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JMT_defensor da classe média.pngSão várias as artimanhas de que alguns “fabricantes” profissionais de opiniões servem para, demagogicamente, conseguir atingir os seus objetivos pela deturpação de factos dando-lhes contornos falaciosos que levem a opinião pública a concordar com as suas opiniões aceitando-as como verídicas.


É o caso de João Miguel Tavares que hoje escreveu um artigo no jornal Público sobre a denominada “Fat Tax”, imposto que irá ser lançado sobre alguns alimentos considerados com excesso de açúcar e gordura. Diz ele que “São as famílias da classe média e indivíduos da classe baixa que vão à McDonald´s e compram pizzas”.  Reparem só, uns são famílias da classe média, os outros, os da classe baixa, não têm direito à qualificação de família, são indivíduos. Terá sido um   lapsus linguae?


Depois de Arnaldo de Matos do MRPP que dizia ser o grande dirigente e educador do proletariado, e Mao Tse Tung o grande educador do proletariado internacional das nações e povos oprimidos, Miguel Tavares passou a ser o grande defensor da alimentação da classe média e das classes baixas zelando pelo seu interesse contra um imposto cujo valor ainda é desconhecido e se espera não terá peso significativo no preço final do produto. Para ele será o descalabro porque a base da alimentação da classes que pretende defender são o McDonald´s e as pizzas.


Não frequenta de certo os supermercados de média dimensão em dias de promoção para vislumbrar o que estas classes compram. Para o grande defensor daquelas classes a base alimentar encontra-se na frequência de tais restaurantes e na encomenda de pizzas.


Lamentável é que, durante o governo neoliberal de Passos Coelho, raramente ou nunca se tenha empenhado na defesa daquelas classes que agora quer proteger dos malefícios dum tão importante imposto. Pelo contrário, defendia e justificava os cortes e a austeridade sem alternativa para as classes que agora, pretensamente, quer livrar de tão grave imposto.


Para cair no ridículo nem as penas lhe faltam.

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publicado às 16:17

Os interesseiros

por Manuel_AR, em 02.04.14




Várias notícias que têm vindo a público nos órgãos de comunicação ao longo dos últimos trinta anos de democracia levam a pensar que possa existir um Estado paralelo, oculto e profundo, que está para além do que é visível e legível, para nós, cidadãos comuns. Os setores que afeta serão o judiciário, as polícias, as forças segurança, as autarquias, os ministérios mas não se quem os domina. Às vezes toma-se conhecimento disto pela comunicação social e por algum bom jornalismo de investigação. Saltam à vista casos como as prescrições e atrasos da justiça como por exemplo nos processos do BCP e BPN e isto para citar apenas o que têm sido mais noticiados ultimamente.


Se enveredarmos por uma teoria da conspiração poderíamos dizer que parece haver "conspirações" ou melhor, pressões religiosas, laicas, de esquerda, de direita, monárquicas, lóbis homossexuais, financeiros e nacionalistas que se movimentam "por aí" veladamente.


Foi devido ao modo como foi sendo construída a democracia que facilitou que aquelas forças se instalassem e tomassem conta do poder através de lóbis e influências, seja sobre que partido for que tenha estado ou esteja no Governo para capturar o Estado em seu favor.


Pode pergunta-se como foi possível um país se ter deixado dominar por estes grupos? A resposta parece ser simples, foram o entrosamento e a promiscuidade na política, já mais do que uma vez denunciados, os motores deste estado de coisas. Não é por acaso que a legislação produzida pelos Governos é encomendada, não raramente e a custos elevados, a gabinetes jurídicos privados associados a grupos de interesses.


Uma classe de banqueiros e de empresários e muitos outros espécimes que ascenderam à classe média alta após o 25 de abril de 1974, do qual se serviram, apropriaram-se indiretamente do aparelho de Estado, foram o motor e o suporte de sustentação que conduziu ao estado em que nos encontramos.


Apesar das iniciativas e novas leis “não existe em Portugal uma estratégia nacional de luta em vigor contra a corrupção”, acusou Bruxelas, que incita o país a apresentar um registo de resultados comprovados dos processos judiciais (Jornal Público fev/2014). 


Portugal em 2013 mantinha o 33.º lugar no Índice de Perceção da Corrupção da organização Transparência Internacional conforme tem sido denunciado em vários órgãos e comunicação, veiculado por instituições de combate à corrupção. Apesar de Portugal assinar todas as convenções contra a corrupção (ONU, OCDE e outras), depois, não desenvolve as atividades aí previstas, designadamente criação de estruturas especializadas de combate à corrupção, proteção dos denunciantes de casos de corrupção. Há pois todo um "conjunto de compromissos" que o Estado português assumiu no papel e que depois não concretiza. O que leva à suspeita de que há interesses para que tudo se mantenha como está.


