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Ucrânia e Putin-8.png

Quem tiver paciência para ler na íntegra os discursos do Presidente Vladimir Putin antes e depois do 24 de fevereiro, data triste marcada pela invasão da Ucrânia pelas suas forças, encontrará nos artigos e opiniões escritos pelos que se dizem não pertencer ao “pensamento único do rebanho” muitas semelhanças, algumas passagens parecem ser frases transcritas sobre as causas da invasão fazendo parecer que são o ocidente, a OTAN, os EUA e a U.E. os grandes responsáveis por tal ato alinhando com as teses de Moscovo e, claro, como a da Embaixada Russa em Portugal.

Parecem querer deixar claro que as vítimas só merecem solidariedade quando são perfeitas, daí as acusarem de erros e outras culpas. Para esses se não há vítimas perfeitas, não há solidariedade para com eles nunca. É uma nova moral, a deles, que nos querem quase impor.

Elencam os defeitos ucranianos merecedores do inferno, por não serem os meninos bem-comportados que deviam ser. Se os ucranianos não são isentos de quaisquer culpas e serem por eles vistos como inocentes, então, não se pode reclamar dos alegados injustos e perversos crimes de guerra russos cuja responsabilidade não é dos russos, mas do seu chefe máximo Putin. Para esta gente as vítimas só merecem solidariedade se forem univocamente perfeitas e, como não há vítimas perfeitas, então não são nunca merecedoras de solidariedade.

Cito abaixo, com realce, algumas das citações dos argumentos do discurso de Putin publicado por alguns órgãos de comunicação russos a 24 de fevereiro de 2022 titulado com “O discurso do Presidente à nação em conexão com a situação no Donbass”.

Putin: Assim, começarei com o facto de que a Ucrânia moderna foi inteiramente criada pela Rússia, mais precisamente, bolchevique, a Rússia comunista. Este processo começou quase imediatamente após a revolução de 1917.

Putin parece prender ser o interprete único da história russa. A Ucrânia não deixou de ser um país por ter sido anexado durante a Revolução Soviética:

A Ucrânia não deixou de ser um país por ter sido anexado durante a Revolução Soviética, como também o foram outros países depois da II Guerra que ficaram sob a alçada da ex-URSS.

Putin omite factos históricos ao referir-se apenas à Ucrânia moderna. Mas um país, não é por isso que deixa de ser soberano e de existir historicamente. A Rússia moderna também foi criada pelos mesmos e não foi por isso que deixa de ser um país independente e soberano!

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Putin: sem qualquer autorização do Conselho de Segurança da ONU, …eles (o ocidente) conduziram uma sangrenta operação militar contra Belgrado, usaram aviação, mísseis bem no coração da Europa.

Os factos:

A operação militar foi decidida após o fracasso das negociações para terminar o conflito no Kosovo entre os separatistas armados albaneses do Exército de Libertação do Kosovo (UÇK) e as forças sérvias comandadas pelo líder nacionalista Slobodan Milosevic.

A intervenção da NATO, com o objetivo de evitar uma limpeza étnica e crimes de guerra como os sucedidos em Srebrenica ou no cerco a Sarajevo, não teve a aprovação do Conselho de segurança da ONU após veto da Rússia e da China (entre os membros permanentes).

Em resultado dos bombardeamentos, a Jugoslávia retirou-se do Kosovo, que se tornou num país de facto, apesar de não ser reconhecido por um número suficiente de países. É no Kosovo que os EUA têm a maior base militar fora do país.

Slobodan Milosevic acabou por se demitir em 2000 face a manifestações e no ano seguinte foi preso e levado para Haia, onde o Tribunal Penal Internacional para a Ex-Jugoslávia o acusou de crimes de guerra e contra a humanidade. A sua morte por ataque cardíaco, em 2006, impediu o desfecho do caso.

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Putin: …Temos que lembrar esses factos, porque alguns colegas ocidentais não gostam de recordar esses eventos, e quando falamos sobre isso, eles preferem apontar não para as normas do direito internacional, mas para as circunstâncias que eles interpretam como bem entenderem.

Antes da invasão da Ucrânia terá Putin, olhado para as normas do direito internacional? Este argumento é também utilizado pelos que se colocam ao lado de Putin, ao recorrer ao”mau comportamento” do ocidente para justificar a agressão. Parece que, neste caso, quem coloca de lado todas as normas e pratica crimes de guerra como os que se têm visto pelos órgãos de comunicação é o próprio Putin com a invasão após a data do discurso.   

