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Trump o trumpismo e a Fox News

por Manuel_AR, em 21.01.21

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Com a saída de Donald Trump sabemos agora como funcionou a Fox News como porta voz de um mandato para esquecer, se tal for possível. Um analista da CNN publicou ontem, dia 19 de janeiro, um artigo sobre aquela rede de televisão o qual resolvi traduzir e colocar aqui. Se quiserem ler o original podem fazê-lo Ler artigo aqui.

 

Com a saída de Trump, a presidência da Fox News chegará ao fim

Atualizado às 12h45 GMT (2045 HKT) em 19 de janeiro de 2021

Análise por Oliver Darcy , CNN Business

Há quatro anos, a Fox News chegou à presidência de Trump com uma oportunidade sem precedentes. Não foi apenas a principal fonte de notícias do Partido Republicano, mas também a principal fonte do próprio presidente Trump. A rede Fox poderia ter aproveitado a oportunidade para agir com responsabilidade. Poderia ter aproveitado os seus contatos dentro do círculo interno de Trump e do GOP (Grand Old Party, Republicanos) para aumentar a reportagem e dar notícias reais. Poderia ter - pelo menos - transmitido a verdade dura e fria aos milhões que dependiam dela para obter informações precisas e confiáveis.

Mas não fez nenhuma dessas coisas. Em vez disso, a Fox escolheu correr na direção oposta. Os propagandistas da estação foram fortalecidos como nunca, enquanto as chamadas horas de "notícias diretas" se tornaram Trumpier e Trumpier. Os seus anfitriões marcaram dezenas de entrevistas com Trump, mas, na maioria dos casos, em vez de pressioná-lo com perguntas difíceis, eles instigaram as suas piores tendências. Mesmo quando não estavam a falar diretamente com ele, os anfitriões estavam a falar diretamente com ele. E eles incitaram essas más tendências alimentando-o com uma dieta constante com histórias hiper partidárias e desinformação total. Embora seja oficialmente chamada "presidência de Trump", há um bom caso a ser defendido de que deveria ser chamada de "presidência da Fox News".

Agora, tudo isso está a terminar. Mas é importante perceber que nada disso precisava de acontecer. Rupert Murdoch (dono da Fox), que já ganhou mais dinheiro do que se pode imaginar, poderia ter acabado com isso com um estalar de dedos. Poderia tê-lo feito quando os seus anfitriões mentiram sobre a investigação na Rússia e impulsionaram o contrassenso do "estado profundo". Ele poderia ter feito isso quando os seus anfitriões enganaram o público americano sobre o coronavírus. Ele poderia ter feito isso quando as principais personalidades da rede alimentaram teorias de conspiração selvagens sobre a eleição presidencial de 2020. Ele não o fez.

Em vez disso, Murdoch ajustou a rede de televisão de outra maneira. Como Stelter relatou no início deste mês, Murdoch esteve pessoalmente envolvido em mexer na programação diurna da Fox. Essa nova formação estreou na segunda-feira. A maior mudança? Substituindo o noticiário de Martha MacCallum - que já era abertamente conservador - por outro talk show de direita. Mais opinião, menos notícias.

MacCallum está agora a apresentar um programa de opinião de direita?

Enquanto MacCallum perdeu o seu horário das 19h, ela agora está a apresentá-lo 15h (horas dos EUA). As promoções do canal diziam que ela traria a sua "perspetiva incomparável" para o horário diurno). Se o programa de segunda-feira foi alguma indicação, essa "perspetiva incomparável" traduz-se num ponto de vista de direita. Para a sua estreia às 15h, a lista de convidados de MacCallum consistia em Sara Carter, Charlie Kirk, Alex Berenson, Geraldo Rivera, Rep. Nancy Mace, KT McFarland, Heather Higgins e Stephanie Cutter. O que quer dizer que a sua hora estava cheia de especialistas pró-Trump. E enquanto Cutter estava no seu programa, a postura de MacCallum era adversária, é claro.

