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Presidência asfixiante

por Manuel_AR, em 07.10.14


O discurso do senhor Presidente da República no dia das comemorações da implantação da República, dia da libertação de uma monarquia opressora, sugere algo que denomino por instauração dum PEPU, Processo em Curso para Partido Único. O discurso daquele senhor esquece premeditadamente o que se está a passar na governação deste país e debruça-se sobre questões sobre a democracia e o mau contributo dos partidos.


Portugal é hoje um país apático, parado que corre no mesmo sítio sem de lá sair. Este Presidente pretende a manutenção a todo o custo deste PSD, para que o país não possa respirar fundo, propõe, para isso, uma espécie de mono partidarismo disfarçado  de consenso, asfixiando desta forma a democracia.


Mas, afinal, o que quer o Presidente menos popular de sempre? Quer que os partidos sejam política e ideologicamente isomorfos? Para ele os partidos e a democracia são uns empecilhos que devem ser reformulados de acordo com a sua indiscutível forma de pensar.


Cavaco Silva, Presidente da República, que deveria ser a salvaguarda das instituições democráticas resolveu, aproveitando os críticas de café aos partidos políticos, dissertar sobre o sistema partidário para regozijo do governo cujos partidos da sua constituição tem apoiado sem qualquer sombra de disfarce e pudor político.


Obviamente que o seu "estado de espírito" subjacente é desviar a opinião pública dos problemas concretos na justiça e na educação, estes os mais graves, que foram criados pelo "seu partido" no governo.


Como noticia hoje o Jornal i, não foi por acaso que o PSD, na voz do seu secretário-geral Matos Rosa, veio dar a sua concordância ao desafiar António Costa a juntar-se ao seu partido para reformar o sistema político, o que lhes interessa. Agora, a meses das eleições, e já em plena campanha pré eleitoral!? Como é evidente as alterações tão apetecidas implicam uma alteração à lei eleitoral.


O que pretendem de facto ele e o "seu partido" é uma reforma ao sistema de democrático aproveitando algum descontentamento manifesto nas chamadas "bocas populares de café", que dizem que os partidos que não se entendem (como se eles existissem para se entenderem!), de modo a reduzir os mandatos dos pequenos partidos que deixariam de ter uma representação parlamentar significativamente proporcional.


Portugal passaria a ser uma democracia coxa, isto é, qualquer um de nós, que não se sentisse representado pelos partidos da alternância teria poucas hipóteses de o ser através de outros partidos. Matavam dois coelhos de uma queixada só, primeiro, limitavam ou anulavam a voz aos pequenos partidos; segundo impossibilitavam outros partidos de terem assento no parlamento. Ficaríamos com um parlamento ao velho estilo da União Nacional que deve ser tão saudoso a Cavaco.


Para alcançarem lugar no parlamento alguns partidos recorreriam a toda a forma de populismo e de demagogia para terem votos e se fazerem lá representar.


Senhor Presidente, não queira escavacar mais a nossa democracia transformando-a apenas na mera formalidade de se colocar, sem convicção, um pedaço de papel numa urna de voto para manter tudo na mesma numa ilusão da existência de “direitos humanos”, “democracia”, “livre expressão”, “livre iniciativa”, “pluralismo”, “multipartidarismo”. O Senhor Presidente gostaria que se estabelecessem com "o seu partido" consensos e acordos, para transformar o voto numa espécie de legitimação de partido único, passando a pluralidade partidária a não ser mais do que mera fachada, e o parlamento um órgão monolítico que punha de lado a escolha de um modelo de sociedade, o estado social, que estão a transformar num embuste, assim como ao estado de direito.


As palavras do Presidente da República no cinco de outubro de 2014 não foram mais do que linguarices, apesar de Miguel Sousa Tavares ter dito na SIC que foi o seu melhor discurso. Resta-me perguntar o que teme Cavaco Silva, o Presidente ????


 

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publicado às 17:46


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