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Rui Rio e os ses do poema de Kipling.png

Após ter visto Rui Rio com tantos “ses” e a fazer de morto para não mostrar o jogo e para não se contradizer com a sua argumentação, recordei-me do poema “Se - IF”, escrito em 1895 pelo escritor Rudyard Kipling, Prémio Nobel de Literatura em 1907, publicado pela primeira vez em 1910 numa coletânea de contos, utilizei a ideia para a realidade política que agora vivemos mantendo a condicional “SE” e apenas algumas palavras, poucas.

 SE conseguires manter a calma e contiveres as emoções quando te dizem que emigras agora por falta de condições recorda-te do tempo quando te mandaram emigrar.

SE consegues ainda ter confiança naqueles que sucedem aos que te governaram no passado, ofenderam e ofendem a tua inteligência.

SE continuam a dizer-te que deves ter esperança e, ao mesmo tempo, te caluniam, odeiam e culpabilizam pela tua profissão pública e consegues esperar sem te cansares.

SE te incomodam e criticam pela tua velhice e pela tua pensão serem as causas da falta de sustentabilidade da segurança social e lançam contra ti este estigma.

SE ainda consegues ter esperança e confiança em quem te diz e te faz sonhar com reformas e mudanças que não vão acontecer.

SE ainda consegues suportar e escutar mentiras lançadas por comentadores como sendo verdades absolutas para te fazerem cair em armadilhas.

SE consegues encarar tudo aquilo pelo qual lutaste na vida ficar destruído para reconstruíres tudo de novo.

SE consegues num único passo e num minuto um lançamento de cara ou coroa para arriscares tudo o que conquistaste, perderes e recomeçares de novo sem nunca suspirares palavras da tua perda.

SE consegues ainda aguentar quando já nada tens em ti e por tua opção e te irão depois dizer: "Tem esperança, temos que esperar pelo crescimento económico, aguenta-te!"

SE consegues ouvi-los falar para multidões e permaneceres com as tuas virtudes e ainda andas e ages naturalmente.

SE estás disposto a viver em instabilidade governativa e social.

SE já não te conseguem ofender.

SE alguns contam contigo para os defenderes dizendo que é para teu bem.

Português, com a liberdade de escolha que te assiste e se estás incluído neste “ses”, então tens disponível várias opções à direita e à esquerda do único que poderá vir a defender contigo o teu futuro!

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publicado às 00:42

Falou, mas agora anda calado para não se comprometer nem contradizer, daí as balelas sem interesse que tem andado por aí lançar. O cheiro a poder e a "bazuca" mandam mais do que a franqueza e a propagada honestidade que tem andado a mostrar, tipo ratoeira virtual para caçar ratos. O seus ex-inimigos, agora ditos amigos (Montenegro, Rangel e outros) esconderam as facas que traziam para lhe espetar nas costas logo que possível tendo em vista possibilidade da ida ao pote. 

O seguinte artigo do blogue Estátua de Sal desmonta as mentiras daquele Rui Rio que diz que os outros é que são mentirosos. 

Aquilo que estás a ver não é aquilo que estás a pensar

(In Estátua de Sal, 28/01/2022)

Um saudoso amigo meu, psiquiatra já falecido, costumava contar a seguinte história, exemplificativa da capacidade de mistificação dos seres humanos. O marido, por exigência inesperada, regressa a casa a meio da tarde e dá com a esposa nua, na cama com um desconhecido. Ela, ultrapassada a atrapalhação inicial, dispara-lhe com sorridente bonomia:

– Querido, aquilo que tu estás a ver não é aquilo que tu estás a pensar.

Lembrei-me desta história a propósito das repetidas negações e reinterpretações que as declarações de Rui Rio têm vindo a suscitar. Ele diz, mas não era bem isso o que queria dizer. O malvado do Costa é que “mente” sobre aquilo que ele diz.

Ele votou contra o aumento do salário mínimo, mas é mentira quando dizem que é contra.

O PSD votou contra o SNS, quer mudar o artigo da Constituição que postula que a saúde deve ser “tendencialmente gratuita”, mas é mentira quando se diz que quer pôr os portugueses a pagá-la.

Ele, Rio, disse que “há várias modalidades de prisão perpétua” no debate com o Ventura. Mas é mentira quando dizem que ele se aproximou do Ventura nesse retrocesso civilizacional que o Chega defende.

Ele acha que os maiores rendimentos devem poder optar por descontar parte do seu rendimento para planos de reforma privados, enfraquecendo a Segurança Social. Mas é mentira quando se diz que a quer privatizar.

O PSD fez um acordo de governo nos Açores com o Chega e David Justino – em entrevista à CNN -, veio dizer que não há linhas vermelhas em relação ao Chega. Mas é mentira quando António Costa diz que Rio se propõe governar com o apoio de Ventura e da extrema-direita.

Perante estes exemplos, parece que os eleitores terão que contratar um tradutor especializado para fazer a tradução e a interpretação “autêntica” da verborreia do Dr. Rui Rio. Ele não fala o português que cada um de nós – tristes almas simplórias e incultas -, fala.

Não, ele fala um português quântico e erudito em que cada frase é uma espécie de “dois em um” e significa tudo e o seu contrário. E, tanto é assim, que entre os comentadores das televisões já se disputa o primeiro lugar no concurso de melhor tradutor e intérprete da sumidade. Neste momento, lidera o Gomes Ferreira seguido de muito perto pelo Bernardo Ferrão e pelo Bogalho.  

É por isso que me quer parecer que aquilo que os comentadores de direita atribuem a Rui Rio, como sendo autenticidade e espontaneidade, não passa de falta de jeito para mentir e para a mistificação. Ele bem tenta mas acaba sempre por lhe fugir a língua para a verdade. Ao menos Passos Coelho tinha mais jeito, como se viu em 2011: depois de passar semanas a prometer convicto a descida de impostos, mal chegou ao poder produziu o maior aumento de impostos da história da democracia.

A direita sempre recorreu à mentira e às falsas promessas para se alcandorar ao poder. Mas nunca teve o topete de nos propor um aldrabão desajeitado.

Não, Dr. Rui Rio. O senhor é mesmo um pequeno ditador com tendências de extrema-direita e de solidariedades íntimas com o Dr. Ventura, de quem se prepara para colher o apoio, sem vergonha ou engulhos maiores.

E não nos queira enganar como a adúltera da história. Aquilo que o ouvimos dizer é mesmo aquilo que diz e nos leva a não querer que venha a governar este país.

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publicado às 18:34

Ouço dizer todos os dias

por Manuel_AR, em 27.01.22

Maria do Céu Guerra.png

Contatei há muitos anos com Maria do Céu Guerra no espaço de um café na baixa lisboeta e por um breve tempo. Tinha-me sido apresentada por um amigo meu de longa data que com ela tinha trabalhado. Isto foi, já lá vão décadas, e a idade não perdoa.

