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Pela Avenida Almirante Reis ida e volta

por Manuel_AR, em 02.10.21

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Tenho por hábito fazer caminhadas pelas ruas da área central da cidade Lisboa, hábito entretanto interrompido voluntariamente devido ao confinamento que me limitou ao espaço limítrofe da minha residência.

Hoje iniciei a minha dependência de exercício físico moderado que também me desperta os sentidos para a observação de lugares e pessoas que de movem pelos espaços da minha caminhada.

O trajeto definido para hoje foi a descida de toda a Av. Almirante Reis tendo como objetivo Martim Moniz, Largo de São Domingos, Rossio com regresso pelos mesmo trajeto.

Durante este meu périplo tive a oportunidade para estar atento a mudanças que se terão dado desde há quase dois anos. A atividade e o fluxo ininterrupto de pessoas pareceram-me terem recuperado para os de antes da pandemia.

As ciclovias descendente e ascendente lá estavam, lindas, pintadas a verdezinho, como Medina as sonhou, o que prova que Lisboa é uma cidade com sustentabilidade ambiental dada apenas pelo verde das ciclovias que agora Moedas quer eliminar.

Ambulâncias desciam a avenida com as sirenes a gritar para os veículos automóveis se encostarem à direita da via cujo espaço era diminuto o que as obrigou a invadir o espaço das ciclovias para poderem rapidamente progredir em direção ao ponto de socorro, suponho, do Hospital de São José.

Durante todo o meu trajeto de descida da Avenida tive oportunidade de contar os velocípedes que a desceram ou subiram por aquelas verdes ciclovias. Pasmem-se: quatro. Sim, quatro que subiam e não dei por algo que descesse. Podem perguntar durante quanto tempo. Foi o tempo que, ao meu passo de passeio, demorei a descer aquela via, ou seja, cerca de meia hora até ao Martim Moniz.  Em trinta minutos subiram aquela artéria quatro utilizadores de bicicletas, em oito horas de trabalho passariam teoricamente sessenta.

Talvez Fernando Medina me dissesse que não tenho visão de futuro porque daqui a 100 anos passarão a ser muitas mais. Temos é que acabar com os automóveis na cidade para ela ficar mais verde, exaltaria. Temos que pôr todos a andar de bicicleta, mesmo quem não saiba nem possa pedalar, crianças, homens, mulheres, idosos e idosas, doentes para irem a uma consulta hospitalar. Pois então! É assim que uma cidade fica menos poluída. Não é como esse Moedas que pretende trazer ainda mais automóveis para dentro da cidade com a promoção de preços baixos para estacionamento.

Apenas por curiosidade, Lisboa, nos censos de 2020, tem uma população dos 15-64 anos de 280124 pessoas e com 65 e mais anos apresenta 143990 pessoas, mais de metade da considerada em idade ativa (Fonte INE).   

Mas voltemos ao meu circuito. Ao chegar à Praça de Figueira deparei-me com um cenário próximo do pré-covid-19, turistas estrangeiros por todo o lado que espreitavam as ementas colocadas à porta dos restaurantes populares e baratuchos, pois os que agora para aqui viajam aparentam ser de classe média baixa e, sobretudo, mais jovens. O centro de Lisboa voltou a ser um “espaço turistificado”, desordenado. Entenda-se por turistificação, segundo alguns geógrafos, uma paisagem que pode apresentar-se destruída em decorrência do uso turístico ou da especulação imobiliária, e, para outros, especialmente os que não conheceram a paisagem antes pode ter outro valor, que gere atratividade e mereça destaque.

A articulação entre Câmara e o Governo, pode direcionar o planeamento da cidade dando prioridade a novas procuras do espaço urbano de sobrevalorizando o atendimento turístico, deixando para segundo plano os interesses da população local.

Terá sido Medina o responsável? De qualquer modo bem-vindos a Lisboa da covid (ou ex-covid?), do turismo e das bicicletas e do salve-se quem puder. Sim, das bicicletas! Como assim?

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Da Praça da Figueira dirigi-me para o largo de S. Domingos onde a Igreja do mesmo nome, arquitetura religiosa barroca, muito visitada depois do violento incêndio que quase a dizimou a 13 de agosto de 1959, mas onde ainda se podem ver as colunas corroídas pelo calor que as calcinou.

Acedi ao largo através do percurso pedestre que liga a Praça da Figueira ao referido largo pela Rua Dom Antão Vaz de Almada. Qual o meu espanto e perplexidade quando me deparo com um grupo excursionistas de mais de uma dúzia de bicicletas que transportavam estrageiros que ocupavam a maior parte do espaço pedonal e que se dirigiam em direção à referida Praça atrás de outro velocípede pedalado por um sujeito de calção e capacete que me pareceu ser o guia. Pedalavam equilibrando-se nas duas rodas sem qualquer respeito pelos peões que naquele momento se deslocavam no passeio que deveria ser apenas a eles destinado, mas que eram obrigados a desviarem-se. Pensei: bem visto ó Medina! Mas olha que eu, mesmo assim, votei em ti.

Não, Fernando Medina não perdeu por causa das bicicletas e das trotinetas em desmando pela cidade, mas ajudaram. A sustentabilidade das cidades não se faz com as bicicletas e com as trotinetas e com ciclovias pintadas de verde não, não vão salvar a cidade nem o planeta. Evitar e reduzir automóveis nas cidades é uma coisa, substituí-los por outros preferencialmente e sem critério, de costas viradas para a maioria dos cidadãos, é outra.

Era a hora de regressar seguindo o itinerário no sentido inverso, desta vez em direção a norte pelo passeio da direita, felizmente que ainda os há, mesmo que bicicletas driblando perigando peões que se passeiam pelo piso da calçada portuguesa.

O troço de Martim Moniz pela Avenida antigamente denominada Avenida D. Amélia que após a revolução republicana de 1910 mudou para a denominação atual até ao denominado Bairro das Colónias é acompanhada pela muda de gentes que se deslocam para cima e para baixo com predominância das provenientes da Ásia que se começam a sobrepor-se aos africanos que nas últimas décadas dominavam e que deverão ter escolhido novos lugares.