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Continua o discurso:

Putin: Depois foi a vez do Iraque, Líbia, Síria. O uso ilegítimo da força militar contra a Líbia, a perversão de todas as decisões do Conselho de Segurança da ONU sobre a questão líbia levou à destruição completa do Estado, ao fato de que surgiu um enorme foco de terrorismo internacional, ao fato de que o país mergulhou em uma catástrofe humanitária, no abismo da guerra civil de longo prazo que ainda não cessou. A tragédia à qual centenas de milhares e milhões de pessoas estavam condenadas, não só na Líbia, mas em toda esta região, deu origem a um êxodo migratório em massa do norte da África e do Oriente Médio para a Europa.

Foi preparado um destino semelhante para a Síria. As ações militares da coligação ocidental no território deste país sem o consentimento do governo sírio e a sanção do Conselho de Segurança da ONU nada mais são do que agressão, intervenção.

Em 2015, as Forças Armadas foram usadas para colocar uma barreira confiável à penetração de terroristas da Síria na Rússia. Não tínhamos outra maneira de nos proteger.

Os factos:

Os factos foram intencionalmente distorcidos no discurso para que Putin tivesse argumentos para uma despropositada comparação com a invasão que lançou sobre a Ucrânia, esquecendo a sua intervenção na Síria para a apoiar o ditador Assad.

Uma coligação liderada pelos EUA também realizou ataques aéreos e mandou forças especiais para a Síria a partir de 2014 para ajudar uma aliança de milícias curdas, árabes, assírias e turcas chamada de Forças Democráticas Sírias, as FDS, que antes estava dominando pelo Estado Islâmico. As (FDS) defendem um governo secular, democrático e federalista em território sírio.

O Presidente russo, Vladimir Putin em 2015 mobilizou as suas tropas para ajudar Bashar al-Assad na guerra civil na Síria que já leva mais de uma década. Em 2016 a zona oriental de Alepo era conquistada pelo regime às forças da oposição, com a ajuda da força aérea da Rússia, que reduziu praticamente a ruínas uma das cidades mais antigas do mundo.

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Putin: Após o colapso da URSS, a redivisão do mundo realmente começou, e as normas do direito internacional que se tinham desenvolvido naquela época – e a chave, as básicas foram adotadas no final da Segunda Guerra Mundial e consolidaram em grande parte seus resultados – começaram a interferir com aqueles que se declararam vencedores na Guerra Fria.

O saudosismo:

Putin mostra-se saudosista e elogia indiretamente o passado ao tempo da URSS para imputar ao ocidente a culpa de todos os males que inclusivamente levaram ao fim da Guerra Fria.

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Putin: … a invasão do Iraque também sem qualquer fundamento legal. Como pretexto, eles escolheram as supostas informações confiáveis disponíveis para os Estados Unidos sobre a presença de armas de destruição em massa no Iraque. Como prova disso, publicamente, diante dos olhos de todo o mundo, o Secretário de Estado dos EUA sacudiu algum tipo de tubo de ensaio com pó branco, assegurando a todos que esta é a arma química que está sendo desenvolvida no Iraque. E então descobriu-se que tudo isso era uma fraude, um blefe: não há armas químicas no Iraque. Incrivelmente, surpreendentemente, o fato permanece. Havia mentiras no mais alto nível estadual e da alta tribuna da ONU. E como resultado, enormes baixas, destruição, uma incrível onda de terrorismo.

Confundir e misturar factos são argumentos ineptos:

As fraquezas e estratégias errada da política externa dos EUA e de países que o coadjuvaram na invasão do Iraque foi uma espécie de retaliação ao terrorismo do 11 de setembro de 2000 muito mal escolhida, mas não se tratou de uma ocupação territorial e à luz da mora não pode justificar um caso de invasão como aquele que Putin cometeu.

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Putin: Apesar de tudo, em dezembro de 2021, tentámos mais uma vez chegar a um acordo com os Estados Unidos e seus aliados sobre os princípios de garantir a segurança na Europa e sobre a não expansão da OTAN. Tudo em vão. A posição dos EUA não está mudando. Eles não consideram necessário negociar com a Rússia sobre esta questão-chave para nós, perseguindo seus objetivos, negligenciando nossos interesses.