Para quem não saiba quem é Maria João Guerra pode saber mais sobre ela AQUI.

Li este texto no Facebook e tomei a liberdade de o publicar com título da minha autoria a partir do texto sobre o qual não teço quaisquer comentários discordantes ou concordantes. Se alguém tiver dúvidas sobre o que ela escreve cada um que as tente esclarecer por si próprio!

Citação de um texto de MARIA DO CÉU GUERRA

"Ouço dizer todos os dias aos nossos clarividentes comentadores e jornalistas políticos que o António Costa está cansado. O governo está cansado!

Cansado? De que será?

- Não equilibrou a economia que o PSD (aluno exemplar da Troika já reconhecidamente errada e criminosa) estilhaçou?

- Não devolveu a dignidade ao nosso País na sua posição de membro respeitável e civilizado da Comunidade Europeia?

- Não organizou um SNS com antecedência para responder à Pandemia (estou daqui a pensar nas difamações de despesismo da direita se a Saúde pública estivesse antes do Covid-19 apetrechada pelo governo socialista para responder ao triplo das suas necessidades)?

- Não tentou acorrer ao desemprego com o Lay-off?

- Não investiu na organização de um país mais solidário?

- Não tentou (sem a mão estendida nem a cerviz dobrada dos anteriores poderes) recolher apoios em todas as plataformas europeias que com mais ou menos dificuldade se lhe abriram?

- Não tentou cicatrizar (com menos êxito embora do que desejaria) as feridas abertas com a sangria da emigração de jovens qualificados (que o convite criminoso do governo anterior abriu)?

- Não tentou sempre proteger a saúde física e mental e a vida dos seus compatriotas (a lutar com um inimigo desconhecido que todos os dias lhe fazia novas rasteiras e emboscadas)?

Que seria de Portugal se durante estes dois anos estivesse no poder um Passos Coelho ou um Durão Barroso a combinar às escondidas guerras criminosas contra a Humanidade, ou um Cavaco Silva a construir rotundas desnecessárias e a afundar a frota pesqueira e a agricultura que alimentava o nosso povo e lhe dava trabalho todos os dias, enquanto o País de letras gordas ia aprendendo com ele e os seus a embrenhar-se em «irregularidades» de colarinho branco.

António Costa: deves estar muito mais farto do que cansado.

Tu és rijo, numa semana recuperarás as forças que nenhum dos teus opositores tem para oferecer ao país.

Força Amigo! Obrigada pelo teu cansaço."

(Maria do Céu Guerra, atriz.)

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publicado às 16:27

Propostas PSD.png

Tudo o que Rui Rio promete em redução de impostos como o IRS é lá para 2025 e 2026, data das próximas eleições. Até lá o pagode que aguente. Não se pode dizer que está a mentir, mas… está a enrolar-nos com promessas que na altura poderá não poder cumprir face à evolução da economia internacional. Demagogia da melhor.

A experiência que nós temos tido com governos do PSD e CDS não têm resolvido os problemas que todos, cada um a seu modo, gostaríamos de ver resolvidos, antes pelo contrário. Com o PS também não, dirão alguns, piorou, dirão outros, talvez estejam certos, mas o que não podemos esquecer é que, se hoje vivemos melhor do que no passado também é certo e foi com a esquerda moderada que o conseguimos.

Esta campanha eleitoral tem sido muito pouco esclarecedora quanto ao que pretendem fazer se ganharem as eleições e os partidos com responsabilidades governativas, com exceção do PS que já é de todos conhecido o que pretende fazer. É o único que poderá oferecer algumas garantias de mudanças ajustadas, atempadas e progressivas.

O PSD com Rui Rio e as suas propostas vagas, por vezes ambíguas no sentido da sua fundamentação ideológica, irá seguir um modelo social neoliberal, modelo desacreditado depois da crise financeira internacional de 2008. Muitas organizações internacionais como a OCDE colocaram esse modelo em dúvida. Não sei se alguma vez Papa Francisco apelidou este sistema como “economia que mata”, mas isso é o que menos importa.

O projeto económico de Rui Rio baseia-se na redução de rendimentos das pessoas, quer por redução de salários, que por redução das funções sociais do estado; é um modelo estruturalmente baseado na austeridade para a generalidade da população; um modelo que beneficia os mais ricos e que agrava drasticamente as desigualdades sociais. Aliás o próprio Rui Rio não o escondeu e os seus apoiantes do partido já o afirmaram por palavras pouco entendíveis para a maioria das pessoas, é que o tão almejado crescimento só acontecerá anos depois de aplicado e se as condições internas e internacionais assim o permitirem. Para bom entendedor meia palavra basta.

Veja-se o que Rui Rio propõe com a baixa do IRS: redução em 400 milhões de euros em 2025 e 2024. Isto é, daqui a três a quatro anos numa lógica de proximidade de novas eleições. Mais, redução para 0,25% do limite inferior do intervalo da taxa do IMI, também a partir de 2024. Onde vai ele buscar o dinheiro se o crescimento da economia não estiver em correlação com o crescimento da receita necessária para reduzir os impostos, mesmo que a despesa diminua um pouco? Está a fazer troça do pagode!

E na saúde? No SNS Rui Rio ataca com a diferenciação, uma saúde para os pobrezinhos e outra a ser paga com os impostos de todos para os que podem pagar, veja-se: contratualização com o privado e social de consultas e acessos a médico assistente (não confundir com médico de família). Quem paga os impostos irá contribuir para os que podem pagar terem acesso aos privados de forma gratuita ou parcialmente pago; para Rui Rio o SNS deve assentar em três pilares: público, privado e social, mas o acesso ao privado, deduz-se, será pago com os impostos de todos para benefício de alguns que podem pagar.

Não basta ler o vago programa do PSD que Rui Rio apresenta, temos que ler nas entrelinhas as armadilhas que contém. O programa que Rui Rio apresenta é o mesmo que Montenegro ou Paulo Rangel apresentariam se ganhassem as eleições internas no partido e estivessem agora nesta corrida.    

Rui Rio tem fé, é uma crença que dando os maiores benefícios às empresas, redução de impostos, não fala em redução de salários, mas fala em aumentar se a economia crescer, assim, elas, as empresas, vão produzir mais e criar mais riqueza. É uma velha assunção liberal que com os acontecimentos da última crise internacional provou estar errada levando as entidades internacionais a alterar as medidas de combate à crise.