Estes asiáticos – chineses, paquistaneses, indianos, bangladeshianos, nepaleses - são imigrantes que vieram substituir a mão-de-obra que nega trabalho em algumas áreas e no pequeno comércio variado que dá ao português muita preocupação e pouco rendimento. Contrariamente aos que grupos racistas e nacionalistas da extrema-direita nacionalistas e neonazis que dizem que esses vieram tirar o trabalho aos autóctones, numa inversão propositada do problema. A falta de mão de obra em alguns serviços, deve-se aos autóctones que não querem trabalhar nesses serviços.  

Já próximo da Praça do Chile e passando pela Rua Morais Soares pareceu-me que tinha ultrapassado fronteiras encontrando-me nos espaços de Katmandu e de Daca a estes imensos brasileiros.

Ao regressar a casa chegou-me à memória Margarida Martins agora ex-Presidente da Junta de Freguesia resultante da agregação das antigas freguesias de São Jorge de Arroios e Pena e com a quase totalidade do território da antiga freguesia dos Anjos que terá observado, não me lembro em que circunstâncias nem em que lugar, que Arroios era a freguesia mais multicultural de Lisboa.

A propósito, em fevereiro de 2019, o Jornal de Notícias escrevia que “Passear pelo Largo do Intendente, ou Avenida Almirante Reis ilustra esta realidade. As esplanadas e os restaurantes são autênticas Torres de Babel, com clientes de todo o mundo sentados, lado a lado. A isto junta-se a diversidade de lojas, de templos religiosos e aromas que, por si só, nos transportam para outras paragens do Mundo.

Orgulhosa desta diversidade, Margarida Martins, a presidente da Junta de Freguesia de Arroios, atribui esta fraternidade à aposta na integração logo a partir dos bancos da creche. "Na maioria dos casos, há 24 nacionalidades de meninos que crescem juntos. Habituam-se a ver-se como iguais, convivendo com as diferenças, onde a língua portuguesa é sempre o elo de ligação", explicava.

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publicado às 18:15

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Deixemos para estudos posteriores e estratégias futuras a análise dos resultados das eleições autárquicas 2021. Carlos Moedas, bem ou mal, por muito ou por pouco, o certo é que ganhou.

O que se deve agora discutir é o que disse e prometeu durante a campanha e sobre as balelas com contradições imensas que foi dizendo .

Numa entrevisto dada ao jornal público de hoje o ex-vice-presidente da bancada parlamentar do PSD António Leitão Amaro, um dos conselheiros de Carlos Moedas na campanha de Lisboa, diz que o candidato social-democrata é “o primeiro e o último responsável” pela vitória. Foi claramente uma vitória de Carlos Moedas por duas razões: primeiro, o Carlos Moedas cresceu e venceu, na expressão dele, contra tudo e todos porque apresentou esta alternativa reformista que deu esperança às pessoas. Ele soube, e foi o único, de uma forma assertiva e intransigente, mostrar os fracassos, os erros e os falhanços da governação socialista.

Estas afirmações de Leitão Amaro são facciosas e mostram a tentativa que provavelmente frustrada, para fazer uma lavagem às poucas competências que o novo autarca Moedas tem para a função e que vai ter de contrariar.

Como primeira abordagem o programa Novos Tempos enferma de enormes contradições que vão colidir entre programação e a concretização. Como tal a votação em Carlos Moedas foi mais clubista-partidária do que resultante efetiva do programa para a cidade. Alguns pontos do programa a serem concretizados poderão dar lugar à criação de mais cargos e encargos municipais, criação de novas clientelas e compadrios partidários, veja-se página Lisboa Participada do programa.

De facto, quem lê o programa de Carlos Moedas sem qualquer intuito analítico e atitude crítica fica aturdido com tanta coisa aparentemente boa e fica surpreendido pela positiva. É uma espécie de presente em que o papel de embrulho é apelativo, mas cujo conteúdo, se não for consumido de imediato, corre o risco de ficar adulterado em muito pouco tempo. Só uma enorme quantidade de conservantes o irão manter atualizado, o que me parece ser, para Moedas, empresa difícil de concretizar.

Logo no início da campanha de Carlos Moedas insurgi-me neste mesmo blogue contra as medidas de Medina em relação às ciclovias não pela ideia em si mesma, mas em relação à forma, às difientes falta de regras e procedimentos que as deveriam gerir que conduziu a uma circulação anárquica dentro e fora das mesmas, prejudicando e colocando em perigo peões e automobilistas. Mas uma coisa não pode levar a outra totalmente oposta por falta de regulamentação e controle. Limitar a circulação automóvel e incentivar o uso de ciclovias no centro da cidade parece não ser o projeto de Moedas para Lisboa e daí a contradição do seu programa no que se refere à sustentabilidade e circulação que vai em sentido contrario à sutemtabilidade que a europa está a seguir.   Vejamos o capítulo Restituir a Rua aos Lisboetas na página treze e seguintes do referido programa.  

O programa parece contradizer o que é a tendência nas grandes cidades europeias e da ideia de sustentabilidade, que é restrição da circulação automóvel nas grandes cidades, Medina parece propor medidas de promoção de mais circulação automóvel. O slogan "restituir a rua aos lisboetas" significa na verdade, restituí-la aos carros dos lisboetas quando refere “Restituir a rua aos lisboetas com o assegurar parques multifuncionais de estacionamento” para residentes em todos os bairros (falta esclarecimento do conceito) e “otimizar a oferta de estacionamento automóvel à superfície está a ir no sentido contrário.

As medidas do presidente eleito para o automóvel e os automobilistas, porque teve nas suas listas Carlos Barbosa, presidente do Automóvel Club de Portugal, tiveram que satisfazer os seus desejos automobilísticos e os dos seus elitistas sócios.

Como escreveu Fernanda Câncio no Diário de Notícias, “passamos de um autarca que queria limitar a circulação automóvel no centro para outro que anunciou descontos no estacionamento em toda a capital e vilipendiou as ciclovias enquanto diz querer "uma cidade mais sustentável" - é talvez isso que "as pessoas querem", slogans sem dor. Mas então talvez seja de aprender a não respirar.”

