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O cão de Boris Johnson

por Manuel_AR, em 15.12.19

O cão de Boris Johnson


PÚBLICO -



Foto: DYLAN MARTINEZ/REUTERS


(Vicente Jorge Silva, in Público, 15/12/2019)


Se política e comédia coexistem muitas vezes estreitamente, quando entram em choque frontal o resultado pode ser simplesmente catastrófico.







Eis, assim, uma hipótese de resumir os motivos que levaram os britânicos – com excepção dos escoceses e dos irlandeses – a contrariar uma convicção que se instalara através de múltiplas sondagens ao longo dos últimos três anos: a de que uma maioria dos súbditos de Sua Majestade seria, afinal, contra o “Brexit" e a favor do “Remain”. Ora, mesmo que essas sondagens reflectissem a realidade, a duração infindável de uma crise política centrada exclusiva e obsessivamente no “Brexit" tornou-se literalmente insuportável. Era preciso sair do pesadelo – e só Boris, com a ajuda providencial de Corbyn, o pior candidato trabalhista imaginável, poderia proporcioná-lo através de um dos seus golpes irresistíveis de comediante.



Apesar das possíveis semelhanças e familiaridade com outros políticos populistas – como Trump, Bolsonaro ou Órban –, o registo de Boris é outro: pode não ter vergonha de mentir descaradamente ou dizer enormidades ridículas, mas dificilmente o poderemos associar aos discursos do ódio e outras barbaridades mais ou menos extremistas que caracterizam essas personagens. Não por acaso, apesar das cumplicidades que partilham, Boris temeu durante a campanha eleitoral aparecer em público ao lado de Trump (como este desejaria).


Mas eis que chegou o momento da verdade, em que a arte da comédia se arrisca a contar pouco. Ou seja, como irá Boris descalçar a bota do “Brexit”, cuja história, afinal, está ainda muito longe de ter acabado, ou como conseguirá gerir as pulsões nacionalistas de escoceses e irlandeses? Aí começa outro capítulo deste folhetim que culminou, no capítulo anterior, na tal imagem enternecedora do cão de Boris, Dilyn, a ser beijado pelo dono. Se política e comédia coexistem muitas vezes estreitamente, quando entram em choque frontal o resultado pode ser simplesmente catastrófico.


PS – Outro género cómico está a ser cultivado por António Costa e Mário Centeno a propósito do seu diferendo sobre o orçamento europeu. Costa acha normalíssimo andar de candeias às avessas com o seu silencioso ministro das Finanças, como se não se encontrassem ambos, pelo menos, nos conselhos de ministros, e essa insustentável discordância que os opõe não causasse grande estranheza entre os nossos parceiros europeus. Além disso, acontece que nem Costa nem Centeno têm talento de comediantes…



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publicado às 19:13

Extrema direita_lideres_eleições.png


A decisão destas eleições encontra-se em muito na mão da população mais jovem que terão de escolher entre uma União Europeia construída em liberdade e com sacrifício e a sua destruição a troco de nada. Uma das respostas é evitar a abstenção.


As eleições europeias apresentam-se mais importantes do que as do passado. Quem preza a democracia no seu país deve contribuir para a preservar também no contexto europeu onde nos inserimos e só há uma forma: votar.


Isto por causa do atual contexto político, e da possível saída do Reino Unido e, ainda, devido a problemas regionais, como é o caso da gestão das fronteiras externas da União Europeia.


A abstenção nas eleições não é a saída para os problemas da U.E., bem pelo contrário, eles apenas se resolvem com a votação em massa nos candidatos que os podem resolver para não deixarmos os que fazem afirmações populistas prometendo modificá-la por dentro criando entropias no seu funcionamento com objetivos tendentes à sua desagregação.


Os jovens que circulam livremente pela Europa, quer através do programa Erasmus, quer através de qualquer outra forma com motivações várias, devem ser os primeiros a tomar consciência da gravidade da situação que pode advir do Parlamento Europeu vir a ter maioria dos partidos que pretendem limitar essa liberdade de circulação ao conseguirem impor nacionalismos exacerbados e outras limitações à liberdade dos cidadãos.


O resultado destas eleições encontra-se muito na mão da população mais jovem que terão de escolher entre uma União Europeia construída em liberdade e com sacrifício, que, de certo, deve ser melhorada, e a sua destruição a troco de nada. E a única forma é evitar a abstenção.


