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Jovens esses infelizes e zangados

28.06.24 | Manuel_AR

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O último Relatório Mundial da Felicidade mostra que os jovens em todo o mundo relatam níveis de felicidade mais baixos do que os mais velhos. Desde 2006 que os níveis relatados de felicidade dos jovens diminuíram na América do Norte, América do Sul, Europa, Sul da Ásia, Oriente Médio e Norte da África.

O que mostram os relatórios que tenha contribuído para os baixos níveis de felicidade dos jovens? Vejamos alguns a para do que me tem mostrado a minha observação não sistematizada e a perceção sobre essa realidade. Em primeiro lugar os relatórios mostram que os jovens enfrentam um maior esforço para atingirem a prosperidade do que as gerações anteriores. Não me parece ser de todo exato, depende do que eles entendem por prosperidade. Para muitos jovens, a prosperidade envolve atingir padrões de vida que garantam uma sensação contínua de contentamento e estabilidade emocional é uma ambição de todos quando são jovens. 

As gerações anteriores, os que os geraram não tinham à sua disposição nem salários elevados, nem acesso fácil a atividades culturais, nem capacidade económica para viajarem com frequência, tiveram de pagar a habitação de empréstimos durante dezenas de anos, tiveram que pagar os estudos aos seus descendentes, por vezes com grandes sacrifícios, a férias muitas vezes não eram as que desejavam ficando-se a maior parte das vezes no local de residência habitual. As famílias cortavam nas despesas para conseguirem economizar para um futuro incerto e para darem uma mesada aos filhos. O desemprego era, como agora ainda é, uma ameaça.

A habitação, educação e a saúde não eram acessíveis e a segurança financeira e o bem-estar geral não estavam facilmente acessíveis. Por princípio as dívidas de empréstimos para manter os estudos dos filhos associados aos baixos salários apertavam as suas finanças, atrasando marcos para a obtenção de casa própria. Aqui residia o princípio da poupança em lugar do consumo desenfreado da atualidade e não se punha à frente o ter em lugar do ser.

O aumento dos custos de habitação sempre foi uma grande preocupação para as gerações anteriores, mas estava na poupança em lugar do consumo e considerando a inflação os preços também não eram muitas das vezes acessíveis.

É certo que os jovens se defrontam com arranjos de trabalho precários que têm menos segurança e benefícios em comparação com as carreiras tradicionais. Se a instabilidade de emprego dificulta um planeamento e cria uma ansiedade em relação ao futuro, o espetro do desemprego também era uma sombra sobre a cabeça das gerações anteriores excluídos aqui as funções no serviço público.

O liberalismo económico e descontrolado (como a IL propõe, por exemplo) leva a que as taxas de desemprego dos jovens permanecem teimosamente altas em todas as economias desenvolvidas por ser uma mão de obra barata devida à inexperiência dos novos contratados o que leva a que a contratação laboral não passe a emprego efetivo.  

Apesar de haver alguns estudos sobre a falta de relacionamento fortes e presenciais devido a fatores como diminuição do tempo de lazer, mobilidade geográfica ou ansiedades sociais basta observarmos a realidade nos grandes centros urbanos onde a oferta de atividades lúdicas como concertos, discotecas, restaurantes onde se encontram sobretudo aos fins de semana. Ainda com isto relacionado verifica-se que têm, acesso a finanças auferidas pelo trabalho, quando o têm, ou as famílias mais ou menos abastadas que proporcionam aos filhos rendimentos através da compra de andares que depois alugam como AL ou como quartos.

Os jovens passam mais tempo nas redes sociais do que tempo dedicado ao estudo ou à leitura e muitos queixam-se da solidão e de casos de depressão, mas há um estudo de 2022 que encontrou uma forte correlação entre o aumento do uso das redes sociais e sintomas de depressão e solidão em jovens adultos que é, provavelmente, uma tendência global.