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Mais do mesmo e o bluff da maioria absoluta

por Manuel_AR, em 24.11.21

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Neste blog já abordei o tema do temor de maiorias absolutas manifestado pelo PCP e pelo BE. A propósito entrou na calha a vez a Jorge Cordeiro, membro da comissão política do PCP, defender, quinta-feira 11 de novembro, que uma maioria absoluta aproximaria o PS de uma política de direita e premiaria o partido que "devia ser castigado" ao mesmo tempo que acusa António Costa de apropriação de propostas apresentadas pelo PCP.

Acusa e tenta descredibilizar António Costa ao afirmar que ele fez bluff nas negociações porque queria eleições legislativas antecipadas e acusa ainda o PS de se apropriar “indevidamente” de propostas do PCP para as incluir no programa eleitoral com que se apresentará ao eleitorado nas eleições de 30 de janeiro. Permitam-me duvidar de Jorge Cordeiro. Será que o bluff vem só de um lado? Durante todo o debate sobre o OE para 2022 o bluff partiu do PCP.

Como pode ler aqui as maiorias absolutas são, para o BE e para o PCP, uma obsessão fóbica. Estes partidos e os seus dirigentes têm um medo patológico de carácter obsessivo de que se possa vir a concretizar uma maioria absoluta do PS o que se torna evidente quando Jorge Cordeiro concretiza que “o PS tinha um objetivo: alcançar a maioria absoluta, porque imagina que com essa maioria absoluta pode ficar mais livre para fazer aquilo que quiser”.  

A pergunta que também que se pode colocar é: e se a direita conseguir uma maioria absoluta já não há problema? A atitude anti PS é uma visão das esquerdas radicais que parece indiciar que, para elas, é pior uma maioria absoluta do PS do que uma maioria absoluta da direita PSD sem ou em coligação com outros partidos como já se verificou no passado quando o BE e o PCP votaram ao lado da direita abrindo alas ao governo de Passos Coelho.

O empenho em recuperar votos perdidos é tal que o bom senso se perde na verborreia partidária do PCP e do BE. Uma coisa é fazer campanha para fazer passar uma mensagem com propostas concretas ao eleitorado para captar votos, outra é fazer campanha com ataques sistemáticos, sem fundamento válido. É evidente o objetivo. O partido de onde poderão captar alguns votos, por algum descontentamento, é o PS.  A atitude anti PS do PCP não é nova. No passado o seu alvo de ataque era também o PS. Aliás, Jorge Cordeiro não se acanha em afirmar isso mesmo: “as eleições são uma oportunidade para o reforço da CDU com a garantia de que com mais deputados poderemos ter melhores condições para assegurar uma trajetória política no país que valorize salários, direitos e o SNS”. Nada de novo, as ferramentas mobilizadoras do PCP para melhorar e fazer crescer o país são os sucessivos aumentos de salários, aumentar direitos e ao mesmo tempo reduzir deveres e menos horas de trabalho. A demagogia no seu melhor. Tudo isto é socialmente justo desde que isso não possibilite debilitar empresas, aumentar o desemprego e quebrar o país. Quanto ao SNS, o BE e o PCP nada concretizam, a direita também faz oposição utilizando os mesmos argumentos, portanto, também aqui nada de novo o que nos apresentam aqueles partidos.

Quando há eleições, como os portugueses já se habituaram, o objetivo assenta na tónica do ataque ao PS. Para aqueles partidos o alvo não é a direita. A direita, para o PCP e o BE, transforma-se então numa aliada.

Tal e qual como diz Fernando Rosas num artigo de opinião com o título Tempo dos Oráculos onde critica comentadores que, segundo ele, “sentenciam que a esquerda consumir-se-á no fogo dos infernos e o regresso ao bloco central ou à direita desenha-se certo nos despojos da razão.” Nem a propósito,  porque para se ter o voto dos eleitores o que importa são as intervenções que o intimidem e manipulem. O voto pelos projetos para o país, muitas vezes inexequíveis, ficam para segundo plano.  

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publicado às 19:35

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Quem sou eu para, bem ou mal, comentar o que doutos comentadores, professores catedráticos, experimentados políticos, advogados chamados para comentadores, conceituados jornalistas e muitos outros, muitos deles sentados nos bancos do serviço público que nada têm a perder.  A estes podemos juntar ainda os que se movem no mundo do privado que escrevem, opinam e publicam nos vários órgãos de comunicação social da imprensa à televisão.

Quando emito uma opinião, por muito fundamentada e acertada que seja, consegue ser, para frequentadores das redes sociais, menos credível do que as “fake news” que eles partilham e multiplicam num ápice.

Entendo que a análise política é diferente do comentário e da opinião política. Assim, uma afirmação sobre um facto pode ser comprovada como verdadeira ou falsa. Um comentário é algo que se diz ou escreve e que expressa uma opinião pessoal. Expressa sentimentos subjetivos sobre um facto ou factos, mas que não podem ser provados. As opiniões podem ser baseadas em factos e, muitas vezes pretendem aliciar outros deliberadamente para as posições de quem as emite. A análise política grosso modo aborda ou aprofunda a origem dos sistemas políticos e o modo como se desenvolvem e funcionam. Pesquisa e analisa governos, ideias políticas, políticas, e as suas tendências entre outros temas.

Quando o comentário e a opinião pretendem ser preditivos e substituir-se à análise política transformam-se duma espécie de oráculos o que é frequente verificar-se nos comentários e nos frente a frente televisivos.

Considerar que face a acontecimentos presentes comparativamente com o passado colocar várias hipóteses que poderão ser confirmadas, ou infirmadas, é uma coisa, outra é, dizer-se que vai acontecer isto ou aquilo com base em circunstâncias tão fluidas como são as da política. Vejamos o seguinte exemplo: quando se afirma que a “geringonça” chegou ao fim, ou que a destruição da esquerda está à vista, ou que a direita não ganhará as próximas eleições através de informações vagas e dados insuficientes é aproxima-se de oráculos.

O prof. Fernando Rosas, pessoa por quem tenho imensa consideração enquanto intelectual de esquerda, escreveu num artigo de opinião no jornal Público a propósito do “tempo dos oráculos da desgraça” que vê numa “campanha destinada a tentar fazer as forças de esquerda pagar a ousadia de, desta vez no seu conjunto, votarem contra o Orçamento de Estado (OE). À exceção dos seus próprios argumentos e predições tudo quanto se alvitrar sobre isto do que possa acontecer à esquerda são oráculos. Considera que “há uma vaga oracular que assenta num punhado de fábulas mistificadoras” que tenta justificar.

Sobre os oráculos em geral concordo com Fernando Rosas, porque há muitos comentários e opiniões que por vezes são mais oráculos do que pontos de vista. A tentativa de desconstrução das opiniões que ele toma como fábulas mistificadoras vão no sentido de purificar os falhanços do BE devido a radicalismo e sectarismo. Note-se que o prof. Fernando Rosas foi um dos fundadores do Bloco de Esquerda.