Não basta criar produtos é preciso rendimentos para que tais produtos sejam consumidos, a fuga de Rio diz ser nas exportações, esquecendo que haverá sempre lá para a Ásia que produz a custos mais baratos com mão de obra baratíssima. Isto numa lógica de que só o maior rendimento das pessoas pode originar maior consumo, maior procura de bens que necessariamente fomentam uma maior produção das empresas. Numa ótica de consumo interno é a procura que gera a oferta e não a oferta que gera a procura em que com fezada Rui Rio acredita com ajuda das exportações.

Para dinamizar a economia pouco significa injetar dinheiro nas empresas se não existir um aquecimento do consumo, este por seu lado pode gerar inflação que desvaloriza salários. E as medidas de austeridade complicam, mas fazem parte do breviário do modelo neoliberal. O que o modelo de Rui Rio a ser fosse implementado iria gerar uma redução do nível de vida das pessoas e agravadas desigualdades sociais.

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publicado às 19:06

Curem-se, mas é!

por Manuel_AR, em 23.01.22

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Não é apenas com debates nas televisões, na rádio e com as arruadas dos partidos que se faz campanha eleitoral, nas empresas de comunicação social também acontece de modo mais sofisticado. 

A SIC e o semanário Expresso entraram na campanha eleitoral e de tempo de antena com o PSD de Rui Rio. Basta estar atento e perceber as conotações que são feitas ao relatarem os factos relacionados coma campanha. A minha leitura é que alguns artigos são tendenciosos e projetam-se no favorecimento do PSD. Mas isto é a minha opinião, mas há outras que tem pontos de vista contrários nomeadamente os que são da fação daquela fação clubística.

Ontem dia 22/01 a SIC no noticiário das 20 horas numa das partes até parecia o canal do direito de antena do PSD. Foi uma tristeza a peça apresentada sobre a campanha eleitoral do PSD em comparação com a do PS e outros partidos. No caso do PS vimos apenas o plano de um sala vazia e durante o relato do reporter apenas a passagem de imagens fixas. Uma falta de isenção esta SIC.

A falsidade prolifera nos comentários e nas promessas que atravessam a comunicação social ávida do regresso de uma direita que imponha uma austeridade castradora de direitos a uns e distribuidora de privilégios a outros, ao mesmo tempo que acenam para todos com a bandeira demagógica ds baixa dos impostos para caçar votos, sem a certeza das promessas poderem ser cumpridas por impossibilidade de o fazerem quando o poder lhes cai nas mãos. E as escusas podem ser várias e fáceis de arranjar.    

Nesta campanha todos apostaram em associar-se implicitamente para a derrota de António Costa e do Partido Socialista, da extrema-direita à extrema-esquerda associados no desígnio para derrubar e enfraquecer o PS.

Que a motivação e o objetivo sejam as dos partidos da direita, nomeadamente do PSD, compreende-se porque a derrota de um pode conduzir à vitória de outro, mas dos outros partidos da esquerda não se justifica se não for a caça a uns votinhos que apenas obterão se vierem do PS. Se as direitas juntamente com o PSD ganharem estas eleições bem podem os seus adeptos agradecer ao BE e ao PCP-CDU. Por mais que afirme o contrário, Catarina Martins e o BE, e também o PCP, foram quem nos mergulhou nesta situação tão lesiva para todos portugueses que ela diz defender repetindo sempre a mesma cassete.

Ainda a propósito da campanha eleitoral, mas noutro sentido, o cinismo e a hipocrisia dos partidos estão a caminho da confirmação da triste evidência que é a de não cuidarem da salvaguarda da sobrevivência da democracia e da defesa do bem comum em termos de saúde pública perante esta nova realidade sanitária demonstrado nos comportamentos nas arruadas, tudo ao molho e fé no quer que seja.

É fácil preverem-se discursos futuros com narrativas eivadas de cinismo desculpando-se com o governo em transição se a coisa der ainda mais para o torto no que respeita a esta pandemia que está a propagar-se e que poderá vir a entrar numa fase sem controle.

Os líderes do CDS, do Chega e da IL deslocam-se pelo país mostrando-se sem máscara ou só a colocando quando as câmaras das televisões os captam e, mesmo assim, esquecem-se de as colocar. Não dão muito nas vistas porque a sua capacidade de atração nas arruadas não funciona tão bem nem se aproxima da dos apoiantes do PSD e PS que fazem autênticas aglomerações de irresponsabilidade sanitária.

Fazemos caricatura do líder de partidos como o ADN – Alternativa Democrática Nacional que se insurge contra as restrições e se nega a ser testado à covid-19 troçando dos cidadãos responsáveis quando estes que se protegem a si e aos outros e ao mesmo tempo os partidos ditos responsáveis zombam de nós todos quando os vemos  nas arruadas durantes a campanha para as legislativas como se nada estivesse a acontecer passando aos cidadãos uma imagem de irresponsabilidade transmitida pelos dirigentes partidários.

Durante esta campanha para as legislativas trata-se tudo menos do que realmente interessa aos portugueses e brandem argumentos para tudo desde que sirvam para cada um puxar a brasa à sua sardinha. Tudo lhes serve para ajudar ao seu querido partidinho de direita e de extrema-esquerda. Baseiam-se em pequenos casos e generalizam. A generalizações podem degenerar em mentiras. É como a tal coisa de irmos a uma janela, vermos uma andorinha, abrimos a janela e gritarmos para a rua: “OLHEM JÁ É PRIMAVERA, JÁ É PRIMAVERA”. Afinal estava um frio de rachar, como está hoje, e afinal ave não era mais do que um pardal. Curem-se, mas é!  

Mesmo que se confrontem com a realidade ao pé da porta o instinto clubista rejeita argumentando que demonstram essa mesma realidade. Isto é, buscam argumentos para distorcer a realidade que perpassa nos seus olhos.

Com o cheiro do poder tudo serve para defenderem o seu clube partidário cujo “treinador” antes renunciavam, mas que agora lhe tecem elogios correndo atrás dele. Vejam-se como os neoliberais “passistas“ como Montenegro, e outros que se agarram agora a quem antes queriam derrubar para darem uma ilusão de união. São estes que irão pressionar Rui Rio/PSD a modificar o seu programa inconsistente para um outro onde o neoliberalismo se imporá como no tempo de Passos Coelho.    

Há treinadores sobreviventes apesar das propostas que apresentam serem demagógicas e, na prática difíceis de concretizar, e eles sabem-no.

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publicado às 19:37

Ditos e escritos daqui e dali

por Manuel_AR, em 20.01.22

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Pelo que se escreve na imprensa, nas redes sociais e se diz nas televisões podemos ter uma visão aproximada do que se pensa ao decorrer desta campanha eleitoral. Assim, sintetizei algumas opiniões e comentários que circulam e que compus de forma coerente utilizando critérios de aproximação ou de afastamento de acordo com as minhas.

