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A Propósito de Quase Tudo: opiniões, factos, política, sociedade, comunicação

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O envenenamento pelos media

23.04.23 | Manuel_AR

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O Governo tem sido assediado, pelos mais diversos setores da comunicação social e partidários, (talvez por que o povo lhe conferiu maioria absoluta), que trazem casos e casinhos que surgem fugazmente e logo somem dos noticiários, mas que, são irrelevantes e nada dizem à maioria da população, mas que aos poucos a vai envenenando. Estas atuações têm dados os seus frutos. No passado, não muito afastado, outros que fizeram o mesmo ou pior foram e são ainda poupados ao massacre quotidiano, em particular todos os que dizem “estar do lado certo”. Por outro lado, os que mais gritam e proferem autênticas aberrações sem contemplações para coma a democracia são tidos como sendo os grandes opositores ao Governo. Para este fator têm sido relevantes, para além dos media, a direita democrática e as esquerdas radicais cujas formas de oposição têm sido uma oportunidade para a extrema-direita.

Um dos garantes da democracia e que deve contribuir para a estabilidade social, política e governativa são os Presidentes da República tem-se apresentado com vários estilos.

Há Presidentes da República que se fecham numa espécie de “bunker” e raramente aparecem e, quando o fazem, ostentam uma postura de superioridade, de senhores da verdade e debitados os verbalismos regressam ao seu mundo no refúgio da casa da presidência. Há os que escolhem o tempo e a medida das palavras que proferem, esclarecem, preparam e avisam. Há os que falam compulsivamente, que comentam sobre tudo, que agem numa espécie de construção comentadora do tipo IA (Inteligência Artificial) que a tudo atenta. Encontram-se com uma propensão irresistível herdada de um passado recente. Para estes últimos atingir o ponto máximo da excitação da popularidade é essencial. Vão num sentido, atentam, consultam observam, questionam e, de seguida avisam, propõe, ameaçam. Noutros momentos elogiam. Dizem que tudo vai bem e, semana depois algo já não vai bem, avisam que está mal e, mais uma vez, ameaçam como sendo uma sugestão. Tudo dentro da legalidade e da oportunidade mediática que aproveita para a sua agenda de títulos onde os verbos repreender, recadear (o Governo) são as joias da coroa das peças noticiosas da comunicação social, especialmente as dos jornais televisivos.

Há ainda os que, funâmbulos, tentam manter um equilíbrios entre o Governo e a oposição, sobretudo a de direita, olhando para as sondagens e para as opiniões mais ou menos desastradas que se ouvem através dos vários públicos: nos cafés, na rua, nos mercados, nos cabeleireiros, nas barbearias, etc.. O público é estimulado por movimentos sindicais, por outros mais ou menos sindicais, por comentadores alinhados com a oposição de direita, por peças televisivas com casos cirurgicamente selecionados que sempre ocorreram e a que, preparados ao momento, é dada uma relevância e que são amplificados pelos media, alguns na posse de ditos jornais de referência, para instigarem as populações contra a governação e dar oportunidade às oposições da sua preferência. A estes acrescem os grupos organizados nas redes sociais conotados com radicalismos e populismo de direita e de esquerda.

Ao discurso público que primava pela racionalidade sobrepôs-se o discurso com o objetivo do espetáculo com políticos transformados em atores para obtenção de audiências a que se acrescentam objetivos oposicionistas ao Governo dum partido que lhe retirou democraticamente a liderança. A clássica direita e centro-direita viram-se fragmentadas pelo aparecimento de formações populistas de extrema-direita e de direita liberal para quem o Estado Social é um obstáculo à produtividade e deveria ser “agilizada e recorrer mais a prestadores privados e sociais à iniciativa privada”.

A estes juntam-se a amplificação dada pelas redes sociais onde se sente a ilusão de participação que Pacheco Pereira recentemente caracterizou como “sistema conhecido como “redes sociais” não só amplifica como gera uma mutação comportamental. Essa mutação favorece o populismo com dois efeitos poderosos: um é a ideia de que, escrevendo e publicando nos múltiplos locais de “conversa” e imprecação, se está a participar; outro é um igualitarismo agressivo, tribal, radicalizado, que destrói qualquer ideia de mediação e qualquer discurso democrático. Pode dizer-se que a “canalha” sempre falou assim, mas o altifalante que tem hoje impede que se ouça qualquer outra coisa, e isto é novo.”

Media de jornalismo impresso conhecidos como jornais de referência estão a ser politizados, o que é normal se considerarmos que as ações humanas estão impregnadas de política, mas os indícios de partidarização ideológica são cada vez mais evidentes. Nos noticiários televisivos surgiram há algum tempo a que chamam verificação de dados e que de facto o deveriam ser, mas que estão a ser adulterados pelos jornalistas que procedem às escolhas e ao modo como tratam essa verificação dos assuntos para darem uma visão distorcida da funcionalidade do Estado e, consequentemente, do Governo e seus representantes, deixando no público, não raras vezes, a perceção de assistir a um contributo para moldar opiniões que ajudem a uma oposição ao Governo.

Para tudo isto, há insistentemente alvos obsessivamente utilizados que é o partido do Governo, o PS e a sua ala mais moderada, como sejam Fernando Media e António Costa. Mas, estes que agora se centram no PS também já dispararam em partidos como o PSD e o CDS/PP. Estas flechas, embora venham da direita, as incendiárias vêm de setores radicais de extrema-direita apontadas ao centro-direita e ao centro-esquerda que lhes estorvam os caminhos delirantes para a radicalização.