Os mais velhos que viveram a nossa adesão à comunidade das nações europeias se forem honestos podem ver quanto o nosso país progrediu e as melhorias lhes lhes trouxe apesar de alguns saudosistas do passado , à esquerda e à direita, pretenderem que Portugal volte à política do orgulhosamente sós com a saída da U.E. 


O referendo que trouxe o Brexit ao Reino Unido é o exemplo paradigmático do que aconteceu com um país rico e que está a braços com uma aguda crise política onde as sondagens dão a maioria a um partido o Brexit de Nigel Farage que nada tem para oferecer e que apenas aposta nos problemas que o Brexit tem trazido ao Reino Unido. E depois do Brexit que partido passa a ser este? O de oferecer soluções enganosamente simples para problemas complexos?


Passou a ser moda a imitação de Trump. Farage imita-o fazendo crer que vai tornar a Grã-Bretanha grande novamente. Um elevador direto da cartilha de Donald Trump.


Aquando do referendo “os mais jovens, 70% votaram pela permanência. Os eleitores mais velhos, que votaram pela saída, não estarão vivos para ver as consequências”. A decisão destas eleições encontra-se assim na mão da população mais jovem e de mentalidade aberta.


Os que tendo responsabilidades políticas falam contra aqueles a que chamam burocratas de Bruxelas, dos défices democráticos na U.E. e contra os que lá se encontram, dizem, não foram eleitos democraticamente são tudo mechas demagógicas e populistas. A estes, quando se lhes perguntam quais as alternativas atuais para alterar a situação nada dizem ou, então, dizem que concorrem às eleições para modificar por dentro a U.E. Sabemos bem o que significa, para eles, modificar a U.E. por dentro! O partido Brexit lança um fluxo de mentiras sobre traição e humilhação.


A desvalorização e a abstenção nas eleições europeias é como perdermos o nosso cartão de débito ou crédito com o código PIN escrito no próprio cartão. Mais tarde ou mais cedo alguém se irá aproveitar. Neste exemplo não sabemos que poderá vir a utilizá-lo, no caso das eleições sabemos bem que são os que se irão aproveitar. Não votar nas eleições europeias é uma espécie de cheques em branco passado aos partidos que se irão sentar no Parlamento Europeu.


O que temos de fazer é, com as eleições ajudar a bloquear a tentativa através dos meios democráticos disponíveis para que partidos radicais de direita se coloquem em maioria no Parlamento Europeu.


Em Portugal há dois partidos europeístas com representação relevante que poderão estar em linha para ganhar as próximas eleições são eles o PSD e o PS. O CDS será apenas uma ajuda à mão do PSD.


Na U.E. existem vários grupos ou famílias políticas onde os partidos europeus se incluem. Os grupos onde os dois partidos portugueses mais influentes estão incluídos são o PPE – Partido Popular Europeu* onde estão incluídos o PSD e o CDS e o S&D - Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas** onde se inclui o Partido Socialista.  


Para contrabalançar o peso da extrema-direita e do populismo no Parlamento Europeu que é o órgão legislativo da EU e é diretamente eleito pelos cidadãos europeus de cinco em cinco anos  só o grupo dos partidos do centro-esquerda como em Portugal o PS - Partido Socialista poderão, para tal, contribuir, já que o PSD, em algumas circunstâncias, aproxima-se de algumas das posições tomadas no Parlamento Euroipeu estando do lado dos partidos da extrema-direita


______________________________________________________


*Reúne, no essencial, Eurodeputados do centro-direita, favoráveis ao aprofundamento da integração europeia, mitigado pela subsidiariedade na repartição de poderes (isto é, seguindo a máxima “a Deus o que é de Deus, a César o que é de César”, o PPE é favorável a que os Estados mantenham na sua mão a atuação numa série de domínios sobre o quais a UE não tem ação exclusiva) e ao equilíbrio das contas públicas. Sendo o maior grupo político – e partido – há muito tempo, o PPE tem dominado e direcionado grande parte das questões europeias fundamentais deste século. Internamente, o partido tem vindo a lidar com críticas pela “tímida” condenação das políticas de Viktor Órban, Primeiro-Ministro Húngaro e membro do partido. Manfred Weber, líder do grupo parlamentar, é o candidato do partido à presidência da Comissão. São membros os MEPs do PSD e do CDS-PP e ainda José Inácio Faria (inicialmente no ALDE).


**Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D) – representam o contraponto do PPE à escala europeia e em grande parte dos Estados-membros, tendo conseguido a maior representação no Parlamento Europeu até 1999. Inclui membros de partidos sociais-democratas, principalmente de centro-esquerda. O partido político europeu a que pertencem é o Partido Socialista Europeu (PES). As principais prioridades são o aumento do emprego, a aplicação de um modelo redistributivo da economia e o desenvolvimento sustentável. Juntamente com o PPE formam o grande bloco decisor – e decisivo – das principais políticas europeias ao longo dos tempos. São membros os MEPs do PS.