Os pontos que se seguem não são uma transcrição de citações, são as minhas opiniões expressas em coerência com os meus pontos de vista, suscetíveis, como é óbvio, de críticas.   

  1. Todos termos visto nos diferentes órgãos de a comunicação social reivindicações de organismos privados e públicos que passam pelos agricultores, comércio, indústria, saúde, justiça, etc. Acredito que estas reivindicações por mais aumentos, mais meios, mais pessoal e mais subsídios sejam justas e necessárias. Todavia, se pensarmos que ao satisfazer-se a justeza das exigências apontadas logo concluiríamos que se iria cair num descalabro financeiro do Estado com altos défices nas contas públicas e elevadas dívidas externas, conduzindo a situações idênticas ou piores às que nos trouxeram a troika. Face a isto, começo a pensar se não estarão todos desejosos que tal aconteça para justificarem uma subida ao poder da direita neoliberal que logo recorrerá, mais uma vez, a severas medidas de austeridade e outras idênticas para equilibrarem as finanças e agarrarem a oportunidade para culparem o partido do governo o causador desse descalabro. Vamos lá então ver se nos entendemos sobre o queremos para o país!

 

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  1. Começo pelo que tem sido mais comentado e criticado, a maioria estável pedida pelo Partido Socialista. Entenda-se por maioria estável uma maioria absoluta e, como consequência, António Costa ser primeiro-ministro. Com António Costa numa maioria absoluta é possível conviver sem receios. O mesmo já não se poderá dizer duma maioria de direita PSD e, ainda menos, se coligado com outros partidos como por exemplo o partido da extrema-direita Chega cuja hipótese não foi convictamente afastada por Rui Rio. Lembremo-nos dos Açores.
  2. Acordos parlamentares de esquerda do PS com o BE e PCP em princípio e no meu ponto de vista são soluções a afastar devido à perda de confiança consequente da irresponsabilidade pelo chumbo do Orçamento de Estado para 2022 alinhados com a direita. Assim, só uma maioria absoluta do PS poderá evitar pressões parlamentares que aqueles partidos farão para condicionar a governação, causando instabilidade.
  3. Há por aí quem pergunte se Rui Rio fizesse tudo o que está a prometer não poderá conduzir o país a uma nova crise. A resposta é afirmativa. Como ele próprio esclareceu em vários debates tudo o que promete é condicional justificado com uma possível aproximação de uma crise que se vislumbram, pelo que reconhece a possibilidade de adiamento das promessas que será inevitável, desconhecendo-se durante quanto tempo. Ora, como se avizinha uma crise económica e social devido a contextos exteriores o pretexto para o não cumprimento das promessas tem as portas entreabertas.
  4. Outra pergunta interessante que se coloca é a de saber quem é o grande inimigo do BE e do PCP que é preciso abater? É a direita? A resposta é imediata – Não, é o PS. Interessante a resposta até porque podemos fazer uma outra pergunta: Quem é que o BE e o PCP estão a ajudar nesta campanha eleitoral? A resposta é inequívoca: são a extrema-direita e a direita PSD, claro! A extrema-direita e o PSD agradecem a ajuda do BE e do PCP. Isto já foi visto no passado quando BE e PCP provocaram a queda do governo PS dando lugar à maioria de direita.
  5. A coordenadora do Bloco de Esquerda é uma atriz extraordinária acusou André Ventura do Chega. Ao que lhe diz respeito ele saberá porquê. No meu entender, e se bem me lembro, Catarina Martins passou da extrema-esquerda antissistema, revolucionária e contestatária a mostrar-se agora com uma faceta de política sedutora e calma que se quer afirmar como cooperante. Pelo meio vai acusando outros (leia-se PS) de que se não existe mais cooperação é porque esses outros não querem, diz ela. E porquê? - Perguntam vocês. Porque em primeiro lugar gostaria de submeter o PS à execução de políticas destrutivas, em segundo lugar para caçar aqui e ali uns votinhos de alguns indecisos e de descontentes com tudo e com todos. Não podemos afirmar com convicção que Catarina Martins é falsa. Faz parte do seu número de teatro a que a obriga a caça ou à dispersão de potenciais votos no PS, com o objetivo único de evitar uma maioria absoluta do PS.
  6. O BE e o PCP pretendem que a votação no PS seja a mais baixa possível, ainda que os votos vão para a direita, desta forma terão mais margem de manobra para, no contexto da Assembleia da República, pressionar o PS para impor políticas radicais. Sem uma maioria muito significativa do PS fica-se novamente na dependência das extremas-esquerdas do BE e do PCP com as inerentes dificuldades de governação pior do que a “geringonça”, ou, então, caminha-se para o país ficar na dependência da direita.
  7. Na campanha que a esquerda anda a fazer, não tenho a certeza se foi João Oliveira do PCP, andam por aí a dizer que se a direita ganha poderão vir campanhas de contestação socia e a instabilidade. Mas que raio de ponto de vista. Os portuguese não gostam que os ameacem e, quando assim é, vão mesmo para o outro lado. PCP e BE vejam se se acalmam. Estão muito agitados por debaixo dessa calma que aparentam.
  8. Há ainda os que falam e relembram com saudosismo o tempo de Salazar, (André Ventura recuperou a matriz do modelo do regime salazarista “Deus, Pátria, Família” ao qual acrescentou “Trabalho”). O regime de então utilizava todos os meios para neutralizar e difamar quem se lhe opunha. Atualmente a extrema-direita e a direita democrática utilizam a mesma estratégia da difamação.
  9. No caso de Ventura a suas narrativas populistas e demagógicas para baralhar a população são abissais. Então André Ventura não se tem afirmado contra a quantidade e qualidade de pessoas que recebem o RSI? Pois é! Mas a última dele foi negar agora o que afirmou poucos dias antes. Vejamos a resposta que deu ontem quando um jornalista lhe fez uma pergunta sobre o número de casos de “subsidiodependência no país”, à qual respondeu baralhando, para confundir, o que disse com o que não disse: “Como é que quer que eu tenha dados concretos sobre pessoas que recebem o RSI e que não devem? É você que os tem? As pessoas só veem e sabem que é assim. Sabemos quantas pessoas recebem RSI. Não sabemos, infelizmente, quantas pessoas o recebem indevidamente”.  Podemos deduzir que André Ventura passou do ser contra o RSI para o “fiscalizar a sério”. Isto é, quer saber das quarenta e tal mil pessoas que recebem RSI para quais são as “dezenas de milhar” (?) que o recebem indevidamente. Para saber quantas pessoas recebem aquele tipo de apoios, basta consultar AQUI. O problema de Ventura é o de saber quais os que o recebem e têm Porches à porta. Por outro lado, isso da fiscalização todos os partidos, da esquerda à direita a querem! Deixemos por agora o troca tintas.
  1. Voltando a António Costa. Em 20 de setembro de 2019 a revista alemã Der Spiegel escrevia sobre a “receita” do “confiável socialista” António Costa. Considerava assim como confiável o primeiro-ministro de Portugal. A autora, Helene Zuber, escrevia então: “Ele sabe como tirar um país da crise. O primeiro-ministro de esquerda, António Costa, salvou Portugal da falência. Enquanto isso, a economia está a crescer. Agora está prestes a ser reeleito. Qual é a sua receita para o sucesso? Quando António Costa conhece pessoas olha-as diretamente no rosto e sorri. Curioso, o primeiro-ministro português aproxima-se de colegas como Angela Merkel, aperta as mãos educadamente antes da entrevista ao vivo na televisão, ouve atentamente os cidadãos que se dirigem nas ruas ao seu chefe de governo. Parece estar sempre de bom humor, com o olhar levemente irónico dos olhos escuros por trás dos óculos sem aro. O simpático governante Costa, com seu governo de minoria socialista, tolerado pelos comunistas e pelo bloco de esquerda trotskista, resistiu por quatro anos - um feito que quase ninguém esperaria que ele fizesse. Dando-lhe o epíteto de "Geringonça", a oposição zombou da aliança quando assumiu o cargo há quatro anos. Costa tem um mandato bem-sucedido”.
  2. Quanto a Rui Rio Rui ele é um político popularucho que fala para o povo entender. Sem papas na língua diz o que pensa o que às vezes o prejudica. Daria um grande propagandista de feira com receitas para todas as maleitas. Nas entrevistas e nos debates mostra-se um exímio vendedor de um qualquer produto que alguém, se não pensasse, não hesitaria em comprar. Há, todavia, um problema. É que, depois do comprador abrir o embrulho e ao acabar de verificar que o produto verificaria que estava com defeito e que a devolução do material era impossível.
  3. Próximo de eleições a direita cata casinhos e tudo o que seja desfavorável que transformam e exageram para parecerem importantes. Esmiúça tudo para desviar o vazio apresentado nas suas propostas.
  4. O que Rui Rio diz disse no passado não têm muita relevância para o atual contexto. É uma incógnita o que se irá passar se ele ganhar as eleições e se uma potencial crise se confirmar. O que ele disse em 2017, quando candidato à liderança do PSD, ao responder a uma pergunta sobre a mudança de linha de rumo do partido, caso fosse eleito, assegurou que não iria haver mudança de estratégia e deu o exemplo da ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, com quem teve divergências mas que, no seu lugar, seguiria a mesma linha, e que faria "igual" ou faria “pior” do que a governante.
  5. Então dr. Rui Rio, ir para o Governo e encontrar contas certinhas era tão bom não era?

