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Os extremos não são o que nós queremos

por Manuel_AR, em 21.10.21

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O PS está no seu direito de questionar se esquerda prefere novamente direita no poder. Todos nos recordamos do tempo em que o PCP e o BE Em 2011, o Bloco de Esquerda e o PCP juntaram-se à direita para ajudarem a chumbar o PEC IV de José Sócrates, independentemente de ser ou não uma má governação o facto foi que contribuíram no todo para que a direita viesse em 2011, com Passos Coelho e Paulo Portas, ocupar o poder, já lá vão exatamente 20 anos.

Quem está agora a decidir se o momento da direita se movimentar para tomar novamente o poder com ou sem Passos Coelho é o Bloco de Esquerda, mas também o PCP, cada um à sua maneira. Mas afinal o preferem estes partidos um país à esquerda ou à direita?

A possibilidade destes dois partidos poderem, caso haja eleições antecipadas, recuperar votos são tão-só ilusões ideológicas. Parece-me que o país começa a estar farto deles. O PCP tem um grande poder de mobilização, tem nas mãos os sindicatos e ainda dar o contribuo para conter movimentos inorgânicos sem lei que por aí surgem. É um partido importante para preservação da democracia.

É provável que se houver eleições antecipadas a situação atual de maioria de esquerda se mantenha mesmo com algumas perdas de votos do PCP e do BE e um PS sem maioria absoluta. Se Rui Rio se mantiver no PSD será possível um novo alinhamento parlamentar, com o PS a virar ligeiramente á direita e o PSD a virar ligeiramente à esquerda o que ajudaria à governabilidade do país. Contudo, haveria que esperar uma “retaliação” do PCP com manifestações e greves a proliferar provocando instabilidade social.

O PCP, e, sobretudo, o BE estão-se a tramar para o país, está no seu ADN o leninismo para um e o trotskismo para outro. Há palavras de ordem que eles sabem que atrai as massas: salários, direitos, menos trabalho e mais férias.

Está em causa a aprovação do orçamento para 2022 e, sobre isto, escreveu ontem Manuel Carvalho no editorial do jornal Público:

“A cada orçamento constatava-se que o PS pagava o mínimo possível para poder executar o máximo possível. O preço da colaboração disparou. É no Orçamento que mais redistribui e mais agrava a despesa pública que o PCP e o Bloco mais exigem ao Governo. E, ao fazê-lo, intensificam a gravidade do dilema da governação para um patamar mais perigoso. Já não está apenas em causa a navegação à vista, a sempre eterna promessa do “virar de página da austeridade” ou um programa político excessivamente concentrado no Estado e nas suas funções públicas. O que está em causa é exactamente o equilíbrio que o Governo foi conseguindo gerir, entre o que dá e o défice, entre o que negoceia e executa. Se metade das exigências do Bloco e do PCP fossem atendidas, quem na verdade governaria eram eles e não o PS.

O que está agora em causa não é, portanto, uma natural cedência entre as partes. É o risco de, em nome da estabilidade, o país ter de pagar uma factura insustentável para o futuro. A escolha é difícil e é isso que é preocupante: entre um orçamento lunático e o risco da instabilidade política, o país ficará sempre a perder.”

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publicado às 16:09



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