Um dos domínios onde a corrupção se pode tornar mais evidente é a contratação pública que, de acordo com o relatório anticorrupção da U.E., é um "domínio de grande importância para a economia da UE, dado que cerca de um quinto do PIB da UE é gasto anualmente por entidades públicas na aquisição de bens, obras e serviços. É também um domínio vulnerável à corrupção" e acrescenta apelando à "criação de padrões de integridade mais exigentes no domínio dos contratos públicos e sugere melhoramentos dos mecanismos de controlo em determinados Estados-Membros.".


Num Portugal em crise é onde existe cada vez um mais pequeno número de pessoas que detêm a maior parte da riqueza nacional, isto é, os 25 mais ricos de Portugal são hoje donos de 10% do PIB quando há um ano as suas fortunas não chegavam aos 8,5% do PIB. Numa altura em que a riqueza disponível em Portugal é cada vez menor, os mais ricos do país estão a acumular cada vez mais fortuna.


Com muito ricos, social e politicamente influentes que se apropriaram da democracia para a modelarem aos seus interesses, uma classe média que hoje não é mais do que remediada e cada vez mais pobre e sem força, associados a um número cada vez maior de pobres não é difícil que os Governos fiquem reféns e, consequentemente, o Estado deixe de servir os interesses coletivos em favor de interesses pessoais e de grupos específicos que movimentam nos seus meandros.


Os primeiros possuem uma espécie de "wi-fi", que opera segundo padrões que não necessitam de licença para instalação e/ou operação, movimentando "frequências" e "canais" entre os seus apoiantes para beneficiarem dos negócios que lhe interessem. Detendo canais de informação e de comunicação através de órgãos de comunicação social podem agilizar o condicionamento e o comportamento dos cidadãos num determinado sentido de interesses. A própria publicidade paga, alguma dela disfarçada de artigos e de notícias, publicada na imprensa pode ser uma forma de sugestão e condicionamento.


Não é por acaso que, em épocas eleitorais, órgãos de comunicação social, especialmente da área audiovisual e de acordo com as suas orientações ideológicas direcionam o "jogo" a favor ou contra os intervenientes em confronto, sejam eles partidos ou pessoas.


Assim, os órgãos de comunicação podem operar de modo a que politicamente direcionem o noticiário jornalístico a partir de suas opiniões conservadoras, ou não, procurando definir a agenda pública e política do país a partir de entrevistados facilitando visões alinhadas e dificultando as não-alinhadas não facilitando muitas das vezes o contraditório.


Especialmente em épocas leitorais ou pré-eleitorais e por maioria de razão nas europeias que se aproximam há que ter bem atenção a potencial manipulação tendenciosa de noticiários e reportagens, aparentemente isentas, que possam favorecer forças políticas facilitadoras da manutenção de  situações que se acabam de referir.


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publicado às 15:34

Tenham tento por favor

por Manuel_AR, em 03.07.13


 


Não tenho razões suficientes para estar a favor ou contra as demissões de Vítor Gaspar e de Paulo Portas nada disso me deixa de momento nem mais nem menos feliz. Por isso, e até ver, não farei quaisquer comentários.


Por outro lado, tenho colocado vários “posts” neste blog, que podem ser consultados, em que Gaspar, Passos, Cavaco e Portas não foram poupados a críticas da minha parte. Todavia há algo que não aceito, é que se chegue à humilhação de pessoas porque não concordemos com as suas políticas que têm prejudicado a maioria dos setores da população, empresas incluídas.


Vem isto a propósito de notícias que vieram a público, ver Jornal i, sobre o enxovalho físico e psicológico feito a Vítor Gaspar e sua esposa. Podemos simpatizar e até apoiar manifestações pacíficas, como “grandoladas” que perturbam o andamento de acontecimentos e eventos, apupos populares inofensivos, cartazes humorísticos, cartazes com calões e nomes populares, gritos de protestos e outras manifestações de desagrado e de oposição às políticas praticadas, mas penso haver um limite.


Há locais e tempo próprio para protestos. Vítor Gaspar, quer gostemos ou não do que eles nos tem feito e das políticas por ele praticadas, e eu não gosto, é um cidadão como nós que está num momento da sua vida pessoal que nada tem a ver com a política. O silêncio e o ignorar , em certas circunstâncias, é mais eficaz na mostra de descontentamento.


Os ataques pessoais, e não ao político, e foi disso que se tratou, faz parte de uma vendeta popular na praça pública desnecessária porque ineficaz. E não me venham agora dizer que foi por isso que ele se demitiu!


Todos os portugueses, uns mais do que outros, talvez a maioria, têm sofrido com a incompetência de Passo Coelho e as teorizações e experimentações macroeconómicas de Gaspar. Mas podemos perguntar quem eram os que o enxovalharam. Não eram com certeza os mais prejudicados porque, esses, já nem podem ir aos supermercados, limitam-se ao assistencialismo como muitas famílias da classe média que este governo tencionou destruir. Quem lá estava ainda tinha poder de compra, caso contrário não teria dinheiro nem para a deslocação, quanto mais para consumir.