 

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publicado às 18:00

Causa e consequência dos males do mundo

por Manuel_AR, em 21.04.17

Velhos e voto.png


A mensagem de que os velhos são a causa dos males que as sociedades enfrentam tem vindo a tomar corpo através de artigos de opinião e posições tomadas por alguns quadrantes interessados em encontrar bodes expiatórios utilizando, para tal, a comunicação social.


Na altura do Brexit surgiram títulos em que se pretendia fazer crer que os causadores tinham sido os mais velhos. «O Reino Unido está dividido. Não só pelos 3,8 pontos percentuais entre o ficar e o sair, mas também porque jovens e idosos votaram de forma distinta. E há quem diga que os velhos "lixaram" os novos.», dizia um título num órgão de comunicação online que apresentava gráficos de credibilidade duvidosa. Por ser secreto, o boletim de voto nada indica sobre a idade do eleitor. Assim, apenas restam pressupostos enviesadas donde se podem tirar apenas conclusões meramente especulativas baseadas em presunções falíveis sobre dados demográficos regionais. Por outro lado, há que procurar justificações para o falhanço que têm sido as projeções que davam a vitória do “Sim” à permanência do Reino Unido na UE.


O mesmo se passa com a vitória do “Sim” à atribuição de poderes absolutos a Edorgan na Turquia em artigos de opinião de jovens escribas, dinâmicos e cosmopolitas abertos ao mundo, ávidos de protagonismo no circulo da comunicação que sopram na mesma direção. Para um desses jovens da comunicação, na Turquia os jovens dinâmicos foram os perdedores devido a que, nos referendos, ganham os mais velhos socialmente conservadores. Claro, nem mais!


Para aqueles fazedores de opinião Erdogan aumentou os seus poderes graças aos mais velhos, já que a questão étnica relacionada com os curdos, tema em que os tais jovens dinâmicos e velhos parecem estar de acordo, parece não interessar. O voto dos curdos, cerca de 16% dos 80 milhões de habitantes, era uma das principais incógnitas do referendo e poderia fazer pender o resultado para o "sim" ou para o "não". Diversos setores curdos conservadores apoiaram o AKP, mas a maioria tem-se reconhecido no Partido Democráticos dos Povos (HDP, terceira força política no parlamento), que apelou ao voto contra a revisão constitucional e denunciou uma campanha desigual, em particular um tempo de antena quase inexistente.


É bom recordar que a integração europeia foi construída graças aos cidadãos que agora são os velhos que acusam de ser os causadores da saída. Em Portugal foram também esses que deram o seu apoio à adesão de Portugal à Comunidade Europeia (então CE), consumada pelo tratado de Lisboa - Madrid assinado em 12 de junho de 1985.


Aliás, pode constatar-se donde provem a tendência mais conservadora nas eleições em Portugal, se dos velhos que viveram o 25 de abril ou dos novos que nem sabem como isso foi. Para estes jovens dinâmicos, cosmopolitas e abertos ao mundo recomendo a leitura de Portugal em Chamas” de Miguel Carvalho.


Todos se recordam que aquele tipo de ideias tinha já sido lançado por um jovem dinâmico do PSD através do slogan “peste grisalha” para além doutros impropérios provenientes da mesma área.


Conservadores ou progressistas podem ser todos, novos ou velhos. Não depende dos desejos ou dos interesses de quem queira arranjar desculpas para a frustração das suas expectativas. As sociedades humanas são demasiado complexas onde inúmeras variáveis em presença não tem contemplação com análises simplistas com base em informações especulativas. Os que votam hoje conservador poderão amanhã votar progressista.


Das doutas opiniões destes jovens sabedores que não calcorrearam os caminhos do sucesso porque tudo lhes foi oferecido, não digo de mão beijada, mas pelas oportunidades que lhes foram proporcionadas pelos mais velhos, podemos tirar a conclusão de que o envelhecimento da população empurra as sociedades para o conservadorismo, mesmo aqueles que, quando jovens eram acusados pelos mais velhos da altura de serem revolucionários. 