 

A tese da liberdade de escolha:

A que interesses é que Putin se refere? Voltar a fazer sucumbir os países quer estiverem sob o domínio da Ex-URSS? É que Putin ainda não conseguiu digerir a sua frustração de que países que eram satélites da URSS após a libertação da sua esfera estejam a optar por aderir à União Europeia e pedirem a sua entrada para a OTAN. Países livres e soberanos têm o direito de optar pela sua entrada nas organizações que entenderem e, se isso, acontece talvez seja porque estejam receosos da uma agressão por parte de Moscovo/Putin e que lhes acontecesse como está a gora a acontecer à Ucrânia.

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Putin: Quanto à esfera militar, a Rússia moderna, mesmo após o colapso da URSS e a perda de uma parte significativa de seu potencial, é hoje uma das potências nucleares mais poderosas do mundo e, além disso, tem certas vantagens numa série de novos tipos de armas. A este respeito, ninguém deve ter dúvidas de que um ataque direto ao nosso país levará à derrota e terríveis consequências para qualquer potencial agressor.

………………………………..

A expansão da infraestrutura da Aliança do Atlântico Norte, o início do desenvolvimento militar dos territórios da Ucrânia são inaceitáveis para nós. Certamente não é sobre a própria OTAN – é apenas um instrumento da política externa dos EUA. O problema é que nos territórios adjacentes a nós – notei, em nossos próprios territórios históricos – está sendo criado um hostil "anti-Rússia", que é colocado sob controle externo total, intensamente estabelecido pelas forças armadas dos países da OTAN e bombeado com as armas mais modernas.

Para os Estados Unidos e os seus aliados, esta é a chamada política de conter a Rússia, dividendos geopolíticos óbvios. E para o nosso país, é, em última análise, uma questão de vida ou morte, uma questão do nosso futuro histórico como povo. E isso não é um exagero – é. Esta é uma ameaça real não só aos nossos interesses, mas à própria existência do nosso Estado, à sua soberania. Esta é a linha vermelha que tem sido repetidamente falada. Eles atravessaram.

 

A omissão dos falsos pacifistas:

Putin pontua sobre uma possível justificação para iniciar uma invasão seja onde for por motivos de defesa e clama ao povo pelo orgulho nacional na sua defesa preparando a população para potenciais ataques sobre os que ele chama agressores.

Putin contradiz todos quantos criticam e assinalam o ocidente como um conjunto de países belicistas que tem enormes custo financeiros com inclusão nos orçamentos dos países enormes verbas destinados ao armamento. Putin é claro no que diz respeito ao armamento e ao investimento nas suas forças armadas considerando a Rússia como “uma das potências nucleares mais poderosas do mundo. A todos quanto sejam contra os EUA e os seus aliados Putin agradece a ajuda e é um estímulo para futuras pretensões expansionistas.

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Putin: Vemos que as forças que realizaram um golpe de Estado na Ucrânia em 2014 tomaram o poder e estão segurando-o com a ajuda, de facto, de procedimentos eleitorais decorativos, finalmente abandonaram a solução pacífica do conflito. Durante oito anos, fizemos todo o possível para resolver a situação por meios pacíficos e políticos. Tudo em vão.

A falsa desculpa:

A atuações do Kremlin como se passa na Bielorrússia onde está há anos um ditador títere de Moscovo, e na própria Rússia onde a oposição é esfrangalhada e depois perseguida por Putin, tal qual hoje a censura férrea está em circulação em toda a Rússia. Fazem censura ao que se passa na Ucrânia e proíbem a liberdade de expressão sobre a guerra. Então não é uma intervenção militar especial?

 

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Putin: Claro, eles também irão para a Crimeia, assim como em Donbass, com guerra, a fim de matar, como punidores de gangues de nacionalistas ucranianos, cúmplices de Hitler durante a Grande Guerra Patriótica, mataram pessoas indefesas. Eles também declaram abertamente que reivindicam uma série de outros territórios russos.

…………………………..

Todo o curso dos acontecimentos e a análise das informações recebidas mostram que o confronto da Rússia com essas forças é inevitável. É só uma questão de tempo: eles se preparam, esperam por uma hora conveniente. Agora eles também afirmam possuir armas nucleares. Não permitiremos que isso aconteça.

As mentiras desmontadas pelos factos:

A justificação para a invasão era que, o inimigo, a Ucrânia, seria um potencial invasor e que, como tal, para o evitar deveria ser primeiro invadido. Apenas e porque havia “análise das informações recebidas”.  Também para Hitler o inimigo eram os judeus e a Polónia e que, por isso, a invadiu. Curiosa esta narrativa. Como Putin, no seu discurso antes da invasão, preparava os russos para o apoio das suas teses conotando e chamando aos ucranianos nacionalistas, nazis e neonazis e até cúmplices de Hitler. Vemos agora, trinta e quatro dias, após a invasão da Ucrânia quem é criminoso de guerra! 

