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É uma leitura possível de um acontecimento que parece tornar evidente a promiscuidade entre alguns sindicatos, nomeadamente com a central sindical UGT, Passos Coelho e o governo. Pela primeira vez assisti pela televisão em 28 deste mês a uma sessão do seminário "Diálogo Social pela Educação e Formação - estratégias de intervenção e concertação para o desenvolvimento e o emprego", por ocasião do 36.º aniversário da UGT, para o qual foi convidado Passos Coelho que, pela primeira vez, foi aplaudido pela assistência. Resta saber que assistência. É tão mais patético quanto foi este primeiro-ministro que destruiu e contribuiu para o desnível das relações laborais em benefícios das empresas. Esclareça-se que nada tenho contra as empresas privadas, antes pelo contrário, o que acho é que cada qual no seu galho.


Lá estavam presentes, também, dirigentes sindicais que se dizem defender os trabalhadores que representam. Lá estava Carlos Silva ao lado de Passos e, pasme-se, também de Nuno Crato, claro, ou não se denominasse o seminário “Diálogo Social pela Educação e Formação”. Se foi o primeiro que convidou os segundos ou os segundos que convidaram o primeiro, para o caso é indiferente. Eu sou dos que acham que, nestas situações, a Deus o que é de Deus e a César o que é de César.


Os trabalhadores de qualquer setor, seja público ou privado, podem confirmar agora com que contar durante as negociações e que confiança podem ter naquela gente que diz defender os seus interesses. Terá sido um agradecimento ao primeiro-ministro pela voluntariedade que demonstrou pelo aumento do salário mínimo? Agora se percebe que, quando o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, diz que se opõe ao Governo de Passos Coelho não é mais do que fachada para enganar quem trabalha. Cortes, redução de férias, pagamento de horas extraordinárias em dias de descanso a metade do seu valor hora entre outras amabilidades em benefícios tudo foi negociado com a UGT em troca de um pseudo manutenção e criação de postos de trabalho, em empresas que acabam por fechar as portas, e posto de trabalho que não se criam ou então são precários.


Desde quando sindicatos convidam membros de um governo ou primeiros-ministros para atividades comemorativas seja do que for? Quando isso acontece não é mais do que um aval ao governo para a tomada de quaisquer decisões futuras. Com que cara se apresentará Carlos Silva?


Tendo em conta que Carlos Silva da UGT foi apoiante incondicional de António José Seguro durante as primárias no PS podemos fazer uma outra leitura para esta promiscuidade e que passa de uma certa forma por uma atitude provocatória  de desforra política normalmente designada por revanchismo tendo na mira António Costa. Ficámos agora a saber para onde José Seguro e Carlos Silva se encaminhavam conjuntamente.


À margem do seminário o secretário-geral da UGT veio tenta redimir-se ou, quiçá, assumido por um arrependimento súbito diz à lusa que “Achamos estranho que o secretário-geral da OCDE venha sustentar as teses que levam o Governo a continuar a apostar em políticas de austeridade para 2015, nomeadamente, para nossa estranheza e profunda crítica e desacordo, quando decidem suscitar a questão dos tetos para as prestações sociais que, pessoalmente, acho completamente estapafúrdio.”.


Será este o homem das duas caras do sindicalismo?

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publicado às 22:03


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