmissão em direto de um velório de uma menina de três anos morta pela sua mãe. Na Amadora, Suzana Garcia enfrentaria o candidato do Chega, dirigente de um dos 17 sindicatos de polícia. Para a direita, um dos concelhos mais multiculturais do país é um caso criminal. Já em Oeiras, convivem bem com quem foi condenado e cumpriu pena. É uma questão de estatuto.

A direção do PSD está a avaliar a proposta pública de candidatura – não deixa de ser estranho que primeiro se conheça o candidato, depois a opinião do partido. Terá ficado espantada ao conhecer as posições políticas da advogada. Prefiro pensar que estão apenas a avaliar as reações públicas ao anúncio para saber se não metem a pata na poça de novo. É aborrecido, mas menos preocupante, que a direção do maior partido da oposição seja calculista e sonsa do que tenha vivido num buraco nos últimos anos e desconheça as posições de uma das figuras mais mediáticas do país. E que se tornou mediática por causa dessas posições. Bem sei que Suzana Garcia falava num espaço pouco visto pelas “elites de Lisboa”, como diria Rui Rio. Mas há limites para o alheamento em relação ao país. E o país também são os programas da manhã, que lamentavelmente fazem opinião.

Antes Rui Rio anunciava candidatos que não sabiam que já o eram, agora anunciam-se candidatos que Rui Rio não sabe quem são. E André Ventura, que percebe que Suzana Garcia lhe rouba votos, aproveitou mais um momento de descoordenação no PSD para, num tweet, elogiar Rio pela evolução que esta escolha revela. Uma forma de condicionar a direção do PSD, levando-a a recusar uma candidata que associa os social-democratas ao Chega. Mas mesmo recuando, o mal está feito num partido desnorteado.

Ao contrário do que já ouvi de alguns antigos dirigentes do PSD, como Miguel Morgado, o André Ventura que concorreu à Câmara de Loures não era diferente deste. Seria virgem nas barbaridades racistas, quando o convidaram. Mas as suas primeiras declarações públicas contra toda a etnia cigana foram antes das eleições autárquicas. A tempo de o CDS ter desfeito a coligação para se demarcar do que antes era considerado inaceitável pela direita democrática. A tempo de o PSD manter o candidato e de Passos Coelho fazer questão de ir ao comício de Loures para lhe dar apoio pessoal e direto.

O Ventura que Pedro Passos Coelho laçou era este e é este que está desestruturar a direita portuguesa. Da mesma forma, se Rui Rio der asas e legitimidade a Suzana Garcia – que, não por acaso, prefere ir pelo PSD a um concelho menos relevante do que à capital pelo Chega –, ela não revelará nada que não se saiba já. Ventura não é filho de pai incógnito, Garcia também não o será. Se o PSD lançar mais um político de extrema-direita, já não faz sentido falar de crise da direita. É um suicídio.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:33

Navegar à bolina.png

Navegar à bolina é navegar ora numa ora noutra direção, obliquamente em relação à linha do vento, de forma que o deslocamento resultante coincida com o rumo pretendido. Faz parte da arte de velejar. Por que caminho é que seguimos? Será que sabemos para onde vamos? Os ventos estão de feição? Para se chegar a bom porto é preciso saber para onde os ventos nos levam.

Os partidos, organizam-se, reorganizam-se, reconstroem-se, mudam-se, contradizem-se, puxam pela criatividade, imaginam o inimaginável, quando sentem os ventos eleitorais a aproximarem-se. Esperam e aproveitam oportunidades para navegar à bolina, numa e noutra direção, de forma que o resultado coincida com o rumo/objetivo pretendido: a obtenção de mais votos. A corrida para a conquista de presidências e de maiorias para as câmaras já começou e a direita está na linha de frente das nomeações.

Com a preparação das candidaturas e das campanhas para as eleições autárquicas, especialmente na direita PSD, vemos que o candidato deste partido está a orientar as suas escolhas para a sua campanha em figuras que emergiram nas televisões durante a pandemia com análises sobre a evolução pandémica covid-19 e as medidas a tomar.

