Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



O ballet acrobático de Paulo Portas

por Manuel_AR, em 12.05.13


Após a declaração de Paulo Portas no domingo passado muito se tem falado nos canais de televisão via comentadores políticos. O que apoiam Paulo Portas e o Governo desfazem-se em explicações mais ou menos confusas e omissas. Isto porque, na semana a seguinte Passos Coelho e um dos seus secretários de estado vieram falar de um corte nas reformas dos funcionários públicos que pertencem à Caixa Geral de Aposentações, para a qual descontaram durante dezenas de anos. A forma ardilosa que encontraram para as fazer baixar seria através da reformulação da fórmula de cálculo para todas as pensões que foram atribuídas por aposentação anteriores a 2005.


Ora, o Dr. Paulo Portas veio a público afirmar que se opunha a quaisquer taxas que viessem a incidir sobre as pensões de Caixa Nacional de Pensões, mas não se referiu a cortes nas pensões dos funcionários públicos nem a hipotética alterações de cálculo que as fizessem baixar. Tentou baralhar referindo-se a uma espécie de taxa TSU sobre as reformas nome que, segundo ele, foi dado pela imprensa. Apoiantes de Paulo Portas questionados sobre esta matéria já por várias vezes não esclarecem esta ambígua situação e reenviam para a concertação social e parceiros socias o que for decidido. Como? Então ele não disse que poderia sair do Governo se o limite fosse ultrapassado? Pelo menos foi uma das leituras que se poderia fazer.


A tal linha que Paulo Portas não estava disposto a ultrapassar, pelos visto é muito ténue e revela mais uma situação de dois pesos e duas medidas e mais uma tentativa de divisão entre sectores da sociedade. Não me venha ele desculpar-se depois que não sabia (esteve num conselho de ministros que durou várias hora) ou que a culpa é da “troika” porque não aceitou a proposta, como eu anteriormente escrevi em “post” anterior referente a esta matéria.


Já estamos fartos destas piruetas político-acrobáticas do Dr. Paulo Portas na caça ao voto. O que ele esquece é que apesar de se dizer que o povo tem memória curta, desta vez, quando chegar a altura, a situação é tão grave que irá, com certeza, recordar-se.


O líder do CDS/PP bem pode jogar ao “toca e foge” as já vem tarde. O estigma contra os idosos e os reformados foi lançado. Já só falta colocar uma marca obrigatória no braço como faziam na Alemanha nazi com os judeus, e ele deixou que isso esteja a acontecer.


Se considerarmos uma teoria da conspiração tendo em conta que, todos os que agora se encontram reformados ou aposentados e aqueles cuja idade é um obstáculo a encontrar trabalho, é como se estivesse a ser cometida uma vingança a todos os que fizeram ou viveram o 25 de abril. E, como a confiança que se tem neste Governo e nos partidos do mesmo é, na prática, nula, pode bem acreditar-se nesta tese.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:24



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.