Não servindo de comparação, recordo que há várias formas de se criarem bodes expiatórios como aconteceu no Terceiro Reich ao ser lançada pela propaganda nazi a mensagem de que a causa de todos os males que assolavam a Alemanha de então eram os judeus. Após a perda da Primeira Guerra Mundial os judeus passaram a ser bodes expiatórios da ruina financeira e económica que a Alemanha atravessava já que, quase metade de todos os bancos privados alemães pertenciam a judeus, a bolsa de valores era dominada por negociantes judeus, quase metade dos jornais da nação eram comandados por judeus assim como 80% das lojas de departamentos.


 

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publicado às 20:27

Censura_4.png


Quem lê os meus “posts” sabe qual a minha posição sobre uma direita ambígua na oposição que vem perdendo dia a dia a credibilidade. Pronunciar-se contra a direita ou contra a esquerda é um direito que assiste a qualquer cidadão. Outra coisa são as tentativas de boicote a iniciativas que a democracia e as suas instituições possibilitam, venham elas da direita, da esquerda ou da chamada extrema esquerda.


Não me identifico com os pontos de vista de Jaime Nogueira Pinto com quem politicamente discordo por ser um conservador de direita que revela, por vezes, algum saudosismo do passado, assim como não me identifico com os de Paulo Portas, de Catarina Martins, de Jerónimo de Sousa ou de quaisquer outros que defendem as suas ideias em ambiente de democracia.


Não encontro justificação para o que se passou na FCSH, nem é legítimo que se proceda a manobras intimidatórias e atentatórias da liberdade de expressão dentro duma universidade, ou qualquer outra instituição democrática, para evitar que se debatam temas que estão na ordem do dia e aos quais não se podem fechar os olhos como se pudessem tapar o sol com uma peneira.


Debater não significa doutrinar e, por isso mesmo, se esgrimem argumentos consoante diversas correntes de opinião. Pode haver quem prefira o unanimismo de opiniões, mas esses coabitam mal com a democracia. É assim!


A juventude é por vezes dada a impulsividades e radicalismos mais emocionais do que racionais e, só assim se compreende as atitudes que terão sido interpretadas como o exagero da ameaça de boicote que conduziram a receios e a precauções, provavelmente infundados, por parte dos responsáveis da universidade. Não é admissível em democracia. Também não faltaram alguns, como uma tal organização denominada Nova Portugalidade, responsável pelo evento, a falar em pressões e boicotes que terá havido segundo o seu representante


Quem andou pelas universidades após o 25 de abril bem sabe como é possível manipular uma assembleia de estudantes de modo a obter efeito contrário ao pretendido e, posteriormente, se poder “virar o feitiço contra o feiticeiro”. E não digo mais nada.


 

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publicado às 18:16

O Brexit de Theresa May e o namoro de Trump

por Manuel_AR, em 12.02.17

Trump e May.png


Os países que atualmente integram a UE - União Europeia, nomeadamente os países de leste, não foram obrigados, quiseram entrar e fizeram tudo para isso. Considerassem ou não as regras para a entrada sabiam ao que estariam sujeitos, conheciam-nas e aceitaram-nas. A UE não os recusou descorando o que poderia a acontecer.  


Agora, com a saída do Reino Unido a intenção da senhora Theresa May do Partido Conservador, a quem entregaram o governo do Reino Unido para a negociação da saída, é a de apostar na divisão entre membros da UE para daí tirar proveito e iniciar o seu desmantelamento e, daí, ser uma grande aliada para Trump. May já disse que "Este é o primeiro passo para um futuro acordo comercial com os EUA, que poderia proporcionar enormes benefícios para o nosso músculo econômico e dará às empresas mais certeza e confiança". Trump não se faz rogado e corresponde dizendo que “queria que a Sra. May fosse a primeira pessoa que vê quando chega em uma visita de estado para ver a rainha e que ele disse a um funcionário que guardasse o cardápio da Casa Branca para almoçar juntos como lembrança Reunião”.


Inclusivamente a simpatia por aquele indivíduo é tal que já fala no restabelecimento de fronteiras com a Irlanda, talvez por timidez não tenha falado de construção de muro. Theresa May, ao contrário do que vinha dizendo está a voltar a face e o discurso. Diz agora que a fronteira será um mal menor em relação aos problemas que podem surgir. É uma espécie de ameaça porque, tal como a Escócia, a Irlanda votou a favor da permanência na UE e a saída poderá obrigar à reposição de controlos na fronteira que desapareceram com os acordos de paz de 1998.