Fernando Rosas apresenta quatro pontos, a que chama fábulas mistificadoras, que, segundo ele fundamentam a sua tese.  Razões que, na minha opinião, fogem às verdadeiras questões. Foi criada uma crise sim porque se ousou “votar contra um OE por se considerar que ele não serve os interesses do país” e sim foi uma “irresponsabilidade” apesar de haver “outras soluções constitucionalmente possíveis.” Seria que qualquer uma dessas outras soluções, dado os pressupostos do PCP, e, sobretudo, os do BE evitariam uma crise num futuro próximo?  Creio que não porque estas forças quiseram impor o seu próprio orçamento ao Governo descaracterizando o inicial.

A segunda que Fernando Rosas aponta como mistificação é uma falácia baseada numa hipotética obsessão de António Costa por uma maioria absoluta e que, por isso, desejava uma crise. Este ponto é uma possibilidade sem fundamento. O desejar-se algo não significa que esse algo aconteça, aliás há sondagens que neste momento desmentem tal argumento.  A crise foi desencadeada pelo PCP e pelo BE porque foi evidente que de facto que “o Governo “cedeu tudo o que podia ceder” para salvar o OE. Sim, tendo em vista as boas contas públicas com redução possível do défice e redução da dívida. O BE não entende isso dos mercados e das dívidas dos países, ou melhor, entende, mas como é pela revolução permanente deveria cortar-se com o Mundo. Os restantes argumentos do segundo ponto são pontos de vista subjetivos e muito discutíveis.

O terceiro ponto ou mistificação passa, segundo diz Fernando Rosas, por ser uma dramatização sobre o que perdem os funcionários públicos ou os pensionistas pela não passagem do OE ao escrever que o “Governo em funções pode e deve, mesmo sem aprovação do OE, proceder aos aumentos e atualizações anunciados para cada um destes casos”. Então, assim sendo, os OE em alguns casos são uma espécie de jogo que se faz entre partidos e que, aprovados ou não, tudo pode continuar como se nada tivesse acontecido. Parece-me uma visão um pouco enviesada.

A quarta mistificação apresentada por Fernando Rosas é quando escreve que é um oráculo feito por alguns que “faz furor no comentário político dos oráculos, é de que a esquerda que hoje não se entende não será solução para uma maioria futura”. Acrescenta ainda que este é um “argumento surpreendente, pois é a direita que parece estar triplamente descredibilizada”, e “porque é ela que se esfarela em cruentas lutas intestinas para saber quem apresenta ao ato eleitoral e que “para governar, as direitas todas juntas precisam de maioria absoluta e parecem estar longe dessa possibilidade”.

Será assim? Verdade é que a direita anda descredibilizada e em lutas intestinas e por isso não terá maioria para governar. Estes argumentos também me parecem ser oráculos. E se, entretanto, a direita se conseguir reorganizar?

O argumento que faz depender dos problemas internos nos partidos de direita e das circunstâncias políticas atuais um possível entendimento à esquerda, parece-me estar a desvalorizar qualquer hipótese de a direita vir a ter maioria. Repare-se que no caso do PSD se Paulo Rangel ganhar a liderança assumiu acordos com a Iniciativa Liberal. Por outro lado, o CDS está a ser desfalcado de militantes que, na melhor das hipóteses, irão engrossar o IL e já não incluo o Chega. O imprevisível em política acontece.

Mantendo-se os partidos à esquerda do PS, PCP e BE, irredutíveis e na negação de cedências e de acerto de alguns consensos e compromissos é também provável que, mesmo que uma maioria de esquerda saia das próximas eleições, seja mais difícil manter-se um acordo semelhante ou melhor do que a passada “geringonça”. O contrário disto será um otimismo e uma profecia de Fernando Rosas. As dificuldades que existem na direita são um argumento aceitável, contudo, quem diz que após a sua organização maioria de direita não poderá vir a ser uma possibilidade, então, lá estará a esquerda toda tramada. E a responsabilidade será então de quem?

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publicado às 19:04

O lustroso e falacioso Rangel

por Manuel_AR, em 31.10.21

Paulo Rangel candidato ao PSD.png

A campanha de propaganda a Paulo Rangel para projetar e purificar a sua imagem política e pessoal já começou com o apoio de alguns órgãos de comunicação. O que já era espectável. Desde que Rui Rio é líder do PSD tem havido tentativas para o desmontar do cavalo do poder.

Em 2020 Paulo Rangel apoiou Rui Rio na disputa interna desencadeada por Luis Montenegro e por Miguel Pinto Luz, propõe-se agora à corrida para montar o cavalo apetecível do poder, primeiro no PSD e quiçá do governo do país se, eleito líder do partido. Justifica o propósito da sua candidatura a líder do PSD pelo seu posicionamento mais ao centro e por considerar que tem uma “visão de médio prazo”.

Anos antes esteve ao lado da ala mais à direita do PSD com Cavaco Silva e Passos Coelho e numa entrevista ao programa Grande Reportagem na RTP3 em 27 de outubro abriu portas a um acordo com CDS-PP e com a Iniciativa Liberal. Só não se pronunciou quanto ao Chega. Como em política tudo é possível não sabemos se para conseguir uma maioria de direita no Parlamento não o chamará para um acordo. Aliás o próprio Rui Rio assim fez nos Açores. Hoje, antes de ter publicado este texto, Rangel afirmou numa entrevista à TSF que o PSD deve ambicionar governar o país e rejeita a ideia de uma aliança ao Chega, talvez não, mas há outras formas obter apoios. Com Rangel há sempre incógnitas na equação da política.

Em dezembro de 2019 o eurodeputado do PSD não encontrava no discurso de André Ventura "nenhum fascismo - até agora, não quer dizer que no futuro não seja assim" e, sobretudo, discorda dos que procuram diabolizar o deputado único do Chega, afirmou. Bem, dá que pensar!

Mas há mais, o mesmo eurodeputado do PSD Paulo Rangel afirmou em setembro do corrente ano que o antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho deve ser "uma inspiração" para o país.

Paulo Rangel esteve sempre alinhado com potenciais caminhos onde se encontra o poder e que o pudessem levar até lá. Passado uma década, depois de ter disputado a liderança e perdido para Pedro Passos Coelho, e sendo eurodeputado desde 2009 vai concorrer pela segunda vez à presidência do PSD, desta vez contra Rui Rio.

Rui Rio escolheu Rangel como ‘número 1’ a Bruxelas em 2017 com o PSD quando desta vez, sozinho, registou o pior resultado de sempre nestes sufrágios, pouco abaixo dos 22%, o que levou Rui Rio a afirmar sobre Rangel que “Podia ser compreensível que mudássemos, podia vir uma outra pessoa. Mas face àquilo que são as características dele e às características que precisamos, ele simplesmente não é dispensável desse cargo e faz todo o sentido fazer mais um mandato”.