 O capítulo “Lisboa, uma cidade próxima de todos” de Medina parece aliciante para os desprevenidos, mas, tal como todo o programa a execução a prazo não é possível, necessitará de vários mandatos e muitos dos que nele votaram já cá não estarão para puderem ver a sua eventual realização e, para outros as espectativas verificar-se-ão frustradas.

 

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publicado às 19:42

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A campanha pré-eleitoral para as autarquias começa a levantar fervura, em Lisboa prevê-se que irá entrar em ebulição com o confronto entre os dois protagonistas, Carlos Moedas e Fernando Medina. O primeiro é o homem das pessoas, o segundo o homem da Lisboa verde centrado nas bicicletas e nas trotinetas.

Desde que Medina resolveu fazer crescer e espalhar bicicletas e trotinetas de aluguer por toda a Lisboa o desregramento e o desrespeito com a circulação das ditas foi aumentando na mesma proporção. É frequente um cidadão ao deslocar-se calmamente pelo passeio que lhe está destinado para circular encontrar uma trotineta abandonada, caída ou estacionada, no meio do passeio na qual se arrisca a tropeçar, caso se distraia.   

O incentivo à deslocação por velocípedes e trotinetas com total desprezo pelas pessoas que não têm possibilidade de pedalar pelas “vias verdes” das duas rodas também tem um objetivo lucrativo para a empresa Gira que pertence à EMEL que oferece esses serviços por esta Lisboa que não é para todos.

Carlos Moedas não nos fala de pedalar por Lisboa, apresentou o programa para a cidade, mas, como os de qualquer outro candidato, o programa é eleitoralista e inexequível num período de um mandato. Moedas promete uma dúzia de medidas (à dúzia é mais barato) que sabe não poder cumprir a curto prazo se, porventura, chegar a ganhar as eleições. Promete a Lua e o Sol às pessoas, vende-lhes esperanças e ilusões.

Faz olhinhos e sorrisos aos idosos, à cultura, aos automobilistas no que se refere ao estacionamento, prometendo diferenciar os moradores na cidade dos não moradores nos preços do estacionamento cobrados pela EMEL que seja 50% mais barato na cidade. Quer fazer a transição para uma cidade verde com a criação de um seguro de saúde para pessoas maiores de 65 anos com dificuldades económicas e tornar os transportes públicos gratuitos para "avós e netos" (maiores de 65 e menores de 23). Será para alimentar as companhias de seguros privadas? Quanto ao Parque Mayer disse que tem de ser um centro nacional de Cultura, que reúna espetáculos profissionais e espaços de aprendizagem artística, chefs a começar e os melhores chefs do país a aprender e a cozinhar e espaços de co-work. Isto tudo em quatro anos?

 Caso seja eleito, promete, irá também reduzir a taxa de IRS na capital, devolvendo aos lisboetas nos primeiros cem dias de mandato os "32 milhões de euros que vão para a Câmara de Lisboa" e propõe isenção de IMT (Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis) para jovens até 35 anos que comprem habitação própria em Lisboa.  Mas, afinal, não se tem falado na desertificação do interior e proposto incentivos para quem para lá se instalar?

Mas, há mais, pasme-se, um teatro em cada freguesia (porque, segundo o programa do candidato, "o setor cultural em Lisboa tem um problema crónico de falta de espaços acessíveis para quem está a começar").

Moedas disse que quer ainda "ligar a cidade ao Tejo desde Algés até ao Cais do Sodré", o que poderá passar pelo "enterramento parcial da linha ou um metro de superfície". "Sei que o enterramento total daquela linha é impossível, mas também sei que há partes que podem ser enterradas. Este projeto é essencial para a cidade", frisou. Mas atentem: Moedas diz que quer, mas, ao mesmo tempo, diz que o enterramento total daquela linha é impossível. Isto é, quer, mas não pode então não vale a pena prometer se não pode.

O grande banquete que Carlos Moedas oferecerá aos cidadãos da cidade de Lisboa continua e não para quando diz que irá também lançar um programa de apoio monetário à reabertura de empresas encerradas por causa da pandemia: "Os empresários precisaram de ser protegidos e a Câmara Municipal falhou-lhes. Agora, precisam de ter uma oportunidade para se voltarem a pôr de pé. O cheque Recuperar + oferece um apoio a fundo perdido para que quem investe a Lisboa volte a ter uma hipótese de criar valor na cidade, esclareceu.

O programa eleitoral deste candidato encabeça uma coligação com o CDS, PPM, MPT e Aliança, mas o que de Carlos Moedas não disse é com que dinheiro irá fazer frente às promessas e às despesas da Câmara?

O que tenho escrito sobre a candidatura de Carlos Moedas mantem-se, é uma candidatura de algum modo populista nas suas propostas ao mesmo destituída de carisma, vazia e preenchida para o momento de acordo com as necessidades e é previsível que pode mudar. A candidatura é ainda caracterizada por uma miopia no que se refere ao que é gerir uma Câmara como a de Lisboa. Não basta o currículo do candidato e a sua movimentação nos corredores das burocracias e das assessorias, sem contacto com as pessoas, com o povo, para tornar forte esta candidatura. A comunicação social poderá ter um papel num projeto populista. Um líder e o seu programa só é populista se os media lhe derem espaço necessário para a sua construção.

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publicado às 19:10

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O escrutínio do poder político é básico numa democracia liberal e é uma das mais importantes funções do jornalismo, daqui se infere que a defesa da liberdade de imprensa concomitantemente com os valores e os princípios por que se guia a atividade jornalística não se coadunam com dependências e seguidismos. Contrariamente a estes princípios parece ser o que se está a verificar com a pré-campanha para as eleições autárquicas.

Não tenho informação suficiente para apontar casos concretos e objetivos que fundamentem o não seguimento daqueles princípios, mas ao ler e ver notícias que surgem nos media proliferam situações em que a perceção que eu tenho e, provavelmente, muitos outros terão que são tentativas de conotações de notícias com factos políticos a elas alheias. São, sobretudo, casos pessoais e partidários que só remotamente terão entre eles qualquer associação.