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publicado às 17:02

Mais do mesmo e o bluff da maioria absoluta

por Manuel_AR, em 24.11.21

Bluff das esquerdas (1).png

Neste blog já abordei o tema do temor de maiorias absolutas manifestado pelo PCP e pelo BE. A propósito entrou na calha a vez a Jorge Cordeiro, membro da comissão política do PCP, defender, quinta-feira 11 de novembro, que uma maioria absoluta aproximaria o PS de uma política de direita e premiaria o partido que "devia ser castigado" ao mesmo tempo que acusa António Costa de apropriação de propostas apresentadas pelo PCP.

Acusa e tenta descredibilizar António Costa ao afirmar que ele fez bluff nas negociações porque queria eleições legislativas antecipadas e acusa ainda o PS de se apropriar “indevidamente” de propostas do PCP para as incluir no programa eleitoral com que se apresentará ao eleitorado nas eleições de 30 de janeiro. Permitam-me duvidar de Jorge Cordeiro. Será que o bluff vem só de um lado? Durante todo o debate sobre o OE para 2022 o bluff partiu do PCP.

Como pode ler aqui as maiorias absolutas são, para o BE e para o PCP, uma obsessão fóbica. Estes partidos e os seus dirigentes têm um medo patológico de carácter obsessivo de que se possa vir a concretizar uma maioria absoluta do PS o que se torna evidente quando Jorge Cordeiro concretiza que “o PS tinha um objetivo: alcançar a maioria absoluta, porque imagina que com essa maioria absoluta pode ficar mais livre para fazer aquilo que quiser”.  

A pergunta que também que se pode colocar é: e se a direita conseguir uma maioria absoluta já não há problema? A atitude anti PS é uma visão das esquerdas radicais que parece indiciar que, para elas, é pior uma maioria absoluta do PS do que uma maioria absoluta da direita PSD sem ou em coligação com outros partidos como já se verificou no passado quando o BE e o PCP votaram ao lado da direita abrindo alas ao governo de Passos Coelho.

O empenho em recuperar votos perdidos é tal que o bom senso se perde na verborreia partidária do PCP e do BE. Uma coisa é fazer campanha para fazer passar uma mensagem com propostas concretas ao eleitorado para captar votos, outra é fazer campanha com ataques sistemáticos, sem fundamento válido. É evidente o objetivo. O partido de onde poderão captar alguns votos, por algum descontentamento, é o PS.  A atitude anti PS do PCP não é nova. No passado o seu alvo de ataque era também o PS. Aliás, Jorge Cordeiro não se acanha em afirmar isso mesmo: “as eleições são uma oportunidade para o reforço da CDU com a garantia de que com mais deputados poderemos ter melhores condições para assegurar uma trajetória política no país que valorize salários, direitos e o SNS”. Nada de novo, as ferramentas mobilizadoras do PCP para melhorar e fazer crescer o país são os sucessivos aumentos de salários, aumentar direitos e ao mesmo tempo reduzir deveres e menos horas de trabalho. A demagogia no seu melhor. Tudo isto é socialmente justo desde que isso não possibilite debilitar empresas, aumentar o desemprego e quebrar o país. Quanto ao SNS, o BE e o PCP nada concretizam, a direita também faz oposição utilizando os mesmos argumentos, portanto, também aqui nada de novo o que nos apresentam aqueles partidos.

Quando há eleições, como os portugueses já se habituaram, o objetivo assenta na tónica do ataque ao PS. Para aqueles partidos o alvo não é a direita. A direita, para o PCP e o BE, transforma-se então numa aliada.

Tal e qual como diz Fernando Rosas num artigo de opinião com o título Tempo dos Oráculos onde critica comentadores que, segundo ele, “sentenciam que a esquerda consumir-se-á no fogo dos infernos e o regresso ao bloco central ou à direita desenha-se certo nos despojos da razão.” Nem a propósito,  porque para se ter o voto dos eleitores o que importa são as intervenções que o intimidem e manipulem. O voto pelos projetos para o país, muitas vezes inexequíveis, ficam para segundo plano.  

