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Os espertalhões

por Manuel_AR, em 21.02.14


 


 


Espertalhões são indivíduos astutos, maliciosos e finórios. Há várias ordens de espertalhões: os simples e os complexos. Os primeiros são os que nos abordam diretamente para nos extorquir ou venderem algo através de uma conversa convincente até a vítima cair que nem um patinho que, quando der pelo logro já não consegue inverter o processo. Os segundos são mais institucionais, vestem uma roupagem de credibilidade, transparência e legalidade passando sempre a ideia de que, quem fica beneficiado serão as suas vítimas. Em campanha eleitoral estes espertalhões surgem de todos os lados e apregoam tudo o que sirva para as enganar.


Eu desconfio da artimanha por detrás deste governo e de tudo o que os seus apoiantes dizem e das iniciativas que toma, por mais honestas que sejam, porque trazem quase sempre na manga o seu contrário, isto é, algo que se irá refletir no prejuízo da maior parte dos portugueses e vantagens para as suas clientelas partidárias.


O discurso de Poiares Maduro volta ao mesmo sobre as pensões o que demonstra que o governo mais mês, menos mês, prepara-se para efetuar mais cortes. Portanto, leiam nas entrelinhas e preparem-se com aquele dito discurso da verdade e da transparência.


As falinhas mansas dos membros do governo têm em Poiares Maduro um exemplo quando diz compreender que as pessoas se sintam zangadas com o governo. Maduro aborda novamente o problema das pensões com esta frase já mais do que gasta e falaciosa: “durante décadas as pessoas que recebem pensões foram convencidas de que tinham um determinado montante garantido, mais, que esse montante era aquilo que correspondia ao que tinham contribuído ao longo da vida”. E diz mais, “aquilo que é o montante de contribuições que foram feitas para o sistema de pensões não corresponde às pensões que nós temos que pagar e se nós continuarmos com o sistema de pensões como temos este é totalmente insustentável”.


É mais uma vez enganar as pessoas. Não foi apenas o desconto de quem trabalhou mas também o enorme desconto efetuado pelas entidades patronais.


Pode é perguntar-se como é que tem sido gerido o dinheiro de milhões de pessoas que descontaram e descontam. Não deveriam ser estes milhares de milhões de euros rentabilizados?


Poiares Maduro está a fazer-nos mais uma vez de parvos. Se os descontos fossem efetuados para uma empresa privada especializada em gestão de fundos de pensões, como o faria no final quando tivesse de pagar por direito as pensões vitalícias? Será que não pagava dizendo que o dinheiro descontado não dava para pagar aquilo com que se tinha sido comprometido?


Como fazem as companhias de seguros quando têm de pagar pensões vitalícias ou indeminizações a sinistrados? Será que dizem que o segurado não pagou o suficiente para serem pagas as indemnizações devidas?


Onde chega o descaramento!


É insustentável porque cada vez há mais pessoas sem trabalho, porque não se dinamiza o aumento de efetivos populacionais com o consequente aumento da taxa de natalidade, porque se desvia o dinheiro para outras finalidades como o de tapar buracos financeiros de outras áreas.


Tenham paciência! Não enganem mais! Saiam da frente!

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publicado às 18:23

 



 


 


Fonte da imagem: http://www.opolvodanoticia.com/2012/06/antonio-borges-reducao-de-salarios.html




Não sei a quem se estava a dirigir António Borges na entrevista que concedeu à TSF no dia 5 de dezembro, se estava a dirigir-se a todos os portugueses ou se apenas a alguns. Eu incluo-me no grupo onde estão todos e, no que respeita à economia, apenas sei o que aprendi na universidade, mas o suficiente para perceber alguns dos senhores que falam de cátedra ou balbuciam sobre o tema.


Borges vem agora com o discurso da estabilização da economia, após ter chamado ignorantes aos empresários, o que foi aliás desvalorizado e desculpado por um comentador de televisão, dizendo que foi um desabafo e que é uma linguagem académica(?). Eu nunca tratei assim os meus alunos e desconheço que isso seja a linguagem corrente nas universidades, a não ser por algum professor mais inseguro a quem interesse atemorizar os alunos.  


Gostaria que fosse justificado com objetividade e em que dados se baseia António Borges para afirmar que o Governo já “fez o ajustamento da economia” ao ter posto o país a gastar o mesmo que produzia". Portanto, com o gastar menos ajusta-se a economia.


E mais afirma que “fez o ajustamento da economia”, que se encontrava “extraordinariamente desequilibrada”, e a “mentalidade de gastar excessivamente acabou”. Isto é, mudam-se as mentalidades e, as economias ajustam-se. Fantástico! E eu que pensava que era tudo mais difícil.


A conversa de António Borges não nos trouxe nada de novo dado que é a mensagem que o Governo e os seus apoiantes têm vindo a fazer passar. Mais ainda, afinal não é possível distinguir uma “luz ao fundo do túnel”. Porém, mostra-se convencido (ou quer convencer-nos) de que haverá um desfecho análogo ao da crise que o país viveu entre 1983 e 1985. “Custou. Foram dois anos difíceis e depois tivemos um período de crescimento muito forte”.


Esperem lá portugueses porque, daqui a mais dois anos, ano de eleições, vão ver que vamos ter crescimento muito forte e, então, o vosso cinto da austeridade vai ser alargado. Eu, como português entre tantos, poderia pensar assim. Mas não, não penso!


Como em macroeconomia se deve trabalhar com conceitos bem explícitos e não com base em impressões, convicções, fé ou outras coisas, gostaria que António Borges explicitasse primeiro o que entende por estabilização da economia. Se para ele, pôr um país a gastar menos e e a mudar mentalidades é estabilizar a economia penso que é muito redutor. Será que, para ele, da estabilização da economia também fazem parte as falências e o desemprego?


Por outro lado, em que modelo e indicadores macroeconómicos se baseou para debitar aqueles juízos apriorísticos. O que ele diz também qualquer comentador ou analista político próximo do Governo o pode dizer, através de perceções enviesadas.


Após ter ouvido António Borges debitar o que me parecem serem banalidades, por aqui me fico porque tenho que ir rever tudo o que aprendi sobre economia.

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publicado às 19:02


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