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É notória a preocupação dos órgãos de comunicação social, em especial os televisivos, quer em debates sobre política, quer no âmbito comentarista, sobre as candidaturas à Presidência da República que o Partido Socialista irá ou não apoiar e, muito pouca vontade, em saber qual será o candidato a apoiar pela direita.


As eleições presidenciais são lá para 2016, antes serão as eleições legislativas pelo que é sobre estas que se devem centrar as atenções, o resto virá por acréscimo em devido tempo. Todavia o tempo e o espaço dos órgãos de comunicação social é sobrecarregado pelas presidenciais.


A preocupação é acima de tudo com o candidato à Presidência da República a apoiar pelo Partido Socialista que, a cada dia que passa, transforma-se em agitação, numa pressão para que o PS diga quem vai ser o seu candidato.


Para alguns comentadores, analistas políticos e "fazedores" de opinião não interessa quem vai ser o candidato dos partidos do Governo ou quem irão apoiar para Presidente da República, o seu alvo de interesse é apenas o Partido Socialista. Especulam e induzem a quem os ouve representações mentais falsas sobre potenciais candidatos à esquerda ou ao centro, alegando desconhecer o que eles pensam, quem são, ou até acusando-os de populismo. Por outro lado, promovem os potenciais candidatos da direita que ainda não se posicionaram ou mostraram claramente abertura para o cargo, fazendo deles, desde logo, os mais bem colocados e consensuais entre os eleitores.


Estão mais preocupados interessados em quem será o candidato apoiado pelo Partido Socialista do que pelos próprios candidatos. São parcos em comentar os "dotes para presidenciais" de candidatos como Santana Lopes, Marcelo Rebelo de Sousa, Durão Barroso (?) que entretanto desaparecem de cena para concorrer ao cargo, pelo menos até ver.


Passos Coelho no Congresso do PSD caracterizou o perfil que não deve ter um chefe de Estado: "protagonista catalisador de contrapoderes, catavento de opiniões erráticas, popularidade fácil, complicar ou bloquear, protagonista político.". O perfil traçado por Cavaco Silva é para esquecer nem merece gastar tempo.


A direita parece não ter candidatos, mas, ao contrário de Passos Coelho, parece apostar em Marcelo Rebelo de Sousa como potencial vencedor das eleições presidenciais. É conhecido e um protagonista conhecido e mediático. A ser verdade deixa muito a desejar o que pensam da cultura política dos portugueses, passando-lhes um atestado de ignorância política porque são levados apenas pelo mediatismo daqueles em que vão votar.


Na expectativa do Partido de Socialista poder vir a ganhar as eleições legislativas querem a todo custo que seja eleito um Presidente da República que lhes seja tão favorável quanto Cavaco Silva.  


Começa a perceber-se que, qualquer que seja o candidato à Presidência da República que venha a ser apoiado pelo Partido Socialista, será sempre arrasado por comentadores e jornalistas que apoiam a direita. Até há quem, sob a capa da isenção, emite opiniões que desembocam na apreciação favorável dos potenciais candidatos apoiados ou a apoiar pela direita. Começou um pré-campanha de propaganda a Marcelo Rebelo de Sousa para ver se pega.


Marcelo Rebelo de Sousa colhe muitas simpatias, dizem. Claro, vale a publicidade que lhe tem sido concedida enquanto comentador político ao longo de anos. Passou a ser uma vedeta mediática. Mostra ser simpático, afável e, por isso, apesar dos seus comentários políticos do tipo cata-vento não deixa de ser um grande apoiante das políticas seguidas pelo PSD. A técnica do cata-vento tem a ver com uma espécie de autopromoção no sentido de mostrar ser isento nas suas opiniões.


Se Marcelo se candidatar e tomar lugar em Belém será pata todos os efeitos políticos uma espécie de Cavaco, apesar de menos carrancudo e com uma atitude comunicacional diferente. Será um Cavaco menos rancoroso, mais simpático, menos cara fechada, mas um Cavaco que, como ele, não hesitaria em manter ao limite o mandato do primeiro-ministro mesmo com prejuízo do país.


Tentar relevar as presidenciais não é mais do que uma tentativa de manobra de distração sobre as reais discussões que devem existir sobre a péssima governação que nos atormenta há mais de três anos. Recorde-se que o XIX Governo Constitucional liderado pelo neoliberal Passos Coelho tomou posse em 21 de junho de 2011 e o seu mandato, de acordo com a Constituição da República, é de quatro anos seria nesse mês que deveria terminar a 4.ª sessão legislativa, da XII legislatura que se iniciou em 5.09.2014 mas o Presidente da República resolveu adiar as eleições para setembro ou outubro.

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publicado às 22:37



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