Vejam-se o caso do PSD com Carlos Moedas, cabeça de lista da coligação PSD/CDS-PP à Câmara de Lisboa, que escolheu para seu diretor de campanha o médico de Saúde Pública e epidemiologista Ricardo Mexia que tem tido visibilidade nos ecrãs de televisão como comentador durante a pandemia. Ricardo Mexia é desde 2016 Presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública e integra o Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.

Apesar de Carlos Moedas parecer uma boa escolha para o PSD fica perante uma tentativa de uma coligação forçada que é de necessidade de facto não foi uma boa aposta visto que o candidato do PSD/CDS Carlos Moedas tem a marca do contributo que deixou no Governo de Passos Coelho de coligação PSD/CDS onde a lei das rendas foi e a privatização da Carris deixou marcas nas populações.

O candidato do PSD promete apresentar “um plano que prepare Lisboa para futuras pandemias e avança que o documento será elaborado pelo virologista Pedro Simas”, outro elemento que surgiu nos ecrãs duramente a pandemia. Veja-se como a candidatura de moedas parece ficar adulterada aos ser uma candidatura que se baseia na pandemia. Parece que a ciência está a começar a ser infetada pelo partidarismo e pela ideologia.

A isto Moedas ainda acrescenta o futebol: “Podemos ter uma cidade na liga de campeões da Europa”. Prevê-se que pandemia covid-19 e futebol serão apenas os dois grandes trunfos de Carlos Moedas.

No que se refere à extrema-direita o Chega foi procurar no catálogo de cromos dos tempos idos de apresentadores de programas de entretenimento e humor me canais de televisão Nuno Graciano que enveredou, há cerca de cinco anos, pela vida de empresário, com uma marca de queijo regional.

Em março de 2021 Graciano disse: “Fui presidente da associação de estudantes do meu liceu, fui presidente da associação académica da Universidade. Portanto, sempre estive ligado à política.” Segundo Fact  Check do jornal online Observador a frase é errada. E mais, afirmou esta terça-feira que "é cedo" para falar sobre o projeto político para o concelho, mas defendeu que a cidade tem "vários problemas muito graves" e precisa de um "abanão". Mas então, é cedo fazer um projeto, mas é rápido para ver problemas muito graves para a cidade? Que espécie de charlatão está aqui representado?

 A esquerda e a direita preocupam-se a procurar fragilidades nas embarcações dos adversários para se abalroarem. É uma competição onde vale tudo. Uma espécie de wrestling de veleiros. A esquerda procura a descobrir fragilidades nos candidatos da direita. Não terá sido por coincidência que Carlos Moedas, antigo secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro do governo de Passos Coelho, vai ser ouvido a pedido do PS na comissão de inquérito do Novo Banco na terça-feira. Na segunda-feira, o debate do requerimento do PS para ouvir o antigo secretário de Estado do governo PSD/CDS-PP e agora candidato à Câmara de Lisboa foi marcado pela troca de argumentos e acusações, sobretudo entre sociais-democratas e socialistas. A audição de Carlos Moedas -- marcada para terça-feira, às 9.30 horas - é uma das três audições desta comissão de inquérito. Surge em cobertura de Carlos Moedas a ministra das finanças e Passo Coelho, Maria Luís Albuquerque a fazer de escudo a Moedas no inquérito ao Novo Banco.

Não importa a forma como se consiga. Com estas velas navegam também no permeio das declarações, decisões, contradições que apanham aqui e ali os senhores das opiniões publicadas e os comentadores das políticas do tipo pítia com guiões de novelas do tipo mexicano, mais ou menos enredadas, que se vão enrolando ou desenrolando consoante o final de gostariam que acontecesse. Lá vão aproveitando o rumo dos ventos com determinação. Uns, para alcançarem o poder, outros para ajudarem aqueles outros a alcançá-lo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:35

Pescadores de votos

por Manuel_AR, em 31.03.21

Pescadores de votos.png

Sempre que eleições se aproximam a competição entre partidos pela obtenção de votos torna-se mais competitiva, por vezes caricata especialmente nos partidos de direita, alterando estratégias de acordo com os seus interesses e consoante as circunstâncias para a captação de potenciais eleitores.

O alvo do ataque operacional é o partido do Governo que resultam, felizmente nem sempre, nas chamadas coligações negativas ou anti natura ideológica verificadas entre partidos que nada têm em comum nos princípios que defendem e que, em circunstâncias de acalmia política ou de maioria parlamentar, seriam irrelevantes.