Depois do chumbo do Orçamento de Estado para 2022 alguns órgãos de comunicação iniciaram a promoção do produto Rangel como candidato à liderança do PSD. Mesmo o Presidente da República fez a sua ação promocional de Paulo Rangel ao receber, nesta fase crítica do país e sem justificação objetiva, um elemento que é apenas um candidato à liderança de um partido. Mas Rangel representa também a figura do candidato de alguns grupos sociais minoritários que são um lóbi poderoso. Não sabemos se farão ou não parte rede de contactos internacionais que pode ser útil ao partido como ele afirmou numa entrevista.

Pelo que conheço de Paulo Rangel, que é apenas pela análise das suas intervenções, entrevistas, debates televisivos e comentário político, noto que os seus melhores atributos se baseiam nos seus dotes oratórios, na retórica falaciosa que utiliza nos debates políticos. Em resumo: é uma espécie de tagarela da política que altera a visão dos factos de forma bem construída com o objetivo de iludir quem o escuta e quem esteja pouco atento às suas narrativas e ao desenrolar da política.

Numa entrevista referiu-se ao clientelismo do PS. Fase a alguns factos terá alguma razão. Mas quem tem telhados de vidro o melhor é ficar calado. A pergunta que se coloca é qual o partido que não tem clientelas. O PSD também é um herói do dito clientelismo vejam-se quando se prevê trocas de líder  a procura que cada um faz de clientelas de apoio que depois poderão ter consequência nas distribuição de poderes.

Rangel é uma espécie de embusteiro da política, com arte, de tal modo que os desprevenidos nem dão pelo engano. As suas intervenções políticas são lustrosas, demagogicamente e aparentemente consistentes e ao mesmo tempo obscuras porque não se lhe vislumbram as intensões por se concentrar apenas no ataque dos adversários políticos e menos nos seus projetos para o partido e para país. À pergunta se já tinha um programa do partido para as eleições a resposta foi ainda não, mas isso é uma coisa que se faz rapidamente. Claro faz-se qualquer que não será exequível apenas para convencer eleitores. Rangel escolhe bem e manipula as palavras que acha terão mais impacto nos mais iletrados que o escutam que não conseguem vislumbrar os seus esquemas silogísticos falaciosos.

A repetição de palavras sinónimas que enchem a frase sem explicitação completa do pensamento, e com adjetivações sucessivas são uma estratégia que ajuda a reter a ideia no ataque que pretende fazer passar. O estribilho “dizer com toda a clareza” tem o objetivo de fazer crer que a sua mensagem tem credibilidade. Bem-falante Rangel é um tribuno da narrativa política, um embusteiro de casaca que se faz acreditar através de patranhas muito bem construídas montadas por raciocínios que deturpam a realidade objetiva recorrendo a figuras de estilo linguístico como a linguagem metafórica, perífrases, anáforas, eufemismos para reforçar as suas mensagens. Tomemos como exemplo as suas próprias palavras ao dizer que pretende ser “Um líder aberto, um líder executivo, um líder agregador”, linguagem anafórica que cria algum impacto. Há um outro chavão que Rangel recuperou de 2007 que é a de que “Portugal vive uma verdadeira claustrofobia constitucional, verdadeira claustrofobia democrática”.

O alvo de Paulo Rangel não é apenas o PS é, sobretudo, António Costa a quem faz ataques pessoais, com o seu estilo lustroso. Ele sabe que é por ai que terá margem de manobra para atrair apoiantes.  Todavia, ofende-se quando é ele o visado. Repare-se que Rangel disse que António Costa era viscoso. “Com costa é tudo mais viscoso, mais gasoso” afirmou publicamente numa entrevista *a revista Visão sua apoiante. Não será isto ataque pessoal? Deteta-se em Rangel algum cinismo enganoso, uma espécie de “santinho de pau carunchoso”, que é sinónimo de pessoa de aspeto sonso e coração velhaco. A sua própria divulgação pública de que é homossexual faz parte da sua estratégia política.

Os portugueses não precisam de primeiros-ministros bem-falantes com vocabulário rico, para muitos, incompreensível, com retóricas enganadoras e sedutoras. Ele próprio o afirmou ao dizer que pretende “cativar”, “seduzir” as pessoas. Compare-se com o primeiro-ministro inglês ou o francês que falam direta e claramente ao povo sem uma comunicação rebuscada.

Como é sabido o combate democrático desenrola-se em muitas e variada circunstância no espaço dos meios de comunicação que o torna possível, mas que tantas vezes contribui para exagerar alguns dos seus defeitos promovendo um regime baseado na negatividade.

Num momento em que os cidadãos têm mais necessidade de informação para terem uma ideia acerca do que se está a passar para poderem tomar decisões apropriadas os meios de comunicação social alimentam e distorcem a visão dos temas políticos de tal modo que acabam por gerar desesperos e ansiedades inúteis. Eles alimentam o desencanto e a desconfiança em vez de explicarem a normalidade democrática. As pessoas ficariam a saber que as coisas não são tão graves quanto nos fazem crer. Neste contexto o verbo distorcer não significa falsidade. É mais no sentido relativo do que absoluto tendo em conta as conotações que se pode tomar de um texto noticioso.

Por outro lado, as pessoas prestam mais atenção aos pormenores triviais do que aos assuntos políticos centrais e que não sejam expostos em toda a sua complexidade. É a preferência pelo sensacional que pode ser explicado pelo facto de a política ser um tema aborrecido e até irritante o que coloca os meios de comunicação face ao desafio de a tornar interessante para os consumidores diários. A sensação que nos fica é que apenas o escândalo o desastre, o que é mau, é notícia. Nunca se fala nos meios de comunicação do que corre bem, mas quase sempre do que corre mal daí se chegar à conclusão de que tudo é mal feito.

Este meu exercício de opinião tem a ver com as atribulações que se passam no PSD e com a crise que resultou do chumbo do Orçamento de Estado. O que Rangel trará para o país, se por acaso for eleito líder do PSD, é o seu posicionamento ideológico à direita na linha de Cavaco Silva e de Passos Coelho.  Basta vermos que Poiares Maduro, antigo ministro da Presidência de Passos Coelho foi escolhido para coordenador das bases do seu programa e Fernando Alexandre, ex-secretário de Estado Adjunto do ministro da Administração Interna também do governo de Passos Coelho, que será o responsável pela coordenação da parte económica. Aliás, como Rangel afirmou na entrevista à RTP3 poderá recorrer ao apoio da direita CDS-PP e IL, mas, por outro lado, diz-se do centro-direita.

Vejamos os grupos a que pertencem no parlamento Europeu os dois principais partidos PSD e PS. Os dois principais grupos do Parlamento Europeu são o PPE – Partido Popular Europeu, agrupamento partidário democrata cristão/conservador, onde estão incluídos o PSD e CDS-PP. O Grupo S&D, Aliança Progressista dos Socialistas e Sociais-Democratas a que pertencer o PS. A CDU (PCP+PEV) pertence ao grupo GUE/NGL - Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde.

O PSD está no grupo da direita e centro-direita e o PS encontra-se no grupo dos sociais-democratas de que também faz parte o SPD Partido Social-Democrata da Alemanha que ganhou as últimas eleições com uma diferença mínima da CDU/CSU.