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Putin: … a Rússia após o colapso da URSS aceitou novas realidades geopolíticas. Respeitamos e continuaremos a tratar todos os países recém-formados no espaço pós-soviético da mesma forma.

… a Rússia não pode se sentir segura, desenvolver, existir com uma ameaça constante emanando do território da Ucrânia moderna.

… decidi realizar uma operação militar especial. O seu objetivo é proteger as pessoas que foram submetidas ao bullying e ao genocídio pelo regime de Kiev por oito anos. E para isso, lutaremos pela desmilitarização e desnazificação da Ucrânia, bem como trazendo à justiça àqueles que cometeram numerosos crimes sangrentos contra civis, incluindo cidadãos da Federação Russa.

Ao mesmo tempo, nossos planos não incluem a ocupação de territórios ucranianos. Não vamos impor nada a ninguém à força.

 

A pergunta que merece resposta

Se os planos não incluem a ocupação de territórios ucranianos e de não impor nada a ninguém, a pergunta que se coloca é então o que foi que aconteceu nos últimos 39 dias e o que continua a acontecer?  Será que tudo quanto se vêm em todos os canais informativos de todo o mundo, com exceção da Rússia, é tudo ficção, mentira e propaganda do ocidente? Só os apoiantes do Kremlin é que acreditarão nisso refugiando-se do que no passado o ocidente também fez.

 

Putin: No centro de nossa política está a liberdade, a liberdade de escolha para todos determinarem independentemente seu futuro e o futuro de seus filhos. E consideramos importante que esse direito – o direito de escolha – possa ser usado por todos os povos que vivem no território da Ucrânia de hoje, por todos que o querem.

 

Salvadores há muitos.

Mais uma vez a deturpação das realidades Putin quer mostrar-se ao povo russo como o grande salvador da humanidade e, neste caso, da Ucrânia. Falar em liberdade quando no seu país ela está condicionada ou não existe, falar no direito de escolha quando quer impor a sua escolha a outros. Um país soberano, seja ele o que for tem o direito de escolher o que regime que quiser, não necessita de salvadores que os ocupem.

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Ecos da história.

Desde o início de março de 2014, manifestações de grupos pró-russos e anti governo ocorreram nos oblasts de Donetsk e Luhansk, que integram a região da Bacia do Rio Donets, na sequência da Revolução ucraniana de 2014 e do movimento Euromaidan. Esse conflito armado ocorreu em parte do território ucraniano que foi objeto de diversos protestos pró-russos em todo sul e leste da Ucrânia. Trata-se de um conflito armado entre as forças separatistas das autodeclaradas Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk e o governo ucraniano.[43][44] Os separatistas são amplamente liderados por cidadãos russos.[45] Os paramilitares voluntários russos são relatados por compor entre 10% e mais de 50% dos combatentes.

Após o colapso da União Soviética em 1991, a Ucrânia firmou-se como uma nação independente. Contudo, no Leste, especialmente em Donetsk e Luhansk (na região da Bacia do Donets (Donbas), as minorias russas começaram a reinvindicar mais autonomia política, algo a que o governo central em Kiev resistia. No final da década de 2000, o governo ucraniano passou a buscar uma maior aproximação com a Europa Ocidental, algo que a Rússia via com maus olhos. Em 2013, em meio a uma crise económica, o presidente Víktor Yanukóvytch rejeitou um acordo com a União Europeia e iniciou uma reaproximação com o governo russo. A população ucraniana, principalmente aquelas concentradas nas grandes cidades do Oeste, iniciaram-se enormes protestos (conhecidos como Euromaidan) e forçaram o presidente Yanukóvytch a renunciar em fevereiro de 2014. Aproveitando-se do caos político que se seguiu na Ucrânia, a Rússia anexou, em março, a região da Crimeia.

 

Em síntese: E mais não digo. Se não existissem estes pretextos Vladimir Putin recorreria a outros para justificar a invasão que há muito terá premeditado. O tempo oportuno foi este após a saída de Merkel da cena política e a presidência dos EUA ter mudado de Trump para Biden.

