Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Ucrânia e Putin-6.png

Depois do dia 24 de fevereiro de 2022 um frémito de indignação percorreu o país de norte a sul que se consubstanciou nas redes sociais e na comunicação social numa espécie de libertação dum sono ou na indiferença.

Cabeças que se prezavam de ser friamente raciocinadoras também despertaram da letargia. Para grande surpresa minha fiquei a saber que essas cabeças pensantes, algumas deles dizendo ter lido uma “porrada” de livros, não sabemos escritos por quem, tinham uma reserva de força capaz de querer impor, sem resistências, pensavam, um pensamento político único sobre as circunstâncias que naquela data ocorreram e manifestam contra a maioria que achou, e acha, ser vil a invasão da Ucrânia, sem aviso, pelo senhor Vladimir Putin. Uma ilusão agradável para alguns uma desilusão para outros.

Poucos dias bastaram para evidenciar que não haveria uma força donde pudesse vir um movimento indubitável e unívoco anti invasão. A invasão do dia 24 de um país que alguns nem sequer saberiam onde ficava não foi abalo suficiente para libertar mentes empedernidas pelo ódio que fez saltar o fogo das suas entranhas contra todos quantos alinhavam em favor de quem se opôs à invasão e à decisão de Putin e lhe fazia frente e alinhavam com o chamado ocidente, EUA, NATO, e E.U.

Estendiam um véu translucidamente púdico sobre o agressor para lhe disfarçar discretamente com falsas e injustificáveis conveniências políticas e ideológicas os perigos humanitários que estavam a acontecer patenteados pela agressão. Lançaram-se e lançam-se à defesa e ao disfarce de um mal manifestamente certo. Defender ou justificar a realidade de uma agressão à soberania de um país com alusões a males praticados no passado por outros é um “crime” de lesa racionalidade e de facciosismo ideológico. Refugiam-se em afirmações com a liberdade de expressão de pensamento, única racionalidade que os assiste. São uma espécie de ideólogos isolados vaidosos do seu isolamento e da sua independência e isenção(?) em relação aos que designam por rebanho.

Acham-se com a superioridade intelectual que as suas ideias lhe dão, ou lhes parecem dar, mas pouco respeitadores, parece, do regime onde vivem optando pela defesa do totalitarismo em confrontação com países democráticos. Há uma obsessão alucinante para com o objetivo dos EUA, dizendo que após o fim da URSS querem dominar a Eurásia, alargar a NATO e a União Europeia, “neutralizar” a Rússia, etc., e outros disparates. Os discursos de Vladimir Putin não se afastam muito disto. Omitem que os antigos países de leste após a queda da URSS aderiram voluntariamente à NATO e à U.E., ninguém os invadiu para lhes impor fosse o que fosse.

Este “clube”, espécie de associação dos amigos de Putin que existia pelo território da ideologia antidemocracia parece ter-se fortalecido após a invasão da Ucrânia. A ele aderiram alguns intelectuais das letras e das ciências famosos pelas suas ideias democrática parecem agora ser famosos pelas suas ideias próximas de um autoritarismo terrorista. A sumula dos seus escritos, embora sem o referirem explicitamente, parecem estar do lado da tirania e não da liberdade.

De resto a atividade narrativa desse clube, para além de núcleo de propaganda, trata mais de estimular o ódio ao ocidente e de ajudar a fortalecer a legitimação de poderes autocratas invasores de países soberanos, que nem os ideais liberais e neoliberais aceitam, do que apelar à fraternidade humana. Espécie de “clube” de ideólogos isolados e vaidosos do seu isolamento, sobretudo vaidosos do que eles chamam da sua independência e “isenção” que as suas ideias lhes parecem dar. O sentido do “clube” é, ainda, tentar mostrar que os objetivos do Presidente russo, Vladimir Putin na Ucrânia são “nobres” e que a invasão lançada sobre o país vizinho era “inevitável”.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:54