Posto isto o que pretendo demonstrar é que o PSD não faz parte do grupo dos sociais-democratas onde se encontra o PS como prendem fazer crer isto porque é importante para a luta interna pela liderança do PSD. Há, portanto, duas tendências: uma aproximada à social-democracia que é Rui Rio e outra mais de direita, mas neoliberal que é a de Paula Rangel.

Para terminar, e apenas como curiosidade histórica, podem ver o vídeo de 08/08/3013 que abaixo incluo.

 

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publicado às 16:27

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Pode também ler este "post" em A Fruta mais Ácida.

A campanha para as eleições autárquicas terminou, hoje é dia de reflexão. Foi uma campanha sem interesse, muitas das vezes sem nexo e não dirigida ao interesse dos cidadãos em relação ao poder local. Partidos e os seus candidatos aprontaram estratégias para propagandas diversas para captar potenciais eleitores. Influenciar o povo para votar é o principal objetivo de cada um dos partidos. São estratégias de marketing. Vender o seu programa (qual programa?) prendeu-se com a capacidade, ou incapacidade, que cada um teve para conseguir influenciar o público. São os empreendedores da política que utilizam técnicas idênticas aos influencers que medram pelas redes sociais e pelos blogues fazendo da estupidez dos outros o seu modo de vida. Sobre estupidez já escrevi aqui.

A captação de votos através da influência aos potencias eleitores determinou o remoque para, mais uma vez, escrever sobre essa gente a que chamam influencers.

No meu blogue A Fruta mais Ácida tenho dedicado mais espaço sobretudo aos influencers que propagandeiam ideias para quem queira comprar. Há também as aberrações de alguns que se julgam engraçadinhos por fazerem stand up contando umas piadas rascas em canais televisivos e em teatros esgotados por desejosos de piadas de mau gosto ou sem piada. Quando há um que ri logo outros o acompanham opara não destoarem. Um canal de televisão privado resolveu promover um desses a residente no programa das tardes de domingo e, ainda, transformá-lo em ator de uma telenovela enquanto muitos atores conceituados se encontram há muito em dificuldades por falta de trabalho.

Influencers, influenciadores em bom português, é um nome vago para indivíduos que vivem de canais digitais colocando em plataformas conteúdos muitas vezes patrocinados. A cada mensagem e em cada selfie supostamente sincera colocam as suas vidas em exibição. Eles são estrelas da internet e precisam de protagonismo para ganhar a vida com a vida vazia e a pobreza de espírito de outros.

Podemos então definir influencer como alguém que tem a habilidade de influenciar um determinado grupo de pessoas mostrando o seu estilo de vida, opiniões e hábitos muitas(os) e delas(es) baseiando-se para tal na riqueza expondo-se através de imagens das suas casas, das compras que fazem, dos meios que frequentam e no estatuto social. Utilizam as redes digitais ditas sociais e o Youtube, neste caso chamam-se pomposamente youtubers, como meios para alcançarem o seu alvo e têm efeito em muitas centenas e até milhares de seguidores.

Os influencers das redes socias são os propagandistas do século XXI, uma casta originada pelas redes que atrai incautos para gastar o seu dinheiro em compras, por vezes desnecessárias, para se identificarem com o seu influenciador. É um novo estatuto ser seguidor de pessoas que não conhecemos de lado nenhum, mas de quem gostam de ver na TV.  Os influencers são sujeitas e sujeitos, (coloquei as sujeitas em primeiro lugar para não me acusarem de ser machista, ou, caso contrário, de demasiado feminista), que olham para o mercado e percebem que podem criar riqueza a explorar o défice cognitivo dos influenciados.

O influencer mobiliza indivíduas(os) apelando para emoções e paixões mostrando um certo intimismo ensombrando as capacidades cognitivas da potencial “vítima”, para a atrair para a aquisição de objetos materiais e para serem seus seguidores. As suas receitas mágicas e as suas opiniões pessoais ao estilo do “eu já vi e aconselho porque comprei e tenho na minha casa”, são a suas armas preferidas. Ou ainda: “eu já comprei esta roupa que fica lindamente com a minha maquiagem da marca “X””. Muitos aproveitaram a covid-19 para fazer negócio colocaram fotos usando máscaras e usaram a hashtag do coronavírus durante o surto. É um oportunismo e uma jogada descarada.

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Os visuais tornaram-se uma fórmula para copiar, o tom muitas vezes irritante, cheio de banalidades e trivialidades, como aconteceu com uma tal pipoca, influencer digital que tem um blogue e que foi chamada para comentar numa coisa a que chamaram gala os acontecimentos do programa rasca conhecido pelo nome de Big Brother e até teve direito a vestido de gala.

Se a vida é complicada para o mundo em geral, imagine-se o que é, por exemplo, para uma mulher que ainda não chegou aos trinta e já tem de lidar diariamente com problemas tão profundos como saber que sapatos calçar. Sapatos, romance e outras teorias de vida.

Estes influenciadores(as) colocam títulos aliciadores enganando deliberadamente a audiência porque sabem que é necessário atraí-lo independentemente da qualidade do artigo que aconselham. Eles não vendem, aconselham, sugerem seja lifestyle e moda, beleza, coleção de joias juntamente com uma marca, viagens milionárias, ou o quer que seja, e, muito importante, acompanhadas(os) pelos seus maridinhos ou esposas – os divórcios deles e sobretudo delas também são muito chamativos – mais os seus filhotes para que o impacto seja maior, para tal basta colocar os vídeos e imagens para aliciar o pagode que seguir o seu Instagram o outra qualquer rede social. E lá caem mais uns “likes” e uns euros na bolsa pagos pela propaganda aconselhada.

Não posso esquecer os comentadores de influencers que os publicitam descrevendo o quanto são interessantes colocando frases como:

“A ou (o) X apresenta no Instagram os seus outfits, (maneira muito chique de dizer roupa), dos programas televisivos, o seu dia a dia e ainda as suas sugestões para looks mais arrojados. Apesar de ter bastante experiência como blogger moda e instagramer, o seu estilo e forma de apresentar roupas e acessórios nos seus posts continua a fazer com que os seus seguidores se apaixonem como no primeiro dia! Se quiser comprar a roupa da blogger, poderá fazê-lo na marca Z. Tem peças giríssimas com descontos imperdíveis! “Como podem ver são coisas estúpidas e tolas, mas inteligentes, para atrair tolos. Utilizo aqui palavras em inglês para dar a ideia de também estou in!

Se eu, sujeito influencer, no meu blog dou visibilidade à minha vida privada de forma ficcionada dizendo às pessoas como sou feliz com o meu consorte, falo dos meus filhos lindíssimos, na minha casa para a qual comprei um móvel giríssimo, e para mim um perfume, um detergente que “eu uso cá em casa”, ou uma roupa, ou uma viagem incrível que fiz ao “país paraíso” onde me diverti imenso com a minha família, etc., etc., as pessoas vão a correr consumir seja o que for que coloquei no meu blog, ou anunciei na rádio, ou na televisão. Mas, atenção, a culpa não é minha, é das pessoas que acreditaram nas soluções incríveis que lhes propagandeei e que eram boas para a minha casa, para mim e para a minha família e quiseram viver as mesmas experiências do que eu.