A exploração de factos extrapolíticos associados a outras circunstâncias com objetivos de “facilitação” de campanha partidária, numa espécie de deixa teatral para a atuação político-partidária, são frequentemente alimentados pelos media durante dias com elementos que nada acrescentam aos casos, mas que dão às oposições matéria para os manter vivos na opinião pública.

Tirando Fernando Medina não há outro candidato moderado e do centro político para Lisboa, o que é pena. Para mim, Fernando Medina é o candidato dos quilómetros de ciclovias da pseudo ecologia lisboeta, da liberalização da impunidade dos ciclistas e das trotinetas que passam os semáforos vermelhos, que entram em sentido contrário, que circulam pelos passeios desrespeitando os peões que têm que se afastar pela intromissão abusiva do espaço que lhes está destinado. Quem tem que se afastar é também o automobilista, tal é a força que se lhes dá, até no Código da Estrada.

Caso lamentável também é a ciclovia da Av. Almirante Reis a partir da Alameda Afonso Henriques em direção à baixa que obrigou ao estreitamento das faixas de rodagem dos automóveis tornando impossível a circulação de viaturas de emergência como ambulâncias e carros de bombeiros que têm que subir para a faixa da ciclovia para poderem passar a fila imensa de viaturas. É no que dá a obsessão pelas bicicletas. Gostaria de saber em quanto contribuíram as ciclovias para a redução de viaturas automóveis, quando há cada vez mais jovens a pedir para tirar a carta de condução automóvel. Ou será para conduzirem bicicletas, trotinetas e até skates, como já de tem visto por esta cidade?

Todavia não se pense que alguma coisa irá mudar votando em Carlos Moedas e nos seus associados da direita. Não, não vai!

Situemo-nos agora na interação da Câmara Municipal de Lisboa com as embaixadas no que diz respeito às intenções de realização de manifestações que eram entregues nos governos civis e a partir de 2011, e que, com a sua extinção, passaram a ser entregues nas câmaras municipais.

A circunstância do grave incidente do envio dos nomes de promotores de manifestação às embaixadas veio imediatamente parar aos media. Desconhece-se através de que canais, mas sabe-se que, até aqui, mal ou bem, eram efetuados os mesmos procedimentos desde há muito.

Como é conhecido, na grande maioria dos casos a informação sobre o que envolve figuras públicas resulta de fugas de informação e de outras formas de acesso privilegiado concedido a jornalistas que cultivam fontes bem colocadas em diversas instituições.  São relações alimentadas durante muito tempo, criando cumplicidades e interesses comuns. A notoriedade e visibilidade que se quer dar a algumas personalidades deve-se sobretudo ao apoio que conseguem dos media. Alguns deles tornam-se depois colaboradores de órgãos de comunicação social que alimentaram antes enquanto fontes.

Porquê agora a questão da informação às embaixadas? Parece evidente que a razão parece ser óbvia: prende-se com o aproximar das eleições autárquicas e da respetiva campanha eleitoral que a pedra no sapato da oposição de direita é Fernando Medina.  

Por causa de um caso que saiu pela porta das traseiras da Câmara para entrar pela porta dianteira dos media, a oposição a Fernando Medina que devia ser feita enquanto debate entre candidatos autarcas também passou para os deputados da Assembleia da República.   É fácil de perceber. Quem tem esse papel da oposição em Lisboa, Carlos Moedas, ainda não conseguiu fazer. A sua candidatura que junta a direita tresmalhada e desorientada não se tem conseguido afirmar.

O problema de Carlos Moedas para ser eficaz na oposição é desconfiar-se se ele conseguiria mandar numa estrutura das dimensões da Câmara Municipal de Lisboa? Se Moedas lá estivesse teria notado o referido procedimento para o alterar ou teria ele tomado alguma iniciativa? Cá por mim duvido!

A fraqueza de um candidato também se pode avaliar pelos seus argumentos sólidos que não apenas os casuais que os media lhe colocam na mão e ficar-se por aí. Que iniciativas, que projetos, ou pelo menos um, que pretenda realizar e o coloque, se for eleito, como promessa ao eleitorado para Lisboa. Moedas pode ser uma boa pessoa e bom um político, mas de interiores.

Como escreveu Daniel Oliveira, com quem raramente concordo, não há comparação entre um autarca e um ministro em caso de demissão, “Os ministros não são eleitos. Como tal, não é perante os eleitores que respondem. É perante primeiro-ministro. E ele responde perante o parlamento. O Presidente da Câmara é eleito – é, seja qual for a maioria existente, o primeiro da lista mais votada. Em caso de crime, responde perante os tribunais. Em caso de responsabilidade política, só pode responder perante os que o elegeram. Isso não os torna inamovíveis. Mas torna as consequências das suas demissões diferentes das de um ministro.”

A oposição de direita, que tem agora Fernando Medina como alvo tratando-o como se fosse um perigoso denunciante e aleado secreto de Putin ou de um outro qualquer populista autocrático por causa do caso das embaixadas, pede a sua demissão a três meses das eleições que não tem qualquer significado, o que seria até um pouco mais plausível exigir se estivéssemos a meio do mandato perante um acontecimento grave, mas não se está a exigir nada que tivesse resultados objetivos, a não ser que isso implicasse ou evitasse a sua recandidatura.

A perda de mandato e interdição de candidatura conforme estipulado pela Lei Eleitoral dos Órgãos das Autarquias Locais atualizada em 2013, o que não está em causa. Quem exige que Medina não se recandidate por causa deste caso apenas quer tirar aos eleitores o poder democrático de avaliar as suas responsabilidades políticas. E essas, ao contrário das criminais, só eles podem avaliar.

Então o pedido de demissão de Medina pela oposição não é mais do que a mostra das fragilidades do candidato da oposição porque o que seria de esperar era que Fernando Medina se recandidatasse para ir a votos fragilizado facilmente era enviá-lo para o escrutínio e responsabilização política e consequente derrota eleitoral. O que a desorientada associação de direita sabe é que a única candidatura que o poderia vencer tem baixíssimas probabilidades de sucesso e por isso explora a situação até ao seu extremo folego admitindo a sua incompetência para o fazer.

