Porque é que o Arsenal ainda vai poder contar com Gyökeres?
Este blogue não é destinado a assuntos de futebol e, por isso, nunca aqui publiquei algo sobre este tema, para milhões muito importante. Mas, tendo o blogue o título A Propósito de Tudo faz todo o sentido. Li este artigo e achei interessante para ser publicado e divulgado para chegar aos amantes deste desporto. O desporto, sobretudo o futebol, também é político, quer internamente nos clubes, quer no espaço exterior. Não é por acaso que políticos da nossa praça também discutem futebol e, até alguns, à custa da comunicação televisiva, iniciaram-se no comentário desportivo e enveredaram depois pela política partidária.
Aqui deixo então o artigo, talvez um começo, para que, neste espaço, possa continuar a publicar outros artigos tendo como tema o mundo do futebol.
Porque é que o Arsenal ainda vai poder contar com Gyökeres?

Todavia, após seis jogos pelos ‘Gunners’, ainda não vimos o Gyökeres que conhecemos em Alvalade. Nos embates contra Manchester United, Liverpool e Manchester City, foi praticamente nulo. Para além disso, o número 14 do Arsenal ainda não somou qualquer remate contra estes adversários, algo que fazia com grande facilidade em todos os jogos pelo Sporting, numa altura em que o sueco começa a ser criticado por não se destacar nestes confrontos mais exigentes.
Gyökeres chegou ao Sporting em 2023, proveniente do Coventry City por 23 milhões de euros. Um avançado praticamente desconhecido no panorama internacional, rejeitado por Brighton e Swansea, destacou-se na temporada 2022/23 no Championship, chamando a atenção do Sporting. Na sua primeira época em Alvalade, somou 35 golos e 13 assistências, sendo considerado o MVP do campeonato.
Na temporada seguinte, manteve o nível impressionante: marcou 39 golos no campeonato, mais 20 do que Pavlidis, que fez 19, e totalizou 52 golos e 12 assistências em todas as competições, destacando-se também na Champions League e conquistando o prémio de MVP do campeonato pela segunda época consecutiva. Ter Gyökeres em Portugal parecia quase batota: para além da capacidade goleadora, o sueco cai nas alas, arrasta defesas adversárias para abrir espaço para os colegas, explora muito bem a profundidade e utiliza eficazmente o seu físico.

Impossível ficar indiferente a estas performances. Vários tubarões europeus estiveram interessados no avançado nórdico, e faria sentido juntar-se ao Manchester United, onde jogaria num sistema que já conhece e com o treinador que o potenciou: Rúben Amorim. Mas o ponta-de-lança acabou por juntar-se ao clube que sempre quis, o Arsenal. Contudo, já está a ser alvo de algumas críticas, pois não se destacou nos chamados jogos grandes, como acontecia em Portugal frente ao Porto e ao Benfica. Mas será que o problema está no jogador?
Há vários fatores a ter em conta quanto à sua adaptação ao Arsenal. O futebol que a equipa pratica não é de todo vertical, nem está construída para procurar constantemente o ponta-de-lança. Arteta, devido à forte influência de Guardiola, quer que a equipa mantenha posse de bola, com passes curtos e progressão paciente, especialmente contra equipas que defendem em bloco baixo. No Sporting, devido à pressão intensa que a equipa exercia sobre os adversários, surgiam muitas situações de transição em que Gyökeres brilhava, aproveitando bolas longas e explorando a sua velocidade para atacar as costas da defesa adversária.
No Arsenal, o sueco é desafiado a ser mais participativo na construção e segurando a bola para combinar com jogadores como Ødegaard e Saka. Nestes últimos jogos, parece que vemos um Viktor menos dinâmico, ao contrário do que víamos no Sporting. Porém, Arteta elogia o seu potencial:
“
Tudo o que ele faz é por instinto. É por isso que ele marcou tantos golos nas últimas temporadas. São os golos, é a ameaça que ele provoca.”

Além disso, Gyökeres ainda se está a adaptar à intensidade da Premier League. Em Inglaterra, tudo acontece num ritmo mais acelerado, não há tempo para pensar, e os duelos físicos são mais agressivos. Ainda assim, o sueco tem mostrado sinais de progresso nos treinos e na ligação com os colegas de ataque, pelo que é apenas uma questão de tempo até começar a refletir isso nos jogos.
No entanto, o avançado já marcou contra o Nottingham e Leeds, mostrando do que é capaz, especialmente nas suas arrancadas verticais, em que combina velocidade, leitura do espaço e a capacidade de finalização, como se viu no primeiro golo contra o Leeds. Estes adversários de meia-tabela deixam mais espaço, permitindo que o sueco explore essas situações e seja decisivo quando o jogo está empatado ou quando a equipa está a perder.
O investimento de 65 milhões num avançado de 27 anos, mostra que vai poder contar com o número 14 e tem a confiança de que vai ser crucial para conquistar títulos, chegar longe na Champions e vencer o título que foge há 21 anos: a Premier League.
Viktor Gyökeres foi considerado o melhor avançado do ano 2025 e ficou em 15.º na Bola de Ouro, estamos a falar de um jogador de classe mundial, que até há pouco tempo estava a jogar em Portugal.
A integração de Gyökeres no Arsenal exige um esforço conjunto: o sueco precisa de se adaptar ao estilo exigente de Mikel Arteta, enquanto o treinador tem a responsabilidade de ajustar a tática para tirar partido das qualidades únicas do avançado. Evidentemente não terá o mesmo impacto que teve no Sporting, campeonatos muito distintos, equipas mais fortes e defesas mais exigentes, mas certamente será uma mais-valia para o clube de Londres.