Pretendendo colocar em confronto governos aumentado o risco das negociações falharem, ameaçando sobre o que fará com os impostos e com a segurança se não conseguir o que pretende, vira-se para países como a Hungria e Polónia, por enquanto, jogando com a diferença de interesses entre eles e os da Alemanha e França. Isto é o que Jean-Claude Juncker pensa e que somos levados os mais pessimistas nesta área pode vir a acontecer. Por isto se confirma o que escrevi atrás sobre países que andaram a pedir para entrar na UE e preparam-se para atraiçoar quem os aceitou.


A europa do euro tem que unir-se para manifestar, neste assunto um mesmo pensamento e ser exigente de modo a que o Reino Unido veja que não ficará melhor fora da UE do que dentro e que, face ao desastre que surgiu nos EUA, são mais importantes do que manter boas relações com o Reino Unido.


A UE têm que vacinar-se contra as ideias de isolamento com que tantos europeus se deixaram contaminar pelos nacionalismos e populismos bolorentos que voltaram a estar na moda incentivando os que gostam de se mostrar do contra corrente e muito “in”, mas que mais tarde se arrepende por ficarem “out”.


 

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publicado às 19:05

Viagem a França.pngApós semanas de silêncio por ter andado por terras de Espanha e França do sudoeste volto aos comentários habituais sobre política já que a ausência da falta de imprensa e televisões nacionais foram um intervalo desintoxicante e porque o Euro 2016 parece ter-se sobreposto a tudo quanto é política. Mas a este ponto voltaremos no próximo comentário.


Em Espanha, antes das eleições, debates e mais debates televisivos entre os líderes dos quatro principais partidos encheram-me o papo com argumentos sem novidade.


Jajoy, do PP, defendendo uma direita desgastada, mantendo o mesmo estilo de velho conservador sem novidades e sem rumo, mas que fazia suspeitar ao que viria se ganhasse as eleições e que, de facto, veio a ganhar sem maioria absoluta.


O PSOE com Pedro Sanchez mais parecia uma balança desequilibrada cujo fiel da balança não conseguia encontrar. O PODEMOS é uma dose esquerda enfezada cujo receituário de algumas vitaminas que Jajoy lhe proporcionou e que lhe permitiu alcançar algum espaço desocupado pelo PSOE. Prometia referendos de independência para regiões que podem vir a ser caixas de Pandora. Pablo Iglésias apresentava propostas boas se não fossem desadequadas ao momento que a UE atravessa. Iglésias é um líder cujo carisma, postura e imagem foram criadas para ficar mais ajustado a um estereótipo da classe trabalhadora. Bem poderia ser um líder dum partido que poderia fazer história juntamente com o PSOE, mas a embriaguez do crescimento rápido conduziu-o a um certo radicalismo de esquerda que parece preferir que a direita esteja no poder a fazer cedência para mudança de rumo. É isto que tem prejudicado a esquerda em Espanha com sorrisos de contentamento da direita.


O PSOE lá conseguiu, afinal, o segundo lugar nas eleições, imediatamente à frente do PODEMOS. Em conjunto obtiveram nas cortes espanholas uma maioria de deputados superior ao PP. Porém para o PODEMOS a teoria do comportamento operante de Skinner parece não se aplicar, ao contrário dos ratinhos da investigação que, face a um reforço negativo encontram sempre a solução para sair do labirinto.


Em França na região onde me encontrava não se sentiu o efeito dos movimentos e greves da CGT contra a reforma da lei laboral. Aparentemente a política passa despercebida na azáfama dos enormes TIR que circulam sem parar fazendo filas imensas. Um trânsito intenso nas autoestradas, talvez devido ao Euro 2016, tornava as viagens cansativas para as quais o tempo também não ajudava, passando de violentas chuvadas que transmitiam insegurança para quem quisesse, mesmo a sol aberto, pôr o pé na praia de Biarritz onde surfistas faziam a rotina do vai e vem constante para tentarem apanhar a onda perfeita, à altura de cada um claro está, mas que nunca chegava. Era uma espécie de mito de Sísifo aplicado, sem desistência, até ao pôr-do-sol.


Finalmente, cheguei ao nosso Portugal. Com grande espanto ouço, sobre a questão das penalizações da UE por causa do não cumprimento dos dois décimos do défice, os disparatados argumentos de Passos Coelho e de alguns dos seus mais fiéis acólitos (ditos patriotas) que fazem parte do calhambeque que é hoje a oposição. Mas sobre isto irei escrever proximamente.


Quanto à saída do Reino Unido da UE como resultado do referendo outro espanto: a desresponsabilização e abandono de três influentes políticos como se nada tivesse acontecido por culpa deles e fogem como ratazanas dum navio que está prestes a afundar-se.

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publicado às 15:48


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