Kilmeade toca os sucessos

Brian Kilmeade (apresentador de rádio e televisão americano da Fox News) na segunda-feira tornou-se a primeira pessoa a tentar ser apresentador da "Fox News Primetime" - que, sinto-me obrigado a notar, não está realmente no horário nobre, já que o horário nobre não começa antes das 20h. Kilmeade tocou todos os sucessos para o público da Fox. Ele liderou o seu programa falando sobre censura, passou a espalhar o medo sobre uma caravana de migrantes em direção à fronteira dos Estados Unidos e finalizou um segmento com Dave Portnoy de Barstool. Parecia que o principal objetivo de Kilmeade era acertar diretamente em Greg Kelly da Newsmax, que roubou parte da audiência da Fox às 19h e ganhou parte dessa audiência de volta ...

 

Isso chamará os espectadores da Fox de volta para casa?

A Fox está acostumada a gabar-se de forma detestável de que domina seus concorrentes nas classificações. Mas agora, como Stelter escreveu na sexta feira, o canal está preso ao terceiro lugar. As mudanças que foram implementadas na segunda-feira devem ser vistas por meio desse quadro. A mudança trará os fãs da Fox para casa? Além disso: em breve maiore mudanças. Que horas serão agitadas a seguir?

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publicado às 11:35

 

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Em Portugal fazer figas simboliza os desejos de boa sorte e afastar o azar. No último texto que coloquei no blog atribui o título de “Façamos figas a Trump ou virá aí uma trumpestade que levará o Mundo a entrar nas trevas”. Parece que as figas terão funcionado, mas não foram as que lhe fiz foram as dos milhões de americanos que lhas fizeram.

Na passada quinta feira quinta-feira na Foreign Affairs o economista Daron Acemoglu, autor do livro “Por que as Nações Fracassam” colocava no título seu artigo que “Trump não será o último populista americano” e desenvolvia o tema escrevendo que “O populismo de direita não emergiu nos Estados Unidos graças ao tresloucado carisma de Trump. (…) Está estreitamente ligado a tendências económicas e políticas que afetam grande parte do mundo. Trump e o trumpismo são fenómenos americanos, mas o contexto em que cresceram é inegavelmente global.”

Trump poderá, como já prometeu, contestar nos tribunais os resultados e até pode fazê-lo nas redes sociais, nas ruas, seja lá onde for. Como tem sido o normal funcionamento da democracia nos EUA a vontade soberana dos americanos acabará por se impor e este país e o mundo ver-se-ão livres de um Presidente que tem o culto de si próprio como qual ditador que se preze, mentiroso, sectário e a quem lhe falta o perfil e  a compostura digna para liderar a maior potência do mundo. Apesar da derrota de Donald Trump ser uma boa notícia para o mundo resta saber, como alguns especialistas em política dizem, se o “trumpismo” não irá custar a ser erradicado do país. Biden não terá uma tarefa nada fácil para fazer a América outra vez normal. Eu, cá por mim, faço figas para afugentar o trumpismo e os trumpistas que irão com certeza tentar bloquear todo o processo.

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publicado às 19:28

Fazer dos EUA uma democracia outra vez

por Manuel_AR, em 02.11.20

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Se é isto que os americanos pretendem para o seu país que foi considerado a maior democracia do mundo, o país das liberdades e diziam lutar pela liberdade dos povos, então, terão a oportunidade para isso nas eleições do dia 3 de novembro. Mas depois não nos digam que não sabiam.  Fazer dos EUA novamente grande outra vez é voltar à real democracia.

Raramente tenho dedicado neste blogue espaço para falar sobre Donald Trump, calha agora dias antes das eleições nos EUA.

O que se sabe sobre a presidência de Trump é o que a comunicação social nos vai informando e pelos jornais de referência dos EUA. As redes sociais o lá encontramos na sua maioria é apenas lixo desinteressante que nem para reciclagem serve.

Donald Trump é um autocrata, uma espécie de soberano absoluto e torna- se necessário que a américa o trave. Tem havido a tendência para um candidato a ditador autocrata, a exemplo de Donald Trump, seja apenas ridicularizado, como um palhaço político que não deve ser levado a sério. Será que há que veja a diferença entre os democratas e Donald Trump?

As ditaduras são construídas sobre o negacionismo. Atualmente os ditadores, sejam de esquerda, sejam de direita, assumem o poder gradualmente. Às vezes, um candidato a ditador é ridicularizado como um palhaço político que não deve ser levado a sério. Enquanto isso acontece, ninguém consegue acreditar que está a caminho da estrada da ditadura, algo que até agora seria impossível acontecer nos EUA.  