Os influencers prestam um serviço inestimável à sociedade e o Estado não pode impedir estes empreendedores que fazem pela vidinha e que encontram maneiras de obter vantagens financeiras e rentabilizar a estupidez alheia.

Poderão pensar que sou contra a iniciativa privada e o empreendedorismo. Nada disso. Pelo contrário. Estou é em desacordo com o simulacro de empreendedorismo que se aproveita da estupidez alheia. Se, por um lado, a indústria dos media é extremamente regulada, por outro, há uma indústria informal que tem cada vez mais influência, mas que não tem qualquer tipo de regulação.

Não podemos subestimar o papel dos otários que contribuem para o bolso dos influencers. Há negócios que dependem dos otários. Se não os houvesse quem lhes colocaria os “likes” nos “posts” e quem iria a correr a comprar online ou nas lojas os artigos que os influencers anunciam como os mais incríveis da moda e que iria contribuir para entrar os dinheirinhos nos seus bolsos. Ser influencer é um sonho de qualquer um, porque não tem que investir em stocks, nem em salários dos seus colaboradores, nem em nada, a não ser no tempo que está agarrado a colocar as novidades e a mostrar que está in para o que basta encontrar estúpidos que os sigam. Quanto mais seguidores e “likes” mais probabilidades há de captar anúncios para o site.

Parece-me que algumas pessoas endoideceram ou, então, estão debaixo de um stress agudo. Não me refiro apenas a gente do povo porque neste incluo também médicos, juízes negacionistas que se opões às medidas sanitárias e fazem acusações infundadas. Esta gente são um caso de estudo de doenças mentais. Não são opiniões, nem me venham com as tretas de serem contra o pensamento único, ao negarem que em Portugal as mortes por covid-19 foram manipuladas como explicam o que acontece ao nível planetário.  Isto é simplesmente demência.

Muito se grita por liberdade, especialmente a seita dos negacionistas, estão de facto a tornarem-se numa seita durante a epidemia da covid-19. Ser influenciado por influencers, desculpem-me a redundância linguística, é, em muitos casos, termos a liberdade de sermos estúpidos o que merece proteção porque não temos escolhas próprias e precisamos de catar locais onde eles se hospedam virtualmente.

No meu entender qualquer influencer tem a arte de “domar” estúpidos, isto é, exercer domínio sobre os impulsos ou instintos de outro(s) e, para isso, temos de ter todos algo de estúpido. Há quem tenha milhões de seguidores nas redes sociais. Poderá perguntar-se: será que milhões serão todos estúpidos? À resposta a esta pergunta eu respondo que sim comparando com muitos mais milhões que não são seguidores de nenhum influencer. Eu não me incluo nestes, mas no dos estúpidos, porque sigo alguns. Há, contudo, uma diferença, esses(as) que sigo não me influenciam com as suas tretas.  

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publicado às 17:05

Escreve hoje Pacheco Pereira no jornal Público:

"Escrever sobre impressões é arriscado e corre o risco de ser inútil ou, pior, ser uma colecção de lugares comuns. Não há nenhum medidor do “cansaço”, da “tristeza”, da “zanga” no sentido do título, a não ser estudos de opinião, sondagens, num terreno muito mais subjectivo do que objectivo. Mas há sinais. Maus sinais. Comecemos pela razão por que eu não digo que é Portugal, nem “o país”, nem “os portugueses”, o sujeito, mas sim a democracia. E aqui as coisas pioram muito, porque o estado da polis, que seria o primeiro remédio se estivéssemos a falar do país, ou o local onde em democracia se poderiam “arranjar” as coisas que estivessem estragadas, andando mal, tudo o resto tende a ser pior. Voltemos ao pathos, ao logos e ao ethos."

Pode continuar a LER AQUI.

 

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publicado às 16:37

Pescadores de votos

por Manuel_AR, em 31.03.21

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Sempre que eleições se aproximam a competição entre partidos pela obtenção de votos torna-se mais competitiva, por vezes caricata especialmente nos partidos de direita, alterando estratégias de acordo com os seus interesses e consoante as circunstâncias para a captação de potenciais eleitores.

O alvo do ataque operacional é o partido do Governo que resultam, felizmente nem sempre, nas chamadas coligações negativas ou anti natura ideológica verificadas entre partidos que nada têm em comum nos princípios que defendem e que, em circunstâncias de acalmia política ou de maioria parlamentar, seriam irrelevantes.

O mais caricato é vermos partidos que se afirmam serem liberais de direita ou de extrema-direita que, acusam os Governos do Partido Socialista de serem despesistas e de colocarem em causa as contas públicas, (défice e despesa excessivas), juntarem-se a partidos adeptos da despesa sem fim e defensores do “ser tudo mais público do que privado”.

Estranha-se que Rui Rio que lidera a direita PSD, não obstante enfatizar, como mais do que uma vez afirmou, que sempre colocará o “interesse nacional acima do partidário” (maio de 2020), estar ao lado dos radicais de esquerda, formando uma espécie de geringonça ocasional. As suas palavras tornam-se demagógicas que passam para além da incoerência.

A questão prende-se com a promulgação contra a vontade do Governo de três diplomas impostos pela Assembleia da República votada a favor por todos os partidos, com exceção do PS, que aumentam os apoios sociais aos pais em teletrabalho com filhos em casa, aos trabalhadores independentes e aos profissionais de saúde. Estas leis ao serem promulgadas violariam a norma-travão da Constituição que impede que o Parlamento aumente a despesa pública ou reduzir receitas pode não proibir afinal coisa nenhuma.

Todavia, quando há pessoas que precisam de ser apoiadas não há dúvidas de que o Governo socialista tem mostrado a tentação de fechar os cordões á bolsa cofres e gastar com a pandemia o menos possível, tal como a direita o faria mesmo em tempo normal. Mas há uma norma constitucional que foi atropelada. Será que é em nome dos interesses nacionais como em tempo defendeu Rui Rio?  A questão de saber se os interesses nacionais estarão alguma vez acima dos partidários e da pesca ao voto coloca-se agora de facto.

Há eleições autárquicas em setembro deste ano e apesar das legislativas ainda estarem longe, setembro/outubro de 2023, todos os partidos estão a apostar nas primeiras para uma espécie de “pole position”, com melhor e mais vantajosa posição para as segundas.

No caso do PSD as eleições autárquicas serão o grande teste para Rui Rio e daí a sua conveniência em que o partido se posicione à esquerda identicamente o CDS para sair do pântano eleitoral onde o Chega o colocou. Isto é, a estratégia passa pelo alinhar com as reivindicações sociais de âmbito social do BE e do PCP.

A direita e a esquerda juntam-se na pesca ao voto, recordam-me o poema Barca Bela de Almeida Garret:

Pescador da barca bela,

Onde vais pescar com ela.