O mais caricato é vermos partidos que se afirmam serem liberais de direita ou de extrema-direita que, acusam os Governos do Partido Socialista de serem despesistas e de colocarem em causa as contas públicas, (défice e despesa excessivas), juntarem-se a partidos adeptos da despesa sem fim e defensores do “ser tudo mais público do que privado”.

Estranha-se que Rui Rio que lidera a direita PSD, não obstante enfatizar, como mais do que uma vez afirmou, que sempre colocará o “interesse nacional acima do partidário” (maio de 2020), estar ao lado dos radicais de esquerda, formando uma espécie de geringonça ocasional. As suas palavras tornam-se demagógicas que passam para além da incoerência.

A questão prende-se com a promulgação contra a vontade do Governo de três diplomas impostos pela Assembleia da República votada a favor por todos os partidos, com exceção do PS, que aumentam os apoios sociais aos pais em teletrabalho com filhos em casa, aos trabalhadores independentes e aos profissionais de saúde. Estas leis ao serem promulgadas violariam a norma-travão da Constituição que impede que o Parlamento aumente a despesa pública ou reduzir receitas pode não proibir afinal coisa nenhuma.

Todavia, quando há pessoas que precisam de ser apoiadas não há dúvidas de que o Governo socialista tem mostrado a tentação de fechar os cordões á bolsa cofres e gastar com a pandemia o menos possível, tal como a direita o faria mesmo em tempo normal. Mas há uma norma constitucional que foi atropelada. Será que é em nome dos interesses nacionais como em tempo defendeu Rui Rio?  A questão de saber se os interesses nacionais estarão alguma vez acima dos partidários e da pesca ao voto coloca-se agora de facto.

Há eleições autárquicas em setembro deste ano e apesar das legislativas ainda estarem longe, setembro/outubro de 2023, todos os partidos estão a apostar nas primeiras para uma espécie de “pole position”, com melhor e mais vantajosa posição para as segundas.

No caso do PSD as eleições autárquicas serão o grande teste para Rui Rio e daí a sua conveniência em que o partido se posicione à esquerda identicamente o CDS para sair do pântano eleitoral onde o Chega o colocou. Isto é, a estratégia passa pelo alinhar com as reivindicações sociais de âmbito social do BE e do PCP.

A direita e a esquerda juntam-se na pesca ao voto, recordam-me o poema Barca Bela de Almeida Garret:

Pescador da barca bela,

Onde vais pescar com ela.

Que é tão bela,

Oh pescador?

 

Não vês que a última estrela

No céu nublado se vela?

Colhe a vela,

Oh pescador!

 

Deita o lanço com cautela,

Que a sereia canta bela...

Mas cautela,

Oh pescador!

 

Não se enrede a rede nela,

Que perdido é remo e vela,

Só de vê-la,

Oh pescador.

 

Pescador da barca bela,

Inda é tempo, foge dela

Foge dela

Oh pescador!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:46

Juntos pela ira nas perdas eleitorais

por Manuel_AR, em 05.10.17

Raiva2.png


1 - No PSD a pressão dos apoiantes de Passos Coelho, gente neoconservadora e neoliberal, que não pretendem que a social-democracia regresse ao partido e lhes faça perder as oportunidades que lhes foram dadas. São os Passistas que querem manter-se, e manter o passado recente no partido para que a caleira construída não se estrague nem fique a descoberto.


Não é por acaso que o jornal Diário de Notícias coloca em primeira página “Passistas não querem deixar Rui Rio sozinho.”. Daí haver pressões para levar Montenegro a avançar para a liderança. Quem as faz sabe que Montenegro não traz uma regeneração ao partido, mas a mudança (apenas de líder) na continuidade.


2 - Após os resultados das eleições autárquicas há dois desesperados que se vão lançar em fúria e com todas as forças para pressionar o Governo. São eles o PSD e o PCP que se prperam para fazer, ao nível da contestação social, uma “aliança” informal, estratégica, mas não concreta de facto e que se fará sobretudo através dos sindicatos que controlam e onde se encontra a chamada mão de obra elitista, bem paga e com direitos que sobram, que, qual gula, querem sempre mais e já esqueceram as perseguições que o governo de direita PSD/CDS lhes fez. São elas as classes da área da saúde, nomeadamente os enfermeiros e na da educação, os professores, esta última à qual pertenço.