Os autocratas geralmente gozam de amplo apoio público para as suas medidas repressivas. Inicialmente, eles visam “outros”, enquanto a maioria aplaude. O público apenas reconhece a ameaça quando seja tarde demais. Os partidários que mais aplaudiram o autocrata são frequentemente sujeitos a expurgos ideológicos e tornam-se algumas das primeiras vítimas do regime.

Pelo que nos chegou ao fim de quatro anos no cargo, é impossível não perceber o que Trump realmente é. Ele é um sujeito que deseja poderes ditatoriais manifesta-se através de comportamentos antissociais, egocentrismo extremo, instabilidade e impulsividade, que são características da psicopatia, talvez congénita, como Mary Trump por meias palavras o classificou no seu livro “Demasiado e nunca Suficiente”.

Trump retirou do governo todos as que poderiam atrapalhar o seu caminho. Está agora rodeado por entusiastas como o procurador-geral William Barr e o secretário de Estado, Mike Pompeo, Secretário de Estado dos Estados Unidos desde 2018.

O general Mark Milley, que afirma ser oficial militar americano, caminhou pelas ruas de Washington, D.C. na noite da primeira segunda-feira de junho com Trump e Barr, enquanto militares dos EUA eram usados ilegalmente para atacar manifestantes e afastá-los para que Trump pudesse posar para uma foto segurando uma Bíblia em frente à Igreja Episcopal St. John’s, pensando que possuir uma Bíblia seria suficiente para reunir a sua base evangélica branca o que demonstrou ser um homem sem convicções morais.

 Segundo a imprensa americana na altura das manifestações contra a brutal morte de Floyd pela polícia de Minneapolis helicópteros militares voavam baixo sobre Washington, logo acima das cabeças dos manifestantes que protestavam contra o assassinato em 25 de maio. O barulho e as explosões aéreas vindas dos helicópteros foram usados para dispersar multidões (a presidente da autarquia de Washington, Muriel Bowser, disse que o Pentágono pediu tropas a Maryland e Virgínia sem o conhecimento do governo local.

Ainda segundo a imprensa america Trump revelou suas intenções autoritárias em uma teleconferência com os governadores estaduais, na qual os repreendeu por serem fracos diante dos protestos, exigindo que eles “dominassem” os manifestantes, ameaçando enviar tropas para seus estados se não atendessem às suas demandas. Trump também conversou naquele dia por telefone com o presidente russo Vladimir Putin; talvez ele estivesse recebendo dicas sobre como esmagar os dissidentes.

Num artigo de James Risen,  ex-repórter do New York Times e prémio Pulitzer de Reportagem Nacional de 2006, numa revista norte americana pode ler-se que “Trump a acelerar para um caminho em direção a uma ditadura porque o que resta do Partido Republicano está ansioso para que ele assuma cada vez mais poder. Trata-se, neste momento, de um partido identitário branco, cheio de velhos brancos que temem as tendências demográficas do aumento da diversidade. Eles não gostam da América como ela é agora e querem que Trump destrua as regras e leis que protegem as minorias, os pobres e os menos favorecidos”.

No início do mês, o congressista Matt Gaetz, seguidor de Trump, sugeriu uma resposta republicana aos protestos quando “pediu que todas as armas letais da guerra global contra o terror fossem trazidas para a américa e se voltassem contra manifestantes americanos. Gaetz colocou no Twitter a ameaça “Agora que vemos os grupos de oposição ao fascismo (Antifa) claramente como terroristas, podemos caçá-los como fazemos com aqueles no Oriente Médio?” Parece que o Twitter restringiu o acesso ao tuite de Gaetz, designando-o como como glorificação da violência. Republicanos como Gaetz que defendem o fim do estado de direito, vão acabar vendo a sua sobrevivência depender dos caprichos de Trump.

Se é isto que os americanos pretendem para o seu país que foi considerado a maior democracia do mundo, o país das liberdades e diziam lutar pela liberdade dos povos, então, terão a oportunidade para isso nas eleições do dia 3 de novembro. Mas depois não nos digam que não sabiam.  Fazer dos EUA novamente grande outra vez é voltar à real democracia.

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publicado às 17:05


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