Que é tão bela,

Oh pescador?

 

Não vês que a última estrela

No céu nublado se vela?

Colhe a vela,

Oh pescador!

 

Deita o lanço com cautela,

Que a sereia canta bela...

Mas cautela,

Oh pescador!

 

Não se enrede a rede nela,

Que perdido é remo e vela,

Só de vê-la,

Oh pescador.

 

Pescador da barca bela,

Inda é tempo, foge dela

Foge dela

Oh pescador!

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publicado às 18:46

 

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Quando leio afirmações de chefes de partidos populistas da extrema direita a dizer que pretendem mudar o sistema e, para isso, servirem-see da democracia e das suas instituições, que dizem estar contaminados e corruptas para os seus objetivos, lembro-me de Donald Trump que durante a campanha presidencial em 2016 que falou do pântano da Casa Branca, não consigo evitar um sorriso de gozo e, ao mesmo tempo, de inquietação ao saber o que se passou posteriormente quando chegou à Casa Branca, chegou-se à oposição entre a decência e a falta de escrúpulo. Também não é por acaso que partidos da direita xenófoba europeia vêm na vitória de Trump um bom augúrio.

Disse Trump na altura da campanha presidencial de 2016 que iria “Secar” ou “drenar o pântano”. O sentido era acabar em Washington com os lóbis, com a troca de favores e misturas de interesses públicos e privados em Washington, dizia querer limpar o sistema.

No dia 10 de outubro do corrente ano o conceituado diário Newyork Times, jornal preferido pelos liberais, num jornalismo de investigação colocava em título “O pântano que Trump construiu” e em subtítulo “Um presidente-empresário transplantou a busca de favores em Washington para os hotéis e resorts de sua família - e ganhou milhões como guardião de sua própria administração”. O facto era sustentado pela investigação do jornal referindo-se aos antecedentes do império de Trump esclarecia que, quando ainda não era presidente, o império empresarial de Trump era bem mais frágil do que parecia: hotéis, resorts e outras propriedades a passar severas dificuldades financeiras, em muitos casos com perdas acumuladas de várias décadas.

Com a chegada à Casa Branca do presidente Trump foi ótima para a sobrevivência do empresário Trump. Depois das eleições, os negócios familiares passaram a ter uma fonte de receita até então inexistente: o dinheiro de todos aqueles que queriam algo do líder do mundo livre.

Segundo o Newyork Times assim que Trump chegou à Casa Branca, a empresa da sua família descobriu um novo e lucrativo fluxo de receita: eram pessoas que queriam algo do presidente. Uma investigação do The Times encontrou mais de 200 empresas, grupos de interesses especiais e governos estrangeiros que patrocinavam as propriedades de Trump enquanto colhiam benefícios dele e da sua administração.

Não se consegue perceber o que está a acontecer quando vemos um Presidente da maior potência do mundo decide de forma errática e oportunística. Donald Trump “já antes tinha atacado as instituições americanas, mas nunca tão abertamente Trump atacou as instituições da democracia, mas nunca tão abertamente como fez durante a noite, diz o Washington Post.

Sua falsa alegação de vitória, grito de “fraude” e ameaça de ação legal atingem o coração das eleições livres.

Será isto que o povo americano irá querer para seu Presidente?

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publicado às 16:02

Fazer dos EUA uma democracia outra vez

por Manuel_AR, em 02.11.20

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Se é isto que os americanos pretendem para o seu país que foi considerado a maior democracia do mundo, o país das liberdades e diziam lutar pela liberdade dos povos, então, terão a oportunidade para isso nas eleições do dia 3 de novembro. Mas depois não nos digam que não sabiam.  Fazer dos EUA novamente grande outra vez é voltar à real democracia.

Raramente tenho dedicado neste blogue espaço para falar sobre Donald Trump, calha agora dias antes das eleições nos EUA.

O que se sabe sobre a presidência de Trump é o que a comunicação social nos vai informando e pelos jornais de referência dos EUA. As redes sociais o lá encontramos na sua maioria é apenas lixo desinteressante que nem para reciclagem serve.

Donald Trump é um autocrata, uma espécie de soberano absoluto e torna- se necessário que a américa o trave. Tem havido a tendência para um candidato a ditador autocrata, a exemplo de Donald Trump, seja apenas ridicularizado, como um palhaço político que não deve ser levado a sério. Será que há que veja a diferença entre os democratas e Donald Trump?

As ditaduras são construídas sobre o negacionismo. Atualmente os ditadores, sejam de esquerda, sejam de direita, assumem o poder gradualmente. Às vezes, um candidato a ditador é ridicularizado como um palhaço político que não deve ser levado a sério. Enquanto isso acontece, ninguém consegue acreditar que está a caminho da estrada da ditadura, algo que até agora seria impossível acontecer nos EUA.  

Os autocratas geralmente gozam de amplo apoio público para as suas medidas repressivas. Inicialmente, eles visam “outros”, enquanto a maioria aplaude. O público apenas reconhece a ameaça quando seja tarde demais. Os partidários que mais aplaudiram o autocrata são frequentemente sujeitos a expurgos ideológicos e tornam-se algumas das primeiras vítimas do regime.

Pelo que nos chegou ao fim de quatro anos no cargo, é impossível não perceber o que Trump realmente é. Ele é um sujeito que deseja poderes ditatoriais manifesta-se através de comportamentos antissociais, egocentrismo extremo, instabilidade e impulsividade, que são características da psicopatia, talvez congénita, como Mary Trump por meias palavras o classificou no seu livro “Demasiado e nunca Suficiente”.

Trump retirou do governo todos as que poderiam atrapalhar o seu caminho. Está agora rodeado por entusiastas como o procurador-geral William Barr e o secretário de Estado, Mike Pompeo, Secretário de Estado dos Estados Unidos desde 2018.

O general Mark Milley, que afirma ser oficial militar americano, caminhou pelas ruas de Washington, D.C. na noite da primeira segunda-feira de junho com Trump e Barr, enquanto militares dos EUA eram usados ilegalmente para atacar manifestantes e afastá-los para que Trump pudesse posar para uma foto segurando uma Bíblia em frente à Igreja Episcopal St. John’s, pensando que possuir uma Bíblia seria suficiente para reunir a sua base evangélica branca o que demonstrou ser um homem sem convicções morais.

 Segundo a imprensa americana na altura das manifestações contra a brutal morte de Floyd pela polícia de Minneapolis helicópteros militares voavam baixo sobre Washington, logo acima das cabeças dos manifestantes que protestavam contra o assassinato em 25 de maio. O barulho e as explosões aéreas vindas dos helicópteros foram usados para dispersar multidões (a presidente da autarquia de Washington, Muriel Bowser, disse que o Pentágono pediu tropas a Maryland e Virgínia sem o conhecimento do governo local.

Ainda segundo a imprensa america Trump revelou suas intenções autoritárias em uma teleconferência com os governadores estaduais, na qual os repreendeu por serem fracos diante dos protestos, exigindo que eles “dominassem” os manifestantes, ameaçando enviar tropas para seus estados se não atendessem às suas demandas. Trump também conversou naquele dia por telefone com o presidente russo Vladimir Putin; talvez ele estivesse recebendo dicas sobre como esmagar os dissidentes.

