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Um bom político


  é aquele  que não tem tempo de fazer


 o seu trabalho, mas tem tempo para
poder falar do muito que  já fez.


J.R.MORA


 


Frequentemente deparamos com o termo demagogia  quando lemos e ouvimos políticos e comentadores acusar de demagógicas uma ou outra afirmação. Ao assistirmos a debates na Assembleia da República, se estivermos atentos e despertos para tal,  não é difícil ouvirmos intervenções e discursos com caráter demagógico.


O atual governo e quem o apoia, têm afirmado mais do que uma vez que os portugueses têm sido uns gastadores e que, por isso, temos o défice que temos, e que a culpa é do estado social que não pode continuar. O dinheiro do Estado que os sucessivos governos gerem provêm dos  impostos e não é pelas despesas destinadas ao bem-estar social que o Estado é um gastador.


 



Ideia caoazul


 


A constituição portuguesa define com clareza as funções do Estado, nomeadamente no que respeita às áreas sociais, em cuja intervenção estão implícitos investimentos e despesas tendentes ao bem comum ao nível económico, educativo e social, tudo o resto são despesas que revertem apenas para alguns...


A frase o ESTADO VIVE ACIMA DAS MINHAS POSSIBILIDADES pode ser uma frase demagógica. Sê-lo-á de facto? Mas afinal o que é isso de demagogia? Será que algo que politicamente não nos agrade ouvir o classificamos de imediato como demagógico dando-lhe uma conotação pejorativa?


Como a filosofia não é o meu domínio científico, ou  como dizem por aí, não é a minha praia, recorri a especialistas na matéria, como Adelino Maltez, para me ajudar a clarificar o conceito




O conceito foi utilizado por Platão no Livro V da República que chama demagogo a todos aqueles que chamam boas às coisas que lhe agradam e más às coisas que detestam. Aristóteles chamava demagogo a todos os que utilizam a "lisonja e os artifícios oratórios". Etimologicamente o termo de origem grega é o condutor ou educador do povo (demo,povo, e agogo o que conduz), isto é, a arte de conduzir o povo.


Citando Maltez, "na democracia de massa, os chefes políticos utilizam algo que vai além da persuasão e que se inclui na zona do artifício e da manha, gerando-se um populismo que também chegou a ser utilizado pelos instauradores de regimes autoritários e totalitários, mas que também funciona na propaganda democrática, no âmbito da chamada personalização do poder." Excuso-me a falar sobre o populismo visto ter sido por mim abordado noutro blog. Lincoln por outras palavras assinalou que podemos enganar algumas pessoas todo o tempo, enganar todas as pessoas durante algum tempo, mas não podemos enganar todas as pessoas o tempo todo. Para Max Weber em democracia o demagogo é a "figura típica do chefe político no Ocidente". Tudo isto vem a propósito de intervenções que lemos e ouvimos na televisão durante alguns debates, um dos quais passo a relatar como exemplo. No Jornal das nove da SIC do Sr. Mário Crespo, num frente a frente onde estavam presentes o elemento do PSD Luís Arnault e o do PS Carlos Zorrinho, este ia argumentar algo exemplificando com uma notícia que teria vindo a público sobre uma situação que tinha ocorrido com um jovem em determinado hospital. De imediato, antes que Zorrinho terminasse e identificasse a situação, Arnault interrompeu-o dizendo e passo a citar, "…isso é demagogia… isso não é forma de fazer política…". O espectador ficou sem saber o que teria acontecido, já que Zorrinho, inibiu-se deixando passar o facto. Claro que o jornalista, como quase sempre, também deixou que tudo ficasse no ar…


Aqui está um pequeno exemplo em como a Arnault não interessava que o seu interlocutor denunciasse o facto, visto que, não lhe agradaria que fosse dito algo que fosse por ema causa aspetos da governação. Evitou assim que Zorrinho falasse, chamando demagogia ao que iria ser denunciado. Por sua vez, para Zorrinho era uma coisa boa porque lhe agradava que fosse denunciada, embora pudesse ser demagógica.


A questão que se coloca é saber até que ponto  alguém deve ficar calado  quando, conhecendo factos verídicos que poderão interessar à população e possam denunciar práticas que coloquem em causa o poder deve ou não ficar calado com receio da demagogia.


Do meu ponto de vista a demagogia é relativa. O que é demagógico para uns, pode não ser para outros… A demagogia tenta conduzir o povo num determinado sentido. Mas não há demagogia que resista quando a população tem um nível cultural lhe permita assumir de forma clara e consciente as suas opções. Há demagogias tão convincentes no domínio das promessas eleitorais  que nos deixamos levar por elas. E, como costumo dizer, sei que estou a ser enganado, mas deixo-me levar. Há que acabar com este tipo de atitude.




 



 


 


 


 


 

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publicado às 19:48



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