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Fonte da imagem: http://www.opolvodanoticia.com/2012/06/antonio-borges-reducao-de-salarios.html




Não sei a quem se estava a dirigir António Borges na entrevista que concedeu à TSF no dia 5 de dezembro, se estava a dirigir-se a todos os portugueses ou se apenas a alguns. Eu incluo-me no grupo onde estão todos e, no que respeita à economia, apenas sei o que aprendi na universidade, mas o suficiente para perceber alguns dos senhores que falam de cátedra ou balbuciam sobre o tema.


Borges vem agora com o discurso da estabilização da economia, após ter chamado ignorantes aos empresários, o que foi aliás desvalorizado e desculpado por um comentador de televisão, dizendo que foi um desabafo e que é uma linguagem académica(?). Eu nunca tratei assim os meus alunos e desconheço que isso seja a linguagem corrente nas universidades, a não ser por algum professor mais inseguro a quem interesse atemorizar os alunos.  


Gostaria que fosse justificado com objetividade e em que dados se baseia António Borges para afirmar que o Governo já “fez o ajustamento da economia” ao ter posto o país a gastar o mesmo que produzia". Portanto, com o gastar menos ajusta-se a economia.


E mais afirma que “fez o ajustamento da economia”, que se encontrava “extraordinariamente desequilibrada”, e a “mentalidade de gastar excessivamente acabou”. Isto é, mudam-se as mentalidades e, as economias ajustam-se. Fantástico! E eu que pensava que era tudo mais difícil.


A conversa de António Borges não nos trouxe nada de novo dado que é a mensagem que o Governo e os seus apoiantes têm vindo a fazer passar. Mais ainda, afinal não é possível distinguir uma “luz ao fundo do túnel”. Porém, mostra-se convencido (ou quer convencer-nos) de que haverá um desfecho análogo ao da crise que o país viveu entre 1983 e 1985. “Custou. Foram dois anos difíceis e depois tivemos um período de crescimento muito forte”.


Esperem lá portugueses porque, daqui a mais dois anos, ano de eleições, vão ver que vamos ter crescimento muito forte e, então, o vosso cinto da austeridade vai ser alargado. Eu, como português entre tantos, poderia pensar assim. Mas não, não penso!


Como em macroeconomia se deve trabalhar com conceitos bem explícitos e não com base em impressões, convicções, fé ou outras coisas, gostaria que António Borges explicitasse primeiro o que entende por estabilização da economia. Se para ele, pôr um país a gastar menos e e a mudar mentalidades é estabilizar a economia penso que é muito redutor. Será que, para ele, da estabilização da economia também fazem parte as falências e o desemprego?


Por outro lado, em que modelo e indicadores macroeconómicos se baseou para debitar aqueles juízos apriorísticos. O que ele diz também qualquer comentador ou analista político próximo do Governo o pode dizer, através de perceções enviesadas.


Após ter ouvido António Borges debitar o que me parecem serem banalidades, por aqui me fico porque tenho que ir rever tudo o que aprendi sobre economia.

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publicado às 19:02



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