Num artigo de James Risen,  ex-repórter do New York Times e prémio Pulitzer de Reportagem Nacional de 2006, numa revista norte americana pode ler-se que “Trump a acelerar para um caminho em direção a uma ditadura porque o que resta do Partido Republicano está ansioso para que ele assuma cada vez mais poder. Trata-se, neste momento, de um partido identitário branco, cheio de velhos brancos que temem as tendências demográficas do aumento da diversidade. Eles não gostam da América como ela é agora e querem que Trump destrua as regras e leis que protegem as minorias, os pobres e os menos favorecidos”.

No início do mês, o congressista Matt Gaetz, seguidor de Trump, sugeriu uma resposta republicana aos protestos quando “pediu que todas as armas letais da guerra global contra o terror fossem trazidas para a américa e se voltassem contra manifestantes americanos. Gaetz colocou no Twitter a ameaça “Agora que vemos os grupos de oposição ao fascismo (Antifa) claramente como terroristas, podemos caçá-los como fazemos com aqueles no Oriente Médio?” Parece que o Twitter restringiu o acesso ao tuite de Gaetz, designando-o como como glorificação da violência. Republicanos como Gaetz que defendem o fim do estado de direito, vão acabar vendo a sua sobrevivência depender dos caprichos de Trump.

Se é isto que os americanos pretendem para o seu país que foi considerado a maior democracia do mundo, o país das liberdades e diziam lutar pela liberdade dos povos, então, terão a oportunidade para isso nas eleições do dia 3 de novembro. Mas depois não nos digam que não sabiam.  Fazer dos EUA novamente grande outra vez é voltar à real democracia.

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publicado às 17:05

Trump_eleiçõesEUA-2 (1).png

Penso não haver ninguém que não considere os EUA como um regime democrático, excetuando, claro está, os radicais comunistas ortodoxos. Mas vejamos os factos no que se refere a Donald Trump.

As afirmações que ele tem feito ao longo do seu mandato apontam num sentido oposto à democracia, isto é, a tomada de poder em direção a uma potencial ditadura reforçadamente autocrática por via administrativa e posteriormente criar uma dinastia colocando em altos cargos familiares próximos.

 Donald Trump não escondeu a sua estratégia. No fim de setembro, admitiu publicamente o objetivo de nomear à pressa a juíza ultraconservadora Amy Coney Barrett para o Supremo Tribunal a fim manter e reforçar a ampla maioria conservadora no tribunal para julgar eventuais questionamentos sobre o resultado da eleição.

Aliás, ele tem o objetivo ao lançar dúvidas sobre a integridade da eleição ao afirmar, sem apresentar provas, que a votação por correspondência levará a fraudes. Mas o certo é que a prática do voto por correspondência é muito comum nos EUA e foi intensificada este ano devido à pandemia. Trump não esclarece também se vai aceitar uma derrota em favor de Joe Biden, pressiona e pretende fazer uma guerra jurídica na disputa do poder.

Para ser reeleito Trump aposta no tudo ou nada colocando a democracia americana sujeita ao maior teste de stresse desde há mais de desde há 155 anos, data da guerra civil em que os sulistas participaram para lutarem a favor da manutenção da escravidão.

Penso que é consensual, de acordo com analistas políticos dos EUA, que Trump tentou enfraquecer a democracia em atos sistemáticos que ganharam mais força com a proximidade das eleições. A maneira como Trump desafia abertamente as normas democráticas não tem precedente nos EUA. Trump tem pretensões de criar uma crise institucional. Tem feito acusações de suposta fraude eleitoral, na tentativa de minar a vontade dos eleitores ao saber que as sondagens não estavam a inclinar-se para o seu lado.

Pelas informações que nos chegam pela comunicação social dos EUA a sua resposta ao coronavírus colocou em risco a saúde e o bem-estar do país. As suas mentiras tornaram-se em mentiras amplificadas pelos seus irresponsáveis adeptos nas redes sociais e que representam problemas terríveis para o país e para as pessoas que desconhecem a verdade dos factos.

A atitude de Trump tem-se refletido, não apenas na imprensa americana, mas também na estrangeira, que se resume, como citou o jornal francês Le Monde em editorial, após o primeiro debate presidencial, em “Quatre ans de trumpisme ont largement contribué à fragiliser l’une des plus grandes démocraties du monde. C’est une leçon pour toutes les autres” (Quatro anos de trumpismo contribuíram largamente para fragilizar uma das maiores democracias do mundo. É o declínio de uma das maiores democracias do mundo).

O jornal britânico Financial Times num artigo publicado com o título "Imagem democrática dos EUA está a sangrar", escreveu que a "reputação em declínio do país pode ser avaliada e medida" e que “que menos de um terço dos franceses e alemães têm uma visão favorável da América. Com 41% de vantagem, a opinião da Grã-Bretanha sobre os EUA era uma baixa recorde. O impacto de Trump é ainda mais forte. Apenas 16 por cento do mundo confia no presidente dos Estados Unidos para fazer a coisa certa, ainda menos do que os 19 por cento que pensaram isso sobre Xi Jinping da China. A alemã Angela Merkel obteve uma avaliação positiva de 76%. As pesquisas foram realizadas bem antes do debate presidencial desta semana”.

Pelo que conhecemos desde a sua posse, em janeiro de 2017, Trump tem gerido o governo como se fosse uma das suas empresas seguindo o comportamento típico dos novos líderes populistas, que não têm provocado ruturas democrática repentina, mas vão minando as instituições, agindo de maneira cada vez mais autoritária. Vejam-se os casos europeus em alguns países do leste.

Para conhecermos as atuações de Trump ao longo do seu mandato basta fazer algumas pesquisas na imprensa internacional. Um dos casos mais divulgados, em dezembro de 2019, quando foi considerado como o terceiro presidente da história americana a sofrer um processo de impeachment, ao ser acusado de abuso de poder por ter pressionado o líder da Ucrânia a investigar Biden em troca da libertação de verbas para ajuda militar e de, quando foi descoberto, ter obstruído as investigações. O governo sob a sua tutela atuou ainda para que testemunhas importantes não fossem ouvidas e, em janeiro, foi absolvido por um Senado muito polarizado pela maioria republicana que têm interesses em que ele se mantenha no poder devido a privilégios concedidos.

Segundo os artigos publicados os estragos na democracia americana foram tantos que o novo presidente terá muito trabalho ao ter que enfrentar de facto a Covid-19, a crise económica, as questões raciais, de imigração e ambientais.