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publicado às 15:55

Um pontapé em Passos Coelho no Pontal

por Manuel_AR, em 16.08.16

O discurso de Passos Coelho no Pontal foi uma lástima. Foi o primeiro discurso em que despiu a farpela de primeiro-ministro no exílio e pretendeu, sem o conseguir, ser uma espécie de líder da oposição.


A não ser a parte mais ou menos objetiva da interpretação dos dados da economia, ainda que falaciosa, como é tão do seu agrado, nada do discurso teve jeito, nem foi oposição. Foi mais do mesmo. Cansativo, repetitivo, contraditório, enganador como normalmente é seu hábito. Foi ele próprio.


Sobre o balanço político da situação, Passos Coelho afirmou que “não faremos na oposição aquilo que nos fizeram quando estivemos no governo. Pois não, utiliza os mesmos argumentos com que era criticado quando estava no Governo para agora fazer oposição. Criatividade, claro está!


Relembrou a importância dos jovens na sociedade portuguesa pois também estes merecem um presente e futuro com qualidade e justiça sintetizava ele. Pois é, já se esqueceu de quando “atiçou”, (o termo é duro mas merece-o), os jovens contra os mais velhos, filhos contra pais empregados e avós, acusando estes de serem os causadores das desgraças que os prejudicava.


O discurso do amado-líder duma parte do PSD não foi um comício de oposição ao Governo, foi uma palestra do sempre mestre-escola, feita do púlpito para os seus amados fãs. A sua propensão é mais para formador ao género da Tecnoforma do que de líder.


Faz previsões de falhanços, dá garantias de impossibilidades e augura desgraças. Fala de Governo desgastado e falhado ao mesmo tempo que diz irá durar uma legislatura. Passos não quer arriscar, não quer criar instabilidade, ir a votos seria perigoso. É melhor assim porque sempre fica agarrado ao poder, até ver.    


Para ser simpático para com a direita de Jajoy elogia o crescimento da Espanha apesar de ainda não haver Governo. Exemplo tolo. Nem mais. Espanha é Espanha e Jajoy é Jajoy, não é o Passos Coelho.


A desfaçatez foi tal que criticou a falta de investimento público deste Governo quando foi ele próprio que, durante o seu mandato o diabolizava e por isso o criticou, combateu, estagnou e destruiu, defendendo o investimento privado como o melhor dos mundos enquanto motor da economia. É claro que o investimento privado é essencial e determinante para o desenvolvimento numa economia moderna, mas não venha Passos lançar poeira para os olhos de todos a tentar defender o investimento público dando-se ares de ser um seu ativo defensor.


Depois da destruição que fez durante mais de quatro anos, com a muleta da desculpa da troika e a conivência de Cavaco Silva, Passos Coelho dá lições e faz promessas de projetos para resolução dos problemas sociais, que ele próprio criou. Ao mesmo tempo diz que só a direita (qual?) pode resolver os problemas mas tece elogios e defende a social-democracia.


São as contradições dum feroz neoliberal que provocou conscientemente fendas profundas entre grupos sociais com os seus discursos socialmente divisionistas e destrutivos e que, numa espécie de volte face, quer continuar a enganar quem o elegeu da primeira vez.


A mentira compulsiva, a tacanhez e a ignorância são tais que já nem sabe onde acaba o liberalismo e começa a social-democracia.

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publicado às 23:12

O ónus da culpa

por Manuel_AR, em 27.04.16

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Comentar o discurso de Paula Teixeira da Cruz na Assembleia da República quando das comemorações do 25 de abril é dar importância à doença que avassala o PSD dito social-democrata. Uma espécie de azia com que se confronta, no dizer de Correia de Campos “azia prolongada, desconfortável” que “chega a ser dolorosa.”. E acrescenta: “Esperava-se que Bruxelas recusasse o Orçamento. Em vão. Esperava-se que o spread da dívida soberana castigasse a esquerda intrusa, a querer ombrear com os bem comportados. Em vão. Esperava-se que as agências de rating viessem repor a ordem natural de não deixar governar a esquerda. Em vão”.


Paula Teixeira da Cruz e o PSD encerraram-se no casulo que teceram com as suas políticas sem ainda conseguiram que a crisálida emergisse sob a forma de borboleta para ver a luz do dia. Preferem “curtir” o seu passado recente com o orgulho neoliberal com que brindaram Portugal.