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publicado às 12:37

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Todos conhecemos a casa que ganhou fama e tornou-se um ponto de encontro, por excelência, em Lisboa, ali ao pé do Rossio frequentada por indivíduos de todas as classes sociais e faixas etárias que se reúnem na Ginjinha Sem Rival para um copito e dois dedos de conversa. Pode parecer paradoxal, mas é, na verdade, um reflexo de quem não precisa de 'provar' que a sua ginja é mesmo boa.

O candidato para Lisboa das pessoas, para as pessoas e dos “Novos Tempos” escolhido por Rui Rio parece querer ser uma espécie de “Ginja Sem Rival”. Não duvido da competência de Carlos Moedas, isto porque tenho acompanhado a sua carreira através dos órgãos de comunicação e, sobretudo enquanto esteve na Europa desde 1 de novembro de 2014, data em que tomou posse na Comissão Juncker como Comissário da União Europeia para a Investigação, Ciência e Inovação.

Mas há um senão no meu reconhecimento das suas competências que depende também do ponto de vista de cada um. O meu, por exemplo, refere-se ao tempo em que fez parte do Governo de Passos Coelho (PSD/CDS) como Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, conferiu-lhe algo de negativo ao integrar a equipa governativa PSD/CDS como representante do partido nos encontros com a delegação da UE-FMI-BCE (troika) no âmbito da negociação do programa de ajustamento económico e financeiro, tendo ajudado a negociar o Orçamento do Estado de 2011.

Moedas surge como uma tábua de salvação para o PSD e para Rui Rio na tentativa de evitarem ou equilibrarem dum tropeção que anteveem nas próximas legislativas. Todos os comentadores políticos afirmam que as próximas eleições autárquicas serão um teste a todos os partidos, mas, mais necessário ao PSD para tentar minimizar as quedas e reanimar as hostes dando-lhes algum ânimo para as eleições legislativas.

O candidato escolhido pelo PSD foi Carlos Moedas, como se costuma dizer, do mal o menos, porque a escolha poderia ser delirantemente perigosa se caísse na candidata do PSD para a Amadora, Suzana Garcia, que aceitou depois de ter andado hesitante entre os convites do CHEGA e de Rui Rio. Suzana Garcia é uma senhora que ficou conhecida por comentar na TVI, onde colecionou um léxico brilhante utilizado num discurso racista e xenófobo como o de chamar “gentalha” aos cabo-verdianos, por exemplo. Poderão dizer que foi retirado do contexto, mas que foi dito lá isso foi. É uma senhora que foi educada assim em colégios de freiras na África do Sul durante o apartheid, segundo ela própria disse numa entrevista a um podcast.

Quanto mais próximo da extrema-direita estiver o PSD tanto melhor, até ao momento em que os eleitores do PSD pensem: ora, é indiferente, desta vez voto CHEGA.

Se Moedas estará à altura só o saberemos mais próximo das eleições. Por enquanto a sua campanha está centrada sobre promessas não cumpridas de Fernando Medina mostrada de forma caricatural, no entanto resta-nos saber se virá a ser bem-sucedida com reflexos em potencias de votos.

Pelo menos Carlos Moedas não poupa críticas. Segundo ele a câmara de Medina não tem visão, nem execução e não tem “a participação das pessoas que nunca teve”, defendeu no início do mês o cabeça de lista da coligação de direita que junta PSD, CDS-PP, PPM, MPT e Aliança à Câmara de Lisboa. Moedas aposta nas pessoas e em assembleias de cidadãos. “Quero criar uma assembleia de cidadãos para Lisboa, uma assembleia que seja diferente, que não vai substituir o que temos, mas que vai complementar, com pessoas diferentes” prometeu ele.

Numa pergunta de retórica continua ainda Moedas, “Alguém ouviu as pessoas que todas as manhãs se levantam na Almirante Reis e que vêm à rua completamente bloqueada com uma ciclovia que cria poluição? As ciclovias não são para a poluição, são para retirar a poluição, são para descarbonizar a cidade”.

Analisemos com raciocínio liberto de partidarismo o equívoco das assembleias de cidadãos propostas por Moedas. As assembleias de cidadãos, propostas pelo candidato do PSD, parecem ser numa adaptação pela direita das assembleias populares onde se juntam comissões de moradores, comissões de trabalhadores e outras estruturas de base que tomarão a seu cargo iniciativas locais, com fiscalização tendente a uma progressiva tomada de poder pelos organismos populares como no tempo da “Aliança Povo – MFA (Movimento das Forças Armadas) agora ao modo da direita. Ou será apenas mais um grupo de diversão sem efeitos práticos nas decisões?

Mas Moedas vai ainda mais longe quando promete que "Não podemos voltar a ser surpreendidos. A cidade de Lisboa precisa de ter ao dispor dos lisboetas um plano de contingência sobre futuras pandemias que dê alguma previsibilidade, segurança e confiança social e económica" e, para isso apresenta Pedro Simas, aquele que “representa o que de melhor há na ciência aliado à proximidade com as pessoas". "É este vínculo entre os especialistas e a sociedade civil que nos permitirá dar resposta aos anseios das pessoas", acrescenta o candidato do PSD à Câmara de Lisboa.  E, para corroborar, o virologista Pedro Simas adianta que vai reunir "um conjunto de especialistas na área da saúde pública" para apresentar "em breve um plano de contingência que traga a previsibilidade necessária para quem vive, trabalha ou visita Lisboa". Será uma façanha já que parece ser algo que ninguém ainda conseguiu em alguma parte da Europa e do Mundo, nem a OMS, antecipar uma epidemia e preparar um plano de contingência sem que a mesma se tenha evidenciado e sem que haja medidas para a sua propagação.

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Quanto a Medina o caso é mais obras. Mostrar as obras que fez para “encher o olho” que, afinal, é o que interessa, é o que o povo vê, mesmo que elas lhe venham a servir de pouco ou nada. Mudar a cidade com coloridas ciclovias pintadas a verde confere um “look” ecológico, dá nas vistas e também é mudar a cidade.