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publicado às 19:35

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A campanha pré-eleitoral para as autarquias começa a levantar fervura, em Lisboa prevê-se que irá entrar em ebulição com o confronto entre os dois protagonistas, Carlos Moedas e Fernando Medina. O primeiro é o homem das pessoas, o segundo o homem da Lisboa verde centrado nas bicicletas e nas trotinetas.

Desde que Medina resolveu fazer crescer e espalhar bicicletas e trotinetas de aluguer por toda a Lisboa o desregramento e o desrespeito com a circulação das ditas foi aumentando na mesma proporção. É frequente um cidadão ao deslocar-se calmamente pelo passeio que lhe está destinado para circular encontrar uma trotineta abandonada, caída ou estacionada, no meio do passeio na qual se arrisca a tropeçar, caso se distraia.   

O incentivo à deslocação por velocípedes e trotinetas com total desprezo pelas pessoas que não têm possibilidade de pedalar pelas “vias verdes” das duas rodas também tem um objetivo lucrativo para a empresa Gira que pertence à EMEL que oferece esses serviços por esta Lisboa que não é para todos.

Carlos Moedas não nos fala de pedalar por Lisboa, apresentou o programa para a cidade, mas, como os de qualquer outro candidato, o programa é eleitoralista e inexequível num período de um mandato. Moedas promete uma dúzia de medidas (à dúzia é mais barato) que sabe não poder cumprir a curto prazo se, porventura, chegar a ganhar as eleições. Promete a Lua e o Sol às pessoas, vende-lhes esperanças e ilusões.

Faz olhinhos e sorrisos aos idosos, à cultura, aos automobilistas no que se refere ao estacionamento, prometendo diferenciar os moradores na cidade dos não moradores nos preços do estacionamento cobrados pela EMEL que seja 50% mais barato na cidade. Quer fazer a transição para uma cidade verde com a criação de um seguro de saúde para pessoas maiores de 65 anos com dificuldades económicas e tornar os transportes públicos gratuitos para "avós e netos" (maiores de 65 e menores de 23). Será para alimentar as companhias de seguros privadas? Quanto ao Parque Mayer disse que tem de ser um centro nacional de Cultura, que reúna espetáculos profissionais e espaços de aprendizagem artística, chefs a começar e os melhores chefs do país a aprender e a cozinhar e espaços de co-work. Isto tudo em quatro anos?

 Caso seja eleito, promete, irá também reduzir a taxa de IRS na capital, devolvendo aos lisboetas nos primeiros cem dias de mandato os "32 milhões de euros que vão para a Câmara de Lisboa" e propõe isenção de IMT (Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis) para jovens até 35 anos que comprem habitação própria em Lisboa.  Mas, afinal, não se tem falado na desertificação do interior e proposto incentivos para quem para lá se instalar?

Mas, há mais, pasme-se, um teatro em cada freguesia (porque, segundo o programa do candidato, "o setor cultural em Lisboa tem um problema crónico de falta de espaços acessíveis para quem está a começar").

Moedas disse que quer ainda "ligar a cidade ao Tejo desde Algés até ao Cais do Sodré", o que poderá passar pelo "enterramento parcial da linha ou um metro de superfície". "Sei que o enterramento total daquela linha é impossível, mas também sei que há partes que podem ser enterradas. Este projeto é essencial para a cidade", frisou. Mas atentem: Moedas diz que quer, mas, ao mesmo tempo, diz que o enterramento total daquela linha é impossível. Isto é, quer, mas não pode então não vale a pena prometer se não pode.

O grande banquete que Carlos Moedas oferecerá aos cidadãos da cidade de Lisboa continua e não para quando diz que irá também lançar um programa de apoio monetário à reabertura de empresas encerradas por causa da pandemia: "Os empresários precisaram de ser protegidos e a Câmara Municipal falhou-lhes. Agora, precisam de ter uma oportunidade para se voltarem a pôr de pé. O cheque Recuperar + oferece um apoio a fundo perdido para que quem investe a Lisboa volte a ter uma hipótese de criar valor na cidade, esclareceu.

O programa eleitoral deste candidato encabeça uma coligação com o CDS, PPM, MPT e Aliança, mas o que de Carlos Moedas não disse é com que dinheiro irá fazer frente às promessas e às despesas da Câmara?

O que tenho escrito sobre a candidatura de Carlos Moedas mantem-se, é uma candidatura de algum modo populista nas suas propostas ao mesmo destituída de carisma, vazia e preenchida para o momento de acordo com as necessidades e é previsível que pode mudar. A candidatura é ainda caracterizada por uma miopia no que se refere ao que é gerir uma Câmara como a de Lisboa. Não basta o currículo do candidato e a sua movimentação nos corredores das burocracias e das assessorias, sem contacto com as pessoas, com o povo, para tornar forte esta candidatura. A comunicação social poderá ter um papel num projeto populista. Um líder e o seu programa só é populista se os media lhe derem espaço necessário para a sua construção.

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publicado às 19:10

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Todos conhecemos a casa que ganhou fama e tornou-se um ponto de encontro, por excelência, em Lisboa, ali ao pé do Rossio frequentada por indivíduos de todas as classes sociais e faixas etárias que se reúnem na Ginjinha Sem Rival para um copito e dois dedos de conversa. Pode parecer paradoxal, mas é, na verdade, um reflexo de quem não precisa de 'provar' que a sua ginja é mesmo boa.

O candidato para Lisboa das pessoas, para as pessoas e dos “Novos Tempos” escolhido por Rui Rio parece querer ser uma espécie de “Ginja Sem Rival”. Não duvido da competência de Carlos Moedas, isto porque tenho acompanhado a sua carreira através dos órgãos de comunicação e, sobretudo enquanto esteve na Europa desde 1 de novembro de 2014, data em que tomou posse na Comissão Juncker como Comissário da União Europeia para a Investigação, Ciência e Inovação.

Mas há um senão no meu reconhecimento das suas competências que depende também do ponto de vista de cada um. O meu, por exemplo, refere-se ao tempo em que fez parte do Governo de Passos Coelho (PSD/CDS) como Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, conferiu-lhe algo de negativo ao integrar a equipa governativa PSD/CDS como representante do partido nos encontros com a delegação da UE-FMI-BCE (troika) no âmbito da negociação do programa de ajustamento económico e financeiro, tendo ajudado a negociar o Orçamento do Estado de 2011.