O discurso não é mais do que o retorno das ameaças amedrontadoras já bem conhecidas e repetidas pela direita (PSD) de que nos podem levar novamente à catástrofe. Conhecemos bem as políticas e os discursos que conduziram à divisão dos portugueses. Entretanto Passos Coelho vai dizendo por aí que as previsões do PE - Plano de Estabilidade são pouco ambiciosas e irrealistas e, ao mesmo tempo, dizem outros, serem excessivamente otimistas. Concordo se o termo ambição para Passos Coelho, forem cortes, sacrifícios, mais austeridade. Como tornaria Passos Coelho o PE - Plano de Estabilidade e o PNR – Plano Nacional de Reformas mais ambiciosos? Curioso é que alguns comentadores de economia das televisões, tomando-se ares de credibilidade, alinham pelo diapasão da oposição do PSD de Passos, o mesmo é dizer que, em vez de comentaristas isentos, mais parecem deputados da oposição.


Mas voltemos ao discurso da tragédia e do “odor do salazarismo bafiento” com que Teixeira da Cruz rotula os partidos que apoiam o Governo acusando-os de traidores à pátria por se atreveram a reagir às posições sobre matérias financeiras em relação à Europa, feitas internamente, diga-se, tivessem que ser silenciadas.


Se bem me lembro, e quem esteve atento à comunicação social quando se estava a discutir o Orçamento de Estado para 2016 para apresentar em Bruxelas recordar-se-á também e pode avaliar quem de facto poderá ser considerado em termos valorativos, mesmo que em sentido figurado, ser traidor à pátria quando um deputado europeu do PSD (Paulo Rangel) em Bruxelas fez questão de “chamar a atenção” da Comissão Europeia para o facto de “todo o esforço que a população portuguesa fez nos últimos quatro anos, com resultados tão prometedores e tão inspiradores”, estar agora “comprometido” devido ao “acordo de forças da extrema-esquerda com o PS, que põe em causa o equilíbrio que até agora tem sido seguido em Portugal”. Deixo a cada um tirar as ilações que bem entender.


O discurso é uma espécie de catarse do ónus da culpa do PSD feito pela “psicanalista” Paula Teixeira da Cruz, isto é, faz uma terapêutica psicanalítica do partido tendo em vista o desaparecimento de sintomas pela exteriorização verbal e emocional de traumatismos governativos recalcados enquanto o PSD esteve, juntamente com o CDS, no Governo.


A senhora deputada quis contemplar o atual Governo e os partidos que o apoiam com os mesmos argumentos que, com razão, lhe foram dirigidos ao Governo da altura. Foi um discurso com a emoção à flor da pele, virado para o passado, com laivos traumáticos pela perda do poder que queriam manter à imagem e semelhança do anterior. Fazem acusações que sabem lhes couberam quando o PSD foi Governo querendo agora imputar a outros. O trauma do PSD e de Paula Teixeira da Cruz manifestam-se numa espécie de cegueira ensaiada para ocultar o ónus duma culpa que acarretam.  

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publicado às 20:30

O amado líder

por Manuel_AR, em 27.04.15

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O discurso do Presidente da República Cavaco Silva no Parlamento nas comemorações do 25 de abril de 2015 foi ovacionado pelos partidos PSD e CDS que sustentam o Governo. Foi uma manifestação de apoio ao discurso do amado líder, educador e orientador do maior partido que faz parte do Governo e, pretensamente, de todo o povo, na proximidade de eleições legislativas.


Mais pareciam aquelas manifestações de apoio ao líder na pretensa Assembleia Popular Suprema da Coreia do Norte. Há contudo uma grande diferença, é que, felizmente, em democracia nem todos são obrigados a aplaudir quando não se concorda, ao contrário do regime daquele país coreano.



A maior parte da intervenção do Presidente da República foi orquestrada em prol do Governo numa quase campanha eleitoral e, mais uma vez, de colagem ao que Passos Coelho e o seu Governo têm vindo enganosamente a lançar para a opinião pública.


Ao fazer apelo ao consenso nesta fase política só não seria perder o bom senso se, como se depreendeu e verificou posteriormente, não fosse conseguido entre os partidos da própria maioria.


Pretende mostrar uma atitude de colocação acima da política e dos políticos, mas sempre que intervém está fazer política, e da má.

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publicado às 16:03


 


O discurso do Presidente da República, Cavaco Silva, que ouvi no dia 10 de junho, nada trouxe de novo. Foi mais do mesmo. Foi um discurso redundante e repetitivo. Quem o ouviu terá com certeza verificado que a segunda parte foi muito idêntica à primeira, isto é, o regresso ao passado recente do ano 2011 com avisos repetidos para não cair no mesmo erro do passado. Serão os erros cometidos quando ele foi primeiro-ministro durante dois mandatos (agricultura? pescas? indústrias destruídas ?...).


