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Moda para quem?

por Manuel_AR, em 06.06.12

Quando pensamos em moda associamos de imediato à adoção e utilização de um determinado modelo ou estilo de vestuário. Contudo pode ser também, uma cor, um determinado objeto, palavra, uma atitude, etc. que se generalizou. Dizemos então que está na moda. 


A moda é também um conceito estatístico que representa o valor que mais frequentemente ocorre num conjunto de valores, isto é, são o elemento ou elementos numéricos mais frequentes numa série estatística e pode ser unimodal quando apenas se refere a uma valor, ou multimodal quando os valores se agrupam em distribuições com várias modas.


Vejam-se dois exemplos: 2,2,3,7,8,8,8,9,10 a moda é 82,2,4,4,4,6,6,7,8,8,8,9 a moda é 4 e 8.


Considerando o número de pessoas que adotou um determinado estilo de vestuário ou de tendência, podemos então associar de acordo com conceito utilizado pelo senso comum que é o estilo mais frequente usado no meio de uma população.


Os estilistas bombardeiam-nos todos os anos com novos modelos no vestuário e calçado, condicionando os fabricantes a seguir as tendências que irão impor aos consumidores. Podemos facilmente efetuar uma análise comparada de moda através de catálogos de moda de várias épocas quer nos estilos, quer noa padrões. Pode então constatar-se que, para o cidadão comum, a moda torna-se repetitiva de década para década e às vezes até menos. De tempos a tempos os estilistas (antigamente denominados costureiros, quando a confeção era dominada por senhoras a que se chamava costureiras de alta costura), vão recuperar a moda, há muito tempo caída em desuso e, com mais ou menos nuance, lançam como nova e que apelidam de “vintage”. Renascidas das cinzas estão as calças à boca-de-sino, usadas nos anos 60 e 70 por pais e avós dos jovens atuais. Felizmente a moda não pegou muito, mas ainda está por aí como se pode ver.


 



 


“Seguindo a regra do estilo hippie que voltou com tudo, a tendência é que as calças boca-de-sino (ou Jeans Flare) e Pantalonas aquelas que usávamos na década de 70, serão tendência forte já confirmada…”


Fonte da image: http://sandaliamelissa.net/tag/moda-2012/


 


 As calças sem fundilho, que muitos rapazes também usam no formato “jeans”, e mais não são do que as chamadas calças de harém onde ao ditadores da moda se inspiraram e que já se usavam no tempo do Ali Babá, se é que alguma vez existiu a não ser nas histórias das 1001 noites.


 



 


 


O que se diz das calças também se pode dizer do calçado. As sabrinas, usada nos anos 50 do séc. XX, apesar de serem um clássico mais ou menos escondido nos armários, regressaram em força. 


 



Fonte da imagem: http://sandaliamelissa.net/tag/moda-2012/


 


 


Muito haveria a dizer sobre o sobe e desce das saias, o alarga e estreita das calças, a ponta dos sapatos em bico, as solas mais ou menos e grossas e os tacões em cunha já usadas no passado, os vestidos coloridos com ramos e flores do tempo das nossas avós, etc.…


 


 



  


 Fonte da imagem: http://sandaliamelissa.net/tag/moda-2012/


 


 A moda masculina é ainda mais evidente o mesmo “ramerrão” (monotonia e persistência). Os casacos descem, passado tempo sobem, colocam duas rachas atrás, retiram as rachas, passado tempo sobem mas com rachas, depois descem e coloca-se uma racha, volta a descer e sem aberturas, alargam as lapelas, estreitam as lapelas, colocam três botões, retiram os três botões, colocam um botão, colocam dois botões, sobem as lapelas, descem as lapelas e, passado tempo, voltam os três botões com lapelas estreitas, isto num sem fim do tipo eterno retorno!


 




 

 


 


 


Visto que disto não passa sempre podemos optar por vestir casacos como os do José Luís Goucha para irmos para o trabalho.


 


 



 


 


Das gravatas nem vale a pena falar, estreitam, alargam, estreitam; bolas, riscas, bolas; cores sóbrias, cores vivas, cores sóbrias; lisas, com motivos, lisas. Gravatas que se usaram há mais de 20 anos estão outra vez na moda.


Enfim, não há volta a dar, ciclicamente voltamos ao mesmo. Algumas das grandes revoluções na moda deram-se no séc. XX quando as saias das senhoras subiram acima dos joelhos para nunca mais voltarem ao que eram. Depois desceram um pouco e voltaram a subir e o sexo feminino passou a usar calças o que se tornou bastante prático.


O que pretendo dizer com isto tudo é que os estilistas, no que se refere à moda, viram o disco e tocam o mesmo, criando assim uma falsa noção de novidade e propensão para a fúria consumista, apesar da crise financeira, económica e social, gerando uma angústia nas pessoas que, para estarem “in” são induzidas a comprar novas (?) coleções, ao mesmo tempo que os armários se enchem de roupa que acabam por deixar de usar com a angústia de ficarem “out” e, desta forma, assim se vai alimentando uma indústria que, ela também, contribuiu para o endividamento de muitas famílias através dos cartões de crédito.


Estamos à espera de uma grande revolução na moda masculina quando os estilistas conseguirem que, também os homens, passem a usar saias no dia-a-dia. Que tal? É contra natura? Ora! No mundo da moda há tanta coisa contra natura!


 


A moda obedece a uma evolução que pode ser representada por uma curva logística também designada por curva de inovação e aceitação que relaciona o número de aceitantes de uma inovação com o tempo em que ela se vai expandindo. Quando se lança um determinado bem ou serviço no mercado de consumo, por exemplo um tipo de vestuário, no início apenas um número reduzido de pessoas o adota, aumentando ao longo do tepo (linha a vermelha) até atingir um máximo a partir do qual vão sendo cada vez menos até surgir um novo produto no mercado e o ciclo recomeça.


O gráfico seguinte mostra curvas logísticas que teoricamente elucida bem o fenómeno.


 



P é o número de população que adota a inovação (nova moda ou modelo) e T é o tempo durante o qual decorre a aceitação.


 


Há que ter em atenção que uma nova inovação ou moda não se inicia apenas quando está completo o ciclo. Ao fim de algum tempo outra inovação ou moda surge (linha a azul) e recomeça novo ciclo que pode coexistir com o anterior, avançado no tempo, e assim sucessivamente.

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publicado às 18:06



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