Nem os idosos foram esquecidos (à parte as bicicletas, as trotinetas e té skates andarem nos passeios que os colocam em risco) no que à calçada portuguesa se refere foi substituída por placas que lhes evitam os tropeções e as quedas. Mas quantos aos embates das bicicletas e das trotinetas que se lhes apresentam pela retaguarda, isso, depois, logo se vê. Assim como a atenção redobrada do peão ao atravessar as vias destinadas aos automóveis e agora também às bicicletas e às trotinetas, para já não falar dos skates.

Atenção peões se não tiverem atenção e se não apanharem numa passagem de peões com um automóvel vão ser cilindrados por uma bicicleta ou uma trotineta a alta velocidade que os pode conduzir ao hospital ou lugar ainda pior. Ou ainda, pode ser cilindrado por uma bicicleta nos passeios, (mesmo havendo ciclovias), que se aproximam silenciosamente que nem dá tempo para se afastar. Enfim, os passeios deixaram de ser espaço para circulação de peões e passaram a ter que ser compartilhados com bicicletas, trotinetas e outros que tais. A Lisboa de Medina, ao contrário da de Moedas, deixou de ser para as pessoas e passou a ser para as bicicletas trotinetas e quem não saiba, ou não possa, andar de bicicletas o melhor é não sair de casa mesmo que seja para passear porque elas andam para aí à solta e em roda livre.

Assim, talvez Moedas tenha razão ao falar tantas vezes nas pessoas.

Medina coloriu Lisboa e encolheu faixas de rodagem provocando engarrafamentos de ponta em toda a hora mesmo de não ponta. Pois andem de bicicleta, pode propõe o autarca com a ajuda de outdoors colocados por todo o lado. “Sempre que possam vão de bicicleta”, inclusivamente para levar os filhos à escola.

Por sua vez Moedas em grandes cartazes assobia uma frase pomposa “Lisboa pode ser muito mais do que imagina”. Cada um de nós imagina Lisboa à sua maneira. Como é que Carlos Moedas a imagina, como cada um de nós a imagina não sabemos, só ele saberá!

Se Fernando Medina, no que se refere ao aspeto ambiental e paisagístico da cidade, fez melhorias temos que lhe dar conceder esse valor.

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publicado às 19:34

A estupidez que os pariu

por Manuel_AR, em 23.06.21

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Quem não tem cão caça com gato. Embora o cão seja o ajudante do caçador, quem não o tem, porque um cão de caça é caro e custa a manter, recorre ao gato para o mesmo efeito. A caça é que não vai deixar de se fazer. Transferindo este ditado popular para a política os caçadores são os partidos, como o PSD, por exemplo, conduzido por Rui Rio e os outros à sua direita como as iniciativas e partidos extremistas que surgiram das últimas eleições. Estão neste role a Iniciativa Liberal e o Chega. Porque não têm ideias, nem um projeto, nem uma visão para o país nem para a cidade de Lisboa enredam-se em questões menores e casuais para fazer oposição. Sem alternativas e projetos credíveis dedicam-se à calhandrice política pegando em casos que em nada contribuem para a melhoria do país e das pessoas. É a caça ao poder para substituir umas clientelas por outras. O que muda é o partido.

A tábua de salvação de Rui Rio e do PSD para subir na sua credibilidade é o ato eleitoral para as autarquias que se aproxima a passos largos. Ou o PSD alcança bons resultados, especialmente em Lisboa, nem que, se não obtiver maioria, tenha de fazer umas alianças com as direitas CDS+PPM+MPT+ALIANÇA, mesmo chegando-se às mais radicais como o CHEGA. Uma miscelânea de direita, muito pior que a geringonça.

Rui Rio e o PSD necessitam de mostrar serviço nem que seja através de fazer oposição do vale tudo, ainda que Rio tenha que retirar do seu léxico a frase “a bem do país”, isto é, como já em tempo afirmou "eu opto pelo interesse nacional e não pelo interesse tático do partido". Segundo Rui Rio, as próximas eleições autárquicas são "absolutamente decisivas", porque "o que determina em primeira linha a força de um partido na sociedade não é número de deputados, é o número de autarcas".

Nesta sequência avança com Carlos Moedas para a autarquia de Lisboa. O chavão “Novos Tempos” na candidatura de Carlos Moedas faz todo o sentido porque nos recorda, não apenas os velhos tempos em que foi ministro de Passos Coelho, mas também a pretensão de iludir os eleitores com o jargão ”novos tempos” para os conduzir ao pensamento dos “velhos tempos”.

Carlos Moedas integrou o XIX Governo Constitucional e fez parte do Executivo durante a maior parte do seu período de vigência. Foi considerado o braço-direito do primeiro-ministro Passos Coelho, facto que o colocou em destaque nas relações entre o governo português e os responsáveis da troika que acompanhavam os progressos do programa de assistência financeira do FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia em Portugal.

 Recordemos que Sampaio da Nóvoa, nas eleições presidenciais de 2016, disse que queria vencer as eleições em nome de um “tempo novo” que teria começado no país. Carlos Moedas transformou aquele slogan em “novos tempos” numa espécie de anástrofe ou inversão.  

Carlos Moedas na apresentação da sua candidatura disse que a sua maneira de fazer política seria diferente, mas, rapidamente passou por uma metamorfose transformando-se numa espécie de André Ventura com um populismo em versão light.  

Se eu quiser votar em Moedas, desconheço qual o seu projeto objetivo para a cidade de Lisboa. A sua oposição a Medina baseia-se em aproveitamentos de oportunidades que lhe vão caindo nos braços baseadas em tricas que nada têm a ver com o projeto lisboeta nem com o que critica ficando-se sem saber o que está mal, o que faria melhor, ou o que alteraria na cidade de Lisboa. Anda ao sabor da corrente e das marés que, ora sobem, ora descem. Anda a surfar nas ondas do oceano escuro das suas propostas e alternativa equilibrando-se com críticas descabidas e desproporcionadas dirigidas para olhos menos atentos que apreciam este tipo de discurso.