É a pessoa dele que defende e nunca perdoou a José Sócrates ter sido desconsiderado e relembra a situação sempre que pode fazendo finca pé nos pedido de assistência financeira.


As palavras de Cavaco Silva neste ponto pareceram tiradas de um qualquer comício da coligação durante a campanha eleitoral para as europeias. Uma análise de conteúdo comparativa e aturada entre o discurso que o Presidente enunciou e os do Governo decerto se encontrariam muitas "palavras-chave" idênticas, cujo objetivo seria o de não se afastar muito do rumo seguido por este último.   


A mensagem que quis deixar passar foi igual à do Governo, dos seus apoiantes e comentadores com apenas umas pinceladas de referência ao Estado Social, ao Serviço Nacional de Saúde, aos desempregados e aos que foram mais afetados pelas medidas de austeridade. No restante poderíamos afirmar que, até nos termos que utilizou, parecia estar a ouvir-se Passos Coelho e os membros do seu Governo.


Ao referir-se à saída do programa de assistência (saída da troika) e em esperança que se abre foi uma espécie de palavreado do tipo Paulo Portas. Apenas faltaria ter sido colocado um relógio em contagem decrescente, também na Presidência. Quanto aos ataques ao Tribunal Constitucional nem meia palavra.


O apelo ao consenso entre os principais partidos, coisa que comentadores e jornalistas da área do Governo, apoiam foi mais uma treta do costume e como se isso fosse oportuno e possível neste momento e com este Governo. O Presidente sabe muito bem que o objetivo é entalar o PS colando-o ao futuro orçamento para 2015 e, sendo ano de eleições, minimizar os prejuízos aos partidos da coligação e, se possível, colocá-lo em segundo lugar. Esperemos que não caia nessa armadilha.


 


 

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publicado às 23:13

O engano e a desfaçatez

por Manuel_AR, em 27.02.14


 


 


O pequenino país em que vivemos, dizem alguns iluminados, está melhor do que as pessoas. Começou novamente a ser passada a mensagem falaciosa de Passos Coelho para captar votos, esperando que os portugueses vão atrás do engodo e já se tenham esquecido do que foram as últimas eleições legislativas.


Veja-se como o discurso de Passos Coelho está aos poucos, e temporariamente, a transformar-se num alinhamento de falsa esquerda quando afirma que "Não queremos um país fechado sobre si próprio, nem o regresso do escudo. Queremos um país com um Estado social forte - e sabemos que é forte, comparado a outros países - mas que só será sustentável se a economia o permitir e as escolhas o determinarem".


Queremos um país com Estado social forte disse o primeiro-ministro no congresso do Coliseu. A frase parece soar a falso sabendo nós quem a proferiu e qual a sua ideologia e a sua política. Estão na moda os cata-ventos. O que era nos anos anteriores deixou se o ser agora.


Passos Coelho apresenta-se com uma alma de esquerda ao afirmar-se defensor do Estado social em particular do Serviço Nacional de Saúde. Mas acrescenta, não a qualquer preço porque diz ele que sabemos o que custa para o Estado social a falta de rigor nas contas públicas. Podemos descortinar nestas afirmações algo pouco clarificado e muito ambíguo, como seria de esperar.


Todavia, acrescenta que esse Estado social que diz pretender (não se sabe qual é) só é possível se a economia o permitir e as escolhas o determinarem. Claro que, se assim for, com a política que está a ser seguida talvez lá para meados deste século, se o for, voltaremos a ter um Estado social. Mas atreve-se ainda a dizer que é para defender esse Estado social que insiste no convite à oposição para que se sente na comissão parlamentar de reforma do Estado.


Vamos lá ver se percebo: quer uma reforma do Estado para o qual já apresentou um rascunho feito por Paulo Portas, tem maioria absoluta mas precisa de consenso. Não atinjo, a menos que isto seja uma estratégia para ter um companheiro do fracasso que já antevê.


Aponta para um regresso do PSD à matriz social-democrata. Algo muito estranho se passou entretanto porque ele próprio afirma agora que o PSD se tinha afastado daquela matriz. Então quem o titulava de neoliberal parece que tinha razão.