Moedas surge como uma tábua de salvação para o PSD e para Rui Rio na tentativa de evitarem ou equilibrarem dum tropeção que anteveem nas próximas legislativas. Todos os comentadores políticos afirmam que as próximas eleições autárquicas serão um teste a todos os partidos, mas, mais necessário ao PSD para tentar minimizar as quedas e reanimar as hostes dando-lhes algum ânimo para as eleições legislativas.

O candidato escolhido pelo PSD foi Carlos Moedas, como se costuma dizer, do mal o menos, porque a escolha poderia ser delirantemente perigosa se caísse na candidata do PSD para a Amadora, Suzana Garcia, que aceitou depois de ter andado hesitante entre os convites do CHEGA e de Rui Rio. Suzana Garcia é uma senhora que ficou conhecida por comentar na TVI, onde colecionou um léxico brilhante utilizado num discurso racista e xenófobo como o de chamar “gentalha” aos cabo-verdianos, por exemplo. Poderão dizer que foi retirado do contexto, mas que foi dito lá isso foi. É uma senhora que foi educada assim em colégios de freiras na África do Sul durante o apartheid, segundo ela própria disse numa entrevista a um podcast.

Quanto mais próximo da extrema-direita estiver o PSD tanto melhor, até ao momento em que os eleitores do PSD pensem: ora, é indiferente, desta vez voto CHEGA.

Se Moedas estará à altura só o saberemos mais próximo das eleições. Por enquanto a sua campanha está centrada sobre promessas não cumpridas de Fernando Medina mostrada de forma caricatural, no entanto resta-nos saber se virá a ser bem-sucedida com reflexos em potencias de votos.

Pelo menos Carlos Moedas não poupa críticas. Segundo ele a câmara de Medina não tem visão, nem execução e não tem “a participação das pessoas que nunca teve”, defendeu no início do mês o cabeça de lista da coligação de direita que junta PSD, CDS-PP, PPM, MPT e Aliança à Câmara de Lisboa. Moedas aposta nas pessoas e em assembleias de cidadãos. “Quero criar uma assembleia de cidadãos para Lisboa, uma assembleia que seja diferente, que não vai substituir o que temos, mas que vai complementar, com pessoas diferentes” prometeu ele.

Numa pergunta de retórica continua ainda Moedas, “Alguém ouviu as pessoas que todas as manhãs se levantam na Almirante Reis e que vêm à rua completamente bloqueada com uma ciclovia que cria poluição? As ciclovias não são para a poluição, são para retirar a poluição, são para descarbonizar a cidade”.

Analisemos com raciocínio liberto de partidarismo o equívoco das assembleias de cidadãos propostas por Moedas. As assembleias de cidadãos, propostas pelo candidato do PSD, parecem ser numa adaptação pela direita das assembleias populares onde se juntam comissões de moradores, comissões de trabalhadores e outras estruturas de base que tomarão a seu cargo iniciativas locais, com fiscalização tendente a uma progressiva tomada de poder pelos organismos populares como no tempo da “Aliança Povo – MFA (Movimento das Forças Armadas) agora ao modo da direita. Ou será apenas mais um grupo de diversão sem efeitos práticos nas decisões?

Mas Moedas vai ainda mais longe quando promete que "Não podemos voltar a ser surpreendidos. A cidade de Lisboa precisa de ter ao dispor dos lisboetas um plano de contingência sobre futuras pandemias que dê alguma previsibilidade, segurança e confiança social e económica" e, para isso apresenta Pedro Simas, aquele que “representa o que de melhor há na ciência aliado à proximidade com as pessoas". "É este vínculo entre os especialistas e a sociedade civil que nos permitirá dar resposta aos anseios das pessoas", acrescenta o candidato do PSD à Câmara de Lisboa.  E, para corroborar, o virologista Pedro Simas adianta que vai reunir "um conjunto de especialistas na área da saúde pública" para apresentar "em breve um plano de contingência que traga a previsibilidade necessária para quem vive, trabalha ou visita Lisboa". Será uma façanha já que parece ser algo que ninguém ainda conseguiu em alguma parte da Europa e do Mundo, nem a OMS, antecipar uma epidemia e preparar um plano de contingência sem que a mesma se tenha evidenciado e sem que haja medidas para a sua propagação.

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Quanto a Medina o caso é mais obras. Mostrar as obras que fez para “encher o olho” que, afinal, é o que interessa, é o que o povo vê, mesmo que elas lhe venham a servir de pouco ou nada. Mudar a cidade com coloridas ciclovias pintadas a verde confere um “look” ecológico, dá nas vistas e também é mudar a cidade.

Nem os idosos foram esquecidos (à parte as bicicletas, as trotinetas e té skates andarem nos passeios que os colocam em risco) no que à calçada portuguesa se refere foi substituída por placas que lhes evitam os tropeções e as quedas. Mas quantos aos embates das bicicletas e das trotinetas que se lhes apresentam pela retaguarda, isso, depois, logo se vê. Assim como a atenção redobrada do peão ao atravessar as vias destinadas aos automóveis e agora também às bicicletas e às trotinetas, para já não falar dos skates.

Atenção peões se não tiverem atenção e se não apanharem numa passagem de peões com um automóvel vão ser cilindrados por uma bicicleta ou uma trotineta a alta velocidade que os pode conduzir ao hospital ou lugar ainda pior. Ou ainda, pode ser cilindrado por uma bicicleta nos passeios, (mesmo havendo ciclovias), que se aproximam silenciosamente que nem dá tempo para se afastar. Enfim, os passeios deixaram de ser espaço para circulação de peões e passaram a ter que ser compartilhados com bicicletas, trotinetas e outros que tais. A Lisboa de Medina, ao contrário da de Moedas, deixou de ser para as pessoas e passou a ser para as bicicletas trotinetas e quem não saiba, ou não possa, andar de bicicletas o melhor é não sair de casa mesmo que seja para passear porque elas andam para aí à solta e em roda livre.

Assim, talvez Moedas tenha razão ao falar tantas vezes nas pessoas.

Medina coloriu Lisboa e encolheu faixas de rodagem provocando engarrafamentos de ponta em toda a hora mesmo de não ponta. Pois andem de bicicleta, pode propõe o autarca com a ajuda de outdoors colocados por todo o lado. “Sempre que possam vão de bicicleta”, inclusivamente para levar os filhos à escola.

Por sua vez Moedas em grandes cartazes assobia uma frase pomposa “Lisboa pode ser muito mais do que imagina”. Cada um de nós imagina Lisboa à sua maneira. Como é que Carlos Moedas a imagina, como cada um de nós a imagina não sabemos, só ele saberá!

Se Fernando Medina, no que se refere ao aspeto ambiental e paisagístico da cidade, fez melhorias temos que lhe dar conceder esse valor.