Considero Carlos Moedas uma pessoas inteligente, mas, a inteligência não é incompatível com incompetência e com impreparação para certas áreas e para determinadas funções. A experiência tem o seu peso em áreas muito específicas. É por isso que muitos autarcas falham por serem apenas nomeações políticas. Carlos Moedas é o caso. Não enxerga o que é ser presidente de uma câmara como a de Lisboa.

Faltar-lhe-á a força política suficiente para se libertar do figurino do passado que o prende às medidas para além da troika de Passos Coelho pensando que é possível redesenhá-lo numa autarquia como Lisboa, com roupas mais atuais, daí os “tempos novos” o equivalente aos amanhãs que brilham e às auroras resplandecentes. Tudo quanto possa fazer em Lisboa terá o peso do neoliberalismo “passadista” de Passos que pretende aplicar à gestão da cidade, daí a sua miopia política que não o deixará enxergar mais longe com os seus raciocínios eleitoralistas de vistas curtas, à medida dos acontecimentos ocasionais que lhe vão parar ás mãos não raras vezes por proporcionadas pelos próprios adversários políticos.

Ao fazer oposição o seu pensamento é quadrado, tudo é preto ou branco, sem matizes. Daí a conferência de imprensa sobre o caso da informação às embaixadas pela Câmara de Lisboa onde faz associações que qualquer um considera serem estupidez de principiante. Tem-se mostrado um candidato obtuso e com argumentos descabidos dos propósitos que não acrescentaram valor a uma candidatura para uma autarquia como a de Lisboa. Mostrou existir uma relação entre uma tolice, isto é, um fraco nível intelectual e a maldade entendidos como o desprezo de outrem.

Carlos Moedas passou a entrar em delírio quando, sobre o caso das informações sobre os promotores das manifestações que foram comunicadas pela Câmara de Lisboa às embaixadas ao acusar Fernando Medina de ser “cúmplice” do Presidente russo Vladimir Putin. É um tipo de ataque que se insere nas margens cinzentas da política método que também está a ser acolhida em opiniões com máscara de respeitáveis, estilo que Moedas passou a perfilhar. Deixou de ser o Carlos Moedas de opiniões por vezes aceites por serem consensuais e com prestígio intelectual. Passou a entrar no jogo eleitoral da pobreza populista que é seguida pela extrema-direita.

Como é possível sem se ser doente, demente, senil, “maluquinho”, lunático, sem se ter as faculdades mentais diminuídas, se não se for próximo da direita radical, acusar alguém na sua essência democrática como tendo relações políticas perversas com Putin. Os que, assim, sem mais, fazem acusações deste tipo são os que, em suma, se colocam ao lado dos que defendem a essência corrupta da democracia e contra o absoluto do sistema corrupto.

A campanha para as eleições autárquicas ainda vai no início, mas o candidato Carlos Moedas já entrou em delírio.

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publicado às 12:25

A desgarrada de Carlos Moedas para Lisboa

por Manuel_AR, em 26.04.21

 

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Começou o "ciclo preparatório" para as eleições autárquicas numa espécie de desgarrada. A Operação Marquês e o alvo Ivo Rosa parece terem iniciado a contenda entre os pretendem ganhar as autárquicas o PS e Rui Rio que vai ter a cabeça a prémio se não as ganhar e ainda a extrema-direita que aposta com tudo o tem à sua mão: o populismo e libertinagem discursiva.  

Surgiu um caso com a PJ a fazer buscas na Câmara de Lisboa por suspeitas de corrupção no departamento de Urbanismo, notícia avançada pelo Observador, claro, nem podia deixar de ser, e confirmada pelo PÚBLICO “junto de fonte da Polícia Judiciária, que acrescentou que as buscas estão relacionadas com suspeitas de corrupção e crimes conexos.”.

Tempo oportuno que se segue ao tempo Sócrates da Operação Marquês. A direita anda ávida de poder também meter a mão no pote porque há muito tempo que tem perdido a oportunidade e a coisa parece estar agreste. Se perder as próximas eleições fica mais uma série de anos em dieta forçada.

Se havia suspeitas de corrupção na Câmara de Lisboa no que respeita aos processos na mira da polícia que se referem à Torre de Picoas, Hospital da Luz, Segunda Circular e o projeto para os terrenos da antiga Feira Popular, entre outros, porque só agora houve suspeitas e denúncias tiradas das gavetas onde estavam a aguardar desde julho de 2017?

Dizem por aí alguns que há o tempo de justiça e o tempo da política. Não há maior falácia! Estes dois tempos são, conforme as conveniências da política partidária, sincrónicos. Muitos dirão: isso são puras coincidências! A questão que eu coloco é a de saber se em política houve ou haverá alguma vez coincidências! Nós o povinho é que andamos enganados, pelo menos alguns. Pois, estou mesmo a ver aos que lhes convém que sejam coincidências a dizer: este tem a mania da teoria da conspiração. Interessa-lhes isso porque a coincidência serve os seus propósitos.

O que levantam hoje vozes, quais arautos que berram contra a corrupção e a favor da punição na praça pública, são os mesmo que quando a direita está no poleiro do poder silenciam, com ajuda dos media seus lacaios, os seus impolutos adeptos que fazem negócios a que chamam práticas normais da aplicação política para bem da nação. Se há algum caso que venha à tona, num ápice deixa de ser notícia e evaporiza-se até que o seu impacto deixe de ter efeitos nefastos. A insistência na repetição dos factos suaviza-se, esvai-se como se se tratasse de notícia de segunda ou terceira escolha.  

Hoje o caso que veio ao de cima é uma espécie de moeda de troca. Carlos Moedas, em março do corrente ano, disse que foi chamado à comissão do Novo Banco por ser candidato a Lisboa.

A represália veio de seguida e num comunicado em relação às buscas da Polícia Judiciária à Câmara de Lisboa Carlos Moedas, defendeu esta terça-feira em comunicado que “Não são apenas os comportamentos do ex-primeiro-ministro José Sócrates que corroem o funcionamento da democracia. A suspeita em volta da atuação política na CML [Câmara Municipal de Lisboa] também corrói e, a confirmar-se, revela uma forma de governar a cidade que considero absolutamente inaceitável”. Antes do apuramento da culpa faz logo o julgamento e a condenação.

