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Navegar à bolina.png

Navegar à bolina é navegar ora numa ora noutra direção, obliquamente em relação à linha do vento, de forma que o deslocamento resultante coincida com o rumo pretendido. Faz parte da arte de velejar. Por que caminho é que seguimos? Será que sabemos para onde vamos? Os ventos estão de feição? Para se chegar a bom porto é preciso saber para onde os ventos nos levam.

Os partidos, organizam-se, reorganizam-se, reconstroem-se, mudam-se, contradizem-se, puxam pela criatividade, imaginam o inimaginável, quando sentem os ventos eleitorais a aproximarem-se. Esperam e aproveitam oportunidades para navegar à bolina, numa e noutra direção, de forma que o resultado coincida com o rumo/objetivo pretendido: a obtenção de mais votos. A corrida para a conquista de presidências e de maiorias para as câmaras já começou e a direita está na linha de frente das nomeações.

Com a preparação das candidaturas e das campanhas para as eleições autárquicas, especialmente na direita PSD, vemos que o candidato deste partido está a orientar as suas escolhas para a sua campanha em figuras que emergiram nas televisões durante a pandemia com análises sobre a evolução pandémica covid-19 e as medidas a tomar.

Vejam-se o caso do PSD com Carlos Moedas, cabeça de lista da coligação PSD/CDS-PP à Câmara de Lisboa, que escolheu para seu diretor de campanha o médico de Saúde Pública e epidemiologista Ricardo Mexia que tem tido visibilidade nos ecrãs de televisão como comentador durante a pandemia. Ricardo Mexia é desde 2016 Presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública e integra o Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.

Apesar de Carlos Moedas parecer uma boa escolha para o PSD fica perante uma tentativa de uma coligação forçada que é de necessidade de facto não foi uma boa aposta visto que o candidato do PSD/CDS Carlos Moedas tem a marca do contributo que deixou no Governo de Passos Coelho de coligação PSD/CDS onde a lei das rendas foi e a privatização da Carris deixou marcas nas populações.

O candidato do PSD promete apresentar “um plano que prepare Lisboa para futuras pandemias e avança que o documento será elaborado pelo virologista Pedro Simas”, outro elemento que surgiu nos ecrãs duramente a pandemia. Veja-se como a candidatura de moedas parece ficar adulterada aos ser uma candidatura que se baseia na pandemia. Parece que a ciência está a começar a ser infetada pelo partidarismo e pela ideologia.

A isto Moedas ainda acrescenta o futebol: “Podemos ter uma cidade na liga de campeões da Europa”. Prevê-se que pandemia covid-19 e futebol serão apenas os dois grandes trunfos de Carlos Moedas.

No que se refere à extrema-direita o Chega foi procurar no catálogo de cromos dos tempos idos de apresentadores de programas de entretenimento e humor me canais de televisão Nuno Graciano que enveredou, há cerca de cinco anos, pela vida de empresário, com uma marca de queijo regional.

Em março de 2021 Graciano disse: “Fui presidente da associação de estudantes do meu liceu, fui presidente da associação académica da Universidade. Portanto, sempre estive ligado à política.” Segundo Fact  Check do jornal online Observador a frase é errada. E mais, afirmou esta terça-feira que "é cedo" para falar sobre o projeto político para o concelho, mas defendeu que a cidade tem "vários problemas muito graves" e precisa de um "abanão". Mas então, é cedo fazer um projeto, mas é rápido para ver problemas muito graves para a cidade? Que espécie de charlatão está aqui representado?

 A esquerda e a direita preocupam-se a procurar fragilidades nas embarcações dos adversários para se abalroarem. É uma competição onde vale tudo. Uma espécie de wrestling de veleiros. A esquerda procura a descobrir fragilidades nos candidatos da direita. Não terá sido por coincidência que Carlos Moedas, antigo secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro do governo de Passos Coelho, vai ser ouvido a pedido do PS na comissão de inquérito do Novo Banco na terça-feira. Na segunda-feira, o debate do requerimento do PS para ouvir o antigo secretário de Estado do governo PSD/CDS-PP e agora candidato à Câmara de Lisboa foi marcado pela troca de argumentos e acusações, sobretudo entre sociais-democratas e socialistas. A audição de Carlos Moedas -- marcada para terça-feira, às 9.30 horas - é uma das três audições desta comissão de inquérito. Surge em cobertura de Carlos Moedas a ministra das finanças e Passo Coelho, Maria Luís Albuquerque a fazer de escudo a Moedas no inquérito ao Novo Banco.