Serão eles os veículos da instabilidade social manobrados por aquelas duas forças partidárias. Os primeiros, a classe dos enfermeiros de sindicatos afetos ao PSD através da UGT e o dos professores com a sua maioria afeta à CGTP controlada pelo PCP começaram a ser mobilizados para possíveis reivindicações irrealistas.


Vai ser uma aliança entre inimigos não concretizada com negociações, mas simultânea, com objetivos idênticos e com causas diferentes. Estão juntos pela ira das perdas eleitorais. Mas a responsabilidade da instabilidade vai ser sobretudo apontada ao PCP que, se trair o seu acordo parlamentar, venha a querer prejudicar o país dará razões à direita, e não seria a primeira vez. A desforra do PCP vai em direção ao partido do Governo como se as culpas das perdas fossem da exclusiva responsabilidade do partido que, de algum modo, tem apoiado ao nível parlamentar e mediante negociações.


Se assim for o PCP faz o jogo da direita, atributo com que ele mesmo ao longo dos anos caracterizava outros partidos. Se o comité central não sabe, talvez atordoado por uma cegueira radical, mas que deveria saber, é que quem terá mais a perder será o próprio PCP que captará contra si grande parte do povo pelos prejuízos eventualmente causados e que lhe poderão a vir ser imputados juntamente com os da direita.


Ver outra opinião segundo Daniel Oliveira.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:57

Boia de salvação do PSD.png


Boia de salvação da direita


Os resultados das eleições autárquicas foram a evidência e, de certo modo a validação das políticas do Governo com o apoio parlamentar do PCP, BE e Verdes.


A direita foi derrotada em quase todas as frentes, exceto nos distritos onde o voto é tradicionalmente de direita por algum atavismo politico, cultural e religioso. O CDS-PP apesar de em Lisboa ficar à frente do PSD canta uma vitória minimalista que Assunção Cristas quer mostrar como sendo uma grande vitória no país.


A direita através dos seus jornalista e comentadores de serviços pretende agora desviar as atenções da sua derrota para o tema da perda de algumas câmaras que a CDU (PCP-PEV) detinha desde 2013, algumas delas importantes, que foram para as mãos do PS. A razão é simplesmente, a de criar tenções entre aqueles dois partidos, fazendo crer que o PCP perdeu com o apoio parlamentar que tem dado ao PS.


As diferenças não foram significativas em Évora e Beja, por exemplo, o PCP-PEV manteve a presidência e os mandatos apesar de alguma perda de votos, e não é claro se as pequenas perdas foram favorecer o PS.  Em Almada perdeu a Câmara, mas manteve o número de mandatos, e a diferença em valores percentuais não é significativa. Em todos os casos em que o PCP perdeu influência poderá fazer acordos com o PS porque há para isso condições.


Deste eventual conflito a direita tiraria dividendos, e as suas Pítias de serviço iriam tentar mostrar que tinham razão sobre o periclitante apoio parlamentar do PCP, que diziam ser traiçoeiro e, como tal, iria desabar.


Se tal se verificasse era uma boia de salvação para a direita e talvez até para Passos Coelho, daí ficar em modo de espera até ver o que isto dá para depois tomar opções.


A direita com objetivo de provocar conflitos entre aqueles partidos quer agora demonstrar que o PCP, ao deter a força sindical, irá provocar contestações e greves para forçar o PS a ceder a cada vez mais exigências. A pergunta que se pode fazer é o que ganharia o PCP com um conflito político neste momento. Avançar para eleições antecipadas que o iriam de certo modo prejudicar? E o que ganharia a direita? Daí que o líder do PSD tenha dito que iria avaliar e refletir.


Sem querer ser também uma Pítia da política suponho que a reflexão de Passos sobre o resultado das eleições não se irá traduzir em demissão e seria bom que não o fizesse porque parece à primeira vista que, quem avançar para a liderança do partido não terá apoios internos suficientes, a não ser que seja um qualquer elemento da linha neoliberal direitista do atual líder. Prevejo com desagrado que o PSD não regressará à verdadeira social-democracia tão cedo. Espero que me engane.


 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:07


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Posts mais comentados