Com alguma certeza, muitos dos que tiveram este tipo de atitude e de comportamento, na altura em que poderia manifestar-se contribuindo para encher praças de protesto, estavam comodamente sentados em suas casas sentados a ver televisão e a beber umas “bejecas”, coisa que muitos já nem isso podem fazer.


Tenham tento por favor!

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publicado às 20:41

O que outros dizem!

por Manuel_AR, em 30.04.12

 


em:www.ladroesdebicicleta.blogspot.pt

Por que merecem uma reflexão e não porque esteja ou não de acordo, vou transcrever parcialmente, e com a devida vénia, dois artigos publicados no Jornal Expresso e respetiva Revista do dia 28 de abril onde podem ser lidos na íntegra. O primeiro é de Martim Avilez e o segundo de Clara Ferreira Alves sem quaisquer espécie de ordem preferencial mas apenas pela minha ordem de leitura.


O primeiro, denominado "Eles não sabem que o sonho", com base num estudo efetuado por Elísio Estanque do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Martim Avillez aponta os políticos como traidores da classe média dizendo, com base naquele estudo, que "da mesma forma que a memória da revolução está em risco, também a classe média nacional pode desaparecer". A classe média que praticamente não existia até 1974, e que "em 30 anos nasceu uma nova classe social no país, fundada na convicção de que, em comparação com os pais, deram um enorme salto na escada social...". E que "Uma das grandes conquistas de abril foi a legítima ascendência social de filhos de operários e agricultores. Esta nova classe média, porém pode estar no fim do sonho....".


O desemprego disparou sobretudo nesta classe não apenas do emprego por conta de outrem e no Estado, mas também se instalou entre trabalhadores e empresários de pequenos negócios. "É na educação, saúde, justiça, administração pública e poder local (os novos empregos da classe média) que mais cortes estão a ser feitos." A classe média está na "emergência de deixar de o ser - e são mais de 2 milhões de famílias." E mais não digo porque vale mais ler o artigo completo na p. 40 do já referido jornal.


 


O segundo artigo, de Clara Ferreira Alves com a qual não concordo em muitos pontos de vista desde o tempo de José Sócrates nos debates televisivo da "Noite dos Diabos".  Intitula-se "Os "Abrileiros"" e devo reconhecer que este seu artigo mostra uma parte do que se está a passar em Portugal e sugiro a sua leitura na íntegra. Todavia não resisto a citar uma parte que é muito preocupante para todos nós, mesmo para aqueles que dizem não ligar à política.


Diz a autora do referido artigo que "...Portugal está a ser vendido a retalho. A água, a eletricidade, o gás, o petróleo, o cimento, a energia, a rede elétrica, a companhia aérea, os correios, a televisão pública, a imprensa independente, a rede comunicações, a banca, e de um modo geral tudo o que implique tarifas monopolistas, manipulação dos media e lucros garantidos está a ser alienado. Só falta o ar que respiramos. E o futuro, os fundos de pensões, os impostos por vir, a segurança social, a saúde pública e a educação pública estão a ser negociados. Em nome da crise e da Troika, este Governo está a vender o nosso tecido económico, a nossa capacidade de rejeição, a nossa possível insensatez. Está a vender os futuros estudantes, os trabalhadores, os desempregados, os pensionistas, os emigrantes...". Vale a pena ler o antes e o depois desta citação no original.


 


Digo eu agora: privatizar sim mas com peso conta e medida. Tudo isto em nome da recuperação económica e para salvar Portugal da bancarota? Quem vão ser os beneficiários? Os portugueses?


Rejeitaram o PEC 4, sugeriram e participaram na vinda das entidades internacionais (CE,BCE e FMI) que com elas colaboraram. Ajudaram a derrubar o anterior governo  do qual, diga-se de passagem, muitos já estavam fartos. Afinal com que objetivo? Para salvar Portugal? Talvez não!


Se quisessemos fazer juízos de intenção poderíamos afirmar que a obsessão do PSD e de Passo Coelho pelo poder, mesmo com a Troika dentro de "casa", esse seria o momento e um bom pretexto para pôr em marcha toda uma política que o PSD e Passos Coelho queriam impor. Tinha uma desculpa. Daí a ânsia pelo poder. Para além dos esqueletos escondidos dentro do armário do anterior governo, Passos Coelho tinha também os seus próprios esqueletos muito bem escondidos que tirou do armário só depois das eleições, como não podia deixar de ser. É isto que o governo atual tem para oferecer a quem lhes deu o poder: esqueletos escondidos nos seus armários. E isto nada tem a ver com ideologia, dizem, mas sim com o passado! 


 


Já agora, vale a pena ver as últimas notícias sobre as previsões do governo para a nossa economia traçadas no DEO – Documento de Estratégia Orçamental e os respetivos comentários em:


 http://sicnoticias.sapo.pt/economia/2012/04/30/portugal-cresce-25-e-defice-fica-nos-05-em-2016-afirma-ministro-das-financas#commentsContainer


 

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publicado às 18:26


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