Para quem afirmou em entrevista ao polígrafo da SIC, quando foi confrontado com afirmações sobre a intervenção dele no caso BES e GES, respondeu que a sua forma de fazer política é diferente e que “eu não vou fazer política assim”. Estamos a ver! Por outro lado, a partir desta entrevista Moedas fez publicar no Youtube a mesma entrevista truncada e com inserções de planos e afirmações que não pertenciam à entrevista.

Carlos Moedas, com o seu discurso pausado na argumentação e de voz calma, pretende dar ao eleitorado uma imagem de seriedade, de politicamente correto, de comportamento em política manifestado pela diferença que, afinal, está a começar a desmoronar-se. E isto é apenas o início, porque Carlos Moedas não tem um projeto para Lisboa, tem um projeto demagógico e irrealista e, consequentemente, inexequível a pelo menos a curto prazo.

 

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publicado às 16:17

Navegar à bolina.png

Navegar à bolina é navegar ora numa ora noutra direção, obliquamente em relação à linha do vento, de forma que o deslocamento resultante coincida com o rumo pretendido. Faz parte da arte de velejar. Por que caminho é que seguimos? Será que sabemos para onde vamos? Os ventos estão de feição? Para se chegar a bom porto é preciso saber para onde os ventos nos levam.

Os partidos, organizam-se, reorganizam-se, reconstroem-se, mudam-se, contradizem-se, puxam pela criatividade, imaginam o inimaginável, quando sentem os ventos eleitorais a aproximarem-se. Esperam e aproveitam oportunidades para navegar à bolina, numa e noutra direção, de forma que o resultado coincida com o rumo/objetivo pretendido: a obtenção de mais votos. A corrida para a conquista de presidências e de maiorias para as câmaras já começou e a direita está na linha de frente das nomeações.

Com a preparação das candidaturas e das campanhas para as eleições autárquicas, especialmente na direita PSD, vemos que o candidato deste partido está a orientar as suas escolhas para a sua campanha em figuras que emergiram nas televisões durante a pandemia com análises sobre a evolução pandémica covid-19 e as medidas a tomar.

Vejam-se o caso do PSD com Carlos Moedas, cabeça de lista da coligação PSD/CDS-PP à Câmara de Lisboa, que escolheu para seu diretor de campanha o médico de Saúde Pública e epidemiologista Ricardo Mexia que tem tido visibilidade nos ecrãs de televisão como comentador durante a pandemia. Ricardo Mexia é desde 2016 Presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública e integra o Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.

Apesar de Carlos Moedas parecer uma boa escolha para o PSD fica perante uma tentativa de uma coligação forçada que é de necessidade de facto não foi uma boa aposta visto que o candidato do PSD/CDS Carlos Moedas tem a marca do contributo que deixou no Governo de Passos Coelho de coligação PSD/CDS onde a lei das rendas foi e a privatização da Carris deixou marcas nas populações.

O candidato do PSD promete apresentar “um plano que prepare Lisboa para futuras pandemias e avança que o documento será elaborado pelo virologista Pedro Simas”, outro elemento que surgiu nos ecrãs duramente a pandemia. Veja-se como a candidatura de moedas parece ficar adulterada aos ser uma candidatura que se baseia na pandemia. Parece que a ciência está a começar a ser infetada pelo partidarismo e pela ideologia.

A isto Moedas ainda acrescenta o futebol: “Podemos ter uma cidade na liga de campeões da Europa”. Prevê-se que pandemia covid-19 e futebol serão apenas os dois grandes trunfos de Carlos Moedas.

No que se refere à extrema-direita o Chega foi procurar no catálogo de cromos dos tempos idos de apresentadores de programas de entretenimento e humor me canais de televisão Nuno Graciano que enveredou, há cerca de cinco anos, pela vida de empresário, com uma marca de queijo regional.

Em março de 2021 Graciano disse: “Fui presidente da associação de estudantes do meu liceu, fui presidente da associação académica da Universidade. Portanto, sempre estive ligado à política.” Segundo Fact  Check do jornal online Observador a frase é errada. E mais, afirmou esta terça-feira que "é cedo" para falar sobre o projeto político para o concelho, mas defendeu que a cidade tem "vários problemas muito graves" e precisa de um "abanão". Mas então, é cedo fazer um projeto, mas é rápido para ver problemas muito graves para a cidade? Que espécie de charlatão está aqui representado?

 A esquerda e a direita preocupam-se a procurar fragilidades nas embarcações dos adversários para se abalroarem. É uma competição onde vale tudo. Uma espécie de wrestling de veleiros. A esquerda procura a descobrir fragilidades nos candidatos da direita. Não terá sido por coincidência que Carlos Moedas, antigo secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro do governo de Passos Coelho, vai ser ouvido a pedido do PS na comissão de inquérito do Novo Banco na terça-feira. Na segunda-feira, o debate do requerimento do PS para ouvir o antigo secretário de Estado do governo PSD/CDS-PP e agora candidato à Câmara de Lisboa foi marcado pela troca de argumentos e acusações, sobretudo entre sociais-democratas e socialistas. A audição de Carlos Moedas -- marcada para terça-feira, às 9.30 horas - é uma das três audições desta comissão de inquérito. Surge em cobertura de Carlos Moedas a ministra das finanças e Passo Coelho, Maria Luís Albuquerque a fazer de escudo a Moedas no inquérito ao Novo Banco.

Não importa a forma como se consiga. Com estas velas navegam também no permeio das declarações, decisões, contradições que apanham aqui e ali os senhores das opiniões publicadas e os comentadores das políticas do tipo pítia com guiões de novelas do tipo mexicano, mais ou menos enredadas, que se vão enrolando ou desenrolando consoante o final de gostariam que acontecesse. Lá vão aproveitando o rumo dos ventos com determinação. Uns, para alcançarem o poder, outros para ajudarem aqueles outros a alcançá-lo.

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publicado às 23:35


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