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publicado às 19:34

A estupidez que os pariu

por Manuel_AR, em 23.06.21

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Quem não tem cão caça com gato. Embora o cão seja o ajudante do caçador, quem não o tem, porque um cão de caça é caro e custa a manter, recorre ao gato para o mesmo efeito. A caça é que não vai deixar de se fazer. Transferindo este ditado popular para a política os caçadores são os partidos, como o PSD, por exemplo, conduzido por Rui Rio e os outros à sua direita como as iniciativas e partidos extremistas que surgiram das últimas eleições. Estão neste role a Iniciativa Liberal e o Chega. Porque não têm ideias, nem um projeto, nem uma visão para o país nem para a cidade de Lisboa enredam-se em questões menores e casuais para fazer oposição. Sem alternativas e projetos credíveis dedicam-se à calhandrice política pegando em casos que em nada contribuem para a melhoria do país e das pessoas. É a caça ao poder para substituir umas clientelas por outras. O que muda é o partido.

A tábua de salvação de Rui Rio e do PSD para subir na sua credibilidade é o ato eleitoral para as autarquias que se aproxima a passos largos. Ou o PSD alcança bons resultados, especialmente em Lisboa, nem que, se não obtiver maioria, tenha de fazer umas alianças com as direitas CDS+PPM+MPT+ALIANÇA, mesmo chegando-se às mais radicais como o CHEGA. Uma miscelânea de direita, muito pior que a geringonça.

Rui Rio e o PSD necessitam de mostrar serviço nem que seja através de fazer oposição do vale tudo, ainda que Rio tenha que retirar do seu léxico a frase “a bem do país”, isto é, como já em tempo afirmou "eu opto pelo interesse nacional e não pelo interesse tático do partido". Segundo Rui Rio, as próximas eleições autárquicas são "absolutamente decisivas", porque "o que determina em primeira linha a força de um partido na sociedade não é número de deputados, é o número de autarcas".

Nesta sequência avança com Carlos Moedas para a autarquia de Lisboa. O chavão “Novos Tempos” na candidatura de Carlos Moedas faz todo o sentido porque nos recorda, não apenas os velhos tempos em que foi ministro de Passos Coelho, mas também a pretensão de iludir os eleitores com o jargão ”novos tempos” para os conduzir ao pensamento dos “velhos tempos”.

Carlos Moedas integrou o XIX Governo Constitucional e fez parte do Executivo durante a maior parte do seu período de vigência. Foi considerado o braço-direito do primeiro-ministro Passos Coelho, facto que o colocou em destaque nas relações entre o governo português e os responsáveis da troika que acompanhavam os progressos do programa de assistência financeira do FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia em Portugal.

 Recordemos que Sampaio da Nóvoa, nas eleições presidenciais de 2016, disse que queria vencer as eleições em nome de um “tempo novo” que teria começado no país. Carlos Moedas transformou aquele slogan em “novos tempos” numa espécie de anástrofe ou inversão.  

Carlos Moedas na apresentação da sua candidatura disse que a sua maneira de fazer política seria diferente, mas, rapidamente passou por uma metamorfose transformando-se numa espécie de André Ventura com um populismo em versão light.  

Se eu quiser votar em Moedas, desconheço qual o seu projeto objetivo para a cidade de Lisboa. A sua oposição a Medina baseia-se em aproveitamentos de oportunidades que lhe vão caindo nos braços baseadas em tricas que nada têm a ver com o projeto lisboeta nem com o que critica ficando-se sem saber o que está mal, o que faria melhor, ou o que alteraria na cidade de Lisboa. Anda ao sabor da corrente e das marés que, ora sobem, ora descem. Anda a surfar nas ondas do oceano escuro das suas propostas e alternativa equilibrando-se com críticas descabidas e desproporcionadas dirigidas para olhos menos atentos que apreciam este tipo de discurso.

Considero Carlos Moedas uma pessoas inteligente, mas, a inteligência não é incompatível com incompetência e com impreparação para certas áreas e para determinadas funções. A experiência tem o seu peso em áreas muito específicas. É por isso que muitos autarcas falham por serem apenas nomeações políticas. Carlos Moedas é o caso. Não enxerga o que é ser presidente de uma câmara como a de Lisboa.

Faltar-lhe-á a força política suficiente para se libertar do figurino do passado que o prende às medidas para além da troika de Passos Coelho pensando que é possível redesenhá-lo numa autarquia como Lisboa, com roupas mais atuais, daí os “tempos novos” o equivalente aos amanhãs que brilham e às auroras resplandecentes. Tudo quanto possa fazer em Lisboa terá o peso do neoliberalismo “passadista” de Passos que pretende aplicar à gestão da cidade, daí a sua miopia política que não o deixará enxergar mais longe com os seus raciocínios eleitoralistas de vistas curtas, à medida dos acontecimentos ocasionais que lhe vão parar ás mãos não raras vezes por proporcionadas pelos próprios adversários políticos.

Ao fazer oposição o seu pensamento é quadrado, tudo é preto ou branco, sem matizes. Daí a conferência de imprensa sobre o caso da informação às embaixadas pela Câmara de Lisboa onde faz associações que qualquer um considera serem estupidez de principiante. Tem-se mostrado um candidato obtuso e com argumentos descabidos dos propósitos que não acrescentaram valor a uma candidatura para uma autarquia como a de Lisboa. Mostrou existir uma relação entre uma tolice, isto é, um fraco nível intelectual e a maldade entendidos como o desprezo de outrem.

Carlos Moedas passou a entrar em delírio quando, sobre o caso das informações sobre os promotores das manifestações que foram comunicadas pela Câmara de Lisboa às embaixadas ao acusar Fernando Medina de ser “cúmplice” do Presidente russo Vladimir Putin. É um tipo de ataque que se insere nas margens cinzentas da política método que também está a ser acolhida em opiniões com máscara de respeitáveis, estilo que Moedas passou a perfilhar. Deixou de ser o Carlos Moedas de opiniões por vezes aceites por serem consensuais e com prestígio intelectual. Passou a entrar no jogo eleitoral da pobreza populista que é seguida pela extrema-direita.

Como é possível sem se ser doente, demente, senil, “maluquinho”, lunático, sem se ter as faculdades mentais diminuídas, se não se for próximo da direita radical, acusar alguém na sua essência democrática como tendo relações políticas perversas com Putin. Os que, assim, sem mais, fazem acusações deste tipo são os que, em suma, se colocam ao lado dos que defendem a essência corrupta da democracia e contra o absoluto do sistema corrupto.

A campanha para as eleições autárquicas ainda vai no início, mas o candidato Carlos Moedas já entrou em delírio.

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publicado às 12:25


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