2 comentários

Imagem de perfil

De SAP3i a 13.04.2022 às 13:48

QUE VALORES QUEREM QUE APLAUDAMOS E ACEITEMOS?
1 – O Mundo mudou. E «os zelenskys deste mundo» ainda não se conformaram com essa mudança.
2 – Há dois dias, foi anunciado que nos últimos 3 meses disparou a compra de casas em Lisboa. Aumentou 40% em relação às vendas de 2021. Vendidas por um valor médio de 500 mil euros, a compradores de ... 80 nacionalidades diferentes! Casas, para pessoas de 80 nacionalidades diferentes da “portuguesa”, a viverem neste território a que chamamos “Lisboa e Portugal”, com um poder de compra de 500 mil euros. Este território passa a ter que Identidade? Esta mudança está a ocorrer um pouco por todo o Mundo.
3 – Imaginem, que aparecia cá «um zelensky e o seu batalhão azov», e fazia o mesmo que o da Ucrânia. Os que não falavam “português”, nem eram nacionalistas ferozes da portugalidade, eram todos postos num distrito no Algarve ou na Beira. Deixavam de poder aprender as suas línguas nas escolas, e eram perseguidos e bombardeados para não saírem do sítio para onde tinham sido confinados.
4 – As actuais fronteiras ucranianas foram definidas apenas em 1991, por um Tratado que se aproveitou da fragilidade da Rússia. Num sítio em que todos os negociadores conheciam o passado histórico de disputa por essa definição. Desde há 32 mil anos até à “batalha de Poltava de 1709”, passando pela 1.ª e 2.ª Guerra até aos dias de hoje... “Ucrânia”, na língua eslava, significa exatamente “fronteira”. Ou seja, nunca significou nem designou um povo ou uma cultura, mas outrossim, apenas uma zona de fronteira.
5 – De repente, um «Zelensky e o seu «batalhão Azov», a mando dos EUA/NATO, fazem uma “revolução colorida”, depondo quem estava no poder através dum golpe-de-rua (com a presença de Senadores americanos, como todos vimos em direto nas TV’s).
6 – Instalados no poder, a 1.ª coisa que fazem é um decreto a proibir uma língua falada há séculos no seu território, proíbem o ensino dessa língua nas escolas, perseguem e bombardeiam os falantes de russo durante 8 anos, e obrigam-nos a refugiarem-se num canto do país, desmembrando famílias nascidas nesse território, que consideravam a cultura russa como parte da sua identidade.
7 – Pior ainda. Nos “Acordos de Minsk” (que a França e a Alemanha ficaram de mediar e implementar) esses segregados pediam --- já que não eram aceites pelo novo “regime de Zelensky&batalhãoAzov», e eram perseguidos e segregados à força -- um estatuto de autonomia. Pois, de outro modo, teriam de continuar a viver bombardeados e segregados o resto da vida. O que fez o «senhor Zelensky e o seu batalhão Azov»? Disse: “Não! Nem pensar. Ficam aqui sujeitos às nossas leis e à nossa vontade”.
8 – Antes de 24 fevereiro 2022, Putin escreveu uma Carta individual, a cada um e a todos os governos da UniãoEuropeia, pedindo para implementarem esse “Acordo de Minsk”. Putin aceitava manter toda a soberania das atuais fronteiras, apenas exigia uma autonomia para esses russos segregados e bombardeados.
9 – O que fizeram esses democratas europeus da UniãoEuropeia à Carta de Putin? Riram-se. Atiraram as Cartas para o caixote do lixo. E vieram todos fanfarrões, em uníssono com os EUA/NATO, como cowboys imaturos e adolescentes, dizer: “Não!”.
10 – Ora, agora, para a estupefação de uns quantos de nós (apelidados de putinistas, traidores, criminosos e outros vitupérios), vemos de repente este «Zelensky e o seu batalhão Azov» a serem uns heróis da democracia e dos valores europeus! Que até passeiam pelos Parlamentos desses países, em sucessivas videoconferências, como vedetas mediáticas.
11 – Será que ao nosso futuro, e ao das pessoas das 80 nacionalidades diferentes que vivem cá em Lisboa e Portugal, vai-lhes acontecer o mesmo que esse «Zelensky e o seu batalhão Azov» fez aos russos que vivem na Ucrânia?
12 – Não nos queiram convencer que essa segregação xenófoba do «senhor Zelensky e do seu batalhão Azov» não é um acto de genocídio inqualificável. Que foi permitido durante 8 anos pela ONU, UE e NATO. A cumplicidade criminosa por este acto xenófobo, e por esta coerção que nos estão a fazer para que o aceitemos, jamais será esquecido e desculpado.
São esses os valores que querem que aplaudamos e aceitemos?
Imagem de perfil

De Zé Onofre a 18.04.2022 às 00:01

Boa noite, Manuel_AR

Independência e imparcialidade da Comunicação Social do Ocidente.

//“Toda a atenção prestada à Ucrânia é muito importante, é claro, porque [o que lá se passa] tem impacto em todo o mundo, mas não é dada sequer uma fração dessa atenção ao Tigray (a região da Etiópia de que é originário, onde há um conflito armado devastador em curso), ao Iémen, ao Afeganistão, à Síria e a todos os outros” […] “O que está a acontecer na Etiópia é trágico, as pessoas são queimadas vivas por causa da sua etnia, e por nada mais, e não tenho a certeza se isso foi levado a sério pela comunicação social”,
C – Não consigo perceber a imprensa portuguesa. De repente surgem do nada uns quantos “jornalistas de guerra” que não sei por onde andariam.

Finalmente descubro que tenho andado tão desatento   das notícias que nem me apercebi que as imagens que a qualquer hora passam nas redes de televisão Portuguesas não são apenas da guerra russo-ucraniana.

Devo ter-me distraído naqueles breves momentos em que os apresentadores de serviço dizem:

- Agora vamos mostrar imagens do nosso correspondente na Etiópia que  nos vai pôr a par do conflito que opõe o governo de Adis Abeba e os independentistas do Tigray.

Conflito que se arrasta desde 2020, como bem sabem pelas notícias, fotografias, vídeos e imagens em directo e nas entrevistas que temos feito às vítimas inocentes desta guerra.

Como bem sabem, através dos jornalistas que lá temos destacados. Nestes quase dois anos de conflito têm sido marcados por milhares de mortos e quase 2 milhões de deslocados. As atrocidades têm sido muitas desde estupros, massacres, e outros abusos.

Como sabem o governo Etíope é um fiel aliado dos EUA.     

- Temos agora em linha o nosso correspondente no Sudão do Sul, em lutas intestinas desde 2013 que com uma população de 12 milhões de pessoas, 6 milhões estão em situação de fome.

- Agora temos ainda …

Não, não sou eu que tenho andado distraído, são os patrões dos nossos jornalistas, ou mesmo os nossos jornalistas, que andam arredados desses locais de barbárie, de crimes contra a humanidade, e outras sevícias em casos que tais.

A imprensa portuguesa e ocidental, tão independente e imparcial, nada controlada pelos interesses imperialistas dos EUA/OTAN/EU, não noticia 2 000 000 de deslocados, 6 000 000 de pessoas a morrerem à fome porque isso, e outros tantos acontecimentos todos eles varridos para debaixo do tapete, são coisa pouca que tenha interesse algum saber-se e dar-se a conhecer.//

  Zé Onofre   

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.