O descaramento vai mais longe quando assume uma atitude de arrependimento ao afirmar que estávamos talvez muito agarrados às nossas opiniões (o que parece ser o reconhecimento de que falhou ao insistir na sua conduta de estratégia política) e que, por isso, não conseguimos um entendimento talvez porque houvesse muitas medidas difíceis para tomar. Na altura houve medidas difíceis? Então e agora já não vai haver? Ao mesmo tempo continua a afirmar que aquela política é para manter.


O PSD necessita do PS como de pão para a boca, como popularmente se diz, para lhe validar as políticas que seguiu e que vai continuar a seguir.


Esperemos o que vai dar a escolha de Francisco Assis como cabeça de lista para o Parlamento Europeu. Mas parece-me que os portugueses vão ter que estar muito atentos às armadilhas que os espera pela frente para não se deixarem enganar como o foram à cerca de três anos.

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publicado às 17:21

  

 


Em resumo, tudo não será mais do que, através da comunicação social, enganar o povo sobre o que realmente se está e irá passar, à boa maneira da antiga União Soviética, para já não dizer à moda da Coreia do Norte, com um cariz democrático, tendo em vista minimizar a imagem desfavorável sobre o Governo na opinião pública, preparando as próximas eleições.




 


Esta segunda-feira abriu a época da caça ao voto, e da propaganda ao Governo. O grande comunicador e coordenador Poiares Maduro vai iniciar os “briefings” com os órgãos de comunicação social conduzidos por Pedro Lomba. Tendo sido colunista do Jornal Público desde 2009, é bem conhecida a sua opinião ligada à direita. Um dos artigos que escreveu tinha o título , vejam só, “O Sucesso de Tatcher”.Por aqui podemos ver onde ele se arruma.


 


Não é difícil prever o que vai acontecer nesses “briefings”: sairá para a rua a propaganda no seu melhor às ações e medidas do Governo. De forma apriorística o objetivo que se evidencia é o de propiciar e fortalecer a unicidade, (sublinha-se unicidade para a distinguir de pluralidade), do discurso e da coerência da linguagem de um Governo sem rumo, evitando comunicações contraditórias.


 


Tudo não vai ser mais do que um planeamento estratégico de marketing com o qual pretendem, sob a capa de informar, persuadir quem os ouvir ou ler, sobre as boas práticas do Governo, e só dele.


 


Tudo isto fará sentido se pensarmos na articulação das mensagens a divulgar aos jornalistas, tendo em vista a criação de sinergias e potencialização dos efeitos no público-alvo (as populações) através dos órgãos de comunicação social, em especial impacto nas televisões.


 


O objetivo é, assim, moderar e modelar a atitude das pessoas levando-as a desenvolver atitudes favoráveis ao Governo, através da unicidade da informação comunicada aos jornalistas que, bem espero, não passem a ser apenas uma correia de transmissão da informação que lhes oferecerem.


 


Conhecendo nós as trapalhadas, os erros, as falsas promessas, o acalentar de esperanças de melhores dias jamais conseguidos em tempo útil da vida ativa da maior parte dos cidadãos, leva-nos elencar, para além dos já indicados, outros objetivos, previamente pensados e refletidos, que poderão esta por detrás dos tais “briefings”:    


 



  • Estabelecer normas que disciplinem o relacionamento do Governo com as populações tendo em vista eleições, próximas e futuras.

  • Disseminar e “adoçar” os valores e as políticas que têm pautado a ação deste Governo.

  • Responsabilizar os órgãos de comunicação social cuja informação não esteja em uníssono com a que foi difundida nos “briefings”.

  • Tentar unificar o discurso institucional.

  • Zelar pelos interesses do Governo e dos partidos, seus apoiantes.  

  • Utilizar os “briefings” como ferramenta estratégica no sentido de fortalecer a imagem do Governo, para uma mudança de atitude dos cidadãos.

  • Promover, consolidar e valorizar a imagem institucional do Governo mesmo junto dos seus apoiantes.

  • Definir e disciplinar as práticas da comunicação social através dos “briefings” para a criação de um padrão de relacionamento em diversas áreas de atuação.

  • Favorecer o fluxo de informações, ditas corretas, entre o Governo e os cidadãos, maximizando o que se prevê ser uma falsa transparência nas ações comunicativas e de relacionamento com as populações.


Em resumo, tudo não será mais do que, através da comunicação social, enganar o povo sobre o que realmente se está e irá passar, à boa maneira da antiga União Soviética, para já não dizer à moda da Coreia do Norte, mas com um cariz democrático, tendo em vista minimizar a imagem desfavorável sobre o Governo na opinião pública, preparando as próximas eleições.



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publicado às 17:57


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