Não importa a forma como se consiga. Com estas velas navegam também no permeio das declarações, decisões, contradições que apanham aqui e ali os senhores das opiniões publicadas e os comentadores das políticas do tipo pítia com guiões de novelas do tipo mexicano, mais ou menos enredadas, que se vão enrolando ou desenrolando consoante o final de gostariam que acontecesse. Lá vão aproveitando o rumo dos ventos com determinação. Uns, para alcançarem o poder, outros para ajudarem aqueles outros a alcançá-lo.

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publicado às 23:35

Para onde caminhará o PSD?

por Manuel_AR, em 24.10.19

Rui Rio_2.png


Quando não há argumentos de peso numa eleição à liderança partidária, caso do PSD, buscam-se argumentos geracionais e etários para desacreditar os adversários sustentados igualmente por jornalistas simpatizantes. É o que está a acontecer no PSD. Comparações de idades, por um lado os quarentões a que chamam jovens, como Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz e dizem pretendem rejuvenescer o partido, e, por outro, o de mais idade, mas com experiência que é o sexagenário Rui Rio.


Isto é o argumento falacioso da idade, com a falta de outros que sejam significantes para o debate e que serve apenas para atrair rapazolas sem qualquer ideologia consistente no que à política diz respeito, esquecendo-se que os grandes líderes de relevo mundiais e regionais sempre tiveram, e têm, idades superiores aos cinquenta anos e revelam experiência política correspondente a muitos anos de prática.


Renovar geracionalmente o partido colocando à frente rapazolas sem carisma e sem experiência por apenas perfilharem o liberalismo sem saberem para onde podem conduzir a eles e ao país! Tivemos exemplos destes nos parlamentares do PSD no tempo de Passos Coelho. Tenham paciência, os portugueses já deram para esse peditório e muitos militantes do PSD também.


Será que pretendem deixar o centro para ser ocupado PS a troco de congregar uma direita liberal e neoliberal que tem andado órfã e cujos simpatizantes desertaram lá para os lados das iniciativas liberais e dos chegas?


Torna-se evidente uma cobiça pelo poder dos que querem derrubar Rui Rio com a desculpa das eleições perdidas fazendo acreditar que, caso se encontrassem nas mesmas circunstâncias, teriam ganho essas eleições. Duvido que assim fosse. Mas quem sou eu para duvidar? O que acho é que essa avidez de poder tem por detrás projetos de tramoia a que, aliás, Rui Rio já aludiu ao dizer que quer evitar que o PSD seja tomado “por grupos organizados (…) de perfil pouco ou nada transparente”. Mas não só, também quer impedir a “grave fragmentação” do partido, com consequências imprevisíveis para o seu futuro, e defender a “social-democracia”.


Por detrás destas guerrinhas é capaz de estar Miguel Relvas que em algumas intervenções, sem dar nas vistas, tem vindo a fazer declarações. Não apoia Rui Rio porque poderá haver alguns interesses estratégicos no apoio a outros candidatos para as suas atividades relacionadas com a(s) empresas a que está ligado se os liberais do partido ganharem as eleições para liderança do PSD.


Lobo Xavier confirmou isso mesmo no programa Circulatura do Quadrado ao afirmar que “Rui Rio disse coisas que eu espero que tenham consequências. Ele disse que se candidatava para evitar grupos, a intervenção de grupos, de negócios, de redes de tráfico de influência, da influência da maçonaria no partido. E eu quero dizer o seguinte: isso existe”, confirmou António Lobo Xavier. E acrescentou: existem redes mafiosas de tráfico de influência ligadas a políticos e ex-políticos que fazem negócios, que fazem pressões, que fazem ameaças, que envolvem gente do mundo da justiça, que envolvem gente do mundo dos jornais, que envolvem gente política.”, que pode confirmar no Público. Devemos, contudo, acautelar que Lobo Xavier, sendo do CDS, partido de direita, poderá ter algum interesse partidário nestas afirmações?


Rui Rio já disse e não me parece que isso seja posição de mero confronto ou de pré campanha que:   “O PSD precisa de uma liderança que defenda a social-democracia e mantenha o partido no centro político, não permitindo que ele se transforme numa força partidária ideologicamente vazia ou de perfil eminentemente liberal”, e teme que levem de novo o PSD para o lado do liberalismo.


Pinto Luz promete fazer renascer o partido através de “um projeto político capaz de ser alternativa ao projeto socialista que asfixia os sonhos dos portugueses e limita a liberdade de escolha”. Como se, sem o PSD, não houvesse liberdade de escolha nem iniciativa privada!


As pistas neoliberais estão lá, não há dúvida de que projeto se trata, nada mais nada menos do que a renovação na continuidade passista, senão pior ainda.

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publicado às 17:23


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