Quanto à economia dos EUA Joseph Stiglitz, Prémio Nobel de Economia, escreveu um artigo em janeiro de 2020, também publicado pelo jornal Expresso onde colocava a verdade sobre a economia de Trump. Stiglitz afirmou em certa altura: “Para se obter uma boa leitura da saúde económica de um país, tem de se começar por analisar a saúde dos seus cidadãos. Se forem felizes e prósperos, serão saudáveis e viverão mais tempo. Neste aspeto, entre os países desenvolvidos, os Estados Unidos estão no final da lista. A esperança de vida nos EUA, já relativamente baixa, caiu nos dois primeiros anos da presidência de Trump e, em 2017, a mortalidade na meia-idade atingiu a taxa mais elevada desde a Segunda Guerra Mundial. Isso não é uma surpresa, porque não houve nenhum presidente que se tenha esforçado tanto para garantir que mais americanos fiquem sem seguro de saúde. Milhões perderam a cobertura do seguro e a taxa de pessoas sem seguro aumentou, em apenas dois anos, de 10,9% para 13,7%.

Um dos motivos da diminuição da esperança de vida nos Estados Unidos é o que Anne Case e o economista vencedor do prémio Nobel, Angus Deaton, chamam de mortes por desespero, causadas por álcool, overdose de drogas e suicídio. Em 2017 (o ano mais recente para o qual existem dados disponíveis satisfatórios), essas mortes foram quase quatro vezes mais do que em 1999.” Pode consultar aqui o artigo.

 

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publicado às 08:49

Consensos ou não eis a questão

por Manuel_AR, em 31.10.20

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Uma democracia não é um regime de acordos é conseguir conviver em condições de profundo desacordo, mas os desacordos por vezes são mais conservadores do que os acordos daí que a posição do BE seja estranha.

O orçamento para 2021 foi aprovado apenas pela maioria relativa do Partido Socialista já que os partidos PSD, Chega, Iniciativa Liberal e o Bloco de Esquerda votaram contra e a abstenção de duas deputadas não elegíveis e do PCP. Quanto a isto nada de novo, todos já sabemos.

Levanta-se aqui a questão dos consensos em democracia tão necessários nesta fase que atravessamos devido à covid-19, mas que falharam porque alguns olham para a sua capelinha para obtenção de ganhos, leia-se votos.

Quando há maioria absoluta quem decide é apenas um partido, com uma maioria relativa todos os partidos têm voz, mas é uma estrutura frágil daqui a importância de negociações e de consensos.

O que aconteceu com o orçamento para 2021 foi um autêntico conluio não formalizado entre os vários partidos para conseguirem, como num leilão, as melhores vantagens dum eleitorado neste momento mais preocupado com a pandemia do que com as birrinhas partidárias.

Fazer política em tempos normais não é o mesmo nos tempos em que se exigem consensos mínimos quando tem de se enfrentar uma crise pandémica profunda, complexa e com consequências difíceis de antecipar.

Os tempos são muito exigentes e de respostas várias e variadas quando não se pode chegar nem dar respostas simultâneas com a mesma intensidade orçamental. Os tempos recomendam diálogo e capacidade para se fazerem concessões e não de entrar em guerrilhas e discordâncias movidas com o intuito de mostrar presença e força ao seu eleitorado.

Antes da aprovação do OE21 e de acordo com uma sondagem recente, da Aximage para o JN e para a TSF, 60% dos portugueses eram da opinião que o PCP e o Bloco de Esquerda deveriam viabilizar o Orçamento do Estado para 2021.  Entre os eleitores do BE 68% pensam o mesmo e apenas 15% defenderam o chumbo e 20% não têm ou não quiseram dar opinião bem como 61% dos comunistas e 67% dos inquiridos rejeitam uma demissão do Governo. Isto poderá vir a ter no futuro custos eleitorais para o BE.

Há incapacidade de aceitar, sobretudo para o BE, que não existe apenas uma verdade e uma forma de fazer as coisas. Este é o momento para aliviar a crispação e a tensão num contexto em que as pessoas exigem que os políticos se ponham de acordo para darem resposta aos seus problemas cujas propostas não podem ser de tal modo inexequíveis que possam vir a transformar um doente num morto.

Apesar de se ouvir dizer muitas vezes nos meios mais populares que os partidos não se entendem é preciso dizer que uma democracia não é um regime de acordos é conseguir conviver em condições de profundo desacordo. Devemos também dizer que os desacordos por vezes são mais conservadores do que os acordos daí que no que se refere ao orçamento já aprovado a posição do BE foi estranha. Ser fiel aos próprios princípios é notável, mas ao defendê-los sem flexibilidade condena-se à estagnação.

Os desacordos têm um prestígio relativo e exagerado. Radicalizar as posições é o procedimento a que mais se recorre para dar nas vistas, é um combate pelo protagonismo e pela visibilidade, é um recurso que é muito caro aos populistas, sobretudo os da extrema-direita. Veja-se quem está sempre em descordo com tudo no nosso Parlamento com a justificação de não pertencer ao sistema, mas faz os possíveis para fazer parte dele concorrendo por lugares que dele são parte integrante.  

Numa ocasião como esta que atravessamos estar contra é uma prática menos imaginativa do que chegar a um acordo. A discordância no caso do BE pareceu ser dirigida a um público por quem compete ao nível eleitoral e por ser a ocasião para falar apenas para eles e não para o seu interlocutor que é o Governo e para o bem do país.  

Os partidos mais radicais vivem da controvérsia e do desacordo porque dessa forma obtêm a atenção da opinião pública e publicada e também para o interior do próprio grupo, que premeia intransigências, a vitimização e a firmeza.

Parece que a dificuldade de chegar a um acordo proveio do facto de que qualquer acordo implica cedências e em algumas circunstâncias exige também o sacrifício de algum tipo de princípio e requer que se compreenda que existe uma grande diferença entre conseguir uma aspiração e decidir entre alternativas possíveis o que em política qualquer delas não está isenta de inconvenientes.

Nem sempre é possível fazermos tudo aquilo a que nos propusemos quer ao nível pessoal ou coletivo do que está em primeiro lugar da listas das nossas prioridades e as circunstâncias obrigam a que nos tenhamos de contentar com menos e até por vezes com muito menos, mas o espírito de fação que é intrínseco nos partidos mais radicais termina em polarização e tanto mais quanto há eleições a aproximarem-se convertendo a política numa campanha permanente.

O debate político entre o BE e o Governo, na primeira fase de aprovação do orçamento, fechou a porta ao consenso devido aos sonhadores populistas da extrema-esquerda que parecem desconhecer que a política é levada a cabo numa enorme quantidade de condicionantes que acham devem levantar voo sem quaisquer limitações.

O OE21 tendo sido aprovado na generalidade com algumas alterações devidas a negociações e consensos terá a seguir a discussão na especialidade que se prevê seja algo surrealista. Se não houver consensos à esquerda que tenham uma visão racional para o país em lugar de visões umbilicais partidárias as propostas e a miscelânea de pedidos de alteração vindas dos partidos serão tantas e tais que o orçamento final será uma amálgama impossível de gerir que nos pode levar novamente ao caos político e financeiro. Se assim for não apontem depois o dedo à direita e à extrema-direita. Os únicos culpados serão os parceiros de negociação que desertarem e que não se livrarão do cadafalso eleitoral.

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publicado às 15:59


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